14/04/2012 PROF ISIS H. VERGNE BIOMÉDICA ESPECIALISTA EM HEMATOLOGIA CLÍNICA

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1 É A CIÊNCIA QUE ESTUDA E INVESTIGA AS ALTERAÇÕES CLÍNICAS E LABORATORIAIS, INTERLIGANDO-AS E CRIANDO COM BASE NOS ACHADOS, UMA HIPÓTESE DIAGNÓSTICA. PROF ISIS H. VERGNE BIOMÉDICA ESPECIALISTA EM HEMATOLOGIA CLÍNICA OS TESTES LABORATORIAIS SÃO PARTE IMPORTANTE NA PRÁTICA MÉDICA. O CONHECIDO DIZER: A CLÍNICA É SOBERANA CAIU POR TERRA. A PARTCIPAÇÃO DAS INFORMAÇÕES ORIUNDAS DO LABORATÓRIO CLÍNICO NA TOMADA DE DECISÕES NUNCA FOI TÃO IMPORTANTE COMO NESSE MOMENTO. TEM-SE OBSERVADO UM AUMENTO EXAGERADO NA SOLICITAÇÃO DE EXAMES LABORATORIAIS, QUE SÃO PEDIDOS, COM FREQUÊNCIA, SEM JUSTIFICATIVA RAZOÁVEL. A FALTA DE TEMPO DO MÉDICO PARA REALIZAR UMA BOA ANAMNESE E EXAME FÍSICO DOS SEUS PACIENTES ESTÃO NO TOPO DA LISTA DE JUSTIFICATIVAS PARAS TANTAS SOLICITAÇÕES DE EXAMES MUITAS ONEROSOS E DESNESCESSÁRIOS. PARA GERAR INFORMAÇÃO ÚTIL, UM TESTE LABORATORIAL PRECISA SER SOLICITADO COM UM OBJETIVO CLÍNICO ESPECIFIFICO. DETECTAR E QUANTIFICAR RISCO FUTURO DE DOENÇA; DETECTAR DOENÇA SUBCLÍNICA; ESTABELECER E EXCLUIR DIAGNÓSTICOS; AVALIAR A GRAVIDADE DA DOENÇA E DEFINIR PROGNÓSTICOS; SELECIONAR TERAPIA ADEQUADA; MONITORAR A EVOLUÇÃO DA DOENÇA E A RESPOSTA TERAPÊUTICA 1

2 AVALIAR A FUNÇÃO DE UM ÓRGÃO; AVALIAR A ATIVIDADE METABÓLICA; AVALIAR O ESTADO NUTRICIONAL; DETECTAR E MONITORAR NEOPLASIAS; DETECTAR E QUANTIFICAR DANO TISSULAR; DETECTAR E IDENTIFICAR DOENÇAS GENÉTICAS E IMUNOLÓGICAS; DETECTAR E IDENTIFICAR AGENTES INFECCIOSOS MONITORAR AGENTES TERAPÊUTICOS. DIAGNÓSTICO MONITORAÇÃO PROGNÓSTICO RASTRAMENTO DEFINIÇÃO DE CONDIÇÕES BASAIS PARA FUTURAS COMPARAÇÕES TRANQUILIZAÇÃO DO PACIENTE SOLICITAÇÃO DO PACIENTE DO MENOR PARA O MAIOR CUSTO DO MENOR PARA O MAIOR RISCO DO MAIS SIMPLES PARA O MAIS COMPLEXO EM QUE SITUAÇÃO ESSA SEQUÊNCIA NÃO SERÁ CUMPRIDA? DEVE-SE SEMPRE TENTAR REALIZAR O EXAME MAIS EFICIENTE, OU SEJA, DE MAIOR SENSIBILIDADE, ESPECIFICIDADE, VALOR PREDITIVO E RAPIDEZ NO RESULTADO. 2

3 Clínico Estabelece diagnóstico Recomenda tratamento e acompanhamento Solicita o exame e prepara o paciente Interpreta o resultado e reavalia hipóteses Laboratório Coleta da amostra Processa o material Arquiva o material Emite o laudo Analisa amostra Verifica o resultado Define valores de referência RITMOS BIOLÓGICOS - CIRCADIANOS: CICLO DE VARIAÇÃO DE APROXIMADAMENTE 24H (EX: CORTISOL SÉRICO) FATORES CONSTITUCIONAIS. - SEXO - IDADE - GENÓTIPO - ULTRADIANOS: CICLOS <24H (EX: TESTOSTERONA) - INFRADIANOS: CICLOS >24H (EX: CICLO MENSTRUAL) FATORES EXTRÍNSECOS: -POSTURA -EXERCÍCIO -DIETA -DROGAS -USO DE ÁLCOOL -GESTAÇÃO -DOENÇAS INTERCORRENTES IMPORTANTE!! OS MAIS FREQUENTES ESTÃO NA FASE PRÉ- ANALÍTICA!!!! A TROCA DE AMOSTRAS PODE SER O MAIS COMUM DELES, PREJUDICANDO TODAS AS OUTRAS FASES. 3

