OBJETO: obter subsídios e informações adicionais para a discussão conceitual do Generation Scaling Factor (GSF).

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1 AUDIÊNCIA PÚBLICA ANEEL 032/2015 OBJETO: obter subsídios e informações adicionais para a discussão conceitual do Generation Scaling Factor (GSF). POSICIONAMENTO Embora o risco hidrológico faça parte do risco tomado pelo acionista, e ainda que existam mecanismos contratuais e de mercado que possam mitigar tais riscos, acreditamos que a situação atual deve ser cuidadosamente analisada, de modo a evitar que a viabilidade dos projetos hidrelétricos seja comprometida no futuro. As áreas técnicas da ANEEL afirmam 1 que existem mecanismos mitigatórios suficientes aos agentes, e que, por isso, uma intervenção regulatória talvez não seja necessária. Deve-se avaliar, contudo, se estes mecanismos não são um incentivo à ineficiência, indo na contramão da busca pela modicidade tarifária. As regras em vigor: energia assegurada + MRE + Mercado de Curto Prazo, etc... são perfeitamente aplicáveis e válidas ao se considerar as quantidades físicas de energia gerada MWh. Diversas usinas com mais de 10 anos de operação atestam quem, no longo prazo, as quantidades de energia excedentes à assegurada, ou secundária, mais do que compensam as quantidades geradas inferiores à assegurada, motivo de aplicação do GSF. Entretanto, se a conta fecha em MWh, o mesmo não acontece em R$. Vende-se a secundária por R$ 35,00/MWh, e compra-se devido ao GSF por importância 10 vezes maior, no mínimo. Ao incentivar que os agentes de geração deixem montantes de energia descontratados para mitigar os efeitos do GSF, se está claramente gerando um custo desnecessário para o consumidor. Além disso, os agentes são incentivados a especular no mercado de energia elétrica. Deve-se avaliar se a energia elétrica, bem essencial à sociedade, deve ser alvo de especulação financeira. Na Nota Técnica nº 038/2015-SRG-SEM/ANEEL, as áreas técnicas da agência reguladora dedicam uma seção à discussão dos problemas do GSF nas SPEs. Argumentam que não foi detectado nenhum ajuste significativo nos resultados das SPEs em função de impairment. Contudo, se as regras continuarem as mesmas e momentos de GSF continuarem a ocorrer no futuro, certamente o retorno sobre os 1 Nota Técnica nº 038/2015-SRG-SEM/ANEEL, de 19/05/2015.

2 projetos será comprometido. E tudo leva a crer que situações de GSF sejam cada vez mais frequentes no futuro, dada à diminuição da capacidade de armazenamento do sistema. Se, por falta de mecanismos regulatórios eficientes, as rentabilidades dos projetos forem comprometidas, os empreendimentos em operação sofrerão problemas financeiros ainda mais graves. Além disso, novos empreendimentos serão precificados levando em conta um custo risco hidrológico, cada vez maior. O resultado será apenas um: energia mais cara para o consumidor. Portanto, considerando que a energia elétrica não deve ser objeto de especulação financeira e que deve haver algum mecanismo mitigatório para os momentos de baixa hidrologia, apresentamos uma solução abrangendo duas propostas: (i) a criação de um Fundo Garantidor de Recursos do MRE e (ii) a criação de um Índice Redutor da Garantia Física Acima da Carga Para Cenários de GSF. FUNDO GARANTIDOR DE RECURSOS DO MRE (FGMRE) Uma solução possível para garantir a viabilidade econômica das geradoras hidrelétricas é compensar ganhos financeiros com a venda de energia secundária e perdas com o GSF. Para tanto propõe-se um mecanismo para lidar com tais situações inversas um Fundo Garantidor de Recursos. A ideia de um Fundo Garantidor não é nova - já existe no mercado financeiro brasileiro desde O Fundo Garantidor de Crédito é uma entidade privada que administra um fundo de recursos que garante os investimentos em poupança, depósitos a prazo, letras imobiliárias, hipotecárias, de câmbio, entre outros. O FGC pode servir de referência para a criação de um Fundo como o supracitado. Características de um Fundo Garantidor de Recursos FGMRE: Entidade privada, sem fins lucrativos, destinada a administrar o mecanismo de proteção às empresas participantes do MRE. Estatuto e regulamento do mecanismo de proteção aprovados e fiscalizados pela Aneel. Todas as geradoras participantes do MRE são compulsoriamente associadas do FGMRE.

