Comercialização no Mercado Interno e Compras Governamentais

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1 2º Conferencia Brasileira sobre Arranjos Produtivos Locais Comercialização no Mercado Interno e Compras Governamentais Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação Rio de Janeiro RJ Setembro de 2005

2 Palestrante: Rafael Setúbal Arantes Coordenador - DLSG/SLTI/MP Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental Advogado e Mestre em Direito Público

3 Definição Conceito O PODER DE COMPRA É o poder do consumidor, seja ele empresa privada, órgão público, cooperativa ou pessoa física, que ao adquirir bens e serviços define suas exigências e necessidades, tornando-se um indutor da qualidade, da produtividade, e de inovação tecnológica, gerando emprego, ocupação e renda e, contribuindo para a competitividade e desenvolvimento do país.

4 Valor total das contratações públicas...r$ 30.5 bilhões Valor das contratações com MPE(s)...R$ 5.5 bilhões 2002 a ,01% contratações com MPE(s) Micro Empresas 5,18% Outras 81,98% Fonte: SIASG Pequenas Empresas 12,83%

5 Evolução dos gastos em contratações - R$ Todas as empresas Todas MPE(s) 10bi 7,9bi 12,4bi 1,6bi 1,6bi 2,2bi Fonte: SIASG

6 O poder de compra Volume de Compras - Descentralização Desestatização - Privatização - Terceirização de Atividades Acessórias: Ampliaram a contratação de serviços antes prestados pelos servidores.. Conservação, Limpeza, Segurança, Vigilância, Transportes, Informática, Manutenção de Prédios, Equipamentos e Instalações, Copeirarem, Recepção, demandando do setor privado maior quantidade de serviços e bens; Do mesmo modo, recursos e ações descentralizadas promovem uma maior distribuição de compras entre diferentes níveis de governo estados e municípios; Por outro lado, as privatizações limitam a capacidade de poder de compra do Estado (por meio das empresas públicas).

7 Objetivo - Resultado Explorar a demanda por bens e serviços do Estado para fomentar as micros e pequenas empresas MPE s Uso do Poder de Compra do Estado como política de fomento e qualificação de fornecedores, simplificando e planejando os processos de compras, e favorecendo consórcios, parcerias e subcontratações de micros e pequenas empresas. Desenvolver a economia local e gerar emprego e renda, primando pelo desenvolvimento econômico sustentável.

8 Poder de compra - Qualificação O estudo do poder de compra para torná-lo elemento constitutivo de uma política de incentivo, de certificação de qualidade e, particularmente, de melhoria das cadeias produtivas,, vem sendo desenvolvido em nosso país nas duas ultimas décadas. O Estado,, enquanto consumidor de bens e serviços,, está em posição ideal para implantação de sistema de controle de qualidade e transferência de tecnologia,, em razão da escala e fator de indução do seu poder de compra. Busca-se se encontrar os requisitos básicos para estabelecer uma Política centrada no poder de compra para incorporar as MPE s no esforço de qualificação e formação de Arranjos Produtivos Locais.

9 Por que fomentar as MPE s Os países desenvolvidos usam o poder de compra do Estado como instrumento de fomento às MPE s (exemplo: USA - By American Act/33); MPE s Geram 6 vezes mais empregos do que as médias e grandes empresas (empregos gerados/participação no PIB); Com base em dados das Juntas Comerciais, 49,4% das MPE s que começaram a funcionar em 2002 fecharam no início de 2004; Respondem por cerca de 67% dos empregos; Representam 99% das empresas formalmente estabelecidas no Brasil; Atendem a apenas 18% do montante dispendido nas compras governamentais da União, enquanto em países desenvolvidos este percentual é em média de 30%. Fonte: Sebrae

10 Desafios Ausência de uma legislação que ampare o uso do poder de Compra do d Estado como instrumento de política industrial; O O foco nos princípios da economicidade,, competitividade, isonomia e eficiência das compras públicas impede/restringe o uso do poder de compra como política de fomento; O O processo de centralização das compras, por meio do crescente uso u dos Sistema de Registro de Preços (Contratos Marco), implicam em e aumento da escala das aquisições, dificultando a participação de MPE s; A A prioridade da utilização do Pregão Eletrônico restringe a participação das MPE s nas compras públicas, devido ao baixo índice de inclusão digital e maior facilidade de participação de médias e grandes empresas e em licitações de outras localidades; Falta de planejamento e programação das compras governamentais;

11 Desafios Falta de Capacitação dos Agentes Públicos para a utilização do poder p de compra como instrumento de fomento (ausência de uma burocracia profissional e de um processo de capacitação direcionado); Exigências de garantia acabam por restringir a participação de MPE s, M face à dificuldade de obtenção de financiamento e à alta taxa de juros; Eventuais atrasos no pagamento, especialmente no âmbito estadual e municipal, prejudicam MPE s, que possuem pouco ou nenhum capital de giro; Ambigüidade da ação das empresas governamentais (ora exercendo função de Estado, ora sendo cobradas por sua eficiência microeconômica como fornecedor de produtos e serviços públicos). Uso de empresas estatais como instrumento de política macroeconômica (controle de preços e obtenção de financiamentos externos). Intensa mudança na administração das empresas governamentais.