4 O RESULTADO É ESTAPAFÚRDIO, NÃO FISIOLÓGICO OU IMPOSSÍVEL; O RESULTADO É INCONSISTENTE COM RESULTADOS PRÉVIOS DO MESMO PACIENTE OU INCOMPATÍVEL COM OS RESULTADOS DE OUTROS TESTES REALIZADOS NA MESMA AMOSTRA; PATOLOGIA: SEPTICEMIA FEBRE, INFLAMAÇÃO, INFECÇÃO E DOR Dia/AulaMultimidia/Pages/Default.aspx O RESULTADO DIFERE DO QUE É ESPERADO PELOS ACHADOS CLÍNICOS. FEBRE: A febre se caracteriza por um aumento da temperatura do corpo. A temperatura normal do corpo geralmente oscila entre 36 e 37.2 C. Em caso de infecção, inflamação ou determinadas doenças, a temperatura do corpo pode aumentar, trata-se então de uma reação de defesa do organismo frente aos agressores. Falamos em febre quando a temperatura estiver a partir de 37.5 C. De fato, a febre é um sintoma e não uma doença, no entanto, ela é geralmente associada a outros sintomas (dor de cabeça, dor,... A febre pode ser causada por inúmeras doenças ou maus, como por exemplo: Agentes infecciosos como vírus, bactérias, protozoários ou fungos (que provocam doenças com resfriados, gripes, meningite, gripe-aviária, inflamação na garganta, gastroenterite, rubéola, malária,...). Corpos estranhos (alérgenos, enxertos...) Células cancerosas - Uma alteração de um órgão ou tecido (infarto,...). 4

5 Dor é uma experiência sensorial e emocional desagradável associada com danos reais ou potenciais em tecidos, ou assim percepcionada como dano. Nota: a incapacidade de comunicar verbalmente não exclui a possibilidade de que um indivíduo esteje a experienciar dor e a necessitar tratamento para alívio da mesma. A dor é sempre subjectiva. Cada indivíduo aprende o uso da palavra dor através de experiências relacionadas com traumatismos no início da sua vida. Os cientistas verificam que os estímulos que causam dor causam provável dano nos tecidos. Assim, dor é a experiência que associamos à real ou potencial dano nos tecidos. É de forma inquestionável uma sensação em parte ou partes do corpo, mas é também sempre desagradável, e consequentemente também uma experiência emocional." (...) Dor nociceptiva: é a originada nos nociceptores (ramos periféricos dos neurônios que recebem e codificam os estímulos nocivos) sejam eles mecânicos, térmicos ou químicos junto da área física em que ocorre o estímulo que a origina. Dor neuropática : A Dor neuropática é uma dor provocada por uma lesão ou uma doença no sistema nervoso. Normalmente são descritas como sensações agudas, de queimadura ou de choque eléctrico, ou ainda como sensações de formigueiro. É de difícil tratamento e frequentemente tornase crónica. É muitas vezes incapacitante. Dor psicológica: é a dor de origem emocional, e é rara, podendo no entanto ser muito incapacitante e de difícil tratamento. O paciente sente dor a partir de pequenos estímulos, que são como que amplificados pelo seu estado emocional de medo, ansiedade, etc... 5

6 É a invasão, desenvolvimento e multiplicação de um microorganismo no organismo de um animal ou planta, causando doenças. A invasão desencadeia no hospedeiro uma série de reações do sistema imunológico, a fim de defender o local afetado resultando, geralmente, em inflamações. Assim, podemos perceber que o termo infecção e inflamação, muitas vezes confundidos, têm suas particularidades. A inflamação pode ocorrer não só quando há a invasão por vírus, bactérias, fungos ou protozoários. A sinusite, por exemplo, é uma inflamação dos seios da face e que, por não ser causada por um patógeno, não se caracteriza como uma infecção. Já a caxumba é uma doença caracterizada pela infecção do vírus do gênero Rubulavirus, da família Paramyxoviridae. Sua presença resulta nainflamação das glândulas salivares apresentando, na região, inchaço característico. PACIENTE SEXO FEMININO, 22 ANOS, SOLTEIRA, PREVIAMENTE HÍGIDA, PROCURA A EMERGÊNCIA DO HOSPITAL MAIS PRÓXIMO DA SUA CASA DEVIDO A FEBRE DE APROXIMADAMENTE 39ºC E VÔMITOS HÁ UM DIA. NO EXAME FÍSICO, APRESENTA FREQUÊNCIA CARDÍACA DE 130 BPM, PRESSÃO ARTERIAL DE 100/90 mmhg, RIGIDEZ DE NUCA. COMO O LABORATÓRIO PODE AJUDAR NA AVALIAÇÃO DESSE PACIENTE? O líquor deve ser colhido em ambiente hospitalar, através de punção suboccipital (logo abaixo do crânio) ou lombar (entre a terceira, a quarta e a quinta vétebras lombares). 6

