O Brasil no mundo. Ao longo dos anos, o Brasil virou referência mundial devido aos EDITORIAL

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1 EXPEDIENTE PRESIDENTE DA REPÚBLICA Luiz Inácio Lula da Silva MINISTRO DO TRABALHO E EMPREGO Carlos Lupi CHEFE DE GABINETE Marcelo Panella SECRETÁRIO-EXECUTIVO André Figueiredo SECRETÁRIA DE INSPEÇÃO DO TRABALHO Ruth Vilela SECRETÁRIO NACIONAL DE ECONOMIA SOLIDÁRIA Paul Singer SECRETÁRIO DE POLÍTICAS PÚBLICAS DE EMPREGO Ezequiel Nascimento SECRETÁRIO DE RELAÇÕES DO TRABALHO Luiz Antônio de Medeiros ASSESSOR ESPECIAL DO MINISTRO Max Monjardim CHEFE DA ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO Naila Oliveira ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO Rodrigo Rozendo, Alice Drummond, Arthur Rosa, Silmara Cossolino, Edvaldo Santos, Isabella Silva, Monyke Castilho, Maristela Leitão, Marilei Birck, Camilla Valadares, Vanessa Corrêa, Allexandre Silva, Renato Alves (foto) COORDENAÇÃO EDITORIAL Max Monjardim (27843/RJ) Naila Oliveira (14949/RJ) Publicação da Assessoria de Comunicação Social do Ministério do Trabalho e Emprego Esplanada dos Ministérios, Bloco F, 5º Andar, Sala 523, CEP , Brasília-DF Telefone (61) EDITORAÇÃO ELETRÔNICA Artecontexto IMPRESSÃO: Parque Gráfico Fundacentro EDITORIAL Ao longo dos anos, o Brasil virou referência mundial devido aos seus hábitos populares e culturais. O carnaval brasileiro a maior festa popular do mundo garante esta afirmação. Mas não apenas por isso que o Brasil hoje ocupa um papel de destaque no cenário internacional. Nos últimos meses, quando a crise financeira atingiu em cheio as grandes economias, mostramos todo o nosso poder de recuperação, gerando saldo positivo de mais de 300 mil novos postos de trabalho formal somente no primeiro semestre. E este resultado positivo vem rendendo bons frutos, principalmente perante as grandes economias do mundo. A prova disso é que, ainda em fevereiro, o ministro Carlos Lupi participou de uma reunião com ministros das áreas sociais da América Latina, convocada no Chile pela Organização Internacional do Trabalho (OIT). Naquele momento, com a turbulência internacional, Lupi defendeu que empresas privadas que recebessem empréstimos públicos com juros subsidiados, não poderiam demitir. A defesa do emprego rendeu um documento assinado pelos ministros presentes ao encontro. Já em abril, Lupi foi convidado por seus pares do G8 grupo dos países mais desenvolvidos e a Rússia para comentar os avanços do mercado de trabalho brasileiro em plena crise internacional. O palco deste encontro foi Roma, onde Lupi defendeu a injeção de crédito nas economias para mantê-las aquecidas, assim como as novas linhas de financiamento com recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e do FGTS, conforme veremos nas páginas internas desta edição. Os especialistas costumam dizer que é justamente nos momentos adversos que surgem as grandes oportunidades. E o Governo Federal seguiu este conceito à risca. A redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) nos carros zero e na linha de branca de eletrodomésticos, fez com que o Brasil batesse recordes nas vendas desses produtos, mantendo a economia aquecida e garantindo o emprego do trabalhador brasileiro, além da redução da taxa básica de juros e muitas outras medidas rápidas colocadas em prática ao primeiro sinal da crise. Estamos demonstrando ao mundo que uma economia forte se constrói principalmente através da geração de emprego e renda, e não pelo mercado especulativo internacional, via bolsas de valores, que não produz um prego sequer, segundo o Presidente Lula vem afirmando mundo a fora. Boa Leitura! O Brasil no mundo Ministério do Trabalho e Emprego MAX MONJARDIM Assessor Especial do Ministro maio/junho/julho de 2009 Revista Trabalho 3

2 5 SUPERINTENDÊNCIAS Chegada dos novos servidores dá ânimo novo às Regionais 8CLT Trabalhador, você conhece os seus direitos? 10 CODEFAT Recursos do Fundo impulsionam negócios 12 SALA-COFRE Tecnologia guardada a sete chaves CONSELHO CURADOR DO FGTS 14 Para poder, enfim, chamar a casa de própria 18 SINE Um milhão de pessoas inseridas no mercado em QUALIFICAÇÃO Indústria naval brasileira nem sente a crise 24 CAGED Brasil é o primeiro país a sair da crise 1º DE MAIO 28 Trabalhadores têm festa em ritmo de samba no RJ 30 OCUPAÇÕES Conheça profissões curiosas da Classificação Brasileira 32 INTERNACIONAL Ministro do Trabalho apresenta políticas do Brasil no G-8 34 IMIGRAÇÃO Balanço da concessão de autorização de trabalho a estrangeiros FUNDACENTRO Saúde e segurança aos operadores de telemarketing BOAS MANEIRAS 39 Você está de olho nas suas atitudes? TRABALHO INFANTIL de Junho: Dia Mundial de Combate ao Trabalho Infantil TRABALHO ESCRAVO 46 A experiência de ser um auditor fiscal do trabalho ECONOMIA SOLIDÁRIA 51 Trabalhadores recuperam empresas e garantem emprego 7 CARTAS 45 ARTIGO 51 VOCÊ NA REVISTA 54 4 maio/junho/julho de 2009 Revista Trabalho

3 Superintendências Cara nova nas regionais do MTE Chegada dos 1,4 mil servidores aprovados no último concurso vai garantir melhorias no atendimento nas Superintendências Diversas estratégias estão sendo utilizadas para garantir uma boa ambientação dos novos servidores do MTE Maristela Leitão A busca pela gestão eficiente nas Superintendências Regionais do Trabalho e Emprego (SRTEs) ganha um reforço de peso em As 27 unidades do Ministério do Trabalho vão contar com novos servidores. Outros 414 aprovados no concurso serão designados para trabalhar na sede, em Brasília. A nomeação dos novos profissionais começou em maio e seguirá em junho e julho. De acordo com o coordenador-geral de Recursos Humanos do Ministério, Luiz Eduardo Lemos, que centralizou os preparativos iniciais para receber os novos concursados, o grande desafio é estabelecer estratégias de capacitação. O que a gente quer é, no menor tempo possível, treinar os novos quadros nas atribuições e nos processos de trabalho do MTE e seus Órgãos Regionais, destaca Lemos. E a primeira etapa é o Curso de Ambientação, elaborado em conjunto com os Agentes de Capacitação das SRTEs. Nas suas unidades, as Superintendências também prepararam treinamentos específicos. Boas ideias para promover a integração Em Goiás, o superintendente Samuel Alves Silva decidiu que cada servidor ganhará uma espécie de padrinho, um funcionário mais antigo que se responsabilizará pelo seu envolvimento e evolução no trabalho e assim possibilitar uma ambientação mais rápida do novo empossado ao serviço. Silva acredita que o ingresso dos 33 novos servidores no estado vai refletir na qualidade do atendimento prestado pela regional do MTE em Goiás. A expectativa e o entusiasmo dos novos empossados e alta concorrência (do processo de seleção) geralmente resulta em maior qualificação dos aprovados, pondera. Sendo assim, os usuários dos serviços da SRTE/GO podem esperar por um pessoal estimulado a cumprir seu papel de servidor público, continua Silva. Na Superintendência de Minas Gerais treinamento também é a palavra chave em se tratando da chegada dos novos servidores. Além das costumeiras boas vindas e do curso de ambientação orientado por Brasília, os novos servidores são esperados com um treinamento específico nas atividades que vão desenvolver na regional mineira. Superintendente Samuel Silva em reunião com as chefias da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de Goiás Fotos: Renato Alves maio/junho/julho de 2009 Revista Trabalho 5

