Processo nº / Parecer SARAC/DRF/DOU/MS nº 31/2015

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1 Processo nº / Parecer SARAC/DRF/DOU/MS nº 31/2015 MINISTÉRIO DA FAZENDA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL EM DOURADOS MS Seção de Arrecadação e Cobrança Sarac PROCESSO Nº CONTRIBUINTE PARECER SARAC/DRF/DOU/MS Nº 31/2015 CNPJ/CPF DOMICÍLIO FISCAL END.:. MUNICÍPIO: DOURADOS. UF: MS. CEP: Assunto: Pedido de Restituição do IRPF de portadores de Moléstia Profissional. Anos calendário: 2009, 2010,, e. EMENTA: RESTITUIÇÃO IRPF. ISENÇÃO. PORTADOR DE MOLÉSTIA PROFISSIONAL. 13 SALÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO. Reconhece se o direito à restituição do Imposto de Renda pessoa física referente ao 13 salário incidente sobre proventos de aposentadoria, bem como sua complementação paga por entidades de previdência complementar, quando o beneficiário é portador de moléstia profissional comprovada por meio de Laudo Pericial emitido por serviço médico oficial da União, Estados, Distrito Federal ou Municípios. Direito creditório reconhecido. Pedido de restituição de IRRF sobre o 13 salário deferido. RELATÓRIO Trata o presente processo de Pedido de Restituição (Anexo I à IN RFB n 900/2008) do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) que incidiu sobre o 13 salário, tendo sido retido na fonte nos anoscalendário 2009, 2010,, e no valor total original de R$ 821,58. A seguir, demonstrativo do cálculo da restituição apresentado pela interessada em 30/09/2014: Anocalendário IRRF sobre o 13 salário Fonte Pagadora FUNCEF FUNCEF FUNCEF Valor R$ 16,27 20,16 24,53 128,55 27,88 254,03 31,69 318,47 1

2 Processo nº / Parecer SARAC/DRF/DOU/MS nº 31/2015 A fim de comprovar as suas alegações, a contribuinte protocolizou cópias dos seguintes documentos: Pedido de restituição Anexo I da IN RFB n 900/2008 devidamente preenchido e assinado (fls. 02); Laudo Pericial emitido pela UBSF Vila Índio ESF 43 (fls 03); Carta de concessão/memória de cálculo do Benefício do (fls. 04/09); Histórico de Créditos e Benefícios (fls. 10/13); Demonstrativo de Proventos Previdenciários emitido pela Fundação dos Economiários Federais referentes aos pagamentos das competências 13/, 13/ e 13/ (fls. 14/16); Instrumento Particular de Procuração e documento de identidade de advogado do procurador (fls. 17/18). Em 11/11/2014, a interessada apresentou Requerimento de Prioridade na tramitação do presente processo. Posteriormente, em 21/11/2014, a interessada tomou ciência do Termo de Intimação Fiscal n 318/2014 e apresentou os documentos de fls. 32/72, a saber: Requerimento de resposta à intimação (fls. 32/33); Laudo Pericial autenticado (fls. 34); Receituário de controle especial (fls. 35), atestados e prescrições médicos (fls. 36, 37, 39, 40, 42 e 53), documento emitido pelo Sindicato dos empregados em estabelecimentos bancários de Campo Grande/MS e região sobre a rescisão do contrato de trabalho (fls. 38), atestado de saúde ocupacional (fls. 41 e 57), Laudos de Ressonância Magnética (fls. 44/52), Reabilitação Profissional (fls. 54/55), Comunicação de Acidente de Trabalho (fls. 56), Laudo de Exame Médico (fls. 58), Guia Unimed (fls. 59), Certidão PIS/Pasep/FGTS (fls. 60) e Laudo Médico Pericial Judicial (fls. 61/71). Laudo de avaliação Deficiência Física e/ou Visual (fls. 72). Em 16/01/2015, esta SARAC/DRF/DOU/MS enviou o Termo de Intimação Fiscal n 15/2015 solicitando a apresentação da Memória de Cálculo do valor inicial de benefício e/ou documento equivalente emitido pela Funcef, na qual conste a data de início do benefício da complementação da aposentadoria pago à requerente pela Funcef. Em atendimento à solicitação a requerente apresentou os documentos de fls. 90/93, a saber: Resposta à intimação (fls. 90); Demonstrativo de concessão Funcef (fls. 91); Cálculo do Benefício Mensal atuarialmente equivalente ao saldo de conta ou reserva matemática (fls. 92); Aposentadoria Saldado (fls. 93). FUNDAMENTAÇÃO Preliminarmente, insta destacar que o Pedido de Restituição foi apresentado dentro do prazo decadencial de cinco anos para repetição do indébito e que não há outros processos com mesmo assunto em nome da contribuinte (fls. 24/27). 2