12 O poder de compra Legislação A legislação brasileira ainda não prevê o uso do poder de compra do Estado para garantir mercado para a produção interna ou desenvolver determinados setores da economia. A Lei 8.666/93, no art. 3, veda a inclusão de condições nas licitações que restrinjam a competição, estabeleçam preferências em função da sede ou município dos fornecedores, ou ainda estabeleçam tratamento diferenciado em razão do porte ou natureza do licitante. A Lei /02 (estabelece o Pregão) também não prevê a possibilidade de uso do poder de compra para o fomento industrial; Ressalva: Admite-se o uso do poder de compra para a capacitação e competitividade do setor de informática (Tecnologia Desenvolvida no País e/ou que cumpram o Processo Produtivo Básico - Lei nº 8.248/91 e Lei /04).

13 O poder de compra Legislação Entretanto, a Constituição Federal determina: Art. 146, inciso III, alínea d: Cabe à lei complementar: III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: d) definição de tratamento diferenciado e favorecido para as microempreas e para as empresas de pequeno porte(...); Art. 170, inciso XI tratamento favorecido para as empresas de pequeno porte constituídas sob leis brasileiras e que tenham sede e administração no País; e Art. 179: A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios dispensarão às microempresas e às empresas de pequeno porte, assim definidas em lei, tratamento jurídico diferenciado, visando a incentivá-las pela simplificação de suas obrigações administrativas, tributárias, previdenciárias e creditícias, ou pela eliminação ou redução destas por meio de Lei

14 Relação Custo-Benefício Economicidade/Fomento A capacidade compradora do Estado pode ser utilizada como apoio á política de desenvolvimento da produção, estimulando fornecedores a melhorarem qualidade dos bens e serviços, a produtividade e a capacitação tecnológica assegurando o mercado interno e preparando para a competição interblocos (Lemos,2000). Ao decidir pela utilização do poder de compra do Estado como instrumento de desenvolvimento ou estimulo à produção de determinados bens e serviços, produzidos por empresas de determinado porte ou grupo social, a sociedade está manifestando sua concordância em, eventualmente, pagar algum sobrepreço em favor do desenvolvimento da economia nacional. (Moreira e Moraes,2000).

15 Ganho e Produtividade Em paises onde o uso do poder de compra é exercido, houve um incremento da produtividade de 4 a 11%. (Lemos 2000) LEMOS, Antonio Humberto Medeiros, Subprograma Estruturante do PBQP Tecnologia de Gestão do Uso do Poder de compra. Revista PGQP MOREIRA, Heloisa Camargos. MORAIS, José Mauro. Compras Governamentais: Políticas e procedimentos na Organização Mundial de Comercio, União Européia, Nafta, Estados Unidos e Brasil. IPEA. Texto para Discussão.

16 O Uso do Poder de Compra na Seara Internacional O uso do poder de compra como instrumento de fomento é amplamente adotado por vários países, especialmente os desenvolvidos. Organismos internacionais reconhecem a legitimidade do uso do poder de compra do Estado (Banco( Mundial, BID e OMC). Europa: : o uso do poder de compra governamental atinge alta intensidade e abrangência (exige dos fornecedores a comprovação do vínculo com a economia local). EUA: Buy American Act/1933: : reserva às MPE s as compras até $ 100 mil, e exige a subcontratação de MPEs nas contratações acima de $ 500 mil para bens e acima de $1milhão para obras; Japão e Tigres Asiáticos: ampla atuação do governo na definição de políticas tecnológicas e industriais, e na utilização do mecanismo de poder de compra do Estado.

17 Como possibilitar o uso do Poder de Compra do Estado Alteração da Legislação, permitindo o uso do poder de compra para desenvolver as MPE s; Capacitação dos servidores para o uso do poder de compra; Informatização, padronização e simplificação dos processos de compras públicas, facilitando a participação das MPE s; Capacitação e apoio continuado às MPE s para que possam participar de licitações. Incentivo aos consórcios, parcerias e subcontratações de MPE s nas licitações; Maior planejamento e programação das compras públicas;

18 Ações e Soluções Governamentais Parceria do Governo Federal com o Sebrae e CNM para a construção de um Projeto de Lei Geral das MPE s, permitindo o uso do poder de compra do Estado para o fomento às MPE s; Busca pela Padronização dos Portais de Compras da A.P.; Simplificação da interface com o usuário dos Portais de Compras; Apoio continuada às MPE s no manuseio dos Portais de Compras; Estudos para a Definição de Indicadores de produtividade e satisfação das compras governamentais, certificando boas práticas; Capacitação continuada de servidores e MPE s. Uso do poder de compra como indutor da qualificação, formação de APL s, formação de consórcios, parcerias e subcontratações nas licitações. Linhas de crédito: CEF, BB, BNDES, Banco do Nordeste, BASA, e o Programa Brasil Empreendedor prevêm o auxilio financeiro para as MPEs para o pagamento de dívidas relativas ao FGTS e refinanciamento de dívidas de impostos junto ao governo.