3 Toda a energia secundária das geradoras do MRE é liquidada no MCP e a receita obtida revertida integralmente ao FGMRE. Contribuição compulsória do consumidor de parte da modicidade tarifária proporcionada pela geração hidráulica. Explica-se: Na ocorrência de energia secundária consumidores deixam de pagar por energia de outras fontes, de maior custo. É justo que parte desse benefício seja destinado ao FGMRE. Emissão de títulos públicos para financiamento de déficits de curto prazo do FGMRE Fontes de recursos do FGMRE: o Energia Secundária destinada às geradoras hidráulicas do MRE; o Recolhimento compulsório de consumidores finais; o Rendimentos de aplicações financeiras dos recursos; o Financiamento através de Títulos Públicos. Funcionamento do FGMRE: Funding Inicial Considerando que a previsão para os próximos meses é de GSF, faz-se necessário o desenho de um funding inicial do FGMRE, para que este possa começar a funcionar mesmo agora, em momento de baixa afluência. O aporte inicial do FGMRE poderia vir de três fontes: o Aporte por parte dos geradores hidrelétricos, de ganhos líquidos ocorridos no passado com a venda de secundária; o Financiamento através da emissão de títulos do próprio fundo; o Financiamento através do uso de títulos públicos recebidos por empréstimos do Tesouro Nacional;

4 Em primeiro lugar, o próprio FGMRE, enquanto entidade autônoma de direito privado, poderia emitir títulos com garantia de recebíveis futuros. O FGMRE adiantaria, com recursos obtidos do mercado financeiro, as receitas futuras com a venda de energia secundária, contribuições de consumidores e outras. Ainda que o timing da entrada de recursos da secundária não seja preciso, esta entrada de secundária é certa, dando segurança ao mercado que precificará estes títulos. Ainda na linha da emissão de títulos, outra possibilidade é o uso de títulos do Tesouro. O Tesouro poderia emitir títulos da dívida e repassá-los por empréstimo ao FGMRE, para que este efetuasse a venda conforme sua necessidade de caixa. Assim, apesar da emissão do título público e aumento da dívida bruta, a emissão de dívida líquida para o governo é zero. A outra fonte de recursos, a contribuição do consumidor, será explicitada a seguir. A receita proveniente da venda de Energia Secundária das geradoras hidráulicas participantes do MRE constituirá uma importante receita para o FGMRE. Resultados positivos desta natureza, apurados pela CCEE, serão repassados em caráter mensal para o Fundo, em formação da reserva para suporte em meses onde o GSF for observado. É uma receita, entretanto, instável. Principalmente se for levado em consideração que o financiamento obtido através da emissão de títulos, tanto para funding inicial, como para déficits que venham a surgir e que não possam ser suportados exclusivamente pelos recursos do Fundo, precisará ser firmado com características que garantam um fluxo constante de liquidação. É essencial, dessa forma, uma projeção de recebimentos com estabilidade para que estes títulos possuam recebíveis confiáveis e seguros. Neste ponto, a contribuição complementar dos consumidores se mostra necessária. A proposta é uma contribuição do consumidor, livre e cativo, de caráter estável e constante. A exemplo das bandeiras tarifárias, o consumidor responderia a uma cobrança neste formato com a alteração do seu padrão de consumo. Além da destinação de recursos importantes ao FGMRE, portanto, o consumidor fica estimulado a reduzir sua carga e contribui, em instância futura, para redução do GSF. Numa outra modalidade, o consumidor contribuiria para o FGMRE com determinada proporção de seu ganho com a modicidade tarifária proporcionada pela geração hidráulica, ou seja, a diferença entre o valor do PLD e o custo marginal da geração térmica, ou de outras fontes, evitada com a energia secundária, respeitando-se evidentemente a ordem de mérito na ordenação das fontes. Os recursos no FGMRE, então, poderiam ser arrecadados através das contribuições acima mencionadas, em valor a ser estudado e definido em função do planejamento das fontes de energia do sistema e respectivos custos.

