Os movimentos dos sem-teto da cidade de São Paulo: semelhanças e diferenças

Tamanho: px
Começar a partir da página:

Download "Os movimentos dos sem-teto da cidade de São Paulo: semelhanças e diferenças"

Transcrição

1 Os movimentos dos sem-teto da cidade de São Paulo: semelhanças e diferenças Nathalia C. Oliveira * Resumo: Nosso objetivo é entender quais as semelhanças e diferenças entre três dos principais movimentos dos sem-teto da cidade de São Paulo: MMC (Movimento de Moradia do Centro), MSTC (Movimento Sem-Teto do Centro) e MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto). Centrar-nos-emos, inicialmente e de maneira mais profunda, na semelhança entre eles. Estamos falando aqui das suas bases sociais e da classe social a qual pertencem os sem-teto. No que se refere às diferenças entre os três movimentos, abordaremos de maneira bem provisória (já que a pesquisa se encontra em andamento) suas respectivas orientações político-ideológicas, principalmente no que se refere à resistência ao neoliberalismo. Palavras-chave: Movimentos dos sem-teto; classes sociais; capitalismo neoliberal. Abstract: Our matter is to understand what are the similarities and differences among three of the main homeless movements from São Paulo city: MMC (Movimento de Moradia do Centro), MSTC (Movimento Sem-Teto do Centro) and MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto). Firstly, we will focus on the similarities, this mean, social basis and understanding about what social class the homeless belongs to. Secondly, we will start a brief discussion (since our research is still in process) about the different political-ideological orientations, mainly about the neoliberalism resistance. Keywords: Homeless social movements; social class; neoliberalism O texto a seguir é fruto de uma pesquisa ainda em desenvolvimento e nosso objetivo é iniciar uma comparação entre três dos principais movimentos dos sem-teto da cidade de São Paulo, no que se refere à base social, organização, reivindicações e orientações político-ideológicas. Para isso, escolhemos três movimentos, a saber, MMC (Movimento de Moradia do Centro), MSTC (Movimento Sem-Teto do Centro) e MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto). Centrar-nos-emos na semelhança entre os movimentos dos sem-teto, nos referindo aqui às suas bases sociais e à classe social a qual pertencem os sem-teto. Defendemos a importância de se analisar a base social dos movimentos sociais e assim identificar o seu caráter classista. No que se refere às diferenças entre os três movimentos, faremos apenas algumas constatações provisórias e indicaremos nossa hipótese principal a respeito da heterogeneidade das orientações polítco-ideológicas dos diferentes movimentos. * Mestranda em Ciência Política pela Unicamp, integrante do grupo Neoliberalismo e Relações de Classes, alocado ao Cemarx. End. eletrônico:

2 Semelhanças Classes sociais e movimentos sociais: Uma importante temática trazida pelos novos movimentos sociais é a idéia de se falar de igualdade e diferença ao mesmo tempo. Aliás, a igualdade está na base da reivindicação de ser e poder ser diferente. É interessante atentar que igualdade e diferença não devem ser considerados como coisas opostas, contraditórias e incompatíveis. Com isso, se tem a possibilidade de compreender melhor a diversidade e a heterogeneidade desses movimentos. E ainda temos a idéia de diferença dentro da diferença. Por exemplo, o grupo das feministas: dentro dele há diferenças entre as lésbicas, as negras, ou ainda, as pobres. Distintamente do sentido comum dado pelos autores, creio que essa noção da diferença dentro da diferença possibilita que compreendamos melhor a relação entre duas feministas: uma da classe trabalhadora e outra da classe burguesa, por exemplo. Elas são iguais e diferentes, sem que isso possa representar uma noção de contraditoriedade. Assim, percebe-se que os novos movimentos sociais exigem que sejam interpretados em suas diversas dimensões. Sendo que as principais pareceram ser: classes sociais e identidade; economia e cultura. No nosso entender, os autores que sabem da importância deste estudo em diversas dimensões, se diferenciam pela questão de ênfase : referencial teórico e ideologia do pesquisador. De um lado, e certamente este é o lado da maioria, se assume que é possível haver uma influência do econômico nas reivindicações e interesses dos movimentos, no entanto, isso não basta e é fundamental que se analise a cultura, os valores, identidades. De outro lado, tem-se que para uma análise da realidade é necessário que se leve em conta vários fatores: ideológicos, políticos e econômicos, sujeito e estrutura. No entanto, em última instância, é a estrutura que pauta grande parte das reivindicações e interesses, e as classes sociais são um dos elementos mais importantes para compreender os movimentos sociais e a luta política atual. É bem verdade que existem autores extremistas, tanto de um lado, como de outro. No entanto, creio que a maioria dos pesquisadores pensa na articulação das múltiplas determinantes. É pensando nesta articulação, porém com a ênfase maior no que se refere às classes sociais, que realizamos nossa pesquisa sobre os sem-teto.

3 Igualdade e diferenças É necessário entender que os movimentos dos sem-teto são constituídos por famílias, ou seja, participam deles pai, mãe, filhos, avós, jovens e crianças 1. Há, assim, uma grande diversidade entre os comportamentos, necessidades e ações desses membros. Podemos dizer que apesar de a base social ser semelhante nos três movimentos aqui pesquisados, certamente esta não é uma base homogênea no que se refere ao gênero, etnia, idade e identidades. Os sem-teto são homens, mas a maioria são mulheres, existem brancos e negros. Ao lado dos idosos estão as crianças, inclusive os recém-nascidos e os jovens sem preparo para o mundo do trabalho. Os sem-teto da cidade de São Paulo abrangem migrantes, pessoas advindas de outros estados brasileiros (em sua maioria nordestinos); paulistas, pessoas que deixam a zona rural para se lançarem no solo urbano; e também paulistanos, filhos de São Paulo que se encontram a margem da sociedade capitalista. Para além da luta dos sem-teto, há setores dos movimentos que ainda têm a luta contra a opressão feminina ou a luta contra a homofobia. O preconceito racial e o preconceito em relação aos migrantes nordestinos também devem ser mencionados. A renda média familiar dos sem-teto é muito baixa de modo que mesmo aqueles que ainda conseguem vender a sua força de trabalho (muitos se encontram desempregados) não têm condições de pagar um aluguel e, ao mesmo tempo, comprar alimento para a família. E isso é um dos principais fatores que une estas pessoas em movimentos reivindicatórios de moradia. Dessa maneira, se um homem ou mulher faz parte dos movimentos dos sem-teto é porque sua reivindicação imediata é a moradia, sua situação sócio-econômica não é nada favorável. E, apesar dos sem-teto terem trajetórias, gêneros, opções sexuais e identidades diferentes, estão todos na mesma luta, conseqüência de estarem na mesma situação socioeconômica, apesar de toda diversidade, de todas as diferenças, são iguais, são sem-teto. Pertencem à classe trabalhadora: explorada pelos capitalistas que no intuito de aumentar a sua riqueza, aumentam também a miséria da classe trabalhadora. Mulher, mãe e sem-teto É notória a forte presença das mulheres nos movimentos dos sem-teto e não seria justo deixar de discutir isto, já que, durante muito tempo, a mulher não esteve presente 1 Gonçalves (2005) fala que para o MST, a luta pela terra é considerada uma luta da família. Acreditamos assim que os movimentos os sem-teto também apresenta esta luta da família.

4 no mercado de trabalho e muito menos organizadas socialmente e politicamente. As relações sociais devem ser pensadas sim do ponto de vista do gênero, sem esquecer, no entanto, da grande importância das classes sociais. Souza-Lobo, em A classe operária tem dois sexos, demonstra que apesar de haver todo um universo da classe trabalhadora, esta possuía dois sexos e isso deveria ser aprofundado para que se pudesse fazer uma boa análise sociológica da realidade. Assim, Souza-Lobo introduz na análise elementos como a divisão sexual do trabalho, relações de gênero, dominação masculina, segregação ocupacional, etc. Lobo defende que há trabalhos próprios e qualificados para homens e mulheres, ou seja, há uma forte relação entre sexo e mercado de trabalho, há uma segregação ocupacional. Vide exemplo de atividades como empregada doméstica, babá e manicure. A divisão sexual do trabalho encontra reflexos na divisão de tarefas nas ocupações de prédios e terrenos realizadas pelos sem-teto. Por exemplo, no MMC (Movimento de Moradia do Centro) a portaria e segurança das ocupações ficam por conta dos homens, enquanto a parte da limpeza fica para as mulheres. Uma das lideranças ainda justifica que a segurança fica com os homens, principalmente no inicio da ocupação, porque os homens agüentam mais o impacto, embora as mulheres tivessem condições já que existem hoje muitas policiais femininas e seguranças mulheres. Nos acampamentos do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto) as famosas cozinhas comunitárias, coletivas, são coordenadas principalmente por mulheres, copiando assim a lógica da divisão sexual do trabalho. Foi no MSTC (Movimento Sem-Teto do Centro) que encontramos mulheres na portaria, no entanto, não temos elementos suficientes para afirmar que neste movimento, nos momentos das ocupações, há um status de igualdade entre homens e mulheres e que a divisão sexual do trabalho é rompida. Mesmo porque ao mesmo tempo em que as mulheres estão na portaria, os homens são naturalmente considerados como retraídos para a cozinha. Nun (2000) se refere às profundas modificações que vêm ocorrendo por toda parte na estrutura ocupacional. O trabalhador típico, o operário industrial chefe de família, dá lugar para as mulheres sem cônjuge que sustenta a família com um emprego temporário e mal-remunerado no setor de serviços. A categoria de trabalho não qualificado se feminiza cada vez mais. O setor terciário é gueto ocupacional feminino e a concentração esta principalmente no emprego doméstico (Gonçalves, 2003). Quando a mulher entra no mercado de trabalho não há uma redefinição da esfera da família entre papéis de homens e mulheres, de modo que a