4 Superintendências Distribuição dos aprovados no concurso do MTE por UF (*) RR 8 AP 14 Qualidade é a palavra de ordem AM 37 PA 17 MA 22 CE 39 RN 15 AC 5 RO 7 MT 21 TO 16 PI 8 BA 54 PB 25 PE 55 AL 22 SE 15 DF 42 TOTAL DE SRTEs MS 12 GO 33 MG 260 ES 42 Atendimento na Superintendência do DF (*) A nomeação segue a cronograma estabelecido por Brasília por ordem de classificação. PR 47 SC 37 SP 237 RJ 258 Qualidade no atendimento, é o lema De acordo com o superintendente Alysson Alves, o reforço no quadro de servidores da SRTE/MG veio em boa hora. Alves espera que a entrada em ação dos 237 novos nomeados, aliada a convênio assinado com o Governo do estado - para emissão de Carteira de Trabalho e atendimento do seguro-desemprego - vai possibilitar que as unidades do interior e de Belo Horizonte funcionem a todo vapor. O superintendente acredita que as ações conjuntas também vão contribuir para melhorar a qualidade do serviço prestado pela repartição do MTE em Minas Gerais. O usuário (da SRTE/ MG) pode esperar por uma melhoria significativa, observa. A Superintendência de Minas Gerais abrange 853 municípios nos quais estão distribuídas 20 Gerências e 44 Agências de atendimento - no interior e na capital - que segundo Alves, hoje são mantidas em funcionamento com esforço. Na maior representação regional do MTE, a Superintendência Regional do Trabalho e Emprego em São Paulo, a ambientação e a qualificação dos novos empossados também estão na ordem do dia. A idéia do superintendente Ademar Júnior é fazer com que os novos servidores passem por todos os setores da Superintendência, ocupando as mais diversas funções, desta forma familiarizando-se o mais breve possível com o serviço e os colegas. Queremos também fazer com que as pessoas que estão ingressando na carreira pública entendam o que é ser servidor, que estamos aqui exatamente para isso: servir, ressalta Júnior, e completa, aqui (a SRTE) é a casa do trabalhador. Aguardando na recepção da SRTE/ DF, Edmilson Xavier veio da região do entorno para homologar sua rescisão de contrato de trabalho. Destacando a dificuldade de deslocamento ele espera que a chegada dos novos concursados melhore o atendimento nas unidades do entorno do Distrito Federal. Às vezes temos que resolver alguns problemas aqui no Plano Piloto em vez de resolver em Sobradinho e Planaltina (cidades satélites de Brasília), observa Xavier. RS 59 Mônica Soares foi à SRTE/DF para apresentar uma reclamação trabalhista. Ela não tem dúvidas que o reforço no quadro funcional da Superintendência vai influenciar positivamente no atendimento: Com certeza a Delegacia (Superintendência) vai poder atender mais pessoas e assim a gente vai ter melhor conhecimento de nossos direitos, acredita. Mônica Soares e Edmilson Xavier sendo atendidos na SRTE/DF 6 maio/junho/julho de 2009 Revista Trabalho

5 CARTas CAPA REVISTA TRABALHO recebeu cerca de mensagens com elogios, sugestões, críticas e pedidos por exemplares através do Participe você também! MENSAGENS Gostaria de sugerir matéria com cortadores de cana-de-açúcar. Penso ser um tema relevante e de grande importância para todo o país. Parabéns pela revista. Excelente trabalho! (Mateus Valli - São Paulo SP) Trabalho há 27 anos com segurança do trabalho. Descobri a Revista Trabalho num banco dentro da Divisão de Segurança e Medicina do Trabalho, onde apreciei as matérias. Parabéns pela iniciativa. (Jose Fernando Moleda - Curitiba PR) Que iniciativa ótima. As reportagens da Revista serão muito úteis para mim e para meus alunos. (Joyce Bartelega- Guaratinguetá SP) Sou professora de Direito e doutoranda pela Unesp em Trabalho e Sociabilidade. Meu tema é sobre assédio moral, reestruturação produtiva e saúde do trabalhador. Parabéns pela Revista. (Paula - São Paulo SP) Em visita ao site, percebi as mudanças ocorridas, achando-o ainda mais interessante. Me chamou a atenção os vídeos no link imprensa, e a Revista Trabalho. Como atuo na área sindical, e ministro cursos de Departamento Pessoal, as reportagens vão me ajudar muito. Obrigada. (Janete Correia) Não posso deixar de parabenizar toda a equipe que faz a Revista Trabalho pelo excelente trabalho e profissionalismo apresentado nas matérias e reportagens sempre com informações claras, objetivas e éticas. PARABÉNS! Desejo SUCESSO a todos no decorrer deste ANO de 2009 e que juntos possamos enfrentar esta crise mundial e sejamos coroados com grande êxito. (Paulo Solução Salto SP) Gostaria de parabenizá-los pela iniciativa de produzir uma revista tão específica e instrutiva, sou pós-graduanda em enfermagem do trabalho e vejo a necessidade de ter um material voltado para essa área. gostaria de sugerir uma matéria a respeito de idosos brasileiros, aposentados ou não, que ainda trabalham, minha monografia é sobre esse tema e gostaria de obter informações atualizadas e de fonte segura sobre isso. (Silvia Regina Rio de Janeiro RJ) Ótimo material. Vou aproveitar as reportagens para o ensino na Universidade de Heidelberg, onde sou a responsável pela formação de intérpretes de conferência. Parabéns. (Kerstin Kock Alemanha) Em primeiro lugar gostaria de parabenizá-los pela excelente iniciativa de publicar a revista a qual com certeza trará importantes informações para os trabalhadores, sociedade e nação. Como um profissional da área de saúde e segurança do trabalho, preocupado em estar atualizado com relação aos assuntos ligados ao trabalho/trabalhadores, seria para mim uma satisfação imensa receber os exemplares. (Enícios de Oliveira Guarulhos SP) Encontrei a revista pelo site do MTE e gostei muito de alguns tópicos. Isso ajudará o trabalhador ou as pessoas em busca de uma colocação ou aprimoramento nos seus conhecimentos através de cursos de qualificação profissional para ingressarem no mercado de trabalho. Manter atualizado e bem informado sobre as medidas adotadas por esta pasta é fundamental. (Moacir Rodrigues de Jesus - Caucaia - CE) Sou profissional da área de RH e também Técnica em Segurança do Trabalho. Navegando pelo site do MTE, tomei conhecimento dessa valiosa revista. O Ministério demonstra sempre estar em busca de excelência em suas atividades. Parabéns! (Rosane Santos Rio de Janeiro RJ) Interessantíssima a interação do MTE com o público leitor. Parabéns pelas iniciativas. (Renato Carvalho Galiléia MG) MTE NA INTERNET Já está no ar o perfil no Twitter do Ministério do Trabalho e Emprego. Acessando TrabalhoGovBr, o internauta terá acesso a dados como estatísticas de emprego, oportunidades de vagas no Sine e em cursos de qualificação, dicas de legislação trabalhista, a agenda do ministro, entre outros assuntos. A entrada no Twitter marca uma nova estratégia do MTE para expandir sua presença em redes sociais. Hoje já existe comunidade no Orkut, aberta em 2008, para divulgar a REVISTA TRABALHO que supera usuários. As ações nas redes sociais são monitoradas diariamente e avaliadas semanalmente pela Assessoria de Comunicação Social do MTE, que criou um núcleo específico para tratar de ações na web 2.0. O objetivo é ampliar cada vez mais as ações, garantindo a democratização da informação e a transparência por meio do aproveitamento dos espaços de interação das redes sociais. maio/junho/julho de 2009 Revista Trabalho 7

