Abstract Resumo. Vasectomia sem bisturi experiência ambulatorial. No-scalpel vasectomy out-patient experience

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1 No-scalpel vasectomy out-patient experience novas tecnologias Abstract Resumo Projeto piloto, não-comparativo para avaliar a experiência regional da vasectomia sem bisturi como um método contraceptivo permanente em um serviço de planejamento familiar, em nível ambulatorial, que poderia ser realizada por ginecologistas e médicos generalistas. Métodos: O estudo foi realizado no Serviço de Planejamento Familiar do Hospital Municipal de Ituiutaba, Minas Gerais, em convênio com o Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Universidade Federal de Minas Gerais, aprovado pelo Conselho de Ética daquele Hospital Após ações educativas sobre todos os métodos contraceptivos, escolha espontânea do método pelo casal com assinatura de consentimento pós-informado, foram submetidos à vasectomia 181 pacientes com a idade variando de 25 a 52 anos, em um período de dois anos. Os procedimentos foram realizados em regime ambulatorial. Dos 181 casos operados, houve um caso de reanastomose espontânea que foi submetido à nova cirurgia, dois pacientes apresentaram epididimites que foram resolvidas com antibióticos e um caso de pequeno hematoma, que solucionou espontaneamente. Conclusão: A vasectomia sem bisturi demonstrou ser um método seguro, simples, com boa aceitabilidade, apresentando pequenos índices de falhas e de complicações que pode ser realizada por ginecologistas ou médicos generalistas num ambiente de ambulatório. A pilot, non-comparative study to evaluate the no-scalpel vasectomy as a permanent contraceptive method in a family planning service which could be performed as an outpatient procedure, by gynecologists, obstetricians and general practitioners. This study was developed in the Family Planning Service of the Hospital Municipal of Ituiutaba, Minas Gerais, by the Departament of Gynecology and Obstetrics of the Universidade Federal de Minas Gerais, approved by the Ethical Council of that hospital. Being informed of all contraceptive methods available, a spontaneous choice of the method was made by the couple and after a post-informed consent was signed, 181 subjects aged between 25 and 52 years were submitted to surgery in a period of two years. The procedures were performed in an out-patient clinic. Among the 181 patients operated on, there was one case of spontaneous reanastomosis, which was submitted to a new surgery, two subjects developed epididymitis treated and cured by antibiotics and one case of small post-op hematoma that had a spontaneous resolution. The no-scalpel vasectomy technique is a simple, safe and well accepted procedure with very low incidence of failure and complications that can be performed by a gynecologist or a general practitioner in an out-patient clinic. Márcio Gomes Vilela João Lúcio dos Santos Júnior João Gilberto de Castro e Silva Palavras-chave Vasectomia sem bisturi Contracepção Planejamento familiar Keywords No-scalpel vasectomy Contraception Family planning Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Universidade Federal de Minas Gerais FEMINA Setembro 2007 vol 35 nº 9 599

2 Introdução Vasectomia é um método seguro, simples e eficaz para contracepção masculina permanente e comparada à laqueadura tubária, se mostra mais segura, mais eficaz e de menor custo. A vasectomia tradicional é realizada desde o final do século XIX, mas em 1974, a vasectomia sem a utilização do bisturi foi praticada, e desenvolvida na China, por Li Shunquiang e em 1985 essa técnica foi difundida ao ocidente. Nos Estados Unidos, 30% das vasectomias são realizadas usando a técnica sem bisturi ( no-scalpel vasectomy ) (Pollack et al., 1998; Sokal et al.,1999; Barone et al., 2006). Esta técnica foi realizada por ginecologistas, obstetras e outros especialistas em muitos países, devido Tabela 1- Distribuição dos pacientes em relação á idade Idade pacientes % % % % Total % Figura 1 - Pinça em anel apreendendo tecido cutâneo e ducto deferente Figura 2 - Punção do ducto deferente com a pinça afilada. à simplicidade para sua execução, estimulando a médicos de família e a generalistas a realizarem este procedimento. Considerando a sua simplicidade, pode ser efetuada em regime ambulatorial. Pacientes e métodos Um total de 181 pacientes foram submetidos à cirurgia com idades entre 25 e 52 anos, no período de dois anos (Tabela 1). Num primeiro momento, os pacientes foram submetidos a ações educativas realizadas por profissionais devidamente treinados (psicóloga, enfermeira, assistente social), para o conhecimento de todos os métodos contraceptivos disponíveis, possibilitando sua livre decisão do método a ser utilizado. Todas as cirurgias foram realizadas 60 dias após a ação educativa do casal. Os pacientes foram orientados a realizarem espermogramas 90 dias após cirurgia. Todos os patientes realizaram um ou mais espermogramas para a comprovação da azoespermia. Para vasectomia sem bisturi, são necessárias duas pinças especiais, em anel e afiladas, para a apreensão, punção e liberação do ducto deferente na região escrotal. Inicia-se o procedimento realizando a antissepsia e um pequeno botão anestésico é feito na rafe mediana com xilocaína a 2% sem vasoconstrictor. Para a localização dos ductos deferentes e seu posicionamento ao nível da rafe mediana, utiliza-se manobra atualmente conhecida como técnica dos três dedos (Li et al.,1991; Castro,1994). Com a pinça em anel, realiza-se a apreensão da pele na rafe mediana e do ducto deferente na região escrotal, sem provocar injúria no tecido cutâneo (Figura 1). Em seguida utiliza-se a pinça de pontas afiladas para punção e o isolamento do ducto deferente (Figura 2). Após isolar o ducto deferente procede-se à retirada de um fragmento de aproximadamente dois centímetros e a ligadura com emprego do fio de sutura vicryl 4-0, para evitar a formação de granuloma, similar à técnica da vasectomia tradicional (Figura 3). O procedimento cirúrgico em cada deferente é realizado em tempos distintos (Figura 4). A vasectomia sem utilização do bisturi é um procedimento que dura de 5 a 15 minutos não necessitando de sutura da pele e nem de antibioticoterapia profilática (Seenu & Hafiz, 2005). Os pacientes foram orientados a colocar gelo no local durante 15 minutos, de hora em hora durante as primeiras 6 horas de pós-operatório, e a usar um suporte escrotal. O controle pós-operatório é realizado no 7 dia, quando o paciente é liberado para a atividade sexual. É informado 600 FEMINA Setembro 2007 vol 35 nº 9

