PATOLOGIA CERVICAL. Ranuce Ribeiro Aziz Ydy

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1 PATOLOGIA CERVICAL Ranuce Ribeiro Aziz Ydy

2 PATOLOGIA CERVICAL O colo do útero possui o revestimento de sua superfície por dois tipos de epitélios: escamoso e colunar. O epitélio escamoso recobre a ectocérvice, e o epitélio colunar ou glandular localiza-se na endocérvice. A transição entre estes dois epitélios é abrupta e situase em colo ideal ou padrão à nível do orifício cervical externo. Com frequência, este limite está localizado abaixo do orifício cervical externo, caracterizando a ectopia, ou seja, presença de epitélio glandular na ectocérvice.

3 PATOLOGIA CERVICAL

4 PATOLOGIA CERVICAL Trata-se de fenômeno fisiológico secundário a alterações hormonais característica do período fetal, puberal e gestacional. - O ph ácido da vagina produz desnaturação do epitélio glandular, ocorrendo o fenômeno de metaplasia escamosa, onde o epitélio glandular é substituído gradativamente por epitélio escamoso. Nesta zona de transformação podem surgir perturbações e desvio da maturação e diferenciação do epitélio escamoso, favorecendo o aparecimento de lesões pré-maligna e malignas. Assim, o colo do útero é sede importante de transformação neoplásica.

5 PATOLOGIA CERVICAL A Patologia do Colo pode ser de origem congênita ou adquirida: - Congênitas: Malformações - Adquiridas: - Alongamento hipertrófico do colo uterino - Traumatismos - Úlceras de decúbito - Hemangioma - Cisto de Naboth - Pólipos - Ectopia - Endometriose - Incompetência Istmocervical - Neoplasias - Infecção por papiloma vírus

6 PATOLOGIA CERVICAL - PÓLIPOS: são protuberâncias da superfície do epitélio colunar ou escamoso. Devido a contrações da musculatura uterina, projetam-se através do canal endocervical permanecendo aderidas à endocérvice por pedículo de tamanho variável. A estrutura básica do pólipo cervical consiste de eixo conjuntivo revestido por epitélio. O pólipo pode ser dividido em pedículo, que é o local de implantação e cabeça. - Correspondem a 98% dos tumores benignos do colo, aparecem com Maior frequência entre 40 e 50 anos.

7 PATOLOGIA CERVICAL - Pólipos: Quanto à etiologia trata-se de hiperplasia focal da mucosa endocervical, à semelhança que ocorre no endométrio. Inflamação crônica, gravidez, trauma e fatores endócrinos podem contribuir na gênese dos pólipos. Diagnóstico Diferencial: adenossarcoma mülleriano, pólipos endometriais, miomas submucosos pediculados, hiperplasia da mucosa glandular. Histologiacamente: adenomatosos, Císticos, fibrosos, vasculares, fibromiomatosos e inflamatórios. Pólipos malignos: carcinoma celular escamoso in situ e adenocarcinoma. TRATAMENTO: remoção do pólipo

8 PATOLOGIA CERVICAL - Cistos de Naboth: retenção de cistos no colo do útero; fazem parte da zona de transformação. A JEC (Junção Escamo Colunar) não é estrutura estática, sofrendo alterações durante toda a vida da mulher sob dependência hormonal. Quando o epitélio colunar fica exposta ao ph ácido vaginal, ocorre o fenômeno de metaplasia escamosa, na qual o epitélio colunar é substituído por epitélio escamoso. No curso do processo de transformação, há progressão do epitélio escamoso e regressão dos elementos glandulares. À partir da JEC ocorrem lingüetas de epitélio escamoso que se confluem formando ilhotas de epitélio glandular. Pouco a pouco esta ilhotas se retraem, persistindo somente os orifícios glandulares.

9 PATOLOGIA CERVICAL Na última etapa, as aberturas existentes são bloqueadas e a secreção mucosa retida. Os cistos assim formados têm poucos milímetros de diâmetro, mas podem alcançar 2 a 4 cm. Podem ser solitários, mas são geralmente múltiplos. O diagnóstico é feito através de exame especular pela visualização de cistos tensos em relevo na superfície do colo. O epitélio que recobre os cistos é translúcido e fino, podendo-se observar vasos largos com calibre regular e arborizações finas.

