AVALIAÇÃO DOS METAIS PESADOS CÁDMIO, CHUMBO, COBRE E ZINCO DO COMPARTIMENTO ÁGUA DA FOZ DO RIO ITAJAI AÇU

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1 AVALIAÇÃO DOS METAIS PESADOS CÁDMIO, CHUMBO, COBRE E ZINCO DO COMPARTIMENTO ÁGUA DA FOZ DO RIO ITAJAI AÇU Régis Chrystian da Silva (1) Técnico em Segurança do Trabalho e Meio Ambiente pela Faculdade de Tecnologia SENAI de Itajaí / SC, Graduando em Engenharia Ambiental pela Faculdade Uniasselvi Indaial / SC Júlio Roussenq Neto Biólogo, Mestre em Saúde e Meio Ambiente com habilitação em ecologia pela UFSC Universidade Federal de Santa Catarina, coordenador do curso de Engenharia Ambiental pela Faculdade Uniasselvi Indaial / SC Endereço (1) : Rua Eulécio Olimpio da Silva 692 Centro Navegantes Santa Catarina - SC - CEP: Brasil - Tel: (47)

2 AVALIAÇÃO DOS METAIS PESADOS CÁDMIO CHUMBO, COBRE E ZINCO DO COMPARTIMENTO ÁGUA DA FOZ DO RIO ITAJAI AÇU INTRODUÇÃO O Rio Itajaí-Açu pertence à bacia hidrográfica do Rio Itajaí, é a mais extensa da vertente atlântica no Estado de Santa Catarina, também considerado o mais importante desta bacia. O território da bacia divide-se em três grandes compartimentos naturais o alto, o médio e a região da foz em função das suas características geológicas e geomorfológicas. Com extensas áreas urbanizadas e alta concentração populacional o médio vale possui economia voltada para área industrial e turística e a foz para atividades portuárias, náuticas e turísticas fato causador de sérios impactos sobre os recursos hídricos. Compreende-se como área temática deste estudo a bacia hidrográfica do Rio Itajaí-Açu situado na unidade fisiográfica litoral e encostas de Santa Catarina, foz do Itajaí- Açú, com os pontos amostrais localizados em frente aos portos dos municípios de Itajaí e Navegantes, cerca de 1 Km de bacia hidrográfica dividido em três pontos de coleta de água estuarina seguindo as seguintes coordenadas geográficas, Ponto 1 coordenada UTM ( ), Ponto 2 coordenada geográfica ( ) e Ponto 3 coordenada geográfica ( ), compreendido também pela Capitanias dos portos de Santa Catarina como Bacia de evolução do canal aquaviário de Itajaí. O presente estudo descreve as atividades realizadas pelo pesquisador Régis Chrystian da Silva, Graduando em Engenharia Ambiental (UNIASSELVI) sob a orientação do Professor Júlio Roussenq Neto (coordenador do curso de Engenharia Ambiental (UNIASSELVI), durante o ano de 2009, compreendido como Janeiro de 2009 a Dezembro de 2009, nas atividades de coletas de amostras de água do Rio Itajaí Açu e análises em laboratório posteriormente especificado, para a determinação e a avaliação dos metais pesados cádmio, chumbo, cobre e zinco do compartimento água da foz do Rio Itajaí Açu. MATERIAIS E MÉTODOS Após a tragédia de novembro de 2008 estudos levantados anteriormente precisam ser atualizados em função das mudanças observadas no rio Itajaí Açu. Os municípios envolvidos no projeto são pólos de grande relevância para região. A cidade de Navegantes vem crescendo tornando-se grande, com grande área urbana. As cidades da foz, Itajaí e Navegantes ocupam as áreas planas da bacia sendo que parte delas são utilizadas na agricultura e com a pecuária. As áreas estudadas são freqüentemente castigadas pelas enchentes. Esses municípios formam um mosaico econômico muito grande e com vários impactos ao meio ambiente. Dentro de uma visão ecológica, a Bacia do Itajaí está inserida quase que completamente dentro do bioma Floresta Atlântica. Em suas porções mais elevadas e frias, em sua borda ocidental, a bacia contata os biomas Floresta com Araucária e Campos Limpos. Portanto, quando se fala em degradação ambiental

