AVALIAÇÃO DO MERCADO DE GÁS NATURAL RESIDENCIAL DE SALVADOR

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1 Universidade Federal da Bahia Escola Politécnica Departamento de Engenharia Química Curso de Especialização em Engenharia de Gás Natural LADJANE MELO BRAGA AVALIAÇÃO DO MERCADO DE GÁS NATURAL RESIDENCIAL DE SALVADOR Salvador, maio 2011

2 LADJANE MELO BRAGA AVALIAÇÃO DO MERCADO DE GÁS NATURAL RESIDENCIAL DE SALVADOR Monografia apresentada à Escola Politécnica da Universidade Federal da Bahia, sob a orientação do professor Dr. Ednildo Andrade Torres, como um dos pré-requisitos para a obtenção do título de Especialista em Engenharia de Gás Natural ORIENTADOR: Profº Dr.Ednildo Andrade Torres Salvador, maio 2011

3 Ficha de Catalogação Braga, Ladjane Melo B 813 Avaliação do mercado de gás natural residencial de Salvador / Ladjane Melo Braga. Salvador : UFBA/Escola Politécnica, f. Monografia (especialização latu sensu) apresentada à Escola Politécnica da Universidade Federal da Bahia, Curso de Especialização em Engenharia de Gás Natural. Orientador: Prof. Dr. Ednildo Andrade Torres. 1. Gás natural Salvador (Bahia). 2. Recursos naturais. 3. Fontes de energia. I. Título. CDD: CDU:

4

5 AGRADECIMENTOS À Deus acima de tudo. A meu filho Igor, a minha filha Rebeca e ao meu marido Ricardo pelo apoio a todo o momento, por serem tão especiais sempre carinhosos e compreensivos. Aos meus familiares e amigos, por acreditarem na concretização deste sonho. Aos professores do curso de Especialização em Engenharia de Gás Natural CEEGAN VI que contribuíram para a construção dos conhecimentos necessários para a realização deste trabalho. À direção da Bahiagás e toda a sua equipe de profissionais, por terem aberto as portas da organização e fornecido os materiais e informações necessárias para a realização desse trabalho. Profº Dr. Ednildo Andrade Torres, orientador competente e, acima de tudo, um mestre. A todos os colegas que forneceram algum tipo de ajuda para a elaboração do presente estudo. Enfim, a todos que, direta ou indiretamente, participou da realização deste projeto, o que torna impossível mencionar este universo, sem cometer omissões.

6 SUMÁRIO CAPÍTULO INTRODUÇÃO Objetivos Justificativa Estrutura 9 CAPÍTULO METODOLOGIA 10 CAPÍTULO GÁS NATURAL: CONCEITO A Importância do Gás Natural CAPÍTULO GÁS NATURAL NO BRASIL E SUAS VARIÁVEIS Reservas de Gás Natural no Brasil Comparações Importantes GN, GLP, Gás de Refinaria e Gás de Rua Usos de Gás Natural: Residencial, Comercial e Refrigeração Vantagens e Desvantagens do Uso do Gás Natural Tipos de Medições: Coletiva, Coletiva com Rateio e Individual Viabilidades de Preço do Gás Natural e do GLP Implantações de Gás Natural em Edifícios 33 CAPÍTULO HISTÓRICO DO MERCADO RESIDENCIAL DE GÁS EM SALVADOR Contexto Atual em Salvador Evolução dos Clientes Residenciais da Bahiagás Mercado Atual de Gás Natural na Bahia Perspectivas da Bahiagás para Clientes Residenciais em CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES 53 REFERÊNCIAS 55

7 LISTA DE TABELAS Tabela 1 Especificações do Gás Natural 13 Tabela 2 Reservas de Gás Natural por Região de Produção (Bilhões de m 2 ) 22 Tabela 3 Comparação entre os Gases de Uso Doméstico 30 Tabela 4 Custo do Gás Natural em Relação ao Consumo (05/05/2011) 31 Tabela 5 Clientes Contratados Residenciais até Tabela 6 Localização dos Domicílios 43 Tabela 7 Nº de Domicílios por Tipo de Medição 45 Tabela 8 Nº de Domicílios por Uso 46

