Rafael Trapp. Um Processo de Gerenciamento de Configuração para Desenvolvimento de Sistemas ERP Multi-Empresas

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1 Rafael Trapp Um Processo de Gerenciamento de Configuração para Desenvolvimento de Sistemas ERP Multi-Empresas Joinville 2009

2 UNIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA BACHARELADO EM CIÊNCIA DA COMPUTAÇÃO Rafael Trapp UM PROCESSO DE GERENCIAMENTO DE CONFIGURAÇÃO PARA DESENVOLVIMENTO DE SISTEMAS ERP MULTI-EMPRESAS Trabalho de conclusão de curso submetido à Universidade do Estado de Santa Catarina como parte dos requisitos para a obtenção do grau de Bacharel em Ciência da Computação Orientador: Doutor, Edson Murakami Joinville 2009

3 Rafael Trapp UM PROCESSO DE GERENCIAMENTO DE CONFIGURAÇÃO PARA DESENVOLVIMENTO DE SISTEMAS ERP MULTI-EMPRESAS Este Trabalho de Conclusão de Curso foi julgado adequado para a obtenção do título de Bacharel em Ciência da Computação e aprovado em sua forma final pelo Curso de Ciência da Computação Integral CCT/UDESC. Banca Examinadora: Orientador: Doutor, Edson Murakami Membro: Doutor, Claudiomir Selner Membro: Mestre, Salvador Antônio dos Santos Joinville, de de 2009

4 Resumo Mudanças são intrínsecas no desenvolvimento de software. No desenvolvimento de sistemas ERP as mudanças são intensificadas devido às mudanças de legislação, que têm restrições de prazo e ocorrem com freqüência, além das mudanças de regras de negócio e solicitações de novas funcionalidades por parte do cliente. Portanto a adoção de boas práticas de Gerenciamento de Configuração se torna imprescindível. Neste trabalho é apresentada uma proposta de um processo de gerenciamento de configuração com escopo reduzido a controle de versão de código fonte que foi implantado na Microvix, uma empresa desenvolvedora de sistemas ERP, a fim de garantir a integridade do código e controlar distribuição de versões do produto. Esse processo é baseado no fluxo de trabalho GCS do RUP e na área de processo GCS do CMMI. Palavras-chaves: Controle de Versão, ERP, Gerenciamento de Configuração de Software

5 Abstract Changes are inherent in software development. In development of ERP systems, changes are intensified by changes in legislation, which have restrictions of time and occur frequently, changes in business rules and custumers requests for new features. Therefore the adoption of best practices of Configuration Management becomes essential. This work presents a proposal for a Configuration Management process that was implemented in MICROVIX, an ERP software developer company, to ensure the integrity of the code and to control the distribution of product versions. This process is based on RUP SCM workflow and CMMI specifications in SCM. Keywords: version control, ERP, Software Management Control

6 Lista de Figuras Figura Ciclo de vida de sistemas ERP (SOUZA; ZWICKER, 2000)...15 Figura Comparativo entre o modelo tradicional e o modelo Application Service Provider (MICROVIX, 2007)...16 Figura Fluxo simplificado do processo de desenvolvimento de uma OS...18 Figura Exemplo do desenvolvimento de uma OS com relação às pastas dev e qualidade...20 Figura Exemplo de um cenário do Microvix ERP para extração de funcionalidade para publicação extra...23 Figura Qualidade no ciclo de vida do software (ISO/IEC 9126)...26 Figura Modelo típico de atividades de GCS (OFFICE GOVERNMENT COMMERCE, 2007, p.85)...28 Figura Tópicos do GCS abordados pelo SWEBOK. Traduzido de (IEEE, 2004)...30 Figura Modelos dos componentes do CMMI...31 Figura Visão geral do RUP (RATIONAL, 2001)...33 Figura Fluxo de trabalho de Gerenciamento de Configuração e Mudança. Modificado de ( RATIONAL, 2001)...34 Figura Gráfico de evolução de um sistema...36 Figura Compartilhamento de itens de configuração...37 Figura Problema do compartilhamento de arquivos...38 Figura Modelo Lock-Modify-Unlock...40 Figura Modelo Copy-Modify-Merge (parte 1)...42 Figura Modelo Copy-Modify-Merge (parte 2)...43 Figura Funcionalidades do Subversion a partir da ferramenta TortoiseSVN...48 Figura Fluxo de trabalho geral para o processo Figura Planejar as Atividades de GC...55 Figura Alterar e Liberar ICs...57 Figura Alterar e Liberar ICs...61 Figura Gerenciar Configurações Base...62 Figura Estrutura do repositório...66 Figura Código-fonte versionado...76 Figura 6.2 Repositório...76 Figura 6.3 Cópias de trabalho no servidor...77 Figura 6.4 Log do TortoiseSVN e parte da análise da OS Figura 6.5 Status da OS após término de suas atividades