5 mulher fica aprisionada duplamente: casa e trabalho, tendo assim uma intensificação da carga de trabalho. Geralmente as mulheres participam de movimentos que são voltados para a reprodução social: creche, saúde, habitação, melhores condições de vida. Os movimentos sociais são, em grande parte, resultados de uma relação causal entre miséria e demanda. E é isso que pode explicar a grande participação das mulheres nos movimentos dos sem-teto. Ademais, existe a questão da maternidade. Não é raro encontrarmos muitas mulheres, chefes de famílias, que vão com seus filhos lutar por uma moradia, unindo-se aos movimentos dos sem-teto. Em algumas entrevistas com a base dos movimentos, muitas mulheres diziam estar naquela luta, nas situações precárias das ocupações, por causa de seus filhos, como tentativa de dar uma vida mais digna para eles. É mais que comum encontrarmos a presença de inúmeras mulheres grávidas ou com bebês, que participam das ocupações, inclusive, algumas delas entram em trabalho de parto durante os momentos críticos das ações de reintegrações de posse. O poder das mulheres nas ocupações passa a ser mais notório, há casos de ocupações em que o número de mulheres chega a 70% do total dos ocupantes. É comum serem as mulheres as coordenadoras dos movimentos dos sem-teto, são elas também as grandes lideranças das ocupações e acampamentos. Os movimentos dos sem-teto como um movimento classista O conceito de classe social utilizado aqui vem da tradição marxista que o relaciona com a posição que os agentes ocupam na estrutura produtiva. No entanto, uma classe social não é um dado exclusivamente econômico, como também não é apenas uma construção social, fundada nas relações concretas estabelecidas entre os agentes sociais. Assim, uma classe se define a partir da posição dos agentes na estrutura econômica, porém só se constitui enquanto classe nos conflitos, nas lutas, no processo de mobilização política que passa pela capacidade de agregar interesses e construir solidariedades. Deve-se pensar a classe social como um fenômeno, ao mesmo tempo, econômico, político, objetivo e subjetivo: (...) é no terreno das formações sociais em conjunturas especificas que se decide a formação do operariado como classe. Não há, no plano das relações de produção e das forças produtivas capitalistas, que representa o nível econômico do modo capitalista de produção, nada que torne inevitável, ao contrario do que sugere o economicismo, a formação da classe operaria como classe ativa. (...)

6 Mas não há, tampouco, uma formação de classe operária apenas no nível das práticas sociais (BOITO JR., 2003, p. 246). De acordo com Marx em O 18 Brumário de Luis Bonaparte, o conceito de classe social pode ser utilizado não somente nos momentos em que os agentes da produção estão mobilizados num embate em torno da preservação ou da revolucionarização da ordem vigente, mas sim no momento em que os agentes atuam no processo político visando manter ou conquistar posições na distribuição da riqueza ou na balança do poder. O conflito de classes aparece assim como um fenômeno político permanente e das maneiras mais distintas possíveis. Pensando nesta definição de classe, para dizermos que os movimentos dos semteto possuem um caráter classista, devemos verificar qual é a posição dos sem-teto na estrutura produtiva e de que maneira eles agregam interesses e constroem uma solidariedade. A posição dos agentes na estrutura produtiva: Os sem-teto necessitam vender a força de trabalho para conseguirem sobreviver, são, portanto, trabalhadores destituídos dos meios de produção. Numa formação social concreta, a configuração de classes sociais é mais completa de modo que tanto a classe trabalhadora, quanto a classe dominante devem ser pensadas no plural já que cada qual contém suas frações de classes com interesses econômicos diversificados (POULANTZAS, 1977). Com o processo de reestruturação produtiva, a bipolarização das classes sociais não se encontra tão bem definida (capitalista e operário de indústria) e, por isso, o conceito de frações de classes se tornam um bom recurso analítico. Sendo assim, acreditamos que os sem-teto, no que se refere ao nível da produção, pertencem à classe trabalhadora, ou melhor, a uma fração da classe trabalhadora que podemos denominar de massa marginal. Este conceito de massa marginal, dentro da concepção marxista, trata a marginalidade no nível das relações produtivas, e não de consumo. O debate a este respeito tem suas bases na teoria da população, elaborada por Marx no capitulo XXIII, A Lei Geral da Acumulação Capitalista, de O Capital e em Grundrisse.

7 Tal debate se deu de maneira intensa na década de 1970, dentro do contexto latino americano e acreditamos ser válido até os dias atuais. Destacaremos dois principais autores: José Nun e Lúcio Kowarick. Nun propõe uma nova categoria para designar as manifestações não funcionais do excedente da população: a massa marginal. Se por um lado o sistema gera este excedente, por outro, não precisa dele para continuar funcionando. Gera-se uma massa marginal não absorvível pelo setor hegemônico da economia e que não possui uma relação de funcionalidade com a acumulação, mas de afuncionalidade ou desfuncionalidade. Nun fala que a massa marginal se refere tanto aqueles que não têm emprego quanto aos que têm de forma precária, aos que não se encontram no setor das grandes corporações monopolistas (fora do tipo dominante de organização produtiva) e dá mais detalhes a respeito dos tipos básicos de implicação marginal no processo produtivo: 1) diferentes modos de fixação de mão-de-obra: a) rural por conta própria : comunidades indígenas, minifundiários de subsistência, pequenos mineiros; b) rural sob proteção : colonos sem-servis de fazendas tradicionais, comunidades dependentes ou cativas, trabalhadores vinculados por métodos coercitivos mais ou menos manifestos; c) urbano por conta própria : pequenos artesões pré-capitalistas, d) urbano sob patrão : trabalhadores, especialmente em serviços domésticos, adstritos a um fundo de consumo e que não recebem salário em dinheiro. 2) mão-de-obra livre de qualquer forma de enraizamento pré-capitalista, que fracassa, total ou parcialmente em seu intento de incorporar-se de maneira estável ao mercado de trabalho. A distinção que importa aqui é entre urbano e rural e as formas compreendidas são: desemprego aberto, a ocupação refúgio em serviços puros, o trabalho ocasional, o trabalho intermitente e o trabalho por temporada. 3) abrangem os assalariados dos setores menos modernos, onde as condições de trabalho são mais rigorosas, as leis sociais têm escassa aplicação e as remunerações oscilam em torno do nível de subsistência. Nun (1978, p. 125) conclui: Até aqui me referi, sobretudo à instancia econômica porque constitui ela o nível básico de emergência do problema da superpopulação relativa, cujas relações com o sistema nos marcos do capitalismo permitem distinguir uma marginalidade funcional, a do exercito industrial de reserva, e outra não funcional, a da massa marginal.

8 Kowarick não distingue a massa marginal do exército industrial de reserva e por isso a população marginal não é disfuncional ao capitalismo. A massa marginal garante sua funcionalidade ao capitalismo porque funciona como exército industrial de reserva, servindo assim para que os salários sejam fixados a preços muito baixos devido à concorrência entre os trabalhadores (barateamento do custo da reprodução da força de trabalho). E a segunda função está no que se refere ao momento da expansão do capital, momento em que os trabalhadores são lançados em diferentes e novos pontos da produção, participando de testes sem que isso prejudique os outros ramos. A marginalidade é inerente ao sistema capitalista, embora se apresente de maneira diferente entre os países: nos desenvolvidos apresenta-se como um fenômeno transitório, não permanente; já na América Latina, é algo constante e cada vez maior. Kowarick afirma que o capitalismo monopolista não é um novo capitalismo, a essência da acumulação é a mesma: exploração do trabalhador através do qual efetiva a criação de mais valia. Se a população sobrante aumenta, isso não implica dizer que ela deixa de ter funções para o capital. No entanto, Kowarick não nega que tenha havido algumas mudanças entre o capitalismo competitivo e o monopolista, porém isso não é o suficiente para negar a existência de uma grande identidade entre os conceitos: exército industrial de reserva e massa marginal (mão de obra marginalizada). Segundo a definição de Kowarick, um grupo deve ser caracterizado como marginal, na medida em que encarna as novas relações de produção não tipicamente capitalistas (terceiro setor) e/ou as velhas formas tradicionais (artesanato e indústria domiciliar). A parcela marginal da sociedade é um segmento da classe trabalhadora que se distingue do assalariado a partir de um modo peculiar de inserção nas estruturas produtivas, não tipicamente capitalistas, mas também não destituída de importância no processo de acumulação. Como forma de diferenciar o trabalhador assalariado do trabalhador marginal, Kowarick diz que enquanto o primeiro sofre uma exploração intensiva, o segundo sofre uma exploração extensiva aqui se faz referência à baixa remuneração, insegurança no emprego, divisão rudimentar das tarefas e baixa tecnologia. Kowarick nos apresenta os diferentes tipos de empregos que indicam modalidades de inserção marginal nas estruturas produtivas: artesanato, trabalhador autônomo, comercio de mercadorias (ambulantes), prestação de serviços (alojamento, alimentação, reparação e instalação de máquinas e atividades domésticas remuneradas.

