O DEPOIMENTO SEM DANO EM ANÁLISE: A PERSPECTIVA DA PSICOLOGIA ADRIANA KARLA DE CASTRO NAPOLI 1 RESUMO

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1 O DEPOIMENTO SEM DANO EM ANÁLISE: A PERSPECTIVA DA PSICOLOGIA ADRIANA KARLA DE CASTRO NAPOLI 1 RESUMO O presente artigo refere-se a uma análise do projeto denominado Depoimento sem Dano, atualmente em tramitação no Senado Federal. Primeiramente será feita uma explanação sobre o referido projeto, como este foi desenvolvido, além da maneira como o psicólogo nele atuaria. Posteriormente será abordada a repercussão deste Projeto no âmbito da Psicologia e os posicionamentos a respeito. PALAVRAS-CHAVE: Depoimento sem Dano. Abuso sexual. Psicologia. ABSTRACT This article refers to an analysis of the so-called project no damage deposition that is currently seeking approval by the Federal Senate. First of all, this project will be explained, as well as how it was developed and how the psychologist would act. Then, it will approach the repercussion of this project concerning the field of Psychology and the positions about it. KEY-WORDS: No damage deposition. Sexual abuse. Psychology. INTRODUÇÃO O abuso sexual infantil praticado contra crianças e adolescentes é uma situação complexa e grave que vem se tornando mais freqüentemente denunciado aos órgãos policiais e conseqüentemente, após sua investigação, desemboca no Judiciário. Durante esse processo, as vítimas acabam sendo as maiores prejudicadas, pois são levadas a 1 Artigo apresentado ao Curso de Especialização em Psicologia Jurídica da Universidade Católica de Brasília, como requisito para obtenção ao título de Especialista em Psicologia Jurídica. Artigo aprovado por Maria Aparecida Penso Orientadora e Luciano Santo - Membro. Brasília, 05 de agosto de

2 relatarem diversas vezes o fato, muitas vezes em ambiente e de maneira não adequada, caracterizando-se assim, uma nova violência perpetrada contra as mesmas, a chamada revitimização. No tocante à escuta da criança/adolescente vítima, esta é confrontada com o peso da responsabilidade de relatar o abuso e fornecer então, a valiosa prova testemunhal, que viabilizará a punição de seu agressor. Ocorre que no mais das vezes, não é levado em conta seu estado psíquico e capacidade de elaborar o ato de violência sofrido, geralmente praticado no seio de sua família e por uma pessoa próxima, por quem nutre sentimentos ambivalentes de lealdade, medo e afeto. A preocupação com a maneira de ouvir a criança/adolescente, com seus receios e com o ambiente em que geralmente é tomado seu depoimento, fez com que operadores do direito se vissem confrontados com suas limitações neste sentido, valendo-se assim, de sua inter-relação com outras áreas do saber, em especial a Psicologia, ressaltando-se a importância da interdisciplinaridade no campo multifacetado do abuso sexual infantil. Percebeu-se que a criança e o adolescente não poderiam ser submetidos a uma oitiva padrão, nos moldes tradicionais, pois estes não são adultos em miniatura e ainda não têm desenvolvidos determinados aspectos cognitivos, emocionais e simbólicos e, sendo assim, não têm condições de se expressar de maneira objetiva, o que estaria inviabilizando uma melhor coleta de provas pelo Judiciário. Com essa preocupação em mente, foi desenvolvido pelo Judiciário do Rio Grande do Sul, o denominado Depoimento sem Dano, preconizando uma tomada de depoimento de maneira mais adequada às necessidades infantis e supostamente condizente com seu nível de desenvolvimento. Além disso, é pleiteada a compulsoriedade deste projeto em todo o país. Contudo o chamado Depoimento sem Dano vem sendo alvo de controvérsias e críticas, especialmente de profissionais da área Psi, encontrando eco no próprio Conselho Federal de Psicologia. O objetivo do presente artigo é apresentar alguns dos diversos posicionamentos concernentes à metodologia adotada pelo Depoimento sem Dano, sobre o papel do profissional de Psicologia dentro desta prática e de que forma o psicólogo se enquadra dentro do projeto em análise e as repercussões desta atuação no âmbito ético da profissão. Primeiramente far-se-á um retrospecto histórico, acerca do papel da criança na sociedade e a crescente importância que passou a ter, seguida de uma exposição acerca do abuso sexual infantil, suas características e particularidades, bem como uma explanação a 2

3 respeito do Projeto Depoimento sem Dano e em que consiste sua metodologia. Posteriormente, será abordado o estado da arte em que se encontra o método em apreço, fazendo-se menção a diversos autores que comentam e discutem tal questão e finalmente uma análise conclusiva a respeito de todo o exposto. RETROSPECTO HISTÓRICO A CRIANÇA NA SOCIEDADE Atualmente, a criança e o adolescente vêm ocupando lugar de destaque na sociedade, com a priorização da proteção de seus direitos e elaboração de leis, como o Estatuto da Criança e do Adolescente, para garantir que estes não sejam desrespeitados. A própria Constituição Federal, em seu artigo 227, estatui: É dever da família, da sociedade e do Estado, assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão. Todavia, nem sempre foi assim. Segundo o historiador Ariès (1973), até por volta do século XII, não havia lugar para a criança, fato este constatado através das obras artísticas medievais, as quais não contemplavam a infância e tampouco tentava representá-la. Acrescenta que a criança era vista como um adulto em miniatura, não sendo consideradas suas características e peculiaridades de indivíduo em desenvolvimento. Devido à grande mortalidade infantil daquela época, às crianças não era dada grande importância, não se acreditava que estas continham dentro de si a personalidade de um adulto em formação, e desta forma reinava uma certa indiferença quando morriam, geralmente de doenças. Somente a partir do século XIV, começa a haver um progresso na consciência coletiva do sentimento de infância, explicitado em uma representação mais freqüente das crianças em suas diferentes etapas de desenvolvimento. O aparecimento do retrato da criança morta, posteriormente, no século XVI, marcou um momento muito significativo na história do sentimento da infância. Ele denota que a morte da criança não era mais considerada como uma perda inevitável, demonstra o crescimento de sua relevância no ambiente familiar e na sociedade, pois passa a se fazer necessário guardar sua lembrança, fixá-la na memória, e não se faz isso com quem nada significa: a criança passa a ser importante. (ARIÈS, 1973) 3