7 Figura Resultado do questionário de avaliação do processo implantado...81 Figura Tendência de versões controladas e não controladas de acordo com o processo antigo 84 Figura Tendência de versões controladas e não controladas de acordo com o novo processo..84 7

8 Lista de Abreviaturas BD Banco de dados CMMI Capability Maturity Model Integrated COBIT Control Objetives for Information and related Tecnology CVS Concurrent Versions System ERP Enterprise Resource Planning GC Gerenciamento de Configuração GCS Gerenciamento de Configuração de Software ISACF Information Systems Audit and Control Foundation ITGI Information Technology Governance Institute ITIL Information Technology Infrastructure Library MCT Ministério da Ciência e Tecnologia OCG Office of Government Commerce RUP Rational Unified Process SCM Software Configuration Management TI Tecnologia da Informação 8

9 Lista de Tabelas 5.1 Responsabilidades e autoridades de cada papel Correlação entre as práticas apresentadas neste trabalho e as práticas do CMMI-dev Cronograma do planejamento para implantação do processo Checklist preenchido de acordo com a auditoria da OS Não conformidades das demais OS's auditadas

10 Sumário Lista de Figuras 6 Lista de Abreviaturas 8 Lista de Tabelas 9 1 Introdução Objetivos Estrutura do Trabalho Microvix ERP Sistemas ERP Apresentação do sistema Microvix ERP Processo de desenvolvimento atual Repositórios e compartilhamento de arquivos Releases Controle de versão no Microvix ERP Problemas Correção de erro no ambiente de produção Publicação extra Gerenciamento de Configuração de Software Abordagens de GCS COBIT ITIL SWEBOK CMMI MPS.BR RUP Controle de versão O problema do compartilhamento de arquivos Modelos de versionamento Solução Lock-Modify-Unlock Solução Copy-Modify-Merge Sistemas de Controle de Versão

11 GNU Arch ClearCase CVS Subversion Subversion x CVS Justificativa da escolha do Subversion Principais funcionalidades do Subversion Update Commit Merging e resolução de conflitos Branch Tag Número de revisão Trabalhos Correlatos Processo de Controle de Versão de código do Microvix ERP Responsabilidade e autoridade Visão Geral do Processo Planejar as Atividades de GC Desenvolver OS de Customização Desenvolver OS de Exceção Desenvolver OS de Configuração Gerenciar Configurações Base Políticas de GC Repositório Identificação de IC's e Configuração base Rastreamento dos itens de configuração Update / Commit (Check-out / Check-in) Softwares utilizados Treinamento Considerações do capítulo Resultados da implantação Planejamento Grau de fidelidade Resultados da auditoria...74

12 Análise qualitativa Planejamento Resultados da pesquisa Número de versões controladas Considerações Conclusões Trabalhos futuros...88 REFERÊNCIAS...89 APÊNDICE...92 APÊNDICE A - Questionamento para avaliação do processo...93 APÊNDICE B Checklist para auditoria do processo...94 APÊNDICE C Tabela para controle de OS's de exceção publicadas...96