9 Assim, temos de um lado a funcionalidade da massa marginal, que ela faz parte do exército industrial de reserva e, de outro lado, temos a afuncionalidade ou até mesmo a desfuncionalidade desta massa. No entanto, estamos falando aqui de funcionalidade estritamente econômica, se ampliarmos para as esferas políticas e ideológicas fica muito difícil de negar a idéia de funcionalidade da massa marginal. De acordo com Oliveira (1997), mesmo um menino de rua que vive de pequenos roubos, teria sua utilidade indireta ao capital no sentido de que serve como contraexemplo para os bons filhos dos trabalhadores que precisam ser disciplinados. Temos então uma funcionalidade ideológica da massa marginal. Apesar da discordância no que se refere à funcionalidade, parece haver um consenso entre os autores no que se refere a quem são os trabalhadores marginais. Esses seriam aqueles que estão à margem do tipo de organização produtiva dominante: indústria monopolista. Eles seriam, portanto: subempregados, desempregados, com trabalho temporário (os chamados bicos ), ou ainda, deixam de ser trabalhadores assalariados e passam a ser autônomos (como por exemplo, os camelôs). E como sabemos, os sem-teto possuem uma absorção pelo mercado de trabalho capitalista semelhante a dos trabalhadores marginais. Daí afirmamos que a maioria dos sem-teto são trabalhadores marginalizados. Fizemos uma listagem das principais ocupações dos sem-teto 2. Muitos deles se encontravam desempregados e as principais profissões mencionadas foram: pedreiro, ajudante/servente de pedreiro, auxiliar de entregas, metroviário, cobrador de lotação, caminhoneiro, garçom, lavador de carros, camelô, ambulante, comerciante, ajudante geral, auxiliar de serviços gerais, mecânico, pintor de paredes, soldador, doméstica, diarista, cozinheira, garçonete, auxiliar de enfermagem, aposentada, costureira, exlavradora e dona de casa. Estamos falando aqui, portanto, de trabalhadores marginalizados. A construção social da classe: a reunião dos agentes em coletivos A construção de uma classe passa pela idéia de ser e de se reconhecer como igual socialmente e portadores de interesses comuns. E é isso que acontece com os semteto ao perceberem que se encontram na mesma situação socioeconômica, partilham as mesmas necessidade e têm, portanto, os mesmo interesses, no caso aqui: uma moradia 2 Esta listagem foi fruto da análise de reportagens sobre os sem-teto na grande imprensa e da nossa observação durante a realização da pesquisa de campo.

10 digna para suas respectivas famílias. Agregando estes interesses vem a necessidade de organização do coletivo, de organização do movimento que reivindica a moradia. Trava-se assim uma luta política, uma luta de classes, ou melhor, uma luta entre frações de classes: os trabalhadores marginalizados versus os capitalistas imobiliários, além é claro, da presença do Estado. Com o que temos até aqui já é o suficiente para afirmarmos que os movimentos dos sem-teto são movimentos classistas, são compostos pela classe trabalhadora, mais especificamente, pelo setor mais pobre desta classe, a massa marginal. A principal reivindicação deste movimento é característica da classe trabalhadora: uma moradia digna já que os sem-teto não têm condições de se alimentarem e pagar um aluguel. No que se refere ao posicionamento político dos movimentos parecem haver diferenças, e será sobre essas que trataremos a seguir. Diferenças Reivindicações e orientações político-ideológicas: A reivindicação imediata dos movimentos dos sem-teto é uma moradia, é essa carência que os fazem se organizar em movimentos sociais. Essas pessoas vivem no constante (di) lema: Se pagar o aluguel, não come. Se comer, não paga o aluguel. Temos, portanto, como principais reivindicações o aperfeiçoamento dos programas habitacionais existentes e suas aplicações efetivas para a parcela mais pobre da população. Apesar da reivindicação de urgência dos diferentes movimentos dos semteto ser a mesma, os movimentos que atuam na periferia reivindicam moradia neste local, enquanto os movimentos que atuam no centro, objetivam conquistar um espaço na região central. O espaço de atuação não é a única diferença entre esses movimentos, eles também se diferem por suas orientações político-ideológicas e formas de organização. Poderíamos dizer que existem gradações de politização nos distintos movimentos. Um primeiro nível de politização poderia ser representado por um grupo de pessoas com habitação precária que se organiza para pressionar o governo para que consiga casa para elas; representaria uma luta localizada para resolver interesses localizados legítimos, mas localizados. Geralmente os ditos movimentos instantâneos (aqueles que se organizam e se desmobilizam rapidamente) são os que se encontram nesse primeiro nível de politização, eles são destituídos de qualquer sigla e não possuem relações com partidos políticos, nem têm uma ideologia definida. Tais

11 movimentos são constituídos de famílias que se encontram em uma mesma situação, por exemplo, são ex-moradores de uma favela que teve os barracos queimados em um incêndio. Então, essas famílias se unem, momentaneamente, para conquistarem uma moradia somente para aquele grupo, sem pretensões maiores. Saindo da luta local para a luta ampla, dirigida a todos que têm habitações precárias, estaremos saindo também do corporativismo para a política, ou seja, o problema habitacional é posto em outro nível, no nível da política de Estado, onde se pressiona um governo para que ele tenha uma política habitacional que resolva o problema da habitação no país. Os sem-teto (a base propriamente dita) do Movimento Sem-Teto do Centro (MSTC) falam claramente que suas lutas são estritamente por moradias, alguns falam de moradias para quem participa do movimento, outros, falam de moradia para todos aqueles que não as têm. Já as lideranças do MSTC possuem abertamente uma luta política, estão em busca de políticas habitacionais efetivas que atinjam a todos, principalmente os sujeitos que se encontram nas classes de mais baixa renda da sociedade. Talvez o Movimento de Moradia do Centro (MMC) se diferencie um pouco do outro movimento citado porque, apesar de grande parte da base deste movimento lutar por políticas habitacionais, percebemos que o coordenador geral do movimento, possui uma consciência e politização mais ampla, que consiste na crença de que a questão habitacional não será resolvida separadamente das outras áreas sociais, sendo necessário uma transformação social. Há ainda, um terceiro nível, e esse é o mais elevado. Trata-se daquele em que os movimentos dos sem-teto percebem que para mudar a política habitacional é preciso mudar toda a política econômica e social e concluem que com o bloco no poder vigente, tal política não mudará. Aí eles passariam da luta para influenciar o poder à luta pelo poder. Essa luta pelo poder, obviamente, possui limitações, e se refere aqui mais a uma forte resistência e contestação dos governos e do bloco no poder atual, podendo também aparecer a idéia de uma outra sociedade, socialista, talvez. As posições e resistências dos sem-teto parecem ser diferentes frente as Era FCH e a Era Lula, por isso, faz-se necessário discutir questões relacionadas às rupturas e continuidades entre essas duas Eras. A partir das idéias das lideranças do MTST, talvez pudéssemos dizer que neste terceiro nível estaria o Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), já que este é um movimento que afirma surgir justamente porque tem princípios diferentes dos

12 movimentos urbanos já existentes. Además, na sua agenda aparece a necessidade da reforma urbana, juntamente com o questionamento do caráter mercantil da produção do solo urbano. Porém, nos questionamos se de fato há uma politização ampla, que transcenda a cúpula do movimento. Diante disso, aparece uma segunda hipótese em relação às orientações políticoideológica dos sem-teto. Enquanto o Movimento Sem-Teto do Centro e o Movimento Moradia do Centro estariam mais próximos do Partido dos Trabalhadores (PT), o Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto se encontraria muito ligado ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST). Isso poderia dar algumas pistas da diversidade de orientações políticoideológicas dos sem-teto. Obviamente que tudo isto deve ser melhor analisado e aprofundado, na fase posterior da pesquisa. Referências: BENOIT, Hector. O assentamento Anita Garibaldi. Entrevistas com lideranças do MTST. Crítica Marxista, São Paulo, nº 14, BENOIT, Hector. Entrevista: Luis Gonzaga da Silva: A luta popular pela moradia. Crítica Marxista, São Paulo, nº 10, BOITO Jr, Armando. A (díficil) formação da classe operária In: vários autores. Marxismo e Ciências Humanas. São Paulo: Xamã, GONÇALVES, R. Dinâmica sexista do capital: feminização do trabalho precário. Lutas Sociais, São Paulo, nº 9/10, GONÇALVES, Renata. Acampamentos: novas relações de gênero (com)fundidas na luta pela terra. Lutas Sociais, São Paulo, nº13/14, KOWARICK, Lucio. Capitalismo e marginalidade na América Latina. Rio de Janeiro, Paz e Terra, MARX, Karl. A lei geral da acumulação capitalista (cap. XXIII do Livro Primeiro). In:. O Capital. São Paulo: Abril Cultural, (Col. Os Economistas). NUN, José. Superpopulação relativa, exército industrial de reserva e massa marginal In: PEREIRA, L. (Org). Populações Marginais. São Paulo: Duas Cidades, NUN, José. Marginalida y otras cuestiones. Revista Latinoamericana de Ciencias Sociales, Santiago, nº 4,1972. NUN, José. O futuro do emprego e a tese da massa marginal. Novos Estudos Cebrap, São Paulo, n º 56, OLIVEIRA, Luciano. Os excluídos existem? Notas sobre a elaboração de um novo conceito. Revista Brasileira de Ciências Sociais, São Paulo, n 33, Anpocs, PINHEIRO, Jair. Nem teto, nem mãe gentil: luta dos sem-teto pelo solo urbano em São Paulo. Lutas Sociais, São Paulo, nº 13/14, POULANTZAS, Nicos. Poder político e classes sociais. São Paulo: Martins Fontes, 1977.