10 PATOLOGIA CERVICAL - ECTOPIA: a ectopia cervical caracteriza-se pela presença de epitélio colunar na ectocérvice, sendo observado frequentemente em adolescentes e adultos jovens. Embora seja de natureza benigna, a presença de ectopia pode favorecer a instalação de algumas doenças sexualmente transmissíveis (DSTs), como as originadas à partir da infecção pela Chlamydia trachomatis, Neisseria gonorrhoeae e o Papiloma virus humano (HPV). Ectopia é a presença de epitélio colunar, incluindo glândulas e estroma na ectocérvice.

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12 PATOLOGIA CERVICAL O colo uterino e a vagina originam-se à partir da fusão das terminações distais dos ductos de Müller, que são estruturas recobertas por epitélio colunar. Entre a 18ª e 20ª semanas do desenvolvimento intra-uterino, ocorre substituição do epitélio colunar pelo epitélio estratificado escamoso. Essa etapa ocorre geralmente de forma incompleta, resultando na formação da junção escamocolunar que consiste na região de transição entro os epitélios colunar e estratificado escamoso. A imaturidade fisiológica do colo uterino caracteriza-se pela presença de extensas áreas de ectopia e epitélio metaplásico imaturo.

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14 A metaplasia escamosa, que consiste na transformação do epitélio coluna em estratificado escamoso, pode ser desencadeada pela mudança do ph vaginal. Na menarca, em consequência das significativas alterações hormonais decorrentes da puberdade, desencadeiam-se mudanças no ambiente vaginal determinando a diminuição do ph vaginal. Isto estimula o processo de metaplasia escomosa, originado a ZT (zona de transformção) PATOLOGIA CERVICAL Por esse motivo, o epitélio cervical é o primeiro sítio de infecção por agentes sexualmente transmissíveis. As células colunares são alvo da infecção pela Chlamydia trachomatis e Neisseria gonorrhoeae. Enquanto a zona de transformação, que é composta por células com intensa atividade mitótica, é mais vulnerável a infecção pelo HPV.

15 PATOLOGIA CERVICAL Que é reconhecida como região susceptível à infecção a patógenos sexualmente transmissíveis. Influência no processo de maturação do epitélio cervical: - Redução do ph vaginal (acidificação do veio vaginal) - Uso de Anticoncepcional - Tabagismo - Exposição aumentada a infecções vaginais/cervicites - Trauma

16 PATOLOGIA CERVICAL - ECTOPIA # Quadro Clínico: assintomática, quando muito extensa - corrimento # Diagnóstico: exame clínico, exame colposcópico # Tratamento: - Conservador (observação clínica) - Químicos: ácido metacresolsufônico, ácido tricloroacético... - Cirúrgicos: cauterização: diatermocoagulação, laser, aparelho de alta frequência e crioterapia.

17 PATOLOGIA CERVICAL - ASCUS # Condutas em Exames Colpocitológicos Alterados 1. Alterações de Células Escamosas de Significado Indeterminado ASCUS: 4 a 5 % dos exames Repetir CCO com 6 meses Normal CCO com 6 meses > ASCUS Colposcopia ASCUS Colposcopia Pesquisa DNA-HPV Negativo Positivo Rastreamento Colposcopia

18 # ASCUS PATOLOGIA CERVICAL - ASCUS - Pós-Menopausa: em casos de atrofia estrogenização e repetir coleta - Imunossuprimidas: seguir igual a população em geral - Adolescentes: - não realizar teste DNA-HPV - seguir citologia anual - após 24 meses de seguimento se citologia persiste ASCUS, encaminhar para colposcopia geral - gestante: seguir como população

19 PATOLOGIA CERVICAL ASC-H 2. Alterações em células escamosas de significado indeterminado, não excluindo lesão de alto grau ASC-H Devem ser conduzidas como LIEAG (lesão intraepitelial de alto grau), > 40% correspondem a NIC II (displasia moderada) Colposcopia/Biópsia