13 13 1 Introdução Quase todo tipo de software sofre mudanças durante sua fase de desenvolvimento objetivando a melhora da qualidade do software. As mudanças podem buscar diferentes resultados como correção de bugs, melhora de desempenho, agregação de novas funcionalidades, entre outros. Por isto que software não é visto como um produto acabado e sim como um processo, que deve estar em constante aperfeiçoamento. Tantas mudanças durante o desenvolvimento de software causam confusão que prejudicam a produtividade. Para Babich (1986), a arte de coordenar o desenvolvimento de software para minimizar a confusão é denominada Gerenciamento de Configuração. Ainda complementa que é a arte de identificar, organizar e controlar as modificações no software que está sendo construído por uma equipe de programação em que a meta é maximizar a produtividade minimizando-se os erros. O Gerenciamento de Configuração de Software (Software Configuration Management SCM) é aplicado para identificar e controlar a mudança, garantir que ela esteja sendo adequadamente implementada e relata-la a outras pessoas que possam ter interesse nela (PRESSMAN, 2002). COBIT (Control Objetives for Information and related Tecnology), que é um guia para gestão de TI recomendado pelo ISACF (Information Systems Audit and Control Foundation) e o ITIL, um modelo de referência de governança de TI disponibilizada pela OCG (Office of Government Commerce), destacam a importância da utilização de boas práticas de GCS em organizações ou departamentos de TI. Em sistemas ERP em particular, as mudanças ocorrem com bastante freqüência. Além dos motivos comuns de outros tipos de software, sistemas ERP contam com fatores decorrentes de mudança de legislação, alteração nas regras de negócio do cliente e solicitações de novas funcionalidades por parte do cliente. Um sistema ERP precisa estar de acordo com a legislação vigente de um determinado país, estado e/ou município. Assim, criação de novos impostos, ajuste de alíquotas e mudanças de demais normas tributárias forçam os sistemas ERP a se adaptarem a elas. Além disso, sistemas ERP são fortemente atrelados às necessidades dos clientes e, na maioria dos casos, o sistema tem que se adaptar ao negócio e não o contrário. Desta forma, mudanças nas regras de negócio do cliente geram diretamente mudanças do sistema ERP. Por último, clientes podem solicitar novas funcionalidades no sistema a fim de atender a novos interesses. Por exemplo, o cliente pode ampliar a utilização do ERP a mais setores da empresa ou requerer uma rotina que aumente o nível de automação de um determinado processo ou simplesmente solicitar algo ainda não contemplado pelo sistema. Isso acaba gerando diversas versões do sistema ERP e exigindo maior esforço no controle do código distribuído aos clientes.

14 14 A Microvix é uma empresa de Joinville, desenvolvedora de sistemas ERP para web, que não conta com um processo de GCS formalizado para controlar o processo de desenvolvimento de seu sistema ERP. Com o objetivo de definir um processo para esta empresa e com base no contexto apresentado, a proposta deste trabalho é definir um processo GCS com escopo reduzido a controle de versão de código para o Microvix ERP baseado nas práticas da área de processo de Gerenciamento de Configuração do modelo CMMI-dev versão 1.2 e no fluxo de trabalho GCS do RUP, aplicá-lo na empresa e analisar os resultados. Controle de versão é a sub-área do Gerenciamento de Configuração de Software responsável por registrar, identificar e controlar as mudanças sofridas pelos itens de configuração. Este processo será aplicado em um estudo de caso para validação e melhoria do processo. 1.1 Objetivos Objetivo Geral: Definir um processo de controle de versão de código para desenvolvimento de Sistemas ERP com múltiplos clientes. Os objetivos específicos são listados abaixo: Determinar problemas decorrentes da não utilização de um processo de controle de versão; Definir técnicas de controle de versão para atender as necessidades de sistemas ERP; Definir ferramentas de controle de versão; Testar o processo elaborado com base em um caso de uso real; Documentar o processo. 1.2 Estrutura do Trabalho Esta monografia está organizada da seguinte forma: no capítulo 1 é introduzido o tema; no capítulo 2 é abordada a problemática, descrevendo o cenário que envolve o desenvolvimento de software ERP e, mais especificamente do Microvix ERP; no capítulo 3 são expostos os conceitos gerais e são abordadas as definições, conceitos e contextualização de controle de versão dentro da área de GCS, além de relatadas as ferramentas de controle de versão e suas funcionalidades; no capítulo 4 são apresentados os trabalhos correlatos; no capítulo 5 é exposta a proposta de processo de controle de versão de código do Microvix ERP; no capítulo 6 são apresentados os resultados da implantação; no capítulo 7 são realizadas as conclusões do trabalho; por fim são apresentadas as referências.