A LUTA POR MORADIA DOS TRABALHADORES SEM-TETO BRASILEIROS. UMA REFLEXÃO SOBRE TRABALHO E MORIADIA NO CONTEXTO DO CAPITALISMO NEOLIBERAL

A LUTA POR MORADIA DOS TRABALHADORES SEM-TETO BRASILEIROS. UMA REFLEXÃO SOBRE TRABALHO E MORIADIA NO CONTEXTO DO CAPITALISMO NEOLIBERAL A LUTA POR MORADIA DOS TRABALHADORES SEM-TETO BRASILEIROS. UMA REFLEXÃO SOBRE TRABALHO E MORIADIA NO CONTEXTO DO CAPITALISMO NEOLIBERAL Nathalia C.Oliveira Doutoranda em ciência política pela Unicamp e

Leia mais

No entanto, a efetividade desses dispositivos constitucionais está longe de alcançar sua plenitude.

No entanto, a efetividade desses dispositivos constitucionais está longe de alcançar sua plenitude. A MULHER NA ATIVIDADE AGRÍCOLA A Constituição Federal brasileira estabelece no caput do art. 5º, I, que homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações e reconhece no dispositivo 7º a igualdade de

Leia mais

REFLEXÕES SOBRE A QUESTÃO SOCIAL

REFLEXÕES SOBRE A QUESTÃO SOCIAL TEORIA MARXISTA NA COMPREENSÃO DA SOCIEDADE CAPITALISTA Disciplina: QUESTÃO E SERVIÇO Professora: Maria da Graça Maurer Gomes Türck Fonte: AS Maria da Graça Türck 1 Que elementos são constitutivos importantes

Leia mais

O papel da mulher na construção de uma sociedade sustentável

O papel da mulher na construção de uma sociedade sustentável O papel da mulher na construção de uma sociedade sustentável Sustentabilidade Socioambiental Resistência à pobreza Desenvolvimento Saúde/Segurança alimentar Saneamento básico Educação Habitação Lazer Trabalho/

Leia mais

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) na atualidade: luta, organização e educação

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) na atualidade: luta, organização e educação O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) na atualidade: luta, organização e educação Entrevista concedida por Álvaro Santin*, da coordenação nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem

Leia mais

Principais Sociólogos

Principais Sociólogos Principais Sociólogos 1. (Uncisal 2012) O modo de vestir determina a identidade de grupos sociais, simboliza o poder e comunica o status dos indivíduos. Seu caráter institucional assume grande importância

Leia mais

Contribuição sobre Economia solidária para o Grupo de Alternativas econômicas Latino-Americano da Marcha Mundial das Mulheres Isolda Dantas 1

Contribuição sobre Economia solidária para o Grupo de Alternativas econômicas Latino-Americano da Marcha Mundial das Mulheres Isolda Dantas 1 Contribuição sobre Economia solidária para o Grupo de Alternativas econômicas Latino-Americano da Marcha Mundial das Mulheres Isolda Dantas 1 Economia solidária: Uma ferramenta para construção do feminismo

Leia mais

MARCHA MUNDIAL DAS MULHERES TERCEIRA AÇÃO INTERNACIONAL

MARCHA MUNDIAL DAS MULHERES TERCEIRA AÇÃO INTERNACIONAL MARCHA MUNDIAL DAS MULHERES TERCEIRA AÇÃO INTERNACIONAL Autonomia econômica das mulheres Autonomia econômica das mulheres se refere à capacidade das mulheres de serem provedoras de seu próprio sustento,

Leia mais

Em defesa de uma Secretaria Nacional de Igualdade de Oportunidades

Em defesa de uma Secretaria Nacional de Igualdade de Oportunidades 1 Em defesa de uma Secretaria Nacional de Igualdade de Oportunidades A Comissão Nacional da Questão da Mulher Trabalhadora da CUT existe desde 1986. Neste período houve muitos avanços na organização das

Leia mais

PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO: CONSTRUÇÃO COLETIVA DO RUMO DA ESCOLA

PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO: CONSTRUÇÃO COLETIVA DO RUMO DA ESCOLA PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO: CONSTRUÇÃO COLETIVA DO RUMO DA ESCOLA Luís Armando Gandin Neste breve artigo, trato de defender a importância da construção coletiva de um projeto político-pedagógico nos espaços

Leia mais

SECRETARIA EXECUTIVA DE DESENVOLVIMENTO E ASSISTÊNCIA SOCIAL - SEDAS GERÊNCIA DE PLANEJAMENTO, PROJETOS E CAPACITAÇÃO TEXTO I

SECRETARIA EXECUTIVA DE DESENVOLVIMENTO E ASSISTÊNCIA SOCIAL - SEDAS GERÊNCIA DE PLANEJAMENTO, PROJETOS E CAPACITAÇÃO TEXTO I TEXTO I Igualdade de Gênero no Enfrentamento à Violência Contra a Mulher As desigualdades são sentidas de formas diferentes pelas pessoas dependendo do seu envolvimento com a questão. As mulheres sentem

Leia mais

Movimentos sociais - tentando uma definição

Movimentos sociais - tentando uma definição Movimentos sociais - tentando uma definição Analogicamente podemos dizer que os movimentos sociais são como vulcões em erupção; Movimentos sociais - tentando uma definição Movimentos sociais ocorrem quando

Leia mais

A LUTA PELA TERRA NO SUL DE MINAS: CONFLITOS AGRÁRIOS NO MUNICÍPIO DE CAMPO DO MEIO (MG)

A LUTA PELA TERRA NO SUL DE MINAS: CONFLITOS AGRÁRIOS NO MUNICÍPIO DE CAMPO DO MEIO (MG) A LUTA PELA TERRA NO SUL DE MINAS: CONFLITOS AGRÁRIOS NO MUNICÍPIO DE CAMPO DO MEIO (MG) Arthur Rodrigues Lourenço¹ e Ana Rute do Vale² madrugarockets@hotmail.com, aruvale@bol.com.br ¹ discente do curso

Leia mais

Cartilha de princípios

Cartilha de princípios Cartilha de princípios 2 MTST - Cartilha de princípios AS LINHAS POLÍTICAS DO MTST O MTST é um movimento que organiza trabalhadores urbanos a partir do local em que vivem: os bairros periféricos. Não é

Leia mais

1. INTRODUÇÃO CONCEITUAL SOBRE O DESENVOLVIMENTO E O CRESCIMENTO ECONÔMICO

1. INTRODUÇÃO CONCEITUAL SOBRE O DESENVOLVIMENTO E O CRESCIMENTO ECONÔMICO 1. INTRODUÇÃO CONCEITUAL SOBRE O DESENVOLVIMENTO E O CRESCIMENTO ECONÔMICO A análise da evolução temporal (ou dinâmica) da economia constitui o objeto de atenção fundamental do desenvolvimento econômico,

Leia mais

Lista de exercícios Sociologia- 1 ano- 1 trimestre

Lista de exercícios Sociologia- 1 ano- 1 trimestre Lista de exercícios Sociologia- 1 ano- 1 trimestre 01-O homo sapiens moderno espécie que pertencemos se constitui por meio do grupo, ou seja, sociedade. Qual das características abaixo é essencial para

Leia mais

Melhora nos indicadores da presença feminina no mercado de trabalho não elimina desigualdades

Melhora nos indicadores da presença feminina no mercado de trabalho não elimina desigualdades A INSERÇÃO DA MULHER NO MERCADO DE TRABALHO DE PORTO ALEGRE NOS ANOS 2000 Boletim Especial: Dia Internacional das Mulheres MARÇO/2010 Melhora nos indicadores da presença feminina no mercado de trabalho

Leia mais

O MERCADO DE TRABALHO NO AGLOMERADO URBANO SUL

O MERCADO DE TRABALHO NO AGLOMERADO URBANO SUL O MERCADO DE TRABALHO NO AGLOMERADO URBANO SUL Abril /2007 O MERCADO DE TRABALHO NO AGLOMERADO URBANO SUL A busca de alternativas para o desemprego tem encaminhado o debate sobre a estrutura e dinâmica

Leia mais

Pedro Carrano e Thiago Hoshino Brasil de Fato (Curitiba (PR)

Pedro Carrano e Thiago Hoshino Brasil de Fato (Curitiba (PR) Nosso déficit não é de casas, é de cidade Raquel Rolnik defende que atualmente não há políticas para moradia, apenas políticas focadas no setor imobiliário e financeiro 22/10/2012 Pedro Carrano e Thiago

Leia mais

25 de novembro - Dia Internacional de Combate à Violência Contra as Mulheres. Carta de Brasília

25 de novembro - Dia Internacional de Combate à Violência Contra as Mulheres. Carta de Brasília Anexo VI 25 de novembro - Dia Internacional de Combate à Violência Contra as Mulheres Carta de Brasília Na véspera do Dia Internacional de Combate à Violência Contra as Mulheres nós, trabalhadoras dos

Leia mais

Pesquisa. Há 40 anos atrás nos encontrávamos discutindo mecanismos e. A mulher no setor privado de ensino em Caxias do Sul.

