Tecnologia para crescer Projetos de P&D fazem parte da estratégia de mercado da Cemig

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3 Índice GESTÃO TECNOLÓGICA Tecnologia para crescer Projetos de P&D fazem parte da estratégia de mercado da Cemig 7 DISTRIBUIÇÃO Transformadores verdes Equipamentos revitalizados geram mais eficiência e benefícios para a sociedade Cidades do futuro Projeto prevê melhorias no processo de distribuição de energia Interação total Clientes da Cemig poderão contar com uma opção inovadora de atendimento Expansão eficiente e ambientalmente correta Light trabalha para diminuir tempo de restabelecimento de energia GERAÇÃO A força do sol Sete Lagoas receberá usina pioneira de energia solar Transformação que gera resultado Gases de carbonização serão utilizados para gerar energia TRANSMISSÃO Monitoramento nas alturas Aeronave autônoma será utilizada nas inspeções das linhas de transmissão da Cemig De olho no céu Projeto busca a redução de desligamentos na rede provocados por raios e trovões Conhecer para atuar Livro reúne trabalhos voltados para inovação nas linhas de transmissão Comunicação em rede Transporte de dados e informações a baixo custo é foco de pesquisa da TBE BATE-PAPO Incentivo à inovação Alexandre Bueno fala sobre as vantagens da Lei do Bem Projetos de P&D Cemig/Aneel

4 Expediente Diretoria Diretor-Presidente: Djalma Bastos de Morais Sede da Cemig, em Belo Horizonte. Diretor Vice-Presidente: Arlindo Porto Neto Diretor Comercial: José Raimundo Dias Fonseca Diretor de Distribuição e Comercialização: José Carlos de Mattos Diretor de Desenvolvimento de Negócios: Fernando Henrique Schuffner Neto Diretor de Finanças e Relações com Investidores: Luiz Fernando Rolla Diretor de Gás: Fuad Jorge Noman Filho Diretor de Gestão Empresarial: Frederico Pacheco de Medeiros Diretor de Geração e Transmissão: Luiz Henrique de Castro Carvalho Diretora Jurídica: Maria Celeste Morais Guimarães Diretor de Relações Institucionais e Comunicação: Luiz Henrique Michalick Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico Informativo do Programa de Gestão Estratégica de Tecnologia da Cemig e dos Projetos de P&D Aneel Superintendência de Tecnologia e Alternativas Energéticas Alexandre Francisco Maia Bueno Editada pela Superintendência de Comunicação Empresarial Av. Barbacena, º andar - Belo Horizonte-MG - Editor Responsável Luiz Henrique Michalick - Reg. Nº 2211 Coordenação de Edição Elizeth Nunes da Silva Edição Licia Linhares Textos Adriana Duarte Revisão Cláudia Rezende Projeto Gráfico É editora! Editoração Press Comunicação Empresarial Fotografia Eugenio Paccelli Foto de capa Centro Administrativo de Minas Gerais Impressão Gráfica Del Rey Tiragem 15 mil exemplares 4

5 Editorial Otimizando esforços Inovação e tecnologia são insumos essenciais para o desenvolvimento de qualquer negócio. No setor energético, são imprescindíveis. A cada ano, assistimos ao surgimento de novas tecnologias e projetos inovadores, que contribuem para o aprimoramento do setor. No entanto, no caso da Cemig, assistir não é o melhor verbo. A Empresa, que tem o pioneirismo imbricado em seus genes, busca diariamente aplicar recursos e desenvolver pesquisas com vistas ao incremento do setor de energia elétrica. Somente nos últimos 11 anos, a Cemig movimentou quase R$ 500 milhões por meio do Programa de P&D. No início de 2011, a Empresa e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig) assinaram convênio para o desenvolvimento de pesquisas relacionadas ao setor elétrico, com previsão de investimentos da ordem de R$ 150 milhões em estudos específicos. E também com o objetivo de trocar experiências, compartilhar resultados e, principalmente, otimizar a gestão tecnológica das empresas do Grupo Cemig, criamos, em 2010, o Grupo de Trabalho de Pesquisa & Desenvolvimento do Grupo Cemig. Participam do Grupo Light, Taesa, TBE e Transmineira, além da Cemig, é claro. Essa interação tem fortalecido, de forma ampla, o Programa de P&D, por meio da realização e da divulgação de projetos mais consistentes e mais alinhados às estratégias empresariais. Definitivamente, os ganhos são imensos e vão desde a realização de projetos com potencial maior de retorno e aplicabilidade até a melhoria no processo de gestão da tecnologia e do conhecimento. Uma vez mais, nosso gene da vanguarda se manifesta. E, uma vez mais, ganham as empresas do Grupo, ganham os nossos consumidores e ganha a sociedade. Arlindo Porto Neto Diretor Vice-Presidente 5

