REÚSO DE ÁGUA CINZA EM BACIAS SANITÁRIAS. Palavras-chave: Reúso, Água cinza, Bacias sanitárias, Recursos hídricos.

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1 REÚSO DE ÁGUA CINZA EM BACIAS SANITÁRIAS Gilsâmara Alves Conceição 1 João José Cerqueira Porto 2 1 Universidade Federal da Bahia, Escola Politécnica. Av. Cardeal da Silva, 132, Federação, Salvador-BA, Brasil. 2 Universidade Federal da Bahia, Escola Politécnica. Av. Cardeal da Silva, 132, Federação, Salvador-BA, Brasil. Resumo. O notável aumento da relevância das questões relacionadas à disponibilidade hídrica no mundo tem pressionado governos e entidades não governamentais a direcionarem esforços no sentido de obter soluções para a escassez dos recursos hídricos. Partindo deste cenário, o presente artigo propõe a apresentação de uma avaliação da alternativa de reúso de água cinza para lavagem de bacias sanitárias como uma importante alternativa de redução do consumo humano. Além disso, o proposto também aponta casos de sucesso no Brasil e em outros países, buscando tornar mais factível a utilização desta alternativa por uma parcela cada vez maior da população mundial. A análise desenvolveu-se a partir de trabalhos elaborados por pesquisadores da área e informações obtidas em sites de instituições governamentais de considerável relevância para o tema proposto. Através dos argumentos e resultados prospectados da análise dos trabalhos, concluiu-se que o reúso de água cinza em análise se constitui numa importante alternativa para a redução da demanda de água no mundo e garantia da disponibilidade hídrica para futuras gerações. Observou-se também que ainda é bastante incipiente a propagação desta solução, sendo de suma importância, a tomada de inicativa de governos e organizações privadas, para que a referida alternativa de reúso seja cada vez mais utilizada. Palavras-chave: Reúso, Água cinza, Bacias sanitárias, Recursos hídricos. 1. INTRODUÇÃO O aumento populacional e suas implicações trazem a tona a grande demanda pelos recursos naturais, com destaque para a água, responsável pela composição de 70 a 80% do corpo humano, sendo portanto, um recurso vital para a sua existência. A população atual de 7,2 bilhões deve chegar a 9,6 bilhões em 2050 (ONU, 2013), tornando imprescindível a adoção de medidas que otimizem a utilização dos recursos naturais. O crescente aumento da demanda por água para atender seus habitantes reforçam as preocupações de racionamento em um futuro próximo e acirram a competição entre os países pelos recursos hídricos. Este trabalho analisa a prática do reúso de esgoto doméstico oriundo de pias e lavatórios, na lavagem de bacias sanitárias como uma importante alternativa para redução da captação de água doce dos mananciais existentes. Destaca-se também a necessidade de atendimento aos requisitos mínimos de qualidade para o referido reúso, bem como a legislação vigente sobre este tema e alguns casos de sucesso no Brasil e em outros países. 1

