AVALIAÇÃO DE INVESTIMENTOS EM SISTEMAS INTEGRADOS DE GESTÃO EMPRESARIAL

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1 UNIVERSIDADE TECNOLÓGICA FEDERAL DO PARANÁ CAMPUS PONTA GROSSA DEPARTAMENTO DE PÓS-GRADUAÇÃO PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA DE PRODUÇÃO PPGEP ELAINE WANTROBA AVALIAÇÃO DE INVESTIMENTOS EM SISTEMAS INTEGRADOS DE GESTÃO EMPRESARIAL PONTA GROSSA NOVEMBRO

2 ELAINE WANTROBA AVALIAÇÃO DE INVESTIMENTOS EM SISTEMAS INTEGRADOS DE GESTÃO EMPRESARIAL Dissertação apresentada como requisito parcial à obtenção do título de Mestre em Engenharia de Produção, do Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção, Área de Concentração: Gestão Industrial, do Departamento de Pesquisa e Pós Graduação do Campus de Ponta Grossa, da UTFPR. Orientador: Prof. Luciano Scandelari, PhD. PONTA GROSSA NOVEMBRO

3 PR UNIVERSIDADE TECNOLÓGICA FEDERAL DO PARANÁ!"#$% & &'( $% TERMO DE APROVAÇÃO Título de Dissertação Nº 063 AVALIAÇÃO DE INVESTIMENTOS EM SISTEMAS INTEGRADOS DE GESTÃO EMPRESARIAL por Elaine Wantroba Esta dissertação foi apresentada às 08 horas do dia 15 de dezembro de 2007, como requisito parcial para a obtenção do título de MESTRE EM ENGENHARIA DE PRODUÇÃO, com área de concentração em Gestão Industrial, linha de pesquisa Gestão do Conhecimento e Inovação, Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção. O candidato foi argüido pela Banca Examinadora composta pelos professores abaixo assinados. Após deliberação, a Banca Examinadora considerou o trabalho aprovado. Prof. Dr. Valdir Michels UNICENTRO Prof. Dr. João Luiz Kovaleski UTFPR Prof. Dr. Cezar Augusto Romano UTFPR Prof. Dr. Luciano Scandelari (UTFPR) Orientador Prof. Dr. Kazuo Hatakeyama (Coordenador) (UTFPR) Coordenador do PPGEP

4 AGRADECIMENTOS A Deus, fonte de luz e inspiração. Sem Ele nada somos... Ao professor Luciano Scandelari, orientador desse trabalho, por toda dedicação, paciência e ensinamentos dispensados. Aos membros da Banca Examinadora e aos funcionários da secretaria do PPGEP. A todos os professores dos cursos de Pós-Graduação da UTFPR pelo conhecimento compartilhado durante as aulas. A Universidade Tecnológica Federal do Paraná que oportuniza um ensino de qualidade e excelência. Aos colegas de turma, pelo apoio e pela amizade demonstradas durante o curso. A todas as pessoas que contribuíram direta e indiretamente para a realização da pesquisa.

5 ... Assim, Robinson Crusoé sacrificou parte de seu consumo em prol de fazer uma poupança. Desta forma, estaria garantindo o seu consumo de amanhã. Ao sacrificar, então, parte de sua poupança em prol de investimentos, estava garantindo seu consumo para depois de amanhã... (Karl Marx, 1800 História de Robinson Crusoé com enfoque econômico)