6 RELAÇÕES relações do DE TRABALHO trabalho Trabalhador, você conhece os seus direitos? Final de mês, contracheque nas mãos e um monte de números que você não sabe muito bem o que significam. A REVISTA TRABALHO ajuda a desvendar a Consolidação das Leis do Trabalho Isabella Silva Se, a pedido do seu chefe, você trabalhou umas horinhas a mais no mês e depois ficou ansioso para saber quanto receberia por essas horas extras; se não sabe quanto é deduzido de impostos em seu salário; ou desconhece o valor do salário-hora, das férias ou do 13º, reservamos este espaço para você. A partir desta edição, a REVISTA TRABALHO traz uma série de esclarecimentos que vão ajudar você a entender melhor o mundo profissional formal. Com ajuda de especialistas, vamos desvendar a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Para todos os assuntos, vale ressaltar que o trabalhador deve ficar atento às cláusulas de convenção ou acordo coletivo que costumam estabelecer percentuais e acordos diferenciados. Salário-hora Ilustrações: Renato Palet É quanto você ganha por hora trabalhada. Para o trabalhador saber quanto ganha nessa fração, é necessário observar a periodicidade do recebimento de salários. Se ele é um mensalista (a maioria dos trabalhadores), com carga de 8 horas diárias, deve dividir sua remuneração por 240. Já quem trabalha 6 horas, deve dividir por 180. Ou seja, multiplique o número de horas diárias por 30. Depois divida o seu salário mensal bruto por este resultado. Trabalhador deve sempre ficar atento às cláusulas de convenção ou acordo coletivo Envie suas dúvidas para 8 maio/junho/julho de 2009 Revista Trabalho

7 Hora extraordinária Adicional noturno RELAÇÕES DE TRABALHO A famosa hora extra é o período adicional que o trabalhador permanece na empresa a pedido do empregador. A empresa é a única responsável pela exigência da prorrogação da jornada, que deve ser feita por escrito ou mediante contrato coletivo de trabalho. Estabelecida pela Constituição Federal, a hora extra não pode ultrapassar 2h diárias e deve ter acréscimo mínimo de 50% ao valor da hora normal. No entanto, a prorrogação da jornada também pode ser compensada por meio de banco de horas. No caso de rescisão de contrato, o trabalhador que não tiver compensado, pode requerer o pagamento financeiro da empresa, na data da quebra do contrato. Salário líquido Líquido ou bruto? Todo mundo tem essa dúvida. Para saber calcular o salário líquido, deve-se considerar no ato da assinatura do contrato todos os benefícios e descontos que ocorrerão em seu salário, especialmente os previdenciários. A opção ou não pelos benefícios, bem como seus valores dependem de cada empresa. Fontes: Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT) e Secretaria de Relações do Trabalho (SRT), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). O adicional noturno é devido para todo trabalhador urbano que exerça suas atividades entre 22h de um dia e 5h do outro. Quem faz hora extra em horário noturno receberá o acréscimo do adicional noturno, que é 20%, no mínimo, sobre a hora diurna. Para os trabalhadores rurais, esse período é compreendido entre 20h e 4h (na pecuária) e entre 21h e 5h (na agricultura) e o valor é de 25% sobre a hora diurna. Os direitos do trabalhador variam de acordo com a causa do afastamento. O empregado demitido,recebe o saldo do salário; 13º; salário proporcional; férias vencidas; férias proporcionais; terço constitucional sobre o valor das férias vencidas e proporcionais, recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de A Constituição Federal garante o gozo de férias a cada período de 12 meses de vigência do contrato de trabalho com, pelo menos, 1/3 a mais do salário normal. Cabe ao empregador a decisão pelo período de concessão e somente em casos excepcionais as férias poderão ser concedidas em dois períodos, um dos quais não pode ser inferior a 10 dias. O período de férias depende do número de faltas que o trabalhador tenha nos 12 meses do período aquisitivo. Tem direito a 30 dias de férias aquele que não faltar ao serviço mais de cinco vezes (sem justificativa); quem tiver faltado entre 6 e 14 vezes, gozará de 24 dias; entre 15 e 23 faltas, são 18 dias de férias e, por fim, quem tiver entre 24 e 32 faltas terá apenas 12 dias Demissão Serviço (FGTS) e multa de 40% sobre o valor do Fundo. Terá ainda direito às parcelas do seguro-desemprego, que podem variar entre três e sete parcelas, levando em consideração o tempo de registro em carteira no último emprego e o setor no qual trabalha. Vale ressaltar que valores eventualmente devidos também podem ser computados, como saláriofamília, adicional noturno, comissões, gratificações, horas extras, adicionais de Férias periculosidade e insalubridade e outros eventuais direitos decorrentes de instrumentos coletivos (convenção ou acordo coletivo de trabalho) ou sentença normativa. Já o profissional que pede demissão não tem direito ao saque do FGTS e ao recebimento das parcelas do seguro-desemprego. O aviso-prévio deve ser cumprido ou indenizado pelo empregado. Se o empregado não puder cumpri-lo, poderá o empregador descontar o valor correspondente em sua rescisão. corridos de descanso. O pagamento ao empregado deve ser feito até dois dias antes do início das férias. É legítimo o direito de vender 1/3 das férias, não podendo a empresa recusarse disso. Essa venda jamais pode ser superior a 10 dias e o trabalhador deve solicitá-la por escrito até 15 dias antes de vencer seu período aquisitivo. A CLT permite que trabalhador peça adiantamento da primeira parcela do 13º. Ele pode ser concedido entre os meses de fevereiro e novembro, por decisão do empregador. Para saber o valor, basta dividir a remuneração por dois. O empregado pode ainda solicitar, por escrito, esse adiantamento por ocasião de suas férias, mas a solicitação deve acontecer sempre no mês de janeiro de cada ano. maio/junho/julho de 2009 Revista Trabalho 9

8 CODEFAT Empreendedorismo: recursos do FAT impulsionam negócios Fundo financia programas com juros mais atrativos, desde que beneficiem o trabalhador e assegure a manutenção ou geração de postos de trabalho Edvaldo Santos Criado para garantir ao trabalhador benefícios como segurodesemprego e abono salarial, o Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) também investe recursos em programas que têm como finalidade a geração de emprego e renda. São programas voltados para o financiamento de capital de giro, expansão de emprego e melhoria da qualidade de vida do trabalhador seja pela aquisição de equipamentos ou modernização da atividade, buscando aumentar a competitividade das empresas. Para apoiar o empreendedorismo, o Fundo disponibiliza linhas de financiamento por meio de bancos oficiais federais. As linhas com depósitos especiais do FAT são alternativas importantes para acesso ao financiamento a setores com menores chances de acesso ao crédito, principalmente as micro e pequenas empresas que são um dos segmentos mais intensivos na geração de emprego e renda, avalia Ezequiel Nascimento, secretário de Políticas Públicas de Emprego do Ministério do Trabalho. Para o secretário, o apoio do FAT tem valor significativo para o desenvolvimento desse segmento, contribuindo para a geração e manutenção de emprego e renda no país. Por meio dessas linhas, as empresas têm a possibilidade de financiar implantação, reforma e modernização de empreendimentos, aquisição de máquinas e equipamentos, bem como outros itens necessários à viabilização do negócio, em condições mais acessíveis, ou seja, com encargos financeiros em condições que não se encontra similar no mercado do setor bancário privado, tornando-se mais competitivas e com melhor adequação às exigências de mercado, explica. Nascimento informa que no ano passado o Fundo disponibilizou R$ 6,25 Renato Alves 10 maio/junho/julho de 2009 Revista Trabalho Cléia Arruda comprou duas máquinas para a sua empresa com recursos do Proger