Pesquisa. Há 40 anos atrás nos encontrávamos discutindo mecanismos e. A mulher no setor privado de ensino em Caxias do Sul. Pesquisa A mulher no setor privado de ensino em Caxias do Sul. Introdução Há 40 anos atrás nos encontrávamos discutindo mecanismos e políticas capazes de ampliar a inserção da mulher no mercado de trabalho.

Leia mais

Os sindicatos de professores habituaram-se a batalhar por melhores salários e condições de ensino. Também são caminhos trilhados pelas lideranças.

Os sindicatos de professores habituaram-se a batalhar por melhores salários e condições de ensino. Também são caminhos trilhados pelas lideranças. TEXTOS PARA O PROGRAMA EDUCAR SOBRE A APRESENTAÇÃO DA PEADS A IMPORTÂNCIA SOBRE O PAPEL DA ESCOLA Texto escrito para o primeiro caderno de formação do Programa Educar em 2004. Trata do papel exercido pela

Leia mais

ESTA PALESTRA NÃO PODERÁ SER REPRODUZIDA SEM A REFERÊNCIA DO AUTOR.

ESTA PALESTRA NÃO PODERÁ SER REPRODUZIDA SEM A REFERÊNCIA DO AUTOR. ESTA PALESTRA NÃO PODERÁ SER REPRODUZIDA SEM A REFERÊNCIA DO AUTOR. ÉTICA E SERVIÇO SOCIAL: Elementos para uma breve reflexão e debate. Perspectiva de Análise Teoria Social Crítica (Marx e alguns marxistas)

Leia mais

difusão de idéias UM MERCADO DE TRABALHO CADA VEZ MAIS FEMININO

difusão de idéias UM MERCADO DE TRABALHO CADA VEZ MAIS FEMININO Fundação Carlos Chagas Difusão de Idéias outubro/2007 página 1 UM MERCADO DE TRABALHO CADA VEZ MAIS FEMININO Maria Rosa Lombardi: Em geral, essa discriminação não é explícita, o que torna mais difícil

Leia mais

Sr. Presidente da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores Sras. e Srs. Deputados Sra. e Srs. membros do Governo

Sr. Presidente da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores Sras. e Srs. Deputados Sra. e Srs. membros do Governo A mulher e o trabalho nos Piedade Lalanda Grupo Parlamentar do Partido Socialista A data de 8 de Março é sempre uma oportunidade para reflectir a realidade da mulher na sociedade, apesar de estes dias

Leia mais

MÁRCIO FLORENTINO PEREIRA DEMOCRACIA, PARTICIPAÇÃO E CONTROLE SOCIAL EM SAÚDE

MÁRCIO FLORENTINO PEREIRA DEMOCRACIA, PARTICIPAÇÃO E CONTROLE SOCIAL EM SAÚDE MÁRCIO FLORENTINO PEREIRA DEMOCRACIA, PARTICIPAÇÃO E CONTROLE SOCIAL EM SAÚDE BRASÍLIA 2013 1 1. CAPITALISMO E A BAIXA INTENSIDADE DEMOCRÁTICA: Igualdade apenas Jurídica e Formal (DUSSEL, 2007), Forma

Leia mais

Desigualdade e desempenho: uma introdução à sociologia da escola brasileira

Desigualdade e desempenho: uma introdução à sociologia da escola brasileira Desigualdade e desempenho: uma introdução à sociologia da escola brasileira Maria Lígia de Oliveira Barbosa Belo Horizonte, MG: Argvmentvm, 2009, 272 p. Maria Lígia de Oliveira Barbosa, que há algum tempo

Leia mais

Entrevista com Edgard Porto (Transcrição) (Tempo Total 26:33)

Entrevista com Edgard Porto (Transcrição) (Tempo Total 26:33) Entrevista com Edgard Porto (Transcrição) (Tempo Total 26:33) Edgard: A idéia [desta entrevista] é a gente comentar dez características da globalização e seus reflexos em Salvador. Meu nome é Edgard Porto,

Leia mais

Dinamismo do mercado de trabalho eleva a formalização das relações de trabalho de homens e mulheres, mas a desigualdade persiste

Dinamismo do mercado de trabalho eleva a formalização das relações de trabalho de homens e mulheres, mas a desigualdade persiste Dinamismo do mercado de trabalho eleva a formalização das relações de trabalho de homens e mulheres, mas a desigualdade persiste Introdução De maneira geral, as mulheres enfrentam grandes dificuldades

Leia mais

O PENSAMENTO SOCIOLÓGICO DE MAX WEBER RESUMO. do homem em sociedade. Origem de tal Capitalismo que faz do homem um ser virtual e alienador

O PENSAMENTO SOCIOLÓGICO DE MAX WEBER RESUMO. do homem em sociedade. Origem de tal Capitalismo que faz do homem um ser virtual e alienador O PENSAMENTO SOCIOLÓGICO DE MAX WEBER Tamires Albernaz Souto 1 Flávio Augusto Silva 2 Hewerton Luiz Pereira Santiago 3 RESUMO Max Weber mostra suas ideias fundamentais sobre o Capitalismo e a racionalização

Leia mais

Pólos da Paz e Praças da Paz SulAmérica

Pólos da Paz e Praças da Paz SulAmérica A iniciativa O projeto Praças é uma iniciativa do Instituto Sou da Paz, em parceria com a SulAmérica, que promove a revitalização de praças públicas da periferia de São Paulo com a participação da comunidade

Leia mais

VIII JORNADA DE ESTÁGIO DE SERVIÇO SOCIAL

VIII JORNADA DE ESTÁGIO DE SERVIÇO SOCIAL VIII JORNADA DE ESTÁGIO DE SERVIÇO SOCIAL CONSIDERAÇÕES SOBRE O TRABALHO REALIZADO PELO SERVIÇO SOCIAL NO CENTRO PONTAGROSSENSE DE REABILITAÇÃO AUDITIVA E DA FALA (CEPRAF) TRENTINI, Fabiana Vosgerau 1

Leia mais

Aumento da participação de mulheres no mercado de trabalho: mudança ou reprodução da desigualdade?

Aumento da participação de mulheres no mercado de trabalho: mudança ou reprodução da desigualdade? Aumento da participação de mulheres no mercado de trabalho: mudança ou reprodução da desigualdade? Natália de Oliveira Fontoura * Roberto Gonzalez ** A taxa de participação mede a relação entre a população

Leia mais

O ENVELHECIMENTO SOB A ÓTICA MASCULINA

O ENVELHECIMENTO SOB A ÓTICA MASCULINA O ENVELHECIMENTO SOB A ÓTICA MASCULINA Por: DANIELA NASCIMENTO AUGUSTO (Técnica em Gerontologia e Terapeuta Ocupacional) DIEGO MIGUEL (Artista Plástico, Técnico em Gerontologia e Coordenador do NCI Jova

Leia mais

Relatório da Plenária Estadual de Economia Solidária

Relatório da Plenária Estadual de Economia Solidária Relatório da Plenária Estadual de Economia Solidária Nome da Atividade V Plenária Estadual de Economia Solidária de Goiás Data 28 a 30 de agosto de 2012 Local Rua 70, 661- Setor Central -Sede da CUT Goiás

Leia mais

CONCENTRAÇÃO DE TERRAS NO BRASIL UM OLHAR ACADÊMICO SOBRE O PROCESSO

CONCENTRAÇÃO DE TERRAS NO BRASIL UM OLHAR ACADÊMICO SOBRE O PROCESSO CONCENTRAÇÃO DE TERRAS NO BRASIL UM OLHAR ACADÊMICO SOBRE O PROCESSO Ana Claudia Silva Almeida Universidade Estadual de Maringá - UEM anaclaudia1985@yahoo.com.br Elpídio Serra Universidade Estadual de

Leia mais

TRABALHO COMO DIREITO

TRABALHO COMO DIREITO Av. Dr. Enéas de Carvalho Aguiar, 419 CEP: 05403-000 São Paulo SP Brasil TRABALHO COMO DIREITO () 04/12/2013 1 O direito ao trabalho no campo da Saúde Mental: desafio para a Reforma Psiquiátrica brasileira

Leia mais

O EMPREGO DOMÉSTICO. Boletim especial sobre o mercado de trabalho feminino na Região Metropolitana de São Paulo. Abril 2007

O EMPREGO DOMÉSTICO. Boletim especial sobre o mercado de trabalho feminino na Região Metropolitana de São Paulo. Abril 2007 O EMPREGO DOMÉSTICO Boletim especial sobre o mercado de trabalho feminino na Abril 2007 Perfil de um emprego que responde por 17,7% do total da ocupação feminina e tem 95,9% de seus postos de trabalho

Leia mais

Movimento Popular por Moradia: Autogestão e Habitação

Movimento Popular por Moradia: Autogestão e Habitação Movimento Popular por Moradia: Autogestão e Habitação O movimento tem projeto político e objetiva: Contribuir com a organização, articulação e fortalecimento dos movimentos de moradia no estado de São

Leia mais

Projetos de intervenção urbanística no Centro Velho de São Paulo: estudo sobre seus impactos nos movimentos sociais por moradia.