8 LISTA DE FIGURAS Figura 1 Clientes Contratados 41 Figura 2 Evolução Nº de Domicílios Convertidos 42 Figura 3 Localização dos Clientes 44 Figura 4 Tipos de Medição 45 Figura 5 Tipo de Uso 46

9 RESUMO Este trabalho tem como objetivo avaliar o Mercado de Gás Natural na área residencial de Salvador, e sua evolução. Conhecer, apresentar e analisar o desenvolvimento deste segmento em Salvador desde o ano de 2004 até Com o crescimento acelerado do mercado imobiliário, da construção civil e a modernização dos projetos residenciais da cidade de Salvador, o Gás Natural residencial vem conquistando seu espaço desde o primeiro edifício a utilizar o Gás Natural. O mercado residencial é o que tem o menor consumo se comparado com os outros segmentos. E especificamente conceituar o Gás Natural, GLP e sua importância no contexto atual, apresentar o histórico do mercado residencial de Salvador desde 2004 até a atualidade e estabelecer comparativo dos anos, com intuito de verificar possível variação de preço do Gás Natural x GLP. Através de pesquisa bibliográfica embasada em respostas para questionamentos prévios, aplicada com levantamento bibliográfico de publicações que tratam de temas como consumo de Gás Natural, recursos naturais, fontes de energia. Com base nesses conceitos, observou-se a importância desse recurso natural, onde o cenário energético atual aponta para o crescimento da utilização do Gás Natural, seu crescimento vem sendo comprovado pela evolução gradual e constante dos volumes de Gás Natural na matriz energética nacional. O Gás Natural residencial encontra dificuldades em sua implantação, sendo necessário um estudo mais detalhado, levando em consideração as peculiaridades territoriais de Salvador. Palavras-chave: Gás natural Salvador (Bahia); recursos naturais; fontes de energia.

10 ABSTRACT This paper aims to address the main theme of Natural Gas Market in the residential area of Salvador, its evolution and current assessment. Known, present and analyze the development of this segment in Salvador since the year 2004 until With the rapid growth of real estate, construction and modernization of residential projects in the city of Salvador Natural Gas Residential has been gaining share since the first building to use natural gas. The residential market is the one with the lowest consumption compared with other segments. And specifically conceptualize Natural Gas, LPG and its importance in the current context, presenting the history of the residential market in Salvador from 2005 to the present and establish comparative years, in order to verify possible changes in price of natural gas x LPG. Through literature search based on answers to previous questions, applied with bibliography of publications dealing with topics such as consumption of natural gas, natural resources, energy sources. Based on these concepts, we observed the importance of this natural resource, where the current energy scenario points to the growing use of natural gas, its growth has been demonstrated by the development of gradual and constant volumes of natural gas in national energy policies. Natural Gas Residential faces difficulties in its implementation, requiring a more detailed study, taking into account the peculiarities of territorial Salvador. KEYWORDS: Natural gas Salvador (Bahia); natural resources; sources of energy.

