XX Seminário Nacional de Distribuição de Energia Elétrica SENDI a 26 de outubro Rio de Janeiro - RJ - Brasil

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1 XX Seminário Nacional de Distribuição de Energia Elétrica SENDI a 26 de outubro Rio de Janeiro - RJ - Brasil Patricia Viero Minussi Aes Sul Distribuidora Gaúcha de Energia Marcelo Ribeiro Aes Sul Distribuidora Gaúcha de Energia Fabio Calvo Aes Sul Distribuidora Gaúcha de Energia Janaina Leal Vargas Aes Sul Distribuidora Gaúcha de Energia Utilização de Agentes Comerciais no auxílio da identificação de possíveis perdas comerciais. Palavras-chave Anomalia de Leitura Coletor Irregularidade Perdas de Energia Primarizar Resumo No ano de 2010 a AES Sul primarizou o processo de leitura e entrega de faturas, contratando como funcionários próprios 263 profissionais. A partir desta proximidade com os profissionais a empresa observou a oportunidade de capacita-los, sendo que mensalmente realizam a coleta de leitura do consumo de energia elétrica de todos os clientes de baixa tensão em sua área de concessão, para que, de forma visual, identifiquem potenciais irregulares. Assim a empresa realizou um treinamento para incentivar que os agentes comerciais informassem as situações observadas em campo através do uso de códigos específicos ou de uma mensagem no coletor de leituras que apontem possíveis irregularidades e sistematizar a prática em todas as unidades. Este novo processo está gerou bons resultados, uma vez que em 53,32% das situações relatadas em campo é 1/8

2 identificado algum tipo de situação atípica, representando R$ 283 mil de recuperação por ano. Isso faz com que a assertividade das indicações dos agentes contribua significativamente para a redução das perdas comerciais da empresa, elevando a AES Sul a um nível de excelência em gestão de Perdas Comerciais. Um destes reconhecimentos foi a indicação em 2010 pela ABRADEE como a empresa do setor com menor Perda Comercial do Brasil. 1. Introdução 1 INTRODUÇÃO A AES Sul dentro de sua estrutura organizacional possui uma equipe de trabalho focada na recuperação de perdas comerciais, sendo que são realizados trabalhos específicos para este fim como a avaliação do histórico de consumo de clientes e visitas preventivas em unidades consumidoras de maior expressão, os chamados clientes do Grupo A. Com a primarização do processo de Leitura Entrega pela AES Sul, em fevereiro de 2010, identificou-se uma oportunidade de utilizar a mão-de-obra de 263 profissionais próprios, que mensalmente visitam as unidades consumidoras, para a indicação da ocorrência de alguma suspeita de irregularidade na medição através do Coletor de Dados (fig.1) utilizado na realização das leituras de consumo. Analisando o cenário e o recurso disponível optou-se em utilizar o próprio sistema de coleta de dados para a sinalização destas suspeitas de anormalidades. Esta funcionalidade esta disponível no coletor desde 2008, porém, devido a atividade ser realizada de forma tercerizada, não estava sendo feita uma utilização efetiva e padronizada da ferramenta. Com a primarização da atividade a adoção deste procedimento e o treinamento foram priorizados e padronizados em todas as unidades de leitura da AES Sul. A evolução e melhoria continua deste processo pode ser observado abaixo (fig.2): 2/8

3 Foi padronizada a utilização de dois códigos que expressassem a percepção do Agente Comercial quando da suspeita de alguma anormalidade. Os códigos definidos formam: ü Código 21 Suspeita de Irregularidade ü Código 23 Medidor Danificado Mensalmente, cada agente comercial da AES Sul realiza, em média, leituras em unidades consumidoras, totalizando visitas por mês. A freqüência das visitas, bem como a natureza da atividade, possibilita que o agente comercial possa observar visualmente as condições das medições e ao suspeitar de alguma situação atípica faça o relato através da informação de códigos específicos. Com a adoção de uma prática simples e de fácil assimilação dos agentes os resultados foram observados muito rapidamente. Através da efetiva utilização deste código e a realização de treinamentos o número de situações consideradas como suspeitas em 2010 e 2011 foi, em média, 374 casos mensais, ou seja, em cerca de 0,03% das leituras de consumo realizadas suspeitou-se de alguma situação não conforme. O código 28 de anomalia de leitura que indica Prédio desocupado/alugar é outra situação sinalizada pelos agentes comercias durante a leitura e registrada nos coletores de dados, esta pratica auxilia a equipe de Perdas Comerciais pois ao identificar uma variação de consumo é observada se ha a inclusão deste código, assim são evitadas deslocamentos improdutivos motivados por queda de consumo. 2. Desenvolvimento 2. DESENVOLVIMENTO 3/8

