A GESTÃO DO CONHECIMENTO PELO USO DE PLATAFORMA DE E-LEARNING PARA ORGANIZAÇÕES GERADORAS DE CONHECIMENTO.

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1 ISSN A GESTÃO DO CONHECIMENTO PELO USO DE PLATAFORMA DE E-LEARNING PARA ORGANIZAÇÕES GERADORAS DE CONHECIMENTO. Patrícia Cerveira (LATEC/UFF) Resumo O presente trabalho relata como uma plataforma de e-learning, através de seus recursos de aprendizagem em ambiente virtual, pode contribuir com a gestão do capital intelectual de uma organização, pela gestão do conhecimento. A importância dde uma plataforma consistente para gestão do conhecimento gerado por uma organização é vital para seu sucesso, a partir dela é possível organizar, armazenar e disseminar o conhecimento de forma plena. Entre as plataformas existentes, apresentamos o sistema Moodle, amplamente usado em todo mundo e dotado de alta capacidade de customização. Para desenvolvimento deste trabalho, a etapa de pesquisa foi conduzida pela busca de material de referência em portais de periódicos e portais institucionais das plataformas E-learning, além de uma análise bibliométrica para escolha dos materiais que seriam usados para balizar o conteúdo do presente documento. Palavras-chaves: E-learning; Gestão do Conhecimento; Treinamento Corporativo; Ambiente virtual de Aprendizagem.

2 Metodologia Este artigo foi construído a partir de pesquisa bibliográfica e levantamento das tecnologias existentes dentro do âmbito da gestão do conhecimento. A pesquisa foi desenvolvida tendo como fonte principal o portal de periódicos CAPES e o Google acadêmico, sendo suportada pelo software Endnotes para a revisão bibliográfica. A partir de uma análise bibliométrica simples, executada em portais de pesquisa (tais como Engineering Village, Web of Science, entre outros), pode-se chegar a autores relevantes, bem como à relação do período da publicação com a incidência dos temas. Tais informações contribuíram para priorizar a bibliografia relevante, dentre todas as encontradas. Objetivo Visa descrever, em linhas gerais, a gestão do conhecimento; além disso, prevê uma organização do conhecimento (ou organização geradora de conhecimento), bem como a necessidade de uma plataforma específica para suportar as atividades relacionadas à disseminação, geração e armazenamento do conteúdo disponibilizado, e para assegurar a política de gestão de conhecimento. Este trabalho também descreve a arquitetura geral de um sistema e-learning e introduz a ferramenta Moodle como uma opção consistente, amplamente usada em todo mundo, apresentando seus recursos principais. 2

3 Introdução O atual cenário competitivo entre as organizações faz com que o valor do conhecimento se defina cada vez mais como um recurso estratégico. Sua gestão se faz cada vez mais necessária, de forma a preservar o capital intelectual da empresa e diminuir o impacto da renovação e aperfeiçoamento da força de trabalho. Segundo os autores, o conhecimento é a única vantagem sustentável que uma empresa possui, é aquilo que ela coletivamente sabe, a eficiência com que ela usa o que sabe e a prontidão com que ela adquire e usa novos conhecimentos (DAVENPORT e PRUSAK, 1998). A geração do conhecimento, bem como a capacidade de retenção, potencializa o uso do capital intelectual de uma organização, sendo esta capaz de criar, adquirir e transferir conhecimento. Além disso, por modificar seu comportamento para refletir sobre novos conhecimentos e insights, é considerada uma organização de aprendizagem (GARVIN, 1993). A tendência para o uso da prática da Gestão do conhecimento como prática vital para o sucesso empresarial é cada vez mais clara. Notamos que, desde o início da década de 90, precedida por um contexto histórico em outras áreas não empresariais, a preocupação com a eficiência da gestão do capital intelectual é um fator que gera vantagem competitiva sustentável dentro da área de atuação do negócio (WIIG, 2002). De forma a otimizar o processo de aprendizagem das organizações, percebemos a necessidade de uma análise de ferramentas que facilite o caminho entre a informação e o usuário final, o que proporciona o aprendizado dentro de uma organização do conhecimento. Com base na observação das características da empresa (limitações e potenciais) e entendendo de que forma um sistema pode contribuir para a criação de uma base sólida para gestão do conhecimento empresarial, usando de um ambiente de aprendizagem virtual, que incentive a comunicação entre os seus usuários, além da facilitação do acompanhamento da evolução do mesmo. Tudo isso através de uma arquitetura consistente e recursos tecnológicos que possibilitem potencializar o capital intelectual de uma organização. O estudo conduzido neste documento é baseado na plataforma de e-learning, de código aberto Moodle. Todos os módulos e recursos citados estão disponíveis livremente nessa plataforma. Organização Criadora de Conhecimento Embora existam diversas definições para a gestão do conhecimento, usaremos a definição de DAVENPORT e PRUSAK (1999): Gestão do conhecimento é uma iniciativa formal e estruturada para melhorar a criação, distribuição ou uso do conhecimento em uma organização. É um processo formal de transformar o conhecimento organizacional em valor para a empresa. Essa definição alinha-se com a defendida por SVEIBY (1986) A gestão do conhecimento é a arte de criar valor comercial alavancando os ativos intangíveis. Para conseguir isso, é preciso ser capaz de visualizar a empresa apena sem termos de conhecimento e fluxos de conhecimento. Quanto à definição de gestão do conhecimento, percebemos uma diferenciação na abordagem do 3