11 7 CAPÍTULO 1 1 INTRODUÇÃO O gás natural (GN) consiste em um combustível fóssil e dessa maneira recurso não renovável, sendo visualizado como uma fonte energética alternativa importante que pode ser utilizada em vários segmentos industriais e outras atividades. No Brasil o uso do Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) como gás combustível é muito popular, por ser de fácil transporte e armazenamento, as instalações de distribuição de gás canalizado (Gás Liquefeito de Petróleo - GLP e Gás Natural GN), reduzem o contato direto dos consumidores com os botijões, pois o reabastecimento dos vasilhames e sua manutenção são efetuados com cuidado por profissionais. A Bahia se destaca como um grande produtor de gás natural, seu fornecimento na área residencial se tornou um mercado atrativo e em expansão. Nos últimos anos o destaque foi significativo e por questões de comodidade e segurança o fornecimento de gás predial na capital baiana. Dessa maneira, os especialistas na área prevêem que os botijões utilizados em residências estarão cada vez mais em desuso, essa seria a maior justificativa desse trabalho, a relevância do tema, principalmente no contexto crescente no ramo imobiliário e da construção civil em Salvador. 1.1 Objetivos O objetivo geral é o estudo do mercado de gás natural residencial em Salvador Bahia, conhecer, apresentar e avaliar o seu crescimento desde sua implantação em 2002 até 2010 e estabelecer comparativo no período e a variação do preço do GN comparado com o GLP.

12 8 1.2 Justificativa A capital baiana possui uma extensão territorial bastante verticalizada, com muitos desses edifícios e condomínios que utilizam gases combustíveis canalizado, como o GN e GLP. Mas ainda encontra dificuldades para o fornecimento do gás natural, em especial, para os bairros novos e com melhor estrutura onde são mais fáceis de ocorrerem à implantação e o consumidor poder ter acesso a esse serviço, contudo, os bairros antigos, com acessos limitados para implantação do GN, tornaram-se um grande empecilho para este avanço. Neste setor existem alguns fatores que dificultam a aquisição de novos clientes, principalmente para prédios antigos, bem como, em condomínios horizontais. O mercado residencial é o mercado que tem o menor consumo se comparado com os outros setores: o comercial, o automotivo e industrial. A verificação deste mercado como um todo, ou seja, quais são as dificuldades apresentadas, para o crescimento deste segmento. Conhecer o mercado de gás natural na área residencial, ou seja, conhecer, analisar, compreender o desenvolvimento do mercado de gás natural nesta área. E se existe crescimento deste mercado. As mudanças para solucionar essa limitação serão gradativas, devido à estrutura geográfica da cidade. Mas à medida que o fornecimento do GN avance, os órgãos responsáveis poderão criar projetos e artifícios no intuito de extinguir o problema. Com base no tema apresentado, questiona-se: como otimizar o custo de implantação nos bairros antigos da cidade de Salvador e popularizar o fornecimento de gás canalizado?

13 9 1.3 Estrutura Este estudo foi desenvolvido na tentativa de responder a questão e aos objetivos citados anteriormente, e está estruturado em cinco capítulos. O primeiro capítulo aborda o histórico do gás natural, os objetivos, justificativa, delimitação e estrutura deste trabalho. O segundo capítulo aborda a metodologia utilizada para o desenvolvimento desta pesquisa. O terceiro capítulo aborda o conceito do gás natural, com foco em sua relevância e importância no cenário atual. O quarto capítulo analisa o gás natural no Brasil e suas variáveis, as reservas de gás natural no Brasil, comparações importantes entre GN, GLP, Gás de Refinaria e Gás de Rua, os usos de gás residencial, comercial e refrigeração, assim como, as vantagens e desvantagens do gás natural, tipos de medição, viabilidade de preço do gás natural e GLP e implantação de GN em edifícios. O quinto capítulo aborda o histórico do mercado de Gás Natural em Salvador, o contexto atual em Salvador, a evolução dos clientes da Bahiagás, o mercado atual de GN na Bahia e as perspectivas da Bahiagás para clientes residenciais de 2011.