15 15 2 Microvix ERP Neste capítulo serão apresentadas questões relevantes que envolvem o software Microvix ERP, com ênfase em seu processo de desenvolvimento. As questões levantadas neste capítulo serviram de base para a definição do processo apresentada no capítulo Sistemas ERP Os sistemas ERP são sistemas de informação integrados, comercializados como pacotes de software e tem por objetivo dar suporte à maioria das operações de uma empresa. Segundo Markus e Tanis (2000), são pacotes comerciais que permitem a integração de dados provenientes dos sistemas de informação transacionais e dos processos de negócios ao longo de uma organização. Um estudo realizado por Souza e Zwicker (2000) mostra que processos de ajustes em um sistema ERP são inevitáveis, sendo eles os processos de adaptação, parametrização, customização e atualização. Adaptação é o processo em que um sistema é implantado em uma empresa e onde observam-se as discrepâncias entre o pacote ERP e as necessidades da empresa. Parametrização compreende a eliminação de certas discrepâncias por meio da configuração de parâmetros préexistentes no pacote. Por outro lado, quando não é possível a resolução de discrepâncias por meio de parâmetros, elas são resolvidas através de mudanças no sistema ERP, caracterizando-se as customizações. Ainda tem o processo de atualização, que consiste na criação de novas funcionalidades e correções de erros. Além disso, o estudo aborda as principais etapas do clico de vida de um sistema ERP. Este ciclo pode ser visualizado na figura 2.1, contemplando as etapas de decisão e seleção, implementação e utilização. Para este trabalho, são relevantes as etapas de implementação e utilização, pois evidenciam o cenário de constantes mudanças no desenvolvimento de um sistema ERP.

16 16 Figura Ciclo de vida de sistemas ERP (SOUZA; ZWICKER, 2000). A fase de implementação de um sistema ERP pode ser definida como o processo pelo qual os módulos do sistema são colocados em funcionamento em uma empresa. Assim que os módulos são parametrizados, os dados são migrados, os usuários treinados e demais ajustes são feitos, o sistema passa para a etapa de utilização. Na etapa de utilização, o sistema está em uso atendendo as operações rotineiras da empresa. Uma característica observada é que, na maioria dos casos, somente após esta etapa é possível vislumbrar novas alternativas e possibilidades de uso do sistema ERP na empresa. Desta forma a etapa de utilização realimenta a etapa de implementação com novas necessidades que possivelmente serão atendidas por novos módulos e com a alteração de parâmetros já estabelecidos do sistema em uso. Todo esse contexto complexo de mudanças que envolvem os sistemas ERP revela mais um motivo para a implantação de um processo de controle de versão de código. Nas seções seguintes são apresentadas questões relevantes do Microvix ERP. 2.2 Apresentação do sistema Microvix ERP O Microvix ERP foi lançado em 2001, sendo o primeiro ERP nacional totalmente baseado em

17 17 ambiente web. Este modelo de aplicação, conhecido como Application Service Provider, possui diversas vantagens em relação ao modelo tradicional, como menores custos de operação, menores custos com equipamentos, maior nível de segurança (fornecido pelo próprio datacenter), entre outros. Porém, o maior diferencial desta abordagem é a possibilidade de acessar o sistema a partir de qualquer dispositivo conectado a Internet que possua um navegador web. Uma comparação entre este modelo e o modelo tradicional pode ser visto na figura 2.2. Figura Comparativo entre o modelo tradicional e o modelo Application Service Provider (MICROVIX, 2007). O sistema é desenvolvido nas linguagens ASP 3.0 e Java. A apresentação dos dados é toda feita em HTML, em conjunto com JavaScript para processamento no lado do cliente. O sistema é divido em módulos, os quais representam as diversas atividades executadas por uma empresa. Os principais módulos são: CRM: utilizado para gerenciamento do cadastro de clientes e fornecedores. Também dispõe de diversas ferramentas para gestão do relacionamento com clientes; Faturamento: contempla a parte de Orçamento/Pedido, Emissão de Nota Fiscal, Comissões, Royalties entre outros recursos. Conta com diversos relatórios gerenciais para um completo controle de vendas; Contabilidade: é o núcleo do ERP gerando e utilizando integrações em todos os demais módulos. Também existem alguns recursos que tornam o sistema financeiro mais simples e prático para uso, mesmo por usuários que não tenham conhecimentos avançados sobre contabilidade; Serviços: abrange a Prestação de Serviços e Faturamento de Ordens de Serviços. Conta com diversos relatórios gerenciais para um completo controle de prestação de serviços; Estoque: permite controlar a disponibilidade e movimentações de todos os produtos da empresa.