3 Processo nº / Parecer SARAC/DRF/DOU/MS nº 31/2015 Por sua vez, cumpre ressaltar que a isenção por moléstia grave e moléstia profissional é disciplinada no inciso XIV, art.6º, da Lei n de 22 de dezembro de 1988: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (Redação dada pela Lei nº , de 2004)(negritos nossos). A Lei n 9.250/1995, que altera a legislação do Imposto de Renda das pessoas físicas, estabelece ainda em seu artigo 30 caput, relativamente às mesmas isenções: Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. (negritos nossos) Por sua vez, a Instrução Normativa SRF nº 15, de 06 de fevereiro de 2001, ao normatizar o disposto no art. 6º, XIV, da Lei nº 7.713, de 1988, e alterações posteriores, assim esclarece: Art. 5º Estão isentos ou não se sujeitam ao imposto de renda os seguintes rendimentos: (...) XII proventos de aposentadoria ou reforma motivadas por acidente em serviço e recebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida (Aids) e fibrose cística (mucoviscidose); (...) 1º A concessão das isenções de que tratam os incisos XII e XXXV, solicitada a partir de 1º de janeiro de 1996, só pode ser deferida se a doença houver sido reconhecida mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. 2º As isenções a que se referem os incisos XII e XXXV aplicam se aos rendimentos recebidos a partir: I do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão, quando a doença for preexistente; II do mês da emissão do laudo pericial, emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; III da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial. 3º São isentos os rendimentos recebidos acumuladamente por portador de moléstia grave, conforme os incisos XII e XXXV, atestada por laudo médico oficial, desde que correspondam a proventos de aposentadoria ou reforma ou pensão, ainda que se refiram a período anterior à data em que foi contraída a moléstia grave. 3

4 Processo nº / Parecer SARAC/DRF/DOU/MS nº 31/2015 4º É isenta também a complementação de aposentadoria, reforma ou pensão referidas nos incisos XII e XXXV. 5º O serviço médico oficial fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle, para os efeitos dos incisos XII e XXXV.(grifou se) Conforme análise da legislação anteriormente transcrita, para o contribuinte ter direito à isenção do IRPF são necessárias duas condições concomitantes, uma é que os rendimentos sejam oriundos de aposentadoria ou reforma e a outra é que seja portador de uma das doenças previstas no texto legal, ou, seja portador de moléstia profissional. Os rendimentos recebidos de entidade de previdência privada a título de complementação de aposentadoria também são isentos. Contudo, a isenção só alcança os rendimentos da complementação recebidos a partir do mês da concessão da aposentadoria pela previdência oficial. No que tange a comprovação da moléstia profissional, esta difere da comprovação de moléstias especificadas na legislação, quais sejam, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, pois, no caso dessas doenças, basta a apresentação de Laudo Pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, que identifique nominalmente a doença, coincidente com a terminologia empregada pelo legislador, o CID, a data em que a mesma foi diagnosticada, bem como esclarecimento acerca de a doença ser passível ou não de controle etc. Já no caso da moléstia profissional, imprescindível a constatação do nexo de causalidade entre a moléstia e as atividades desempenhadas pelo trabalhador no exercício de suas funções profissionais. Nesse caso, o direito à isenção deverá ser comprovado por Laudo Pericial emitido por serviço médico oficial da União, Estados, Distrito Federal ou Municípios, que reconheça a moléstia como uma moléstia profissional. Cumpre esclarecer que somente o Imposto de Renda retido na fonte sobre o 13 salário, rendimento sujeito à tributação exclusiva, poderá ter sua restituição pleiteada mediante processo administrativo, por meio de pedido apresentado em formulário papel protocolado em uma unidade da RFB, dentro do prazo decadencial de 05 (cinco) anos. Sendo assim, passamos a analisar a documentação acostada aos autos, a fim de verificar se a contribuinte faz jus à restituição do IRRF sobre o 13 salário: 1) Foi apresentado o Pedido de Restituição Anexo I à IN RFB n 900/2008, devidamente preenchido e assinado (fls. 02). Cumpre ressaltar que à data de apresentação do pedido já estava em vigor a IN RFB n 1.300/, contudo, esta SARAC/DRF/DOU/MS aceitou o formulário apresentado, uma vez que não há alterações relevantes entre os anexos das duas INs; 2) A contribuinte é aposentada por tempo de contribuição pelo Instituto Nacional do Seguro Social () desde 19/06/2008, conforme consulta de fls. 80 e Carta de Concessão/Memória de Cálculo de fls. 04. De acordo com o documento de fls. 91 (demonstrativo de concessão Funcef) a data de início do benefício (DIB) pago pela Funcef à requerente é 22/02/. Conforme os demonstrativos de proventos previdenciários (fls. 14/16), a interessada recebeu da FUNCEF em, e suplementos da aposentadoria por tempo de contribuição, com a discriminação dos pagamentos referentes ao abono anual (competência 13); 3) O Laudo Pericial considerado na análise foi emitido por serviço médico oficial do município de Dourados (fls. 34), a saber, pela Unidade Básica de Saúde da Família Vila Índio, em 20/03/2014, assinado pela médica Sarah Buchalla Bosco CRM/MS 7653 (fls. 83/84). Cumpre destacar que, nos Estados e Municípios, os serviços de 4