14 10 CAPÍTULO 2 2. METODOLOGIA Nesta pesquisa foram utilizados fichamentos e resumos dos materiais coletados com posterior análise crítica, pesquisa bibliográfica, artigos, periódicos, coleta de dados que deverão ser representativas e suficientes para apoiar as conclusões deste estudo, viabilizando discussões acerca do assunto por parte da proponente da pesquisa. As informações coletadas para realização deste trabalho foram dados obtidos através do levantamento bibliográfico, que consistem em informações obtidas através de pesquisa científica e base de dados consultadas em vários órgãos e instituições no Brasil com o objetivo de embasar e trazer novos conhecimentos para este trabalho. A técnica utilizada para esta pesquisa está direcionada para o campo bibliográfico, por almejar a construção de conhecimentos para aplicação prática entre agentes envolvidos (VERGARA, 2003). Sua abordagem é da ordem qualitativa, esclarecendo a impossibilidade em traduzir em números a união entre sujeito e a realidade vivenciada, dessa forma, a relação inseparável que se estabelece entre subjetividade do ser humano e o mundo concreto, propriamente dito. E também por compreender que a pesquisa qualitativa tem a naturalidade como fonte de dados e o pesquisador como seu principal instrumento. (BOGDAN e BIKLEN e LUDKE e ANDRE, 1986, P. 11). Baseado nos objetivos gerais esta pesquisa pode ser identificada como bibliográfica caracterizada pelo seu modelo conceitual e metodológico e embasada em respostas para questionamentos prévios, aplicada com base em determinados métodos e procedimentos. Os passos para obtenção de informações e realização do trabalho consistiram, inicialmente, em um levantamento bibliográfico de publicações que tratam de temas como consumo de gás natural, recursos naturais, fontes de energia.

15 O foco deste trabalho direciona-se no mercado de gás natural residencial em Salvador, são contemplados os números de clientes residenciais que utilizam gás natural, bem como uma análise da representatividade desses números o que eles para esta pesquisa. 11 A pesquisa teve suporte em noções de engenharia, através de conceitos dos autores: Abreu (1999), Turdera (1997), Alveal (1997) entre outros. Com base nesses conceitos, observa-se a importância desse recurso natural, onde o cenário energético atual aponta para o crescimento da utilização do gás natural, seu crescimento vem sendo comprovado pela evolução gradual e constante dos volumes de gás natural na matriz energética nacional.

16 12 CAPÍTULO 3 3. GÁS NATURAL: CONCEITO Pela lei vigente no Brasil número 9.478/97 (Lei do Petróleo), o gás natural (GN) "é a porção do petróleo que existe na fase gasosa ou em solução no óleo, nas condições originais de reservatório, e que permanece no estado gasoso em CNTP (condições normais de temperatura e pressão). A Lei ainda acrescenta que o gás natural (GN) consiste numa mistura com componentes de hidrocarbonetos leves que, em situações normais de pressão e temperatura, apresenta-se no estado gasoso. No meio natural, o mesmo é encontrado em aglomerados de rochas porosas no subsolo (terrestre ou marinho), e normalmente acompanhado de petróleo. O gás natural está subdividido em duas classificações: associado e não associado. O gás natural associado consiste naquele encontrado em um reservatório, acompanhado de petróleo, sendo nesse caso, diluído no óleo ou sob a forma de uma capa de gás, ou seja, uma parte superior da acumulação rochosa, onde a concentração de gás é superior à concentração de outros fluidos como água e óleo. Já o gás não associado é aquele que, num recipiente, está livre do óleo e água, ou se encontram em concentrações muito baixas. No ambiente natural, em meio às rochas porosas, a concentração de gás é predominante, possibilitando a produção basicamente de gás. O gás natural compõe-se principalmente de metano, etano, propano e, em proporção amenizada, de outros hidrocarbonetos de maior peso molecular. Nessa composição, sobressai, principalmente, o metano (CH4). Geralmente, o gás natural apresenta reduzidos teores de impurezas como nitrogênio (N2), dióxido de carbono (CO2), água e compostos de enxofre.

