SISTEMA DE INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO PARA ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR

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1 SISTEMA DE INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO PARA ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR Raquel K. Stasiu, MSc. Andreia Malucelli, MSc. João da Silva Dias, Dr Grupo de Pesquisa em Tecnologia em Saúde (GTS), Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), Brasil. a) Introdução Um dos grandes problemas encontrado hoje pelas instituições de atendimento de emergências médicas é a falta de informatização dos seus serviços, desde a solicitação de socorro até a chegada do paciente ao hospital. As atividades realizadas hoje por uma destas instituições, localizada na cidade de Curitiba, podem ser visualizadas na Figura 1 e são explicadas na seqüência. Quando ocorrem acidentes, a unidade de atendimento de emergência pré-hospitalar é chamada por um solicitante, através de um telefonema, geralmente de um local próximo ao acidente, como mostra o passo 1. O solicitante pede socorro, via telefone ou rádio, passando algumas informações sobre o acidente e sua localização para a central de regulação, que é a central de operações da unidade de atendimento de emergência pré-hospitalar utilizada como base de estudo para este projeto. Os atendentes e o médico regulador, na central de regulação, fazem a triagem da chamada, verificando se é trote ou não, e qual a gravidade da vítima. No passo 4, na central de regulação, são obtidas as informações sobre o acidente, através de uma conversa com o solicitante. É verificada a necessidade de envio de ambulância, de que tipo deve ser e se é necessário enviar outros sistemas de apoio. Após escolher o tipo de ambulância necessária, é verificado se existem outras ambulâncias próximas ao local do acidente. No passo 7, o socorrista chega ao local e passa informações sobre a vítima, para a Central Figura 1 - Atendimento Pré-hospitalar

2 de Operações e para o hospital de destino, se já tiver sido definido. A central de regulação encaminha a vítima para o hospital mais adequado, definido pela central de operações. O hospital recebe a vítima e faz o atendimento, como apresentado no passo 8. De acordo com os procedimentos citados acima, encontram-se os seguintes problemas: a) Há necessidade do auxílio na identificação das chamadas (número do telefone do solicitante) com localização geográfica e pontos de referência próximo ao local do acidente. b) Não são feitas gravações em meios magnéticos, da comunicação entre solicitante e atendentes, socorristas e médico regulador. Estas gravações tanto na triagem, quanto na regulação de fato, são obrigatórias conforme a portaria 824 da Secretaria da Saúde [3]. c) Atualmente, são utilizados rádios-amadores para comunicação, o que causa problemas com a falta de sigilo e confidencialidade na comunicação entre os pontos envolvidos (Central de Regulação x Ambulância). d) No momento do despacho da ambulância, os operadores encontram as seguintes dificuldades: na localização das ambulâncias, principalmente aquelas que estão em operação (atendendo uma ocorrência); falta de ambulância, existindo "fila de espera" e dificuldade no auxílio aos motoristas sobre o melhor trajeto para a chegada ao local do acidente. e) Os médicos encontram grande dificuldade na escolha do hospital para envio da vítima, pois não têm informações necessárias dos hospitais conveniados como: disponibilidade de leitos e equipamentos, médicos especialistas disponíveis, equipamentos disponíveis e seu estado, entre outras; f) Falta de um acompanhamento preciso e periódico das informações de biotelemetria (pressão arterial, pulso, saturação de oxigênio, freqüência respiratória, escala de trauma, coma, entre outras) da ambulância para a central e para o hospital. g) Precariedade no controle do almoxarifado geral (medicamentos, equipamentos e materiais), não existindo integração com o controle da guarnição das ambulâncias. h) Não há controle dos equipamentos deixados nos hospitais. i) Não são elaborados relatórios importantes, tais como: epidemiológico, para as secretarias municipais e estaduais de segurança e saúde; parametrizados, por idade, cor, religião, localização, trauma, tipo acidente, data e região; por tipo de atendimento, trauma, clínico e outros; estatísticas de atendimento por viaturas e por tipo. b) Metodologia O sistema de informações para apoiar os serviços de emergências médicas para atendimento pré-hospitalar, precisa atender alguns requisitos técnicos que facilitem o processo, permitindo o registro de informações obrigatórias de forma prática. O sistema é genérico, baseado nas normas definidas pelo Ministério da Saúde [02, 03, 04], para regulamentação do atendimento pré-hospitalar e nos levantamentos de requisitos feitos em unidades de atendimento de emergência reais das cidades de Curitiba, no estado do Paraná e Campinas, no estado de São Paulo. Também foram considerados os protocolos internos das unidades de emergências das cidades citadas. A tecnologia de objetos é a linha mestra de todo o desenvolvimento do projeto. Para o desenvolvimento do projeto foi adotada a análise orientada a objetos, utilizando-se a notação UML (Unified Modelling Language) [05, 06], e o Processo Unificado como metodologia de desenvolvimento. Dessa forma, a medida que os diagramas da modelagem de objetos são construídos em cada fase, são revisados e refinados, direcionados pelos casos de uso [07]. Para o desenvolvimento do sistema foram definidas as seguintes fases: Levantamento de Requisitos, Análise, Projeto, Implementação e Testes. O levantamento de requisitos foi realizado através do estudo bibliográfico das normas de atendimento pré-hospitalar definidas pelo Ministério da Saúde [2,3,4]. Também foram feitos acompanhamento e observação dos procedimentos realizados nas unidades de atendimento, nas cidades de Curitiba e Campinas, bem como análise dos documentos, procedimentos internos e formulários utilizados nas unidades de emergência. Foi considerado no levantamento de requisitos o conjunto mínimo de atributos para identificação do paciente [1], de acordo com as características específicas do atendimento de emergência préhospitalar. A análise orientada a objetos iniciou com os diagramas de casos de uso, e o respectivo detalhamento dos diagramas de interação. Paralelamente foram definidas as classes que representam os objetos de negócio. Com o diagrama de classes completo, foram identificados os objetos que possuem transição de estados. O