6 GESTÃO TECNOLÓGICA

7 GESTÃO TECNOLÓGICA Tecnologia para crescer Projetos de P&D fazem parte da estratégia de mercado da Cemig A Cemig, empresa que figura há 11 anos consecutivos no índice Dow Jones de sustentabilidade da Bolsa de Nova Iorque, pretende estar, em 2020, entre os dois maiores grupos de energia do Brasil em valor de mercado, com presença relevante nas Américas e líder mundial em sustentabilidade do setor. Para tanto, vem utilizando a metodologia de Gestão Estratégica de Tecnologia (GET) como um dos vetores de alavancagem do crescimento e da maximização da eficiência operacional. Duas das principais atividades dessa metodologia são coordenar o Programa de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) e buscar permanentemente financiamentos para o desenvolvimento tecnológico da Empresa. Além disso, a Cemig procura consolidar as parcerias para a execução dos projetos, por meio do Programa de Criação de Centros de Excelência, e utilizar benefícios fiscais voltados à inovação, como os tratados pela Lei , mais conhecida como Lei do Bem. No caso do Programa de P&D, já se pode dizer que a Cemig caminha para a excelência no setor. No início, em 1999, a Empresa desenvolveu sete projetos, que totalizaram R$ 680 mil. No ano passado, foram selecionados 48 projetos, com recursos previstos da ordem de R$ 110 milhões. São 313 projetos até 2010, que totalizam aproximadamente R$ 500 milhões, se considerarmos, além dos valores aportados pela Cemig, as contrapartidas dos parceiros, De acordo com Alexandre Bueno, os investimentos em inovação são um diferencial para a Cemig no mercado. 7