6 RESUMO Os sistemas ERP tiveram um crescimento considerável nos últimos anos, impulsionados pela inovação tecnológica e pela competição no mercado. Vivemos numa era em que a tecnologia se tornou um diferencial competitivo e estratégico dentro das organizações. Por esse motivo, todo investimento em TI precisa ser muito bem avaliado e alinhado aos negócios das empresas, favorecendo o crescimento, o desenvolvimento e até mesmo, a sobrevivência no mercado atual. Entre as vantagens que os sistemas informatizados oferecem, estão a agilidade nas informações, integrações de dados, redução de custos de pessoal, melhoria nos processos produtivos entre outros. No entanto, a aquisição de ativos de TI, especialmente sistemas integrados de gestão, é ainda considerado caro e de difícil adaptação à realidade das empresas, tornando difícil justificar o retorno obtido com tais investimentos. Normalmente, os indicadores tradicionais de retorno inviabilizam projetos de TI. Surge, então, a necessidade de se justificar tais projetos por outros meios. Nesse estudo, serão discutidas e apresentadas metodologias que visam avaliar os investimentos em sistemas ERP, considerando os benefícios tangíveis e intangíveis de retorno, bem como o alinhamento estratégico. Embora nenhuma metodologia seja aceita universalmente é importante o conhecimento delas, para que se possa ampliar a discussão sobre o tema. Será realizado um diagnóstico de um caso real de implantação de ERP, em um grupo industrial, aqui denominado como Alfa, evidenciando quais foram os critérios escolhidos para a tomada de decisões sobre a escolha do sistema, como se procedeu a implantação do sistema e como os gerentes avaliam o processo, em dois anos de implementação. Também serão apresentadas metodologias para avaliação de investimentos em sistemas ERP, com base na literatura existente. Palavras-chave: sistemas ERP, retorno de investimentos, intangíveis, estratégia, benefícios.

7 ABSTRACT The systems ERP (Enterprise Resource Planning) had a considerable growth in the last years, impelled by the technological innovation and the market competition. We live in a time where the technology became a competitive and strategic differential inside the organizations. For that reason, every investment in Information Tecnology IT, needs to be very well appraised and aligned to the businesses of the companies, helping the growth, the development and even, the survival in the current market. Among the advantages that the computerized systems offer, there are the agility in the information, data integration, reduction of personnel's costs, improvement in the productive processes, among others. However, the acquisition of IT assets, especially integrated systems of administration, it is considered still expensive and difficult to adapt in the companies reality, turning difficult to justify the return obtained with such investments. Usually, the traditional indicators of return make unfeasible the projects of IT. It appears, then, the need to justify such projects for other ways. In this study, it will be discussed and presented methodologies that seek to evaluate the investments in ERP systems, considering the tangible and intangible benefits of return, as well as the strategic alignment. Although no methodology is universally accepted it is important the knowledge of them, so It will be possible to enlarge the discussion on the theme. A diagnosis of a real case of implantation of ERP will be accomplished, in an industrial group, here denominated as Alpha, evidencing which were the chosen criteria for making decisions about the choice of the system, how was the procedure of the implantation of the system and how the managers evaluate the process, in two years of implementation. Methodologies for evaluation of investments in ERP systems will be exhibited too, based in the existent literature. Key-words: ERP systems, return of investments, intangible, strategy, benefits.

8 LISTA DE FIGURAS Figura 2.1: Arquitetura das Informações da Empresa Figura 2.2: Relação TI e empresa Figura 2.3: Ciclo de Vida dos Sistemas ERP Figura 3.1: Metodologias de Análise de Investimentos Figura 3.2: Fórmula ROI simplificada Figura 4.1: Forças que dirigem a concorrência na indústria Figura 4.2: A estratégia em Ação de Kaplan e Norton Figura 5.2: Fluxo de Caixa Figura 6.1: Metodologia proposta... 74

9 LISTA DE TABELAS Tabela 4.1: Resumo dos FCS da Administração de Informática Tabela 4.2: Escada de Benefíciosl Farbey et al. (1995) Tabela 5.1: Descrição do Projeto Tabela 5.2: Análise das alternativas Tabela 5.3: Comparativo da Estimativa dos custos de implantação do sistema ERP Tabela 5.4: Custos Tangíveis e Intangíveis de Sistemas Tabela 5.5: Cálculo do Payback 72 Tabela 6.1: Cálculo do ROA... 78

10 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS BSC: CIO: CRM EBITDA ERP: FCD: FCS: ROA ROI: SI: TCO: TIR: TI: TIRM: VOI: VPL: - Balanced Scorecard - Chief of Information Office - Customer Relationship Management - Earnings before interest, taxes, depreciation and amortization - Enterprise Resource Planning - Fluxo de Caixa Descontado - Fatores Críticos de Sucesso - Return on Assets - Return on Investiment - Sistemas de Informação - Total Cost of Ownership - Taxa Interna de Retorno - Tecnologia da Informação - Taxa Interna de Retorno Modificada - Value on Investiment - Valor Presente Líquido