17 A composição do gás natural pode variar, de campo para campo, o que é consequência de ele estar associado ou não ao óleo e de ter sido ou não processado em unidades industriais. 13 No Brasil as características e propriedades do gás natural direcionado ao consumo são reguladas, pela Portaria n o. 41, de 15 de abril de 1998, da Agência Nacional de Petróleo (ANP). O gás distribuído enquadra-se, normalmente, no Grupo M (médio), abaixo a tabela 01 salienta essas especificações detalhadamente: Tabela 1 Especificações do Gás Natural Conforme Tabela 1, existe todo um cuidado para manuseio do gás natural, pois o mesmo é inodoro, incolor, inflamável e asfixiante quando aspirado em concentrações elevadas. Dessa maneira, para facilitar sua identificação em situações de vazamento, componentes à base de enxofre são adicionados ao gás em concentrações suficientes para lhe dar um cheiro marcante; esse processo de extrema importância para o manuseio do GN é conhecido como odorização. Conforme ANP (2002), a produção de gás natural pode ser dividida, conceitualmente, em bruta, perdida e reinjetada e comercializada: a) Produção Bruta: corresponde aos volumes extraídos dos reservatórios; b) Produção Reinjetada: são os volumes dos reservatórios para a recuperação secundária de óleo;

18 c) Produção Perdida: volumes perdidos em qualquer fase da cadeia produtiva dividem-se em produção queimada no próprio campo, por falta de mercado consumidor e/ou investimento em tecnologia; d) Produção Comercializada (consumo geral) corresponde ao total da Produção Bruta menos Produção Reinjetada e Produção Perdida Importância do Gás Natural O gás natural consiste em um combustível fóssil e dessa maneira recurso não renovável, sendo visualizado como uma fonte energética alternativa importante que pode ser utilizada em vários segmentos industriais e outras atividades. As pesquisas mais recentes desse combustível salientam a sua importância e vem ao encontro das atividades econômicas num contexto amplamente globalizado, fato que tem dominado o cenário internacional e nacional, exigindo das áreas produtivas uma postura de contínua busca de maior competitividade. Em contra partida o gás automotivo começa a ser significativo, embora represente somente 1,2% do gás consumido no país. Nas zonas rurais, ocasionado devido à dispersão dos consumidores, enfrenta-se uma maior dificuldade para a inserção do energético que, apresenta um potencial de consumo na área de secagem de grãos, de fumo, além de aquecimento de instalações de aves, entre outros (ABREU, 1999). O autor reforçando a importância do gás natural aborda a questão da cogeração, o mesmo conceitua-o como o processo que permite a produção simultânea de energia elétrica, térmica e a vapor, a partir de uma única fonte de combustível: o gás natural. A Comgás (1999, p.45) aponta este combustível como uma alternativa importante para suprir a escassez de energia:

19 O ganho de eficiência neste sistema proporciona a produção de uma energia elétrica confiável, com baixo custo, ficando a unidade industrial ou comercial independente da qualidade de fornecimento do distribuidor de energia. Fato da maior importância para usuários que necessitam de um abastecimento sempre contínuo e ininterrupto, como os hospitais, hotéis, shopping centers e grandes empreendimentos ou mesmo muitas indústrias. Para um melhor entendimento, uma unidade de cogeração se constitui basicamente de uma unidade motora para mover um alternador que gera energia elétrica utilizável no próprio local de produção, sendo que o excedente na disponibilidade de energia elétrica pode ser transferido para outras redes. 15 Esta energia produzida pode proporcionar uma redução de custos, pois o calor recuperado dos gases de escape produz vapor, ar quente e refrigeração, importantes nos processos industriais. Consequentemente, a refrigeração, utilizando a energia térmica do processo, é obtida através de unidades de absorção cujo custo é menor quando equiparados com unidades convencionais por compressão. A utilidade e importância do gás natural se ampliam em vários âmbitos, mas esta pesquisa pretende abordar de maneira mais enfática esse item com foco no mercado residencial de Salvador no Estado da Bahia. O gás natural (GN) atualmente representa a terceira maior fonte de energia fóssil primária no mundo, logo após posiciona-se o petróleo e o carvão. Na Primeira Revolução Industrial o carvão teve um importante papel, seguindo do petróleo, que se tornou essencial para o desenvolvimento industrial e tecnológico até a nossa época. Ao longo dos séculos a busca por novas fontes de energia e a otimização de sua aplicabilidade (tanto primárias, quanto secundárias), evoluíram de maneira dantesca, reforçando a necessidade de disponibilidade de fontes energéticas primárias ou à substituição gradual do energético em uso. Com a evolução o carvão substituiu a lenha e durante esse período, a Inglaterra teve no carvão o pivô de sua posição hegemônica do capitalismo de então. Posteriormente, os Estados Unidos e outros países da Europa entraram no processo de industrialização sustentado pelo carvão mineral.