8 GESTÃO TECNOLÓGICA 8 lembra Alexandre Francisco Maia Bueno, superintendente de Tecnologia e Gestão Tecnológica. Para o gerenciamento de recursos dessa ordem, a estrutura responsável pela coordenação da metodologia de GET também teve que inovar. O Comitê de Gestão Estratégica de Tecnologia (CoGET), criado em 2001 e composto por representantes de todas as diretorias da Empresa e a Gerência de Gestão Tecnológica reforçaram as políticas e iniciativas de inovação, de forma a garantir o alinhamento dos programas de pesquisa às diretrizes estratégicas empresariais. Dessa forma, a Concessionária passou a tratar a inovação como parte integrante da estratégia empresarial, inclusive, com sua inclusão no Mapa Estratégico Corporativo, buscando assegurar a utilização das mais adequadas tecnologias, com respostas ágeis às alterações de cenários, e preparando-se para as frequentes mudanças em um mercado dinâmico e competitivo, complementa Bueno. Recentemente, a Cemig criou um Grupo de Trabalho (GT) composto pelas empresas do Grupo, com obrigatoriedade de investimento no Programa de P&D, dando mais um passo importante para o aprimoramento da metodologia de GET no Grupo. Esse GT composto pelas empresas Cemig, Light, Taesa, TBE e Transmineira foi formado com o objetivo de aproveitar as sinergias que o trabalho em equipe pode proporcionar e que poderia ser traduzido em diversas ações, como a divulgação dos resultados de projetos de P&D entre as empresas do Grupo; a divisão de esforços na participação nos Projetos Estratégicos lançados pela Aneel e a cooperação em projetos de interesse comum; o aproveitamento do conhecimento acumulado ao longo dos projetos de forma a evitar a redundância de recursos; o compartilhamento do know-how relativo ao gerenciamento de Programa de P&D; a utilização de incentivos fiscais e o aumento da robustez institucional no cenário nacional de inovação. A Cemig acredita tanto no poder da inovação como alavanca de transformação da sociedade que, além da aplicação dos recursos previstos na Lei 9.991/2000 e dos investimentos próprios, a Empresa busca outras fontes, como é o caso de recursos captados na Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), na Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig) e no Fundo para o Desenvolvimento Tecnológico das Telecomunicações (Funttel). Parceria de resultado Com essa filosofia, o ano de 2011 já se iniciou com uma marca de sucesso. No dia 5 de janeiro, foi assinado um convênio entre a Cemig e a Fapemig, com vistas ao desenvolvimento de pesquisas relacionadas ao setor elétrico. Nos próximos cinco anos, estão previstos investimentos da ordem de R$ 150 milhões em estudos, sendo R$ 100 milhões, recursos vindos da Cemig, e os outros R$ 50 milhões, aportados pela Fapemig. As pesquisas serão ligadas às áreas de atuação da Empresa nos seus negócios de geração, transmissão, distribuição e comercialização de energia elétrica, além de buscarem o desenvolvimento de fontes alternativas renováveis e limpas, como solar, eólica e de biomassa. Estão previstos, ainda, estudos sobre a proteção do meio ambiente, o uso racional da energia e a eficiência dos processos da Companhia. Segundo Alexandre Bueno, superintendente da Cemig, o convênio vai intensificar as sinergias entre os programas de pesquisa das duas organizações, de forma a garantir o desenvolvimento de Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I) em Minas Gerais, com benefícios permanentes para a sociedade. Essa não é a primeira vez que a Cemig e a Fapemig trabalham juntas em projetos de interesse comum. A viabilização de tecnologias para a produção de energia solar (purificação

9 GESTÃO TECNOLÓGICA do silício e produção de células solares) e biocombustíveis (biodiesel, carvão vegetal, entre outros), por meio da parceria com a Fundação Centro Tecnológico de Minas Gerais (Cetec), é um exemplo disso. O trabalho junto à Cemig é de suma importância para o Estado, pois potencializa os recursos financeiros de duas grandes instituições em prol da ciência, além de contribuir de forma significativa para a indução de parcerias entre governo e instituição de ensino e pesquisa, explica Ricardo Luiz Barbosa Guimarães, chefe de gabinete da Presidência da Fapemig. Ele ressalta, ainda, que não há como existir uma nação desenvolvida se não houver investimentos robustos e uma política pública consolidada no campo de educação, ciência, tecnologia e inovação. Esses pilares, vistos, equivocadamente, por alguns como despesas, são os pontos de partida para o desenvolvimento social e econômico do país. Parabenizamos a Cemig, por acreditar nessa premissa, e a Fapemig, que completa neste ano, 25 anos de existência, vem consolidar a importância de CT&I para o desenvolvimento do nosso Estado. Com a ampliação da capacidade de produção científica e tecnológica, não apenas as empresas de energia elétrica e as instituições de pesquisas serão beneficiadas com os projetos mas também a sociedade civil e os consumidores. São ganhos socioambientais, de melhoria na qualidade dos serviços prestados, adoção de novos serviços, redução de custos, ganhos de produtividade, otimização de recursos, modicidade tarifária, novos negócios e aumento de receita. Toda a cadeia se beneficia com os projetos, lembra o superintendente Alexandre Bueno. Ricardo Guimarães apoia o incentivo da Cemig para o desenvolvimento da ciência e da tecnologia em Minas. 9

