As Tendências Tecnológicas na Educação

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1 As Tendências Tecnológicas na Educação Prof. Neri dos Santos, Dr. Ing. Nos últimos anos, em todos os setores da atividade humana, as tecnologias de informação e comunicação (TIC) têm tido uma influência significativa. Em particular, na educação, as TIC tem provocado uma verdadeira revolução no processo de ensino- aprendizagem. De fato, hoje, é fundamental compreender os fundamentos teórico metodológicos da mediação tecnológica no processo de ensino- aprendizagem. É necessário discutir o papel da mediação tecnológica como mediação pedagógica. Nesse sentido, apresento neste artigo uma visão geral das principais tendências tecnológicas na educação, segundo a UNESCO, New Media Consortium (NMC) e a EDUCAUSE Learning Initiative (ELI), que são importantes estrategicamente para o DOT Digital Group: 1) Massive Online Open Courses (ou MOOCs) : São cursos online, no formato de vídeos, oferecidos gratuitamente por instituições renomadas (MIT, Harvard, Stanford, etc.). Geralmente, os vídeos são aulas e palestras sobre temas específicos e oferecem a oportunidade para os estudantes debaterem entre si sobre o que foi aprendido. De fato, desde de 2012 os MOOCs vêm recebendo uma significativa publicidade e a tendência é que cresçam em número e em importância nos próximos anos. Grandes nomes de fornecedores incluindo Coursera, KHAN Academy, edx, Udacity e a star- up brasileira Veduca contam com centenas de milhares de alunos matriculados, totais que, quando somados, ilustram sua popularidade. Uma das promessas mais atraentes dos MOOCs é que eles oferecem a possibilidade de aprendizagem avançada continuada a custo zero, permitindo que os alunos, aprendizes ao longo da vida e profissionais adquiram novas habilidades e melhorem seus conhecimentos e empregabilidade. Os MOOCs têm desfrutado de uma das captações mais rápidas já vistas no ensino superior, com centenas de novos operadores nos dois últimos. Todavia, os críticos dos MOOCs advertem que há necessidade de se examinar essas novas abordagens através de uma lente crítica para garantir que elas sejam efetivas e evoluam do passado das pedagogias tradicionais do estilo palestra, para uma verdadeira pedagogia inovadora. 2) Blended learning (B- learning): Este conceito diz que a melhor maneira de dar aulas é utilizando os recursos tecnológicos dentro de uma sala de aula presencialmente. Os adeptos desta tendência acham que é necessário um contato próximo para que o aprendizado seja eficaz. De fato, os estudantes já passam muito do seu tempo livre na Internet, aprendendo e trocando novas informações frequentemente através de redes sociais. As instituições que adotam modelos de aprendizagem híbrida online/presencial (blended learning) têm o potencial para alavancar as habilidades online que os alunos já desenvolveram, independentemente da academia. Ambientes de aprendizagem online podem oferecer possibilidades diferentes do que os ambientes físicos no campus, incluindo oportunidades para uma maior colaboração, enquanto permite aos alunos adquirirem competências digitais mais eficazes. Modelos híbridos, quando planejados e implementados com sucesso, capacitam os alunos a irem ao campus para algumas atividades, enquanto utilizam a rede para outras, aproveitando o melhor de ambos os ambientes.

