PROPAGAÇÃO DO MANGOSTÃO ATRAVÉS DO CULTIVO IN VITRO. Acadêmico PVIC/UEG do Curso de Agronomia, UnU Ipameri - UEG.

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1 PROPAGAÇÃO DO MANGOSTÃO ATRAVÉS DO CULTIVO IN VITRO Valter de Oliveira Neves Júnior1; Zélio de Lima Vieira 1; Leandro Martins Prudente1; Rafael Benetti1; Sebastião Pedro da Silva Neto 2 1 Acadêmico PVIC/UEG do Curso de Agronomia, UnU Ipameri - UEG. 2 Orientador, docente do Curso de Agronomia, UnU Ipameri UEG. RESUMO O crescente interesse no cultivo de frutas exóticas foi impulsionado pelo aumento da diversificação frutífera no Brasil. O presente trabalho tem como objetivo avaliar a propagação in vitro do Mangostão (Garcinia mangostana L.). O experimento foi instalado em agosto de 2009 e conduzido até setembro de 2009, em condições laboratoriais da Universidade Estadual de Goiás UEG, Unidade Universitária de Ipameri., situada às margens da rodovia GO 330 Km 241. Utilizou-se o delineamento experimental em blocos casualizados (DBC) com 7 tratamentos (operadores) e 3 repetições. Foi coletado o explante da planta e levado ao laboratório para lavagem e desinfecção com álcool 70% e hipoclorito de sódio 1%. O material foi colocado em uma placa de Petri cortado e colocado em tubos de ensaio com meio de cultivo MS, suplementado com sacarose a 30 g.l-1 e Agar a 6 g.l-1.. As características analisadas foram avaliadas aos 15, 25 e 35 dias após a implantação do ensaio e os dados submetidos ao teste F para análise de variância e ao teste de Tukey a 5% de probabilidade. O estabelecimento in vitro do mangostão, nas condições e metodologias utilizadas neste trabalho mostrou-se viável, pois foram conseguidos índices de descontaminação de explantes acima de 50% para todos os operadores. As variações observadas entre operadores demonstram que existem diferenças individuais entre as pessoas no tocante à habilidade ou metodologia. Palavras-chaves: Garcinia mangostana L.; cultivo in vitro; meio de cultivo. Introdução O crescente interesse no cultivo de frutas exóticas foi impulsionado pelo aumento da diversificação frutífera no Brasil, onde se encontra boas condições climáticas e solo favorável para o cultivo de muitas espécies de frutas tropicais, dentre elas destaca-se o mangostão. O mangostanzeiro é uma planta frutífera exótica, pouco conhecida no Brasil, mas pode ser encontrada em alguns pomares domésticos, embora a maioria desconheça o seu verdadeiro 1

2 nome. Os frutos têm formato arredondado ou levemente oval, contém um bico terminal, tipo baga (polpa suculenta e com semente), polpa amarela de sabor ácido e uma semente grande por fruto. As plantas se desenvolvem bem e frutificam em condições de temperatura amena a quente, embora bastante rústica, se desenvolve melhor em solos profundos, férteis e ricos em matéria orgânica (Cavalcante, 2006). O mangostanzeiro é propagado, principalmente, por meio de sementes, produzindo árvores idênticas à planta mãe. As sementes devem ser semeadas imediatamente após a eliminação da polpa, pois perdem a viabilidade rapidamente (Donadio et al., 1998). O mundo da ciência é fascinante e repleto de inovações e progressos. Nesse aspecto a biotecnologia de plantas tem contribuído de forma relevante para o setor produtivo a partir do impulso, na última década, às pesquisas para a produção de plantas livres de vírus, para a propagação clonal e o desenvolvimento de genótipos resistentes estresses bióticos e abióticos via engenharia genética (Torres et al, 1998). Através da técnica de cultivo de plantas em solução nutritiva tem-se alcançado avanços no conhecimento da nutrição de diversas culturas, por ser possível determinar quais os nutrientes limitantes ao desenvolvimento das plantas em qualquer tipo de solo, e com isso corrigir essas deficiências com a adubação (Muller et al., 1995). Assim, o presente trabalho tem como objetivo avaliar o estabelecimento in vitro do mangostão (Garcinia mangostana L.). Material e Métodos O experimento foi instalado em agosto de 2009 e conduzido até setembro de 2009, em condições laboratoriais da Universidade Estadual de Goiás UEG, Unidade Universitária de Ipameri., situada às margens da rodovia GO 330 Km 241. A planta em estudo foi o Mangostão (Garcinia mangostana L.). Utilizou-se o delineamento experimental em blocos casualizados (DBC) com 7 tratamentos (operadores) e 3 repetições. Após a coleta do meristema apical (explante) do Mangostão, este foi levado ao laboratório para lavagem em água corrente. O explante foi colocado em uma solução de álcool a 70% por 2 minutos. Em seguida foi colocado em uma solução de hipoclorito de sódio a 1% por 5 minutos. O material foi colocado dentro de uma capela de fluxo laminar desinfectada com álcool 70% para evitar contaminação. Cada operador com o uso de uma pinça retirava o explante da solução e colocava-a numa placa de Petri para ser cortada em 2