10 GESTÃO TECNOLÓGICA 10

11 GESTÃO TECNOLÓGICA DISTRIBUIÇÃO 11

12 DISTRIBUIÇÃO Transformadores verdes Equipamentos revitalizados geram mais eficiência e benefícios para a sociedade Polímero sintético e fibra de aramida utilizados como isolante em equipamentos elétricos. Em parceria com a ABB, líder global em tecnologias de potência e de automação, a Cemig, por meio da Gerência de Serviços em Subestações da Distribuição da Diretoria de Distribuição e Comercialização, deu início à nova etapa do projeto de Revitalização e Repotenciação de Transformadores de Potência e desenvolvimento de Transformadores de Corrente a óleo vegetal. Os chamados trafos verdes são transformadores de potência com tensão de V e usam isolação híbrida, Nomex e óleo vegetal, em substituição ao óleo mineral. O investimento se caracteriza como uma importante ação estratégica para a política de sustentabilidade da Empresa. Iniciado em 2002, o projeto se encontra na etapa denominada de cabeça de série, que deverá ser concluída até outubro de Júlio Henrique Costa Guimarães, gerente do projeto e responsável pela oficina de manutenção de transformadores de potência onde estão sendo desenvolvidos os trabalhos, explica as características da fase atual. Ela tem esse nome por se caracterizar pelo aperfeiçoamento de um projeto anterior, um protótipo. O que buscamos, agora, é Qualidade e confiabilidade no fornecimento são algumas das características do transformador verde destacadas por Júlio Guimarães. 12

13 DISTRIBUIÇÃO aperfeiçoar o desenho e as especificações do protótipo para eliminar peças e componentes que apresentaram dificuldades para a reprodução. Uma das vantagens do óleo vegetal em relação ao mineral está vinculada ao meio ambiente. Isso porque, ao contrário do segundo componente, que é classificado como produto tóxico e não biodegradável, segundo a NBR 10004, e comumente usado em equipamentos elétricos, o óleo vegetal tende a se dissolver mais rapidamente. Esse fator reduz significativamente os riscos de um acidente ambiental em caso de vazamentos, destaca o gerente do projeto. A reserva de 70% da potência nominal do transformador, obtida no protótipo, também é citada por Júlio como motivação para o desenvolvimento do projeto, bem como sua expectativa de vida útil de 200 anos. Equivalente a cinco vezes a vida útil de um transformador padrão. Destaque mundial A fase cabeça de série é uma continuidade do projeto intitulado Revitalização de Transformadores, cujo resultado foi o desenvolvimento inédito no mundo de um transformador preenchido com 100% de óleo vegetal isolante e materiais isolantes de última geração. O gerente do projeto Júlio Henrique Costa Guimarães explica as vantagens obtidas com a aplicação dessa tecnologia. A combinação permite a elevação da potência do transformador, trazendo maior O equipamento utiliza óleo vegetal em substituição ao mineral, o que reduz riscos de acidentes ambientais. Norma Técnica Brasileira que conceitua a periculosidade de um resíduo, em função de suas propriedades físicas, químicas ou infectocontagiosas. 13

14 DISTRIBUIÇÃO suportabilidade. Essa característica aumenta a disponibilidade do transformador, a qualidade e a confiabilidade do fornecimento de energia para os consumidores a ele conectados. Segundo ele, a expectativa é reproduzir seis unidades cabeça de série, a serem instaladas, juntamente com os transformadores de corrente, em diferentes pontos do sistema elétrico da Cemig Distribuição. Assim, poderemos avaliar sua relação custo-benefício, em comparação com os atuais transformadores comercializados, além de ganhar velocidade na obtenção da resposta sobre o comportamento do óleo vegetal como isolante de equipamentos elétricos. Nessa etapa, um dos principais desafios da Cemig é a necessidade de desenvolver técnicas preditivas, para monitorar as condições operacionais do transformador com óleo vegetal, que sejam equivalentes às utilizadas em equipamentos com o óleo mineral. Benefícios para todos Para o representante da ABB, Marcelo da Silva Pinto, a sociedade será a grande beneficiada pela aplicação do projeto, uma vez que haverá melhoria na qualidade do serviço prestado pela Concessionária, mais segurança para as comunidades próximas às subestações e menor risco para o meio ambiente. A Cemig poderá reutilizar os equipamentos em final de vida útil, aproveitar melhor a sua mão de obra disponível e aumentar a confiabilidade do sistema elétrico. Para a ABB, o projeto também será importante, pois irá favorecer a capacitação dos profissionais envolvidos e o crescimento da empresa, com a aplicação de novas tecnologias e o pioneirismo. É um ganho também para o setor, que desenvolve uma técnica inovadora para a revitalização e a repotenciação de transformadores, completa Marcelo. O projeto também vai contribuir para a capacitação dos profissionais da ABB, segundo Marcelo Pinto. 14