3 Figura 3 - Isolamento e ligadura do ducto deferente. Figura 4 - Localização do ducto deferente pela técnica dos três dedos. ao casal a necessidade de continuar a usar outro método anticoncepcional só interrompendo após a realização do espermograma e a comprovação da azoospermia. Este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética do Hospital Municipal de Ituiutaba MG. Resultados Dos 181 pacientes submetidos à vasectomia sem bisturi, 177 pacientes não apresentaram nenhuma complicação pós-operatória, ficando constatada a azoospermia após 90 dias da cirurgia. Dois pacientes apresentaram epididimites transitórias, após 10 dias do ato cirúrgico e foram tratados com antiinflamatório e antibioticoterapia. Houve um caso de hematoma pequeno que resolveu espontaneamente após 7 dias e um caso de recanalização espontânea que foi reoperado após a confirmação da presença de espermatozóides móveis no espermograma. Nestes quatro casos que desenvolveram complicações, foi confirmada a azoospermia 90 dias após a cirurgia. Discussão As complicações pós-operatórias nesta cirurgia são geralmente de pequena incidência: na vasectomia tradicional, o índice de infecção é de 1,1%, resultado semelhante ao encontrado no presente trabalho utilizando a técnica da vasectomia sem bisturi, maior portanto do que o índice de 0,4% encontrado por outros autores para esta mesma técnica cirúrgica (Pollack et al.,1998; Sokal et al.,1999). A incidência de hematomas no presente estudo foi de 0,5%, menor que a encontrada na literatura que é de 2% para a vasectomia sem bisturi e de 12% na técnica tradicional (Sokal et al.,1999). O índice de falha do método informado pela literatura varia de 0,2 a 0,4%, sendo que o percentual do presente trabalho foi de 0,5%, o que mostra a efetividade do método. As principais complicações são portanto a formação de hematoma, granuloma e epididimite transitória, que podem ser evitadas com uma boa assepsia, hemostasia e pequeno trauma tecidual (Seenu & Hafiz, 2005). Na vasectomia sem bisturi existe uma maior aceitabilidade por parte dos pacientes, devido ao menor desconforto, ausência de incisão e de sutura na pele. Apesar de ser orientado aos pacientes como técnica de contracepção permanente, também na técnica sem bisturi é possível ser realizada a reversão cirúrgica futura, embora as taxas de nascimentos vivos sejam influenciadas por diversos fatores como idade, tempo da realização da vasectomia, o comprimento do ducto deferente remanescente e o método de oclusão usado. A vasectomia sem bisturi é apenas um método de acesso ao ducto deferente na bolsa escrotal: uma vez localizado e isolado, pode-se usar qualquer método de oclusão: ligadura, cauterização, clips ou laser. Considerações finais A vasectomia sem bisturi é um método seguro, simples, eficaz e factível de ser realizado necessitando apenas de uma estrutura ambulatorial para sua realização. FEMINA Setembro 2007 vol 35 nº 9 601

4 Leituras suplementares 1. Association for Voluntary Surgical Contraception. No-Scalpel Vasectomy 3th ed. New York: EngenderHealth, Li SQ, Goldstein M, Zhu J, Huber D. The no-scalpel vasectomy. J Urol 1991; 145: Barone MA, Hutchison PC, Johnson CH, et al. Vasectomy in United States, J Urol 2006;176: Castro MPP. Vasectomia Moderna. São Paulo {s.e.}, 1 ed. 1994, 20p. Chawla A, Bowles B, Zini A. Vasectomy follow-up: Clinical significance of rare non motile sperm in postoperative sêmen analysis. Urology 2004; 64: Labrecque M, Dufresne C, Barone M, Saint-Hilaire K. vasectomy surgical techniques: a systematic review. BMC Med 2004; 2: Pollack AE, Carignan C, Pati S. What s new with sterilization: an update. Contemporary Ob/Gyn 1998; 43(7): Seenu V, Hafiz A. Routine antibiotics is not necessary for no sacalpel vasectomy. Int Urol Nephrol 2005; 37(4): Sokal D, McMullen S, Gates D, Dominik R. A comparative study of the no-scalpel and standard incision approaches to vasectomy in 5 countries. The Male Sterilization Investigator Team. J Urol 1999; 162: Comunicado Eleições Início do Processo Eleitoral da Febrasgo 2008 O Presidente da FEBRASGO, no uso das atribuições que lhe são conferidas pelo artigo 24, inciso V, combinado com o artigo 59, do Estatuto Social, torna público aos associados da Entidade, o início do processo eleitoral, sendo a data de 23/11/2007, o prazo máximo para a inscrição das chapas dos candidatos concorrentes. Todos os procedimentos relativos ao processo eleitoral estão determinados pelo Regimento Eleitoral da FEBRASGO. 602 FEMINA Setembro 2007 vol 35 nº 9 Nilson Roberto de Melo Presidente

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