IV Seminário de Iniciação Científica

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1 O USO DA INTERNET NA EDUCAÇÃO FUNDAMENTAL PÚBLICA DE ANÁPOLIS: MAPEANDO OS MODOS DE USO 1,3 Fernanda Vasconcelos Silva Souza; 2,3 Profª Drª Mirza Seabra Toschi 1 Bolsista PIBIC/CNPq 2 Pesquisadora-orientadora 3 Curso de Pedagogia, Unidade Universitária de Ciências Sócio Econômicas e Humanas, UEG RESUMO Buscamos com este estudo identificar e analisar os modos de uso da Internet nas escolas públicas de ensino fundamental de Anápolis que possuem laboratório de informática. Após o mapeamento das escolas que possuíam laboratório de informática, selecionamos duas escolas municipais e duas escolas estaduais para investigarmos. Como estratégias metodológicas optamos por revisão bibliográfica, visitas às escolas-campo, observação de aulas realizadas nos laboratórios de informática e do modo que os professores utilizam a Internet e os demais softwares, registro das visitas em protocolos de registro e de diários de campo, reuniões periódicas com o grupo de pesquisa, fotos e filmagens de algumas das aulas para edição de um DVD que será destinado a cursos de formação de professores. Pudemos concluir que faltam políticas públicas para a informática educativa; os laboratórios de informática não têm máquinas suficientes; o NTE tem dificuldades na orientação aos professores e na manutenção dos laboratórios; a conexão de Internet é precária, os cursos de capacitação priorizam a técnica e não abordam suficientemente a parte pedagógica; os professores estão despreparados para atender às exigências desta nova esfera social. E em relação à Internet, não são exploradas todas as suas possibilidades em benefício da educação. Palavras-Chave: Internet, educação e tecnologia, escola pública. Introdução: 647

2 Devido à popularização da Internet e a implantação dos laboratórios de informática nas escolas públicas de ensino fundamental de Anápolis, torna-se relevante um estudo de como as aulas estão sendo realizadas neste novo ambiente. Tivemos como objetivo identificar e analisar os modos de uso da Internet nas escolas públicas de ensino fundamental de Anápolis que possuem laboratório de informática. Para isto realizamos uma pesquisa qualitativa, do tipo etnográfica, em quatro escolas públicas de ensino fundamental que possuem laboratório de informática com conexão de Internet em Anápolis, sendo duas municipais e duas estaduais. A Internet trouxe o surgimento de uma linguagem própria com a preocupação de se fazer entender a não com formas gramaticais corretas, modificações na comunicação e também nas relações humanas, atendendo às necessidades da sociedade contemporânea. Com a Internet, o crescimento da sociedade não é mais necessariamente um fator de distanciamento. Como afirma Lévy (2000), o crescimento demográfico não leva mais à separação e ao distanciamento, mas conduz à intensificação dos contatos em escala planetária no ciberespaço onde ocorre uma comunicação de todos para todos (p. 196 e 208). O ciberespaço é hoje o sistema com o desenvolvimento mais rápido de toda a história das técnicas de comunicação (Lévy, 2000, p. 204). A rede atualmente é um motor-gerador da inter-relações humanas e devemos entendê-la e explorar sua possibilidades principalmente em benefício da Educação (Leme, 2004, p. 11). De acordo com Faria (2005), a Internet propicia um acesso direto às informações e não ao conhecimento, demonstrando a necessidade de uma metodologia no trabalho escolar para a construção do conhecimento (p.10). Ela apresenta a formação de professores como aspecto primordial para a utilização das inovações tecnológicas, porém a formação de professores não parece acompanhar essas exigências, e os futuros profissionais acabam sendo formados de acordo com velhos modelos (p.66). Muitas coisas precisam ser melhoradas como a formação dos professores, aumentar o número de computadores nos laboratórios, fazer uma manutenção periódica das máquinas e melhorar a conexão de Internet. Material e Métodos 648