18 18 Hoje em dia existem duas distribuições distintas, o Microvix ERP para indústria e o Microvix ERP para varejo. 2.3 Processo de desenvolvimento atual O desenvolvimento do Microvix ERP é dirigido pelo conceito de ordens de serviços (OS s). Uma ordem de serviço nada mais é que a descrição detalhada de uma alteração a ser realizada no software. Existe uma série de formalidades para a criação de uma OS, mas a explicação deste fluxo não faz parte do escopo deste trabalho. O que interessa é o que acontece depois que uma OS é criada. O fluxo representado pela figura 2.3 mostra este processo de forma simplificada. Primeiramente é importante diferenciar os três tipos de OS s existentes: customização, exceção e de configuração. A OS de customização é a agregação de uma nova funcionalidade ou modificação de uma existente no sistema. As OS s de customização tem por finalidade atender a novas necessidades dos clientes ou melhorar em algum aspecto as funcionalidades já existentes. A OS de exceção é criada quando há algum erro no sistema ERP que está no ambiente de produção. Existem erros que afetam apenas determinadas releases (ou versões, no ambiente de produção) e até mesmo erros que afetam apenas alguns clientes específicos, quando os erros são gerados a partir de uma certa configuração de parâmetros. A OS de configuração não exige nenhuma alteração no código-fonte do sistema pois, como o próprio nome diz, o serviço corresponde apenas a uma configuração. Tratam-se de alterações realizadas no banco de dados.

19 19 Figura Fluxo simplificado do processo de desenvolvimento de uma OS Repositórios e compartilhamento de arquivos Atualmente o repositório do Microvix ERP nada mais é do que uma pasta específica no servidor interno. Existe um repositório para o Microvix ERP para varejo e uma para o Microvix ERP para indústria, ambos independentes entre si. O repositório do sistema para varejo é divido nas pastas dev e qualidade e para indústria em i-dev e i-qualidade. Nas pastas dev e i-dev é feito o compartilhamento dos arquivos dos respectivos projetos de forma que todos os programadores têm acesso simultâneo a todos os arquivos. Nessas pastas são realizadas as alterações referentes as OS s recebidas, não havendo um controle formal para evitar conflitos. Este controle é feito por meio de comunicação entre os membros da equipe. As pastas qualidade e i-qualidade, por sua vez, são destinadas à realização de testes dos

20 20 sistemas para varejo e indústria, respectivamente. Assim que uma OS é terminada, as alterações correspondentes realizadas sobre os arquivos do dev são repassadas para a pasta qualidade. O mesmo acontece em relação a i-dev e i-qualidade. Quando estão sendo realizados testes na qualidade e i-qualidade, essas pastas são bloqueadas de modo a evitar que novas alterações sejam incorporadas a elas. Se algum erro for detectado nos testes, o responsável pelo desenvolvimento da OS é notificado para que corrija o erro no dev ou i-dev e repasse a alteração novamente para a qualidade ou i-qualidade. Um exemplo desse processo pode ser visto na figura 2.4.

21 21 Figura Exemplo do desenvolvimento de uma OS com relação às pastas dev e qualidade.