4 que se refere a dados, informação e conhecimento. De forma simples, podemos dizer que esses três elementos podem ser definidos, respectivamente, como dados quantificáveis e factuais; dados com significado, analisáveis e que gerem entendimento; informação complexa com valor agregado que gere benefícios, fruto de entendimento e reflexão. Observamos na figura 1, baseada na tabela proposta por DAVENPORT (1998), a diferenciação desses três elementos: Figura 2 - Características dos conceitos de dados, informação conhecimento Fonte: DAVENPORT, 1998 A ausência de conhecimento numa organização impossibilita a geração da vantagem competitiva e a capacidade de transformação do conhecimento em inovação. A política de gestão de conhecimento permite à organização desenvolver novos produtos, otimizar processos e atividades, reduzir o tempo de treinamento e de formação da força de trabalho, e fomentar a capacidade de inovação da empresa, com base num ambiente autocrítico, colaborativo e criativo. A combinação dos conhecimentos existentes com a habilidade de geração de novos conhecimentos, através da capacidade de armazenar e associar tais elementos, inclina-se para a criação de um ambiente de inovação. A Figura 2 ilustra um modelo de inovação por gestão do conhecimento que visa abordar a criação e disseminação do conhecimento, por meio de uma estrutura organizacional que formaliza, centraliza e integra toda a informação gerada, dando suporte a sua força de trabalho, e à condução das atividades de forma mais eficiente, criando um ambiente colaborativo sob o aspecto de aprendizagem, e inovador, sob o aspecto de melhoria contínua. 4

5 Figura 2 - Modelo de gestão do conhecimento que gera inovação Fonte: Chen, 2010 Reconhecer o conhecimento como peça fundamental para o sucesso empresarial, bem como recurso estratégico fundamental para sustentabilidade da empresa, define uma organização do conhecimento (GARVIM, 1993); sendo este gerado internamente e utilizado externamente, potencializando o capital intelectual da organização e contribuindo para o seu diferencial competitivo por meio de inovação. Gestão do Conhecimento Através de Plataforma E-learning De forma a otimizar a política de gestão do conhecimento, deve-se observar a necessidade de um veículo para transferência de todo o conteúdo que possa dar consistência e agilidade à informação gerada, transformando-a em conhecimento efetivo que possa ser entendido e absorvido pela organização. Dentro das organizações, essa transferência ocorre naturalmente. Porém, na maioria dos casos, ocorre de forma desestruturada e descentralizada, dependendo apenas da capacidade humana de passagem e absorção desse conhecimento. Percebe-se uma tendência a recorrer a novas tecnologias para auxiliar no processo de armazenagem, preparação e disseminação do conteúdo (DAVENPORT, 1999). 5