3 Optamos por desenvolver uma pesquisa qualitativa, do tipo etnográfica, a qual iniciamos o estudo com revisão bibliográfica para melhor entendimento do nosso objeto de estudo. Seguimos visitando a Secretaria Municipal de Educação de Anápolis, a Sub Secretaria Estadual de Educação de Anápolis e o NTE para fazermos o mapeamento das escolas com laboratórios de informática. De acordo com os dados coletados, a rede pública de ensino fundamental municipal e estadual, excluindo as escolas conveniadas, possuem 94 escolas, sendo que apenas sete delas, à época, possuíam laboratório de informática. Visitamos as quatro escolas selecionadas no segundo semestre de 2005 e primeiro semestre de 2006, duas municipais e duas estaduais, explicamos a pesquisa e assistimos à diversas aulas realizadas nos laboratórios de informática, observando como os professores utilizam a Internet e os demais softwares. As observações foram registradas em protocolos de registro e de diários de campo e compartilhadas em reuniões com o grupo de pesquisa. Nas visitas finais fotografamos e filmamos as aulas para edição de um DVD que será destinado a cursos de formação de professores. Resultados e discussão Observamos que os laboratórios de informática das escolas pesquisadas são bem organizados, possuem computadores relativamente modernos, com gravadora de CD, e servidor com acesso à Internet. Porém, a conexão com a Internet é muito lenta e não é feita uma manutenção freqüente dos computadores que quando estragam permanecem assim por algum tempo. Pudemos confirmar isso em três escolas que tinham máquinas com problemas e aguardavam o técnico do NTE. Em alguns casos os problemas são resolvidos com recursos próprios da escola. Como afirma Leme (2004), os NTEs demonstram dificuldade na orientação e no assessoramento às escolas. As limitações das escolas públicas fazem com que os recursos da Internet sejam subaproveitados, não bastando implantar computadores conectados à Internet para se ter ganhos pedagógicos significativos. (p. 8) Os laboratórios têm de dez a quinze computadores para atender à turmas de trinta a quarenta alunos, sendo insuficientes. Assim, metade da turma fica na sala de aula enquanto a outra metade vai para o laboratório, tendo mesmo assim que realizar as atividades propostas em duplas. Diante disso, os alunos correm para chegar no computador para usá-lo primeiro. Percebemos que há um grande interesse dos alunos em relação à utilização do computador, 649

4 resultando numa relação de solidariedade entre os alunos que realizam as tarefas coletivamente, um ajudando o outro e, conseqüentemente, aprendendo com o outro. Este é um ponto positivo que detectamos nas aulas. Os alunos que não se interessavam pelas atividades, ou possuíam computador em casa, ou se desinteressavam no decorrer da aula de acordo com a atividade desenvolvida. Na maioria das aulas observadas foram utilizados o Word para a digitação de palavras ou textos de acordo com a série, o Paint para desenhar e pintar e, poucas vezes, foram usados o Power Point e a Internet. As atividades propostas eram mecânicas e não exploravam a criatividade dos alunos e as possibilidades dos softwares no processo de ensino-aprendizagem. Apesar disso, muitas coisas foram aprendidas pelos alunos como conhecer o teclado e a localização das letras, mudar de linha, letras maiúsculas e minúsculas, utilizar o mouse, se movimentar utilizando as setas, salvar as atividades, etc. Conhecimentos estes que foram possibilitados pela implantação do laboratório na escola, onde, principalmente os alunos menores, tiveram o seu primeiro contato com o computador. O uso da Internet nas escolas municipais é muito limitado devido ao fato de que a sua conexão é discada, fazendo o computador ficar lento e sua conexão cair com freqüência. Além disso, em três das quatro escolas, havia computadores estragados. Já nas escolas estaduais, onde a Internet é mais utilizada, as atividades propostas possibilitaram que os alunos aprendessem a utilizar sites de pesquisa como o Google e o Yahoo, mas percebíamos que a lentidão das máquinas prejudicava o andamento das aulas. Além disso percebemos que as atividades não atraíam os alunos e a maioria deles se dispersavam e conversavam muito. Observamos a falta de formação dos professores ao desenvolverem as atividades para os alunos. Os professores demonstram interesse e vontade de inovar, mas faltam-lhes instrumentos teóricos e empíricos para isso, o que é refletido no uso limitado da Internet. (Santos, 2003,p. 311). De acordo com Faria (2005), mesmo os professores que têm melhor formação, esta não atende às exigências pedagógicas causando uma crise de identidade nos professores que se sentem despreparados para a construção do conhecimento com a rapidez com que mudam as informações. 650

