O BRASIL E O MUNDO. Mailson da Nóbrega. Ciclo de Grandes Conferências Fundação Calouste Gulbenkian. Lisboa, 6 de setembro de 2010

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1 O BRASIL E O MUNDO Mailson da Nóbrega Ciclo de Grandes Conferências 2010 Fundação Calouste Gulbenkian Lisboa, 6 de setembro de 2010

2 Avanços institucionais: um novo Brasil Democracia consolidada Judiciário independente Imprensa livre e independente Finanças públicas modernizadas Lei de Responsabilidade Fiscal Banco Central autônomo (na prática) Tendências de longo prazo Consolidação do binômio democracia e economia de mercado, com alicerce em fortes instituições Programas sociais focalizados nos segmentos menos favorecidos da sociedade

3 Limites ao populismo econômico Sociedade intolerante à inflação Os pobres votam Inflação prejudica popularidade do Presidente Disciplina de mercado: reação ao voluntarismo Incentivos à gestão macroeconômica responsável

4 A transição brasileira Fases concluídas Democracia (teste: tentativas fracassadas do governo Lula de controlar imprensa) Estabilidade econômica Apoio à transferência condicionada de renda A concluir Rever o papel do Estado na economia Melhorar a qualidade da educação Aumentar a competitividade Características da transição Novo convive com o velho. Haverá maus governos mas retrocessos, se houver, serão temporários Riscos da transição Perdas de oportunidades (o caso do pré-sal) Menor ritmo de crescimento

5 Brasil mais resistente a crises financeiras Sistema financeiro sólido e sofisticado Efeitos da boa regulação e da estabilidade macroeconômica Estabilidade macroeconômica Câmbio flutuante Banco Central autônomo Solvência fiscal Inflação baixa e sob controle Situação externa confortável Reservas internacionais superiores à dívida externa Grau de investimento Selo de qualidade para a gestão macroeconômica

6 Revolução no balanço de pagamentos O fantasma da dívida externa sumiu Passivo externo: Participação de IED + investimento em carteira Juros versus lucros e dividendos: % 6% 70% 5% Juros Meados dos anos 80 60% 4% Lucros e dividendos 3% 50% 2% 40% 1% 30% %

7 Sinais da nova realidade Tropeços do início ( ) 4 presidentes da República 15 ministros da Fazenda 14 presidentes do Banco Central 6 diferentes moedas Inflação média anual: 728% Conquista da estabilidade ( ) 2 presidentes da República 3 ministros da Fazenda 5 presidentes do Banco Central 1 moeda Inflação média anual: 7% 4ª eleição presidencial sob as mesmas regras Essa continuidade somente acontecera no século XIX

8 Transformações sociais Redução das desigualdades Melhora na distribuição de renda Queda nos níveis de pobreza Ampliação do número de consumidores Surge uma sociedade de classe média

9 Distribuição de Renda Ganho de renda dos mais pobres tem sido maior do que o dos mais ricos. Resultado: queda do Coeficiente de Gini. Crescimento da renda real, % Índice Gini 0,64 56% 51% 45% 0,62 0,60 Declínio consistente 41% 38% 32% 0,58 26% 19% 11% 0,56 10% Pobres 10% Ricos 0, Fonte: FGV

10 Fontes da Renda: todas O Programa Bolsa Família e o aumento do salário mínimo foram importantes Mas principal fator foi o aumento de renda do trabalho. Principais fontes de renda 2,2% 2,2% 19.6 % 76.1 % Trabalho Bolsa Familia Outras rendas privadas Aposentadorias Fonte: FGV

11 Fontes de Renda: emprego e educação Desde 2003, criam-se mais de 1 milhão de empregos/ano Desde 1992, a escolaridade média passou de 5 para 7 anos CAGED (milhões) Anos de escolaridade médio (pop com mais de 25 anos) Source: Ministry of Labour and Social Welfare

12 Mercado de trabalho Ganho de renda e menor desemprego ampliam demanda de consumo Inflation-adjusted wages index Unnemployment rates , ,2% , ,8% ,3 9 9,2% ,4% 7,5% ,14% Fonte: IBGE; Itaú Unibanco

13 Distribuição de renda e consumo Desde 2003, 32 milhões de pessoas ingressaram na classe C. A classe C tem 92 milhões de pessoas, com renda entre 8-35 mil dólares/ano. População por grupo de renda (milhões) Em 5 anos, 32 milhões de novos consumidores Baixa (D+E) 92 m m 60 Média (C) Alta (A+ B) 19 m Source: FGV

14 Brasil: transformações econômicas Grande e confiável supridor mundial de commodities Agricultura competitiva: pesquisa, capacidade gerencial e mercados futuros sofisticados Mineração impulsionada por logística Exportador de petróleo (pré-sal) Demanda mundial tende a se manter firme Serviços se consolidam como líderes da economia Efeitos da privatização e da concessão de serviços Indústria continua relevante Brasil presente em segmento de alta tecnologia (Embraer) Empresas brasileiras se tornam multinacionais

15 50 Exportações: participação de commodities USD milhões Commodities Manufaturas Fonte: IBGE; Itaú Unibanco

16 Brasil: principais commodities industriais 16 Crescimentos da produção % / ,6% 160% 88,6% 80,1% 51,4% Petróleo Gás Mineração Papel&Celulose Metalúrgia - aço bruto

17 Brasil: principais commodities agropecuárias 17 Crescimentos da produção % / ,0% 41,7% 32,9% 29,2% Soja Milho Cana de açúcar Carne bovina