22 Releases O Microvix ERP é disponibilizado aos seus clientes no formato de release. Releases são versões de software constituídas por um conjunto de novas funcionalidades que são liberadas aos clientes. A Microvix lança releases para o Microvix ERP a cada período de aproximadamente quatro meses. Os clientes podem optar por recebê-las ou manter as sua versões correntes. Na data da realização deste trabalho o Microvix ERP, na sua distribuição para o varejo, contava com cinco versões diferentes no ambiente de produção e, na sua distribuição para a indústria, com três versões. Além disto, ambas as modalidades do sistema sempre estão em processo de desenvolvimento para lançamento de um próximo release Controle de versão no Microvix ERP Atualmente não se faz uso de um processo formal e documentado de controle de versão. O que é feito é um backup diário do conteúdo das pastas dev, i-dev, qualidade e i-qualidade, permanecendo armazenado por no mínimo trinta dias. Isto significa que é possível retornar a versões anteriores, apesar de exigir um ajuste manual da nova versão e poder ocasionar perda de algumas alterações realizadas no período. Outra questão decorrente da ausência de um processo de controle de versão é que não existem armazenadas no repositório as versões anteriores do sistema que estão rodando nos clientes. Essas versões estão presentes apenas no ambiente de produção. Apesar disso, essas versões apresentam processos de backups oferecidos pelos datacenters em que estão rodando. 2.4 Problemas A não adoção de um processo formal de controle de versão e consequentemente a não utilização de uma ferramenta de controle de versão causa vários problemas. Carneiro (2007) destaca os seguintes problemas gerais: Perda de versões anteriores do projeto; Perda de trabalho decorrente de alterações feitas sobre uma versão antiga e/ou incorreta;

23 23 Dificuldade na manutenção simultânea de diferentes versões do projeto; Perda de trabalho decorrente da concorrência dos membros da equipe por itens de configuração; Dificuldade (ou impossibilidade) na auditoria de alterações dos itens de configuração. Além desses problemas, foram identificados outros problemas específicos do processo de desenvolvimento do Microvix ERP, os quais serão apresentados nas seções seguintes Correção de erro no ambiente de produção Caracterizados por OS s de exceção, os erros detectados no ambiente de produção devem ser corrigidos no próprio ambiente de produção, uma vez que não há replicação do código no servidor interno de desenvolvimento. Depois da correção, a alteração é incorporada a todas as versões da produção que apresentam o erro e também ao repositório interno, onde se encontra o código referente à próxima release a ser lançada. Esta prática causa vários problemas: A correção mal feita pode comprometer o sistema e gerar outros erros, causando desde inconvenientes aos clientes até sérios prejuízos; Se a correção não for repassada para o repositório interno, provavelmente a correção é perdida, pois não há um controle que possibilite identificar este tipo de erro; Acesso ao ambiente de produção por certos programadores é um risco. Erros humanos ou má fé são dificilmente identificados e podem causar problemas; Dificuldade de auditoria e controle de código sobre essas alterações realizadas. Podem existir pequenas diferenças entre versões que teoricamente seriam iguais. Com a implantação do processo descrito no capítulo 5, pretende-se solucionar esses problemas apresentados acima. Isto será possível porque o processo possibilitará controle total sobre o código do cliente que está em produção, acesso restrito ao ambiente de produção a poucos funcionários e testes serão realizados no ambiente de desenvolvimento antes da publicação na produção.

24 Publicação extra A Microvix dispõe de uma situação especial para entrega de novas versões do Microvix ERP que é chamada de publicação extra. Trata-se da publicação de uma funcionalidade específica a determinados clientes antes do release oficial. O problema disto é que esta funcionalidade tem que ser extraída manualmente do repositório que contém a versão mais recente e incorporada a uma versão mais antiga no ambiente de produção. É um serviço delicado e pode causar inconsistências na versão do cliente. Vamos supor a seguinte situação: a versão na pasta qualidade contém as funcionalidades 1, 2 e 3, dispostas em quatro arquivos. Deseja-se fornecer para o cliente x apenas a funcionalidade 1, sendo que sua versão não contém nenhuma das três funcionalidades. Um detalhe importante é que a funcionalidade 1 exerce influência sobre a funcionalidade 2, que por sua vez exerce influência sobre a funcionalidade 3. Este cenário pode ser visto na figura 2.5. O que então precisa ser feito é extrair manualmente a funcionalidade 1 dos arquivos correspondentes, adapta-la para que funcione corretamente sem as funcionalidades 2 e 3 e então publica-las no ambiente de produção do cliente.