20 PATOLOGIA CERVICAL - LIEBG 3. Lesão Intraepitelial de Baixo Grau LIEBG NIC I Colposcopia/ Biópsia e Repetir citologia com 6 meses # Pós-Menopausa: - Repetir citologia com 6/6 meses, com 2 citologias normais entra na rotina - Se HPV (-) ou Colposcopia (-), repetir citologia com 12 meses - Se HPV (+) ou segundo CCO > ASCUS Colposcopia # Imunossuprimidas: seguir como população geral # Adolescentes: - citologia anual, até 12 meses de seguimento colposcopia se > LIEAG ou após 24 meses com persistência de ASCUS

21 PATOLOGIA CERVICAL - LIEAG 4. Lesão Intraepitelial de Alto Grau LIEAG NIC II (displasia moderada) ou NICIII (displasia grave) Colposcopia/Biópsia Conização # Gestantes: Colpo + Biópsia, reavaliar com CCO + colpo com 8 a 12 semanas de puerério.

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23 PATOLOGIA CERVICAL 5. Alterações de células Glandulares de Significado Indeterminado, sem outras especificações ACG-SOE, ASGUS Colposcopia Biópsia

24 PATOLOGIA CERVICAL - NIC II - NIC III (displasia grave/carcinoma in situ de colo - Resultado de biópsia de colo (epidermóide) Conização (CAF) - Adenocarcinoma in situ de colo Conização com bisturi a frio - NIC I persistente mais de 8 meses a 1 ano conização - Carcinoma invasivo Encaminhar par referência

25 PATOLOGIA CERVICAL - HPV O condiloma representa a expressão clínica do Papilomavírus Humano (HPV), cuja manifestação ocorre por aparecimento de verrugas, principalmente na genitália externa. Pode ocorre no colo do útero e na vagina, sendo mais frequente em paciente com problemas imunológicos. Aparece em áreas de trauma de coito, com inoculação viral na camada basal do epitélio. Os principais tipos de HPV relacionados aos condilomas, em mais de 90% dos casos, são o 6 e o 11. É considerada doença sexualmente transmissível (DST).

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27 PATOLOGIA CERVICAL Papilomavirus Humano (HPV) - Família Papavaviridae, DNA - Mais de 90 tipos, 30 região genital - Potencial Oncogênico - Baixo Risco (6, 11, 41, 42, 43, 44) - Médio Risco (31, 33, 35, 39, 51, 52) - Alto Risco (16, 18, 45, 56) - Localização do HPV Trato Genital Inferior, Bexiga, Ureter, Ânus, Períneo, Pele, Orofaringe, Sistema Respiratório, Conjuntiva

28 PATOLOGIA CERVICAL HPV Transmissão: células descamada ricas em vírus, durante o ato sexual contamina as células vizinha Período de Incubação: 3 semanas a 8 meses, pode ocorrer remissão espontânea Prevalência: 0,5 a 2,5% da população Transmissão: Sexual, Fômite e Vertical Lesões Precursoras: NIC I, NIC II e NIC III

29 PATOLOGIA CERVICAL - HPV # Objetivo do Tratamento: - Prevenção do Câncer - Eliminação dos Sintomas - Erradicação dos Condilomas Acuminados (ácido tricoracético 50 a 90%; 5 fluorouracil creme 5%; imiquimod 5%; podofilotoxina 0,5 2%; Interferon; Thuya ocidentalis (óvulo vaginal 20%); eletrocautério, LEEP (cirurgia de alta frequencia) - Abordagem epidemiológica das DSTs - Investigar o parceiro

30 PATOLOGIA CERVICAL - HPV Vacinas: - Gardasil MSD 6,11,16 e 18 meses IM, 0, 1 e 6 - Cervarix GSK 16 e 18 meses IM, 0, 1, e 6 Controle do câncer cervical com Vacinas - Monovalente 53,5% - Bivalente 70% - Quadrivalente 80%

31 OBRIGADA

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