18 População Mundial (bilhões) hectares per capita Área agrícola per capita - Mundo 10,00 9, ,45 ha/pessoa 0,45 0,40 8,00 0,35 7,00 6,00 5, ,23 ha/pessoa 0,30 0,25 4,00 3,00 0,20 0, ,18 ha/pessoa População Mundial Hectares per capita Fonte: FAO

19 bilhões billion bilhões billion População rural e urbana Mundo China 5,0 1,0 4,21 4,0 3,0 2,01,80 1,0 0,74 0,0 1,92 2,04 2,18 0,85 1,00 1,16 2,71 2,56 2,37 1,74 1,52 1,33 Rural 2,87 3,02 3,16 3,27 3,35 3,16 2,85 2,56 2,27 1,99 Urbana 3,84 3,49 3,41 3,45 3,46 0,82 0,83 0,83 0,82 0,78 0,74 0,71 0,8 0,69 0,77 0,80 0,60 Rural 0,68 0,55 0,52 0,61 0,48 0,5 0,53 Urbana 0,45 0,38 0,3 0,31 0,25 0,20 0,13 0,14 0,16 0,07 0,09 0,11 0,0 0,76 0,66 Fonte: Agroconsult

20 Demanda de alimentos: consumo X renda Alimentos Renda Alimentos Dietéticos Petiscos Carne, leite, açúcar, frutas, vegetais Grãos, arroz, feijão e raízes Sobrevivência Produtos Básicos Variedades Qualidade Alta Tecnologia Fonte: FAO Elaboração ICONE

21 million tons Consumo mundial de proteínas - Carnes Tx Crescimento 5 Anos Projeção Suinos 2,8% Aves 4,1% Bovinos 1,0% Suínos Bovinos Aves Fonte: Agroconsult

22 Agricultura: espaço para crescimento Mundo Brasil Share Brasil (%) 6% 13,4 BILHÕES ha 100% Área Total 851 MILHÕES ha - 100% 8,9 BILHÕES ha - 66% Área Utilizável (*) 713 MILHÕES ha - 84% 8% 3,9 BILHÕES ha - 29% Área Floresta 471 MILHÕES ha 55% 12% 1,6 BILHÃO ha - 12% Área Cultivada 66 MILHÕES ha - 8% 4% 3,4 BILHÕES ha - 25% Área Pastagem 220 MILHÕES ha 23% 7% (*) Área agrícola + pastagem + floresta Fonte: FAO / SIFFERT

23 Agricultura: espaço para crescimento - Brasil Área Total do País 851 milhões hectares Lavouras temporárias Lavouras permanentes Pastagens* Outros inclui cidades, lagos, rios, estradas, montanhas etc Fonte: FAO; Embrapa; Agroconsult / * inclui pastagens degradadas

24 Agricultura brasileira áreas disponíveis Brasil Distribuição de áreas (milhões de hectares) Floresta Plantada 6 1% Lavouras Anuais 51 6% Lavouras Permanentes 15 2% Área Disponível * 74 9% Pastagem % Área de Conservação e Indígena % Cidades, Lagos, Estradas etc 22 2% Reserva Legal % * Inclui pastagens degradadas Fonte: FAO; Embrapa. Agroconsult.

25 US$ bilhões Exportações mundiais de produtos agrícolas UE (27); EUA; Brasil; Canada; China; Argentina; Fonte: OMC

26 Agricultura brasileira produção e exportação Ranking Mundial Produção e Exportação (t) 2009 Exportação por Produtos (US$ bi) Produtos Produção Exportação Soja 2º 2º Farelo de Soja 4º 2º Óleo de Soja 4º 2º Milho 3º 2º Algodão 5º 3º Café 1º 1º Laranja (suco) 1º 1º Açucar 1º 1º Alcool 2º 1º Fumo 2º 1º Aves 3º 1º Suínos 3º 3º Bovinos 2º 1º Algodão e Têxteis 1,3 2% Sucos de Fruta 1,8 3% Cereais, Farinhas 1,8 3% Fumo e Cigarros 3,0 5% Couros e Prod. de Couros 2,0 3% Outros 4,6 7% Café 4,3 6% Grãos, Farelo e óleo de SOJA 17,2 27% Açúcar e Álcool 9,7 15% Produtos Florestais 7,2 11% Carnes 11,8 18% Fonte: Secex, USDA

27 * 2011* * 2011* Brasil: panorama da telefonia celular terminais móveis terminais fixos Proj. Segmento deve atingir um volume de 198,4 milhões de terminais móveis ativos em 2010 e de 219,2 milhões ao final de Teledensidade deve ultrapassar a barreira dos 100 terminais para cada 100 habitantes em 2010 (102,6 celulares / 100 habs.). Projeção para 2011 é de 112,4 terminais para cada 100 habitantes terminais móveis terminais fixos Proj.

28 O futuro Desafios Aproveitar o bônus demográfico da próxima geração Assegurar o desenvolvimento sustentável Continuar avanços no campo social Mudar para melhor a qualidade do sistema político Ações fundamentais Reformas institucionais (tributária, trabalhista, previdenciária, política) Atrair investimentos em larga escala para a infraestrutura Melhorar a qualidade da educação Combater a violência nos grandes centros urbanos

29 25 anos de transformação Estabilidade Política Instituições fortes Credibilidade monetária Inflação domada Menor desigualdade Convergência para juros mais baixos Disciplina fiscal Solvência externa Global Player: Brasil contribui para o crescimento e a paz do mundo

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