9 bilhões em recursos novos para as linhas especiais de crédito. Para 2009, o Conselho Deliberativo do FAT (Codefat) aprovou outros R$ 4 bilhões. Com a reaplicação dos recursos durante o exercício, esse valor chegou a R$ 16 bilhões em operações de crédito no ano passado e pode chegar a R$ 10 bilhões este ano, ressalta. Uma diretiva importante dos programas de geração de emprego e renda financiados pelo FAT tem sido a manutenção do trabalhador no seu emprego. Para atingir esse objetivo uma das garantias exigidas pelo Fundo é a não demissão de trabalhadores. O maior benefício que o FAT oferece ao trabalhador brasileiro numa época de desaceleração do crescimento econômico é a manutenção do próprio emprego., avalia Nascimento. Em março deste ano um acordo de compromisso inédito foi firmado com o setor automotivo para manutenção e implementação de postos de trabalho no segmento de veiculos seminovos. A medida serviu para amenizar os efeitos da crise financeira do mercado internacional no Brasil, preservando postos de trabalho. A linha de crédito para o segmento foi aprovada para financiar capital de giro às empresas de comércio varejista de carros usados e conta com R$ 400 milhões, sendo R$ 200 milhões do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e R$ 200 milhões do Banco do Brasil. Atualmente, todos os financiamentos com recursos do FAT têm uma cláusula que prevê a manutenção ou geração de empregos, ressalta o secretário. Proger Geração de Emprego e Renda - Resultados 1995/2008 ANO QT. OPERAÇÕES VALOR (R$) ANO QT. OPERAÇÕES VALOR (R$) As aplicações em Programas de Geração de Emprego e Renda (Proger) têm origem nos recursos do Fundo excedentes à reserva mínima de liquidez, que são alocados extra-orçamentariamente sob a forma de depósitos especiais remunerados. As instituições (Banco do Brasil, Banco do Nordeste, Banco da Amazônia, Caixa Econômica Federal, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social - BNDES e Financiadora de Estudos e Projetos - FINEP) fazem as operações segundo as normas dos programas, que são definidas pelo Conselho Deliberativo, arcando com os riscos financeiros e pagando ao FAT a remuneração estabelecida. Segundo Lucilene Estevam Santana, que coordena o Proger, desde 1995 foram realizadas pelos diversos programas do FAT 17,6 milhões de operações financeiras, com a liberação de R$ 138,3 bilhões, principalmente para o segmento de micro e pequenos negócios. O público-alvo prioritário dos financiamentos, além das micro e pequenas empresas, são cooperativas e associações de produção, devido aos diversos benefícios econômicos advindos dessa forma de organização e as pessoas físicas de baixa renda, que formam um dos grupos mais atingidos pelo desemprego e com grande potencial de se tornarem empreendedores. Os interessados devem dirigir-se diretamente a uma das agências dos bancos credenciados, onde poderão obter informações sobre a elaboração do projeto de investimento e a documentação necessária para habilitação e apresentar sua proposta de crédito. Serão consideradas a viabilidade das propostas, a capacidade de pagamento e as garantias oferecidas, cabendo a cada instituição a avaliação dos riscos, adianta Lucilene. Financiamentos ampliam negócios e abrem novas vagas de emprego CODEFAT TOTAL Posição em Fonte: SAEP _ CGER/DES/SPPEMTE Buscar um financiamento bancário para aumentar o negócio é uma meta prevista pela grande maioria dos pequenos empresários, porém os juros e a perspectiva do retorno em longo prazo assustam. Sempre pensamos em recorrer ao empréstimo para aumentar os negócios. Foi assim quando resolvemos comprar um caminhão para transporte da produção. As taxas de juros e as condições oferecidas foram decisivas. Quando o gerente me apresentou a linha do Proger, não tive dúvidas, declara a empresária goiana Cléia Barroso Arruda que adquiriu junto a Caixa Econômica Federal e um empréstimo de R$ 264 mil para a compra de 2 máquinas: uma prensa e uma dobradeira de metais. Ela e a irmã Renata Barroso Arruda tocam em Valparaíso e Novo Gama, cidades do entorno do Distrito Federal, uma empresa do ramo varejista de ferragens. Nós adquirimos o empréstimo para comprar o maquinário e produzir aqui na empresa as chapas de metal que antes tínhamos de comprar. Isso além de encarecer o produto, nos impedia de realizar alguns negócios, explica a empreendedora. Hoje a metalúrgica já produz oito toneladas de chapas ao mês, o que possibilitou a contratação de 6 novos funcionários. Hoje tudo que é relacionado a dobra ou corte de chapa é confeccionado na empresa. O que antes demorava até 5 dias para ficar pronto, agora eu entrego no mesmo dia ou no máximo no dia seguinte, afirma. Com o aumento da produção a perspectiva é de ampliar também o quadro de funcionários e ela até já pensam até em um novo empréstimo. Olha, foi muito bom e eu recomendo a quem queira buscar o empréstimo para investimento, assegura a empresária. maio/junho/julho de 2009 Revista Trabalho 11

10 INFORMÁTICA Tecnologia guardada a setes chaves Sala-cofre garante mais segurança ao banco de dados do MTE e maior disponibilidade na troca de informações pela internet Monyke Castilho Consultar na internet se o seguro-desemprego está sendo pago corretamente, enviar acordo ou convenção coletiva de trabalho pelo Sistema Mediador ou simplesmente acompanhar os dados de fiscalização e qualificação divulgados no site do Ministério do Trabalho e Emprego ficou muito mais fácil. Isso porque o MTE conta agora com uma sala-cofre. Mas em vez de jóias e dinheiro, esse cofre guarda o que a atualidade tem de mais importante: a informação. Hoje em dia a informação é tida como o bem mais precioso para as organizações, impactando diretamente no funcionamento e na continuidade dos serviços prestados. Nesta sala-cofre está guardado um conjunto de informações (sistemas e banco de dados) e equipamentos vitais para o funcionamento do Ministério do Trabalho e Emprego. Mas a sua principal finalidade é garantir a confidencialidade e integridade dos dados, assim como preservar a segurança dos equipamentos de interconexão de redes e servidores (computadores com grande capacidade de processamento), explica o secretário-executivo do MTE, André Figueiredo. O passado passado Fotos: Renato Alves A sala anterior, denominada sala de servidores, fora projetada em 1999 e desde então poucas melhorias tinham sido realizadas em sua infraestrutura, rede elétrica, climatização e segurança física. Como não podia deixar de ser, com o passar dos anos o Ministério do Trabalho e Emprego continuou a investir em tecnologia, até que chegou o momento em que o espaço físico da sala não suportou mais receber qualquer equipamento. Apesar da grande responsabilidade de armazenar os servidores, a sala não possuía infraestrutura adequada. Além de ter sido construída em alvenaria, ela tinha vários 12 maio/junho/julho de 2009 Revista Trabalho