Projetos de intervenção urbanística no Centro Velho de São Paulo: estudo sobre seus impactos nos movimentos sociais por moradia. Projetos de intervenção urbanística no Centro Velho de São Paulo: estudo sobre seus impactos nos movimentos sociais por moradia. Leianne Theresa Guedes Miranda lannethe@gmail.com Orientadora: Arlete Moysés

Leia mais

A ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO COMO PRINCÍPIO EDUCATIVO NA FORMAÇÃO DE PROFESSORES

A ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO COMO PRINCÍPIO EDUCATIVO NA FORMAÇÃO DE PROFESSORES A ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO COMO PRINCÍPIO EDUCATIVO NA FORMAÇÃO DE Universidade Estadual De Maringá gasparin01@brturbo.com.br INTRODUÇÃO Ao pensarmos em nosso trabalho profissional, muitas vezes,

Leia mais

RETRATOS DA SOCIEDADE BRASILEIRA

RETRATOS DA SOCIEDADE BRASILEIRA Indicadores CNI RETRATOS DA SOCIEDADE BRASILEIRA Previdência 20 Maioria dos brasileiros apoia mudanças na previdência Sete em cada dez brasileiros reconhecem que o sistema previdenciário brasileiro apresenta

Leia mais

TEORIA DO CAPITAL HUMANO: CONCEITOS E POSTULADOS

TEORIA DO CAPITAL HUMANO: CONCEITOS E POSTULADOS CRÍTICAS À TEORIA DO CAPITAL HUMANO: UMA CONTRIBUIÇÃO À ANÁLISE DE POLÍTICAS PÚBLICAS EM EDUCAÇÃO Camila Fernandes da Costa UFRN - fernandes.camila23@yahoo.com.br Emerson Nunes de Almeida UFRN - nunespedagogo@yahoo.com.br

Leia mais

Ser humano, sociedade e cultura

Ser humano, sociedade e cultura Ser humano, sociedade e cultura O ser humano somente vive em sociedade! Isolado nenhuma pessoa é capaz de sobreviver. Somos dependentes uns dos outros,e por isso, o ser humano se organiza em sociedade

Leia mais

ZENUN, Katsue Hamada e; MARKUNAS, Mônica. Tudo que é sólido se desmancha no ar. In:. Cadernos de Sociologia 1: trabalho. Brasília: Cisbrasil-CIB,

ZENUN, Katsue Hamada e; MARKUNAS, Mônica. Tudo que é sólido se desmancha no ar. In:. Cadernos de Sociologia 1: trabalho. Brasília: Cisbrasil-CIB, ZENUN, Katsue Hamada e; MARKUNAS, Mônica. Tudo que é sólido se desmancha no ar. In:. Cadernos de Sociologia 1: trabalho. Brasília: Cisbrasil-CIB, 2009. p. 24-29. CAPITALISMO Sistema econômico e social

Leia mais

Questão 1. Resposta A. Resposta B

Questão 1. Resposta A. Resposta B Questão 1 Ao longo do século XX, as cidades norte-americanas se organizaram espacialmente de um modo original: a partir do Central Business District (CBD), elas se estruturaram em circunferências concêntricas

Leia mais

Os interesses da ação cooperada e não cooperada na economia do artesanato.

Os interesses da ação cooperada e não cooperada na economia do artesanato. Os interesses da ação cooperada e não cooperada na economia do artesanato. Luciany Fusco Sereno** Introdução O trabalho tem por objetivo apresentar um estudo de caso realizado na cidade de Barreirinhas-MA

Leia mais

A presença feminina no mercado de trabalho na Região Metropolitana de São Paulo 2014

A presença feminina no mercado de trabalho na Região Metropolitana de São Paulo 2014 A INSERÇÃO DA MULHER NO MERCADO DE TRABALHO NA REGIÃO METROPOLITANA DE SÃO PAULO Março de 2015 A presença feminina no mercado de trabalho na Região Metropolitana de São Paulo 2014 Em 2014, a presença de

Leia mais

CURSO e COLÉGIO ESPECÍFICO Ltda

CURSO e COLÉGIO ESPECÍFICO Ltda CURSO e COLÉGIO ESPECÍFICO Ltda www.especifico.com.br DISCIPLINA : Sociologia PROF: Waldenir do Prado DATA:06/02/2012 O que é Sociologia? Estudo objetivo das relações que surgem e se reproduzem, especificamente,

Leia mais

PARA ONDE VAMOS? Uma reflexão sobre o destino das Ongs na Região Sul do Brasil

PARA ONDE VAMOS? Uma reflexão sobre o destino das Ongs na Região Sul do Brasil PARA ONDE VAMOS? Uma reflexão sobre o destino das Ongs na Região Sul do Brasil Introdução Mauri J.V. Cruz O objetivo deste texto é contribuir num processo de reflexão sobre o papel das ONGs na região sul

Leia mais

As Escolas Famílias Agrícolas do Território Rural da Serra do Brigadeiro

As Escolas Famílias Agrícolas do Território Rural da Serra do Brigadeiro As Escolas Famílias Agrícolas do Território Rural da Serra do Brigadeiro VIEIRA, Tatiana da Rocha UFV - pedagogia_tati@yahoo.com.br BARBOSA, Willer Araújo UFV- wbarbosa@ufv.br Resumo: O trabalho apresentado

Leia mais

Reestruturação Produtiva em Saúde

Reestruturação Produtiva em Saúde Trabalho em Saúde O trabalho Toda atividade humana é um ato produtivo, modifica alguma coisa e produz algo novo. Os homens e mulheres, durante toda a sua história, através dos tempos, estiveram ligados,

Leia mais

SOCIEDADE E TEORIA DA AÇÃO SOCIAL

SOCIEDADE E TEORIA DA AÇÃO SOCIAL SOCIEDADE E TEORIA DA AÇÃO SOCIAL INTRODUÇÃO O conceito de ação social está presente em diversas fontes, porém, no que se refere aos materiais desta disciplina o mesmo será esclarecido com base nas idéias

Leia mais

Informativo Fundos Solidários nº 13

Informativo Fundos Solidários nº 13 Informativo Fundos Solidários nº 13 Em dezembro de 2014, em Recife, Pernambuco, foi realizado o 2º seminário de Educação Popular e Economia Solidária. Na ocasião, discutiu-se sobre temas relevantes para

Leia mais

1 A sociedade dos indivíduos

1 A sociedade dos indivíduos Unidade 1 A sociedade dos indivíduos Nós, seres humanos, nascemos e vivemos em sociedade porque necessitamos uns dos outros. Thinkstock/Getty Images Akg-images/Latin Stock Akg-images/Latin Stock Album/akg

Leia mais

PESQUISA DE EMPREGO E DESEMPREGO NA REGIÃO METROPOLITANA DE SÃO PAULO

PESQUISA DE EMPREGO E DESEMPREGO NA REGIÃO METROPOLITANA DE SÃO PAULO PESQUISA DE EMPREGO E DESEMPREGO NA REGIÃO METROPOLITANA DE SÃO PAULO 2007 O MERCADO DE TRABALHO SOB A ÓPTICA DA RAÇA/COR Os dados da Pesquisa de Emprego e Desemprego permitem diversos tipos de detalhamento

Leia mais

CONTEXTO HISTORICO E GEOPOLITICO ATUAL. Ciências Humanas e suas tecnologias R O C H A

CONTEXTO HISTORICO E GEOPOLITICO ATUAL. Ciências Humanas e suas tecnologias R O C H A CONTEXTO HISTORICO E GEOPOLITICO ATUAL Ciências Humanas e suas tecnologias R O C H A O capitalismo teve origem na Europa, nos séculos XV e XVI, e se expandiu para outros lugares do mundo ( Ásia, África,

Leia mais

Apresentando Émile Durkheim (pág 25)

Apresentando Émile Durkheim (pág 25) Apresentando Émile Durkheim (pág 25) Émile Durkheim nasceu em Épinal, França, em 1858, e morreu em Paris em novembro de 1917. Foi influenciado pelo positivismo de Auguste Comte, considerado o pai da Sociologia