15 DISTRIBUIÇÃO Cidades do futuro Projeto prevê melhorias no processo de distribuição de energia Conhecidas como smart grids, as redes inteligentes de energia (RI) são consideradas um avanço na rede elétrica tradicional, pois baseiam-se no uso mais intensificado de sensores na rede. A nova arquitetura irá aprimorar a gestão das redes, permitindo sua reconfiguração automática e o restabelecimento da energia elétrica, de forma total ou parcial, após uma interrupção. A evolução dos sistemas de medição também contribuirá para o processo de restabelecimento e de comunicação com o cliente, pois, antes mesmo que a Cemig seja avisada da falta de energia, o próprio medidor (ou conjunto de medidores) enviará um alarme, automaticamente, para os centros de controle da Empresa. A localização, o isolamento e a restauração da energia acontecerão de forma automatizada, refletindo-se no aprimoramento da qualidade do serviço prestado. A Cemig se prepara para um novo conceito de distribuição de energia e relacionamento com os clientes. Trata-se do projeto Cidades do Futuro, concebido em parceria com a Fundação Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPqD) e a Fundação para Inovações Tecnológicas (FITec), cujos convênios foram assinados em novembro de Esse é um dos mais abrangentes projetos de pesquisa e desenvolvimento da arquitetura de Redes Inteligentes (RI) da América Latina e servirá de subsídio à Cemig para a análise da viabilidade de aplicação em toda a sua área de concessão. O Cidades do Futuro tem como objetivo validar, em escala adequada e representativa para a Cemig, os produtos, os serviços e as soluções inovadoras inerentes à arquitetura das redes inteligentes de energia. Assim, por meio de projetos de P&D dentro do Programa da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e de parcerias com o mercado, serão desenvolvidos equipamentos, aplicativos computacionais e metodologias, além da implantação de provas de conceito em campo. A Cemig pretende testar, medir e validar as tendências do mercado em suas instalações elétricas, de telecomunicações, sistemas computacionais e de relacionamento com consumidores e geradores distribuídos, explica Daniel Senna Guimarães, gerente do projeto, da Cemig. Todas essas ações buscam identificar as oportunidades de melhoria do desempenho operacional da Distribuidora e do relacionamento com os clientes a partir da implantação das RI. Isso será feito a partir da redução de tempo de atendimento e de recuperação da rede, da diminuição de Daniel Senna explica que o Cidades do Futuro vai melhorar o relacionamento com os clientes. 15