4 Acrescenta o autor que uma nova sensibilidade passou a ser voltada para as crianças, que passaram a ocupar um lugar na sociedade e na família, sendo vistas como seres dotados de alma. Iniciou-se, assim, um amplo movimento de interesse em favor da infância, corroborado pela ampla iconografia que retratava os infantes. No que se refere à realidade brasileira, enfatiza Del Priore (1991) que com a colonização, as crianças indígenas tornaram-se o alvo primordial da catequização jesuíta, vendo-se privadas e destituídas de sua identidade cultural. Eram obrigadas, desde muito cedo, a presenciarem pregações cristãs sob pena de sofrerem rigorosos castigos, embora compreendessem pouco o que era dito. Já as crianças africanas, em sua tenra idade, ingressavam no ciclo de exploração, vivenciando o que deveria ser sua infância em meio à escravidão e à realização de horas intensas de trabalho forçado e torturas. Para essas crianças não existia o sentimento de infância que já havia sido desenvolvido de forma ainda que incipiente para as crianças européias. Eram relegadas ao descaso. Menciona ainda que a história nativa também revela situações de pedofilia, as quais eram convenientemente ignoradas pela sociedade daquela época. Afirma que existem registros de que jesuítas e também os senhores de engenho, abusavam sexualmente de crianças índias e negras, sendo as pequenas vítimas, nada mais que objetos para satisfação da lascívia de seus algozes. Consoante Rangel (2001) é recente a concepção de criança como indivíduo em desenvolvimento e também sujeito de direitos. Os maus tratos, abusos físicos e sexuais, perpetrados contra crianças sempre estiveram presentes na sociedade, desde tempos remotos, como revelam diversos estudos históricos. Ressalta a autora que somente a partir do século XVIII, passa a haver alterações significativas nas concepções sobre a infância. Começa a desenvolver-se um sentimento de preocupação com a saúde e o desenvolvimento infantil, buscando-se coibir a ocorrência de maus tratos no seio familiar. A criança, que até o século XVIII, era praticamente ignorada, passou a ter relevância e receber, a partir de então, uma atenção que até hoje vem se mantendo em ascensão. A psicologia infantil, a importância dada à maternidade, a pedagogia, são exemplos desse novo modo de encarar a criança, demonstrando repulsa à violência que fazia parte de seu cotidiano. No entendimento de Rangel (2001), o século XX foi pródigo na elaboração de estudos e instrumentos legais em favor da criança. A Declaração de Genebra, de 1924, 4

5 dispôs sobre a necessidade de se assegurar aos infantes proteção integral, tornando-se tema recorrente em diversos tratados internacionais. Tal orientação foi inserida na Declaração Universal dos Direitos Humanos das Nações Unidas e também no Pacto de São José Convenção Americana sobre os Direitos Humanos, em 1969, que previu o direito da infância à proteção, como dever da família, da sociedade e do Estado. A Convenção Internacional dos Direitos da Criança compilou normas preexistentes contidas em diversos instrumentos legais internacionais, bem como inseriu em suas recomendações conceitos que têm servido de modelo para a regulamentação dos direitos da criança e do adolescente em todo o mundo. Vale ressaltar que a legislação brasileira, somente após a proclamação da Independência, é que começou a mostrar interesse jurídico pelas crianças e adolescentes, ainda que inicialmente, isto tenha ocorrido de uma maneira muito paulatina. Assevera Rangel (2001) que desta forma, os direitos da criança foram erigidos à norma constitucional no Brasil. A partir daí, com a elaboração do Estatuto da Criança e do Adolescente Lei 8069/90, a criança foi elevada a um patamar de importância até então nunca visto. Constata a autora que dentro desta nova ótica, toda e qualquer criança é digna e merecedora de cuidados e proteção integral, com prioridade absoluta, da família, do Estado e da sociedade, sendo possível a intervenção em seu favor em qualquer âmbito, para a garantia de seu direito de se ver a salvo de qualquer forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão (conforme expressamente previsto no Art. 5º da Lei 8069/90 Estatuto da Criança e do Adolescente). No que se refere especificamente ao depoimento infantil, informa Fayet Jr. (2005) que historicamente o Código de Manu, o Direito Romano, bem como o Direito Bárbaro, preconizavam a incapacidade absoluta das crianças e adolescentes em prestar testemunho, salvo em raríssimas exceções, como por exemplo, o fato a ser testemunhado tivesse ocorrido em local ermo; nesse caso, o testemunho era igualado ao do portador de doença mental. Prossegue o autor dizendo que o Direito Brasileiro também encontra essa incapacidade nas Ordenações Filipinas (Brasil Colônia), na qual os menores de quatorze anos não poderiam ser testemunhas de nenhum processo, somente em casos muito graves e na falta de outros tipos de prova. Tendo esta retrospectiva histórica como pano de fundo, fica patente que é a visão que se tem da criança que determina como esta será tratada e considerada. Pôde-se notar 5

