Evidências para a gestão de recursos humanos no sistema de saúde brasileiro

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1 Evidências para a gestão de recursos humanos no sistema de saúde brasileiro Coordenação Geral Dra. Celia Regina Pierantoni, MD, DSc Professora Associada do Instituto de Medicina Social UERJ Procientista da UERJ/FAPERJ Líder de Grupo de Pesquisa do CNPq Diretora do Centro Colaborador da OPAS/OMS para Planejamento e Informação da Força de Trabalho em Saúde Coordenadora da Estação de Trabalho IMS/UERJ da Rede Observatório de Recursos Humanos em Saúde ObservaRH - MS/OPAS Brasil ObservaRH Estação de Trabalho IMS/UERJ Ministério da Saúde

2 Autores Professores Tania França (professora adjunta) Bolsistas de Pós-graduação Carinne Magnago Swheelen de Paula Vieira Bolsistas de Graduação Dayane Nunes Nascimento Rômulo Gonçalves de Miranda Ministério da Saúde Ana Paula Cerca (diretora do departamento de gestão e da regulação do trabalho)

3 Objetivo geral Avaliar o estágio e articulação da política de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde implantadas pela União, estados, Distrito Federal e municípios brasileiros gerando evidências para o monitoramento de ações para sua implementação.

4 Brasil Dimensão territorial 8,5 milhões de Km 2 : 26 estados, 1 Distrito Federal, e municípios, todos com autonomia política, fiscal e administrativa 190 milhões de habitantes: 42,6% na Região Sudeste 27,7% na Região Nordeste 14,6% na Região Sul 8,0% na Região Norte 7,1% na Região Centro-Oeste

5 Questões norteadoras Em que medida a reestruturação dos órgãos de Recursos Humanos (RH) garantem a implementação dos programas de gestão do trabalho recomendados pela Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde (SGTES) do Ministério da Saúde? Qual o nível de poder decisório do gestor de RH? Qual a percepção dos gestores de RH sobre questões relativas à sua autonomia, a utilização de instrumentos de gestão e as formas de contratação? Pode-se com isso observar sinais de tendência?

6 Questões norteadoras Como estão sendo desenvolvidos os processos de gestão? Os Planos de Cargos Carreiras e Salários (PCCS) adotados nas SES e SMS incorporam as diretrizes nacionais? Como se deu a implantação desses planos? Qual o impacto da implementação desses planos? Qual a composição dos espaços de negociação do trabalho existentes? Como estão sendo tratados os conflitos do trabalho? Existem outras formas para negociação do trabalho?

7 Métodos Identificação, qualificação do universo da pesquisa e aplicação de um survey A pesquisa foi dirigida aos gestores das 644 SES e SMS, incluindo as secretarias das capitais (SMS capitais) que aderiram ao Programa de qualificação e estruturação da gestão do trabalho e da educação no SUS (ProgeSUS); Survey com 56 questões; Entrevistas efetivadas: 519; Período das entrevistas por telefone: julho a setembro de 2012.

8 Métodos 1 Survey (entrevista telefônica assistida por computador) Blocos do Survey I Identificação da Instituição e do Responsável pelo Órgão de RHS II Adesão ao ProgeSUS e Características Institucionais III - Plano de Cargos, Carreira e Salários IV Avaliação de Desempenho e Política de Incentivos V Mesa de Negociação do Trabalho VI Desprecarização do Trabalho VII Orçamento e Financiamento do Órgão de RH VIII Educação em Saúde IX Opinativas 2 - Grupo Focal com gestores: 06 grupos; total de 60 participantes 3 Estudo de Casos em profundidade (PCCS): 08 secretarias de saúde

9 PERFIL DOS RESPONSÁVEIS PELA ÁREA DE GESTÃO DO TRABALHO E DA EDUCAÇÃO NA SAÚDE Perfil das SMS e Capitais é similar: maior parte dos órgãos de RH estão ligados ao segundo nível hierárquico da estrutura das secretarias de saúde (39% e 67% respectivamente). Na SES e municípios com população acima de 100 mil hab., a maior parte se encontra no terceiro nível de hierarquia. As principais atividades desenvolvidas pelas SES e SMS são: administração de pessoal, avaliação de desempenho e dimensionamento da força de trabalho (exceto as SMS com porte acima de 500 mil hab. onde destacam-se a integração entre os setores da educação e saúde e formação profissional). Nas SMS Capitais destacam-se: formação e desenvolvimento profissional e regulação e negociação do trabalho. Atividades menos citadas: planejamento e orçamento e elaboração de PCCS.

10 PLANO DE CARGOS CARREIRAS E SALÁRIOS (PCCS) 37% das Secretarias pesquisadas possuem PCCS geral e 26% PCCS específico para a saúde. As Secretarias que não possuem nenhum tipo de PCCS somam 28% As regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste apresentaram em maior parte a existência de PCCS específicos para saúde. O oposto ocorre nas regiões Sul e Sudeste. Do total de 137 PCCS específicos da saúde, a maior parte, foi implantada a partir de No período anterior ao ano de 2002 apenas 9% dos PCCS específicos foram implantados.