6 Dentro do potencial de disseminação e facilidade de acesso pela maioria dos usuários, os portais e-learning vêm sendo uma boa opção para auxílio ao treinamento e catalogação do capital intelectual de uma empresa. A facilidade natural dessas interfaces e recursos da internet conferem ao usuário um ambiente confortável e familiar, possibilitando a ele personalizar e interagir com o ambiente de aprendizado. Mais importante: o usuário final faz parte do desenvolvimento do conteúdo, sendo um forte aliado na formulação e melhoria do conteúdo disponível, revisão didática e, até mesmo, melhoria da interface. Recursos como wikis, redes sociais, chats, fóruns de discussão, ambientes colaborativos, salas de aula online, apresentações dinâmicas, vídeos ou webs-conferências permitem que as organizações estendam seus treinamentos, diminuindo limitação geográfica e aumentando o alcance de seu conteúdo, integrando e distribuindo com mais dinamismo seu conhecimento. A combinação da capacidade de comunicação da internet com uma metodologia de ensino voltada para esta mídia e um conteúdo consistente atribui um enorme poder didático e estratégico para a organização. Neste estudo, abordamos algumas características da arquitetura de um sistema aprendizagem virtual. Uma arquitetura básica eficiente para uma plataforma de e-learning pode ser caracterizada com a presença dos seguintes elementos: possibilidade de criação de grupos; suporte a currículo/perfil; e agente processador de argumentos (HUANG, 2009). A figura 3 descreve a arquitetura básica proposta por HUANG (2009): Figura 3 - Arquitetura de E-learning proposta por HUANG Fonte: Huang, Expert Systems with aplications, 2009 O agrupamento e virtualização (por perfil/currículo) dos usuários permitem que os usuários participem em conjunto nesse ambiente, motivando e tornando o ambiente de aprendizado mais 6

7 competitivo e colaborativo. Dessa forma, ao longo das atividades de aprendizagem, equilibra-se o nível entre o aluno de maior com o de menor independência. (HUANG, 2009). A criação de perfil/currículos possibilita aos usuários interagirem interpessoalmente, estimula a participação em grupo nas atividades de aprendizagem, bem como identifica os usuários que contribuem para a melhoria do conteúdo disposto. Em outro ponto de vista, esse recurso permite também a avaliação individual da evolução de cada usuário, podendo-se acompanhar adequadamente os diferentes perfis de pessoas dentro de uma organização. O Agente Processador de Argumentos possibilita a busca e organização da informação pelos usuários. Levando-se em conta que o conhecimento da organização é extenso e deve ser organizado dentro da lógica de seu conteúdo. Entre os conteúdos possíveis de serem inseridos, pode-se mencionar: processos, atividades, informações institucionais, informações sobre produtos, dados técnicos, referências bibliográficas, entre outros. A integração do sistema de e-learning em geral é desenvolvida através de Sistemas de Mapeamento de Interação (Virtual Interaction Mapping System VIMS), cuja função é estabelecer o formato para interação dos usuários, tais como mapeamento das discussões; autenticação e gerenciamento dos dados; renderização de conteúdo em formato gráfico, para acompanhamento das atividades e desempenho; e aplicações de integração com outras plataformas que contribuam para o e-learning (KULDEEP, 2008). Um exemplo de VIMS é proposto por KULDEEP (2008) na figura 4, abaixo: Figura 4 - Modelo de VIMS Fonte: KULDEEP, 2008 Um portal e-learning básico deve fornecer à organização recursos de arquivamento de informação, disseminação e mapeamento de desempenho da plataforma, bem como todo seu conteúdo. A partir da definição da arquitetura básica do sistema, observam-se os recursos da 7

8 plataforma Moodle, que pertence ao grupo de sistemas que se utilizam dessa arquitetura para o desenvolvimento de ambientes de aprendizagem virtual. 8

9 A Plataforma E-learning Moodle Segundo o Moodle Foundations (2010), a plataforma se define como Modular Object-Oriented Dynamic Learning Environment", um software livre, de apoio à aprendizagem, executado num ambiente virtual (ver Ambiente Virtual de Aprendizagem). A expressão designa, ainda, o Learning Management System (Sistema de Gestão da Aprendizagem) em trabalho colaborativo baseado nesse programa, acessível através da Internet ou de rede local. Em linguagem coloquial, em língua inglesa, o verbo "to moodle" descreve o processo de navegar despretensiosamente por algo, enquanto se fazem outras coisas ao mesmo tempo. Para WILSON (1996), o moodle também pode ser descrito como um ambiente de gestão de aprendizagem, desenvolvido para ajudar educadores, responsáveis por treinamento e especialistas que queiram criar um material de grande interatividade para aprendizado via web. NAGI (2008) enfatiza a característica modularizada da plataforma, dando ao gestor da ferramenta alta capacidade de personalização dos recursos de aprendizado, permitindo até o desenvolvimento de novos recursos aderentes às linhas estratégicas definidas para o e-learning. O uso dessa plataforma é amplamente difundido em todo mundo. Conforme a representação na figura 6, feita por tonalidade de cor, o tom mais escuro representa os países de maior representatividade quanto ao uso da plataforma. Essa aceitação também é mensurada pela quantidade de portais com essa plataforma registrados com o passar do tempo, ilustrada no gráfico 1. Gráfico 1 - Número de Sites Moodles Registrados até 2011 Fonte: Moodle Foundations, 2011 Apesar da diversidade de plataformas dedicadas a e-learning (boa parte tendo licença de uso comercial), na maioria dos casos, o método e a estrutura assemelham-se. Porém os e-learnings frutos de pesquisa colaborativa, tendem a se destacar (SÁNCHÉZ, 2010). 9