6 que cada época tinha seu posicionamento e seu modo de tratar a criança: enquanto percebida como ser frágil e de curta existência, não era considerada, nem sequer contava como membro da família. A partir do momento em que esta ganhou importância no seio familiar e também na sociedade, passou a haver uma maior preocupação com seu desenvolvimento moral e intelectual, motivando os operadores do direito a buscarem alternativas para o depoimento formal da criança em juízo, tendo desenvolvido-se, assim, no bojo desta preocupação, o Projeto Depoimento sem Dano. ESCUTA DE CRIANÇAS NO JUDICIÁRIO: REVITIMIZAÇÃO? Conforme dito anteriormente, a importância dada à criança e conseqüentemente à sua palavra, no caso desta ser vítima ou testemunha de algum crime (especialmente de natureza sexual), foi modificando-se com o passar do tempo, sendo que atualmente seu depoimento, ainda que visto com reservas por alguns operadores do direito, constitui muitas vezes a única fonte de prova existente. O sistema processual penal brasileiro não faz nenhuma restrição ao depoimento infantil, contudo não estabelece nenhuma forma específica de realizá-lo. Isso pode ser observado através da leitura dos seguintes artigos do Código de Processo Penal: Art. 201 Sempre que possível o ofendido será qualificado e perguntado sobre as circunstâncias da infração, quem seja ou presuma ser o seu autor, as provas que possa indicar, tomando-se por termo as suas declarações. Art. 202 Toda pessoa poderá ser testemunha. Além disso, em vista do chamado devido processo legal, considerado um dos princípios basilares da Constituição Federal, faz-se necessária a produção de provas, feita através da inquirição da vítima, o que representa para aquele que é acusado (o réu), o contraditório, seu direito de rebater as acusações que lhes são imputadas. A esse respeito, alerta Bitencourt (2007) que apesar de toda especificidade e complexidade que envolve o abuso sexual infantil, não existe previsão legal exclusiva para a oitiva das crianças e adolescentes vítimas de crimes sexuais, restando aos inquiridores a utilização do mesmo procedimento de tomada de depoimentos de adultos. Assim, por não considerar a condição peculiar de desenvolvimento da vítima, além do risco de lhe provocar dano psicológico, incorre-se, ainda, no perigo de prejudicar a confiabilidade da prova produzida com base no relato do infante. 6

7 Existem ainda, autores que desconfiam do relato infantil, podendo-se citar o posicionamento de Aranha (1987), o qual assevera e adverte que o testemunho infantil merece ressalvas, pois é deficiente e perigoso. Posto que para ele, se a criança, por sua natureza, é imatura psicologicamente, dotada de forte imaginação e grande sugestionabilidade, além de mentir por imaturidade moral, não se pode confiar plenamente em suas narrativas. No mesmo sentido, Prado (1984), se posiciona reforçando suspeita quanto ao depoimento infantil, acreditando que este é perigoso e difícil por fatores morais e psicológicos. Acrescenta que a mentalidade da criança, incapaz de compreender os fatos humanos, imaginativa e criadora, vive num mundo ideal antes de chegar à realidade. Deve-se ressaltar que os autores mencionados acima são doutrinadores do Direito, sendo tal visão rechaçada por Furniss (2002), o qual preceitua que a ausência de crença na criança estende-se da sua própria família e sociedade até o sistema legal. Segundo o autor, códigos legais inteiros são construídos sobre a noção, até agora não comprovada, de que as crianças mentem e os adultos falam a verdade, ou de que as comunicações das crianças são menos válidas ou menos confiáveis do que as declarações dos adultos. Para ele, como um resultado das ameaças de violência e ameaças de desastre na família, as crianças mentem mais freqüentemente quando negam ter ocorrido abuso sexual do que quando acusam falsamente um membro da família de abuso sexual. O sistema de oitiva tradicionalmente utilizado pelo Judiciário brasileiro é considerado revitimizante uma vez que requer que a criança/adolescente que tenha sido vítima de um crime de natureza sexual, tenha que relatar perante o magistrado, promotor e advogado a agressão que vivenciou, o que provocaria um trauma suplementar à violência sofrida. Além disso, o constrangimento desta situação, muitas vezes, faz com que a vítima sinta-se extremamente amedrontada, não sentindo segurança para relatar o evento, o que para o Judiciário, implica em uma prova inconsistente. Deve-se ressaltar, ainda, a questão da credibilidade dada à palavra da criança, pois apesar do contexto atual valorizar a sua escuta, segundo Volnovich (2005), não há como negar que no âmbito judicial ou fora dele, é predominante a idéia de que falta credibilidade ao relato deste tipo de vítima. Prossegue o autor afirmando que esta crença decorre de preconceitos adultomórficos que apenas aceitam como prova o chamado discurso lógico do adulto e 7

8 que partem da idéia de que existe uma simetria entre o adulto testemunha e a criança testemunha. Sanderson (2005) ressalta que as imprecisões infantis, devido à sua falta de habilidade cognitiva para o pensamento abstrato são freqüentemente tomadas como mentiras pelo Judiciário, o que desqualifica o testemunho infantil. O mesmo autor coloca que é chocante que o sistema de justiça mine a credibilidade da criança como testemunha por meio de sua flagrante falta de entendimento de suas capacidades cognitivas. Para Dobke (2001), a verdadeira justificativa para a não-validação da versão apresentada pela criança é o próprio sentimento dos adultos que não suportam admitir que seus semelhantes possam praticar tamanha violência contra seres indefesos. Acrescenta que trata-se de uma negação, de uma primitiva defesa psicológica dos adultos, que procuram, assim, minimizar sua própria vergonha, bem como a problemática a ser enfrentada. Cezar (2007) critica a normativa processual vigente, criminal e civil, que trata apenas de uma forma geral a produção da prova realizada em Juízo, não criando, em nenhum momento, modelos diversos para inquirir crianças, adolescentes e adultos, circunstância esta que desconsidera por completo o comando presente nos arts. 227 da Constituição Federal e os arts. 4º, 5º e 6º do Estatuto da Criança e do Adolescente, os quais determinam a efetivação dos direitos referentes, entre outros, à dignidade e ao respeito, que restam desatendidos quando a condição peculiar da pessoa em desenvolvimento não é observada adequadamente, pois exige da criança um discurso lógico e um poderio de enfrentamento da realidade de um adulto. Prossegue o autor afirmando que embora, em atenção ao que dispõe a Constituição Federal e o Estatuto da Criança e do Adolescente, quando da ocorrência de abuso sexual, a intervenção judicial devesse priorizar a proteção da criança, seja tomando medidas que impeçam a continuação do abuso, seja para viabilizar uma intervenção técnica adequada que a ajude a enfrentar mais tranqüilamente o problema, a verdade é que a justiça penal permanece e aqui a fase policial é integrante quase que em sua integralidade, agindo unicamente na investigação dos fatos e na busca da responsabilização do abusador. Esta circunstância retira qualidade e efetividade do sistema de justiça, mormente porque em razão de um operar inadequado, ora tratando-se a criança com insensibilidade, ora desconsiderando-se sua condição de pessoa em desenvolvimento, que está atormentada e confusa, se permite a sua revitimização. 8