5 Sendo assim, as aulas nos laboratórios de informática não exploram todas as possibilidades, seja pela falta de políticas públicas e programas de informática consistentes, pelo número insuficiente de computadores disponíveis ou pela falta de manutenção dos mesmos, pelo pouco tempo disposto para as aulas e pela falta de freqüência das mesmas. Ainda podemos citar a precária conexão com a Internet e a falta de capacitação adequada dos professores, visto que os curso de formação de professores não oferece uma formação consistente diante das Novas Tecnologias e os cursos de capacitação do NTE que são técnicos, não valorizam suficientemente os aspectos pedagógicos. Foram fotografadas e videogravadas algumas aulas realizadas nos laboratórios de informática para a produção e edição de um DVD que será utilizado em cursos de capacitação de professores para uma reflexão acerca das experiências vivenciadas com o uso da Internet nas aulas de alguns professores. Essa é uma maneira de a universidade contribuir na melhoria das condições atuais. Conclusões Concluímos com o nosso estudo que faltam políticas públicas consistentes para a informática educativa, existem falhas nos laboratórios de informática das escolas pesquisadas, como número insuficiente de computadores, falta de manutenção das máquinas e conexões de Internet precárias. Segundo Leme (2004), as limitações das escolas públicas fazem com que os recursos da Internet sejam subaproveitados, não bastando implantar computadores conectados à Internet para se ter ganhos pedagógicos significativos. Observamos que alguns professores não levam seus alunos ao laboratório, boa parte por falta de conhecimentos necessários para desenvolver uma aula neste local. Para Faria (2005), mesmo os professores que vão ao laboratório com freqüência e possuem cursos de capacitação, não demonstram possuir conhecimentos suficientes para uma práxis pedagógica que facilite a construção do conhecimento com a rapidez com que mudam as informações. Isso porque os cursos de capacitação priorizam a parte técnica, mas faltam-lhe consistência pedagógica. Nas aulas assistidas, os recursos mais utilizados foram o Word e o Paint e, poucas vezes, foram usados o Power Point e a Internet. As atividades propostas nem sempre envolviam os alunos e não exploravam amplamente as possibilidades dos softwares no processo de ensinoaprendizagem. Os professores e dinamizadores demonstraram uma preocupação maior com a 651

6 apresentação dos trabalhos do que com o processo de construção do conhecimento, valorizando prioritariamente a estética e a finalização dos trabalhos. Embora isso seja importante, há grandes potencialidades que deixam de ser exploradas. Nas aulas em que a Internet foi utilizada, observamos que a lentidão das máquinas, a queda de conexão, o travamento dos computadores, os tipos de atividades que não atraíam os alunos, a insegurança dos professores, entre outros, são barreiras que precisam ser superadas para que este recurso, com infinitas possibilidades, possa ser utilizado em benefício da educação. Os sites de pesquisa Google e Yahoo foram os mais usados e as atividades sugeridas consistiram em jogos educativos e pesquisas. Os professores orientavam o caminho que os alunos deveriam percorrer para entrar nos sites desejados e tiravam dúvidas sobre como jogar, recortar, colar, etc. As pesquisas realizadas não eram lidas, apenas recortadas e coladas no Word, sem uma discussão posterior do conteúdo pesquisado. Enfatizamos a necessidade de serem abordadas mais sistematicamente as Novas Tecnologias nos cursos de formação de professores e a necessidade da busca de uma formação continuada dos professores, visto que essas tecnologias estão em constante transformação. Referências Bibliográficas: FARIA, Juliana Guimarães. Escolas públicas on line : uma análise de situações pedagógicas nos laboratórios de informática. Dissertação (Mestrado em Educação)- Goiânia: Faculdade de Educação, Universidade Federal de Goiás, LEME, Márcia Márquez Paes. Internet na Educação: Reflexões, Realidade e Possibilidades. Dissertação (Mestrado em Educação Brasileira)- Goiânia: Faculdade de Educação, Universidade Federal de Goiás, LÉVY, Pierre. A Revolução Contemporânea em matéria de comunicação. In: MARTINS, Francisco Menezes e SILVA, Juremir Machado da (orgs.). Para navegar no séc. XXI. 2ª ed., Porto Alegre: Silina/Edipurs, SANTOS, Gilberto Lacerda. A Internet na escola fundamental: sondagem de modos de uso por professores. Educação e Pesquisa, São Paulo, v.29, n. 2, p , jul/dez,

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