11 SUMÁRIO AGRADECIMENTOS... 4 RESUMO... 6 ABSTRACT... 7 LISTA DE FIGURAS... 8 LISTA DE TABELAS... 9 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS INTRODUÇÃO TEMA QUESTÃO DE PESQUISA JUSTIFICATIVA HIPÓTESES OBJETIVOS OBJETIVO GERAL OBJETIVOS ESPECÍFICOS A EVOLUÇÃO DA TI E DOS SISTEMAS INTEGRADOS DE GESTÃO EMPRESARIAL A TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO ORIGEM, CONCEITOS E TENDÊNCIAS DOS SISTEMAS ERP CRITÉRIOS DE RELEVÂNCIA NA IMPLEMENTAÇÃO DE SISTEMAS CICLO DE VIDA DOS PRODUTOS ERP MUDANÇAS ORGANIZACIONAIS E A RELEVÂNCIA DO FATOR HUMANO AS CUSTOMIZAÇÕES EM SISTEMAS ANÁLISE DE RISCOS, CUSTOS E RETORNO DE INVESTIMENTO EM SISTEMAS ERP ANÁLISE DOS RISCOS CUSTO DE OPORTUNIDADE E A SUBSTITUIÇÃO DE ATIVOS TOTAL COST OF OWNERSHIP (TCO) ANÁLISE DE INVESTIMENTOS ANÁLISE MATEMÁTICA DO RETORNO DE INVESTIMENTOS Período Payback Payback Descontado Valor Presente Líquido (VPL) Taxa Interna de Retorno (TIR) Taxa Interna de Retorno Modificada (TIRM)... 41

12 3.5 ANÁLISE CONTÁBIL DO RETORNO DE INVESTIMENTOS ROI RETURN ON INVESTIMENT ROI DU PONT E RETURN ON ASSETS (ROA) AVALIAÇÃO DE BENEFÍCIOS INTANGÍVEIS E ESTRATÉGICOS EM TI FATORES CRÍTICOS DE SUCESSO A ESCADA DE AVALIAÇÃO DE BENEFÍCIOS DE FARBEY (1995) INFORMATION ECONOMICS O BALANCED SCORECARD (BSC) METODOLOGIA TIPO DE PESQUISA CARACTERIZAÇÃO DA EMPRESA DESCRIÇÃO DO PROJETO E DA METODOLOGIA UTILIZADA PELA EMPRESA ANÁLISE DOS CUSTOS DE IMPLANTAÇÃO ANÁLISE TRADICIONAL DE INVESTIMENTOS PROPOSTA DE METODOLOGIAS PARA AVALIAÇÃO DE INVESTIMENTOS EM SISTEMAS IDENTIFICAÇÃO DOS FATORES CRÍTICOS DE SUCESSO ENQUADRAMENTO DA EMPRESA SEGUNDO AS OITO ESCADAS DE BENEFÍCIOS DE FARBEY AVALIAÇÃO DOS ASPECTOS ESTRATÉGICOS E BENEFÍCIOS INTANGÍVEIS ATRAVÉS DO BALANCED SCORECARD - BSC CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES PARA NOVOS ESTUDOS REFERÊNCIAS: ANEXOS ANEXO 1 ROTEIRO DE ENTREVISTAS...89 ANEXO 2 RESULTADOS DAS ENTREVISTAS...93 ANEXO 3 DEMONSTRAÇÕES DO RESULTADO DO EXERCÍCIO DO GRUPO ALFA...97

