ROTEIRO DE ORIENTAÇÃO DE ESTUDOS DE RECUPERAÇÃO Ensino Médio. Professor: ANTÔNIO CARLOS Disciplina: Geografia Série: 2ª

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1 ROTEIRO DE ORIENTAÇÃO DE ESTUDOS DE RECUPERAÇÃO Ensino Médio Professor: ANTÔNIO CARLOS Disciplina: Geografia Série: 2ª Conceitos e conteúdos enfocados: Desenvolvimento e Sustentabilidade; Economia Verde; Ecologia; Limites da Sustentabilidade; Modo de produção capitalista. Materiais a serem utilizados na condução do estudo: Textos sobre Desenvolvimento Sustentável (em anexo). Anotações das aulas, no caderno. Como deve ser utilizado o material indicado: Leitura dos textos em anexo (primeira leitura para contato com material; leituras posteriores seguindo indicações do roteiro abaixo). Produtos a serem entregues: Resumo dos textos em anexo; Glossário das palavras que não conhece; Resolução das questões. A entrega deverá ocorrer no dia da prova de recuperação, sendo que as questões devem ser trazidas para as aulas de recuperação, quando as dúvidas serão discutidas. Avaliação: O conceito final de recuperação será formado pela avaliação dos produtos de trabalho solicitados (peso 1) e da prova (peso 2).

2 ROTEIRO DE PROCEDIMENTOS PARA A LEITURA DOS TEXTOS (a) Leia o texto todo até o final, sem se preocupar em entender cada parágrafo e sem interromper sua leitura, para que você possa ter um entendimento geral do texto. (b) Releia o texto grifando as partes que você achou mais interessantes e, com uma cor diferente, procure marcar as dúvidas ou partes que você não entendeu. (c) Faça um pequeno glossário com as palavras que você não conhece para discussão em aula. QUESTÕES A SEREM ENTREGUES 1. O que é Desenvolvimento Sustentável (DS)? 2. Quais são os principais marcos históricos do DS? 3. Explique o esquema acima. 4. Qual a crítica feita, no segundo texto, ao Desenvolvimento Sustentável?

3 Texto 1 A linha do tempo do Desenvolvimento Sustentável Ao longo das últimas décadas, vários têm sido os acontecimentos que marcaram a evolução do conceito de desenvolvimento sustentável, de acordo com os progressos tecnológicos, assim como do aumento da conscientização das populações para a questão ambiental. As organizações (não só empresariais, mas também governamentais), pressionadas pelo contexto de crise e por movimentos sociais e ambientalistas, começaram a compenetrar-se do seu papel relevante para a sustentação da vida no planeta. Dos anos 90 até hoje, um grande número de ferramentas foram criadas em várias partes do mundo com o objetivo de consolidar conceitos como responsabilidade social e desenvolvimento sustentável. O conceito de eco desenvolvimento consistia na definição de um estilo de desenvolvimento adaptado às áreas rurais do terceiro mundo, baseado na utilização criteriosa dos recursos locais, sem comprometer o esgotamento da natureza. Após a publicação da obra Os Limites do Crescimento, pelo Clube de Roma em 1972, este conceito toma um grande impulso no debate mundial, atingindo o ponto culminante na Conferência das Nações Unidas de Estocolmo. Ocorre pela primeira vez a nível mundial preocupação com as questões ambientais globais. A partir daí, desenvolvimento e meio ambiente passam a fundir-se no conceito de eco desenvolvimento, que no início dos anos 80 foi suplantado pelo conceito de desenvolvimento sustentável, passando a ser adotado como expressão oficial nos documentos da ONU, UICN e WWF. Em 1987, no relatório de Brundtland foi elaborada uma das definições mais difundidas do conceito: o desenvolvimento sustentável é aquele que atende as necessidades do presente sem comprometer as possibilidades de as gerações futuras atenderem suas próprias necessidades. Este documento chamou a atenção do mundo sobre a necessidade urgente de encontrar formas de desenvolvimento econômico que se sustentassem. Definiu também três