4 2.1 Conceito A Coordenação de Perdas Comerciais tem por objetivo reduzir as perdas comerciais da empresa através de projetos, análise e melhoria de processos e estratégia para fiscalização de pontos de medição, visando aumentar a performance operacional/financeira e garantir a modicidade tarifária. Os principais indicadores acompanhados pela área são: ü Energia Adicionada: é o montante de energia faturada após a regularização da instalação. ü Arrecadação: toda energia deixada de faturar devido a uma irregularidade que for identificada e arrecadada, será contabilizada somente no período em que ocorrer a arrecadação. ü Assertividade: comparativo entre Eventos/Inspeções o Inspeções: consiste em contabilizar a quantidade total de inspeções realizadas mensalmente pela fiscalização; o Eventos: consiste em contabilizar todas as irregularidades verificadas através das inspeções realizadas mensalmente pela fiscalização. Em 2010 a ABRADEE publicou que, pelo segundo ano consecutivo, a AES Sul teve o melhor desempenho de Perdas Comerciais entre as empresas do Brasil em (fig. 3). Para que esta marca seja alcançada e acima de tudo mantida a AES Sul utiliza de vários recursos, dentre eles o trabalho de identificação de suspeitas de irregularidades e/ou avaria de medidores feito pelos Agentes Comerciais no momento da realização das atividades de leitura registrada nos medidores de energia elétrica. O processo de identificação de não conformidades nas unidades consumidoras foi um processo simples e 4/8

5 sem grande impacto na atividade, sendo que uma das premissas fundamentais para a adoção desta prática que apresentasse o menor impacto possível na produtividade das equipes. A opção mais interessante foi a inclusão de códigos de anomalias que registram a situação suspeita. 2.2 Acompanhamentos e Análise de Dados Todas as inclusões de códigos de anomalia de leitura, seja de medidor avariado ou de irregularidade na medição, são armazenados e vinculados ao código da unidade consumidora onde foi feita a leitura do consumo de energia elétrica registrado nos medidores. No momento em que as leituras são transferidas do coletor de dados para o sistema de faturamento da empresa (SGC - Sistema de Gestão Comercial), automaticamente são verificados os códigos ingressados e para estes, em específico, gera Ordens de Serviço para a realização de visitas em campo, denominada Inspeção do Ponto de Medição. No ano de 2011 a assertividade destas ordens de serviço foi de 53,32% (fig. 4), número bastante expressivo se comparado com a média geral da empresa que é de 16,52%. O número geral da empresa leva em consideração as ordens geradas através da inclusão de códigos, análise de histórico de consumo e denúncias de irregularidades. Outro ponto de destaque é que não foram necessários investimentos em tecnologia, estrutura ou pessoas, apenas se utilizou o recurso que estava disponível. 2.3 Oportunidades A identificação pelos agentes comerciais de suspeita de irregularidades em medidores durante a realização das atividades de leitura registrada nos medidores de energia elétrica que ocorre mensalmente nas unidades consumidoras gera uma série de benefícios para a empresa e para o cliente. ü Para o cliente - ao menor sinal de não conformidade uma equipe da AES Sul vai até a unidade consumidora, faz uma verificação das condições gerais da medição e caso identifique algum problema o mesmo será corrigido imediatamente, como medidores avariados, onde está sendo faturado taxa mínima e ao ser substituído passa a ser faturado o consumo normal evitando algum tipo de acumulo de valores que possam causar transtornos futuramente; se pela identificação de algum tipo de ligação irregular que possa afetar a integridade e a segurança do cliente em função de conexões realizadas de forma indevida, bem 5/8

