Curtas. ü l N Z E N A. 'Un dia, cuando ei hombre sea libre, Ia política será una canción" Quinzena N /04/97. Trabalhadores

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1 FATOS ISOLADOS ^ ^ Opelego ^ Que modernismo? ** Mobilização popular é o caminho ^ A falácia do comércio livre ^ A nova ditadura e seus agentes ^ A rebelião dos esquecidos Custo unitário desta edição: R$ 2,50

2 Quinzena N /04/97 Trabalhadores Curtas Porto Grande - AP, 3 de Abril de 1997 limo.(a) Sr.(a) Diretor(a) de Divulgação Venho contactar com V.sa., para solicitar todas as informações necessárias sobre os novos livros deste magnifíco Centro de Documentação e Pesquisa Vergueiro, que tem editado seus livros com muita eficiência e dinamismo, procurando sempre mostrar a realidade com seriedade e coerência. Sou professor licenciado em História, e necessito estar sempre atualizado com a evolução da história e os novos assuntos no mercado de editores, e também estou no momento em uma região bastante atrasada e de difícil acesso ao que está sendo feito no resto do país. Com esse propósito, decidi manter este intercâmbio com V. Sa., para reviindicar, o catálogo de livros e preços, já que existe no momento vários professores nordestinos chegando ao Amapá, e está com muita dificuldade para comprar um bom livro. Espero poder contar com a colaboração de V. Sa., aguardo confiante. Desde já, envio os mais elevados agradecimentos. Atenciosamente Lindberg C. Vasconcelos Grajaú - MA, 06 de fevereiro de 1997 Caros editores do CPV, Sou militante do movimento sindical rural do meu município, Grajaú-MA. Vi a propaganda do QUINZENA na revista REVÉS DO AVESSO e me interessei pelos temas abordado no mesmo. Gostaria de receber informações bem como o preço da assinatura desse informativo. Grato Antônio de Pádua S. Nascimento Vergonha!!! O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) estimou que 400 milhões de crianças trabalham em todo o mundo. A Unicef se refere a essas crianças como "pequenos escravos". E mais: são 143 milhões de crianças que estão fora das escolas. As crianças da América Latina e do Caribe engordam bastante essa estatística. Enquanto isso por aqui continuam a falar em modernidade. Só se for para inglês ver. Mordida A perda do poder aquisitivo do trabalhador brasileiro médio é uma realidade incontestável. Como se não bastasse, o Governo voltou a morder o pouco que resta através da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). Desde o dia 23 de janeiro, qualquer movimentação custa ao trabalhador 0,2%. O Governo garante que toda essa grana será aplicado na Saúde. Daqui a um ano quem for vivo comprovará se esse dinheiro foi mesmo para o setor. Já vimos esse filme antes!!! "Sonho que se sonha sozinho, pode ser pura ilusão; Sonho que sonhamos juntos, é sinal de solução". Q ü l N Z E N A O boletim QUINZENA é uma publicação do: CPV- Centro de Documentação e Pesquisa Vergueiro Rua Professor Sebastião Soares de Farias, 27, 2 o andar Bela Vista - São Paulo - SP - CEP Caixa Postal CEP Telefone (011) Fax (011) O objetivo do boletim é divulgar uma seleção do material informativo, analítico e opinativo, publicado na grande imprensa, imprensa partidária e alternativa e outras fontes de informações importantes existentes nos movimentos. A proposta do boletim é ampliar a circulação dessas informações, facilitando o debate sobre as questões políticas em pauta na conjuntura. Caso você queira divulgar algum texto no QUINZENA, basta nos enviar. Pedimos que se atenha a, no máximo, 8 laudas. Textos que ultrapassem este limite estarão sujeitos a cortes, por imposição de espaço. O boletim QUINZENA é editado e diagramado pela Equipe do CPV. 'Un dia, cuando ei hombre sea libre, Ia política será una canción"

3 Quinzena N /04/97 Inverta - 26 de março á 1 o de abril N Pelego, originalmente, é parte da montaria - um couro - para ficar sobre a cela e amaciar o assento de quem monta. Na figuração dos trabalhadores, é o ativista sindical, atuante entre eles e os patrões, com jogo dúbio, mais para o lado destes. Por extensão, todos os que, entre duas partes em conflito, simulam estar de um lado para encobrir o seu trabalho para a outra. A história das lutas dos trabalhadores registra a presença de grandes de pequenos pelegos, diferentes na importância, iguais nos danos causados. Nos Estados Unidos, o célebre George Meany, presidente da Federação Americana do Trabalho (AFL), agente da CIA (cf DH ário da CIA, de Philip Agge), que, por muito tempo, empulhou os trabalhadores, fomentando-lhes o anti-comunismo e delatando-os á Repressão. No Brasil, a galeria de pelegos é especialmente rica Podemos sistematizála em durante e depois do Estado Novo. Saliente-se que a importância do pelego não está necessariamente na maior ou menor importância de sua categoria profissional Depende da condição de dirigente sindical e na capacidade de manter a categoria o mais quieta possível e, se preciso, formai ao lado do Governo Para o que conta com o apoio oficial e a colaboração, mascarada ou descarada, da repressão policial. Foi no Estado Novo que começou a se formar a equipe mais destacada de pelegos - a chamada Safra Getuliana. Ora, a burguesia, vitoriosa na Revolução de 30, quando do acerto de contas com a aristocracia rural, precisou de se aliar aos trabalhadores para sustentar a vitoria Dai as medidas favoráveis aos trabalhadores, com o que a questão social deixou de ser mera questão de policia Dai também Getúlio Vargas começar os seus discursos com a famosa frase- "Trabalhadores do Brasil". Uma aliança, todavia, de lobo com cordeiro, em que aquele se precata dos avanços deste Uma das precauções foram os pelegos Assim nasceu a Safra Getuliana. Se o sindicato não se conformava com o comando do pelego, vinha a segunda eta- O pelego Hélio lienévnlo pa dos cuidados da burguesia - a intervenção. Para os trabalhadores, pois, prevalecia o conhecido dilema de se correr o bicho pega, e se ficar o bicho come. O Governo Dutra foi o que mais fez intervenções, salvo, naturalmente, a Ditadura Militar. Foram mais de 400 sindicatos sob intervenção Situação reveladora de que a burguesia não precisava mais de aliança com os trabalhadores. Entre os pelegos getulianos, destacase o Luiz de França, o famoso pelego França, do Sindicato dos Trabalhadores em Hotéis e Similares. Pelego notável pela inteligência, pela postura tranqüila e segura Dizia-se que tinha trânsito livre no Catete. Reinou até morrer. Outro destacado, o Laranjeira, assim chamado por começar a carreira vendendo laranjas no Cais do Porto e nos navios, presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores Maritimos. Sindulfo de Azevedo Pequeno, presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transporte Rodoviários, meloso, sabujo, a ponto de ser expulso da Organização Internacional do Trabalho (OIT), entidade notoriamente controlada pela CIA (cf. IN-Diáno da Cia-FN citado). O Holanda Cavalcanti, presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria (CNTI), reinou por muito tempo e, como todo rei, não descurou de preparar o sucessor - Ari Campista, o célebre pelego Campista. Teve esta a vantagem de ser também no tempo da Ditadura Militar, que muito se serviu dele. Tinha sido secretário da CNTI e, quando presidente, percorria o pais em missão de propaganda dos seus novos chefes. Outro pelego notável o João Helena, do Sindicato dos Trabalhadores na Construção Civil. Garantido pelo apoio oficial, cevado nas verbas do Ministério do Trabalho e das contribuições dos associados, sem prestar contas, entendeu de ser nobre. Logo apareceu quem lhe vendesse um título de Barão. Tomou-se Barão João Helena. Freqüentava restaurantes chiques, escolhia pratos de nomes estrangeiros e mais caros. Abriu caminho para o Arnaldo Rodriguez Coelho, meloso, subserviente, baital, intima- Trabalhadores mente ligado à DOPS. Esse pelego reinou até que a velhice o tirou de palco. Muitos outros pelegos pululam por aí, agora a serviço do Governo FHC. O caso de Antônio Medeiros. Vaidoso, sofisticado, a vocação lombrosiana para a traição parece estampada na própria fisionomia. Diz-se ter sido comunista, inclusive com viagem a URSS. Ele próprio confessou ter recebido dos empresários alguns milhões de dólares para fundar a chamada Força Sindical, com o que mais cindido ficou o movimento dos trabalhadores. Advoga a política de privatizações e as pretensões continuístas de FHC. Outro digno de figurar nesta galeria: o Vicentinho Curioso que, antes de assumir a Presidência da CUT, andou viajando aos Estados Unidos. Não nos esqueçamos que a CUT se filiou á CEOSLE, entidade controlada pela Cia (cf. Diário da Cia; citado) Aliás, quando, no Congresso, se falou em CPI sobre a CUT, acorreram ao nosso país representantes de entidades sindicais de vários países, justamente a nata de entidades controladas pela Cia A CUT, antes combativa, está acomodada Vicentinho, forçado a se manifestar contra mais atentados de FHC aos direitos dos trabalhadores, em vez de mobilizálos a alguma forma mais conseqüente de luta, anunciou que faria uma greve... de fome. O Sindicato dos Comerciários, destacado na luta pelo advento do 13 salário, sequer se manifesta mais O Magri, do Sindicato dos Trabalhadores em Energia Elétrica de São Paulo, chegou a Ministro do Trabalho. Seria cansativo citar mais exemplos. Os trabalhadores, agora, desorganizados, sem liderança efetiva, assistem, indefesos, a destruição dos seus direitos básicos Os pelegos constituem, como se vê, um prolongamento da tropa de choque da burguesia, por isso a dificuldade de lhes tomar os tronos. O Laranjeira, como os seus colegas da Safra Getuliana, parecia nascido para a perpetuidade. Destroná-lo foi o resultado de renhida luta, em que se destacou a memorável greve nacional dos marítimos, liderada pelo Emílio Bonfante DeMaria, inaugu- "Un dia, cuando ei hombre sea libre, Ia política será una canclón

