PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 5ª REGIÃO GABINETE DO DESEMBARGADOR FEDERAL FRANCISCO WILDO

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1 PODER JUDICIÁRIO APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA Nº 96286/CE ( ) APTE : KILLING TINTAS E ADESIVOS LTDA ADV/PROC : MARCIANO BUFFON E OUTRO APDO : FAZENDA NACIONAL ORIGEM : 5ª VARA FEDERAL DO CEARÁ - CE RELATOR : DES. FED. RUBENS DE MENDONÇA CANUTO (CONVOCADO) RELATÓRIO O Sr. Des. Fed. RUBENS DE MENDONÇA CANUTO (Convocado): Cuida-se de apelação de sentença denegatória da segurança impetrada por KILLING TINTAS E ADESIVOS LTDA, visando ao aproveitamento como créditos de PIS e COFINS todos os valores relativos aos bens e serviços adquiridos ou contratados pela empresa, que sofreram a incidência das referidas contribuições na etapa anterior, nos termos do art. 195, 12, da CF/88. O douto sentenciante entendeu não ser possível a exclusão da base de cálculo do PIS e COFINS das receitas transferidas a outras pessoas jurídicas, sob o fundamento de ausência de previsão legal que assim autorize. Apelação reiterando os argumentos aduzidos na exordial. Sustenta o apelante que a r. sentença não analisou o fulcro da matéria em discussão, colacionando decisões que tratam de assuntos que não mantém qualquer relação com a matéria objeto do litígio. Contrarrazões da Fazenda Nacional às fls. 107/115. É o relatório.

2 PODER JUDICIÁRIO APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA Nº 96286/CE ( ) APTE : KILLING TINTAS E ADESIVOS LTDA ADV/PROC : MARCIANO BUFFON E OUTRO APDO : FAZENDA NACIONAL ORIGEM : JUÍZO FEDERAL DA 5ª VARA FEDERAL DO CEARÁ - CE RELATOR : DES. FED. RUBENS DE MENDONÇA CANUTO (CONVOCADO) VOTO (Convocado): O Sr. Des. Fed. RUBENS DE MENDONÇA CANUTO A controvérsia dos autos gira em torno da possibilidade de aproveitamento integral dos créditos de PIS/COFINS, oriundos das aquisições de bens e serviços realizados pela Empresa-Autora, ante a não-cumulatividade erigida a partir das Leis nºs /02 e /03. Preambularmente, há de ser decretada de ofício a nulidade da sentença, onde o MM. Juízo monocrático se desviou do thema decidendum, declarando a impossibilidade de exclusão da base de cálculo do PIS e da COFINS das receitas transferidas a outras pessoas. Em verdade, ao Juiz é defeso julgar fora dos limites do pedido, restando eivada de nulidade a sentença que incorrer em tal equívoco. Todavia, com espeque no art. 515, 3º, do CPC, acrescentado pela Lei nº /01, não há de ser devolvido o processo para apreciação da Primeira Instância, podendo o Tribunal, vez que a causa versa sobre questão exclusivamente de direito e está em condição de imediato julgamento, julgar de pronto a lide. Passo ao mérito propriamente dito. O princípio da não-cumulatividade erigido nos art. 153, IV, 3º, II e 155, II, 2º da CF/88 assegura que o contribuinte do IPI e ICMS compense em cada operação o montante devido nas operações precedentes, de forma que o imposto apenas incida sobre o valor agregado em cada etapa da produção e da circulação. A operacionalização desse princípio impede, assim, o que se chama de tributação em cascata, ou seja, a incidência sucessiva do imposto sobre a mesma base de cálculo. Já a não-cumulatividade do PIS e da COFINS traduz-se na redução da base de cálculo, havendo a dedução de créditos referentes às contribuições em comento, que já tenham sido recolhidas sobre bens e/ou serviços, objeto de faturamento em etapas anteriores. Pretende-se com isso minorar a incidência dos efeitos sobre a receita ou faturamento. Apesar da Emenda Constitucional nº 42 ter acrescentado o 12 ao art. 195, dando status constitucional à não-cumulatividade de algumas contribuições, desde a edição das Leis nºs /02 (conversão da MP 66/2002) e /03 (conversão da MP nº 135/2003) tal sistemática tornou-se possível. Com a edição dos referidos diplomas legais as alíquotas, tanto do PIS, como da COFINS sofreram acréscimos, possibilitando, todavia, a dedução da base de cálculo das contribuições incidentes sobre os bens e serviços adquiridos.