11 PLANO DE CARGOS CARREIRAS E SALÁRIOS (PCCS) 43% das Secretarias afirmaram incorporar as Diretrizes da Mesa Nacional de Negociação Permanente no PCCS. Como principais motivos para a não existência de PCCS específico, as Secretarias citaram: inexistência de uma política de gestão que contemple a implantação do PCCS, falta de autonomia da SES e SMS para elaborar o Plano.

12 AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO Das Secretarias que possuem AD específica para a saúde (n=123), a maior parte referiu que esta foi implementada a partir de Quantos aos aspectos contemplados em função dos resultados da AD, para SES os mais referidos foram: pagamento de gratificação (79%) e reestruturação do trabalho (71,4%). Para as SMS Capitais foram: pagamento de gratificação e a progressão na carreira (91%). Oportunidades de desenvolvimento profissional obtiveram maior percentual entre as SMS.

13 MESA DE NEGOCIAÇÃO DO TRABALHO Implantação e situação da Mesa de Negociação do Trabalho, Brasil Não tem conhecimento 14% Não sabe o que é mesa de negociação 6% NS/NR 1% Sim e está em funcionamento 16% Sim, porém não está em funcionamento 10% Não, mas está pensando em instalar 9% Não 44%

14 MESA DE NEGOCIAÇÃO DO TRABALHO Participação das instituições na Mesa de Negociação mais referidas: sindicatos, SMS e associação de trabalhadores (85%, 83% e 50%, nesta ordem). Implantação da Mesa: na maior parte das SES e Capitais a implantação se deu entre 2003 e 2008; a partir de 2009 para as SMS. Abrangência da mesa, a maior parte é específica para o setor saúde, tendo SES e SMS Capitais 55% e 77%, respectivamente. SMS apresentam 38% de mesas específicas. Dentre os que referiram mudança nas relações de trabalho, as principais atribuídas a Mesa foram: realização de concursos e processos seletivos públicos, seguido por carreiras/pccs.

15 ORÇAMENTO/FINANCIAMENTO DA GESTÃO DO TRABALHO E DA EDUCAÇÃO 63% das SES, 62% das SMS e 85% das capitais referiram não haver autonomia financeira e orçamentária por parte dos gestores de RH. Faixa percentual de recursos para a área da saúde é inferior a 5%. Maior parte das secretarias consideram que a composição do financiamento deva ser tripartite. Autonomia do gestor de RH: o menor grau foi relacionado à contratação de pessoal seguido por planejamento da força de trabalho (47% e 46%, respectivamente). Baixa autonomia relacionada à utilização de recursos financeiros.

16 GRUPOS FOCAIS PCCS Vantagens: Diminuição das faltas; Estímulo à capacitação; Valorização profissional; Definição de carga horária; Estímulo a processos de AD Limitações: Entraves políticos; Financiamento; Lutas corporativas; LRF; Mudança de gestão sem continuidade dos processos. Mesas de Negociação Vantagens: Implantação de PCCS; Valorização profissional; Dispositivo para discussão participativa; Implantação de AD. Limitações: Corporativismo médico; Ausência de amparo legal; Despreparo dos gestores; Terceirização da saúde.

17 ENTREVISTAS EM PROFUNDIDADE - PCCS O tempo entre a apresentação da proposta de PCCS e a implantação foi de pelo menos dois anos. Criaram-se comissões específicas com a participação dos trabalhadores para elaboração da proposta. Baseados nas diretrizes nacionais. Inclusão de todos os profissionais da saúde, exceto administrativos e agentes de saúde. Ponto de entrave: gratificações e adicionais. Todos preveem AD, mas alguns ainda não regulamentados. Dificuldades em aplicar os resultados da AD em melhorias para o serviço e em processos de educação permanente.

18 Recomendações Fortalecer o planejamento do sistema de saúde e pactuação de metas para o processo de trabalho em sistemas e serviços de saúde; Discutir legislação para o setor saúde que determine claramente as regras para pagamento e percepção de adicionais e benefícios; Implementar e regulamentar processo de avaliação de desempenho articulada a melhorias das condições de trabalho e segurança do trabalhador, processos de educação permanente e de progressão funcional de acordo com metas pactuadas, com possível confecção de um protocolo com diretrizes nacionais; Propiciar autonomia do gestor em relação à ordenação de despesa, destinação dos recursos financeiros e a realização das diferentes atividades da gestão do trabalho e educação na saúde.

19 Recomendações Ampliar o orçamento do setor saúde, com fomento ao financiamento tripartite e com destinação de percentual à área da gestão do trabalho e educação na saúde; Estimular a maior participação dos conselhos de saúde nos processos de negociação do trabalho; Induzir e apoiar políticas de gestão do trabalho e educação em saúde aos estados, com ênfase na implantação de processos de negociação, planos de carreiras e avaliação de desempenho; Apoiar tecnicamente e juridicamente as estruturas de recursos humanos, para implantação de instrumentos gerenciais como os planos de carreira e mesas de negociação.

20 Contato: Celia Pierantoni,

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