9 ABUSO SEXUAL INFANTIL CONCEITOS E IMPLICAÇÕES NA ESTRUTURA FAMILIAR SEGUNDO A VISÃO SISTÊMICA Para Azevedo & Guerra (2002, p. 28), o abuso sexual infantil se configura como todo ato ou jogo sexual, relação hetero ou homossexual, entre um ou mais adultos e uma criança ou adolescente, tendo por finalidade estimular sexualmente esta criança ou adolescente ou utilizá-los para obter uma estimulação sexual sobre sua pessoa ou de outra pessoa. Apontam as autoras para o fato de que o abuso sexual doméstico ou intrafamiliar envolve um perpetrador da família nuclear da criança, alguém que geralmente vive na mesma casa em que a vítima, e com o qual existe uma relação de submissão e obediência. Prosseguem afirmando que as situações de abuso sexual doméstico (ocorrido no ambiente familiar) são extremamente marcantes para a criança vítima, causando um desgaste emocional bastante severo. Já como abuso sexual extrafamiliar, as autoras classificam todas as situações que envolvem pessoas fora da família, como professores, amigos, conhecidos, estranhos etc. Conforme afirma Braun (2002), enquanto a grande maioria dos abusos extrafamiliares ocorre só uma vez, os abusos intrafamiliares geralmente acontecem diversas vezes. Isto porque o abusador intrafamiliar usa seu poder frente à vítima, instruindo-a para não contar a ninguém, usando ameaças e chantagem para conseguir isso, fazendo-a ficar em silêncio. Sendo assim, a própria família reluta em denunciar pela proximidade entre abusador (o qual muitas vezes é o próprio pai) e a vítima, temendo expor a situação e desta forma, desintegrar-se. Tal situação caracteriza um tabu social sobre o qual paira uma barreira de silêncio ainda maior: o incesto. Acredita Cohen (1993) que para a compreensão do incesto, faz-se necessário entender o que é família, tendo em vista que o incesto é, literalmente, um assunto de família. Consoante o autor, a família é um tipo de agrupamento social, cujos membros estão vinculados por laços de parentesco, estando determinada por normas culturais. Acrescenta que a palavra incesto deriva do latim incestus, que significa impuro, manchado, não casto. Como conseqüência, conclui que a família incestuosa é uma família que perdeu a castidade, a pureza. Define o incesto como o abuso sexual intrafamiliar, com ou sem violência explícita, caracterizado pela estimulação sexual intencional por parte de um dos membros do grupo e que possui um vínculo parental pelo qual lhe é proibido o matrimônio. (COHEN, 1993, p. 132). 9

10 No abuso sexual incestuoso, existe a chamada síndrome do segredo (Furniss, 2002), com a qual é garantida a inviolabilidade da família, sua pseudo integridade, busca assegurar a manutenção de seu status quo na sociedade. Enquanto isso, a vítima do incesto sente medo de ser surrada, de ser expulsa de casa, de ser desacreditada, não contando o fato a ninguém. A vergonha faz com que permaneça em silêncio, algumas vezes por muito tempo. O abuso sexual intrafamiliar pode então, ser definido como uma síndrome de adição e segredo, pois a família organiza-se no sentido de manter-se naquele estado, através da adição daquele que abusa e do segredo que permeia todas as relações ali existentes. Segundo Imber-Black (1994) os segredos são fenômenos sistêmicos, estando ligados ao relacionamento, moldando as díades, formando triângulos, alianças encobertas, divisões, rompimentos, definindo limites de quem está dentro e de quem está fora, calibrando ainda, a intimidade e o distanciamento nos relacionamentos. O segredo impede que os membros da família transitem livremente entre os diversos temas que compõe a rede de relacionamentos da mesma. A lealdade familiar aparece como mantenedora deste segredo, a fim de fortalecer um sentimento de pertencimento àquela família e evitar que ocorra uma crise da família se este for revelado. Ao nível do funcionamento familiar, o segredo influencia as relações intrafamiliares e o funcionamento dos sistemas e subsistemas. O sistema familiar abusivo interage com rigidez de fronteiras e faz com que a família não tenha flexibilidade suficiente para mudar e proteger o membro que está sendo violentado. Segundo Araújo (2002), nas famílias incestuosas a manutenção deste segredo familiar é mais importante que a lei moral e social, pois a criança não quer correr o risco de romper com a estrutura familiar já configurada pela situação abusiva, daí a dificuldade de intervenção psicológica nestes casos. As relações interpessoais familiares caracterizam-se como sendo assimétricas e rigidamente hierárquicas, evidenciando desigualdades e subordinação excessiva Para Cohen (1993), o abuso sexual intrafamiliar implica em uma quebra de confiança com as figuras parentais, que deveriam ter o papel de proteger a criança e dela cuidar. Para o autor, em uma visão sistêmica, o abuso também pode ser reconhecido como um sintoma da crise familiar, que reflete uma incoerência em sua estrutura e um rompimento na integridade das relações familiares. Vale ressaltar que as famílias violentas apresentam fronteiras nebulosas, com funções que não são protetivas ou organizadoras, colocando todos em situação de risco. Sua 10