2 2. DEMANDA E DISPONIBILIDADE Considerando que apenas as águas superficiais e uma parcela das águas subterrâneas estão disponíveis para o nosso consumo, apenas 0,006% da água doce do mundo é considerádo de fácil a cesso e portanto, disponível de fato. Este percentual se distribui pelo mundo na proporção apresentada na Tabela 1. Tabela 1. Disponibilidade hídrica e distribuição da população Continente % da população mundial % dos recursos hídricos mundiais América do Norte e Central 8% 15% América do Sul 6% 26% Europa 13% 8% África 13% 11% Ásia 60% 36% Austrália e Oceania < 1% 5% Fonte: WWAP/UNESCO, 2003 A análise dos dados mostra que a distribuição da população não acompanha a distribuição dos recursos hídricos, tornando a sua disponibilidade relativamente baixa nos países do continente asiático, e relativamente alta na américa do sul. Nos países mais secos do mundo, um cidadão tem direito a, no máximo, oito litros de água por dia, valor muito abaixo dos 50 litros que a ONU recomenda. Dentro dos atuais padrões de consumo, este valor tende a aumentar. O Brasil é um dos países com maior disponibilidade hídrica, no entanto, apresenta bastante variade na distribuição. O norte e o centro-oeste possuem abundância de água, mas estas regiões abrigam apenas 14,5% dos brasileiros. O restante do potencial hídrico (aproximadamente 10%) é distribuído pelas regiões nordeste, sul e sudeste, onde se localizam 85,5% da população e, portanto, 90,8% da demanda total de água do país (IBAMA, 2002). A maior parte do consumo de água nacional é destinada a agricultura, 72%, a indústria brasileira consome aproximadamente 22% da água, apenas 6% é destinado para uso exclusivamente humano (ONU). Destes 6%, uma das maiores parcelas tem como destino as bacias sanitárias, conforme apontam os diferentes estudos resumidos na tabela abaixo: Figura 1. Distribuição do consumo de água residencial [2] 2

3 Nas construções comerciais ou públicas não é possível determinar uma distribuição média, em função da grande variedade de atividades exercidas nas edificações. 3. REÚSO DE ÁGUA Reúso da água é a reutilização da água, que, após sofrer tratamento adequado, destina-se a diferentes propósitos, com o objetivo de se preservarem os recursos hídricos existentes e garantir a sustentabilidade. [3] O Conselho Econômico e Social das Nações Unidas, em 1958, estabelece que "a não ser que exista grande disponibilidade, nenhuma água de boa qualidade deve ser utilizada para usos que toleram águas de qualidade inferior". Assim, o reúso se mostra ação essencial para se alcançar uma boa gestão dos recursos hídricos. Embora não seja considerada prática de prevenção na fonte, a prática do reúso de água pode ser considerada de grande valor, dada a limitação da redução do seu consumo. Consumir água é atividade inerente a existência de vida e, diante desta realidade irrevogável, nos resta a adoção de medidas para otimizar este consumo. Reutilizar é uma forma indireta de reduzir o consumo de água, acarretando vantagens ambientais e econômicas. O estado e consumidor se beneficiam no faturamento da água, na redução no consumo de energia elétrica, manutenção dos equipamentos e operação do sistema envolvidos na captação. Isto implica em redução nos custos de esgotamento e tratamento, e aumento de vida útil das estações. A Agência Nacional de Águas (ANA), recomenda a seguinte classificação para as águas de reúso: Tabela 2. Classificação de água de reúso em edificações [1] CLASSES Água de reúso Classe 1 Água de reúso Classe 2 Água de reúso Classe 3 Água de reúso Classe 4 USOS PREPONDERANTES descarga de bacias sanitárias; fontes ornamentais (chafarizes, espelhos de água etc.); lavagem de pisos, roupas e veículos usos na construção; lavagem de agregado; preparação de concreto; compactação de solo e controle de poeira irrigação de áreas verdes e rega de jardins resfriamento de equipamentos de ar condicionado 3

4 A água com destino à reutilização em bacias sanitárias pertence a Classe 1 e apresenta as seguintes restrições [1] : - não deve apresentar mau-cheiro; - não deve ser abrasiva; - não deve manchar superfícies; - não deve deteriorar os metais sanitários; - não deve propiciar infecções ou contaminação por vírus ou bactérias. A depender das suas propriedades físico-químicas e microbiológica, a água proveniente de pias, lavatórios, chuveiros (água cinza) pode ser utilizada, sem tratamento, para descarga de bacias sanitárias e lavagem de pisos. A água originária de efluentes com resíduos de bacias sanitárias só deve ser utilizada novamente para os mesmos fins após tratamento [3]. Devem ser respeitados os padrões estabelecidos para cada uso. Tabela 3. Limites estabelecisos para reúso em descarga de bacais sanitárias - normas brasileiras [4] 4