3 PODER JUDICIÁRIO AMS96286-CE (V-2) É cediço, entretanto, que a legislação de regência autorizadora de tais de deduções, trouxe listas taxativas enumerando as hipóteses em que se daria o desconto de créditos. Percebe-se, inclusive, que a depender da atividade desempenhada pela empresa pode ocorrer a não geração de créditos necessários à neutralização das majorações das alíquotas implementadas pelo novo sistema arrecadatório. As Leis nºs /02 e /03, ao disporem sobre os descontos de créditos, assim prescrevem: Lei /02 Art. 3 o Do valor apurado na forma do art. 2 o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I - bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº , de 2004) a) no inciso III do 3 o do art. 1 o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº , de 2008). (Produção de efeitos) b) nos 1 o e 1 o -A do art. 2 o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº , de 2008) II - bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2 o da Lei n o , de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições e da TIPI; (Redação dada pela Lei nº , de 2004) III - (VETADO) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V - valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº , de 2004) VI - máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº , de 2005) VII - edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mão-de-obra, tenha sido suportado pela locatária; VIII - bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX - energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº , de 2007) X - vale-transporte, vale-refeição ou vale-alimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº , de 2009) (grifo nosso)

4 PODER JUDICIÁRIO AMS96286-CE (V-3) Lei /03 Art. 3 o Do valor apurado na forma do art. 2 o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I - bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº , de 2004) a) nos incisos III e IV do 3 o do art. 1 o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº , de 2004)(Vide Medida Provisória nº 413, de 2008) (Vide Lei nº , de 2008). b) nos 1 o e 1 o -A do art. 2 o desta Lei; (Redação dada pela lei nº , de 2008) II - bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2 o da Lei n o , de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições e da Tipi; (Redação dada pela Lei nº , de 2004) III - energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº , de 2007) IV - aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V - valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº , de 2004) VI - máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº , de 2005) VII - edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII - bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX - armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X - vale-transporte, vale-refeição ou vale-alimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº , de 2009) (grifo nosso)

5 AMS96286-CE (V-4) PODER JUDICIÁRIO Na aplicação dos referidos diplomas legais surge o questionamento quanto ao alcance da expressão insumos. Pretende a Autora da ação mandamental enquadrar em tal conceito todos os serviços intrinsecamente necessários à sua atividade, todas as despesas necessárias à consecução do objeto social da empresa, a saber, valores pagos a empresas pela representação comercial (comissões), as despesas de marketing para divulgação do produto, as despesas para manutenção da frota própria de veículos, combustíveis, lubrificantes, o serviços de consultoria prestados por pessoas jurídicas, serviços de limpeza, serviços de vigilância, uniforme e equipamentos de proteção individual, valores gastos com transporte de funcionários e despesas com clínica médica e odontológicas. Apesar da sistemática da não-cumualtiviade do IPI e ICMS ser distinta da empregada quanto às contribuições sociais em comento, anoto que o conceito de insumos deve ser o mesmo ali empregado, a saber, todos os elementos imprescindíveis para a produção de mercadoria ou para a prestação de serviço, desde que vinculados à atividade da empresa, ou seja, insumo é o que se incorpora ao produto final. Ademais, se o legislador ordinário quisesse dar um elastério maior ao conceito de insumo, empregando-lhe a generalidade pretendida, não teria colocado no rol de descontos de créditos aqueles advindos de energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica, aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa ; máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços e tantos outros. Destarte, anoto que a IN SRF nº 247/02, alterada pelas IN s SRF nº 358/03 e 464/04, ao explicar o que vem a ser insumo não extrapolou o âmbito de sua atuação, apenas nominou os créditos possíveis, em virtude de sua utilização no processo produtivo, não havendo que se falar em restrição de direitos. Eis o teor do art. 66 da mencionada instrução: Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep não-cumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I das aquisições efetuadas no mês: a) de bens para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos nos incisos III e IV do art. 19; b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: (Redação dada pela IN SRF 358, de 09/09/2003) (...)