Leia mais

Visão de Futuro Instituto Tecnológico de Aeronáutica

Visão de Futuro Instituto Tecnológico de Aeronáutica Visão de Futuro Instituto Tecnológico de Aeronáutica João Luiz F. Azevedo Apresentação preparada como parte do processo de seleção do Reitor do ITA São José dos Campos, 23 de outubro de 2015 Resumo da

Leia mais

Desenvolvimento e Meio Ambiente: As Estratégias de Mudanças da Agenda 21

Desenvolvimento e Meio Ambiente: As Estratégias de Mudanças da Agenda 21 Desenvolvimento e Meio Ambiente: As Estratégias de Mudanças da Agenda 21 Resenha Desenvolvimento Raíssa Daher 02 de Junho de 2010 Desenvolvimento e Meio Ambiente: As Estratégias de Mudanças da Agenda 21

Leia mais

EDUCAÇÃO INFANTIL E CLASSES MULTISSERIADAS NO CAMPO SOB UM OLHAR IDENTITÁRIO E DE CONQUISTA

EDUCAÇÃO INFANTIL E CLASSES MULTISSERIADAS NO CAMPO SOB UM OLHAR IDENTITÁRIO E DE CONQUISTA EDUCAÇÃO INFANTIL E CLASSES MULTISSERIADAS NO CAMPO SOB UM OLHAR IDENTITÁRIO E DE CONQUISTA RESUMO DE LIMA,Claudia Barbosa 1 GONÇALVES, Danielle Balbino Souto 2 HERMENEGILDO, Raquel do Nascimento 3 LIMA,

Leia mais

AGRICULTURA FAMILIAR COMO FORMA DE PRODUÇÃO RURAL PARA ABASTECIMENTO DE GRANDES CENTROS URBANOS

AGRICULTURA FAMILIAR COMO FORMA DE PRODUÇÃO RURAL PARA ABASTECIMENTO DE GRANDES CENTROS URBANOS AGRICULTURA FAMILIAR COMO FORMA DE PRODUÇÃO RURAL PARA ABASTECIMENTO DE GRANDES CENTROS URBANOS Jaqueline Freitas dos Santos 692 jaquelineufmg_09@hotmail.com Klécia Gonçalves de Paiva Farias kleciagp@gmail.com

Leia mais

O Emprego Doméstico na Região Metropolitana de Belo Horizonte em 2013

O Emprego Doméstico na Região Metropolitana de Belo Horizonte em 2013 PESQUISA DE EMPREGO E DESEMPREGO NA METROPOLITANA DE BELO HORIZONTE Ano 19 Nº 13 - O Emprego Doméstico na Região Metropolitana de Belo Horizonte em A partir da aprovação da Emenda Constitucional n 72,

Leia mais

Educação bilíngüe intercultural entre povos indígenas brasileiros

Educação bilíngüe intercultural entre povos indígenas brasileiros Educação bilíngüe intercultural entre povos indígenas brasileiros Maria do Socorro Pimentel da Silva 1 Leandro Mendes Rocha 2 No Brasil, assim como em outros países das Américas, as minorias étnicas viveram

Leia mais

O maior desafio do Sistema Único de Saúde hoje, no Brasil, é político

O maior desafio do Sistema Único de Saúde hoje, no Brasil, é político O maior desafio do Sistema Único de Saúde hoje, no Brasil, é político Jairnilson Paim - define o SUS como um sistema que tem como característica básica o fato de ter sido criado a partir de um movimento

Leia mais

VOLUNTARIADO E CIDADANIA

VOLUNTARIADO E CIDADANIA VOLUNTARIADO E CIDADANIA Voluntariado e cidadania Por Maria José Ritta Presidente da Comissão Nacional do Ano Internacional do Voluntário (2001) Existe em Portugal um número crescente de mulheres e de

Leia mais

EXPERIÊNCIAS SÓCIO-EDUCATIVAS DO MST. VENDRAMINI, Célia Regina. Universidade Federal de Santa Catarina RESUMO

EXPERIÊNCIAS SÓCIO-EDUCATIVAS DO MST. VENDRAMINI, Célia Regina. Universidade Federal de Santa Catarina RESUMO EXPERIÊNCIAS SÓCIO-EDUCATIVAS DO MST VENDRAMINI, Célia Regina Universidade Federal de Santa Catarina RESUMO Ao estudar um movimento social de grande relevância social e política na conjuntura do país,

Leia mais

Unidade III Produção, trabalho e as instituições I. Aula 5.2 Conteúdo:

Unidade III Produção, trabalho e as instituições I. Aula 5.2 Conteúdo: Unidade III Produção, trabalho e as instituições I. Aula 5.2 Conteúdo: A família patriarcal no Brasil e seus desdobramentos. 2 Habilidade: Reconhecer que a ideologia patriarcal influenciou a configuração

Leia mais

Pesquisa Mensal de Emprego

Pesquisa Mensal de Emprego Pesquisa Mensal de Emprego EVOLUÇÃO DO EMPREGO COM CARTEIRA DE TRABALHO ASSINADA 2003-2012 Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE 2 Pesquisa Mensal de Emprego - PME I - Introdução A Pesquisa

Leia mais

POLÍTICAS PÚBLICAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL

POLÍTICAS PÚBLICAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL 1 POLÍTICAS PÚBLICAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL Erika Cristina Pereira Guimarães (Pibid-UFT- Tocantinópolis) Anna Thércia José Carvalho de Amorim (UFT- Tocantinópolis) O presente artigo discute a realidade das

Leia mais

Terceiro Setor - fator de confluência na ação social do ano 2000

Terceiro Setor - fator de confluência na ação social do ano 2000 Terceiro Setor - fator de confluência na ação social do ano 2000 Alceu Terra Nascimento O terceiro setor no Brasil, como categoria social, é uma "invenção" recente. Ele surge para identificar um conjunto

Leia mais

Carta Política. Campanha Cidades Seguras para as Mulheres

Carta Política. Campanha Cidades Seguras para as Mulheres Carta Política Campanha Cidades Seguras para as Mulheres Brasil - 2014 Nós, mulheres de diversas localidades e comunidades de Pernambuco, Rio Grande do Norte, Rio de Janeiro e São Paulo, que há muito

Leia mais

Palavras chaves: Superexploração, opressão de gênero, economia brasileira.

Palavras chaves: Superexploração, opressão de gênero, economia brasileira. A SUPEREXPLORAÇÃO DA FORÇA DE TRABALHO FEMININA NO BRASIL TAMARA SIEMANN LOPES (autora) 1 CINTHIA DE SOUZA(coautora) 2 Resumo: A inserção da mulher nas atividades econômicas passou a ser uma variável relevante

Leia mais

Preconceito é um juízo preconcebido, manifestado geralmente na forma de uma atitude discriminatória contra pessoas, lugares ou tradições diferentes

Preconceito é um juízo preconcebido, manifestado geralmente na forma de uma atitude discriminatória contra pessoas, lugares ou tradições diferentes Preconceito é um juízo preconcebido, manifestado geralmente na forma de uma atitude discriminatória contra pessoas, lugares ou tradições diferentes daqueles que consideramos nossos. Costuma indicar desconhecimento

Leia mais

Balanço SEMESTRAL da Gestão (Fev/Agosto 2012) Secretaria de Articulação Institucional e Ações Temáticas/SPM

Balanço SEMESTRAL da Gestão (Fev/Agosto 2012) Secretaria de Articulação Institucional e Ações Temáticas/SPM 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 ANEXO II ATA DA 10ª REUNIÃO ORDINÁRIA DO CONSELHO NACIONAL DOS DIREITOS DA MULHER REALIZADA NOS DIAS 04 E 05 DE SETEMBRO

Leia mais

A QUESTÃO DA REGULARIZAÇÃO FUNDIÁRIA NO BAIRRO SANGA FUNDA, PELOTAS, RS.