13 1 INTRODUÇÃO Os Sistemas Integrados de Gestão Empresarial se destacam no mercado de soluções de informática. Impulsionados pelas pressões competitivas do mundo moderno e pelo desenvolvimento das tecnologias, surgem como solução para as empresas que precisam produzir mais em menos tempo, reduzindo margem de erro e custos. Os sistemas ERP (Entreprise Resource Planning ou Planejamento dos Recursos da Empresa) foram os que mais se destacaram entre todos os sistemas integrados de gestão que emergiram nos últimos anos. Na década de 90, houve um crescimento expressivo da sua utilização, na busca por maior competitividade, redução de custos e resposta imediata às necessidades do mercado. Inúmeras empresas recorreram à adoção dos pacotes ERP s. Com a sua utilização em larga escala e, levando em consideração que os investimentos aplicados em um sistema são relativamente altos, surgiu a necessidade de uma avaliação prévia ao adquirir novas tecnologias de informação e de se verificar como se realiza a escolha de um sistema, quais os custos envolvidos no processo e quais os benefícios alcançados. O ROI Return on Investiment, tornou-se uma medida bastante popular na análise de investimentos de TI. Criado em 1977, pelo Gartner 1, ganhou destaque nos anos 90, com a expansão dos sistemas de gestão. Sua finalidade é demonstrar se há ou não viabilidade econômica, para investir em determinada tecnologia e em quanto tempo esse investimento se pagará. Como o ROI não consegue mensurar os valores intangíveis do investimento, outras técnicas de análise vêm sendo desenvolvidas para superar tal dificuldade. Nesse sentido, diversas metodologias vêm ganhando espaço na avaliação de 1 Gartner Group Empresa de consultoria Americana, especializada em análise de tendências e usos da tecnologia da informação.

14 projetos, dando ênfase à identificação dos custos e dos benefícios intangíveis de retorno de investimentos. Destarte, pretendeu-se, neste trabalho, identificar a metodologia de análise de investimentos mais relevante para avaliação dos projetos de TI, dando prioridade às metodologias capazes de identificar aspectos intangíveis de investimento. Tal estudo caracterizou-se como um estudo de caso real, realizado em um Grupo Industrial composto de cinco empresas localizadas em Guarapuava PR, onde se analisou um projeto referente à implantação de Sistema ERP. A finalidade de tal projeto era a integração das empresas do grupo e dos diversos setores, aumento de competitividade e maior agilidade nos processos. No presente estudo foram avaliados todos os custos envolvidos na implantação do novo sistema, comparativamente aos gastos estimados. Também foram realizadas entrevistas com os gerentes de cada divisão dentro da organização e avaliados os benefícios visualizados e as dificuldades enfrentadas ao longo de pouco mais de dois anos de uso do novo sistema. O trabalho se divide em seis capítulos, sendo o primeiro composto de introdução, tema, problema, objetivos, hipóteses e justificativa; no capítulo dois, é realizada uma revisão teórica e conceitual, em que são descritos os componentes da Tecnologia da Informação para as empresas e como estes componentes estão diretamente ligados aos Sistemas ERP; no terceiro capítulo, são conceituados e evidenciados a análise de riscos, custos e retorno de investimentos pelas técnicas tradicionais; no capítulo quatro são descritas as métricas mais utilizadas para o cálculo do retorno de investimentos em TI, levando em consideração aspectos tangíveis e intangíveis; no capítulo cinco, são evidenciados e diagnosticados os dados da empresa, objeto de estudo e realizada uma descrição do processo de implantação da empresa; no capítulo seis, é sugerida uma proposta para avaliação de investimentos em sistemas, utilizando quatro das metodologias existentes. Por fim, são realizadas as considerações finais do estudo.