5 IMPLANTAÇÃO DE ÍNDICE REDUTOR DA GARANTIA FÍSICA ACIMA DA CARGA PARA CENÁRIOS DE GSF O processo de sazonalização da energia nos anos de 2013 e 2014 teve particularidades ausentes nos anos anteriores com consequentes efeitos diferenciados. Em 2013, o cronograma tardio permitiu que a sazonalização do ano fosse realizada no mês de fevereiro, com conhecimento efetivo da geração e PLD de todo mês de janeiro. O fato fez com que muitos agentes alocassem energia além da carga neste mês, auferindo ganhos com a liquidação do excedente no MCP, a um preço já conhecido. O resultado foi um GSF contábil na casa de 25%, com um déficit em grandes proporções para muitos agentes, especialmente geradores. Para 2014, a novidade foi a sazonalização da energia em dois formatos uma para a energia do MRE, outra para lastro. O perfil final verificado, ainda que em menores proporções, foi semelhante ao de 2013: observou-se, nos primeiros meses do ano, uma sazonalização da energia do MRE acima da sazonalização do lastro e da carga, portanto. Com a adoção de preços bastante elevados no MCP houve um incentivo a grandes consumidores reduzirem sua carga, e venderem o excedente de seus contratos a esses preços elevados. Assim, acabou sendo transacionada no MCP uma geração virtual de energia, puramente escritural, sem lastro físico. Em termos gerais, a sazonalização da Garantia Física norteia o consumo de energia que deve ocorrer no ano. A distribuição dos contratos de energia, entretanto, é que vai mostrar a real demanda do sistema. Uma diferença entre estas duas grandezas, mensalmente, pode ocasionar sobra ou exposição no MCP, a risco do agente. Importa destacar que a sazonalização da energia do MRE acima dos contratos pode gerar GSF no mês (a exemplo de janeiro de 2013) ou agravar um déficit que já aconteceria por conta de uma situação hidráulica desfavorável, já que não possui uma real demanda associada. Assumindo-se que déficits provenientes de GSF seriam cobertos por recursos provenientes também dos consumidores, através de cobrança compulsória, na busca de recursos e incentivo à redução da carga, práticas como a citada anteriormente poderiam retardar ou anular o benefício de uma situação de economia de energia assumida pelo consumidor. O processo necessita de medidas preventivas que incentivem todo o sistema a buscar resultados permanentes na redução do déficit e carga.

6 Uma mudança inicial a ser pensada poderia ser a alteração na prática de contabilização nos meses em que GSF seja verificado e existam agentes com a energia do MRE sazonalizada acima dos contratos registrados. Algo como explicitado a seguir: após consolidação das informações mensais, e verificada a existência do GSF, um índice, relacionado ao percentual de GSF verificado no mês passaria a reduzir o excesso entre a sazonalização da energia do MRE x contratos naquele mês, de forma a: (i) reduzir ganhos individualizados no MCP, sem carga efetiva vinculada; (ii) reduzir o déficit total, dada redução da necessidade de recursos para liquidação de energia no MCP, a PLD alto; (iii) reduzir o GSF efetivo do mês, pela sazonalização ajustada para baixo. Sobre esta nova energia sazonalizada, as regras para contabilização do mês seriam aplicadas. A Garantia Física total do agente sofreria, portanto, redução momentânea. A recomposição, para totalidade da Garantia Física no ano, se daria no primeiro momento onde os contratos fiquem acima da energia sazonalizada do MRE (com exposição do agente ao MCP), até o limite máximo de igualdade desta energia e dos contratos no mês, com o ajuste podendo ser realizado em mais de um período, se necessário, para que a situação original não se configure novamente. Na ausência das condições anteriores, o ajuste se daria no mês de dezembro, na quantidade total reduzida em momentos anteriores, independente do critério de igualdade para limite máximo, de forma a não contrariar o direito à Garantia Física. Com a recomposição, a energia do MRE sazonalizada do mês em questão é acrescida, e sobre esta nova energia ajustada, assim como no evento contrário, passariam a ser aplicados os procedimentos de contabilização. O incentivo à redução da carga está intrínseco neste mecanismo - se um ajuste para baixo na energia sazonalizada do MRE, em caso de GSF, pode reduzir os ganhos projetados pelo descasamento da sazonalização do MRE e dos respectivos contratos, uma redução da carga, no mesmo período, pode neutralizar este efeito, e os ganhos projetados pelo agente que realizou a opção de liquidar excesso no MCP podem ser retomados desta vez, com um benefício ao sistema, com menor carga. Florianópolis SC, em 26 de Junho de 2015 Carlos Alberto Bezerra de Miranda Economista PUC/RJ Jenifer Galafassi Economista UFSC Leandro Lind Economista UFSC Luciano Figueiredo Economista MACKENZIE

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