16 DISTRIBUIÇÃO perdas, da otimização do uso dos ativos implantados e da maior participação dos clientes, que também obterão benefícios pela melhor gestão do seu consumo de energia, destaca Daniel. A cidade de Sete Lagoas (MG) foi escolhida para receber o projeto-piloto. Entre os motivos para escolha do município, estão as suas características representativas de mercado, a proximidade com Belo Horizonte e o fato de abrigar a UniverCemig, universidade corporativa da Empresa, que conta com rede-modelo e laboratórios, ideais para os testes que serão desenvolvidos. Metodologia Segundo Luiz Hernandes, do CPqD, uma das instituições parceiras da Cemig no projeto Cidades do Futuro, o conceito e as tecnologias de redes inteligentes vêm sendo desenvolvidos em diversos países do mundo. É um modelo que deverá atender muito bem ao Brasil por suas características socioeconômicas. O mercado consumidor e as distribuidoras necessitam de projetos de pesquisa e desenvolvimento que apontem as melhores tecnologias e os respectivos benefícios produzidos para a nossa realidade, destaca. Ele explica que a metodologia aplicada no projeto consiste em identificar os principais objetivos e desafios para a melhoria operacional da Cemig e a maneira como o conceito de redes inteligentes poderá contribuir com o aperfeiçoamento dos processos. Serão implantados campos de testes de tecnologias para avaliar a arquitetura técnica de comunicação mais adequada, além de uma infraestrutura avançada de medição e recursos de automação inteligente da rede. Haverá, ainda, interação da Cemig com seus clientes, por meio de canais de relacionamento multimídia, para avaliação do grau de satisfação e aceitação das soluções. Em rede Outro projeto de P&D que compõe o Cidades do Futuro é o de Desenvolvimento de Ambiente de Homologação e Certificação de Dispositivos e Sistemas Smart Grid. De acordo com Daniel Senna Guimarães, um dos objetivos do projeto, que é executado pela FITec, é a criação de um ambiente de homologação e certificação para dispositivos e sistemas smart grid. 16 Pontos de melhoria operacional da Cemig serão identificados pelo projeto, ressalta Luiz Hernandes. O laboratório de teste de interoperabilidade, cuja função é demonstrar o desenvolvimento das soluções em smart grid executadas pela Cemig, será estruturado na UniverCemig. Segundo Rodrigo Lacerda, coordenador do projeto na FITec, o espaço será dotado de uma Plataforma de Testes de Interoperabilidade (PTI) e vai se focar em questões referentes a protocolos de medição e automação de rede envolvidos no smart grid.

17 DISTRIBUIÇÃO A plataforma possibilitará a verificação da interoperabilidade não só das redes inteligentes de energia mas de todos os equipamentos em desenvolvimento para o Programa de Pesquisa e Desenvolvimento da Cemig. Poderemos verificar a funcionalidade de produtos oferecidos por diferentes fabricantes, além de homologar, certificar ou depurar tais equipamentos, acrescenta Lacerda. Entre os resultados esperados com esse trabalho, está a elevação do grau de segurança do sistema para os usuários, o que será feito por meio do desenvolvimento de contramedidas nos pontos fracos identificados pela equipe. É fundamental garantir que não haverá roubo de informações ou fraudes na rede smart grid, ressalta o coordenador. Elevar o grau de segurança do sistema para usuários é um dos resultados previstos. Outra diretriz do projeto, que irá contribuir para a execução de testes de interoperabilidade, é a construção de uma rede inteligente em ambiente controlado, conforme explica Rodrigo Lacerda. Esse ambiente, além de elementos comuns de uma rede de energia elétrica, vai agregar o conceito de casa inteligente. Nesse modelo de residência, há conectividade de equipamentos eletrônicos e eletrodomésticos à rede doméstica e à internet, redes sem fio, entretenimento, conservação de energia e monitoramento remoto, além de iluminação, aquecimento, condicionamento do ar e sistemas de segurança automatizados. O objetivo da construção dessas casas é verificar a aceitação de nossos clientes. Para Daniel Senna Guimarães, a implantação das redes inteligentes de energia vai desencadear um processo de transformação das concessionárias, principalmente no que diz respeito à sua cadeia de suprimentos e relacionamento com o consumidor. A Cemig precisa estar preparada para esse novo patamar. As diversas tecnologias testadas em laboratório e aplicadas em campo serão avaliadas do ponto de vista técnico, econômico, mercadológico e comportamental. As avaliações subsidiarão o desenvolvimento de modelos de smart grid que darão suporte a decisões estratégicas de implantações em larga escala. 17