4 princípios essenciais a serem cumpridos: desenvolvimento econômico, proteção ambiental e equidade social, sendo que para cumprir estas condições, seriam indispensáveis mudanças tecnológicas e sociais. Em 1992, governos reuniram-se na cidade do Rio de Janeiro, para a Conferência da Terra. Os objetivos fundamentais desta eram conseguir um equilíbrio justo entre as necessidades econômicas, sociais e ambientais das gerações presentes e futuras e firmar as bases para uma associação mundial entre os países desenvolvidos e em desenvolvimento, assim como entre os governos e os setores da sociedade civil. Não foi somente de chefes de Estado e de representantes oficiais que se constituiu a Rio-92, mas foi pela participação da sociedade civil, de organizações não-governamentais de centenas de países, que um importante documento continuou vivo, passou por reavaliações, comissões internacionais nunca antes pensadas, foi ratificado pela Unesco, e finalmente aprovado pela ONU em No ano de 2002, em Johanesburgo, foi assumida a responsabilidade coletiva de fazer avançar e fortalecer os pilares interdependentes e mutuamente apoiados do desenvolvimento sustentável nos âmbitos locais, nacional, regional e global. É possível afirmar que chegamos ao início do século XXI com um conceito de desenvolvimento sustentável bem mais amadurecido, que não está mais restrito às discussões acadêmicas e políticas, mas que se popularizou por todos os continentes, passando a fazer parte da vida cotidiana das pessoas. Um conceito que está presente desde as pequenas atitudes diferenciadas de comportamento, como a separação e a reciclagem do lixo doméstico, tomadas pelo cidadão comum, até as grandes estratégias e investidas comerciais de algumas empresas as quais se especializaram em atender um mercado consumidor em franco crescimento, que hoje cobra essa qualidade diferenciada tanto dos produtos que consome, quanto dos processos produtivos que o envolvem; uma verdade que abre grandes perspectivas para o futuro. Fonte: Linha do tempo sustentável

5 Texto 2 Críticas ao desenvolvimento sustentável Há muitas dificuldades na definição da crise ambiental ou dos problemas ambientais, pois a questão ambiental é muito ampla e seus elementos estão muito interconectados. Sendo assim, praticamente não há teorização sobre o que considerar um problema ambiental e a discussão teórica existente permanece na indefinição das listas dos problemas. Um exemplo dessas listas pode ser observado no quadro: PRINCIPAIS INDICADORES DA CRISE AMBIENTAL DO PLANETA Devastação das matas Contaminação da água Contaminação de costas e mares Sobre-exploração de mantos aquíferos Erosão de solos Desertificação Perda da diversidade agrícola Destruição da camada de ozônio Aquecimento global do planeta Fonte: P. Moguel e V. M. Toledo, Ecologia política, In: Foladori, 2001, pp Alguns autores somam a esses problemas a superpopulação e a pobreza. Foladori reconhece dois problemas metodológicos nessas listas, tão utilizadas por organismos internacionais dedicados ao meio ambiente: 1) elas podem não ter fim, pois cada uma dessas variáveis apresentadas podem ser desdobradas em outras mais detalhadas, multiplicando os problemas; 2) não existe um elemento aglutinador ou hierarquizador a partir do qual derivar o restante. Dessa maneira, as ações políticas que delas derivam tendem a se diluir. (FOLADORI, 2001, p. 103). Foladori propõe, a partir dessas listas, organizar os problemas ambientais considerando um elemento em comum: o processo produtivo, pois todos aqueles problemas se referem a impactos humanos externos ao processo de produção no sentido estrito (ibidem, p. 103). Para permitir uma melhor visualização dessa proposta, o autor criou o seguinte diagrama: Recursos - Produção - Detritos (economia) Depredação - Excedente De População - Poluição Problemas ambientais Fonte: Foladori, 2001, p. 103.