4 Quinzena N /04/97 rando, assim, a volta das grandes greves, por tanto tempo evitadas pda ação dos pelados. O Holanda Cavalcanti, outro nascido para a perpetuidade. Formou-se um movimento nacional, graças ao que eletambém saiu do palco. Nesse movimaito destacandose o Clodsmit Riani, que o sucedeu. Não por muito tempo, pois a buiguesia tratou de botar o Campista. Os pelegos têm, realmaite, fôlego de sete gatos. Há também os pelegos políticos. De grande atuação em favor do programa de privatizações e na votação da emenda da reeleição Sérgio Arouca, "comunista". votou co o Governo. Roberto Freire, expresidente do PCB Brasileiro, além de ter sido lider do Governo, na Câmara Federal, entregou os arquivos do PCB (antigo) ao Roberto Marinho, quer dizer, à Cia. O Gabeira, travestido de esquerdista, foi com o Governo, foi com o Governo. Para não cansar quem leia estes registros e quem os faz, sobretudo para não lhes aumentar a náusea, ficamos nestes exemplos. Antes, os candidatos a pelegos eram formados na "Escola de Lideres Sindicais", criada pela Cia., inicialmente no Trabalhadores Panamá. Por ela passaram Magri, Meneghelli, dizem que também o Lula, entre muitos outros. A Cia criou, em nosso pais, o chamado instituto do Trabalho, através do qual despeja dólares, com o que consegue a vitória dos seus pelegos. Em um programa de televisão, há algum tempo, o Magri justificou a vinda desses dólares como "ajuda fraternal dos trabalhadores americanos aos seus colegas brasileiros". Vê-se, assim, o quão profunda a dominação do imperialismo em nosso pais e quão nociva a ação dos pelegos "1 O Trabalho - 26 de março a 9 de abril de N De 14 a 17 de agosto, a CUT faz seu 6 o Congresso Nacional. Entre 28 de abnl e 28 de maio, os sindicatos filiados estarão realizando assebléias para a eleição de delegados para os congressos estaduais e para o 6 o Concut. No centro dos debates, está a necessidade de que a CUT assuma o lugar que lhe cabe na organização da resistência dos trabalhadores contra a ofensiva em curso de destruição de empregos, direitos e conquistas. Em nome da "globalização" e da "competitividade", esta ofensiva ocorre em todo o mundo, buscando "associar" os sindicatos aos governos e instituições internacionais para atender as "exigências do mercado". ADAPTAÇÃO Em 1Q%, o Banco Mundial, num documento intitulado "O mundo.do trabalho numa economia sem fronteiras", conclui que "governos e trabalhadores devem se adaptar a um mundo que sofre mudanças, devem ter confiança nos mercados para cnar saidas" Ele acusa "a rigidez dos salános reais e um sistema de proteção social que impedem a cnação de empregos" e "a legislação trabalhista (que) estabelece regras custosas" como responsáveis pela situação de aionne desemprego. O "chefio" do FMI, Michel Camdessus, em junho de IQ%, quando se realizava em Bruxelas o congresso da Ciols (Confederação internacional de Organizações Sindicais Livres), à qual a O que está em jogo? Começa o debate das propostas para o próximo Congresso da CUT CUT é filiada, chama os "sindicatos a reconsiderar seu papel", que não mais seria o de representar os interesses dos assalariados, mas "o interesse geral" na verdade, o interesse "geral" dos capitalistas, que dominam a sociedade. Como reage a cúpula dirigente da CUT diante dessas proposições 9 Vicentinho no seu discurso no congresso de Bruxelas, propunha que "a Ciosl deve articular campanhas mundiais a favor da reforma e democratização desses organismos, principalmente do FMI e Banco Mundial". Hoje a direção majoritária da CUT defende a participação nas instâncias oficiais do Mercosul e da Alça (Área de Livre Comércio das Américas), e até mesmo na Organização Mundial do Comércio (OMC), para "introduzir" aspectos "sociais" nos tratados de livre-comércio (cuja lógica é a "globalização" e os ataques aos direitos trabalhistas). E o mesmo que colocar uma colher de mel num barril de purgante. Não vai melhorar o gosto do que se quer fazer engolir. E uma linha que leva os sindicatos a se associarem aos planos decididos pelos capitalistas e governos, para "negociar os sacrifícios", levando a que as políticas (supostamente) "inevitáveis" sejam impostas pelos trabalhadores. CENTRAL DE PROJETOS Na tese em discussão na Articulação Sindical (texto-base para o Concut), tal "estratégia" é chamada de "resistência propositiva" O exemplo dado e o da participação do Vicentinho no "acordo" da Previdência, de triste memória, no ano passado. Defende-se o "sindicato cidadão", superando "um sindicalismo baseado exclusivamente nos setores organizados" (vai se basear em quê' 1 ), preocupado em "formular políticas alternativas" - até mesmo um "Programa Nacional de Desenvolvimento" -junto com outros "atores sociais" (entre eles, as ONGs). Num passe de mágica, a "resposta" apresentada aos "desafios da reestruturação produtiva" e aos ataques do governo é o "sindicato orgânico": pelo qual o sindicato deixa de ser filiado à Central (no qual os sindicalizados decidem soberanamaite) e passa a ser uma "seção" da CUT, submetido as decisões "décima" Enquanto isso, a ação da cúpula elitista se orienta para a participação em órgãos "tripartites" de colaboração com o governo e patrões - em aberta contradição com os princípios estampados nos próprios estatutos da CUT -, como o Conselho Nacional do Trabalho (CNTb) do ministro Paiva. Ora, para fazer este papel, já existe a Força Sindical!! E preciso barrar este processo de desfiguração da CUT, resgatar seu caráter independente, classista e democrático, para que ela seja um ponto de apoio para luta de resistência dos trabalhadores E este o debate que se inicia Voltaremos ao assunto. "1 "Un dia, cuando ei hombre sea libre, Ia politica será una canción"

5 Quinzena N /04/97 Trabalhadores Tese da Articulação Sindical São Paulo - EXTRATO - Março/97 Este e um tema que veio à tona re centemente com a criação das "cooperativas" de mão-de-obra. as chamadas coopergatos. Baseados numa modificação da CLT, os patrões astutamente criaram associações de trabalhadores, controladas pelos chamados "gatos", testas de ferro dos próprios patrões, com o intuito de precanzar a relação de traba- Iho, e não manter vínculos empregaticios com os empregados. Os trabalhadores obedeciam ordens, como numa relação patrão empregado qualquer, não participavam das assembléias da cooperativa, não elegiam os representantes da administração, enfim, eram empregados como outro qualquer, com uma diferaiça imensa: sem carteira assinada e sem os direitos trabalhistas Devido a mobilização dos sindicatos, conseguiu-se reverter muitas destas cooperativas, comprovando que estas associações não continham o espirito cooperativista. pois mantinham relação de subordinação entre os trabalhadores e um testa de ferro do patrão, que é o "dono" da cooperativa. O perigo da proliferação deste tipo de relação de trabalho ainda é real, vide por exemplo o PAS (Plano de Atendimento ã Saúde) da capital e os trabalhadores da Rede Bandeirantes, e muitas outras coopeigatos espalhadas na área rural. Contudo, estas experiências não são as únicas Dentro do movimento sindical cutista. ha vanos sindicatos que viabilizaram cooperativas, nos mais diversos setores. São experiências sofridas, mas positivas. Normalmente formadas a partir de empresas falidas, experiências de Cogestão. Auto-gestão e Cooperativas se formaram tanto na área rural como nas categorias industriais Conforme (Metalúrgicos ABC). Skilcoplast (Quimicos ABC). Hidro-femx (Metalúrgicos de Sorocaba). Assentamento de Sumaré, são algumas experiências gestadas por sindicatos cutistas no estado, cada uma com sua história diferente. Em todos estes casos, os trabalhadores são sindi- Geração de emprego e renda Cooperativismo, auío-gesíão e co-gesíão calizados, e o sindicato investe na organização e fiscalização da cooperativa A Anteag (Associação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Auto- gestão), é uma aitidade que assessora diversas experiências e as representa contendo diligentes cutistas no seu corpo Há vários cuidados a serem tomados quando fizemos esta discussão Primeiro, que não é uma cultura comum no meio sindical cutista a relação com estas cooperativas Outro problema reside no fato de não ser fácil, trabalhadores acostumados a produzir passarem a administrar seu negócio, coletivamente. Contudo, são trabalhadores, têm o controle dos meios de produção, distribuem o lucro, e geram emprego, em uma forma não capitalista de produção. Assim, é necessário que a CUT continue sua luta contra a precarização da relação de trabalho, seja ela qual for, e aprofunde a discussão sobre o tema, através de seminários, debates, GT's, etc, a fim de respondermos a algumas questões, como por exemplo, se a CUT deve representar e organizar os trabalhadores cooperados; se estes trabalhadores deveriam também ter uma estrutura vertical orgânica á Central, entre outras. Política agrária e agrícola Vivemos um periodo marcado por grandes transformações na agricultura brasileira. A implantação do pacote da modernização conservadora no campo fez surgir um grande contingente de excluídos, descapitalizados e marginalizados do mercado e das políticas publicas. Expulsos do campo, incorporam-se a massa de desempregados nas médias e grandes cidades ou no trabalho assalariado no meio rural, principalmente "bóias-frias", sem nenhum direito trabalhista e social reconhecido. Nas regiões de modernização mais intensa, surgem grandes cooperativas empresariais e agro-mdustriais, subordinando os agricultores á lógica de um mercado e capital altamente concentrado e controlado por poucos. Historicamente, a agricultura familiar foi e conti- nua sendo desconsiderada pelo Estado como um setor importante da sociedade e da economia, provocando assim, um grande empobrecimento no campo. Mesmo assim ela continua correspondendo a aproximadamente 80% da força de trabalho na agricultura e responsável pela maior parte da produção de alimentos básicos e de vários produtos da pauta de exportações brasileiras (fonte: DESER) Em São Paulo, onde ha grande concentração de agricultores familiares, esse segmento é responsável pela dinamização de vários outros importantes setores econômicos, como o comércio e as agroindústrias, garantindo diretamente a sustentação da grande maioria dos pequenos e médios mumcipios O pais passa atualmente por profundas transformações econômicas, fruto de uma política de abertura comercial, concentração da produção, aliada a um intenso e profundo processo de reestruturação produtiva, com a utilização de tecnologias poupadoras de mão-de-obra, gerando mais de 11 milhões de desempregados e aprofundando as contradições sociais Nestes últimos anos intensifica-se a crise com a edição de vários pacotes econômicos e o plano real. Para a agricultura é destinado o papel de ancorar a redução das taxas de inflação Com a redução dos preços mimmos e do mercado, política de juros altos, liberalização do mercado e das importações, ineficiência da política agrícola e o aumento dos custos de produção, registra-se uma perda de renda dos agricultores da ordem de US$ 10 bilhões em apenas um ano Estima-se que a quebra da safra de 95/% provocou unia redução de 832 mil empregos no campo. Porém, esta é uma crise localizada, grandes produtores através dos lobbies da bancada ruralista, negociam votos para as reformas da constituição, obtendo uma série de negociações mais do que vantajosas com o governo federal, como por exemplo, o generoso acordo das dividas agrícolas. A agricultura familiar é a que vem sendo histoncamaite penali- 'Un dia, cuando ei hombre sea libre, Ia política será una canción

