Projecto HidroValor. Avaliação dos Impactos Económicos, Sociais e Ambientais de Novos Médios e Grandes Aproveitamentos Hídricos na Região Centro

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1 Projecto HidroValor Avaliação dos Impactos Económicos, Sociais e Ambientais de Novos Médios e Grandes Aproveitamentos Hídricos na Região Centro

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3 11 Agradecimentos Os autores do presente estudo, querem agradecer à Comissão de Coordenação da Região Centro, agora designada Comissão de Coordenação e de Desenvolvimento Regional do Centro, bem como a todas as Câmaras Municipais envolvidas, o apoio fornecido ao longo do projecto. Os autores querem também agradecer a diversas Instituições os dados e informações disponibilizados e sem os quais não seria possível o desenvolvimento do presente estudo, nomeadamente à Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, à Direcção Regional do Ambiente e Ordenamento do Território - Centro, à Direcção Regional de Agricultura da Beira Litoral e à Direcção Regional de Agricultura da Beira Interior, ao Instituto Nacional da Água, ao IMAR, às empresas do Grupo Electricidade de Portugal, à Rede Eléctrica Nacional e às Águas de Portugal. Os autores manifestam igualmente o seu reconhecimento pela disponibilidade e pelo apoio técnico aos seguintes especialistas, Eng. António Relvão, Eng. Carlos Madureira, Eng. Rui Leitão, Eng. Fernando Ferreira, Eng. José Calmeiro, Eng. Armando Basso, Dr. António Júlio Veiga Simão e Professores Xavier Viegas, Luís Ribeiro, e António Machado e Moura.

4 12 hidrovalor Nota Introdutória A Comissão Europeia aprovou as orientações gerais que fixam a meta de 12% da produção energética em 2010 ser proveniente de recursos renováveis, o que corresponde a duplicar o valor de 6% existente em Para cumprir, a directiva comunitária que estabelece para Portugal que 39% da produção de electricidade tenha como origem fontes renováveis, será necessário incrementar fortemente a produção hidroeléctrica. Esta directiva deverá servir para uma maior promoção das energias renováveis em Portugal, nomeadamente através da hidroelectricidade, parques eólicos, biomassa e energia solar. Actualmente a contribuição das energias renováveis está centrada no sector eléctrico, e neste os grandes e médios aproveitamentos hidroeléctricos produzem em ano médio cerca de 30% da electricidade consumida. Estima-se em 3% a contribuição de outros pequenos aproveitamentos (mini-hídricas, biomassa e parques eólicos) para o total da produção eléctrica nacional. Fora do sector eléctrico a utilização de biomassa para produção de energia térmica tem alguma relevância (cerca de 0.6 MTEPs). Consoante a metodologia utilizada, para avaliar o valor equivalente em energia primária da electricidade produzida a partir de energias renováveis, Portugal depende cerca de 80 ou 90% de energia importada. O consumo de energia eléctrica cresceu ao ritmo de 5-6%/ano na última década, com particular incidência nos sectores dos serviços e residencial, tendo-se verificado um abrandamento do crescimento nos dois últimos anos. A entrada em funcionamento dos grandes empreendimentos hidroeléctricos do Alqueva e do Baixo Sabor e o reforço da potência dos aproveitamentos de Venda Nova e Picote não serão suficientes para alcançar a referida meta, de 39% da electricidade ser produzida a partir de fontes renováveis.

5 13 A hidroelectricidade já é a principal fonte renovável de energia nacional e encontra-se apenas aproveitada em cerca de 58%. Embora os médios e grandes aproveitamentos tenham um contributo largamente maioritário, os pequenos aproveitamentos têm recebido uma atenção crescente nos últimos anos. Desde o início da década de 90 registaram-se cerca de pedidos de licenciamento de mini-hídricas. Contudo, até agora, apenas estão construídas cerca de 50, sobretudo em afluentes dos rios Douro e Vouga, bem como na Serra da Estrela. Os investimentos de centenas de milhões de euros na rede de gás natural contribuíram para aumentar a diversificação energética, mas não diminuíram a situação de dependência energética do País. Acresce que o gás natural tem o preço venda ligado ao preço de venda do petróleo e contrariamente ao que as campanhas de publicidade fazem crer não é uma energia limpa. A combustão de um m 3 de gás natural produz cerca de 2 kg de CO 2, para além de uma quantidade variável de óxidos de azoto (NOx)..:.Recursos Hídricos na Região Centro Até 1993 foram identificados na região Centro 110 aproveitamentos mini-hídricos, e 13 médios ou grandes aproveitamentos. O PER- CENTRO (Plano Energético da Região Centro) elaborado pela CCRC em 1993 identificou esses empreendimentos como os de maior interesse para a Região, no domínio hidroeléctrico. Além dos aproveitamentos identificados no PER-CENTRO também foi alvo do presente estudo o aproveitamento do Alvito no rio Ocreza. Desde então apenas um número muito reduzido de aproveitamentos mini-hídricos foi implementado devido à falta de licenciamento e apenas um médio aproveitamento (Ribeiradio) foi agendado, embora com uma potência reduzida de apenas 10 MW.