20 Turdera (1997) relata que com o advento da eletricidade e do motor a combustão interna reformula a matriz Energética, isto não somente significou um avanço tecnológico significativo, como direcionou também para uma mudança estrutural na economia mundial, iniciando dessa maneira, a Segunda Revolução Industrial, o que seria primordial o uso em grande escala dos hidrocarbonetos, com foco no petróleo e seus derivados. 16 Com base no autor, vários fatores de caráter técnico, com elevado poder calorífico e de fácil combustão, assim como, econômico com alto lucro oriundo da relação custo/renda, foram primordiais na ascensão e a presença do petróleo e seus derivados como a principal fonte energética mundial. Dessa maneira o gás natural começou a ser inserido sutilmente em vários segmentos do mercado energético. Até os anos 50, a maioria dos países, o considerou como um subproduto da extração de óleo, e descartado nas plataformas por ausência de tecnologia apropriada ou até mesmo por questões econômicas para seu uso. Por volta da década de 70 o preço do petróleo atingiu seu ápice, caindo em 50% na década de 80. Isso levou os países industrializados, extremamente dependentes do petróleo, a repensarem e reestruturarem suas matrizes energéticas (MARTIN, 1990). Com isso, motivou a busca intensa por fontes de energia alternativas, sendo elas renováveis e não renováveis. Essa postura partiu de países europeus: Estados Unidos, Canadá, Japão, Austrália e Nova Zelândia. Alguns outros países em contra partida, resolveram adotar a alternativa nuclear: Bélgica, Japão, Suécia, Grã Bretanha, e a França (MME, 2000). O autor ainda acrescenta que o consumo de gás natural e importância têm evoluído de maneira significativa, principalmente na década atual, sendo em nossos dias um marco no seu desenvolvimento. O mesmo originou-se na Europa Ocidental, onde ocorreu sua descoberta e exploração, estimulando com isso seu uso no próprio país e em seus vizinhos. Sua expansão acentuou-se com as descobertas de GN no sul do Mar do Norte.

21 Segundo estatísticas recentes o gás natural simboliza aproximadamente 35% do combustível utilizado na matriz energética dos países europeus. Nos Estados Unidos, representa 26%, na Argentina, 48,5% e, mesmo no Japão, país importador desse energético, representa 12%. 17 A região andina apresenta significativas reservas de gás natural, isto devido a sua proximidade territorial. Já a Venezuela pode vir a ser um país promissor no fornecimento de GN através do Estado do Amazonas, questão critica por se tratar de espaço ecológico. O Peru também é considerado como possível fornecedor desse energético, a partir da exploração do campo de Camisea. Em nosso país a sua utilização e consumo não são expressivos, representando aproximadamente 3% na matriz energética nacional. Porém, é crescente o interesse na divulgação sobre os benefícios, com foco para as questões econômicas e ambientais, apesar das fases distintas que compõem a cadeia de suprimento de GN ser onerosas. Especificamente no Brasil, aproximadamente 55% das reservas encontra-se em águas profundas e cerca de 70% do total das reservas de gás natural são de origem associado, ou seja, vinculado à produção de óleo, o que limita a sua exploração. Sendo assim, o que caracteriza sua importância e a menor ou maior inserção do gás natural no balanço energético de um país específico é a viabilidade econômica para o acesso ao seu suprimento. Mesmo assim, o fato de estes altos custos, tais como: tecnologia, equipamentos e mão-de-obra especializada, estarem presentes na exploração e produção de petróleo, reduz o montante a ser investido em se tratando de gás natural.