6 AMS96286-CE (V-5) PODER JUDICIÁRIO 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende-se como insumos: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) I - utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) II - utilizados na prestação de serviços: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) À guisa de exemplificação colho arestos emanados do colendo TRF 4ª Região, a ratificar a tese por mim esposada: PIS. COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO DE INSUMO. LEIS Nº /2002 E /2003. A nova sistemática de tributação não-cumulativa do PIS e da COFINS, prevista nas Leis nº /2002 e /2003, confere ao sujeito passivo do tributo o aproveitamento de determinados créditos previstos na legislação, excluídos os contribuintes sujeitos à tributação pelo lucro presumido. Insumo é tudo aquilo que é utilizado no processo se produção e, ao final, integra-se ao produto, seja bem ou serviço. Desse modo, a vigilância e a limpeza, a publicidade, o aluguel e a energia elétrica não são insumos dos prestadores de serviços. Se o legislador quisesse alargar o conceito de insumo para abranger todas as despesas do prestador de serviço, o artigo 3º das Leis nº /2002 e /2003 não traria um rol detalhado de despesas que podem gerar créditos ao contribuinte. O conceito de insumo esposado na IN SRF n.º 404/04 está de acordo com a legislação pertinente, uma vez que restringe o creditamento aos elementos que compõem diretamente o produto ou serviço e não à atividade geral da empresa. (AC SC, Rel. Des. Fed. LUCIANE AMARAL CORRÊA MÜNCH, DE )

7 AMS96286-CE (V-6) PODER JUDICIÁRIO TRIBUTÁRIO. PIS/COFINS. LEIS NºS /2002 E /2003. NÃO-CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO DE INSUMOS. 1. A orientação da não-cumulatividade do PIS e da COFINS foi dada pelas Leis nºs /2002 e /2003, por meio de concessão de créditos taxativamente previstos em seus preceitos para que sejam aproveitados por meio de dedução da contribuição incidente sobre o faturamento apurado na etapa posterior. 2. Nessa ordem, o legislador estabeleceu a possibilidade de aproveitamento de créditos de PIS e de COFINS calculados em relação aos "insumos" adquiridos pela pessoa jurídica, assim considerados os bens e serviços utilizados na prestação de serviços e na fabricação de mercadorias destinadas à venda, nos termos do art. 3º, II, das Leis nºs /2002 e / Pode-se entender como insumo, portanto, todo bem que agrupado a outros componentes, qualifica, completa e valoriza o produto industrializado a que se destina. Logo, as embalagens utilizadas especificamente para acondicionar mercadorias para transporte não estão abrangidas pela definição de insumos, porquanto não foram utilizadas no processo de industrialização e transformação do produto final. 4. A aplicação do princípio da não-cumulatividade do PIS e da COFINS em relação aos insumos utilizados na fabricação de bens e serviços não implica estender sua interpretação, de modo a permitir que sejam deduzidos, sem restrição, todos e quaisquer custos da empresa despendidos no processo de industrialização e comercialização do produto fabricado. 5. Apelação e remessa oficial providas. (AC SC, Rel. Des. Fed. JOEL ILAN PACIORNIK, DE ) TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. LEIS Nº /2002 E /2003. NÃO-CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO DE INSUMOS. 1. Se a ação foi proposta em , incide o preceito contido no art. 3º da LC n.º 118/05, restando prescritas, pois, as parcelas relativas aos fatos geradores ocorridos anteriormente a As Leis n.ºs /02 e /03, ao instituírem o regime da nãocumulatividade do PIS e da COFINS, operaram, de um lado, a majoração da alíquota de 0,65% para 1,65%, e de 3% para 7,6%, respectivamente, e concederam, de outro, benefícios fiscais na forma de créditos escriturais que resultariam na redução da carga tributária das empresas, conforme disposto no art. 3º. Esse regime permite uma apropriação "semidireta" dessas contribuições incidentes em fase anterior, por meio da admissão de créditos decorrentes de insumos utilizados na produção, os quais são deduzidos das contribuições a recolher. 3. Somente pode ser considerado insumo o que se relaciona diretamente à atividade da empresa.