7 A técnica requer esterilidade absoluta e deve ser executada por um profissional médico treinado. Imediatamente após a coleta, o paciente deve submeter-se a um período de repouso relativo e hidratação forçada. Usualmente colhe-se por gotejamento em três tubos estéreis identificados e marcados numericamente O primeiro tubo se destina às análises bioquímicas e sorológicas, o segundo tubo é destinado à microbiologia e o terceiro, à citologia. Opcionalmente, colhe-se um quarto tubo para análise microbiológica. Sendo um líquido nobre, todo esforço deve ser tomado para se evitar a necessidade de nova coleta, e o fluido colhido em excesso deve ser armazenado, após a centrifugação e efetuação das análises, sob congelação. ANÁLISE DE COR DO LÍQUIDO CEFALORRAQUIDIANO - PODE SER: LÍMPIDO, PURULENTO OU XANTOCRÔMICO A xantocromia pode ser causada pela presença de produtos de degradação dos eritrócitos, presença de bilirrubina, caroteno, proteínas em grande quantidade. No caso de líquor hemorrágico, deve-se diferenciar o acidente de punção (tubo inicial mais escuro que os demais, gradativamente mais claros, resultante da contaminação por sangue periférico durante a coleta) e a hemorragia intracraniana (todos os tubos de mesma coloração). GLICORRAQUIA: NORMAL mg/dl (50 a 70% da glicemia sérica) PROTEÍNORRAQUIA: NORMAL 15 45mg/dL É desejável a coleta simultânea de uma amostra de sangue, para o estudo comparativo das determinações de proteínas (globulinas) e glicose 7

8 O NORMAL É DE 5 LEUCÓCITOS E 5 ERITRÓCITOS. GRAM ASPECTO DO LCD: TURVO, PURULENTO CITOLOGIA: LEUCÓCITOS/mm3 COM 85 A 95% DE NEUTROFILIA. ERITRÓCITOS SÃO INCOMUNS PROTEÍNORRAQUIA: AUMENTADA, mg/dL GLICORRAQUIA: GERALMENTE < 40mg/Dl ou 40% DA CONCENTRAÇÃO DE GLICOSE SÉRICA. BACTERIOSCOPIA: PODE SER POSITIVA EM 60 90% DOS CASOS. CULTURA POSITIVA EM 70% DOS CASOS DE MENINGITE BACTERIANA. AGENTES PATOLÓGICOS MAIS COMUNS: Staphylococcus sp. Streptococcus pneumoniae Neisseria meningitidis Haemophyilus influenzae Pesquisa de antígenos para teste de aglutinação do látex pode identificar o agente em 70 85% dos casos. 8

9 ACHADOS EM INFECÇÕES CEREBROSPINAL PRESSÃO DO LÍQUIDO CEREBROESPINHAL (mmhg) ASPECTO CELULARIDADE (leuc/mm3) TIPO DE CÉLULA PREDOMINANTE MENINGITE BACTERIANA MENINGITE FÚNGICA MENINGITE VIRAL AUMENTADA AUMENTADA NORMAL TURVO, PURULENTO LÍMPIDO LÍMPIDO NEUTRÓFILO LINFÓCITO LINFÓCITO PROTEINA (mg/dl) < 100 GLICOSE (mg/dl) DIMINUIDA NORMAL OU DIMINUÍDA NORMAL HEMATOLOGIA IMUNOLOGIA MICROBIOLOGIA PARASITOLOGIA URINÁLISE PACIENTE DO SEXO FEMININO, 30 ANOS DE IDADE, SE APRESENTA À CONSULTA MÉDICA COM QUEIXAS DE DOR E ARDÊNCIA MICCIONAL HÁ 2 DIAS, URGÊNCIA URINÁRIA NAS ULTIMAS 12 HORAS. TEM HISTÓRIA DE INFECÇÕES URINÁRIAS PRÉVIAS, 3 A 4 POR ANO. NEGA DOR LOMBAR E FEBRE. TEM VIDA SEXUAL ATIVA E USA ANTICONCEPCIONAL REGULARMENTE. QUAL A CONDUTA? HÁ NECESSIDADE DE EXAMES LABORATORIAIS? QUAL A TERAPEUTICA MAIS RECOMENDADA? Flores para vocês!!! OBRIGADO!!! 9

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