2 2 3) Salas virtuais: são espaços em que alunos de cursos online podem discutir e fazer exercícios juntos. Assim, como em um espaço físico de convivência, nas salas virtuais é possível fazer debates, tirar dúvidas e até mesmo criar amizades. Para participar de uma sala virtual, os alunos geralmente usam seu próprio espaço físico de trabalho e seu próprio computador. As aulas podem ser ministradas para grupos restritos como, por exemplo, para apenas três ou quatro participantes, ou para grandes grupos, desde que se disponibilize uma mensagem consistente a qualquer número de participantes. Seguramente, esta é uma das vantagens da sala virtual em relação a uma sala de aula tradicional, onde vários professores seriam necessários para capacitar dezenas ou centenas de alunos. De fato, com a tecnologia síncrona de salas virtuais, apenas um professor pode fazer todo o trabalho de coordenação de um grupo de alunos presentes na sala virtual, o que facilita a uniformização, tanto do conteúdo a ser debatido quanto da disponibilização das mensagens. Aprendizado em salas virtuais é altamente centrado nos participantes. Assim sendo, um curso online em salas virtuais precisam ser altamente envolventes, senão, corre- se o risco dos participantes perderem o interesse pelo mesmo. Em relação a autoaprendizagem em aulas virtuais, os alunos estão mais engajados com o professor e com outros participantes e, desta forma, é mais provável que terminem os cursos. Outro aspecto relevante desta tendência é que os módulos de aprendizagem são reutilizáveis: Cursos em salas virtuais permitem o seu desenvolvimento em módulos. Esta possibilidade permite que se utilizem partes de um determinado curso em um outro programa de capacitação. Por exemplo, um módulo com boas práticas de empreendedorismo de pequenos negócios no setor de serviços pode ser o mesmo para um curso de empreendedorismo de pequenos produtores rurais. Salienta- se, todavia, que a eficácia da capacitação de alunos através de uma sala virtual depende do design instrucional do curso, do perfil tecnológico de sua audiência e das ferramentas de colaboração disponíveis em sua plataforma de colaboração. Para maiores informações a respeito, os interessados devem ler o relatório How to Design for the Live Online Classroom: Creating Great Interactive and Collaborative Training Using Web Conferencing, o qual traz uma série de recomendações para que os professores possam criar cursos bem interessantes em salas virtuais (Fonte: Brandon Hall). 4) Flipped classroom (Sala de aula invertida): O conceito de sala de aula invertida parte do pressuposto que o ambiente ideal para o aprendizado é a distância. Entretanto, mesmo com aulas em salas virtuais, os exercícios e provas devem ser realizados presencialmente. Universidade renomadas, como MIT e Harvard, têm adotado a estratégia da Flipped classroom em algumas disciplinas. Essas universidades têm inovado seus métodos de ensino, procurando adequá- los para que se possa explorar os avanços das tecnologias educacionais, bem como minimizar a evasão e o nível de reprovação. Por exemplo, a universidade de Harvard introduziu o método Peer Instruction (PI), desenvolvido pelo Prof. Eric Mazur. Este método consiste em prover material de apoio de modo que o aluno possa estudar o conteúdo antes de frequentar a sala de aula. Com base no material estudado, o aluno responde um conjunto de questões, via um Learning Management System (LMS). O professor antes de ministrar a aula, verifica as questões mais problemáticas e que devem ser trabalhadas em sala de aula. Durante a aula, as discussões são intercaladas com testes de conceitos, destinados a expor as dificuldades que os alunos encontram. Estes testes são respondidos via sistema de resposta interativo, tipo clicker, de modo que a classe e o