A QUESTÃO DA REGULARIZAÇÃO FUNDIÁRIA NO BAIRRO SANGA FUNDA, PELOTAS, RS. A QUESTÃO DA REGULARIZAÇÃO FUNDIÁRIA NO BAIRRO SANGA FUNDA, PELOTAS, RS. Carina da Silva UFPel, carinasg2013@gmail.com INTRODUÇÃO A atual sociedade capitalista tem como alicerce, que fundamenta sua manutenção,

Leia mais

PESQUISA SOBRE A MULHER NA COMUNICAÇÃO CORPORATIVA

PESQUISA SOBRE A MULHER NA COMUNICAÇÃO CORPORATIVA PESQUISA SOBRE A MULHER NA COMUNICAÇÃO CORPORATIVA O Instituto ABERJE de Pesquisas realizou uma pesquisa sobre a Mulher na Comunicação Corporativa, com o patrocínio da Natura e da Multibrás, e ouviu 6

Leia mais

Emprego doméstico na Região Metropolitana de Porto Alegre em 2013

Emprego doméstico na Região Metropolitana de Porto Alegre em 2013 EMPREGO DOMÉSTICO NO MERCADO DE TRABALHO DA REGIÃO METROPOLITANA DE PORTO ALEGRE ABRIL 2014 Emprego doméstico na Região Metropolitana de Porto Alegre em Em, diminuiu o número de empregadas domésticas na

Leia mais

Quase 10% dos brasileiros têm mais de 70 anos. Segundo o IBGE, em 40 anos o número de idosos deverá superar o de jovens

Quase 10% dos brasileiros têm mais de 70 anos. Segundo o IBGE, em 40 anos o número de idosos deverá superar o de jovens Um país de idosos Quase 10% dos brasileiros têm mais de 70 anos. Segundo o IBGE, em 40 anos o número de idosos deverá superar o de jovens A expectativa de vida do brasileiro aumentou mais de 20 anos em

Leia mais

FACULDADE DE ENSINO SUPERIOR DE LINHARES EDIMIR DOS SANTOS LUCAS GIUBERTI FORNACIARI SARAH NADIA OLIVEIRA

FACULDADE DE ENSINO SUPERIOR DE LINHARES EDIMIR DOS SANTOS LUCAS GIUBERTI FORNACIARI SARAH NADIA OLIVEIRA FACULDADE DE ENSINO SUPERIOR DE LINHARES EDIMIR DOS SANTOS LUCAS GIUBERTI FORNACIARI SARAH NADIA OLIVEIRA LIBERDADE ANTIGA E LIBERADE MODERNA LINHARES 2011 EDIMIR DOS SANTOS LUCAS GIUBERTI FORNACIARI SARAH

Leia mais

Serviço Social e o Trabalho Social em Habitação de Interesse Social. Tânia Maria Ramos de Godoi Diniz Novembro de 2015

Serviço Social e o Trabalho Social em Habitação de Interesse Social. Tânia Maria Ramos de Godoi Diniz Novembro de 2015 Serviço Social e o Trabalho Social em Habitação de Interesse Social Tânia Maria Ramos de Godoi Diniz Novembro de 2015 Sobre o trabalho social O trabalho social nos programas de, exercido pelo (a) assistente

Leia mais

SÉCULO XIX NOVOS ARES NOVAS IDEIAS Aula: 43 e 44 Pág. 8 PROFª: CLEIDIVAINE 8º ANO

SÉCULO XIX NOVOS ARES NOVAS IDEIAS Aula: 43 e 44 Pág. 8 PROFª: CLEIDIVAINE 8º ANO SÉCULO XIX NOVOS ARES NOVAS IDEIAS Aula: 43 e 44 Pág. 8 PROFª: CLEIDIVAINE 8º ANO 1 - INTRODUÇÃO Séc. XIX consolidação da burguesia: ascensão do proletariado urbano (classe operária) avanço do liberalismo.

Leia mais

Incubadoras Sociais: O Assistente Social contribuído na viabilização de uma nova economia.

Incubadoras Sociais: O Assistente Social contribuído na viabilização de uma nova economia. Incubadoras Sociais: O Assistente Social contribuído na viabilização de uma nova economia. Autores: Ana Claudia Carlos 1 Raquel Aparecida Celso 1 Autores e Orientadores: Caroline Goerck 2 Fabio Jardel

Leia mais

Apoio. Patrocínio Institucional

Apoio. Patrocínio Institucional Patrocínio Institucional Apoio O Grupo AfroReggae é uma organização que luta pela transformação social e, através da cultura e da arte, desperta potencialidades artísticas que elevam a autoestima de jovens

Leia mais

UTILIZAÇÃO DE SERVIÇOS TERCEIRIZADOS PELA INDÚSTRIA TOCANTINENSE

UTILIZAÇÃO DE SERVIÇOS TERCEIRIZADOS PELA INDÚSTRIA TOCANTINENSE Edição Especial Terceirização ondagem O termômetro da indústria tocantinense Palmas, Tocantins junho de 2014 UTILIZAÇÃO DE SERVIÇOS TERCEIRIZADOS PELA INDÚSTRIA TOCANTINENSE 72% das empresas industriais

Leia mais

Visita a Cortiços em São Paulo Uma Experiência Didática

Visita a Cortiços em São Paulo Uma Experiência Didática Visita a Cortiços em São Paulo Uma Experiência Didática Valéria Grace Costa ***, Antônio Cláudio Moreira Lima e Moreira, Suzana Pasternak, Maria de Lourdes Zuquim, Simone Cotic Clarissa Souza, Letícia

Leia mais

Ocupação da Força de Trabalho Feminina na Agropecuária Paulista 1

Ocupação da Força de Trabalho Feminina na Agropecuária Paulista 1 Análises e Indicadores do Agronegócio ISSN 1980-0711 Ocupação da Força de Trabalho Feminina na Agropecuária Paulista 1 As mulheres sempre participaram intensamente das atividades agropecuárias. Na estrutura

Leia mais

Presidência da República Casa Civil Secretaria de Administração Diretoria de Gestão de Pessoas Coordenação Geral de Documentação e Informação

Presidência da República Casa Civil Secretaria de Administração Diretoria de Gestão de Pessoas Coordenação Geral de Documentação e Informação Presidência da República Casa Civil Secretaria de Administração Diretoria de Gestão de Pessoas Coordenação Geral de Documentação e Informação Coordenação de Biblioteca ANUNCIO DE MUDANÇAS NO SISTEMA FINANCEIRO

Leia mais

EIXO VI Justiça Social, Educação e Trabalho: Inclusão, Diversidade e Igualdade

EIXO VI Justiça Social, Educação e Trabalho: Inclusão, Diversidade e Igualdade EIXO VI Justiça Social, Educação e Trabalho: Inclusão, Diversidade e Igualdade 251 No contexto de um Sistema Nacional Articulado de Educação e no campo das políticas educacionais, as questões que envolvem

Leia mais

Desigualdades socioespaciais no RN: velhas causas, novas formas

Desigualdades socioespaciais no RN: velhas causas, novas formas Desigualdades socioespaciais no RN: velhas causas, novas formas Rita de Cássia da Conceição Gomes Natal, 11/09/2011 As Desigualdades socioespacias em nossa agenda de pesquisa: Dialética apresentada Pesquisa

Leia mais

Propostas de luta para tornar nossa. vida melhor. Maio de 2003

Propostas de luta para tornar nossa. vida melhor. Maio de 2003 Propostas de luta para tornar nossa vida melhor Maio de 2003 Companheiros e companheiras A s políticas capitalistas neoliberais, aplicadas com mais força no governo FHC, foram muito duras com os trabalhadores

Leia mais

introdução Trecho final da Carta da Terra 1. O projeto contou com a colaboração da Rede Nossa São Paulo e Instituto de Fomento à Tecnologia do

introdução Trecho final da Carta da Terra 1. O projeto contou com a colaboração da Rede Nossa São Paulo e Instituto de Fomento à Tecnologia do sumário Introdução 9 Educação e sustentabilidade 12 Afinal, o que é sustentabilidade? 13 Práticas educativas 28 Conexões culturais e saberes populares 36 Almanaque 39 Diálogos com o território 42 Conhecimentos

Leia mais

OS NEGROS NO MERCADO DE TRABALHO DA REGIÃO METROPOLITANA DE SÃO PAULO

OS NEGROS NO MERCADO DE TRABALHO DA REGIÃO METROPOLITANA DE SÃO PAULO Novembro 2013 OS NEGROS NO MERCADO DE TRABALHO DA REGIÃO METROPOLITANA DE SÃO PAULO O mercado de trabalho em 2012 Dia Nacional da Consciência Negra A rota de redução de desigualdades na RMSP O crescimento

Leia mais

HISTÓRIA-2009 2ª FASE 2009

HISTÓRIA-2009 2ª FASE 2009 Questão 01 UFBA - -2009 2ª FASE 2009 Na Época Medieval, tanto no Oriente Médio, quanto no norte da África e na Península Ibérica, muçulmanos e judeus conviviam em relativa paz, fazendo comércio e expressando,

Leia mais

Análise Sociológica do Filme -Notícias de Uma Guerra Particular [1999], (de Katia Lund e João Moreira Salles)

Análise Sociológica do Filme -Notícias de Uma Guerra Particular [1999], (de Katia Lund e João Moreira Salles) FACULDADE CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE Curso de Bacharel em Direito Turma A Unidade: Tatuapé Ana Maria Geraldo Paz Santana Johnson Pontes de Moura Análise Sociológica do Filme -Notícias de Uma Guerra Particular

Leia mais

Curso de Formação de Conselheiros em Direitos Humanos Abril Julho/2006

Curso de Formação de Conselheiros em Direitos Humanos Abril Julho/2006 Curso de Formação de Conselheiros em Direitos Humanos Abril Julho/2006 Realização: Ágere Cooperação em Advocacy Apoio: Secretaria Especial dos Direitos Humanos/PR Módulo II: Conselhos dos Direitos no Brasil

Leia mais

Um forte elemento utilizado para evitar as tendências desagregadoras das sociedades modernas é:

Um forte elemento utilizado para evitar as tendências desagregadoras das sociedades modernas é: Atividade extra Fascículo 3 Sociologia Unidade 5 Questão 1 Um forte elemento utilizado para evitar as tendências desagregadoras das sociedades modernas é: a. Isolamento virtual b. Isolamento físico c.

Leia mais