3 tamanho ideal com auxílio de um bisturi para ser colocado no tubo de ensaio contendo o meio de cultivo (Figura 1). A B C Figura 1 - Corte dos explantes (A), explantes na solução de hipoclorito de sódio (B) e explante sendo colocado no tubo de ensaio (C). O meio de cultivo utilizado foi o MS (Murashige & Skoog, 1962), suplementado por sacarose 30g l-1, agar 6g l-1. As avaliações foram feitas visualmente aos 15 e 25 dias após a implantação do ensaio (DAI), analisando as seguintes características: fungos, bactérias e coloração do explante, utilizando como critério de avaliação uma escala de nota de 0 a 3, sendo que 0 corresponde o mínimo de contaminação, 1 e 2 intermediário e 3 o máximo. Os dados obtidos foram transformados à (x + 1)1/2 e submetidos ao teste F para análise de variância e, para comparação das médias, utilizou-se o teste de Tukey a 5% de probabilidade. Resultados e Discussão Na primeira avaliação não houve efeito significativo entre os tratamentos e as características avaliadas, ao nível de 5% de probabilidade, pelo teste F. Os resultados foram estatisticamente iguais (Tabela 1). Na segunda e terceira avaliação houve efeito significativo ao nível de 5% de probabilidade, pelo teste F, exceto para a característica cor (Tabela 1). 3

4 Tabela 1 Estabelecimento in vitro do mangostão aos 15, 25 e 35 dias após a implantação do ensaio, em função de fungos, bactérias e cor. Épocas de avaliação Tratamentos Operador 1 Operador 2 Operador 3 Operador 4 Operador 5 Operador 6 Operador 7 15 DAI DMS CV (%) Operador 1 Operador 2 Operador 3 Operador 4 Operador 5 Operador 6 Operador 7 25 DAI DMS CV (%) Operador 1 Operador 2 Operador 3 Operador 4 Operador 5 Operador 6 Operador 7 35 DAI DMS CV (%) 1 Fungos 0,67 a1 0,62 20,83 1,33 ab b 0,84 25,85 1,67 ab 1,00 ab 2,67 b 0,84 22,98 Variáveis Bactérias 0,00 0,00 0,67 ab 1,00 ab 0,92 29,93 1,00 a 1,67 a 0,84 25,85 Cor 2,67 a 0,62 11,18 2,33 a 2,66 a 2,33 a 1,08 22,05 1,67 a 2,67 a 2,33 a 1,48 32,08 Médias seguidas de mesma letra, na mesma coluna, não diferem entre si pelo teste de Tukey. A retirada dos explantes deve ser feita de preferência a partir de brotações novas que são formadas durante a fase ativa de crescimento de plantas bem nutridas, mantidas em casa de vegetação mediante a aplicação de fungicida, bactericida e protegida de intempéries (Gratapaglia & Machado, 1998). Do mesmo modo Montarroyos (2000), afirma que o sucesso na micropropagação depende da utilização de plantas matrizes sadias, pois a maior fonte de contaminação primária na cultura de tecidos vegetais provém da planta-matriz, por isso sua condição fitossanitária é importante. Quanto a presença de fungos em função dos operadores os resultados foram semelhantes, com ocorrência de fungos no operador 1 na primeira e segunda avaliação e nos operadores 2 e 4 na segunda avaliação. Já na terceira avaliação a contaminação por fungos 4

5 aumentou significamente nos tratamentos 1, 2 e 4, diferindo estatisticamente ao nível de 5% de probabilidade, pelo teste F. A presença bactérias ocorreu a partir da segunda avaliação nos operadores 1 e 4, com resultados diferindo estatisticamente. Já na terceira avaliação nos tratamentos 1, 2 e 4, com resultados estatisticamente iguais. Quanto à característica coloração do explante do mangostão nas três avaliações os resultados foram estatisticamente iguais. Na primeira avaliação apenas no operador 1 que o explante perdeu um pouco de coloração. Já na segunda avaliação, nos operadores 1, 3, 4 e 7 a coloração foi modificada prejudicando o desenvolvimento do explante e na terceira avaliação em todos os tratamentos houve perda de coloração do explante. Conclusão O estabelecimento in vitro do mangostão, nas condições e metodologias utilizadas neste trabalho mostrou-se viável, pois foram conseguidos índices de descontaminação de explantes acima de 50% para todos os operadores. As variações observadas entre operadores demonstram que existem diferenças individuais entre as pessoas no tocante à habilidade ou metodologia. Estas diferenças podem ser minimizadas mediante treinamento. Referências Bibliográficas DONADIO, L. C., NACHTIGAL, J. C., SACRAMENTO, C. K. Frutas exóticas. Jaboticabal: FUNEP, p. CAVALCANTE, I. H. L.; JESUS, N.; MARTINS, A. B. G. Physical and chemical characterization of yellow mangosteen fruits. Revista Brasileira de Fruticultura, Jaboticabal, v. 28, n. 2, GRATAPAGLIA, D.; MACHADO, M.A. Micropropagação. In: TORRES, A.C.; CALDAS, L.S.; BUSO, J.A. (Eds.) Cultura de tecidos e transformação genética de plantas. Brasília: Embrapa-SPI/Embrapa-CNPH, p MONTARROYOS, A.V.V. Contaminação in vitro. ABCTP Notícias, Brasília, n.36 e 37, p.5-10,

6 MULLER, CH.; CALZAVARA, B.B.G.; GUIMARÃES, A.D.G. Mangostão, EMBRAPACPATU, (Recomendações básicas, 14). MURASHIGE, T.; SKOOG, F. A revised medium for rapid growth and bioassay with tobacco tissue culture. Physiology Plantarum, Copenhagen, v. 15, p , TORRES A. C, CALDAS L. S.; BUZZO J. A. (Eds). Cultura de Tecidos e Transformação Genética de Plantas. v.1. e 2. Brasília, Embrapa, 864p

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