3 3 professor possam acompanhar o nível de compreensão sobre os conceitos em discussão. Antes de responder o teste, os alunos têm um ou dois minutos para pensar sobre a questão e formular suas próprias respostas. Dependendo da resposta, eles passam dois ou três minutos discutindo suas respostas em grupos de 3-4 alunos, na tentativa de chegar a um consenso sobre a resposta correta. Este processo obriga os alunos a pensarem sobre os argumentos a serem desenvolvidos e permite que eles (assim como o professor) possam avaliar o nível de compreensão sobre os conceitos, antes mesmo de deixar a sala de aula. Utilizando esta estratégia, foi verificado que os estudantes apresentam ganhos significativos na compreensão conceitual, avaliados com testes padronizados, bem como ganham habilidades para resolver problemas comparáveis aos adquiridos nas aulas tradicionais (Crouch; Mazur, 2001) 1. Da mesma forma, o MIT desenvolveu o Projeto TEAL/Studio Physics, cujo responsável é o Prof. John Belcher (2001) 2. Classes de aulas tradicionais foram transformadas em Estúdio de Física e a metodologia de ensino é baseada no Technology Enabled Active Learning (TEAL). Esta abordagem está sendo utilizada nas disciplinas introdutórias de Física: Introductory Mechanics e Electricity and Magnetism, ministradas para todos os alunos em ingressam no MIT. Os grupos são formados por alunos com diferentes níveis de conhecimento. Antes da aula, o aluno deve estudar o material de apoio e responder, via LMS, um conjunto de questões (similar ao método PI de Harvard). Durante a aula, o professor apresenta o material em aproximadamente 20 minutos, intercalados com questões para discussão, visualizações e exercícios de lápis e papel. Os alunos usam simulações animadas, desenvolvidas para ajudá- los a visualizar conceitos e realizaram experimentos em grupos, com o auxílio do computador na aquisição e análise dos dados. O professor faz perguntas periodicamente sobre conceitos, e os alunos discutem e respondem através do sistema de resposta interativo. As técnicas mencionadas implicam na implantação do que tem sido denominado na literatura de a "sala de aula invertida" (Educause, 2012) 3. No ensino tradicional a sala de aula serve para o professor transmitir informação para o aluno que, após a aula, deve estudar e ser avaliado. Nesta nova abordagem, o aluno estuda antes da aula e a sala de aula se torna um lugar de aprendizagem ativa, onde há perguntas, discussões e atividades práticas. O professor trabalha as dificuldades dos alunos, ao invés de apresentações sobre o conteúdo da disciplina. A implantação desta estratégia exige a adequação ou reestruturação da sala de aula (como realizada por Harvard e MIT) por meio do uso de tecnologias educacionais para acesso à informação e resolução de problemas e a produção de material de apoio para que o aluno possa estudar antes da aula. 5) Self- direct learning: É um processo no qual o próprio aluno descobre as suas limitações e dificuldades no processo de aprendizagem. Além disso, por meio desse processo o estudante consegue criar estratégias que atendem às suas necessidades e expectativas. De fato, várias técnicas de aprendizagem são conhecidas como Self- direct learning: (a) alunos individualmente podem adquirir competências para assumir, cada vez mais, responsabilidades para realizar várias tarefas e tomar decisões, associadas ao 1 CROUCH, C. H.; MAZUR, E. Peer Instruction: Ten years of experience and results. American Journal of Physics, 69, p , BELCHER, J., Studio Physics at MIT. MIT Physics Annual, Disponível em: Acessado em: julho de EDUCAUSE, Things you should know about flipped classrooms Disponível em: Acessado em: julho 2014.

