CATEGORIA: Pôster Eixo Temático: Ciências Sociais (Educação Ambiental)

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1 V CATEGORIA: Pôster Eixo Temático: Ciências Sociais (Educação Ambiental) VIVÊNCIAS EM EDUCAÇÃO AMBIENTAL ATUANDO JUNTO À COMUNIDADE PIRACICABANA E AO CAMPUS LUIZ DE QUEIROZ Rodolfo Ferreira da Costa Vescovi 1 Thais Kather Santos 2 Pedro Henrique Dias 3 Edson Vidal 4 Resumo São apresentadas neste artigo as diretrizes essenciais do Projeto Vivências em Educação Ambiental um dos projetos desenvolvidos pelo Programa USP Recicla, que atua na implementação da educação ambiental para membros da comunidade do Campus Luiz de Queiroz, da USP em Piracicaba-SP, para escolas públicas, privadas e nas demais instituições do município e seu entorno. O projeto vem sendo desenvolvido desde 1998 no campus. Para tanto, são realizadas atividades educativas com a temática ambiental, que incentivam a adoção da prática dos 3 R s Redução do consumo e desperdício; Reutilização de materiais e incentivo a Reciclagem, de modo a despertar questionamentos sobre consumo, mudança de hábitos, otimização de recursos naturais e minimização dos resíduos. A aplicação destas ações tem como efeito a formação de agentes multiplicadores para a construção de uma sociedade sustentável. Palavras-chave: educação ambiental, resíduos sólidos, agentes multiplicadores 1. INTRODUÇÃO Ao se tratar do tema consumo, alguns fatores são considerados de grande importância, como o aumento exponencial da população e o desenvolvimento de novas tecnologias industriais e comerciais na produção de bens de consumo e métodos de abordagem de indução ao consumidor (PADILHA, 2006). Dentre os fatores que levam o ser humano a adquirir bens, alguns deles apresentam destaque como: gerar uma falsa sensação de felicidade ao adquiri-los sem necessidade e se preocupar com a moda vigente (renovando seus pertences à medida 1 Graduando em Gestão Ambiental e estagiário do Programa USP Recicla ESALQ/USP 2 Graduanda em Gestão Ambiental e estagiária do Programa USP Recicla ESALQ/USP 3 Graduando em Gestão Ambiental e estagiário do Programa USP Recicla ESALQ/USP 4 Coordenador do projeto e Docente do Departamento de Ciências Florestais ESALQ/USP

2 que as empresas lançam novas tendências no mercado) o que envolve produtos de diversas áreas, como artigos têxteis, eletrônicos, cosméticos, alimentícios etc. (SUDAN et al., 2007). A mídia tem grande responsabilidade em influenciar e manipular as decisões de compra da população. Já que o hábito de consumir excessivamente apresenta um caráter insustentável, grande parte da população contribui para a produção de resíduos, não somente através do simples consumo, mas também de mecanismos criados pela própria indústria, como a obsolescência programada nome dado à vida curta de um bem ou produto projetado de forma que sua durabilidade ou funcionamento se dê apenas por um período reduzido (LEONARD, 2008). Sendo a Universidade uma organização que expande seus conhecimentos e procura compartilhar com a comunidade suas ações. O Programa USP Recicla criou o Projeto Vivências em Educação Ambiental com o intuito de sensibilizar, mobilizar e estimular a comunidade interna e externa do campus, quanto às problemáticas ambientais e adoção de práticas cotidianas sustentáveis. Utilizando-se os conceitos dos 3 Rs, com ênfase no consumo sustentável e estímulo ao reuso de materiais, são desenvolvidas ações para valorização dos resíduos e formação de agentes multiplicadores deste conhecimento. O projeto Vivências surgiu da demanda da comunidade de Piracicaba e região, que tem a universidade reconhecidamente como um centro de visitação para todas as idades, de escolas públicas e privadas, de todos os níveis de ensino. Uma dessas demandas refere-se às questões socioambientais, especificamente sobre o lixo. 2. METODOLOGIA Há mais de 13 anos o Projeto vem sendo desenvolvido na ESALQ, entre aperfeiçoamentos e variações nas formas de abordagem e são desenvolvidas ações educativas como forma de despertar reflexões, discussões quanto ao uso de tecnologias ambientalmente adequadas, desenvolvimento de habilidades manuais, técnicas para a otimização do uso dos recursos naturais e minimização de resíduos. Comportamentos ambientalmente corretos devem ser aprendidos na prática, no cotidiano da vida escolar e universitária, contribuindo para a formação de cidadãos responsáveis, priorizando o primeiro R, ligado à redução e ao repensar antes de consumir.