6 Quinzena N /04/97 zada. Trazendo consigo a falência financeira dos pequenos municípios, e a deterioração do comércio e das prefeituras. Além disso, a sociedade como um todo paga o preço da queda da produção de alimentos, do aumento dos preços e da dependência dos produtos importados. A politica do governo FHC aposta em mecanismos que orientados para desenvolver alguns poucos setores produtivos, acabam gerando um grande aprofundamento das desigualdades. A criação do PRONAF como primeiro programa especialmente dirigido a uma politica de desenvolvimento para a agricultura familiar é fruto de um processo de mobilização e negociação entre o governo federal, a CUT e a CONTAG, no III Grito da Terra Brasil, representando um grande avanço do ponto de vista político, pelo reconhecimento do governo da necessidade de políticas diferenciadas para a agricultura familiar. Do ponto de vista econômico ainda apresenta um grande número de entraves que em geral burocratizam os contratos, elevando o seu valor médio, limitando seriamente o acesso de um imenso número de agricultores aos recursos do crédito. Também ainda é tímido do ponto de vista do alcance dos agricultores familiares em todo Brasil, ressaltamos aqui o exemplo de São Paulo em que apenas cinco (05) municípios foram contemplados em 96, e mesmo assim, foram irrisórios os recursos que chegaram aos produtores. O Estado de São Paulo mantém o Fundo de Expansão da Agropecuária e da Pesca-FEAP, porém em 96 foram liberados recursos para agricultores familiares em Itaberá e à alguns projetos de assaitamentos num valor inferior a R$ 3 milhões, saído o restante dos recursos utilizados em projetos apresentados por Prefeituras Municipais com objetivos de garantir de garantir currais eleitorais. A luta pela Reforma Agrária volta a cena nos anos 95 e 96, motivada principalmente pelo forte aumento do desemprego, eliminação de postos de trabalho, e em função das catástrofes de Conimbiara e Eldorado do Carajás. O Brasil hoje, apesar de ser um dos paises com maior concentração de terras do mundo em que apenas l% dos proprietários tem a posse de 46% das terras dis- poníveis, não tem em sua agenda a reforma agrária como prioridade. São 35 milhões de excluídos que vivem abaixo da linha de pobreza - são dados alarmantes, em São Paulo, o Estado mais desenvolvido da Federação, são hectares de terras devolutas, destas 1.182:491, apenas no Pontal do Paranapanema. Enquanto isso, cresce a legião de desempregados num Estado em que apenas 7,15% da população reside no campo, são apenas na grande São Paulo. Combater a fome e retomar o desenvolvimento, exige outras medidas, uma séria política de refonna agrária. Nesse saitido, o Govemo Federal atua contra os interesses da maioria da população brasileira, que já se manifestou favorável á uma política de reforma agrána em diversas pesquisas de opinião. O sucateamento do INCRA, e a redução vertical de seus recursos ano à ano, é a maior demonstração desta política Não existe vontade política do governo an assaltar famílias de sem terra, em São Paulo são mais de 6 mil famílias acampadas á beira de estradas ou fazaidas, que lutam pela conquista da terra. O número de trabalhadores á busca da terra aumenta assustadoramente com o alto nível de desemprego, especialmaite nos pequenos municípios do intenor. No campo, só no setor canavieiro estima-se que mais de 300 mil trabalhadores perderam o emprego nos anos 90, neste caso, pela forte adesão de novas tecnologias nos complexos agroindustriais. Uma reforma agrána ampla e massiva articulada com políticas de fixação do trabalhador do campo no campo (infraestrutura, saúde, educação, crédito, assistência técnica, etc ), é o que garantirá a geração de emprego e renda à custo mais barato, e possibilitará a retomada do desenvolvimento baseado na agricultura familiar. Este é um setor estratégico para a recuperação do emprego, para a redistribuição da renda e para o impulsionamento de um desenvolvimento sustentável na superação da crise social e econômica do país A agricultura familiar emprega hoje no Brasil, cerca de 80% das pessoas que trabalham na área rural, representando cerca de 18% do total da população economicamente ativa. A construção deste para o campo, articulado com a reforma agrária como Trabalhadores base e forma para incluir os mais de 35 milhões de excluídos do processo produtivo, é caminho imprescindível para a construção de uma política alternativa ao neoliberalismo. A CUT e o sistema financeiro As atividades que geram empregos na indústria, no comércio e nos serviços precisam de dinheiro para operar, e esse dinheiro ou vem dos recursos prórprios dos empresários, ou eles tomam emprestado do bancos. Por isso, o funcionamento do sistema financeiro é estratégico em qualquer economia como a brasileira. No Brasil, diferente do que ocorre em países desenvolvidos, a quase totalidade dos créditos que os bancos privados concedem é de curto prazo Não se arriscam a alongar os financiamentos, a menos que sejam repasses oficiais ou de captações externa. Outra restrição é que eles são muito seletivos na concessão do crédito. Como diz o ditado "só emprestam para quem não precisa" Ainda por cima, com juros muito caros Quando por alguma razão esses bancos quebram, o socorro que o Banco Central lhes dá é feito com recursos públicos. Os casos Econômico, Nacional e agora Bamerindus absorveram quase R$ 25 bilhões, ou duas vezes e meia o valor de venda da Vale do Rio Doce Pior ainda: a PCI dos precatórios está revelando o envolvimento desses bancos nas mais escabrosas maracutaias. sempre em prejuízo do setor público e da sociedade. Sem uma ampla CPI do sistema financeiro, a sujeira permanecerá sob o tapete A principal instituição brasileira que empresta com prazos longos é o BNDES, um banco estatal Detalhe importante: a maior parte de seus recursos provem do FAT, Fundo de Amparo ao Trabalhador Sem o BNDES - isto é, sem o Estado que tanto criticam - os industriais brasileiros teriam ainda menos recursos para investir, expandir a capacidade de produção e aumentar o emprego A Caixa Econômica Federal, outro banco estatal, é de longe a principal instituição que direciona recursos para financiar imóveis para a população de baixa renda. Mesmo assim o déficit habitacional continua alto, com muitos brasileiros morando debaixo da ponte A CEF também é o único banco que "Un dia, cuando ei hombre sea libre, Ia politica será una canción"

7 Quinzena N /04/97 financia a infraestrutura e saneamento urbano, como esgotos, etc. E o dinheiro, mais uma vez, vem dos trabalhadores, pois ela usa o FGTS para muitas operações. O Banco do Brasil é o principal financiador da agricultura, no pais. Mas a orientação do governo FHC é afastálo dessa função A atual gestão que, especialmente, retirar a cobertura que ele deve dar ao pequeno produtor Isso é um absurdo, pois e esse pequeno produtor, rural ou urbano, que proporciona a mai- or parte do emprego do pais. O governo também está restringindo a ação dos bancos regionais, o BASA, do Norte, e o BNB, do Nordeste. Mais grave: tenta liquidar os bancos estaduais, como o Banespa, ao invés de reestruturá-los para financiar quem precisa de crédito para trabalhar e gerar empregos. A Confederação Nacional dos Bancários (CNB-CUT) apresentou no Congresso Nacional, através de deputados bancácános, um projeto de reforma de Trabalhadores todo o sistema financeiro, como prevê o artigo 192 da Constituição Federal. Mas os deputados do PSDB e do PFL, têm empurrado a questão com a barriga Enquanto isso as tarifas de serviços bancários continuam subindo, as taxas de juros nas alturas, o produtor permanece carente de recursos e o trabalhador, no fim da fila, com dificuldades cada vez maiores de ficar no emprego ou encontrar uma colocação decente no mercado. 1 Seminário Internacional - FlorianópolisySC 1 a 4 de Maio Encontro Latino-Americano Revistas Marxistas: Seminário Internacional 80 anos da Revolução Bolchevique e a atualidade da luta anti-capitalista A ofensiva da dominação capita lista tem contnbuido para arrefecer o ideário socialista, mas nem por isso o extinguiu Aqui e acolá se observam esforços no sentido de manter viva a chama da critica histórica as varias formas de exploração capitalista. Episódicos, frágeis, controversos, de varias maneiras, se observa esse esforço de resistência como movimento organizado, como veiculo de difusão das idéias socialistas, ou simplesmente como grupo de estudos sobre o pensamento de Vlarx A organização desse seminário se propõe a aproximar essas iniciativas, identificando suas facilidades e dificuldades Como pano de fundo, portanto, está a questão da solidariedade internacional, um conceito um tanto quanto desgastado, mas nem por isso desnecessária A Dia 1" de iiiaio/, )7 - Quinta Local Florianópolis nos dias 1 a 4 de maio de IQ97 Auditório do Centro de Filosofia e Ciências Humanas da LFSC 10:00 horas Inscrições e recepção 14:00 horas Reunião de Trabalho: "Experiências de ensino do Marxismo" Coordenador Ronaldo Rocha Participantes Atílio Boiou - Buenos Aires (Argentina) Francisco Teixeira - Fortaleza (Brasil) Paulo Sérgio Tomolo - Florianópolis (Brasil) Ivo Tonet - Maceió (Brasil) globalização, em suas diversas expressões, repõe essa questão para os trabalhadores O intemacionalismo não mudou de lado como querem que acreditemos os capitalistas. Nas deliberações finais do Encontro das Revistas Marxistas em Montevidéu, no Uruguai, durante o Seminário Internacional promovido nos dias 24 a 26 de maio de 19%, foi decidido que a próxima reunião de 1^)7 teria como sede Florianópolis. Santa Catarina. Brasil, nos dias 1 a 4 de maio de 19Q7, e nesta ocasião em que seria realizado um Seminário Internacional coincidente com a data de 1 de maio Ficou também definido que uma representação da Revista Praxis. (Belo Horizonte) da Revista Critica Marxista (Campinas) e do Núcleo de Estudos Sobre o Mundo do Tia- Programação 18:00 horas Sessão Solene de Abertura Coordenador Marco Aurélio Da Ros Representante do Movimento dos Sem-Terra João Pedro Stedile Representantes nacionais e internacionais presentes Recital "Canções Revolucionárias" com as crianças da Escola Susuki e Coral da Escola Compasso Coordenadora Silvia Da Ros Dia 2 de mai()/97 - Sexta 9:00 horas: Conferência: "80 anos da Revolução de \^\T Coordenador Clanlton Ribas Participantes: balho (TNT) se encarregariam de tomaias providências para que o encontro se realizasse Em Montevidéu, quando se realizou o II Encontro das Revistas Marxistas ficou decidido que o próximo Seminário Internacional teria como eixo temático geral "80 anos da revolução de outubro de 1917 e a luta contra a exploração capitalista". Como subtemas teríamos: * avaliação das experiências revolucionárias no século X\: * a situação dos trabalhadores no fim do século. * situação nos processos de trabalho e na organização do trabalho. * movimentos sociais, * fim da história? JacóGorender- USP/S Paulo(aconfiniiai) Jorge Miglioli - Unicamp/Campmas - Critico Marxista Idaleto Malvezzi Aued - UFSC/ Florianópolis 14:00 horas: Mesa redonda "Balanço critico das experiências no século W" Coordenador Afrànio Boppre Participantes Atilio Boron - Buenos Aires Luis Fernandes - Rio de Janeiro Geraldo Barbosa - São Paulo 14:00 horas: Espaço aberto para comunicações. Coordenação: Fernando P de Souza 'Un dia, cuando ei hombre sea libre, Ia política será una canción"

8 Quinzena N /04/97 8 Trabalhadores 19:00: Abertura de mostra fotográfica sobre "I o de maio" Filme sobre o MST-acampamento Maria Rosa. Coordenação: Bemadete Wrublevski Aued 20:30 horas: Jantar Festivo (por adesão) Dia 3 de iiiaio/97 - Sábado 9:00: Mesa redonda: "O intemacionalismo do trabalho e o I o de maio". Coordenador: Lia Carmen K.leine Debatedores: Bemadete Wrublevski Aued- Flonanópolis Fernando Ponte de Souza - Florianópolis Ronald Rocha - Belo Horizonte Pedro ivo - Belo Horizonte 14:00: Espaço aberto para comunicações Coordenação: Mana Margarida Sampaio Barbosa 19:00 horas: Sessão de Encerramento Coordenação: Adelaide Gonçalves Dia 4 de iiiaio/97 - Domingo 9:00 horas: Reunião das representações das Revistas Marxistas Tribuna Metalúrgica do ABC - 27 de março de 1997 Parece piada, mas a sentença de um juiz de Cotia, Edmundo Lellis Filho, justifica que o dedinho da mão esquerda tem pouca utilidade. Essa "pérola" do judiciário foi dada durante julgamento de um pedido de auxilio acidente feito por um trabalhador que perdeu o movimento do dedo ao romper o tendão O trabalhador acidentado, Valdir Martins Pozza, que é canhoto, queria receber mensalmente 30% do salário á época do acidente por conta da lesão Pareceres do Ministério Público consideraram o pedido procedente. Mas o juiz discorda dos especialistas Na sentença ele escreve que "não é fato comprovado que sua capacidade de trabalho foi efetivamente diminuída pelo acidente, até porque o dedo lesado, muito pouca utilidade tem para a mão e, por muitos estudiosos em antropologia física, é considerado um apêndice que tende a desaparecer com a evolução da espécie humana". Gotad'agua - 12 de marco N 0 6 Para juiz, dedinho não serve pra nada O acidente aconteceu dia 18 de fevereiro de 93 Valdir ficou quatro meses sem trabalhar, e quando voltou, estava sem poder movimentar o dedinho Em fevereiro de 96 ele foi demitido Hoje sobrevive como fiscal de ônibus Especialistas do Instituto de Biociéncias da USP e da Faculdade de Medicina de São Paulo alegam que o juiz esta totalmente enganado e que o dedinho é muito útil e não vai desaparecer Se a moda lançada pelo juiz Lclhs pegar, o Brasil será o primeiro pais no mundo onde os habitantes terão dedos sem utilidade Alias, dedos das mãos são vitimas constantes nos acidentes no trabalho Anualmente cerca de 500 mil dedos são decepados em acidentes "l Sindicalista é brutalmente assassinado por pistoleiros O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Atalaia (AL) e dirigente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura, Francisco de Souza Silva, foi assassinado com oito tiros disparados a queima roupa por pistoleiros, no dia primeiro deste mês. Os pistoleiros aproveitaram-se da ausência dos seguranças que diariamente acompanhavam Francisco Silva, que estava ameaçado de morte devido à sua atuação em defesa dos trabalhadores assalariados de Alagoas Nas últimas semanas vinha lutando para garantir o cumprimento do acordo coletivo dos cortadores de cana do seus estado. Ele foi emboscado a caminho de casa, depois de ter deixado o pai no hospital Estava acompanhado de três mulheres e uma adolescente de 1 ó anos. esta atingida no olho por uma bala E mais um crime bárbaro, que se soma a nuiitos outros praticados contra sindicalistas e lideranças rurais E de responsabilidade do governo apurar e punir assassinos e mandantes Não pode ficar impune, como tem acontecido com vanos outros, a exemplo dos sem-terra de Eldorado dos Carajás, no Pará. e de Commbiara. em Rondônia Na última sexta (7) a Central Única dos Trabalhadores fez protesto na Assembléia Legislativa de Alagoas exigindo a apuração do crime e prisão dos responsáveis "1 'Un dia, cuando ei hombre sea libre, Ia política será una canción"