15 1.1 TEMA Os sistemas ERP permitem às empresas melhorarem o fluxo de informações, reduzirem custos e se tornarem mais eficientes. No entanto, os sistemas são caros, sua implantação é complexa e nem sempre se consegue mensurar adequadamente seus benefícios. Os sistemas ERP exigem grandes investimentos em nível econômico, humano e organizacional. Tais investimentos não são somente efetuados na fase inicial, mas durante todo o seu ciclo de vida. (ESTEVES et all, 2000). Quando se pensa somente nos aspectos tangíveis, como redução de custos, seja com redução de pessoal e economia de papel, por exemplo, não se consegue facilmente observar o verdadeiro valor de um sistema ERP. Junto com os sistemas vêm outros custos como depreciação de Hardware (25% ao ano), custos de manutenção etc. Sua relevância talvez esteja justamente nos fatores intangíveis, como a melhora do fluxo de informações e maior eficiência no processo produtivo (GRAEML, 2000). Esses benefícios não podem ser mensurados por meio da fórmula tradicional do ROI. Dessa forma, surge a importância de se definir novas formas de se calcular o Retorno de Investimentos, para evidenciar se os benefícios auferidos são compatíveis aos custos do sistema. 1.2 QUESTÃO DE PESQUISA Os investimentos em Tecnologia da Informação (TI) são essenciais para todos os negócios, ao mesmo tempo em que tais investimentos nessa área são cada vez maiores, e devem servir não somente a redução de custos como também à obtenção de maiores lucros. Nesse sentido, a questão fundamental dessa pesquisa esta relacionada com a proposição de um método de avaliação relevante para o cálculo de retorno de investimentos em Sistemas ERP para o grupo Alfa. Surgem então a seguinte questão Qual a melhor metodologia para se calcular o retorno sobre investimentos em Sistemas ERP levando-se em consideração os aspectos tangíveis e intangíveis?

16 1.3 JUSTIFICATIVA Anualmente as empresas precisam fechar o orçamento de capital, anual ou plurianual. Tem-se como desafio selecionar as opções de investimento que irão maximizar os lucros para os proprietários ou acionistas, em longo prazo, respeitando as restrições orçamentárias. A remuneração dos investimentos é a recompensa ao empreendedor por seu capital investido. Desta maneira, é importante calcular o retorno de investimentos sobre o capital investido como maneira de subsidiar a tomada de decisão e como ferramenta gerencial e financeira. Com o objetivo de melhorar a qualidade das decisões gerenciais, expandir as atividades, ou simplesmente para obter um maior controle sobre as operações, as empresas tendem a investir cada vez mais em Tecnologia da Informação (TI). Junto com essa necessidade, e levando em consideração que as despesas operacionais com infra-estrutura de TI vem aumentando consideravelmente, é, portanto necessário calcular a viabilidade econômica desses investimentos. Estimar os custos de investimento em um Sistema ERP que é um dos elementos de alto custo em TI, é relativamente simples, no entanto, calcular os benefícios deste investimento inclui uma série de fatores intangíveis, como o tempo que leva para o retorno ocorrer; a adaptação estratégica na empresa; os custos da oportunidade; os níveis de inovação necessários; o valor da conexão com os clientes. Nesse contexto, existe uma crescente preocupação com a mensuração de Ativos Intangíveis e a avaliação de sua contribuição no resultado das organizações. Na chamada Sociedade do Conhecimento (DRUKER, 2000) ressalta que a inovação, a iniciativa e o conhecimento são fatores estratégicos para o melhor desempenho das organizações. Levar em consideração esses fatores intangíveis é essencial para estimar o valor dos investimentos em TI. A combinação de fatores tangíveis e intangíveis indica algumas lacunas com as quais os gerentes se defrontam quando avaliam esses investimentos.

17 1.4 HIPÓTESES As fórmulas tradicionais de avaliação de investimentos não conseguem mensurar todos os benefícios de um sistema ERP e por isso devem ser aliadas a outras técnicas. As técnicas de cálculo que consideram o valor intangível dos investimentos oferecem cálculo mais próximo à realidade. O volume e qualidade dos custos de implementação de sistemas ERP são relevantes na decisão sobre investimentos em TI. 1.5 OBJETIVOS OBJETIVO GERAL Propor uma metodologia de avaliação de investimentos em Sistemas ERP, com base na literatura existente OBJETIVOS ESPECÍFICOS Identificar os principais métodos de avaliação de investimentos propostos por autores contemporâneos; definir os critérios mais evidentes de relevância para o cálculo de retorno de investimentos em sistemas ERP; descrever o processo financeiro na implementação de Sistemas ERP; propor metodologias eficientes para avaliação de investimentos em sistemas.