19 PROPOSTA DE LEI GERAL DAS MPE s: Cap. V-V Das Contratações Públicas Inversão das fases de habilitação e de julgamento (em todas as modalidades de licitação) para as MPE s, com prazo para regularização da documentação; Licitações exclusivas para MPE s: contratações de valor inferior a R$80.000,00 (limite do convite); Licitação com exigência de subcontratação de MPE s; Preferência de contratação das MPE(s), com possibilidade de cobertura da melhor proposta (diferença nas propostas de até 5%); Divisão do objeto, quando possível, com destinação de cota à participação exclusiva de MPE(s); Possibilidade de cessão do crédito (empenhos) das MPE(s) para terceiros; Prioridade para o pagamento dos empenhos com as MPE(s); Instituição da Arbitragem nos litígios decorrentes de contratações de MPE(s).

20 O Poder de Compra Políticas Proposta de Projeto de Lei - REDESIM Estabelece diretrizes para a simplificação e integração do processo de registro e legalização de empresários e de pessoas jurídicas. Cria a Rede Nacional para a Simplificação do Registro e da Legalização de Empresas e Negócios REDESIM Articulação entre vários órgão competentes que disponibilizarão informações, orientações e procedimentos necessários ao registro de empresas, na forma presencial e pela rede mundial de computadores; Desburocratização do processo de registro, alteração e extinção de empresas;

21 Ações às MPEs - O caminho da modernização e desafios O novo enfoque de parceria exige, a transparência na formação de custos do bens e serviços demandados pelo Governo, de maneira que a margem de lucratividade dos seus fornecedores seja negociada de forma dinâmica, observando-se os riscos técnicos e comerciais, criando estímulos à redução dos custos e à melhoria da qualidade. A iniciativa de capacitação e de desenvolvimento das MPE s, buscando maior articulação com o setor privado,, fazendo uma ponderação entre os fatores economicidade e fomento nas compras públicas. O comprador estatal poderá desenvolver importante papel de liderança nas iniciativas relacionadas aos serviços de metrologia, padronização e certificação da qualidade.

22 O Poder de Compra Indutor da competitividade, modernização e qualidade das MPEs CAPACITAÇÃO TECNOLÓGICA - QUALIDADE PRODUTIVIDADE A A especificação técnica de bens, serviço e obras,, o cadastramento e avaliação de fornecedores e a fiscalização do processo produtivo e da execução contratual deverão ser aperfeiçoados pelo Governo. Difusão dos procedimentos e requisitos necessários,, e apoio às MPE s para a obtenção dos selos de qualidade emitidos por entidades nacionais e estrangeiras. A A utilização do poder de compra como indutor de padronização, normalização e certificação de qualidade sem um envolvimento direto no setor produtivo,, direcionando o fator coercitivo do Estado em áreas de interesse social, como saúde e meio ambiente.

23 O Poder de Compra Políticas As políticas tecnológicas e industrial devem ser integradas,, coesas e sinalizadas pela política econômica. O Estado deve atuar, prioritariamente, como planejador das estratégias gerais e buscar melhor articulação dos seus agentes, eliminando múltiplas coordenações, duplicação de função e, por vezes, políticas contraditórias, que induzem a uma maior incerteza do setor privado. A coordenação e a articulação do poder de compra do Estado, para serem eficientes, deverão apoiar-se em uma programação plurianual de investimentos públicos e em um plano plurianual de compras governamentais,, de forma a orientar a programação da produção e os investimentos dos fornecedores locais.

24 O Poder de Compra Diretrizes É sabido que a adoção do critério exclusivo de preços não privilegia a utilização do poder de compra em favor de bens e serviços produzidos na localidade,, de modo que alguns estados americanos, por exemplo, estabelecem uma margem percentual para produtos locais. Por outro lado, a utilização de critérios de melhor técnica ou melhor técnica e preço para elaboração de projetos, inclusive de consultoria para a contratação de desenvolvimento bens e serviços de informática, asseguram a possibilidade da utilização do poder de compra para a obtenção de novas tecnologias.. Busca-se se uma estratégia de compras públicas que se preocupe com a capacitação tecnológica de fornecedores locais.

25 O Poder de Compra Ações integradas Tecnologia Recursos Humanos Infra-Estrutura TERRITÓRIO BASE ECONÔMICA: APL S Financiamento Cooperação e Empreendedorismo Mercado

26 O Poder de Compra Discussão Setorial Estado Setores Empresariais TERRITÓRIO: ÊNFASE NO DESENVOLVIMENTO LOCAL Instituições públicas e privadas Sociedade Organizada

27 FIM Rafael Setúbal Arantes Coordenador - DLSG/SLTI/MP Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental Advogado e Mestre em Direito Público

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