9 Quinzena N /04/97 mmmm 9 Saúde Energia - Março/97 - N Que modernismo? A VENDA NO CPV Uma vergonha! O Brasil ocupa o décimo lugar no ranking mundial de acidentes de trabalho da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Em 1995, foram mil ocorrências, com um saldo de mortos. O número de vítimas fatais cresceu 23,7% em relação ao ano anterior Calcula-se, ainda, que o número de acidentes deva ser o dobro do registrado nas estatísticas oficiais Os números são espantosos! A industria brasileira registrou um acidente de trabalho para cada cinco empregados em Nos últimos 25 anos, foram 28,7 milhões de acidentes com um saldo de 1Ü4,2 mil mortos. Os setores que registraram maior quantidade de mortes por acidente de trabalho foram a indústria de transformação (21,86%), transportes, armazenagem e comunicação (16,56%), comércio, reparação de veículos automotores (14,85%) e, em quarto lugar a construção (12,9%). País Ranking mundial de acidentes no trabalho lndice(*) 1 Indonésia 0,677 2 o Turquia 0,453 3 o Afnca do Sul 0,400 4 o Burundi 0,301 5 o Coréia do Sul 0,290 6 o Guatemala 0, Ziinbábue 0,238 8 o Costa Rica 0,220 9 o índia 0, Brasil 0,200 (*) Número de acidentes dividido pelo número de trabalhadores na indústria UfA Uí Energia - Março/97 - N Afinal, como se manifesta a LER? As Lesões por Esforços Repetitivos (LER) estão aparecendo cada vez (e com índices maiores) nas estatísticas de doenças ocupacionais Os digitadores e caixas executivos bancários são os profissionais mais atingidos pelo problema. Os primeiros sintomas de uma LER normalmente estão associados a uma sensação de peso e desconforto no membro afetado A dor pode até ser comum durante a jornada de trabalho, não chegando a interferir na produtividade. No estágio inicial, a lesão não manifesta ainda sinais clínicos Num segundo momento, a dor se toma mais intensa e persiste durante todo o período de trabalho, afetando diretamente o rendimento do funcionário. A dor pode vir acompanhada por sensações de formigamento e calor O terceiro estágio da lesão é caracterizado por uma dor mais forte, com uma irradiação mais definida. Aqui, o repouso nem sempre é suficiente para elimi- nar a dor. Esta fase é marcada pela perda de força muscular e queda sensível da produtividade Em alguns casos, a pessoa pode ficar incapacitada de executar as suas funções. O estágio mais avançado a LER leva à invalidez. Em alguns países europeus, a legislação em vigor é muito rigorosa, exigindo dos fabricantes de computador mudanças no desenho de seus produtos A Suécia, por exemplo, adotou uma severa legislação para controlara emissão de radiação pelos monitores Em razão dessa legislação, a IBM, por exemplo, executou mudanças em seus computadores em todo o mundo. Ruídos emitidos pelo teclado, calor emitido pelo computador e tamanho de caracteres, são outros que vêm sendo objetos de legislação. (Revista Proteção, jaiieiro-97). Conheça no próximo número de Energia algumas dicas práticas como forma de prevenção ao problema. "1 DOSSIÊ -SAOPAULO-SP-1996 PRODUÇÃO: CPV PREÇO: R$ 45,00 LIVRO À VENDA NO CPV PREÇO: "Un dia, cuando ei hombre sea libre, Ia política será una canción"

10 Quinzena N /04/97 10 Terra Boletim da CPT - Com issão Pastoral da Terra - Janeiro/Fevereiro/97 - N" 139 Experiências inovadoras (ou... uma luz no fim do túnel?) Rítdá Ricci SocióloiuK professor da l'l 'C/M(l Consultor da CITno frojelo "Experiências Inovadoras" Este artigo está reproduzindo as experiências inovadoras levantadas pela pesquisa realizada pelos agentes da CPT, sem relatá-las. Nos próximos números do Pastoral da Terra, todas as pesquisas serão apresentadas. A segunda metade dos anos 80 e o inicio dos anos 90, foram anos de chumbo para as organizações populares em toda a America Latina O processo de internacionalização econômica e a disseminação da cartilha neoliberal impactaram duramente os assalariados e as populações de baixa renda, principalmente em função da redução de recursos para as áreas sociais nos orçamentos federais - no caso brasileiro, por exemplo, os gastos com a saúde cresceram 0,7%, e com a administração 16,2%, nos últimos dois anos -, e o aumento do desemprego. O desemprego desestruturou a organização sindical, reduziu as lutas de massas dos assalariados e colocou um contingente enorme na marginalidade social e econômica. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) estima que temos hoje, no mundo, mais de 1 bilhão de pessoas desempregadas ou subempregadas, o que dá 30% da população economicamente ativa da terra Por esses motivos, as organizações populares não conseguiram, neste curto periodo de tempo, dar respostas concretas as mudanças em curso. Muitos resistiram, mas não conseguiram criar alternaájbsaochoí/ue liberal Em parte porque tudo corria rapidamente, em âmbito internacional, desmotivando e desarticulando organizações tradicionais, criando situações extremamente novas. Em parte, contudo, porque aprendemos a olhara realidade pela metade. Desaprendemos a olhar o que acontecia de novo no meio rural. A CNBB, através da Semana Social Brasileira, tentou organizar um olhar novo, quando propôs como tema de discussão os sujeitos emergentes A segunda Semana Social Brasileira apontou alguns valores comuns de lutas sociais inovadores: trabalho com sistemas de ajuda mútua, troca de experiências e conhecimentos,, abertura para novas eperiências, aprendizagem comum, visão de conjunto, enfrentamento do poder local e central, mobilização da opinião pública, escola ri zação, despnvatização do poder público, fortalecimento da dignidade. A partir desta tentativa de olhar o novo, a CPT Nacional promoveu uma pesquisa em todo o pais, envolvendo agentes pastorais para identificar as experiências inovadoras rurais que pipocavam pelo Brasil Experiências que criavam novos mecanismos de produção, de comercialização, ou que criavam modelos de gestão pública que produziam politicas regionais, integravam várias categorias profissionais (do campo e da cidade), fiscalizavam e em alguns casos, executavam, em parceria, politicas governamentais. Muitos sentiam que havia uma novidade no meio rural que superava o cooperativismo e a mera negação do Estado como elaborador de políticas. Alguns movimentos, mesmo sem articulação entre si, pareciam tentar ocupar o espaço que o Estado recusava-se a ocupar, e a partir de fóruns e articulações amplas, redefiniam projetos de desenvolvimento regional e obrigavam os governos a intervir Após um longo processo de levantamento de experiências, levantamentos de dados e início da redação destas novas experiências, entre 16 e 18 de novembro do ano passado, vários agentes pastorais se reuniram em Goiânia, num Seminário de Experiências Inovadoras. O levantamento foi muito rico e dele foram tiradas várias conclusões, que resumiremos a seguir: 1 - a pesquisa possibilitou que os agentes buscassem entender os significados das experiências por elas mesmas, criando um modo cepetista de olhar o que acontece no meio rural Como foram os próprios agentes que levantaram os dados, realizaram as entrevistas, analisaram e redigiram os documentos sistematizando as experiências inovadoras, criou-se um espaço para o agente olhar criticamente as experiências, vendo-se nelas também criticamente; 2 - em todas as experiências, a participação das mulheres parece fundamental. Com o aumento do êxodo rural, que atinge em primeiro lugar os homens, as mulheres parecem estar assumindo as tarefas organizativas e produtivas com grande desenvoltura Foi levantado no semináno, se não estaria surgindo uma forma feminina de administrar e organizar: 3 - todas as experiências inovadoras adotam um modelo agroecológico do trato com aterra Este ê o caso da RECA. no Acre, onde a adoção deste modelo aumentou a renda das famílias de US$ 500 para US$ anuais As experiências ao redor deste tema são múltiplas: adequação das formas de exploração ás condições ambientais (floresta, semi-árido, cruzamento de sementes crioulas, polícultura, consórcios) Percebeu-se. entretanto, que essas novas experiências, em alguns casos, diminuem a participação política, pois valorizam muito a participação econômica e o preparo técnico dos trabalhadores Os agentes perguntam-se se não estaria havendo uma dificuldade em pensar uma nova pratica política a partir desta novidade na forma de produzir: 4 - todas as experiências estabelecem uma nova relação com o Estado Não se nega a participação em fóruns de negociação e elaboração convocados pelo Estado, como ocorria nos anos 70 e 80 O caso de Salto Caxias, no Paraná, ou a criação de cistenas familiares no semiárido nordestino, apontam uma intenção e uma capacidade dos próprios trabalhadores elaborarem políticas que solucionem seus problemas locais São novas formas de organização popular, formuladoras. que articulam o técnico com o político, negociando e apontando para a necessidade de uma reforma democrática do Estado, mais permeáveis aos modelos colegiados de governo: 5 - outra inovação e a valorização de aspectos culturais ou da tradição das populações envolvidas, de valorização dos "Un dia, cuando ei hombre sea libre, Ia política será una canción"