11 dinâmica afetiva e psicológica é marcada por sentimentos ambivalentes e dificuldades de percepção de si e do outro, além de forte tensão, fragilidade e agressividade. Neste sentido, pode-se inferir que a problemática do abuso sexual é algo familiar e não individual. Bucher (1992) afirma que quando há na família uma ruptura com a lei, faz-se necessário o conhecimento de sua história transgeracional, pois muitas vezes um ato que pode ser considerado transgressor tem outro sentido dentro da estrutura e cultura familiar. A perspectiva transgeracional traz à tona o fato de que pais abusadores ou negligentes desenvolveram essas formas de relacionamento intrafamiliar em suas próprias experiências infantis. Esses comportamentos foram registrados em suas memórias e serviram de modelo para a atuação nos papéis de pai e de mãe. Ressalta a autora que é importante conhecer o motivo pelo quais alguns comportamentos são percebidos como normais em certos contextos sócio-econômicos ou em determinadas estruturas de família. Pela visão sistêmica, não há que se falar em um responsável único pelo fenômeno da violência sexual intrafamiliar. Devem ser analisados os padrões de interação, as formas de comunicação ali presentes, muitas vezes marcadas por um não dito que permeia as relações de todos os envolvidos e garante a perpetuação daquela dinâmica familiar estruturada através da violência. Neste sentido, o abuso comunica a falha daquela família em estabelecer papéis, fronteiras e meios de comunicar-se entre si e com os outros do meio externo. Este sistema familiar fragilizado em que os membros têm a ilusão de unidade fica extremamente instável após a revelação do abuso, não sabendo mais que papéis desempenhar e que atitudes tomar a respeito. Novos limites precisam ser estabelecidos e novas relações construídas, necessitando a família de apoio terapêutico neste sentido, daí a preocupação existente com a questão do depoimento da criança a respeito do fato, quando o mesmo atinge a esfera jurídica. A PROPOSTA: DEPOIMENTO SEM DANO E O PROJETO DE LEI O Projeto Depoimento sem Dano idealizado pelo Juiz José Antônio Daltoé Cezar, foi inicialmente desenvolvido no ano de 2003, no Juizado da Infância e Juventude de Porto Alegre - RS, sendo destinado à oitiva de crianças e adolescentes vítimas ou testemunhas de abuso sexual ou maus-tratos. 11

12 São objetivos do Projeto, como informa seu precursor: reduzir o dano provocado à criança/adolescente; garantir seus direitos, relativamente a sua condição peculiar de desenvolvimento, valorizando, assim, sua palavra e melhorar a qualidade da prova produzida, muitas vezes a única do processo. Divide-se em 3 (três) etapas: - Acolhimento inicial cuidados para que a criança/adolescente não se depare com o agressor ao acessar o prédio (como marcar sua chegada com antecedência de 30 minutos) e prestar esclarecimentos sobre a dinâmica do depoimento, informando que será filmado, além de visualizado por pessoas presentes em uma sala ao lado, e que farão perguntas. - Depoimento as perguntas serão feitas à criança/adolescente, por intermédio do entrevistador, que poderá se utilizar de perguntas abertas, fechadas e hipotéticas, conforme entender mais conveniente e menos danoso ao menor. Sendo todo procedimento gravado em vídeo, que, após o término do depoimento, seguirá para transcrição e posterior juntada aos autos. - Acolhimento final após o término da audiência, com o sistema de vídeo desligado, serão colhidas as assinaturas no termo de audiência e realizada intervenção no sentido de indicar serviços de atendimento junto à rede de proteção, se necessário, além de poder conversar acerca de alguns conteúdos, como medo, culpa, raiva, vergonha ou até mesmo sobre a forma como a família tem gerenciado a situação (CEZAR, 2007). Com base em tal trabalho, a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito da Exploração Sexual deu início ao Projeto de Lei Complementar nº 35/2007, que se encontra em análise no Senado Federal, de autoria da deputada Maria do Rosário, preconizando a utilização do Depoimento sem Dano de forma compulsória, com a modificação do Código de Processo Penal no que concerne à coleta da prova testemunhal infantil e acrescenta uma seção ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), definindo regras para os procedimentos especiais do exame pericial de menores de 18 anos em caso de violência sexual. Tais modificações seriam as seguintes: acréscimo da Seção VIII ao Capítulo III - Dos Procedimentos - do Título VI - Do Acesso à Justiça - da Parte Especial da Lei nº 8.069, de 13 de julho de Estatuto da Criança e do Adolescente, dispondo sobre a forma de inquirição de testemunhas e produção antecipada de prova quando se tratar de delitos tipificados no Capítulo I do Título VI do Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de

13 Código Penal, com vítima ou testemunha criança ou adolescente e acrescenta o art. 469-A ao Decreto-Lei nº de 3 de outubro de Código de Processo Penal. A partir do momento em que este projeto se tornar lei, a implantação do novo processo será uma responsabilidade das varas judiciais ligadas à criança e ao adolescente. Se a cidade não possuir instância especializada em proteção à infância e adolescência, esse papel recairá sobre as varas cíveis ou de família. Entre as justificativas mencionadas para a aprovação do citado projeto, cita-se com freqüência, o art. 12 da Convenção Internacional dos Direitos da Criança, o qual destaca o direito desta ser ouvida - quer diretamente, quer por intermédio de um representante ou órgão apropriado em todo processo judicial que a afete. Os parágrafos 1º e 2 do referido artigo, aludem ao seguinte: 1º. Os Estados Membros assegurarão à criança, que for capaz de formar seus próprios pontos de vista, o direito de exprimir suas opiniões livremente sobre todas as matérias atinentes à criança, levando-se devidamente em conta essa opiniões em função da idade e maturidade da criança. 2. Para esse fim, à criança será, em particular, dada a oportunidade de ser ouvida em qualquer procedimento judicial ou administrativo que lhe diga respeito, diretamente ou através de um representante ou órgão apropriado, em conformidade com as regras processuais do direito nacional. Sendo assim, o Depoimento sem Dano viria em substituição à oitiva tradicional realizada pelo Judiciário com crianças e adolescentes, em que estes são questionados em uma sala de audiências comum, da mesma forma que seria ouvido um adulto. O referido depoimento é tomado por psicólogos ou assistentes sociais em um local conectado por vídeo e áudio à sala de audiência, sendo que o psicólogo ou o assistente social que irá colher o depoimento deve informar a criança ou o adolescente sobre a existência de câmeras. O juiz e os demais presentes à audiência (dentre estes o Promotor, Advogado de defesa e outros serventuários do judiciário) vêem e ouvem, através de um aparelho de televisão, o depoimento da criança ou adolescente. O juiz pode, por comunicação em tempo real com o psicólogo ou assistente social, através de um ponto de ouvido, fazer perguntas e solicitar esclarecimentos. Tal procedimento é também gravado e passa a constituir prova nos autos, além de muitas vezes substituir a avaliação psicológica (CEZAR, 2007). O questionamento direcionado às crianças/adolescentes segue o referencial teórico de Furniss (2002), o qual preconiza que a entrevista legal com a criança, com o fito de que esta revele e descreva como se passou o abuso sexual, deve acontecer no contexto do domínio legal e é parte do processo de uma entrevista de revelação completa. 13