6 14 hidrovalor Resumo dos aproveitamentos hidroeléctricos mini-hídricos na Região Centro Médios e grandes aproveitamentos identificadas pela EDP na Região Centro Com os aproveitamentos hidroeléctricos mini-hídricos, prevê-se produzir em ano médio, uma energia de GWh, com uma potência instalada de cerca de 400 MW e um número médio de horas de funcionamento de horas, ou seja um factor de carga de cerca de 37%. Na sua generalidade estes aproveitamentos têm associada uma reduzida capacidade de armazenamento de água, estando a sua utilidade quase que limitada à produção de energia eléctrica. Contudo com os 14 aproveitamentos de média

7 15 ou grande dimensão é possível produzir cerca de GWh, o que corresponde a aproximadamente 28% do consumo actual de energia eléctrica da Região Centro. Produção de energia eléctrica na Região Centro Por outro lado a penetração em larga escala no mercado da electricidade de fontes de energia intermitentes, tais como a energia eólica e a energia solar, necessita de ser complementada com formas de geração que garantam o abastecimento nas situações em que há um desajuste entre a procura e a oferta de electricidade. De facto, as fontes de energia referidas, pelo contrário, dada a sua imprevisibilidade introduzem novos desajustes entre a oferta e a procura que agravam as referidas situações. Só com aproveitamentos hidroeléctricos dotados de capacidade de armazenamento se podem integrar em larga escala as fontes intermitentes, sem agravar a factura ambiental, graças à flexibilidade com que permitem satisfazer as variações no diagrama de cargas. Os recentes casos internacionais de ruptura de abastecimento em grandes redes eléctricas nacionais revelam a importância estratégica associada à capacidade de armazenamento de energia dos aproveitamentos hidroeléctricos. Acresce ainda que o previsível aumento da irregularidade climática em Portugal constitui razão adicional para construção

8 16 hidrovalor destes aproveitamentos, por um lado pelo aumento da segurança do abastecimento resultante do acréscimo das reservas de água doce e por outro pelo aumento da capacidade de regularização dos caudais. O estudo do Painel Intergovernamental para as Mudanças Climáticas (IPCC), realizado com o patrocínio das Nações Unidas prevê para o século XXI não só uma redução da pluviosidade no Sul da Europa, mas também um aumento da irregularidade do regime de precipitação. Ao contrário de outros processos de produção de energia com base em recursos renováveis, como os parques eólicos ou a energia solar, os aproveitamentos hidroeléctricos com armazenamento podem propiciar uma multiplicidade de benefícios que transcendem o objectivo único da produção de energia eléctrica. Estes aproveitamentos apresentam igualmente uma diversidade de mais valias com um elevado potencial para o desenvolvimento económico e social da Região Centro. Trata-se de um investimento estruturante com impactos múltiplos, na qualidade de vida das populações e na economia (nomeadamente agricultura, floresta e turismo), contribuindo para um desenvolvimento equilibrado..:.o Projecto HidroValor Este estudo procurou, no seguimento do PER-CENTRO - Plano Energético da Região Centro, caracterizar de forma multidisciplinar os impactos positivos e negativos, associados aos empreendimentos hidroeléctricos de média ou grande dimensão, identificados pela EDP e ainda por construir, na Região Centro. O estudo visou definir um ranking de implementação dos aproveitamentos que possa dotar os decisores dum documento credível e isento baseado em critérios científicos e técnicos. O estudo incidiu geograficamente sobre a Região Centro, definida pelo Decreto-Lei n.º 46/89. Esta zona abrange total ou parcialmente várias bacias hidrográficas nomeadamente as bacias hidrográficas: do Côa, do Mondego, do Paiva, do

9 17 Vouga e do Ocreza. Os aproveitamentos analisados foram os que apresentam uma potência instalada superior a 10 MW de acordo com a classificação do Decreto-Lei 189/88 de 27 de Maio. A análise desenvolvida contemplou as diversas vertentes associadas ao carácter necessariamente multifuncional deste tipo de empreendimentos. De entre os vários aspectos abordados destacam-se: Impactos Energéticos; Impactos nos Recursos Hídricos; Impactos no Sector Agrícola; Impactos no Desenvolvimento Económico e Social; Impactos Ambientais.

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