3 Considerando a Educação Ambiental um processo contínuo e cíclico, a forma de trabalho utilizada baseia-se na sensibilização. O processo de alerta é o primeiro passo para alcançar o pensamento sistêmico; na compreensão, o conhecimento dos componentes e dos mecanismos que regem os sistemas naturais (Smith, apud Sato, 2002); na mobilização, instiga-se a modificação do espaço; e na tomada de consciência, a possibilidade de agir politicamente na transformação da realidade. Os trabalhos são desenvolvidos por meio de agendamento prévio junto à secretaria do USP Recicla. As ações do projeto traduzem-se na forma de palestras, oficinas, dinâmicas de grupo, diagnósticos participativos de resíduos, cursos para formação de professores, entre outros. Prioriza-se o atendimento às instituições públicas que, preferencialmente, já estejam desenvolvendo tema relacionado ao lixo. Os trabalhos manuais são baseados no segundo R, que trata da reutilização de materiais considerados resíduos sem utilidade pela maioria das pessoas. A partir de atividades lúdicas, o público é levado a repensar o consumo, por meio da transformação de papel, plásticos entre outros, em materiais novamente úteis, eliminando a ideologia da inutilidade do material após o uso. Como exemplos, papel reciclado artesanal, compostagem, implantação de hortas, bijuteria, fuxico, customização de camisetas e confecção de bloquinhos de papel reutilizado. As atividades buscam chamar a atenção para o tema ambiental, com questionamentos como O que você está fazendo para melhorar o mundo?, Suas atitudes são ambientalmente corretas?, desta forma estimula-se reflexões sobre as suas ações e práticas diárias. Além disso, são elaboradas apostilas sobre o conjunto de oficinas aplicadas no projeto, para sistematização do conteúdo abordado. Ao longo do projeto são feitas avaliações das intervenções, nas quais tanto os participantes quanto os monitores-educadores do projeto são avaliados para verificar a efetividade da ação.no ano de 2009, foram elaborados oito indicadores que, juntos, formam um banco de dados para a avaliação anual: I) Produção e atualização dos materiais didáticos: inovação das técnicas utilizadas, inserção de novas técnicas, diversidade de abordagem nas atividades e sistematização de metodologias; II) Contribuição para a formação continuada dos participantes: nível de retorno do público participante de atividades e impacto das mesmas para a sociedade; III) Participação da comunidade interna do campus e de funcionários por departamento no Ciclo de Oficinas; IV) Quantidade e qualidade dos temas de interesse: temas de maior interesse e