4 4 esforço de aprendizagem; (b) Self- direct learning é melhor entendida como um continuum ou característica que existe, em algum grau, em todas as pessoas e situações de aprendizagem; (c) Self- direct learning não significa necessariamente que toda a aprendizagem ocorre isolada dos outros; (d) os alunos no self- direct learning parecem ser capazes de transferir a aprendizagem, tanto em termos de conhecimentos e habilidades, de uma determinada situação para uma outra situação; (e) Self- direct learning pode envolver várias atividades e recursos, tais como a leitura de auto- guiada, a participação em grupos de estudo, estágios, diálogos virtuais e atividades de escrita reflexivas; (f) os papéis que os professores podem desenvolver na aprendizagem Self- direct learning são, basicamente, diálogos com os alunos, disponibilização de conteúdos pedagógicos, avaliação de resultados e promoção do pensamento crítico; (g) algumas instituições de ensino estão encontrando maneiras de apoiar o self- direct learning por meio de programas de ensino aberto (Open Educational Resources), opções de estudo individualizado, as ofertas não- tradicionais do curso e outros programas inovadores. 6) Mobile learning: O Mobile learning é uma das táticas do ensino virtual. Utilizando dispositivos móveis como tablets e smartphones, os alunos podem levar o conteúdo da sala de aula para qualquer lugar e estudar em diferentes locais. De fato, o mobile learning é uma tendência que está definindo o seu próprio nicho na educação como uma família portátil e sempre conectada de dispositivos que podem ser usados em praticamente qualquer configuração. Equipados com WiFi e conectividade de rede celular, telas de alta resolução e com uma grande variedade de aplicativos móveis disponíveis, os tablets e smartphones estão provando ser poderosas ferramentas para o aprendizado dentro e fora da sala de aula. Muitas universidades já projetaram softwares para esses dispositivos juntamente com as melhores instruções práticas para educadores e estudantes. Com uma produção de tablets e smartphones cada vez mais crescente e constante por grandes fabricantes, a competição no mercado da computação desses dispositivos é um controlador significativo de inovação. À medida que o mercado amadurece, os alunos e as instituições podem esperar uma rica e crescente variedade de recursos à partir desses pequenos dispositivos. 7) Course Management System (CMS) : Sistema de gerenciamento de cursos é uma estratégia para orientar e organizar os alunos durante os cursos online. Por meio do CMS é possível mediar debates, planejar aulas, propor exercícios e analisar o desempenho do estudante. De fato, um CMS é um conjunto de ferramentas de software integradas que fornecem um ambiente online para as interações do curso. Um CMS normalmente inclui uma variedade de ferramentas e ambientes online, tais como:! Uma área para a postagem de materiais de classe, tais como programa do curso e apostilas;! Uma área para os estudantes postarem artigos e outros documentos;! Um gradebook onde professores podem disponibilizar as notas e os alunos podem visualizá- las;! Uma ferramenta de e- mail integrada permitindo que os participantes enviem mensagens para toda a classe ou para determinados alunos da classe;! Uma ferramenta de chat que permite a comunicação síncrona entre os alunos da classe;

5 5! Um fórum de discussão encadeado permitindo a comunicação assíncrona entre os participantes. Além disso, um CMS é tipicamente integrado com outros bancos de dados da universidade, para que os alunos matriculados em um determinado curso são automaticamente registrados no CMS como participantes desse curso. A decisão de usar um CMS em um curso tradicional face- a- face tem implicações para o projeto do curso que, muitas vezes, passam despercebidos por professores em sua primeira utilização de tais sistemas. Este módulo relaciona dicas técnicas e pedagógicas que os professores devem considerar, como por exemplo disponibilizar materiais em um CMS. 8) E- learning: E- learning é o próprio conceito de aprender por meio de dispositivos eletrônicos conectados ou não à Internet. De fato, e- learning é uma indústria em rápido crescimento, cuja história remonta à década de 1980 e, mesmo antes disso, na forma de ensino à distância e cursos televisionados. Atualmente, existem soluções que são acessíveis, via computador e internet, que permitem ter uma boa ferramenta de e- learning para a educação, praticamente, em qualquer lugar. A tecnologia avançou tanto que as diferenças geográfica e temporal podem ser superadas com o uso de ferramentas que fazem os alunos se sentirem como se estivessem dentro da sala de aula. E- learning oferece a possibilidade de compartilhar material em todos os tipos de formatos como vídeos, apresentações, documentos em Word e PDFs. Da mesma forma, permitem a realização de webinars (aulas on- line ao vivo) e permitem aos alunos se comunicarem com os professores através de chats e fóruns de discussões. Existe uma infinidade de diferentes sistemas de e- learning (também conhecidos como Learning Management Systems ou LMS), que permitem diferentes métodos para os cursos serem entregues. Com a ferramenta certa, vários processos podem ser automatizados, como um curso com materiais definidos e testes automaticamente marcados. E- learning é uma solução acessível (e muitas vezes livre), que fornece aos alunos a capacidade de se ajustar ao processo de aprendizagem, dependendo de seus estilos de vida, permitindo efetivamente até mesmo uma pessoa muito ocupada de desenvolver uma carreira e ganhar novas qualificações. Alguns dos mais importantes desenvolvimentos na educação aconteceram após o lançamento da internet. Atualmente, os alunos já estão bem habituados no uso da internet, smartphones e de redes sociais, de maneira que participar de um curso on- line tornou- se uma coisa relativamente simples. Mensagens nos fóruns, mensagens de textos, mídias sociais e vários outros meios de comunicação on- line permitem que os alunos possam se manter em contato e discutir assuntos relacionados ao curso, criando um senso de comunidade. No mundo acelerado do e- learning, as tecnologias disponíveis para se fazer um novo curso estão sempre mudando, pois os conteúdos podem e devem ser atualizados rapidamente, para dar aos alunos as informações as mais recentes. Isto é especialmente importante se a formação via e- learning está sendo disponibilizada aos empregados em um determinado setor de atividade produtiva, no qual manter- se atualizado sobre os avanços deste setor é de extrema importância. Esta é uma das razões pelas quais muitas empresas estão oferecendo capacitação via e- learning outras razões inclui os baixos custos e a possibilidade dos colaboradores poderem estudar em seu próprio ritmo, em termos de tempo e lugar. Enfim, a aprendizagem tradicional é dispendiosa, demora muito tempo e os resultados podem variar. E- learning oferece uma alternativa que é mais rápida, mais barata e potencialmente melhor.