25 25 Figura Exemplo de um cenário do Microvix ERP para extração de funcionalidade para publicação extra. A implantação do processo de GCS proposto por este trabalho proporcionará a minimização dos problemas causados pela publicação extra. Com o processo implantado, espera-se uma maior facilidade na identificação das funcionalidades, realização de testes no ambiente de desenvolvimento e um maior grau de semelhança entre o ramo principal de desenvolvimento e o código do cliente.

26 26 3 Gerenciamento de Configuração de Software A implantação de um processo de controle de versões traz diversos benefícios para a empresa desenvolvedora de software, mas no final o objetivo é a redução de custos e a melhora de qualidade do software. O conceito de redução de custos é bastante óbvio, porém o mesmo não se pode dizer das questões que envolvem qualidade de software, que são subjetivas em muitos aspectos, as quais serão exploradas a seguir. Qualidade de software é definida na norma NBR ISO 8402 conforme segue, Qualidade de software é a totalidade das características de uma entidade que lhe confere a capacidade de satisfazer as necessidades explícitas e implícitas. Necessidades explícitas são aquelas estabelecidas por requisitos definidos pelo produtor do software. Esses requisitos estabelecem as condições em que o produto deve ser utilizado, seus objetivos, funcionalidades e o desempenho esperado. As necessidades implícitas são aquelas, que embora não documentadas, são necessárias para o usuário. Entram na classe das necessidades implícitas os requisitos que são óbvios ou requisitos que não foram percebidos no momento em que o software foi desenvolvido e que se não atendidos possam provocar problemas críticos ao sistema. Segundo Pressman(2002, p. 724), qualidade de software é definida como: Qualidade de software é a conformidade a requisitos funcionais e de desempenho explicitamente declarados, a padrões de desenvolvimento claramente documentados e a características implícitas que são esperadas de todo software profissionalmente desenvolvido. Pressman enfatiza três pontos importantes com a definição acima. O primeiro é que os requisitos de software são a base a partir da qual a qualidade é medida e que a falta de conformidade a estes requisitos significa falta de qualidade. Outro ponto é que se padrões especificados que definem um conjunto de critérios de desenvolvimento não forem seguidos o resultado é, quase que seguramente, perda de qualidade. Por fim, sua definição expressa a importância do cumprimento dos requisitos implícitos, que se não respeitados, a qualidade de software também é comprometida. A norma ISO/IEC 9126, intitulada de Engenharia de software - Qualidade do produto destaca as diferentes abordagens para alcançar um produto de qualidade. Na figura 3.1 isto é mostrado no ciclo de vida do software.

27 27 Figura Qualidade no ciclo de vida do software (ISO/IEC 9126). Além disso, o ciclo evidencia a importância da qualidade do processo para se ter um produto final de qualidade. Isto significa que o processo de desenvolvimento é a base de todo ciclo e que todas as etapas posteriores tem dependência direta ou indireta dele. Portanto, se o processo de desenvolvimento for inadequado ou mal controlado, dificilmente se terá um produto final de qualidade. Nesta seção foram abordadas algumas definições de qualidade de software e suas respectivas implicações. Qualidade de software caracteriza-se como o principal objetivo a ser alcançado com a implantação de um processo de controle de versão. Depois do embasamento realizado neste capítulo, o trabalho segue com a exploração dos aspectos envolvidos pelo GCS com ênfase em controle de versão. 3.1 Abordagens de GCS Nesta seção são expostas várias abordagens da grande área de TI que englobam a área de GCS e, consequentemente, o controle de versão. Primeiramente a abordagem é explicada de forma geral e em seguida é dado ênfase nas questões de GCS, pois são questões que envolvem controle de versão diretamente ou indiretamente COBIT COBIT é um framework de governança de TI desenvolvido pela ITGI (IT Governance Institute) e disponibilizado pela ISACA com intuito de auxiliar gerentes de negócios e profissionais de TI em todos os aspectos de uma empresa de TI, sob o foco principal de negócios. COBIT oferece um

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