22 18 CAPÍTULO 4 4. GÁS NATURAL NO BRASIL E SUAS VARIAVEIS No Estado do Rio de Janeiro, mais precisamente em 1854 inaugurou-se a iluminação a gás de carvão, em seguida no ano de 1895, Irineu Evangelista de Souza (Barão de Mauá), foi o mentor da construção do primeiro gasômetro do Rio de Janeiro. Logo após, foi criada a Companhia de Gás de Rio de Janeiro, sob controle do grupo anglo-canadense Light, com fornecimento de energia elétrica. Na década de 30, a empresa Light contabilizava consumidores em todo o Estado (TURDERA, 1997). Em São Paulo, o gás foi inserido em 1869 com a criação da São Paulo Gás Company Ltda., de origem e recursos britânicos. No final do século XIX, a São Paulo Gás, sob controle da Light, inicia-se a diversificação do uso do gás, ramificando assim, o fornecimento para a área residencial. Os motivos para essas transformações se deram devido a razões econômicas juntamente à ausência de reservas com dimensões significativas de carvão de boa qualidade, ao rápido desenvolvimento do setor elétrico e à entrada no mercado do gás liquefeito de petróleo (GLP) em formato de botijões (este com custo reduzido para o consumidor e menos intensivo em capital), provocando uma involução do setor em nosso país. No ano de 1959 o governo federal nacionaliza a São Paulo Gás, que se tornara economicamente inviável por causa do elevado preço de GN importado. Em 1969 foi criada a Companhia Municipal de Gás (COMGÁS), sociedade de economia mista, com participação majoritária da Prefeitura de São Paulo. A empresa em 1974 tornou-se estadual, sob o nome de Companhia de Gás de São Paulo. Já no Rio de Janeiro, o governo estadual assumiu Companhia Estadual de Gás - CEG, dando inicio a distribuição de GN em 1983, como matéria-prima para a produção de gás de poder calorífico média em substituição à nafta, assim como combustível na área de suprimento e às indústrias.

23 A Petrobrás (empresa de petróleo nacional) nasceu em 1953, sob a égide de um governo intervencionista, iniciando a política econômica do Estado como instrumento de modelo desenvolvimentista, estatizando, entre outros, o setor energético. 19 Essa medida veio assegurar tanto o fornecimento de gás natural ao setor industrial quanto à integração vertical ao longo de toda a cadeia de suprimento de GN, situação que fora estendida aos grandes consumidores industriais no Rio de Janeiro, gerando conflito institucional entre a CEG e a Petrobrás pela disputa do mercado de distribuição de GN. A empresa Petrobrás iniciou suas atividades com um capital inicial de US$ 165 milhões, herdados da CNP (Companhia Nacional de Petróleo), sendo marcante a sua atuação estratégica. Em seguida, no início da década de 70, a Petrobrás completa a verticalização interna da indústria petrolífera e avança no desenvolvimento da petroquímica, da conglomeração e da internacionalização das suas atividades (ALVEAL et al, 1997). No início a empresa tinha como objetivo o foco no refino do petróleo, o gás natural não possuía papel relevante, sendo consumido pela própria Petrobrás na recuperação de óleo e nas suas refinarias ou sendo queimado nas plataformas marítimas. Com base na regulamentação da ANP, até 1997, predominou o modelo de monopólio estatal da Petrobras na produção e no transporte de gás natural, ficando as distribuidoras estaduais a cargo da distribuição e venda de gás aos consumidores residenciais e industriais. Também existiam casos em que a Petrobrás fornecia gás diretamente a alguns grandes consumidores. Contudo após 1997, a Petrobras perdeu o monopólio sobre o setor e para se adequar à "lei do livre acesso", a Petrobrás se viu obrigada a criar uma empresa para operar seus gasodutos, foi criada então a Transpetro e com a criação de uma Legislação específica (Lei n , de 4 de março de 2009), foram criadas normas para "exploração das atividades econômicas de transporte de gás natural por meio de condutos e da importação e exportação de gás natural" (art. 1º). Eis abaixo os segmentos da Cadeia de gás natural:

24 a) Produtor: Pessoa Jurídica que possui a concessão do Estado para explorar e produzir gás natural em determinados blocos; b) Carregador: Pessoa jurídica que detém o controle do gás natural, contrata o transportador para o serviço de transporte e negocia a venda deste junto às companhias distribuidoras; c) Transportador: Pessoa jurídica autorizada pela ANP a operar as instalações de transporte; d) Processador: Pessoa jurídica autorizada pela ANP a processar o gás natural; e) Distribuidor: Pessoa jurídica que tem a concessão do estado para comercializar o gás natural junto aos consumidores finais (No Brasil a distribuição é monopólio dos governos estaduais); f) Regulador: Figura do Estado representada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis ANP e pelas Agências Reguladoras Estaduais. 20 No Brasil o GN começou a despontar, no início da década de 80, até então, só participava da matriz energética apenas no Nordeste (Recôncavo e Sergipe/Alagoas), utilizado como insumo industrial em algumas plantas de fertilizantes nitrogenados, com combustível da Refinaria Landulfo Alves, Mataripe, e do Pólo Petroquímico de Camaçari/BA e outras poucas indústrias. O Governo Federal através do Programa Nacional de Racionalização do Uso dos Derivados de Petróleo e do gás natural estabeleceu como meta para o ano 2010 uma participação de 12% do GN na matriz energética nacional, percentual considerável se comparados aos 3,0% registrados em 1999 (MME, 2000). No Brasil as reservas de gás natural não obedecem a uma distribuição territorial proporcional, conforme os dados da Agência Nacional de Petróleo (ANP), do total das reservas provadas, 49,45% encontram-se na região Norte/Nordeste, sendo o mais expressivo o estado do Amazonas e da Bahia. A região Sudeste corresponde a 44%, sob a liderança do Rio de Janeiro, este último atende por 87% das reservas provadas de petróleo.

25 Com base em informações do mesmo órgão, no ano de 1999, as reservas medidas de GN no Brasil, somaram 231,2 bilhões de m 3. Esse dado pode ser considerado um marco na evolução das reservas, a descoberta da Bacia de Campos/RJ quadruplicou as reservas no período de , a região sul, sudeste detém atualmente 44% das reservas nacionais, a região norte atende por 18%, e por último o nordeste responde por um significativo 38% (MME, 2.000; ALVEAL et al, 1997). 21 As pesquisas atuais demonstram os seguintes dados de reservas já descobertas: a) As maiores reservas estão situadas na Europa e países da Ex URSS e no Oriente Médio; b) A América Latina possui 7 trilhões de m³ e deste total 364 bilhões de m³ estão distribuídos em reservas brasileiras; c) A Bahia possui 32 bilhões de m³, correspondendo a 63% das reservas do nordeste e 9% das reservas do Brasil; d) A participação do gás natural na Matriz Energética Brasileira de gás natural é de 9% e, dentro deste cenário, a Bahia representa 14,5%. 4.1 Reservas de Gás Natural no Brasil Com base nas informações do site Gásnet, as últimas reavaliações das reservas de gás realizadas em 1998 e a ausência e novas descobertas de médio e grande porte, conduziram as reservas totais de GN a atingir a marca de 409,8 bilhões de m 3, com o decréscimo de 5,9% em relação ao volume de 97.

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