14 Segundo o autor, a entrevista de revelação, desenvolvida para que a criança relate o abuso, deve ser realizada por pessoa capacitada (com formação adequada para tal vinculadas ou não aos órgãos judiciários) sendo adequada à idade e ao estágio de desenvolvimento da criança. Deve ser utilizado vocabulário compatível bem como outras formas de expressão, como desenhos e brincadeiras. Durante a entrevista, podem ser utilizados os chamados bonecos anatomicamente perfeitos 2, para que desta forma, a criança demonstre e descreva os abusos através da manipulação dos referidos bonecos. Inicialmente deve ser estabelecido vínculo com a criança, deixando que se familiarize com o ambiente (normalmente uma sala de brinquedos). Os períodos de brinquedo livre são importantes no desenvolvimento de um relacionamento pessoal com o entrevistador (FURNISS, 2002). Após a ambientação, a entrevista deve ser conduzida de forma a viabilizar um relato espontâneo e fidedigno, mediante a elaboração de questões objetivas e não indutivas. Tais perguntas devem ser feitas no seguinte sentido: alguém tocou em seu corpo?, onde foi tocada?, quem tocou?, como tocou?, onde ocorreu?, a fim de que a criança relate, com suas próprias palavras e espontaneamente o que aconteceu (FURNISS, 2002). Vale ressaltar que no caso em tela, o psicólogo atua como um mediador entre o Juiz e a criança/adolescente, funcionando como um tradutor, no sentido em que realiza uma adequação entre os questionamentos formulados e o desenvolvimento cognitivo da vítima/testemunha, para que esta os compreenda e possa de forma mais espontânea e objetiva descrever o que se passou e então, constituir elementos probantes contra o suposto autor, possibilitando, assim, a produção antecipada dessa prova no processo penal, antes mesmo do ajuizamento da ação. Corroborando este posicionamento, coloca Dobke (2001) que a tarefa do profissional é semelhante à de um intérprete, pois o psicólogo conhece as peculiaridades da linguagem das pequenas vítimas e pode auxiliar o Juiz na obtenção de respostas por parte das crianças. O objetivo é que a criança seja ouvida apenas uma vez, para que não ocorra o processo de revitimização, que acontece quando a vítima é chamada a contar, diversas vezes e em várias instituições (delegacia, Conselho Tutelar, Vara da Infância, Vara Criminal etc) a situação abusiva e sofre em decorrência disto, um dano psíquico adicional. 2 Brinquedos especialmente criados para utilização em entrevistas de revelação. São feitos de pano, maleáveis, possuindo genitália e língua retrátil. São confeccionados em diversos modelos: brancos, negros e asiáticos (adultos e crianças de ambos os sexos). 14

15 REPERCUSSÕES DO PROJETO NO ÂMBITO DE ATUAÇÃO DO PSICÓLOGO O Conselho Federal de Psicologia e sua Comissão Nacional de Direitos Humanos, através de manifesto redigido por Humberto Verona (Presidente do CFP) e Ana Luiza de Souza Castro (Coordenadora da Comissão Nacional de Direitos Humanos do CFP) sugerem a não aprovação do Projeto de Lei referente ao Depoimento sem Dano, apesar de reconhecerem como legítimas e pertinentes as preocupações que nortearam o referido projeto. Contudo, pontuam que não há que se comparar uma audiência jurídica com uma entrevista, consulta ou atendimento psicológico, visto que a escuta psicológica pauta-se pelas demandas e desejos da criança e não pelo andamento processual. Alertam para o fato de que para o psicólogo, tudo na fala da criança é importante, inclusive as fantasias, erros, lapsos, esquecimentos, sonhos, pausas, silêncios e contradições... (Conselho Federal de Psicologia, 2008, s/p), não tendo o profissional por objetivo desvendar um crime e sim ajudar a criança a elaborar a situação abusiva. O projeto alega que na maioria dos casos, a palavra da criança é a única prova constituída contra o suposto autor, daí a necessidade de que esta seja colhida o mais cedo possível, antes de possíveis influências ulteriores e de maneira que não traumatize a criança. Questiona o Conselho e a Comissão que tal supervalorização do depoimento da vítima poderia, muitas vezes, ser prejudicial para crianças e adolescentes que sofreram violência sexual, geralmente cometida por parte de pessoas com quem também possuem vínculos afetivos estabelecidos, bem como uma relação de submissão e obediência, provocando-lhes sentimentos ambíguos com os quais não sabe lidar e até o rompimento com sua família nuclear, além do esfacelamento desta ante a revelação. Aliado a isso está presente a responsabilidade da criança pela possível condenação do agressor, o qual na maioria das ocasiões é uma figura paterna, e sua conseqüente responsabilização por tal resultado, seja por si própria, seja por seus familiares. Além disso, a possibilidade da criança querer silenciar a respeito do abuso não é respeitada, pois muitas vezes esta ainda não é capaz de elaborar e falar sobre a violência sofrida. O silêncio é um recurso infantil de proteção e não se deve forçar a criança a abordar um assunto que lhe é traumático. Deve-se considerar que o tempo do processo não é o tempo da criança e entende o CFP e a CNDH que é sempre danoso obrigá-la a falar sobre o que ainda não tem condições de compreender, uma vez que tal não pôde ainda ser simbolizado, acrescentando que o 15