18 2. A EVOLUÇÃO DA TI E DOS SISTEMAS INTEGRADOS DE GESTÃO EMPRESARIAL Neste capítulo, é apresentada uma revisão de literatura contemplando conceitos relacionados à Tecnologia da Informação (TI) e Sistemas ERP, ressaltando suas características, relevância, custos e benefícios esperados. Para que um sistema de informações funcione adequadamente, é preciso toda uma estrutura de TI que o auxilie. Nesse sentido, serão conceituados os principais componentes necessários à implantação de ERP s nas empresas. 2.1 A TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO A Tecnologia da Informação (TI) pode ser considerada um conceito bastante abrangente, pois, além de se constituir na soma de computadores, telecomunicações, recursos da informação, sistemas, etc., também envolve aspectos humanos, administrativos e organizacionais. A TI tem se destacado de maneira abrangente no mundo corporativo, contribuindo para o fornecimento de informações que contribuem para o planejamento, para a definição de estratégias e para a tomada de decisão nas empresas. Nos anos 70, a indústria de informática era movida por obsolescência tecnológica. Era fácil para que o gerente de informática justificasse a razão de troca de equipamentos, como no caso, por exemplo, o balanço vai sair mais rápido, assim como a folha de pagamento, etc. No começo dos anos 90, o papel do gerente de informática passou a ser diferente, ele deve procurar direcionamento de novos investimentos, de forma a reduzir os custos totais na área. O que mudou nesse período, é que a modernidade passou a ser associada a um custo menor, mas as decisões continuam sendo de caráter tecnológico. E por continuarem dessa forma, dissociadas da tradicional relação custo x benefício, os custos de informática continuam a crescer.

19 Na atualidade, os investimentos em TI na América Latina estão acelerados. O Gartner Group 2 Instituto de Pesquisas realizou um estudo onde ouviu CIOs latinoamericanos sobre as tecnologias que pretendiam investir em A taxa anual de crescimento dos orçamentos na região deve ser de 7,3% até 2010, o dobro em relação às estimativas para os Estados Unidos. O estudo ainda identifica que a América Latina está investindo três vezes mais que a média mundial. De acordo com a pesquisa, as empresas latino-americanas vão aumentar em 8,5% o volume de recursos para projetos de TI ao longo de 2007, enquanto a média mundial para o mesmo período ficou em 2,8%. Diante desse contexto, torna-se imperativo tomar decisões com base em critérios econômicos e não mais tecnológicos somente. A Tecnologia propriamente dita vive em contínua transformação constantemente surgem inovações importantes. Houve época em que o grande desafio era gerenciar e acompanhar a tecnologia, mas, recentemente, o desafio passou a ser gerenciar o uso da tecnologia. (KEEN, 1996). Segundo REZENDE e ABREU (2001, p. 76): Pode-se conceituar a Tecnologia da Informação como recursos tecnológicos e computacionais para geração e uso da informação. Outro conceito de TI pode ser todo e qualquer dispositivo que tenha capacidade para tratar dados e ou informações, tanto de forma sistêmica como esporádica, quer esteja aplicada ao produto, quer esteja aplicada no processo. (CRUZ, 2003). Os componentes da Tecnologia da Informação podem ser assim especificados: Hardware e seus dispositivos e periféricos; software e seus recursos; sistemas de telecomunicações; 2 Gartner Group Empresa de consultoria Americana, especializada em análise de tendências e usos da tecnologia da informação.

20 gestão de dados e informação. (REZENDE e ABREU, 2001) Os dados devem ser submetidos a atividades de processamento, a fim de serem analisados e organizados, para convertê-los em informação para os usuários finais. A arquitetura genérica dos sistemas de informação de uma empresa pode ser graficamente representada na figura 2.1: Arquitetura de Informações da Empresa PRODUÇÃO COMERCIAL FINANÇAS R.H. Sist. De Suporte a Altos Executivos Aplica ções Funcio nais de Negócios Sist. De Apoio a Média Gerência e Especialistas Automação Escritório, Sist. Apoio Operacional Sist. Coleta e Registro de Transações da Empresa HARDWARE SOFTWARE DADOS TELECOMUNI- CAÇÃO Base Computacional Figura 2.1- Arquitetura das Informações da Empresa Fonte: Rezende e Abreu (2001) Um sistema de informação bem estruturado e funcionando de forma eficiente ajuda no processo de tomada de decisões e auxilia os indivíduos da organização a atuarem harmoniosamente. Como afirma AZEVEDO (2000), novas idéias, conceitos e requisitos têm sido propostos, no sentido de auxiliar na competitividade das empresas, tais como: a constante diminuição do ciclo de vida dos produtos, a contínua melhoria da