11 Quinzena N /04/97 11 Terra laços comunitários A economia, neste caso, estana subordinada aos aspectos culturais e de relação social entre as pessoas. A experiência da Comunidade Cafuza, em Santa Catarina, é um exemplo desta novidade, onde se privilegia a preservação da cultura da comunidade; 6 - estas experiências ocorrem em regiões e categorias de fronteira, ou seja, ocorrem onde o movimento sindical é fraco, onde não há experiência organizativa acumulada, onde não há uma organização política estruturada Ocorrem onde as populações sentem-se abandonadas a própria sorte, enfrentando situações inusitadas, que as pressionam para a ação Dificilmente, contam com uma entidade de apoio externa, como ocorria nos anos 70 Esta e a experiência, por exemplo, da ocupação de terras no sertão nordestino; 7 - outro ponto em comum é a valorização do modo de ser da agricultura familiar Os relatos revelaram que a agncultura familiar possui um modo especifico de divisão do trabalho, de ser solidária A experiência de Paus Brancos, na Paraíba, revelou aos agaites pastorais que aquilo que parecia um ataque das famílias a coletivização era, na verdade, uma nova forma comunitária de trabalhai" a lógica das famílias. Embora valorizem a posse familiar da terra, toda sua organização e prática são comunítánas; 8 - todas as expenâicías articulamse a partir da mística, da prática e dos valores religiosos. Esta questão não foi tão aprofundada no seminário. No final, perguntávamos se esta religiosidade não estaria revelando uma nova prática política, uma nova forma organizativa. Não são práticas religiosas formais, dogmáticas, institucionalizadas. Pelo contrário, sem a presença formal das igrejas, brota um sentimento mistico, de respeito á terra e de confraternização religiosa ecumênica - envolvendo práticas afro-brasileiras, católicas e protestantes Alguns relatos revelaram que as populações envolvidas não freqüentavam as missas, mas eram fervorosas freqüentadoras de novenas e festas religiosas. Estas conclusões apontaram um primeiro balanço destas experiências. Muitos problemas foram destacados: dificuldade dos agricultores na administração dos recursos, continuidade do entrave na comercialização dos produtos, aumentaram as dificuldades para auto-sustenta ção financeira das experiências Entretanto, fica a impressão que aitramos num novo ciclo de práticas populares que buscam afirmar valores e a própria identidade dos grupos. Se de um lado parecem surgir da reconstrução daqueles mesmos ideais que fundaram tanto movimentos sociais nos anos 70 e 80 - autonomia, democracia direta, religiosidade, valorização das comunidades -, por outro lado, tentam superar entraves antigos. Buscam superar o isolamento, o corporativismo, a negação do Estado Vão mais além, chamam para si a responsabilidade de formular políticas públicas, de convocar o Estado, de executar políticas em parcenas, de fiscalizá-las, de definir onde os recursos públicos devem ser aplicados e de que forma. As lideranças que surgem dai, são de tipo novo, mais técnicas, preocupam-se com a informação e a preparação. Procuram ocupar um espaço que o projeto neoliberal esforça-se para destruir; o espaço público Dai pode nascer uma nova concepção de gestão pública, forçando, de fora para dentro, uma reforma do Estado Porém, como toda possibilidade, só a prática social negará ou confirmará o possível Neste momento, vale aprendermos uma lição que o seminário deixou: há uma novidade no meio rural brasileiro e precisamos reaprender a olhar para avistar o novo. "1 Folha de São Paulo - 12/03/1997 O crescimento do "movimento dos semterra" (MST) é preocupante. Não apenas porque ele vai a pouco e pouco transformando-se num fato político que não pode ser ignorado como pela circunstância de que em si mesmo ele representa uma contestação evidente à base sobre a qual se assenta nossa sociedade, que é a propriedade privada. A "marcha sobre Brasília" vai mostrando a quem quer ver que por onde ela passa despeita as consciências para uma clara injustiça social Cria-se um vinculo de simpatia e solidariedade ao movimento, que parece defender um "direito" Os propnetanos mrais, por seu lado, oigaiiizam-se para defender também, o seu "direito", protegido pela Constituição Estabelece-se, assim, uni fosso profundo entre o que se começa a considerar uma "injustiça social" e o "direito" assegurado pela Carta Magna, o que produz toda sorte de violência e pode levar ã irracionalidade O que tem sido ignorado nessa exacerbação do movimento dos sem-terra ê a sua razão de ser A situação do empregado na agricultura piorou de maneira dramática, como conseqüência da valorização do câmbio, da re- O MST e a produção Anlimio Delfim \ello dução do crédito agrícola, das altas taxas de Juros, das baixas einocíonais de tarifa, das impor tações financiadas etc Sem esse suporte objetivo, dificilmente as lideranças que dão o tom político-ideológíco ao movimento teriam o sucesso que têm. A recente estimativa da produção agrícola no Centro-Sul divulgada pela Conab, do Ministério da Agricultura, para a safra 1006/ 07, mostra que, no que se refere às cinco principais culturas, a área plantada não conseguiu recuperar-se da queda sofrida na safra 1005/06. quando o setor agrícola pagou um elevado preço pela estabilização da moeda A tabela ao lado registra as variações da área plantada em 1004/05 com a estimativa para 1006/07: A área plantada com essas cinco culturas atingiu na safra 1004/05 a 24,6 milhões de hectares e a área estimada para a safra 1006/07 ê da ordem de 22,5 milliões ( a mesma de 1005/06 ) Isso significa que no Centro-Sul 2,1 milhões de hectares deixaram de ser cultivados Se iitilizarnios o coeficiente técnico comum de que para cultivar cinco hectares se Centro-Sul: área e prod ição em % Produto Área Produção Algodão Arroz Feíjão(+) lviilho(+) -Q -8 Soja -4-1 (+) - Primeira safra. Fonte: Conab exige o trabalho de um homem/ano, chegamos à conclusão de que ficaram sem trabalho cerca de 400 mil trabalhadores rurais. A dramática redução da cultura de algodão que está se transferindo para o Centro- Oeste com uma nova tecnologia poupadora de mão-de-obra é paradigmática: a valorização do câmbio, a redução das tarifas e a importação financiada a juros internacionais devastaram a lavoura nacional, mas estimularam fortemente a produção argentina Sem retirar a base objetiva do movimento, dificilmente o MST será conduzido a uma ação mais civilizada, exatamente porque o tratamento dado ao setor agrícola não foi civilizado. "1 "Un dia, cuando ei hombre sea libre, Ia política será una canción"

12 Quinzena N /04/97 12 Mulher Revista Interação - N" 21 Informação - Influência - Organização Trabalhadoras começam a utilizar códigos de conduta como estratégia O seminário Internacional "Forta lecer a luta dos trabalhadores", realizado entre 3 e 6 de fevereiro em Bad Boll, Alemanha, reuniu 40 mulheres de 17 paises - da Albânia à Alemanha, dsa Coréia à Holanda -, para discutir as possibilidades e capacidades de organização das trabalhadoras. Foi organizado pela IRENE (Rede Internacional de Reestruturação da E ducação Europa), Organização Não Govemamaital criada em 1981 com o objetivo de promover a solidariedade internacional entre trabalhadores. Entre os diferentes tipos de situações e estratégias discutidas, destacamos alguns relativos aos códigos de conduta. Como o relato de Vivien Liu, do Asian Monitor Resource Center, em Hong Kong. Ela mostrou um vídeo, realizado com câmera secreta, sobre a situação dos trabalhadores migrantes nas fábricas de brinquedos situadas nas zonas de processamento de exportações (ZPEs) chinesa. Os trabalhadores, a maiona mulheres, enfraitam condições desumanas: trabalham dez horas por dia, fazem horasextras obrigatórias quase diariamente, não têm medidas para proteger saúde ou segurança. Há houve incêndios em duas fábricas, nos quais muitos trabalhadores morreram ou ficaram gravemente fendos, sem qualquer indenização. Vivien contou que foi lançada uma campanha para denunciar as condições de trabalho e informar os consumidores para que boicotem as marcas produzidas nessas fábricas. Ineke Zeldenrust, da Campanha das Roupas Limpas, na Holanda, explicou que o objetivo do movimento é melhorar as condições de trabalho na indústria mundial de vestuário, recorrendo-se a vários métodos: pressão sobre varejistas e fabricantes, mobilização e educação dos consumidores e solidariedade internacio- I.ineke Slohle * nal. Em todo o mundo há 150 ONGs, sindicatos e outras organizações envolvidos nesse tipo de campanha junto a consumidores para melhorar as condições de trabalho e salário em indústrias como a de "A libertação da mulher é condição fundamental para a libertação de toda a humanidade ". Karl Marx vestuário, brinquedos, tapetes e produtos alimenticios. Juntamente com outras entidades holandesas, a Campanha redigiu a Carta do Comércio Justo Trata-se de, um código de conduta, um sistema de fiscalização independente e uma marca registrada. Toda empresa e loja que assina a Carta pode usar a marca registrada "Fair Trade" (Comércio Justo), e o consumidor saberá que o produto em questão foi fabricado em condições justas A fundação FTC (Fair Trade Charter), que representa todas as partes, é responsável pela fiscalização e assina os contratos com as campanhias. Além disso, a Campanha está montando um banco de dados na Internet, com informações sobre etiquetas: onde as roupas são fabricadas e quem as vende As prinapais conclusões do seminário podem ser resumidas em três palavras: informação, influência e organização A informação é crucial, portanto é preciso que as organizações de mulheres apraidam a usar a Internet, coletar mais dados sobre suas condições de trabalho, fazer mais campanhas para informar o público A influência necessária para mudar a situação das trabalhadoras será obtida constaiindo-se redes e coalizões, fazendo campanhas e aumentando a representação das mulheres na sociedade E a auto-organização das mulheres em todos os setores. Os sindicatos devem enfatizar novas estratégias de negociações e novas questões, por exemplo fatores de risco pra a saúde, assédio sexual e renda segura. As ONGs, devem montar redes para interligar as organizações de mulheres. Juntos, ONGs e sindicatos podem fortalecer a luta das trabalhadoras "1 *Lineke Stobbe, da Universidade Católica de Nijmegen, Holanda Tradução Clara Aliam "Un dia, cuando ei hombre sea libre, Ia política será una canción"

13 Quinzena N /04/97 13 Movimento Popular Jornal da CMP-Central de Movimentos Populares - Abril/97 - N" 4 Mobilização popular é o caminho FHC tem colocado em ação o seu real plano de governo. Sua meta é consolidar no país modelo neoliberal, através de uma política em total consonância com o receituário do FMI - Fundo Monetário Internacional, também aplicado em outros países da América Latina. O projeto caminha a passos largos e soma mais uma vitória com a aprovação do golpe da reeleição, o que sinaliza a força de FHC e seus aliados. As reformas que retiraram os direitos que os trabalhadores conquistaram em mais de 50 anos de luta e a entrega de setores estratégicos para o país ao capital privado como por exemplo o das Telecomunicações, Petrobrás, Vale do Rio Doce e etc Além do sucateamento das políticas públicas sociais (saúde, educação), a falta de investimentos em habitação e saneamento básico, a não realização da reforma agrária e o desemprego em massa, nos prova que para este tipo de projeto não há lugar para 80% da população brasileira Portanto, a conjuntura que atravessamos é muito preocupante, na medida em que os problemas sociais se agravam A cada dia aumenta o numero de excluídos. O projeto neoliberal que está em curso, não apresenta e não apresentará perspectiva nem soluções consistentes Até porque pela sua própria natureza é um projeto que elimina a "massa sobrante" do processo de globalização, onde uma grande parte das pessoas se tomam pe- A exemplo as ocupações realizadas pelo MST. os movimentos de moradia urbanos estão intensificando as ocupações nas cidades, como forma de pressionar os governos a desenvolverem programas habitacionais No dia 20 de novembro, os sem-teto de Aracaju-SE ocuparam uma área de propriedade particular e passaram a reivindicar da prefeitura, a construção de moradias No município de São Paulo, recentemente, aconteceram 3 ocupações Cinco mil famílias da zona Leste, da capital, ocuparam um terreno do IPESP - Justi- ças descartáveis, não servindo mais ao capitalismo, nem mesmo como mão-deobra barata. Na verdade, o futuro como também o presente, não vislumbra nenhum tipo de melhoria para esses milhões de brasileiros que vegetam em função de esmolas e migalhas Nosso país detém a mais alta taxa de concentração de renda no mundo, ou seja, a riqueza de poucos convive com a pobreza de muitos. A fome de milhões de pessoas, os meninos e meninas de rua que proliferam por todos os cantos do pais, a prostituição infantil, o aumaito das favelas, dos cortiços dos moradores de ma e do número de desempregados têm gerado um clima de insegurança na população Os aliados desse projeto, que podemos chamar de projeto da morte, são os mesmos de sempre, os empresários, banqueiros, latifundiános e principalmaite os meios de comunicação de massa que trabalham incansável maite na constaição do grande "consenso" em tomo de FHC e dos projetos de seu bloco de sustentação. No aitanto, tudo isso pode ser revertido com a nossa capacidade de organização e mobilização Até o momaito, não conseguimos puxar lutas unificadas Além disso, a esquerda de um modo geral, está apática, e não consegue polarizar, ou seja, fazer a disputa de alternativas de projeto. Em meio a esta crise, setores formadores de opinião pública que em outros tempos estavam do nosso lado, deixaram- Ocupações urbanas tuto de Previdàicia do Estado de São Paulo O Estado entrou na justiça solicitando a reintegração de posse Mas as famílias estão mobi 1 i zando e há p ressoes pa ra reverter o despejo. Cansados de esperar que o govemador Mário Covas implemente um programa de construção de casas para os moradores de cortiços, o Fórum de Cortiços de São Paulo, organizou, no dia 9 de março, a ocupação de um casarão no caitro de São Paulo, com 400 famílias. Moradores da Favela Heliópolis, principalmente aqueles que moram a beira do Córrego Sacomã (que há mais de 14 me- se seduzir pelo projeto neoliberal. Mas apesar de tudo, a mais forte resistência, a esse projeto, vem do campo, do MST, com muito sangue, é verdade Mas, o movimento tem conseguido resistir bravamente, mantendo acesa a chama da reforma agráriano país do real. Também pequenas mobilizações embora de forma isolada, nos dão conta de que alguma indignação ainda existe São provas de que podemos quebrar o "consenso" construído pela mídia. Nós da esquerda, precisamos urgentemente unificar nossas bandeiras de lutas prioritárias, para que possamos resgatar na militância a capacidade de indignação e o encorajamento para as lutas, convencendo-a de que é possível virar este jogo Alimentando a esperança, a utopia e o sonho de construirmos uma sociedade socialista Cumprindo o seu papel, ou seja, o de articular as lutas gerais dos movimentos populares, a CMP esta procurando interferir nesta conjuntura desfavorável. Temos nos somado aos movimentos contra o golpe da reeleição, contra a privatização da Vale do Rio Doce e no apoio a luta pela reforma agrária Entretanto, precisamos dar uma contribuição mais ousada nesta conjuntura. E com este objetivo que a nossa principal atividade será a mobilização em tomo da caravana "Resistência ao projeto neoliberal" que será realizada nos dias 0Q e 10 de junho, em Brasília. ses têm um laudo técnico da Prefeitura apontando a área como nsco de emeigàicia e que até o momento não tomou naihuma providência), resolveram ocupar um terraio próximo a área para pressionar a Prefatura a constmir casas para as famílias Ocupar, resistir e construir Com o objetivo de denunciar a falta de habitação no país, o MNLM-Mov. Nac. de Luta pela Moradia com o apoio de várias entidades, dentre elas a CMP, estará promovendo, no dia 3 de junho, ocupações urbanas em todo o país Este dia está sendo chamado de Dia Nacional de Ocupação. "1 'Un c//a, cuando ei hombre sea libre, Ia política será una canción"