5 Processo nº / Parecer SARAC/DRF/DOU/MS nº 31/2015 saúde próprios das Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde, prestados nas Unidades ou Postos de Atendimento, são considerados serviços médicos oficiais; 4) Ainda, conforme o Laudo Pericial, a requerente é portadora de MOLÉSTIA PROFISSIONAL, desde 2001, conforme CID 10 M65 (sinovite e tenossinovite), doença não passível de controle, segundo laudo médico; 5) Ainda, a contribuinte recebeu, nos anoscalendário de 2009, 2010,, e proventos de aposentadoria do Instituto Nacional do Seguro Social (). Das DIRFs apresentadas constam os seguintes dados (fls. 95/108): Tabela 01 () Fonte pagadora (CNPJ) Ano calendário 13º Salário (R$) Imposto Retido na Fonte sobre 13º Salário (R$) / ,48 16, / ,64 20, / ,30 24, / ,99 27, / ,49 31,69 6) A contribuinte recebeu, nos anoscalendário de a, proventos de aposentadoria complementar da Fundação dos Economiários Federais FUNCEF, entidade de previdência privada. Das DIRFs apresentadas pela fonte pagadora constam os seguintes dados (fls. 95/108): Tabela 02 (FUNCEF) Fonte pagadora (CNPJ) Ano calendário 13º Salário (R$) Imposto Retido na Fonte sobre 13º Salário (R$) / ,69 128, / ,45 254, / ,06 318,47 Comprovado o atendimento dos requisitos definidos em lei e que os valores foram indevidamente retidos na fonte sobre o 13 salário quando a contribuinte já era isenta, é de se reconhecer o direito creditório pleiteado no montante original de R$ 821,58 e deferir o Pedido de Restituição. O valor, devidamente corrigido, poderá ser creditado em conta corrente da contribuinte, depois de verificada a sua regularidade fiscal, conforme determina o artigo 61 da Instrução Normativa RFB nº 1.300/. CONCLUSÃO Considerando que a contribuinte é aposentada pelo desde 19/06/2008; Considerando que a interessada recebe benefício de complemento de aposentadoria da FUNCEF desde ; 5

6 Processo nº / Parecer SARAC/DRF/DOU/MS nº 31/2015 Considerando que a requerente, mediante Laudo Pericial emitido por serviço médico oficial do Município de Dourados/MS, comprovou ser portadora de moléstia profissional, doença elencada na Lei n 7.713/88 desde 2001; Considerando que foram comprovados os valores de IRPF retido na fonte relativos ao 13º salário, conforme DIRFs apresentadas pelo e FUNCEF; Proponho: O DEFERIMENTO do Pedido de Restituição do IRPF retido na fonte sobre o 13 salário e o consequente RECONHECIMENTO do direito da contribuinte à restituição no valor total original de R$ 821,58 (oitocentos e vinte e um reais e cinquenta e oito centavos) devidamente corrigidos, desde que não haja impedimentos. À execução para que sejam tomadas as providências cabíveis. À consideração do Sr. Chefe. De acordo. Encaminhese à consideração do Sr. Delegado. MINISTÉRIO DA FAZENDA DRF/DOURADOS/MS MINISTÉRIO DA FAZENDA DRF/DOURADOS/MS Magda Sayuri Kaihara Auditora Fiscal da Receita Federal do Brasil Matrícula ASSINADO E DATADO DIGITALMENTE João Paulo Cassitas Sarnoski Chefe da SARAC Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil Matrícula ASSINADO E DATADO DIGITALMENTE 6

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