4 relevância para o público; V) Tempo de duração das atividades, eficiência das atividades e adequação do tempo usado; VI) Extensão do projeto, comunidade realmente atendida, tanto interna quanto externa; VII) Retorno às instituições atendidas, existência de procura novamente por entidades já atendidas; VIII) Grau de envolvimento do público, medição de como a comunidade recebe e compartilha os conhecimentos adquiridos pela atividade. 3. RESULTADOS E DISCUSSÃO A maioria dos participantes considera que os encontros contribuíram para a sua formação, fato que se pode confirmar pelo aumento da procura por mais entidades, como escolas públicas e particulares, outras universidades, organizações não governamentais, entre outras, que desenvolvem processos educativos com esta temática. Desde a criação, o projeto já passou por inúmeras modificações, no sentido de melhorar sua forma de diálogo com a comunidade participante e no seu potencial de formação de multiplicadores socioambientais. Diversos motivos denotam a longevidade deste projeto que tem duração de mais de uma década: a) a parceria com a Diretoria Regional de Ensino de Piracicaba, que apoia o processo e auxilia na apresentação deste projeto junto às escolas, motivando e organizando a formação socioambiental de professores da rede pública de ensino, em união com o Programa USP Recicla e outros projetos da USP; b) a formação continuada de estudantes monitores do Projeto cerca de quatro estudantes dos cursos de graduação da ESALQ, com bolsas da própria USP e apoio da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão, participam a cada ano do projeto e realizam as atividades educativas, que complementam a sua formação acadêmica. Isso se constitui como um ponto importante: o processo formativo e ao mesmo tempo frágil do projeto, já que a renovação constante de estagiários leva sempre a um recomeço das ações; c) a relação do campus Luiz de Queiroz com a comunidade de Piracicaba e região, que o procura como um espaço educativo e de visitação; d) parceria com o curso de Licenciatura em Ciências Agrárias ESALQ/USP. Diversas críticas e indagações são feitas a esse processo, com relação às suas estratégias de ação e sua efetiva contribuição na formação de cidadãos engajados e comprometidos com o meio ambiente.

5 Há grande dificuldade em se realizar um trabalho constante e contínuo com o público, uma vez que nem sempre as ações estão ligadas ao projeto político-pedagógico das instituições. Verifica-se que os interesses e compromissos das instituições participantes são muito variados e atingem desde as escolas que estão desenvolvendo o tema ambiental como parte do seu projeto político pedagógico, às instituições que simplesmente buscam uma palestra ou ação educativa, de forma pontual. Constantemente existe conflito de identidade do projeto, no sentido da sua real contribuição na formação de cidadãos críticos. Da mesma maneira, verifica-se que há um limite nas suas possibilidades e que sua continuidade é uma forma de provocar e instigar os participantes e a própria universidade para o compromisso socioambiental. Assim, percebe-se que este é um processo contínuo e deve ser renovado periodicamente a fim de se criar e aprimorar ferramentas dinâmicas que incentivem a participação da comunidade piracicabana e entorno, ampliando assim, a participação da população nas questões socioambientais. 4. CONSIDERAÇÕES FINAIS Verifica-se que o projeto é de grande importância por motivar e potencializar a relação da universidade com a comunidade. Entretanto, há a necessidade de se avaliar de forma constante e contínua a dinâmica deste projeto, buscando melhorar a sua forma de atuação para que possa contribuir de maneira mais efetiva para a formação de cidadãos comprometidos com as questões socioambientais locais e planetárias. 5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS CARVALHO, I. C. M. (2004), Educação ambiental: a formação do sujeito ecológico, Cortez, São Paulo. FREITAS, L. C. (2005), Crítica da Organização do Trabalho Pedagógico e da Didática, Papirus, Campinas-SP. LEONARD, A. (2008), A História das Coisas, disponível em <http://www.youtube.com/watch?v=lgmtfpzll4e>, acesso em dez PADILHA, V. (2006), Shopping center: A catedral das mercadorias, Boitempo, São Paulo.

6 PROJETO DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL PARQUE CINTURÃO VERDE DE CIANORTE, disponível em <http://www.apromac.org.br/ea005.htm>, acesso em dez SATO, M. (2002), Educação Ambiental, v. 1, 1ª ed., Rima, São Carlos. SUDAN, D. C. et al. (2007), Da pá virada: Revirando o tema lixo. Vivências em Educação ambiental e resíduos sólidos, Programa USP Recicla/Agência USP de Inovação, São Paulo.

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