11 INFORMÁTICA objetos inflamáveis (fiação em lugares inadequados e carpetes, por exemplo) e nenhum sistema de combate a incêndios. Havia ainda o problema em relação à segurança e ao controle de acesso, assim como recorrentes falhas de energia e de controle de temperatura que faziam que o sistema travasse constantemente, prejudicando, inclusive, o uso do site pela população, lembra o coordenador geral de Informática do MTE, Sérgio Cotia. Tecnologia a serviço do trabalhador Moderna e com dimensões que permitem constantes alterações, a recém inaugurada sala-cofre foi totalmente construída conforme as recomendações da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Agora o local está completamente protegido de acessos indevidos e de calamidades que poderiam prejudicar as máquinas (incêndio, inundação, fumaça, umidade, gases corrosivos, roubo, vandalismo, poeira, explosão, magnetismo). Se já não bastasse tanta inovação, a salacofre também conta com sistema de energia elétrica e climatização contínuos, sendo a supervisão do ambiente realizada por sensores, circuito fechado de TV e alarmes. Essa sala é almejada desde Há 6 anos vários projetos foram elaborados para aquisição de um ambiente seguro, porém sem sucesso até agora. Esse empreendimento leva em conta as novas tecnologias, inclusive a constante redução de medidas dos equipamentos, o que nos ajuda na previsão de que esse ambiente suportará uma expansão de redes e servidores por, pelo menos, mais cinco anos, estima Sérgio Cotia. Investimento Para que as melhorias fossem realizadas, o Ministério do Trabalho e Emprego investiu R$ 5,15 mihões. Valor que será totalmente recuperado em até dois anos, pois com a inovação tecnológica da sala-cofre não será mais necessário contratar alguns serviços que antes eram realizados por empresas terceirizadas. Com a internalização de serviços que hoje são prestados por terceiros, estima-se que a economia realizada será capaz de pagar completamente o investimento feito pelo MTE. Além disso, o contrato firmado para a implantação da sala-cofre prevê garantia integral (inclusive de manutenção) durante os dois primeiros anos. Ou seja, teremos custo zero neste período, explica o secretário André Figueiredo. Não se pode esquecer que a economia é proporcional à segurança, confidencialidade e integridade da informação fornecida, pois a perda de dados críticos ou a interrupção dos serviços prestados podem resultar em prejuízos financeiros ao Ministério do Trabalho e aos serviços prestados à sociedade. O que já era bom, ficou melhor ainda Além da maior disponibilidade no acesso às informações, o usuário se beneficiará com o aumento na segurança das bases de dados armazenadas no site. Por exemplo, quando o cidadão colocar suas informações pessoais para consultar os processos relativos à área de imigração, para procurar Carteira de Trabalho perdida ou simplesmente para fazer sugestões ou tirar dúvidas, ele terá a confiança de que as informações estarão ainda mais protegidas. Antes: Sala construída em material inflamável Goteiras e vazamentos provocados pela utilização de splits (não recomendado para ambientes tecnológicos) Ausência de sistema detectores de fumaça e combate a incêndio Cabeamento instalado pelo forro do teto de forma inadequada e em péssimas condições de manutenção. Ausência de um sistema eficiente de segurança e controle de acesso físico. Climatização deficiente, o que resultava em superaquecimento dos equipamentos de rede, acarretando o travamento das máquinas. Depois Construída em estrutura modular que permite alterar suas dimensões iniciais Protegida de intempéries de toda ordem (incêndio, inundação, fumaça, umidade, gases corrosivos, roubo, vandalismo, poeira, explosão, magnetismo, armas de fogo, impactos, etc.) Sistema automático de detecção e combate a incêndio Ambiente com piso elevado (para passar os cabos de força e de rede) revestido com material anti-estático e antiinflamável Controle de acesso físico feito com tecnologia biométrica digital Sistema de climatização e energia elétrica contínuo, redundante e de alta precisão Sistema de gerador e no-break que proporcionará energia ininterrupta por no mínimo 8 horas consecutivas em caso de queda de energia Monitoramento do ambiente feito por circuito fechado de TV, com gravações e armazenamento das imagens. maio/junho/julho de 2009 Revista Trabalho 13

12 CONSELHO CURADOR DO FGTS Hora de chamar a casa de própria FGTS vai investir R$ 12 bilhões em subsídios a famílias carentes para proporcionar o acesso à moradia O programa vai impulsionar a economia e gerar empregos (Carlos Lupi) Edvaldo Santos O sonho da casa própria começou a se tornar realidade para uma fatia significativa de cidadãos que até então viam essa possibilidade como algo inacessível. Com o lançamento em abril do programa Minha Casa, Minha Vida, o Governo Federal pretende investir R$ 34 bilhões em financiamento habitacional direcionado a subsidiar a compra da casa própria para famílias com renda bruta de até 10 salários-mínimos. Os recursos vão viabilizar a construção de 1 milhão de moradias para as famílias, numa parceria com estados, municípios e iniciativa privada. O programa vai impulsionar a economia e gerar empregos, avalia o ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, presidente do Conselho Curador do FGTS, parceiro do Governo no programa habitacional. Em abril, o Conselho aprovou a aplicação de R$12 bilhões nos próximos três anos. O recurso sairá do Fundo para subsidiar as famílias que ganham de três a seis salários-mínimos. Para 2009 já foram autorizados R$4 bilhões e em 2010 e 2011 estão previstas liberações dos mesmo valores. Os R$12 bilhões aprovados pelo FGTS serão para subsídio, sendo destinados R$ 7,5 bilhões ao Programa do Governo Federal. Para os outros programas do FGTS, que continuarão em operação, serão reservados R$ 4,5 bilhões para atender, em grande parte, os programas voltados para compra de material de construção e imóvel usado, explica o secretário-executivo do Fundo, Paulo Eduardo Furtado. Segundo o secretário, o FGTS disponibilizou este ano R$23 bilhões para o programa Minha Casa Minha Vida, sendo R$19 bilhões para crédito e R$4 bilhões para subsídio às famílias mais carentes. Com a ampliação do subsídio, o orçamento total do Fundo para habitação, saneamento e infra-estrutura urbana chega a R$44 bilhões em 2009, destaca Furtado. Apoio financeiro O subsídio é um recurso sem retorno, uma linha do FGTS para possibilitar às famílias de baixa renda o acesso à habitação. Sem esse apoio do Fundo, muitas famílias não teriam como comprar a casa própria. Para famílias 14 maio/junho/julho de 2009 Revista Trabalho