6 6 9) Tecnologia 1:1: O aprendizado individualizado, em que cada aluno utiliza um computador ou tablet, é chamado de tecnologia 1:1. Alguns especialistas acreditam que essa é a única maneira de se obter efeitos tão positivos com a tecnologia na educação, assim como se obtém com os livros. De fato, nas últimas décadas, as tecnologias digitais tiveram um aumento significativo em nossas práticas sociais como, por exemplo, a utilização de dispositivos móveis, possibilitando a comunicação, a interação e, consequentemente, novas abordagens de ensino e aprendizagem para a educação. Baseado nesta lógica, em janeiro de 2005, o professor e pesquisador do MIT, Nicholas Negroponte, apresentou ao governo brasileiro, o Projeto One Laptop per Child (OLPC) que tem como objetivo promover a inclusão digital de crianças por meio do uso de laptops nas escolas, tendência que passou a ser designada Tecnologia 1:1 (Brasil 2008) 4. 10) Gamification: Misturar lazer com o aprendizado é uma das maiores tendências na educação. É o chamado gamification ou ludificação. Por isso, muitos professores têm buscado uma solução para transformar as suas aulas tão interessantes quanto um jogo. De fato, são os dois lados da mesma abordagem, jogos educacionais mergulham o aluno no jogo, onde o conteúdo e o currículo estão disponibilizados ou justapostos. A gameficação visa incorporar elementos de jogos, tais como níveis e emblemas (mas também através de missões e outras estratégias) em outras atividades que não são as dos jogos. Nos currículos gameficados, os alunos podem acumular pontos e outras recompensas ao aceitar diferentes desafios e, muitas vezes, têm mais liberdade na escolha dos tipos de tarefas que devem realizar para ganhá- los. Emblemas ou sistemas de classificação servem para reconhecer as realizações dos alunos, e a transparência do progresso do aluno inspira competição que pode gerar mais interesse no material entre os alunos. 11) Open Educational Resources OER: Em sua forma mais simples, o conceito de Recursos Educacionais Abertos (OER) descreve quaisquer recursos educacionais (incluindo currículos, materiais de curso, livros, vídeos, aplicações multimídia, podcasts e quaisquer outros materiais que foram projetados para uso no processo de ensino- aprendizagem) que são disponíveis abertamente para uso por educadores e estudantes, sem a necessidade de pagar royalties ou taxas de licença de uso. O termo OER emergiu como um conceito com grande potencial para apoiar uma transformação educacional. Embora seu valor educativo reside na ideia de usar recursos, como um método integral de comunicação do currículo nos cursos (ou seja, aprendizagem baseada em recursos), o seu poder de transformação está na facilidade com que tais recursos, quando digitalizados, podem ser compartilhados através da Internet. Na realidade, existe apenas um diferencial importante entre um OER e qualquer outro recurso educacional: a licença. Assim, um OER é simplesmente um recurso educacional que incorpora uma licença que facilita a sua reutilização e, potencialmente, de adaptação, sem haver a necessidade de pedir permissão do detentor dos direitos autorais. De fato, o OER trata- se de um conteúdo intelectual que está livre para uso público. Na educação a difusão massiva do conceito aberto constitui- se hoje num verdadeiro chavão, sendo cada vez mais importante entender do que realmente se trata. Muitas vezes, erroneamente chamado apenas com livre, os defensores da educação baseada em recursos educacionais abertos estão trabalhando no sentido de 4 Brasil (2008). Um Computador por Aluno: a experiência brasileira. Brasília: Câmara dos Deputados, Coordenação de Publicações, Série Avaliação de Políticas Públicas, nº 1. Acessado em 26 de julho 2014.

7 7 uma visão comum que define aberta como livre, copiável, que pode ser remixada, e sem quaisquer barreiras ao acesso ou interação. Todavia, deve- se sempre considerar que um recurso educacional, para ser de domínio público, é fundamental que o mesmo tenha sido liberado sob a forma de uma licença de propriedade intelectual, que permita a sua utilização gratuita ou a sua mudança de formato. Recursos educacionais abertos incluem cursos completos, materiais do curso, módulos, livros didáticos, streaming de vídeos, testes, softwares e quaisquer outras ferramentas, materiais ou técnicas utilizadas para apoiar o processo de ensino- aprendizagem, de acesso ao conhecimento. 12) Digital Citizen ship: Esse conceito se refere à ética e atitudes apropriadas no meio digital. Ensinar a ser um cidadão, também, no mundo virtual é importante para todos os professores. De fato, na medida que mais e mais estudantes interagem digitalmente com conteúdos, um com outro e em várias comunidades o conceito de cidadania digital torna- se, cada vez, mais importante. Nesse sentido, cidadania digital pode ser formalmente definida como a qualidade da resposta de um indivíduo como membro de uma comunidade virtual. Isso faz com que a cidadania seja muito mais complexa do que uma simples questão jurídica, mas que consiste em autoconhecimento, interação e conhecimento profundo do lugar, das pessoas e de sua história cultural. Assim, a cidadania digital pode ser entendida inicialmente como a qualidade de uma resposta de um membro em uma comunidade virtual. De uma forma mais detalhada, pode- se articular mais claramente as diferenças entre comunidades físicas e comunidades virtuais e, de forma mais precisa, definir cidadania digital como sendo a participação auto- monitorada que reflete a interdependência consciente em todos os membros (visíveis e menos visíveis) de uma comunidade virtual. Todavia, esta definição deixa de fora a ideia dos conteúdos em si, o que nos leva a uma nova definição para os educadores: A qualidade de hábitos, ações e padrões de consumo que afetam a ecologia dos conteúdos em comunidades virtuais. Enfim, uma definição mais curta para os alunos com alguns imperativos morais e conselhos implícitos poderia ser: hábitos auto- monitorados que sustentam e melhoram as comunidades virtuais que você participa ou depende.

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