14 Quinzena N /04/97 14 Movimento Popular Em tempo - N março/97 O ano de 19Q7 se insinua como movimentado e promissor para o movimento negro brasileiro. O esgotamento do periodo de mera resistência através da denúncia e do protesto traz novos problemas e exigência para a luta anti-racista Impõe reorientar o esforço de intervenção para resgatar o papel histórico da insurgência negra como a mais autêntica e profunda manifestação popular de questionamento das estruturas de poder em nossa sociedade. Introduz - na construção de uma alternativa à barbárie neoliberal -, a afirmação da luta anti-racista como principal móvel civilizatório e democratizante das relações sociais, econômicas e políticas no Brasil. Exige a consolidação de alianças com movimentos de massa e forças politicas comprometidos com a transformação social Para os militantes petistas coloca-se um duplo desafio: reforçar a organização autônoma do movimento negro, buscando sua unificação política; e lutar na esquerda contra as resistências dos companheiros que, independentemente de coloração ideológica ou matiz revolucionário, se revelam monocromáticos e inflexíveis na reprodução de um olhar branco sobre o país, reduzindo a luta anti-racista a uma dimensão secundária da luta política e social Terra, trabalho e educação As resoluções do Seminário Nacional de Planejamento da CONEN, realizado em junho de 1096, estabelecem as prioridades que devemos viabilizar A participação de representação de 20 estados, a presença da coordenação nacional do MNU como observadora e a qualidade das resoluções aprovadas mostram a melhoria substancial da capacidade de articular intervenções unitárias, sem prejuízo das diferenças e especificidades O seminário indicio o eixo terra, trabalho e educação como o núcleo de uma política de mobilização do movimento negro na conjuntura e na busca de parcerias e alianças com outros setores e movimentos sociais Estabeleceu a necessidade do enfrentamento contra o governo neoliberal de FHC, rechaçando sua ten- O povo negro quer poder Samuel I 'ida * tativa de cooptação representada pelo grupo de trabalho interministerial. E recomendou um aprofundamento das discussões sobre o povo negro e a disputa pelo poder, a institucionalidade e o voto étnico-racial, a constaição de instrumentos de comunicação, as políticas públicas de combate ao racismo, a organização de uma agenda popular para os 500 anos de descobrimento do Brasil No terreno organízativo, foram aprovadas iniciativas importantes Neste ano deverão ser retomados os encontros regionais do Norte/Nordeste, Centro-Oeste. Sudeste e Sul para estimular a ação local e aprofundar as discussões. Em 1998, deverá se realizar o II Encontro Nacional de Entidades Negras, com o reconhecimento generalizado da necessidade de qualificação dos critérios de participação, das discussões e das resoluções políticas e da estrutura operativa da coordenação nacional Em 2000, o 1 Congresso Nacional do Movimento Negro - Século XXI. Nas relações internacionais destacamse o esforço de viabilizar a realização do congresso anual da Associação de Advogados Negro Norte Americanos no Brasil, com o intercâmbio no terreno do direito e das políticas públicas; e a continuidade da articulação continental iniciada no I Congresso dos Povos Negros das Américas Caráter estratégicos da luta anti-racista Deveremos aprofundar, no PT, o processo organízativo e político da Secretaria Nacional de Combate ao Racismo - SNCR, a partir das resoluções do IV Encontro Nacional de Negras e Negros, do cronograma de atividades para 1997 e do momento mobilizador das renovações de direções, que propicia o debate político. Neste caso, o principal desafio para os negros petistas é o rompimento da resistência dos companheiros brancos em reconhecer o caráter estratégico da luta anti-racista na disputa por uma sociedade socialista e seu papel na definição do sujeito revolucionário no Brasil. Uma característica do refinado apartheid racial brasileiro foi a transferência pelas elites brancas e seu Estado de parte da responsabilidade pela opressão racial para todos os estratos brancos da sociedade Através de uma espécie de terceirização da implementação da exclusão racista, desenvolveram-se políticas formais e informais de privilégios para os brancos, independentemente de origem, situação sócio-econômica, crença religiosa, sexo ou preferência politicoideológica Ela consolida uma forte aliança, compartilhada tacitamentepela esquerda branca, que isola, subestima e busca manter na subaltemidade o povo negro. Este é o principal no a ser desatado no PT, pois significa redefinir a autoreferência eurocêntnca. quebrar a ortodoxia de uma tradição teórica economicista e pseudo-universalista que só leva em consta as diferenças de classes, rompei" com a apropriação privilegiada de espaços dirigentes e de representação pelos brancos, etc Para tanto, mais do que aprovar resoluções que não sairão do papel, ou realizar encontros apenas de negros, se coloca a necessidades de comprometer o coletivo partidário com a discussão das relações raciais no Brasil e. neste sentido, deveremos iniciar incorporando este tema na pauta do encontro nacional Cabe, também, reforçar a organização da Secretaria de Combate ao Racismo como parte da estrutura permanente do PT em todos os níveis Quanto ao cronograma da CNCR para 1997 duas iniciativas merecem destaque: a realização, em maio, do Seminário Nacional Relações Raciais e Políticas Publicas, destinado principalmente, às direções partidárias, parlamentares e integrantes de administrações, e a realização, em Julho, de Seminário Nacional da Juventude Neara Petista "1 *Saimiel Vida, é advogado e membro do Coletivo da Secretaria Nacional de Combate ao Racismo do PT e da entidade Niger Okan. "Un dia, cuando ei hombre sea libre, Ia política será una canción"

15 Quinzena N /04/97 15 Economia Curtas LJ UÜJLí E ÚJ ÍPúJLEÇ Eo governo quer porque quer entregar a Vale do Rio Doce. Sem medir consequáicias, FHC se prepara para concretizar o maior equivoco da história recente do pais. A Vale tem um patrimônio liquido de R$ 10,52 bilhões e detém o controle de 40 empresas, inclusive no exterior. Vamos ver o que FHC entregará de mão beijada aos tubarões de plantão: A Vale tem um faturamento de mais de US$ 2 bilhões por ano; Produz 14 toneladas de ouro por ano; E a maior produtora de ouro da América Latina; E a maior produtora e exportadora de minério de ferro do mundo; Suas reservas têm uma duração estimada de 540 anos; E dona da Estrada de Ferro Vitória-Minas, com 918 Km de extensão e da Estrada de Ferro Carajás, com 890 Km de extensão; E dona do Porto de Ponta da Madeira, em São Luiz (MA); Tem uma frota de 21 navios de grande porte; Detém participação acionária na Usiminas, Companhia Siderúrgica de Tubarão e na Companhia Siderúrgica de Volta Redonda. Ainda tem muitas outras participações Isto, sem contar a sua importante função social. A Vale é uni patríinônio nacional!!! tím LJ^U^VLJLJ Cerca de 12% da população economicamente ativa na Grande São Paulo não tem carteira assinada. São pessoas. Em 12 anos, o número de trabalhadores sem registro cresceu 89,5%, enquanto a quantidade de pessoas contratadas com registro só aumentou 5%. Isso revela a precariedade das relações no trabalho no Pais. Documento - Gurupi, 01/04/97 A CPI dos precatórios: Não basta punir os corruptos Paulo Henrique Cosia Mattos * ACPI dos precatórios ou dos ti tulos públicos para ser mais exato, dia a dia chega próximo de um dos maiores esquemas de fraude e corrupção depois da era Collor. Esta CPI está trabalhando em duas grandes vertentes de fraudes, uma mais especifica, com operações casadas de títulos públicos vinculados a precatónos, e outra, mais ampla, com operações de "esquaitar ou esfnar" dinheiro. Esta segunda vertente talvez setransfonne em outra CPI dado o grau de evidências de que o financiamento detitulos públicos há muito encobre operações de sonegação fiscal, desvio de recursos, corrupções e todo tipo de golpes contra o Tesouro Público. A CPI do PC cassou o mandato do Presidentee sua quadrilha e a CPI do Orçamento cassou o mandato de diversos parlamentares, mas nenhuma outra Comissão Parlamentar de Inquérito penetrou tão fundo nas negociatas do Sistema Financeiro como a CPI dos Precatórios. Nenhuma outra chegou tão perto do centro nervosos do esquema de remessa ilegal de dólares para o exterior. As cormpções que a CPI do Orçamento, investigando a maneira como o Estado gastava os recursos, parecem "café-pequeno" diante das coirupções descobertas pela CPI dos Precatórios, que investiga uma das formas de captação dos recursos públicos. Pela pnmeira vez é exposto a toda a sociedade um dos reais motivos do crescimento endividamento de estados e municípios que é a emissão dos títulos públicos. Só o fato de estados e municípios terem facilidade para emitirem estes títulos e contraírem uma dívida de longo prago fazendo crescer a divida pública, já é extremamente grave, mas o pior é que foi montado um esquemãopara colocar estes títulos no mercado gerando lucros para aqueles que conseguissem repassá-los a preços maiores A análise dos "tomadores finais" dos títulos aponta que os bancos Bradesco e Banestado (Banco do Estado do Paraná) compraram quantidades desproporcio- nais detitulos, a preços próximos ao valor de face dos mesmos, deixando o prejuízo para os quotistas de seus fundos de renda fixa. Segundo algumas informações obtidas pela própria CPI, Fausto Solano dono da corretora Boasafra e ex-genro de Lázaro Brandão - presidente do Conselho de Administração do Bradesco, recebeu um cheque de R$ 9,8 milhões da 1BF, uma das principais empresas "laranjas" montadas para viabilizar o esquema. Sempre soube-se no Brasil que o "mundo das finanças" é um pântano e que o aidividamento público seguindo as "regras do mercado" era uma forma de enriquecer políticos inescrupulosos. Mas nunca uma CPI tinha chegado tão próximo de desbaratar um esquema tão inescrupuloso de rapinagem e enriquecimento rápido por intermédio de espertezas financeiras. O dinheiro das falcataias obtidos com extorcivas taxas de sucesso pagas pelos governos de Alagoas, Pernambuco e Santa Catarina e os lucros gerados pelas negociações dos títulos no mercado secundário, escoava por diversas empresas "laranjas" montadas pelas corretoras Split e Negociai, responsáveis pela remessa do dinheiro ao exterior, até desembocarem em contas d doleiros que atuam na região de Foz do Iguaçu, Campo Grande e Ponta Porã, a conhecida fronteira do contrabando e rota de narcotraficantes. O pior disso tudo é que novamente o Banco Central demonstrou sua incompetência aprovando a emissão dos títulos com a complacência e omissão do Departamento da Dívida Pública, que permitiu que as "negociações no mercado" ocorressem sem fiscalização ou a percepção que estava ocorrendo desvios. Um exemplo gritante disto foi a própria intervenção do Banco Central no Beron (Banco do Estado de Rondônia) que não impediu que a agência de São Paulo funcionasse como principal repassadora de recursos entre os "laranjas", antes que checassem aos doleiros. "Un dia, cuando ei hombre sea libre, Ia política será una canción"