13 CONSELHO CURADOR DO FUNDO DE GARANTIA POR TEMPO DE SERVIÇO MINHA CASA, MINHA VIDA Quadros Comparativos de Desembolsos do Governo e do FGTS Programa União FGTS Total Subsídio para moradia 16,0-16,0 Subsídio em financiamentos do FGTS 2,5 7,5 10,0 Fundo Garantidor em financiamentos do FGTS que ganham até três salários mínimos o programa do governo oferece subsídio integral, por meio do Programa de Arrendamento Residencial (PAR), inclusive com isenção do seguro. Já as famílias com renda entre três e seis salários-mínimos terão subsídio 2,0-2,0 Refinanciamento de prestações 1,0-1,0 Seguro em financiamentos do FGTS 1,0-1,0 TOTAL 20,5 7,5 28,0 Programa União FGTS Total Financiamento à Cadeia Produtiva - 1,0 1,0 Programa União FGTS Total Financiamento à Infraestrutura 5,0-5,0 Programa Total Subsídio para moradia 4,0 Recursos para financiamentos 19,0 TOTAL 23,0 parcial do FGTS nos financiamentos, com redução gradativa do seguro e acesso a um fundo garantidor do financiamento. Na faixa acima de seis e até dez saláriosmínimos os mutuários não terão subsídios, mas contarão com dois benefícios custeados exclusivamente pelo Tesouro Nacional. Um para refinanciamento de prestações - que alcançará, também a faixa de zero a seis salários-mínimos - com alocação prevista de R$1 bilhão; e outro R$1 bilhão para subsidiar o pagamento do seguro habitacional, que alcançará, também, a faixa de zero a seis salários-mínimos. Na faixa de renda que não contar com subsídio do governo, o adquirente tomará um empréstimo normal, com juros que podem chegar a 8,16%, explica Furtado. Vantagens do Programa Além do subsídio, o programa do Governo traz outros atrativos como o pagamento da primeira prestação somente na entrega do imóvel; pagamento opcional de entrada nos casos de financiamento; comprometimento máximo de 20% da renda; a opção do Fundo Garantidor, que reduz o risco do financiamento; além do barateamento do seguro e desoneração de custos de cartório e fiscal. Com o Plano o governo espera reduzir em 14% o déficit habitacional do país, hoje em 7 milhões de moradias (dados da PNAD 2007), concentrando-se principalmente nas famílias com renda de zero a três salários-mínimos. Para Lupi, o FGTS está fazendo sua parte, sendo hoje o principal agente financiador habitacional do país, principalmente para a classe mais carente da sociedade. Buscamos aprovar no Conselho aquilo que foi possível, dentro das condições do Fundo. Para este ano, já estão garantidos R$4 bilhões para o subsídio e queremos manter esse valor para os próximos dois anos, destaca o ministro. Em Brasília, 2 milhões de pessoas compareceram ao Feirão da Casa Própria até o início de junho. Destes, 330 mil fecharam financiamento de imóvel Fotos: Renato Alves maio/junho/julho de 2009 Revista Trabalho 15

14 POLÍTICAS DE EMPREGO A cara do Sine Em 2008 o Sistema Nacional de Emprego chegou ao primeiro milhão de pessoas inseridas no mercado de trabalho em um único ano. O melhor resultado até o momento havia sido em 2007, com inserções. Isabella Silva UM CIDADÃO NORDESTINO, COM ensino médio completo, entre 20 e 24 anos, e ocupante de um cargo de Auxiliar de Linha de Produção. Esse é o perfil da maioria dos trabalhadores admitidos por intermédio do Sistema Nacional de Emprego (Sine) nos últimos cinco anos. A saga pela contratação de pessoas tem estimulado o Sistema Público que já ajudou a inserir 13,1 milhões de pessoas no mercado formal de trabalho. Levantamento realizado especialmente para a REVISTA TRABALHO revela o perfil dessas contratações. Entre 2004 e 2008, foram mais de 9,7 milhões de vagas ofertadas, para as quais 22,1 milhões de cidadãos foram encaminhados para alguma entrevista e 4,7 milhão conquistaram um novo emprego, ou seja, 48,3% das vagas foram preenchidas. É na Região Nordeste que se encontra o melhor índice de aproveitamento em relação aos colocados por vaga, sendo o Ceará destaque por apresentar, em 2004, o maior percentual, 95%, e Sergipe por ocupar o topo por três anos consecutivos, de 2005 a 2007 (com 92%, 88% e 89%). Alagoas sobressaiu em 2008, com 90% de aproveitamento. O Nordeste tem crescido em ritmo muito acelerado em toda a economia O Nordeste tem crescido em ritmo muito acelerado em toda a economia brasileira nos últimos anos e, por consequência, tem se destacado na geração de empregos em relação às outras regiões (Ezequiel Nascimento) 18 maio/junho/julho de 2009 Revista Trabalho

15 sine Saiba aonde localizar um posto do Sine Acesse Central de Relacionamento (região Sul, Centro-Oeste e estados do Acre, Rondônia e Tocantins) Central de Relacionamento (região Sudeste, Nordeste e Norte, exceto os estados citados acima) brasileira nos últimos anos e, por consequência, tem se destacado na geração de empregos em relação às outras regiões, avaliou o secretário de Políticas Públicas de Emprego, Ezequiel de Sousa Nascimento. Segundo ele, embora seja uma política pública nacional, o atual modelo de gestão do Sine em cada estado está fazendo a diferença e contribuído para o aumento da empregabilidade em todos os cantos do País. Mais tecnologia para garantir mais colocações no mercado de trabalho Para Nascimento, o índice de aproveitamento no período é bastante elevado, se forem consideradas as ferramentas disponíveis pelo Sistema. Atualmente apenas 60% dos postos estão informatizados e ainda não funcionam de forma integrada. A idéia é sanar esse problema já no segundo semestre desse ano, quando lançaremos a intermediação de mão-de-obra em plataforma Web, que funcionará nacionalmente, disse. Trabalhar significa a minha dignidade. Quando desempregado, dependia dos meus pais para tudo, mas agora posso ajudá-los nas despesas de casa (Railson Lima) Essa nova ferramenta facilitará o cruzamento de vagas e aumentará a possibilidade de preenchimento delas. Se, por exemplo, não houver em Brasília trabalhadores qualificados para ocupar uma vaga no local, candidatos de outros estados poderão concorrer. O objetivo é atender o maior número de trabalhadores e diminuir o tempo de espera pelo emprego. Com esse sistema, além de o trabalhador ter a opção de procurar pessoalmente um posto do Sine, ele terá acesso às vagas pela internet e até fazer seu próprio encaminhamento pela rede. A figura do atendente nesse processo servirá para atender os que não têm acesso à internet e para dar orientações de elaboração de currículos e preparação para entrevista para os que procurarem o posto. Vale ressaltar que atualmente ele já age de forma proativa, ou seja, liga para os cidadãos informando sobre as oportunidades existentes. Enquanto o sistema não entra no ar, milhares de brasileiros já têm muito que comemorar. O cearense Railson da Silva Lima, por exemplo, não somente faz parte das estatísticas do Sine, mas de um grupo de pessoas que obteve no retorno ao mercado de trabalho a oportunidade de resgatar sua auto-estima. Depois de 10 meses desempregado, procurou um posto e conquistou o novo emprego. Trabalhar significa a minha dignidade. Quando desempregado, dependia dos meus pais para tudo, mas agora posso ajudá-los nas despesas de casa, ressaltou. Auxiliar de Linha de Produção, ocupação que ajudou a resgatar a autoestima de Railson foi a que mais empregou no Brasil entre 2004 e Foi responsável pela inserção de dos trabalhadores no mercado formal, com 8% das contratações. Oficial de Serviços Gerais aparece logo em seguida com e Trabalhador Rural com Se em Minas Gerais, Rio Grande do Sul e em mais nove estados brasileiros admitiu-se mais Auxiliares de Linha de Produção, no Rio de Janeiro e na Bahia destaca-se o crescimento do número de Operadores de Telemarketing. Em São Paulo, de Oficial de Serviços Gerais. Não foi à toa que essas ocupações apresentaram melhores índices de contratações. Tanto que ajudou a colocar Serviços e Indústria de Transformação em destaque entre os setores com melhores desempenhos, com 1,2 milhão e novos empregados, respectivamente. Construção Civil aparece na terceira posição, maio/junho/julho de 2009 Revista Trabalho 19