10 A aceitação do Moodle pode ser explicada pela versatilidade e adaptabilidade da plataforma. Seu uso pode ser aplicado a diversos fins, tais como salas de aula virtual, universidade coorporativa, treinamento empresarial, entre outros. E, ainda, seus recursos podem ser modularizados e personalizados sob demanda. Além disso, a comunidade Moodle conta com uma grande quantidade de colaboradores e especialistas que participam de um projeto como o Moodle em todo mundo (figura 6). Figura 6 Países que possuem sistemas Moodle Fonte: Moodle Foundations, 2011 Módulos e aplicativos com os mais diversos fins são desenvolvidos e distribuídos (gratuitamente ou comercialmente) pela comunidade Moodle. Dessa forma, é possível, facilmente, encontrar ou desenvolver uma solução adaptável a grande parte das necessidades de uma organização que queira gerir seu conteúdo de treinamento ou pesquisa, de forma inovadora e eficiente. 10

11 Conclusão A valorização do capital intelectual é peça chave para um diferencial competitivo de uma organização dentro da sua área de negócio. Embora não haja um consenso na literatura sobre a definição do conhecimento, sua importância é tratada como vital. A implementação de uma estrutura de apoio de gestão do conhecimento torna-se fundamental a partir do momento em que esta é uma área complexa e, muitas vezes, não estruturada, que visa estabelecer o valor da informação gerada dentro do negócio e transformá-lo em algo que possa ser usado como potencial diferencial para a empresa. O uso de uma ferramenta como a Moodle facilita a gestão desse conhecimento, através de recursos de virtualização do espaço de aprendizagem, medição de desempenho, disseminação de conteúdo e ambiente colaborativo. Além disso, a ferramenta é uma poderosa plataforma, para cuja evolução uma comunidade de profissionais de todo o mundo contribuem diretamente. Seu uso torna-se não só importante, mas indispensável para uma efetiva gestão do capital intelectual de uma organização. Referências Bibliográficas CHEN, Chung-Jen; HUANG, Jing-Wen; HSIAO, Yung-Chang. Knowledge management and innovativeness: The role of organizational climate and structure International Journal of Manpower Volume 31, Number 8, 2010, pp DAVENPORT, T. H., PRUSAK, L.. Conhecimento empresarial. Rio de Janeiro: Campus, DAVENPORT, Thomas; DE LONG, D.; BEERS, M. (1998). Successful knowledge management projects. Sloan Management Review, Vol. 39 Nº. 2, pp DAVENPORT, Thomas. Ecologia da informação. São Paulo: Futura, 1998 GARVIN, D. A. Building a learning organization. Harvard Business Review. v. 71, Nº 4, p , HUANG, C.-J.; CHEN, Hong-Xin, CHEN, Chun-Hua. Developing argumentation processing agents for computer-supported collaborative learning. Tarrytow: Expert Systems with Applications KULDEEP Nagi, POONPHON Suesawaluk. Evaluating Interactivity of elearning Resources in A Learning Management System (LMS) - A Case Study of MOODLE, An Open Source Platform. International Conference on Computer and Communication Engineering pp Moodle Foundations Informações Institucionais e sobre a ferramenta Moodle em <http://www.moodle.org> Acesso em: março NONAKA, I.; KONNO, N. The Concept of Ba : Building a Foundation for Knowledge Creation, California Management Review, vol 40, Nº. 3, spring 1998 PEREIRA, H. J. Proposição de um Modelo de Gestão para Organizações Baseadas no Conhecimento. XXII Simpósio de Gestão da Inovação. FEA-USP. Salvador : novembro de 2002 SÁNCHZ, R. Artega; HEROS, A. Duarte. Motivational factors that influence the acceptance of Moodle using TAM. Computers in Human Behavior Nº 26 PP

12 WIIG, K. M. Knowledge Management Has Many Facets. Knowledge Research Institute, Inc Disponível em < > Acesso em Fevereiro 2002 SVEIBY, K.-E. (1996): Transfer of Knowledge and the Information Processing Professions. European Management Journal, Vol. 14, No. 4, pp

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