16 Quinzena N /04/97 16 Economia Não é a primeira vez que constata-se a inoperância da fiscalização do Banco Central. Na recente operação de venda do Bamerindus, agora chamado de HSBC Bamenndus, novamente foi feito um "negócio" nos moldes do que aconteceu nas operações de compra do Banco Econômico e do Nacional. Para viabilizar este "negócio" o governo lançará mão de uma "pequena ajuda de R$ 5,7 bilhões em recursos públicos vindos do PROER, programa criado em 95 para salvar bancos em dificuldades. A parte boa do banco ficou com o novo controlador, o Hong Kong and Shangai Bank, segundo maior banco em ativos do mundo, e a parte podre sobrou para o contribuinte. Mais uma vez fica patente que o Banco Central falhou no seu "monitoramento" ao Bamerindus epermitiu as irregularidades praticadas durante anos por esse banco. A CPI já produziu seu primeiro resultado político que foi detonar de vez a candidatura de Paulo Maluf á Presidência, pois não há mais como esconder que este, junto com Celso Pitta, seu afilhado político, montaram uma usina de fabncação de precatórios judiciais inexistentes. Mas é preciso urgente que a sociedade compreenda que somente uma reforma fiscal séria e ampla pode adequar melhor a distribuição de recursos entre as esferas de Poder. Somente uma outra política econômica pode coibir a "proteção" que nossas "autoridades monetárias" dão as instituições de maior poder de fogo no sistema financeiro. Se isto não for feito nada adiantará punir algumas empresas "laranjas" e talvez algum governante Isso é muito pouco diante do tamanho das falcatruas e não resolve o problema, que poderá cedo ou tarde se repetir Punir os corruptos é imprescindível mas não podemos ficar apenas nisso. "I * Paulo Henrique Costa Mattos,éhistoriador e Assessor do IFAS PT Noticias - N a 30 de março de 1997 CPI expõe enxurrada de corrupção ACPI dos Títulos Públicos, for mada há três meses no Senado, está expondo uma verdadeira enxurrada de corrupção e desvio de dinheiro público, que tem seu coração dentro da Secretana de Finanças da Prefeitura de São Paulo. As denúncias apresentadas até o momento são muito graves e apontam para a urgente necessidade de se averiguar a fundo o sistema financeiro do País como um todo. Essa proposta já havia sido levantada pelo PT quando do escândalo da quebra dos bancos Econômico e Nacional, que veio a público somaite depois que o Banco Central e o Governo Federal não puderam mais segurar o rojão dos banqueiros. Agora, não há mais porque adiar essa investigação Para o leitor ter maior clareza do que vem sendo apurado nessa CPI, entrevistamos um dos seus membros, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP), que recebeu a reportagem do PT notícias enquanto participava do ato em solidariedade aos sem-terra no Pontal do Paranapanema, no dia 16 de março. PT Notícias: Senador, o que a CPI dos Títulos Públicos apurou até o momento? Eduardo Suplicy: A Constituição da República, promulgada em 1988, em suas Disposições Transitórias, permitiu, em seu artigo 33, que Estados e municípios emitissem títulos de dívida pública para o pagamento de sentenças judiciais transadas, ou seja, pagamento de precatórios judiciais sobre decisões ocorridas até dezembro de 1988, em oito parcelas. Houve diversos governos que se utilizaram dessa possibilidade para emitir títulos, isto é, vender títulos no mercado em geral, prometendo um pagamento de juros e do principal ao longo de diversos anos e, portanto, usando uma forma de endividamento que possibilita arrecadação de recursos, a taxas relativamente mais baixas do que de outra forma conseguiriam, por exemplo, com empréstimos junto a bancos e, entretanto, utilizaram-se disso para outra finalidades, como pagamento de obras, e não o pagamento de precatórios judiciais E onde isso mais se fez inicialmente foi no governo municipal de São Paulo, durante a gestão de Paulo Maluf. Porque ele, notadamente, planejou este procedimento. Já em 1993, quando havia o equivalente a R$ 300 milhões autorizados para sua emissão para pagamento de precatórios, ele utilizou-se desse artifício, como se fosse um excesso de arrecadação de receita, para pagamento de obras. Isso, inclusive, está na lei municipal que ele enviou para a Câmara Municipal E novamente em 1994, quando foi autorizada a emissão, pelo Senado e pelo Banco Central, de mais R$ 600 milhões outra vez esses recursos foram utilizados muito mais para o pagamento de obras do que de precatórios judiciais. PT Notícias: Mas isso está docu- mentado? Porque o prefeito Celso Pitta disse, em entrevistas à imprensa, que nenhum centavo foi destinado a outra coisa senão ao pagamento de precatórios judiciais. Tem como fundamentar essa denúncia? Suplicy: O próprio ex-diretor da Dívida Pública, Wagner Batista Ramos, disse com clareza, perante a CPI. que os recursos foram utilizados para outras finalidades Então, o prefeito Celso Pitta não esta falando a verdade e, ademais, a documaitação comprova que, dos R$ 900 milhões arrecadados com a emissão de títulos, menos de R$ 200 milhões foram utilizados para o pagamento de precatórios judiciais Então, é preciso que ele enfrente a verdade e tenha coragem de ser transparente e dizer a verdade Mas o outro problema é que, no âmbito da Secretaria Municipal de Finanças, formou-se um grupo de funcionários, que eram os mais próximos, eram amigos de Celso Pitta, que passaram a se relacionar com o Banco Vetor, com a Distribuidora e Corretora Split, com a Negociai DTVM, com a Perfil Corretora, com a Contrato, empresa onde trabalhava o filho de Pedro Neiva Filho, que era o amigo de Celso Pitta, convidado para vir do Rio de Janeiro para trabalhar em São Paulo, e foi quem apresentou o Banco Vetor para Wagner Batista Ramos, para tratarem de negócios Então eles constituíram um grupo que passou a utilizar "Un dia, cuando ei hombre sea libre, Ia política será una canción"

17 Quinzena N /04/97 17 Economia essas negociações de títulos para enriquecerem-se extraordinariamente. E também para vender know-how para outros governos, como os de Santa Catarina, Alagoas, Pernambuco, de Guarulhos, Osasco, Campinas, e, ainda procuraram Goiânia e outros, para tentar usar da mesma prática. E é isto que a CPI agora começa a ir fundo, para desvendar. Nós estamos em meio ao trabalho de apuração, mas o próprio prefeito Celso Pitta, nesses últimos dias, pela primeira vez, confessou que está desconcertado, porque as pessoas mais próximas dele, por enquanto em número de quatro já descobertas, estariam agindo em conluio com essas instituições financeiras e fazendo operações que visavam o seu enriquecimento pessoal, antes do que a defesa do interesse publico Ele vai ter que explicar isso. E o que nós vamos apurar, e vamos nos dedicar à apuração, é em que medida os milhões de dólares que foram arrecadados por este grupo de pessoas e instituições financeiras, em que medida foram ou não canalizados para pagamento de despesas eleitorais pelos diversos governos municipais e estaduais envolvidos nessas operações. Eu até nesse ponto ainda coloco o baiefício da dúvida, e eles têm o direito de se defender, inclusive o prefeito Celso Pitta, mas que os indícios hoje são muito fortes de que tais recursos podem ter sido utilizados para financiara campanha eleitoral, isto já é certo. PT Notícias: Quer dizer, então surge mais um problema grave. Além da gravidade da utilização de recursos para outras finalidades que não a que a lei manda e haver pessoas ganhando dinheiro com a corretagem, ainda tem-se essa suspeita de que possa haver a canalização para campanhas políticas? Então são três problemas que esta CPI está conseguindo levantar? Suplicy: Pelo menos esses três. Começam a surgir outros e outros, inclusive a descoberta de como se procedia a lavagem de dinheiro, de como certo operadores no mercado realizam as denominadas operações de esquenta-esfria dinheiro, para pagar maios imposto de raida do que o devido, e assim por diante. PT Notícias: Isso reforça aquela idéia do Partido dos Trabalhadores de fazer uma CPI do sistema financeiro como um todo? Suplicy: Sem dúvida, porque o que nós estamos descobrindo é que inúmeras instituições financeiras praticaram atos lesivos ao interesse público e muitas vezes com uma fiscalização pifia por parte de quem deveria estar impedindo a realização de operações desonestas. PT Notícias: Isso arranha a imagem do Senado? Suplicy: Essa CPI tem quetomarprovidências com respeito a como o Banco Central tem que fiscalizar com muito mais rigor e o próprio Senado Federal tem que ter muito mais rigor na hora de apreciar e aprovar autorizações de emissãodetíllbs. "1 VLJULJUJUÜJ ÜJUVúJILüyiiJLiJUUíiJ m ÜJLJLJ Dia 20 de IVlarço de 1997 Dia 21 de Março de 1997 Maluf foge para Arábia a vogno râo cunsuva do roteiro inicial de feriu c, irtvti de atordo com a assnwm, só fm.k-fkiub ipó» convite de um xeque dos (miradas "(7/7 dia, cuando ei hombre sea libre, Ia política será una canclón"

18 Quinzena N /04/97 18 Economia Dia 26 de Março de 1997 [í&ra) ffébcvwo.for- MINHA MOM^Z Boletim DIEESE - Fevereiro de N" 191 Estratégia de estabilização, desemprego e exclusão social Da análise da conjuntura sócioeconômica brasileira, pode-se extrair três problemas básicos que afetam os trabalhadores: a estratégia da estabilização econômica, o desemprego e a exclusão social. A estabilização não se constitui um problema em função de seu principal resultado, a queda progressiva das taxas de inflação - desejável e positiva para os trabalhadores, principalmente os de baixa renda - e sim devido à opção feita, a partir de julho de 1994, de se estabilizar rapidamente a economia através de uma âncora cambial. Isso foi possível devido á imensa disponibilidade de recursos financeiros no mercado internacional, à abertura comercial iniciada no começo dos anos 90 e às volumosas reservas internacionais do país. Se, por um lado, a âncora cambial se revelou factível e eficiente como instrumento de estabilização, por outro, vem se tomando uma fonte de crescente preocupação, uma vez que não foi substituída por uma âncora fiscal. Com isso, contribuiu para agravar o problema cnado pela precipitada abertura comercial, devido á sobrevalorização do real, com todos os seus efeitos desagregadores sobre o tecido industrial do país. Ao mesmo tempo, ela impede um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) supeior a 4% ao ano, pois, nas atuais condições macroeconômicas, isso dese- quilibraria ainda mais a balança comercial sustentada das taxas de desemprego Isto e os nervos dos especuladores cambiais. porque sena necessáno um crescimento O desemprego é também um proble- superior a 6% ao ano, para compensar os ma decorrente da estratégia de estabili- ganhos de produtividade gerados pelas zação ancorada no câmbio. Um dos fato- inovações tecnológicas e organiza ei o- nais res para tal é a sobrevalorização cambial adotadas no pais e o próprio crescimento que vem favorecendo os fornecedores in- demográfico Desta forma, o desempreternacionais, em prejuízo dos produtores go, que hoje é praticamente o dobro do nacionais. Assim, muitos setores indus- verificado ao final da década de 80, flututriais foram fragilizados (calçados, ves- ará em função da gestão da política ecotuário, têxtil, autopeças, máquinas e equi- nômica em intervalos estreitos, mas não pamentos, brinquedos) e ajustaram seus cairá aos níveis da década passada níveis de produção demitindo, talvez de- Enfim, a exclusão social se coloca de finitivamente, centenas de milhares de forma ainda mais dramática na agenda empregados. nacional. A permanência de taxas eleva- Outra contribuição está no fato de a das de desemprego gera novos contingaimeta máxima de crescimento econômico tes de excluídos, a partir do desemprego de 4% ao ano, estabelecida pelo governo de longa duração. Uma vez que o mercomo necessána para a estabilização pro- cado de trabalho é afetado pelas mudangressiva, ser incompatível com a redução ças teaiológicas, pessoas desempregadas índice de Gini do rendimento médio nominal mensal dos assalariados São Paulo-1990/96 IXKíOO Fonte: DIEESE/Seade PED-SP - Pesquisa de Emprego e Desemprego "Un dia, cuando ei hombre sea libre, Ia política será una canción"