6 como, garantir a modicidade tarifária, uma vez que toda a perda de energia retorna para a tarifa; ü Para a Coordenação do Ciclo Comercial ao identificar alguma variação de consumo anormal ao histórico do cliente uma equipe irá até o local verificar as condições e caso necessário fará as adequações fazendo com que o faturamento do consumo volte ao normal, não sendo mais necessárias gerações de ordens de confirmação de leituras, e o faturamento do cliente acontecerá no ciclo normal de leitura; ü Para a Coordenação de Leitura e Entrega que em função da variação de consumo precisa ir novamente a campo fazer a conferência da leitura deixando os funcionários expostos a riscos de trânsito, bem como deslocando os mesmos de outras atividades; ü Para a Coordenação de Perdas Comerciais pois devido a característica da atividade, os agentes comerciais possuem uma boa capacidade de discernimento e em 53% das situações levantadas como suspeitas, realmente existe algum tipo de irregularidade, fazendo com que as visitas em campo sejam mais produtivas e que sejam evitados deslocamentos improdutivos. 2.4 Treinamento Conforme falamos, a sistemática de operação do coletor de dados foi a mesma utilizada para a sinalização de diversos códigos relacionados a leitura registrada nos medidores de energia elétrica, a única mudança foram os números dos códigos e a forma de utilização. Para que os agentes estivessem minimamente capacitados para a utilização dos códigos foi realizado um treinamento nas maiores bases de trabalho onde a equipe de Perdas Comerciais apresentou alguns exemplos de situações que poderiam levantar a suspeita de medição irregular ou medidor avariado (fig.5). 6/8

7 O treinamento foi conduzido de forma bastante dinâmica com a apresentação de fotografias de situações reais salientando quais seriam os principais pontos de atenção, como a identificação de medidores trancados, onde pode se observar algum tipo de objeto impedindo que o medidor registre o consumo; condutores ligados de maneira indevida no medidor (ex.: fase de entrada ligada direto com a fase de saída); medidores com o vidro de proteção quebrados, sujos, displays apagados ou com algum tipo de avaria; lacres do medidores rompidos, entre outros; Outro ponto bastante destacado é que a inspeção deve ser única e exclusivamente visual, pois os agentes comerciais não possuem o treinamento e os equipamentos necessários para manusear quaisquer tipos de medidor ou instalação de medição. 3. Conclusões 3. CONCLUSÃO A realização deste procedimento permitiu que em 2011 fosse realizado um resgate de 1 GWh, o que equivale a R$ 283 mil, aproximadamente 8,4% do total resgatado da empresa, (fig. 6)destacando-se que a assertividade dos códigos informados pelos agentes comerciais ficou em 53,32%, em comparação com a média geral de assertividade de todas as inspeções realizadas que é de 16,52%. (fig. 7) 7/8

8 A Coordenação de Leitura Entrega no ano de 2011 teve importante contribuição no indicador de assertividade da Coordenação de Perdas Comercias, isso fica mais claro quando retiramos a parcela de contribuição dos agentes comerciais através da indicação dos código anomalias 21 e 23, o percentual de assertividade reduziria para o patamar de 15,53%. Entende-se que este processo proporciona um acompanhamento constante nas unidades consumidoras, visto que mensalmente estes agentes estão visitando cada uma das unidades e ao menor sinal de anormalidade em relação ao mês anterior é possível identificar e tratar quase que imediatamente. Outro ponto interessante é a possibilidade de utilizar uma mão-de-obra específica, com um investimento quase que nulo e uma alteração mínima na rotina de trabalho, para a obtenção de um retorno financeiro importante para a empresa. Originalmente esta atividade não iria trazer nenhum outro retorno financeiro associado senão a satisfação do cliente em relação a leitura e entrega de faturas de forma correta. Outro ponto de destaque é a possibilidade de fazer o processo dentro da mesma sistemática de coleta de dados de leitura, isso permite que o colaborador utilize o mesmo recurso de seu dia-a-dia com uma eficiência muito grande, pois hoje o sistema reconhece estes códigos e automaticamente faz a geração das ordens de serviço. 4. Referências bibliográficas 8/8

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