21 qualidade e da confiabilidade, a concepção e a produção de produtos cada vez mais complexos, etc. Para ALTER (1996), a relação entre TI e os demais componentes do negócio são representadas na figura 2.2: Figura 2.2: Relação TI e empresa Fonte: Alter (1996) A TI tem grande tem grande influência na empresa como um todo, e deve ser considerada como fator estratégico. Dependendo do ramo de atividade, a TI pode afetar os processos de negócio, a firma e o ambiente de negócio. Os investimentos em TI contribuem para a melhora do desempenho das empresas, pois os computadores vêm conquistando cada vez mais espaço e se transformaram em ferramenta estratégica para expansão e gestão de negócios. Dessa forma, a TI deve ser vista como um meio de viabilizar os Projetos de SI, interferindo em toda a organização. Os investimentos em TI devem ser constantes, no entanto, é preciso que sejam avaliados com muito cuidado: esse tipo de investimento costuma ser alto, especialmente quando se trata de investimento em equipamentos, contribuindo para que o problema se torne mais complexo, pois a depreciação desses equipamentos acontece de maneira muito rápida.

22 Se por um lado pode haver redução de pessoal, ou de papel na empresa, por outro essa economia é compensada com o gasto elevado da depreciação do hardware. Os equipamentos de informática depreciam 25% a.a., ou seja, em quatro anos o bem já está totalmente depreciado. Outro custo relevante é com as atualizações de versões do software e treinamento de funcionários 2.2 ORIGEM, CONCEITOS E TENDÊNCIAS DOS SISTEMAS ERP Os sistemas ERP Entreprise Resource Planning, que traduzidos literalmente significam Planejamento dos Recursos da Empresa, no Brasil, são conhecidos como sistemas integrados de gestão empresarial, têm como finalidade controlar e dar suporte a todos os setores da empresa: operacionais, administrativos, comerciais e produtivos. Para PADILHA et al (2005): O ERP é um sistema integrado que possibilita um fluxo de informações único, contínuo e consistente por toda a empresa, sob uma única base de dados. Devido a essa característica de unificar e facilitar o fluxo de informações dentro da empresa, a utilização dos produtos ERP tem crescido consideravelmente. Segundo a AMR research Inc, o mercado de softwares ERP continuará a ser um dos maiores em crescimento e em influência na indústria de software. LAURINDO e MESQUITA (2000) descrevem a evolução dos sistemas ERP: No início da década de 90, em evolução aos sistemas MRPII, surgiram os sistemas integrados, denominados "Enterprise Resources Planning" - ERP. Esta nova geração de sistemas tem sua abrangência expandida para além da Produção, atingindo, entre outras, as áreas Contábil, Financeira, Comercial, de Recursos Humanos, Engenharia, Gerenciamento de Projetos, englobando uma completa gama de atividades dentro do cenário de negócios das empresas. Vale destacar que, em muitas das implantações de sistemas ERP, apenas são adquiridos estes módulos voltados para as partes administrativas da corporação, ficando de lado toda a parte relativa ao MRPII, i.e., a parte que trata da produção. Anteriormente aos sistemas Integrados de Gestão, existiam os sistemas MRP s, que abrangiam apenas a área de produção e de difícil adaptação a outros sistemas. Com a evolução tecnológica, os sistemas ERP surgem como importante