16 silêncio, muitas vezes, antecede o encontro com modos diversos e singulares de elaboração da violência perpetrada (Conselho Federal de Psicologia, 2008, s/p). Para o CFP, devem ser envidados esforços no sentido de auxiliar a criança a ampliar seus recursos para a elaboração do traumatismo e mesmo a partir desta elaboração, garantir seu direito de decidir se quer ou não falar sobre o fato a quem quer que seja. Existe uma grande diferença entre o falar para elaborar uma situação traumática e o falar para depor à Justiça, não devendo confundir-se o que é do plano terapêutico e o que é do plano jurídico. Entretanto, se a criança apresentar as condições psíquicas de falar sobre a experiência traumática, em uma situação de abuso sexual, é importante perguntar-lhe se ela deseja falar, se deseja dar o seu depoimento sobre o fato perante o juiz, respeitando-se a sua condição de sujeito de direitos, conforme garantido explicitamente pela Constituição Federal e pelo Estatuto da Criança e do Adolescente. A decisão da criança ou adolescente deve ser respeitada e se assim o quiser poderá falar diretamente ao juiz, devendo, porém, estar ciente das conseqüências advindas desta decisão, as quais podem incluir modificações em sua relação com a família. Considera o CFP que uma vez que o Judiciário necessita de todo um aparato tecnológico para extrair a verdade da criança, isso é evidência mais que suficiente que esta ainda não possui os recursos simbólicos para expor verbalmente o fato. Tal tecnologia seria tão somente uma maneira de fazer a criança a falar, violando assim, os seus direitos. O CFP questiona ainda se o projeto abarcaria todos os segmentos da sociedade, em todas as classes sociais e se não seria um retrocesso em um sistema que se diz democrático a isolada criminalização de conflitos familiares, exacerbados por um contexto de pobreza, desigualdade e exclusão social. Sugere que outra metodologia seja adotada pelo Judiciário na execução de um processo penal, pois a proposta não resguarda a criança e não garante a proteção de seus direitos. Alega que o psicólogo, no âmbito deste projeto, está fora de seu verdadeiro papel, além de isentar o Juiz da responsabilidade de colher a prova oral, quando for o caso. No projeto Depoimento sem Dano o psicólogo não atua de maneira terapêutica, e ao fazer com que a criança tenha que falar sobre o assunto sem estar preparada, infiltrase de forma insidiosa como mais um perpetrador de violência, pois desconsidera o direito infantil de calar sobre fato que lhe é não só doloroso como conflituoso, pois a criança, além de sofrer a violência sexual e física, também sofre com a culpa, acreditando-se responsável pelos abusos, convencida que é, pelo agressor, que foi participante e colaboradora da situação abusiva. 16

17 Enquanto a criança não elaborar esta culpa e tudo que dela advém, bem como as conseqüências da revelação, não será capaz de abordar o assunto sem que sofra seqüelas, que muitas vezes se traduzem em uma culpa adicional: a de haver destruído a família. Seria uma intervenção descontextualizada e sem continuidade, em que não se estabelece nenhum vínculo terapêutico entre o profissional e a criança, havendo aí, uma relação de poder, estando a vítima em situação de total vulnerabilidade, na qual o psicólogo estaria atuando de forma a ser um instrumento de controle social em oposição ao respeito à cidadania e aos direitos humanos. Segundo Pereira (2003), esta situação coloca a Psicologia como reforçadora do poder do Direito: o poder de sanção, de julgar o que é certo ou errado, regulando as relações do homem na sociedade. Tem como função desvendar fatos ocultos, o segredo familiar incestuoso para o intermediário, que no caso é o psicólogo, determinando assim, de forma maniqueísta, os culpados e os inocentes, eximindo o magistrado da responsabilidade de pensar o problema, que vem solucionado às suas mãos. Postula Arantes (2008, p ) que no caso do Depoimento sem Dano, o profissional de Psicologia não é chamado a desenvolver uma prática psi propriamente falando, mas a ter uma função de duplo, de instrumento ou boca humanizada do juiz. Para Brito (2008) esta não é tarefa para os psicólogos, uma vez que a Psicologia crê que a revitimização das crianças não está tão somente em múltiplas entrevistas, mas também na realização inadequada destas, independentemente da quantidade de vezes que ocorrem. Considera a autora que o referido projeto pode ser bastante prejudicial às crianças e adolescentes por terem transformado seu direito de expressão em obrigação de testemunhar. De acordo com Brito, Ayres & Amendola (2006) a palavra da criança parece ser valorizada apenas quando está em jogo a avaliação do comportamento de seus pais, atribuindo a esta palavra um grau de responsabilidade jurídica com o qual não consegue arcar. Ao fazer com que a criança desqualifique seu (s) genitor (es), esta se vê completamente desprotegida e sozinha e o que o pior, o psicólogo que a está ouvindo nada faz para minimizar este desconforto, uma vez que o objetivo das questões formuladas é apenas formar a convicção do magistrado. Entra em foco a pergunta: para quem trabalha o Psicólogo, quem é o seu cliente? Responde a isso Miranda Júnior (1998, p. 36), afirmando que sem desconsiderar a importância que ocupa a instituição em nosso trabalho, nosso cliente é o sujeito que 17

18 atendemos, não devendo o profissional atuar apenas como um mero tradutor (como preceitua o Depoimento sem Dano ), sem considerar que há ali, um indivíduo fragilizado e que ainda não desenvolveu por completo habilidades cognitivas e emocionais para lidar com o abuso sexual, que dirá falar sobre ele. A criança deve ser acolhida em um espaço de cunho terapêutico e não ver-se constrangida em um espaço de inquirição, por mais disfarçado que este seja. Apesar da necessidade de se atender às demandas institucionais, deve-se também buscar a promoção de uma atuação cidadã, que vise o entendimento do indivíduo em um contexto sóciocultural específico e com peculiaridades próprias, especialmente em se tratando de crianças e adolescentes. Reforça este questionamento Jacó-Vilela (1999) quando afirma que a maneira pela qual o psicólogo agirá frente ao encargo de atuar junto à família, infância e adolescência podem ser de duas maneiras: a do estrito avaliador da intimidade, que aperfeiçoa seus métodos de exame ou a de lembrar-se que a criança, este sujeito singular também é um sujeito cidadão, cujos direitos e deveres se constituem no espaço público, território onde perpassam outros discursos e práticas que não o exclusivamente psicológico. Seguindo esta mesma linha de raciocínio, posiciona-se Cesca (2004) no sentido de que o psicólogo, enquanto facilitador da promoção da saúde deve procurar resguardar os direitos fundamentais dos indivíduos, visando a manutenção de sua saúde mental e a busca da cidadania, caso contrário, seria somente mais um agente de repressão a serviço do Estado. A respeito da chamada não revitimização da criança nos casos de investigação e processo de casos de abuso sexual, Brito (2008) questiona se esta seria apenas o fato da criança ou adolescente não depor na frente do acusado e não ter que repetir seu depoimento para diversas pessoas em distintas ocasiões. Pergunta ainda se a referência que vem sendo feita é em relação à escuta ou a uma inquirição e se estaria havendo a desconsideração da menoridade jurídica de crianças e de adolescentes equiparando-se o direito de ser ouvido à obrigação de testemunhar. Questiona a autora sobre qual seria o status atribuído à criança ou adolescente no processo judicial: se enquanto testemunha, assumiria o compromisso de dizer somente a verdade? E mais: Seria esta uma forma de proteção à criança e ao adolescente, de garantia de seus direitos? Os pais podem se opor e não permitir que seus filhos testemunhem? Ao se afirmar que a criança e o adolescente possuem direito de ser ouvidos, se estaria considerando seu direito de não ser ouvidos, ou esse direito seria, agora, uma obrigação? 18