18 DISTRIBUIÇÃO Interação total Clientes da Cemig poderão contar com uma opção inovadora de atendimento Capati: entre as vantagens do sistema, está a possibilidade de implantação de um canal de comunicação direto com o consumidor. Combinar tecnologias para beneficiar o consumidor final e gerar facilidades para o sistema de distribuição de energia. Com esse mote, a Cemig desenvolve mais um projeto relacionado às smart grids. Denominado de Sistema Interativo Integrado AMI/TV Digital, o projeto prevê a transformação do receptor de TV (set-top-box) em um terminal interativo para atendimento aos clientes da Cemig. O projeto, iniciado em 2010, está sendo desenvolvido em parceria com a Senergy Sistemas de Medição S.A. e a Fundação para Inovações Tecnológicas (FITec). Entre as diretrizes do projeto, está a criação de um novo modelo de set-top-box para TV digital que seja, ao mesmo tempo, capaz de captar e exibir os sinais digitais transmitidos pelas emissoras de TV e de permitir a comunicação dos consumidores com a Concessionária e seus serviços. Em linhas gerais, o aparelho vai permitir que o cliente solicite serviços comerciais e obtenha informações, em tempo real, de sua instalação elétrica. O gerente do projeto na Cemig, Luis Fernando Capati de Aquino, destaca as vantagens que a tecnologia 18

19 DISTRIBUIÇÃO irá trazer para a Empresa. Por meio dela, serão possíveis aplicações inteligentes no gerenciamento de energia, processos de leitura e faturamento automático, impressão de contas, redução do índice de fraudes, inadimplência, avisos de cobrança, interrupção programada e corte/religamento a distância. O novo sistema integrado AMI/TV Digital vai proporcionar outras vantagens. O próprio aparelho será armazenador da conta eletrônica de energia elétrica. Além disso, poderá implantar planos de consumo diferenciados, com tarifa variável por horário, e ter à sua disposição um canal de comunicação direto com o consumidor. Segundo o coordenador do projeto na Senergy Sistemas de Medição S.A, Fabiano Chapuis de Oliveira, inicialmente está prevista a criação de 300 protótipos do novo aparelho, que serão instalados em pontos de atendimento da Cemig. O equipamento será dotado de todo o conteúdo dos serviços on-line da agência virtual Cemig (transpostos para o formato de TV Digital) e estará apto a realizar os serviços de corte, religamento, leitura, aviso de corte e interrupção programada a partir do sistema de operação da UTR (Unidade Terminal Remota com modem celular) e do set-top-box. De acordo com Capati, o produto, que é inédito no mercado, vai oferecer diversas possibilidades às distribuidoras de energia, que poderão disponibilizar uma gama de serviços de alto valor tecnológico agregado. A Cemig poderá compartilhar a infraestrutura instalada para ter acesso a um universo selecionado de consumidores de outros produtos e serviços, não apenas àqueles relacionados à energia elétrica. O produto encontra-se em processo de patenteamento no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). Fabiano Oliveira confere uma conta de luz na TV, uma das aplicações do projeto. FAbiano ou Leonardo xxxxxxx xxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxxxxx 19

20 DISTRIBUIÇÃO Expansão eficiente e ambientalmente correta Light trabalha para diminuir tempo de restabelecimento de energia Jorge Carvalho está envolvido no projeto que prevê mais eficiência econômica na distribuição e no fornecimento de energia. Humberto Teski Distribuidora de energia que atende mais de 70% dos consumidores do Estado do Rio de Janeiro. A Cemig é uma das suas maiores acionistas. A implantação dos smart grid, ou redes inteligentes, representa uma nova e importante etapa para o setor elétrico do país. Para garantir que a tecnologia seja adotada com segurança e confiabilidade, a Light, em parceria com a Axxiom Soluções Tecnológicas, a Engenharia Assistida por Computador (Enacom) e a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), está trabalhando em um novo projeto de P&D. No foco dos estudos, estão a otimização dos processos, a redução no tempo de reestabelecimento e a oferta de serviços de qualidade para o consumidor. De acordo com o consultor de P&D Jorge Ricardo de Carvalho, da Gerência de Planejamento, Ambiente e Inovação da Light, o projeto consiste no desenvolvimento de um software inovador, baseado em metodologia e algoritmos de otimização, que vai favorecer a elaboração de projetos de expansão de redes de distribuição de energia. Além disso, as 20