3 da Bacia, se fala em degradação ambiental da Floresta Atlântica, que integra o bioma mais ameaçado em solo brasileiro gerando com isso, impacto na estrutura física, química e biológica do rio. Com isso, reduz drasticamente o potencial desse sistema em oferecer condições para usos múltiplos. PLANO DE AMOSTRAGEM As atividades de campo realizadas durante o ano de 2009 envolveram as contínuas campanhas de amostragens de água coletadas no Rio Itajaí Açu para o monitoramento de parâmetros físico-químicos da água no canal de acesso aos Portos de Itajaí e Navegantes. As campanhas de amostragens foram divididas em trimestre, sendo realizada uma campanha de amostragem por mês, gerando assim resultados comparativos a cada três meses. Foram realizadas coletas em maré vazante e em maré enchente em três pontos amostrais no Rio Itajaí- Açu. Visando obter uma confiabilidade das amostras coletadas, sem que houvesse a interferência de quaisquer produtos, a exemplo o combustível oriundo das embarcações utilizadas para alcançar a localização dos pontos amostrais, optou-se por realizar a coleta de água do Rio Itajaí-açu direto da margem esquerda do rio Itajaí Açu conhecido também como ponta da divinéia. As amostragens nos pontos de coleta foram realizadas pelo pesquisador Régis Chrystian e o laboratório contratado NATRIUM QUÍMICA, que ficou responsável pelas análises laboratoriais. As análises forma realizadas com bases nas normas e procedimentos abaixo. As coletas de água no Rio Itajaí-Açu são realizadas em período diferente, em função da alteração da maré, o primeiro ciclo de coleta é realizado em maré enchente e o segundo ciclo de coleta em maré vazante, sendo que cada ciclo compõem três coletas, uma em cada ponto amostral. As amostras foram coletadas com uma garrafa de Van Dorn com capacidade para dois litros, em uma profundidade média de 1 m. AVALIAÇÃO GERAL DO 1ª TRIMESTRE DE 2009 Não foi verificada a presença de cádmio, chumbo e cobre solúvel em nenhum ponto das campanhas amostrais realizadas em janeiro e fevereiro. Contudo, no mês de março foi registrado um acréscimo nas concentrações destes elementos, ultrapassando inclusive o valor máximo permitido pela Resolução CONAMA nº 357/05 no que se refere ao cádmio e cobre solúvel. Os gráficos com a evolução temporal demonstram uma correlação positiva destes metais pesados com a salinidade, ou seja, nas campanhas amostrais que registraram maiores valores de salinidade os metais pesados também apresentaram níveis mais elevados. Tal fato deve-se provavelmente porque a salinidade em ambientes estuarinos possibilita a troca iônica e a maior liberação de metais que se encontram precipitados. Além disso, à montante da área de estudo podem-se encontrar algumas prováveis fontes destes elementos, tais como resíduos resultantes da atividade de construção naval, da deteriorização de ligas metálicas da construção civil e de estruturas metálicas galvanizadas. A partir dos resultados apresentados, observou-