19 Estes questionamentos levantados por Brito devem ser levados em conta ao analisarse a metodologia do Depoimento sem Dano enquanto método preconizado para proteger as crianças, alegando-se, inclusive que este poderia ser um novo espaço de atuação para psicólogos e que, na técnica em questão, não se estaria realizando avaliação psicológica e sim uma entrevista investigativa. No entanto, para a autora, despontam também as perguntas: psicólogos colhem depoimentos, fazem inquirição, conduzem oitivas? Com esta técnica se estaria ferindo a ética profissional ao se desconsiderar o dever de respeitar o sigilo nos atendimentos? Brito (2008) prossegue afirmando que o fato de técnica semelhante existir em outros países não significa que tenha havido consenso para sua implantação. Na Argentina, por exemplo, a alteração do Código de Processo Penal para que os depoimentos de crianças e de adolescentes fossem possíveis, suscitou árdua polêmica entre os profissionais, argumentando-se, dentre outros aspectos, sobre a fugacidade com que se pretende solucionar assunto tão complexo. A urgência para a tomada de decisões mostra-se clara ao se determinar que, em um único encontro, a questão deve ser elucidada, confundindo-se atendimento psicológico com a obtenção de depoimentos. A autora menciona ainda que a psicóloga francesa Marlene Iucksch, em palestra proferida na Universidade do Estado do Rio de Janeiro em 2007, explicou que técnica semelhante ao Depoimento sem Dano é realizada na França por policiais treinados que auxiliam na instrução do processo. Marlene mostrou-se surpresa ao ser informada de que no Brasil existe um projeto de Lei em tramitação que busca que psicólogos realizem esta tarefa. Além de compreender que esta não estaria de acordo com um trabalho psicológico, a profissional enfatizou que reconhecer a palavra da criança e do adolescente, ou o direito de se expressarem, é diferente de sacralizar a palavra destes (p.122). Brito (2008) afirma que sem desconsiderar a difícil situação de crianças e de adolescentes que passam por reiterados exames ao longo do processo, entende-se a partir da concepção que se tem da Psicologia que, além de o Depoimento sem Dano não ser tarefa de psicólogos, a revitimização da criança pode ocorrer quando há ausência ou recorrência de intervenção, bem como intervenções inadequadas. Acredita-se, portanto, na necessidade de serem melhor avaliadas inúmeras questões implicadas no Depoimento sem Dano, a fim de que não se prejudique ainda mais a criança e o adolescente. Alves & Saraiva (2007) ressaltam o que chamam de pontos problemáticos no tocante à aplicação da metodologia do Depoimento sem Dano, em especial sua fundamentação e execução. Criticam a expressão sem dano, pois consideram que quando 19

20 a psicologia adentra o judiciário no intuito de humanizá-lo e simplesmente realiza a inquirição da criança/adolescente, visando tão somente uma produção antecipada de provas, atua o psicólogo como uma espécie de repetidor dos questionamentos formulados pelo juiz. Reiteram que não é papel do psicólogo a realização de inquirições e que a atividade deste profissional não deve limitar-se à simplesmente descobrir elementos para a autoridade judiciária punir os agressores. Outro ponto salientado é o fato da criança/adolescente ser transformada na única testemunha e agente direta de uma possível condenação, devendo-se levar em conta, que na maioria das vezes o suposto autor é alguém próximo da criança, com quem mantém laços afetivos e que saber-se responsável pela condenação de tal pessoa é uma grande carga a ser enfrentada. Preconizam que a Psicologia deveria manter sua especificidade, que é a de trabalhar com a singularidade, que é a experiência vivida de um sujeito, a qual não pode ser reduzida a nenhuma fórmula geral. Em parecer técnico realizado pelo Conselho Federal de Serviço Social por Eunice Fávero (2007) é enfatizada a necessidade de serem discutidas as questões problemáticas envolvidas na metodologia do Depoimento sem Dano, especialmente no que concerne aos aspectos éticos e técnicos do trabalho do assistente social e também possível violação aos preceitos de proteção da criança e do adolescente prevista no ECA. Enfatiza a autora em seu parecer a carência de debates a respeito do tema, em especial dos profissionais da área de serviço social, parecendo a ela que o Depoimento sem Dano passa a configurar uma fórmula mágica a fim de evitar a tão falada revitimização. Já Aleixo (2008) pontua que o emprego desta técnica não implica na garantia do direito de opinião e de expressão da criança e do adolescente, uma vez que a inquirição parte de uma concepção utilitária da obtenção da informação voltada para a produção de prova em processo judicial. Ao submeter-se a criança/adolescente a uma teatrologia que subverte o próprio papel do psicólogo, do assistente social e de suas intervenções, o emprego de tecnologias dessa natureza perpassa pela supressão dos princípios da dignidade e do respeito aos envolvidos. Acrescenta que a filmagem do seu depoimento, além de não evitar a revitimização decorrente de sucessivas inquirições sobre o mesmo fato, eterniza a sua própria condição de vítima cujas imagens e histórias são gravadas. Conclui que a prova produzida pela técnica do Depoimento sem Dano implica na abordagem da criança e do adolescente como objeto de direito e não sujeito. 20

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