23 ferramenta, capaz de auxiliar as empresas agilizando os processos, melhorando o fluxo de informações e, conseqüentemente, a tomada de decisões. Segundo DAVENPORT (1998), a implementação dos sistemas ERP foi o acontecimento mais importante ocorrido no mundo dos negócios nos anos 90. Para o autor, a não implementação de um ERP está fora de questão, pois os ganhos em longo prazo com produtividade e integração das empresas são indiscutíveis. A tecnologia tornou-se algo essencial para as empresas. Do hardware e do software ao uso da Internet e do , às opções tecnológicas que podem facilitar a comunicação e a interação com clientes, auxiliar na gestão, no controle, na produção, enfim, contribuir para o alcance de inúmeros benefícios. Ao tomar a decisão pela utilização de sistemas ERP, as empresas esperam obter: a integração, o incremento das possibilidades de controle sobre processos da empresa, a atualização tecnológica, a redução de custos da informática, o acesso a informações de qualidade em tempo real. Para discutir essas questões e ampliar o conhecimento sobre o tema, inúmeros trabalhos científicos já retrataram os investimentos em TI, sob diferentes pontos de vista. A literatura também contempla trabalhos que vêm sendo realizados em relação aos sistemas ERP s, no que se refere a sua seleção, implementação e seus impactos organizacionais: SCHMIDT (2004) afirma em sua tese, que, se os esforços financeiros e humanos que as empresas têm dispendido na implantação dos sistemas ERP têm trazido melhoria nos seus processos de gestão e agregado valor ao negócio, é possível medir a eficiência da utilização da TI em uma empresa, pelo retorno que ela propicia, análise dos custos e pela agregação de valor nos produtos ou serviços. Ressalta, ainda, a importância do fator humano para o sucesso dos sistemas ERP quando algo não dá certo, a tendência é culpar somente os aspectos materiais do sistema ou do hardware, quando, na realidade, o papel da gestão e das pessoas é o mais relevante para o sucesso do sistema. SCHAICOSKI (2002), em sua dissertação intitulada A utilização do ROI na Análise de Projetos de Tecnologia da Informação, realiza um estudo de viabilidade referente à implantação de um sistema ERP, utilizando as técnicas de retorno sobre

24 investimentos tradicionais (sem considerar aspectos intangíveis). O autor ressalta a importância de se calcular o retorno de investimentos nesses projetos, bem como a dificuldade encontrada pelas empresas em realizá-lo, especialmente nas de médio porte. HENDERSON & VENKATRAMAN (1993) propuseram um modelo que destaca e analisa a importância estratégica do papel desempenhado pela TI dentro das empresas. É realizada a análise do impacto da TI nos negócios da empresa, na estratégia de TI e na disponibilidade no mercado em termos de novas tecnologias. GRAEML (2003) dá ênfase às questões financeiras e avalia como as empresas consideram os dispêndios em TI, se como investimentos ou como despesas. É analisada também a idéia de que o nível de investimentos em TI está associado ao desempenho da empresa e citados os métodos de análise de investimentos capazes de capturar o valor dos fatores intangíveis, entre esses, os Fatores Críticos de Sucesso de Rockart e o Balanced Scorecard de Kaplan e Norton (1993). PEREIRA, TURRIONI E PAMPLONA (2005), afirmam que os métodos tradicionais de análise de investimentos (ROI, TIR, VPL), não são tão eficientes porque não contemplam uma das principais características da TI que são os benefícios intangíveis. Eles analisam em seus estudos, as dificuldades que esses métodos demonstram no cálculo de benefícios intangíveis. LAURINDO et all (2002), enfocam a TI como possibilidade de novas alternativas de estratégias nos negócios, e citam como exemplo o e-business. Porém, segundo o trabalho, ainda existem questionamentos sobre os reais ganhos advindos dos investimentos em TI. É preciso alinhar a TI com as estratégias da empresa, para que ela atinja seus objetivos ser eficaz e eficiente, alavancando os negócios e tornando a empresa mais competitiva. De maneira geral, eficiência significa fazer bem as coisas, enquanto que eficácia significa fazer as coisas certas. Segundo os autores, a eficiência está associada ao uso dos recursos, enquanto a eficácia está associada à satisfação de metas, objetivos e requisitos. Eficiência está relacionada com aspectos internos da atividade de TI e a adequada utilização dos

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