6 O processo produtivo está na raiz da crise ambiental. É esse processo que determina o uso mais ou menos intenso de certo recurso natural (problema da depredação e extinção), a quantidade maior ou menor de detritos após o processo produtivo (problema da poluição) e quem vai participar e de que forma no processo produtivo (problema do excedente de população, da pobreza). O processo produtivo, dessa forma, é um fator-chave para o entendimento da crise ambiental. A partir do início da produção da vida material, novas relações entre o ser humano e o meio ambiente foram forjadas, como: a) desenvolvimento de um conceito de tempo - distingue a ação (presente) dos objetos (passado) com os quais se realiza e do propósito (futuro); b) produção de instrumentos sem a pressão do imediato, possibilitando a produção de objetos não-imediatos e com isso a criação de necessidades espirituais; c) possibilidade de objetivação da natureza e do desenho mental, permitindo o desenvolvimento tecnológico e a reflexão sobre os limites de seu controle. Sendo assim, o eixo ou atrativo em torno do qual se organizou toda a vida humana foi a produção da vida material, que teve raiz na fabricação de instrumentos. A fabricação de instrumentos permitiu um relacionamento novo com o meio ambiente. (ibidem, p. 79). Sem dúvida alguma, pode-se afirmar que todas as sociedades existentes até hoje sempre destruíram o meio ambiente, porém de maneiras diferentes e com intensidades diferentes. O conteúdo, que é a relação homem-ambiente ou sociedade-natureza, permanece o mesmo no sentido de uma relação técnica necessária (o trabalho humano); no entanto a forma, esta sim, muda de acordo com a organização social, pois está ligada às relações sociais de produção, que faz com que as relações técnicas sejam mais ou menos intensas quanto à destruição e poluição do meio ambiente. Com isso, questionar o conteúdo sem questionar a forma não faz sentido algum. No entanto, curiosamente as relações no interior do processo produtivo não são discutidas, mas apenas seus efeitos. (ibidem, p. 104). Foladori apresenta uma tese na qual o que determina as relações técnicas são as relações sociais de produção. Nas palavras do autor: As relações sociais de produção estabelecem, em cada momento histórico, combinações de propriedade/ acesso/ uso desses meios [de produção] e, ao fazê-lo, condicionam as próprias relações técnicas, ou seja, a forma de relacionamento com a natureza (ibidem, p.80). A institucionalização do conceito de DS se deu, sobretudo, com base em uma interpretação feita pela teoria econômica neoclássica, que praticamente exclui qualquer correlação entre as relações sociais de produção e as origens da crise ambiental. Muitas políticas envolvendo DS limitam-se à inclusão do termo sustentável em projetos que francamente não propõem qualquer alteração substancial em modelos de desenvolvimento. Nos termos do antropólogo Foladori, esses projetos de DS baseiam-se, no máximo, em proposições de mudanças nas relações técnicas (homemambiente), mas não em mudanças nas relações sociais de produção.

7 A CMMAD, ao apostar no avanço tecnológico como um dos elementos capazes de promover o DS, acredita que o maior problema está na relação sociedadenatureza e não na relação do ser humano com seus congêneres. A Comissão entende a humanidade como um bloco a espécie humana que tem interesses econômicos que precisam ser satisfeitos. Essa geração e as próximas terão seus interesses. De outro lado, há uma base de recursos naturais limitada, que tende a diminuir cada vez mais devido ao crescimento populacional e à falta de tecnologias capazes de produzir mais com menos. A Comissão acredita que, através do avanço tecnológico, temos o poder de reconciliar as atividades humanas com as leis naturais, e de nos enriquecermos com isso. E nesse sentido nossa herança cultural e espiritual pode fortalecer nossos interesses econômicos e imperativos de sobrevivência. (CMMAD, 1991, p.1). Em verdade, não há uma humanidade que se defronta em bloco com uma base finita de materiais. Antes, há um confronto no interior da humanidade, entre classes sociais. Por isso Foladori pauta a crítica dele em torno da confusão entre conteúdo e forma no processo produtivo, ou seja, na confusão entre relações técnicas e relações sociais. De acordo com Foladori (2001, p. 106): (...) a maior parte da discussão sobre os problemas ambientais, em lugar de partir dessa forma social, parte de seu conteúdo material, pior ainda, do resultado desse conteúdo material a poluição, a depredação, o excedente de população. A produção mesma, basicamente em relação à sua forma social, não é discutida. Considera-se a produção algo exclusivamente técnico (ser humano natureza), aistórico. O que se questiona é o resultado técnico do processo, nunca a ligação entre a forma social e o processo técnico. Dessa forma, o processo produtivo capitalista é pouco questionado pelos apologistas do DS. Quando muito, questiona-se a industrialização, ou seja, a técnica. Foladori argumenta: Como resultado, busca-se corrigir os efeitos da produção capitalista pela via técnica, isto é, pondo filtros aqui e ali, estabelecendo cotas ou impostos em outros casos etc. Sem discutir neste momento a eficiência de tais medidas técnicas, é evidente que nenhuma delas afeta a forma social capitalista de produção. Nesse sentido, trata-se de posições classistas de defesa, obviamente, da classe capitalista, proprietária dos meios de produção e, portanto, dos instrumentos com os quais transforma a natureza em objetos e espaços úteis (ibidem, p. 106). Conclui-se, assim, que a classe capitalista encontrou no DS um instrumento de defesa do seu status quo, na medida em que essa proposta de desenvolvimento praticamente não questiona as relações sociais de produção, limitando-se à crítica das relações técnicas, o que é menos problemático para o capital. Autores: Guilherme Vieira Dias Mestre em Ciência Ambiental (PGCA/ UFF) José Glauco Ribeiro Tostes Doutor em Química (Unicamp)

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