19 Quinzena N /04/97 19 Economia por muito tempo têm suas chances de voltar ao emprego reduzidas devido à crescente obsolescência de sua qualificação profissional. Alem disso, os "velhos excluidos", já imersos na miséria e analfabetismo, só teriam alguma chance com a economia em trajetória de crescimento sustentado, gerando excedentes para uma melhor distribuição via mercado e políticas públicas ativas. O primeiro efeito ocorreu de forma clara durante os primeiros meses do Plano Real: a desigualdade caiu com a queda abmpta do imposto "hipennflacionáno" e com o vigoroso crescimento da economia, que gerou renda inclusive para os excluídos. No entanto, este processo interrompeu-se a partir de 19% (ver gráfico) e a renda voltou a se concentrar, voltando aos níveis pré-real. Certamente, esses três problemas apontados na conjuntura estão interliga- dos, pois a atual estratégia de estabilização, com ênfase no câmbio, perpetua um nível elevado de desemprego e este, por sua vez, contribui para o aumento da exclusão social. Para interrompei", pelo menos, essa seqüência do ciclo, seria necessário diminuir a centralídade da âncora cambial, substituindo-a por uma âncora fiscal, e desta forma criar espaço para um crescimento mais acelerado da exncmia. "1 O Estado de São Paulo - 03/04/97 A falácia do comércio livre Durante muito tempo, a política comercial norte-americana confundiu-se com a ortodoxia do livre comercio Os Estados Unidos, sendo a maior nação comercial do mundo e ativo promotor de um sistema político baseado nos princípios do livre mercado e na democracia, apresentavam sua causa como se fosse a causa comum do Ocidente, e os países dessa mesma herança cultural aceitavam a liderança de Washington Os critérios de liberdade de comércio que vêm sendo fixados ha mais de uma década pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) confundiram-se, assim, com os princípios do livre comercio e balizaram a política comercial de bom numero de países Hoje, esse componente ideológico esta se esvanecendo. a medida que fica claro que os interesses comerciais dos Estados Unidos pouco têm a ver com o livre comercio, como princípio, e sim com a queda das barreiras tarifárias enão tanfánas para que os produtos e serviços americanos possam entrar livremente no maior numero possível de países O fim da guerra fria extinguiu a aura que dava aos Estados Unidos a superioridade moral para definir as regras de comércio O relatório anual que o USTR acaba de editar sobre as barreiras comerciais no exterior sacramenta o caráter nacional - para não dizer nacionalista - e, portanto, egoísta da política comercial americana. Na análise que faz dos obstáculos ao comercio, o USTR leva em consideração apenas critérios ditados pela percepção dos funcionários e empresários americanos, deixando de lado as normas gerais de comercio definidas, por exemplo, pela Organização Mundial do Comércio O relatório é, ainda, a súmula do mandamento do "faça o que digo, mas não faça o que faço". As práticas desleais ou irregulares de comércio que o relatório do USTR condena - e muitas delas não encontram correspondência na realidade - não estão banidas do repertório protecionista americano. O relatório que acaba de ser divulgado exige da União Européia, por exemplo, a liberação total de seu mercado para os produtos agrícolas americanos, o que significaria o fim dos subsídios agrícolas. No entanto, os Estados Unidos ficam imediatamente abaixo da União Européia, como país que mais subsídios dá á sua agricultura. Nessa mesma área. o USTR queixa-se de que o Brasil impõe barreiras sanitárias e fitossamtanas a seus produtos, mas não leva em consideração que os produtos brasileiros encontram estas mesmas barreiras erguidas por Washington Os EUA, alias, acabam de anunciar a suspensão das importações de carnes bovinas, suínas e seus derivados da União Européia, por falta de acordo quanto á inspeção sanitária. O Representante Comercial permitese ainda acusar o Brasil de subsidiar exportações e acena com a possibilidade de reivindicar direitos compensatórios, para ressarcir os exportadores americanos de perdas. Ora, uma das deficiências da política comercial brasileira éjustamente a incapacidade de subsidiar os produtos que comportam subsídios - como os da agricultura - e financiar abundantemente as exportações. O USTR, porém, baseia-se em estranhos critérios. Até recaitemente, alguns produtos siderúrgicos e ligas metálicas eram sobretaxados sob a alegação de que a indústria siderúrgica estatal recebia subsídios. Todo esse setor foi privatizado, mas isso não impediu que há poucas semanas uma lista razoável de ligas fosse sobretaxada sob a alegação de que a privatização foi subsidiada O relatóno do USTR exerce mais que efeitos morais sobre os países analisados O documento é o primeiro passo de um processo que pode resultar em sanções unilaterais, aplicadas segundo a Lei do Comércio Esta é uma razão adicional para que as autoridades brasileiras exijam reciprocidade por parte dos Estados Unidos e se mantenham firmes para que novas aberturas do mercado brasileiro aos produtos americanos sejam condicionadas á queda das barreiras administrativas lá impostas a nossos produtos. - ) "A ocidentalização do mundo" Preço: 13,60 "Un dia, cuando ei hombre sea libre, Ia política será una canción"

20 Quinzena N /04/97 20 Nacional Curtas Os 20 anos das mães da Praça de Maio As mães da Praça de Maio com pletam 20 anos de luta contra a injustiça social na Argentina, mantendose como um exemplo novo de determinação e coragem. Tendo seus filhos sido executados pela sangrenta repressão militar com o respaldo da burguesia nacional e do imperialismo norte-americano, essas mães se uniram e fundaram uma Associação que ficou famosa no mundo inteiro por não recuar na batalha pelo socialismo conseguindo mobilizar os setores revolucionários das sociedades de seu pais e do mundo. Podres poderes O governo de FHC usou de tudo para sair vitorioso no primeiro turno de votação da emenda da reeleição. Promoveu uma verdadeira orgia de troca de favores que fez o "é dando que se recebe" da era Samey lembrar apenas uma inofensiva transgressão de adolescentes Um jogo sujo, vergonhoso, de coação e distribuição de verbas, cargos e prebendas que causou verdadeira euforia nos govemistas e ajudou a macular ainda mais a imagem já desgastada do Poder Legislativo. A viagem do presidente da República feita logo após a votação não poderia ter sido mais sugestiva: FHC foi descansar do "desgastante processo de convencimento" na cidade de Petrópolis, antigo recanto da familia imperial. A oposição, por sua vez, não pode se dar esse luxo Mais do que nunca, é hora de multiplicar os esforços para a mobilização de um amplo leque de forças politicas e sociais, capaz de dauinciar as negociatas pró-reeleição e mostrar à opinião pública que a democracia brasileira está sofrendo um profundo golpe e que o Brasil só tem a perder com a continuidade da política nefasta do neoliberalismo implementada por FHC e seu bando. Inverta de 02 a 08/04/ N A nova ditadura e seus agentes Antes de 64, principalmente durante o governo Goulart, cresciam o sentimento nacionalista e a consciâicia de luta pelo socialismo no Brasil. Não obstante os erros das esquerdas, era visivel a preocupação com mudanças, com reformas que garantissem um mínimo de soberania para o país e conquistas sociais e políticas. Foi nesse período que se conquistou o 13 salário. A refonna agrána aparecia aitre as pnmeiras a serem realizadas. O proletanado, aos poucos, conseguia conquistas e se organizava contra as forças reacíonánas, dando grande passo para a concretização de uma aliança efetiva com o campesínato. O centro do imperialismo mundial, face a tal realidade, aprofundava sua conspiração, usando todos os meios possíveis, inclusive a criação de entidades notoriamente conspíratónas, como IBAD, 1PES e MAC, financiando candidaturas antipopulares e outras ações contra o governo e as forças progressistas. Uma maquinação insolentemente aberta. Estava escancarada a atuação dos grupos econômicos nacionais e internacionais para evitar que o Brasil se firmasse como país livre, soberano, dono de suas próprias riquezas. Para tais forças reacíonánas, só existia uma alternativa, já em grande evidência na Aménca Latina: o golpe militar, considerado por elas como a única possibilidade de garantir seu controle sobre o país, destruindo conquistas, amordaçando o povo e o máximo de repressão, destacadamente contra a classe operária. Por este caminho, a burguesia demonstrou ser capaz de qualquer cnme para taitar manter-se no poder, assegurando exploração sem limites das massas trabalhadoras, escravizando-as, usando ainda todos os meios disponíveis para inviabilizar o Brasil como nação independaite. Instalava-se, com a mobilização de militares fascistas e lesas-pátrias, uma das formas de ditadura burguesa: um estado terrorista contra o povo, especialmente a classe trabalhadora, mantendo a ferro e fogo a concentração do capital. Graças a este golpe de estado, o Brasil virou um paraíso dos grandes gaipos econômicos industriais, financeiros e latifundiários. E a corrupção tomou-se norma emulativa para os testas-de-ferro do imperialismo no país Mas naihum povo fica indiferaite ás agressões que sofre: com maior ou menor intaisidade, oigamza-se e reage Muitos patnotas foram a luta, resistiram ao longo dos anos a semelhante cruel situação, enfrentando torturas e sacnficando a própna vida. tendo ficado inesquecíveis na mente de nossa gente heróis como Lamarca, Manghela, Câmara Ferreira, Pedro Pomar, Mário Alves, o velho Davi Capistrano e tantos outros Homais como Luís Carlos Prestes, Gregono Bezerra e Agliberto de Azevedo estiveram à frente de ações contra o regime do grande capital. A resistência do nosso povo deixava claro, cada vez mais, que a ditadura fascista - propagada como eterna pelos seus defaisores - logo sena derrotada Oterrorísmo dos ditadores já não conseguia contra a insatisfação de milhões de brasileiros. A ofaisiva popular acabou por ganhar as ruas, através de passeatas, movimaitos grevistas e outras iniciativas, culminando com o grito das Dnaas Ja, com parte da burguesia fazendo-se presente nestas manifestações Cerca de seis milhões de pessoas foram às mas pela realização de eleições diretas para a presidàicia da República, não saído poucos os que viram nas Diretas Já a caminhada para a salvação nacional Entretanto, é praxe a burguesia trair o povo Desde o seu surgimento age dessa maneira Isso lhe é inerente Aqui não seria diferente Usou milhões de criaturas em praças e palanques, alimentando esperanças e sonhos, para traí-las em seguida, na primeira oportunidade, conciliando-se com a sua ditadura pelas eleições indiretas. Mais uma vez a burguesia enchia-se de medo dos anseios do povo Sabia que as massas ansiavam por uma democracia de caráter popular, que significasse verdadeiramente o fim de todos os privilégios estabeleci- "Un dia, cuando ei hombre sea libre, Ia política será una canción"

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