16 SINE Se é crescente o número de pessoas com acesso ao Ensino Superior, ainda é no Ensino Médio que se emprega mais pessoas no mercado de trabalho. O Sine não foge a essa tendência, pois o perfil dos contratados é composto de 1,3 milhão de pessoas nessa faixa de escolaridade. O levantamento revela ainda um perfil jovem entre os admitidos. A maior parte está entre 20 e 24 anos. Os homens são as responsáveis pelo maior número de contratações entre 2004 e 2008, respondendo por 63% das admissões, ou seja. 1,1 milhão de empregados. Foi no ano passado que o Sine vivenciou o primeiro milhão de colocações em um único ano. O melhor resultado até o momento havia ocorrido em 2007, com inserções. Um salto de 9% em um ano. Para o secretário Ezequiel Nascimento, tem-se observado nos últimos cinco anos um crescimento contínuo, tanto em relação a oferta quanto às inserções no mercado de trabalho. Sabemos que é um modelo que precisa melhorar, portanto, estamos buscando novas soluções para otimizar os serviços, disse. Além do lançamento da intermediação Web, Nascimento prevê a ampliação da rede, de atendimento, que hoje compreende postos. A ideia é inaugurar CBO Contratação AS OCUPAÇÕES QUE MAIS EMPREGAM Quantidade de Colocações Auxiliar de linha de produção Oficial de Serviços Gerais Trabalhador rural Operador de telemarketing ativo e receptivo Auxiliar de limpeza pequenos postos nos bairros e até oferecer estruturas móveis, como já acontece no meio rural em estados como Pará, Piauí, Mato Grosso ou Maranhão. Se comparado a países europeus, o nosso Sistema Público de Emprego está equilibrado e na América Latina já é considerado o melhor. Temos uma estrutura adequada e um bom número de postos, que dá para cobrir o País inteiro. Além disso, estamos buscando aproveitar os melhores exemplos de outros países para aprimorar aqui e continuar cumprindo o nosso papel, que é ajudar a melhorar a empregabildiade no Brasil, completou. *Os dados relacionados a ocupação, estados, sexo, faixa de escolaridade e etária representam 60% da rede informatizada. O restante compreende 100% da rede. 20 maio/junho/julho de 2009 Revista Trabalho

17 POLÍTICAS DE EMPREGO Fotos: Arquivo Pessoal Indústria naval nem percebe a crise mundial Setor de contrução naval cresce sobretudo por causa do aumento de encomendas da Petrobras Ministério do Trabalho e Emprego atua fortemente na qualificação de profissionais para atender a demanda do setor Luiz Cláudio Bittencourt em seu ambiente de trabalho no Estaleiro Mauá, em Niterói (RJ) Silmara Cossolino A rotina de trabalho do maçariqueiro Luiz Cláudio Bitencourt, 27 anos, começa cedo. Morador do município de São Gonçalo, no Rio de Janeiro, ele acorda às 5h30 para estar às 7h no trabalho. Logo que chega participa do Diálogo Diário de Segurança (DDS) com os demais colegas do estaleiro onde trabalha, em Niterói. Depois de passadas à equipe questões sobre condições de trabalho, com duração de 25 minutos, começam as atividades. Cada empresa tem uma condição de trabalho, mas é claro que se a pessoa puder fazer um curso de qualificação naval é melhor para entrar neste mercado, relata Bitencourt, que há sete anos trabalha no Estaleiro Mauá. Além de Luiz Cláudio, outros estaleiros são associados ao Sindicato Nacional da Indústria de Construção e Reparação Naval e Offshore (Sinaval), que prevê um aumento significativo nas contratações nos próximos anos. Segundo o Sinaval, são estimadas encomendas de 214 novos navios até 2015, o que aumenta em 4,3 milhões de TPB (tonelagem de porte bruto, ou seja, o peso do navio mais sua capacidade de carga) a atual frota mercante sob a bandeira brasileira (3,3 TPB em 2007), que passará a ser de 7,6 milhões de TPB. Cada emprego na indústria naval representa a geração de outras cinco vagas em empresas que desempenham atividades de serviços ou produção de peças. Esse cálculo permite concluir que a indústria de construção naval estimula a criação de cerca de 200 mil postos, ressalta o presidente da Sinaval, Ariovaldo Rocha. O economista Alexandre Gallotti reitera a previsão de crescimento do setor, reativado por conta dos investimentos e encomendas da Petrobras: A companhia tem feito as principais encomendas porque tem que aumentar a frota e se modernizar para dar conta da produção de áreas de pré-sal. 22 maio/junho/julho de 2009 Revista Trabalho

18 Ministério do Trabalho de olho nas necessidades do setor produtivo Para suprir essa demanda é preciso muita mão-de-obra qualificada. No Rio Grande do Sul, uma parceria entre o MTE e o Senai deu inicio a um projeto do Plano Setorial de Qualificação (Planseq) Naval, com a proposta de treinar alunos na cidade de Rio Grande e São Lourenço do Sul. É um setor que ficou muitos anos à deriva, mas que agora, vem recebendo grandes investimentos. No Rio Grande do Sul, o porto está localizado em um ponto estratégico onde há muitos investimentos da Petrobras e de outras organizações. Tanto as exportações de matéria-prima quanto de toras de madeira vão ser um componente a mais para movimentar esse porto, disse o diretor do Senai gaúcho, José Zortea, que OBRAS PREVISTAS PARA 2009 (oportunidades de vagas) 23 navios petroleiros 3 navios para transporte de bunker 24 navios de apoio marítimo é a entidade responsável pela execução do Planseq. A corrida por uma vaga no curso foi grande. São 60 turmas distribuídas em três fases, com término previsto para dezembro deste ano. Foram investidos cerca de R$ 1,1 milhão, sendo R$ 948 mil por parte do MTE. Os trabalhadores terão oportunidade de cursar oficinas de montador de andaime; de estruturas metálicas e de compósitos; de máquinas industriais; além de encanadores e instaladores de tubulações; instalações elétricas; pintores de obras e revestidores de interiores (flexíveis); pintura de equipamentos e caldeiraria e serralheria, entre outros. Jordana Gautério Gondran, 21 anos, é aluna do curso de Instalações Elétricas do Planseq Naval. Estamos aprendendo todo tipo de instalação, tanto para indústria quanto para navegação, disse. A jovem tem se dedicado muito para ter uma oportunidade de emprego ao final do curso. Fernanda Vieira Figueiredo, 23 anos, é colega de Jordana. Ela nunca trabalhou e, por isso, a expectativa de que a capacitação seja passaporte para um emprego com carteira assinada é muito grande. Estava faltando uma oportunidade. Quando vi o curso de instalações elétricas, resolvi me inscrever, conta. Muitas oportunidades no Nordeste Em Pernambuco, o Planseq para o setor de máquinas pesadas formou, em abril de 2009, 850 trabalhadores da construção civil pesada. A expectativa agora é de que estes trabalhadores ingressem na refinaria Abreu e Lima, no Estaleiro Atlântico Sul e no Complexo Industrial Portuário de Suape. A qualificação profissional foi parceria OBRAS PREVISTAS PARA CONTRATAÇÃO ATÉ navios de apoio marítimo 8 plataformas 28 navios-sondas para perfuração em águas profundas. POLÍTICAS DE EMPREGO Estaleitos pessoal empregado fevereiro de 2009 Região Sudeste RJ Niterói São Gonçalo 375 Rio de Janeiro Angra dos Reis Subtotal Região Sudeste SP Guarujá Subtotal Total Região Sudeste Região Sul SC Itajaí Total Região Sul Região Nordeste Ceará 961 Pernambuco Total Região Nordeste Região Norte Pará 382 Amazonas Total Região Norte Total Geral entre o MTE, o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção de Estradas, Pavimentação e Obras de Terraplenagem em Geral (SINTEPAV/ PE), as prefeituras de Ipojuca, Cabo de Santo Agostinho, Escada, Moreno e Jaboatão dos Guararapes e o Governo de Pernambuco. Foram concluídas 26 turmas nas ocupações de operador de máquinas pesadas (patrol e escavadeiras hidráulicas), condutor de caminhão basculante e irrigadeira (pipa), além de operador de trator esteira. Os cursos de qualificação aconteceram no período de outubro de 2008 até abril deste ano, com uma carga horária total de 200 horas para cada ocupação, sendo 120 horas de aulas práticas. A qualificação profissional foi desenvolvida pelo Senai/PE. maio/junho/julho de 2009 Revista Trabalho 23