4 se que todos os pontos analisados, tanto em maré enchente como em maré vazante, apresentaram valores de ph e Oxigênio Dissolvido dentro do limite permitido pela Resolução CONAMA Nº 357/05. AVALIAÇÃO GERAL DO 2ª TRIMESTRE DE 2009 Não foi verificada a presença de chumbo em nenhum ponto das campanhas amostrais realizadas em abril, maio e junho. Contudo, os parâmetros de cádmio apresentaram um acréscimo nas concentrações neste segundo trimestre de 2009, ultrapassando inclusive o valor máximo permitido pela Resolução CONAMA nº 357/05 com exceção da campanha amostral realizada em abril que não registrou valores de cádmio acima do limite máximo permitido pelo instrumento legal supracitado Os gráficos com a evolução temporal continuam demonstrando uma profunda correlação positiva destes metais pesados com a salinidade, ou seja, nas campanhas amostrais que registraram maiores valores de salinidade os metais pesados também apresentaram níveis mais elevados. AVALIAÇÃO GERAL DO 3ª TRIMESTRE DE 2009 Dos metais pesados analisados, apenas o, cobre solúvel e zinco apresentaram valores detectáveis, porem, abaixo do limite permitido pela legislação nos pontos de monitoramento, tanto em maré enchente como em maré vazante. Estes valores podem estar relacionados com atividades antrópicas desenvolvidas nas margens do estuário, especialmente os estaleiros navais, que fazem uso de tintas anti-incrustantes a base destes elementos. AVALIAÇÃO GERAL DO 4ª TRIMESTRE DE 2009 Dos metais pesados analisados, apenas o, cobre solúvel não apresentaram traços detectáveis pela técnica analítica utilizada pelo laboratório Natrium Química - EAA (Especfotometria de absorção atômica), ou ainda os valores encontrados não ultrapassaram o nível de detecção de 0,003 (mg/l), os demais metais analisados Cádmio, Chumbo e o zinco todos apresentaram traços nas águas porem abaixo do limite máximo permitido pela Resolução CONAMA nº 357/05 Estes valores podem estar relacionados com atividades antrópicas desenvolvidas nas margens do estuário, especialmente os estaleiros navais, que fazem uso de tintas anti-incrustantes a base destes elementos. RESULTADOS E DISCUSSÃO Durante as análises realizadas a cada mês de 2009, na sua maior parte, a salinidade esteve mostrando uma predominância de fluxos de vazantes. A partir do mês de março observa-se uma tendência ao aumento da salinidade em média das águas do canal de acesso. Este aumento pode ser associado ao período de maré enchente acentuado que ocorreram em todos os trimestres. Neste período o que se verifica é uma forte diferença entre a salinidade entre os meses analisados. Com raras exceções, onde a coluna de água está bem misturada, esta é a tendência geral que está relacionada com a intensificação da descarga fluvial. Mesmo a ação de ventos de sudoeste (SW) não pode ocasionar mescla em toda a coluna de água e o estuário apresenta forte estratificação nos perfis de velocidade de. O vento de

5 sudoeste (SW), que bombeia água salgada estuário acima, só consegue inverter a camada mais próxima do fundo. CONCLUSÕES No geral as campanhas que apresentaram maior incidência de salinidade na água amostrada, apresentaram maiores concentrações de metais pesados. A salinidade em ambientes estuarinos possibilita a troca iônica entre o composto Salino Cloreto de Sódio (NaCl), com os elementos metálicos de transição que são naturalmente positivos, resultando na solubilização destes metais nas águas do estuário em maré enchente e maré vazante. Os metais pesados lançados de alguma forma no estuário se precipitam e encontra-se em sua grande maioria no sedimento ao fundo do rio. As águas oceânicas com altas concentrações de salinidade adentram no rio pelo compartimento inferior, muito próximo ao sedimento, devido sua densidade e peso, facilitando a troca iônica e a solubilização dos metais presentes no sedimento lamoso, tornando o metal pesado suspenso na água. Sendo assim podemos observar que com o aumento da cunha salina no Rio Itajaí Açu precisamente em sua foz, a solubilização dos metais pesados também será maior, devido o contato entre os metais possivelmente precipitados no sedimento lamoso e a cunha salina que em grande parte apresenta-se no fundo das águas. REFERENCIA BIBLIOGRÁFICAS FATMA/GTZ, Relevância de Parâmetros de Qualidade das Águas Aplicados às Águas Correntes. Parte I: Características gerais, nutrientes, elementos traços e substâncias nocivas inorgânicas, características biológicas. Florianópolis, Fundação do Meio Ambiente de Santa Catarina; tradução de Jorg Henri Saar. P 108. ALFREDINI, Paolo. Obras e Gestão de Portos e Costas: a técnica aliada ao enfoque logístico e ambiental. São Paulo: Editora Edgard Blücher, p.

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