5 Tabela 4. Legislações brasileiras que regulamentam a utilização de fontes alternativas de água [4] 4. REÚSO EM BACIAS SANITÁRIAS: CASOS DE SUCESSO Apesar de o reúso ser uma realidade em muitos países, ele é preferencialmente aplicado para fins agrícolas e não para o abastecimento doméstico. Em alguns países, como a Austrália, os sistemas de reaproveitamento das águas cinzas também abrangem os esgotos provenientes das pias das cozinhas e máquinas de lavar louça, dependendo das características e do grau de poluição desses. Mas, normalmente, se recomendada a exclusão desses efluentes por serem densamente poluídos por substâncias químicas dos detergentes e produtos de limpeza e, também, por conterem grandes cargas orgânicas e gorduras, que atrapalham a estabilização e encarecem demasiadamente o tratamento das águas. Na Alemanha, o Arabella-Sheraton-Hotel, construído em 1996, é referência como pioneiro em reúso de água para fins não potáveis. Localizado na cidade de Offenbach, uma região de intensa atividade industrial e consumo de recursos hídricos, com histórico de problemas de poluição, hoje mitigados graças ao investivento do governo em controle de poluição e tratamento de esgotos. O hotel, considerado de luxo, coleta de forma segregada a água de duchas e banheiras, trata e a reutiliza nas bacias sanitárias dos seus, aproximadamente, 200 quartos. [2] O Japão desde a década de 60 possui vários projetos de reúso e recuperação de água residual. Em função de ser um país populoso, com disponibilidade hídrica limitada para atender a população, tem um avanço considerável em termos de otimização do uso de recursos hídricos. Diversas cidades reutilizam os efluentes das estações de tratamento de esgoto para abastecer instalações urbanas, incluindo a decarga de sanitários. O reúso de águas cinzas em vasos sanitários é bastante comum nas grandes construções. Em 1996, quase 1% de todo o consumo doméstico já era abastecido por água de reúso. [2] 5

6 No Brasil, ganha destaque o a instalação de um sistema para descarga zero de efluentes do parque temático Hopi Hari, localizado em Campinas. Todo o esgoto gerado é coletado e tradado para ser reutilizado pelo próprio parque, com destino a irrigação da área verde de m 3 e aos vasos sanitários. A estação trata em média a vazão de 600 m 3 por dia, variando em função do número de visitantes. 5. CONCLUSÃO O reúso de água em bacias sanitárias apresenta-se como uma medida tecnicamente viável de redução do consumo de água, no entanto, os altos custos com o tratamento a torna economicamente pouco atraente, quando comparada ao custo da água potável. No Brasil os sistemas duplos ainda estão longe da realidade das edificações, principalmente em escala residencial. No entanto, a reutilização de água em bacias sanitárias pode se mostrar uma medida economicamente viável em estabelecimentos comerciais ou indústrias. É necessário romper a barreira cultural que produz um receio com relação à qualidade da água de reúso. O reúso de água é uma alternativa de remediação imediata que, em longo prazo, se torna uma ferramenta de prevenção de situações de escassez. 6. BIBLIOGRAFIA 6.1 GONÇALVES, O. M., HESPANHOL, I., OLIVEIRA, L. H. et al., Conservação e Reúso de água em edificações. Ministério do Meio Ambiente, Agência Nacional de Águas, SindusCon-SP, FIESP, São Paulo, SP, Prol Editora Gráfica. 6.2 HAFNER, A. V., Conservação e reúso de água em edificações - Experiências Nacionais e Internacionais. 6.3 FIORI, S., FERNANDES, V. M. C., PIZZO, H.,2006. Avaliação qualitativa e quantitativa do reúso de águas cinzas em edificações. 6.4 BAZZARELLA, B. B., Caracterização e aproveitamento de água cinza para uso não-potável em edificações. 6

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