19 POLÍTICAS DE EMPREGO Valter Campanato/ABr Mercado de trabalho reage à crise e volta a contratar Fila de emprego De janeiro a maio foram gerados 300 mil empregos formais Arthur Rosa 24 maio/junho/julho de 2009 Revista Trabalho Depois de um período tenso, quando a economia e a população brasileiras sentiram os efeitos da crise financeira mundial, o país dá claros sinais de que o pior já passou. Um deles é o reaquecimento do mercado de trabalho, que depois de três meses de saldos negativos entre admissões e demissões, voltou a contratar. O último levantamento do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego, mostra claramente o bom desempenho de todo Brasil com aumento significativo de empregos com Carteira assinada. Só no mês de junho foram gerados novos empregos formais, crescimento de 0,37% em relação ao estoque do mês anterior. Nos seis primeiros meses de 2009, foram Marcello Casal Jr./Abr contabilizados novos postos. O bom resultado mostra que o Brasil foi o único país do G-20 a fechar o semestre com saldo positivo de empregos. Os números que refletem algo concreto (a demanda interna compensa a turbulência externa) só reforçam o otimismo do ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi. O Brasil vê a crise pelo espelho retrosivor. O governo insiste em medidas de incentivo à economia, baixando os juros e incentivando o crédito. Isso vem garantindo o consumo interno e o aquecimento do mercado de trabalho; e já na virada do semestre temos mostras do aumento da demanda nos setores de exportação. O país foi o último a entrar na crise e o primeiro a sair dela, disse Lupi, apontando alguns fatores que são responsáveis por este crescimento no poder de consumo do trabalhador. Hoje, o Brasil tem uma legislação do salário-mínimo entre as mais avançadas do mundo. Seu aumento está vinculado ao crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). Em janeiro de 2003, valia US$ 85. Hoje vale cerca de US$ 200. O mínimo era de R$ 240 no início do Governo Lula e passou para R$ 465 em fevereiro de Só pra ter uma ideia, em 2007 eram de trabalhadores recebendo salário-mínimo, de acordo com a Relação Anual de Informações Sociais (Rais). Boa parte na Administração Pública (444 mil) e no setor de Serviços (346 mil); com pequena prevalência de homens ( ) sobre mulheres ( ). De acordo com análises de técnicos do MTE, esse trabalhador emprega o aumento recebido no ordenado no consumo de bens não-duráveis; como, por exemplo, na melhoria da alimentação da família, aquecendo este setor.

20 POLÍTICAS DE EMPREGO Roosewelt Pinheiro/Abr INTERIOR DO BRASIL MOSTRA TODO O SEU POTENCIAL Além do salário-mínimo, não se pode ignorar o impacto da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) na produtividade da Indústria Automobilística, claramente afetada pela redução nas exportações. Levantamento da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) aponta que foram vendidos 290 mil veículos só no mês de junho, a melhor marca mensal em mais de 50 anos de indústria automobilística nacional. As vendas do último semestre totalizaram 1,425 milhão de unidades. No mesmo período do ano passado foram 1,407 milhão de carros. Otimista, o setor já fala em superar o recorde de vendas de 2,82 milhões em Ações pontuais com forte participação do Ministério do Trabalho também impactaram na geração de emprego. Como a destinação de parte dos recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) em atividades que motivem a economia. É o caso do Programa de Habitação Minha Casa, Minha Vida (mais em matéria na página 14), com investimento do FGTS; e crédito à produção como o Proger (página 10), com dinheiro do FAT. O principal sintoma da recuperação da economia é a empregabilidade. Onde tem crescimento, tem geração de emprego. Na minha avaliação, vamos viver em 2009 o inverso de Ano passado tivemos um início mais forte e depois a queda por conta da crise. Esse ano tivemos um começo ainda impactado pela turbulência financeira internacional, Nem só nos grandes centros urbanos estão as oportunidades de trabalho. Os últimos dados do Caged apontam para o interior do país. As regiões fora das metrópoles de nove estados contribuíram com novos postos nos seis primeiros meses de Em junho, foram mais vagas criadas no interior. O dinamismo está associado, em grande parte, à Agricultura e à cadeia sucroalcooleira da região centro-sul. Os municípios interioranos de Minas Gerais e São Paulo foram os que apresentaram os melhores índices do Caged, ambos com mais de 40 mil vagas criadas. A cidade mineira de Monte Carmelo, por exemplo, gerou empregos, só perdendo para a capital Belo Horizonte, que criou novos postos. A principal atividade do pequeno município é a Agricultura, tendo o cultivo de café sua referência. E foi justamente a Agricultura que alavancou o emprego no Brasil. Sozinha, ela empregou trabalhadores em junho. Esse montante é quase a metade do total de empregos criados. A explicação está no período de safra. Nos dois primeiros meses de 2009, o interior fechou mais vagas do que as regiões metropolitanas. E a procura por trabalhadores para o cultivo foi maior ainda. mas já verificamos a recuperação. Ouso prever que teremos uma geração de 1 milhão de postos até o final do ano. E crescimento da economia de mais de 2%, avalia o ministro Carlos Lupi. Emprego cresce em todas as regiões Os últimos dados do Caged mostram que todas as regiões do país tiveram aumento na contratação formal de trabalhadores em maio e junho, o que sinaliza aquecimento na economia. Em junho, a região do país que apresentou maior aquecimento na empregabilidade foi a Sudeste, sendo Minas Gerais o grande o motor desta recuperação. Foram mais de 45 mil novos postos no sexto mês do ano e de janeiro para cá, ficando atrás apenas de São Paulo, com postos. Um dado curioso que o Cadastro nos convida a refletir são os bons índices conquistados por pequenos municípios, distantes dos grandes centros. Um dos casos é o de Rondônia, no Norte do Brasil, que revelou resultados recordes em toda a história do Caged. Em junho foram criados empregos nesta Unidade da Federação, sendo novos postos com Carteira assinada desde janeiro de 2009, uma taxa de crescimento de 6,8% em relação ao estoque de assalariados de dezembro de 2008 muito acima da média nacional no período (0,56%). Além disso, o município apresentou o maior percentual de crescimento dentre todos os estados do Brasil. E qual o motivo deste destaque? O investimento na Construção maio/junho/julho de 2009 Revista Trabalho 25

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