8 AMS96286-CE (V-7) PODER JUDICIÁRIO 4. A interpretação dada pelo fisco a respeito do tema na Solução de Consulta nº 189 não traduz ampliação do conteúdo legal, apenas reforça o modo legalmente previsto de aproveitamento dos créditos no sistema não cumulativo do PIS e da COFINS, de modo que não incorre em vícios de ilegalidade ou de inconstitucionalidade. (AC RS, Rel. Des. Fed. VÂNIA HACK DE ALMEIDA, DE ) Por todo o exposto, de ofício, declaro a nulidade da sentença e julgo prejudicada a apelação. Aplico o art. 515, 3º, do CPC para julgar improcedente a ação. ASSIM VOTO.

9 PODER JUDICIÁRIO APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA Nº 96286/CE ( ) APTE : KILLING TINTAS E ADESIVOS LTDA ADV/PROC : MARCIANO BUFFON E OUTRO APDO : FAZENDA NACIONAL ORIGEM : JUÍZO FEDERAL DA 5ª VARA FEDERAL DO CEARÁ - CE RELATOR : DES. FED. RUBENS DE MENDONÇA CANUTO (CONVOCADO) EMENTA TRIBUTÁRIO E PROCESSO CIVIL. SENTENÇA EXTRA PETITA. HIPÓTESE DE APLICAÇÃO DOA RT. 515, 3º, DO CPC. PIS/COFINS. LEIS NºS /02 E /03. NÃO- CUMULATIVIADE. CONCEITO DE INSUMOS DA IN SRF Nº 247/02 - Sentença extra petita, onde o MM. Juízo monocrático se desviou do thema decidendum, a saber, a possibilidade de aproveitamento integral dos créditos de PIS/COFINS, oriundos das aquisições de bens e serviços, ante a não-cumulatividade erigida a partir das Leis nºs /02 e /03. Ao Juiz é defeso julgar fora dos limites do pedido, restando eivada de nulidade a sentença que incorrer em tal equívoco. Todavia, com espeque no art. 515, 3º, do CPC, acrescentado pela Lei nº /01, não há de ser devolvido o processo para apreciação da Primeira Instância, podendo o Tribunal, vez que a causa versa sobre questão exclusivamente de direito e está em condição de imediato julgamento, julgar de pronto a lide. - A não-cumulatividade do PIS e da COFINS, erigida nas Leis nº /02 e /03, traduz-se na redução da base de cálculo, havendo a dedução de créditos referentes às contribuições em comento, que já tenham sido recolhidas sobre bens e/ou serviços, objeto de faturamento em etapas anteriores. Pretende-se com isso minorar a incidência dos efeitos sobre a receita ou faturamento. - Apesar da sistemática da não-cumualtiviade do IPI e ICMS ser distinta da empregada no caso do PIS/COFINS, o conceito de insumos deve ser o mesmo ali empregado, a saber, todos os elementos que se incorporam ao produto final, desde que vinculados à atividade da empresa. - O legislador ordinário se quisesse dar um elastério maior ao conceito de insumo, empregando-lhe um caráter genérico não teria trazido um rol taxativo de descontos de créditos possíveis, nas Leis nºs /02 e /03, a exemplo dos créditos referentes à energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica e tantos outros.

10 AMS96286-CE (AC-2) PODER JUDICIÁRIO - A IN SRF nº 247/02, alterada pelas IN s SRF nº 358/03 e 464/04, ao explicar o que vem a ser insumo não extrapolou o âmbito de sua atuação, apenas nominou os créditos possíveis, em virtude de sua utilização no processo produtivo, não havendo que se falar em restrição de direitos. - Precedente do colendo TRF 4ª Região (AC SC, Rel. Des. Fed. LUCIANE AMARAL CORRÊA MÜNCH, DE , AC SC, Rel. Des. Fed. JOEL ILAN PACIORNIK, DE e AC RS, Rel. Des. Fed. VÂNIA HACK DE ALMEIDA, DE ). - Sentença anulada de ofício. Apelação da Impetrante julgada prejudicada. Aplicação do art. 515, 3º, do CPC. Improcedência da ação. Vistos, etc. ACÓRDÃO Decide a Primeira Turma do Tribunal Regional Federal da 5ª Região, por unanimidade, declarar de ofício a nulidade da sentença e julgar prejudicada a apelação e, por força do art. 515, 3º, do CPC, julgar improcedente a ação, nos termos do Relatório, Voto e notas taquigráficas constantes dos autos, que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. Recife, 27 de outubro de (Data de julgamento) Des. Fed. RUBENS DE MENDONÇA CANUTO Relator Convocado

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