21 DISTRIBUIÇÃO pesquisas englobam estudos elétricos (fluxo de potência, corrente de curto-circuito, queda de tensão, sobrecarga) e simulações de falhas ou paralisações programadas de forma a diminuir o tempo de reparo. O projeto, iniciado em outubro do ano passado, tem conclusão prevista para 2012 e vai receber o investimento de cerca de R$ 1,3 milhão. De acordo com dados do estudo, a rede de distribuição tem potencial para gerar significativo retorno econômico, pela otimização das eventuais expansões e pela redução de perdas técnicas. Segundo Miguel Sarmento, diretor comercial da Axxiom Soluções Tecnológicas, estão previstas 14 etapas consecutivas para a realização dos trabalhos. Os pesquisadores envolvidos no projeto propuseram, nos últimos anos, diversas técnicas para otimização multiobjetivo, capazes de apresentar a robustez necessária para enfrentar problemas práticos. Expectativas Além de mais qualidade, confiabilidade e eficiência econômica na distribuição e no fornecimento de energia, Jorge Carvalho acrescenta que, dentre os benefícios que serão gerados com o desenvolvimento do projeto, estão a redução dos impactos ambientais no processo de distribuição e a otimização de recursos econômicos no processo de expansão. Em caso de emergências, o sistema em desenvolvimento permitirá a reconfiguração das chaves de manobra da rede, o que irá reduzir o número de consumidores afetados, além de minimizar outros transtornos, como cargas desligadas, tempo para reestabelecimento, perdas, sobrecargas e desbalanceamento entre alimentadores. Estão programadas 14 etapas para otimizar as técnicas e enfrentar os problemas práticos, conforme explica Miguel Sarmento. 21

22 22 DISTRIBUIÇÃO

23 DISTRIBUIÇÃO GERAÇÃO 23

24 GERAÇÃO A força do sol Sete Lagoas receberá usina pioneira de energia solar 24 Bruno Marciano: em breve, a energia fotovoltaica irá se tornar competitiva no mercado. É uma fonte de energia renovável obtida pela conversão de energia luminosa em energia elétrica. A Cemig sai na frente quando o assunto é produção de energia limpa e renovável. Com previsão para iniciar suas atividades em novembro deste ano, a Usina Experimental de Geração Solar Fotovoltaica, que será instalada no município de Sete Lagoas (MG), é a maior da América Latina e uma das primeiras a serem integradas à rede pública convencional. A usina tem capacidade de geração de 3 MW, energia suficiente para o abastecimento de até 3 mil residências. O projeto, cujo período de duração é de 60 meses, tem custo de R$ 42 milhões, com um aporte de R$ 12,5 milhões de seu proponente, a Solaria, empresa espanhola fornecedora de painéis fotovoltaicos e executora do projeto, em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Alguns dos itens que mais encarecem a sua execução são as placas necessárias para a produção de energia elétrica, que contêm silício com elevado grau de pureza. Minas Gerais é um dos maiores produtores desse material, respondendo por 60% das exportações nacionais. Apesar disso, ainda não possui capacidade de purificá-lo em escala, argumenta o gerente do projeto, Bruno Marciano Lopes, da Cemig. Contudo, ele pondera que, mesmo que apresente custos elevados, a energia fotovoltaica, em breve, irá se tornar competitiva. Os custos são reduzidos de forma progressiva. O sistema é instalado junto aos consumidores, ou seja, não onera a infraestrutura de transmissão, e, além disso, alivia o sistema de distribuição de energia elétrica.

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