3 diagrama de atividade foi desenvolvido para representar o processo da ocorrência desde a abertura do chamado até encerramento da ocorrência, com o atendimento hospitalar. A fase de projeto compreende além do desenho e descrição das telas, o refinamento dos diagramas de interação, representando as interfaces e as classes de implementação. Nesta fase, o diagrama de componentes descreve como serão distribuídas as informações de forma lógica, norteando a fase de implementação, e o diagrama de implantação mostra como ficará a distribuição física. A implementação do sistema utiliza a linguagem de programação Java, banco de dados Oracle, com arquitetura cliente servidor. Durante todo o desenvolvimento do projeto estão sendo implementados protótipos, utilizando tecnologias recentes, que poderão influenciar no desenvolvimento do projeto. O planejamento de testes envolve a verificação e validação de cada módulo que está sendo implementado. Os testes finais serão realizados em ambiente real. c) Resultados A PUCPR vem estudando uma solução para a informatização do atendimento pré-hospitalar [9,10,11] já há algum tempo. Um projeto com o objetivo de integrar as pesquisas já desenvolvidas, novas tecnologias e conhecimentos, e minimizar os problemas citados anteriormente, está em desenvolvimento desde janeiro de O sistema apresenta-se modularizado de acordo com a Figura 2, indicando os passos que geralmente ocorrem durante o atendimento de emergência. Abertura do Chamado - O chamado inicia com o recebimento de um telefonema feito por um solicitante. Após a triagem inicial feita pelo atendente da central de regulação, triagem esta feita por questionários padronizados de acordo com o tipo da ocorrência (atropelamento, acidente de trânsito, queda, acidentes com armas de fogo, etc) e, se comprovado a existência de um acidente, o atendente da central de operações da unidade de emergência acionada solicita e registra informações básicas do acidente como nome, local da ocorrência, pontos de referência, número de vítimas, entre outros dados. Essa triagem inicial possibilita a identificação de fraudes. Ao identificar que a ocorrência é real, o atendente da central de operações solicita ao médico regulador que faça a triagem médica. Triagem Médica O médico regulador, na central de operações, passa a conversar com o solicitante para identificar os dados clínicos da ocorrência. De acordo com o estado das vítimas o médico-regulador identifica a necessidade do envio de ambulâncias, já estipulando o tipo de ambulância que deverá ser despachado. Caso seja necessário o envio de uma ambulância, o médico-regulador orienta o solicitante sobre as providências que poderão ser tomadas antes da chegada do socorro, como por exemplo, isolamento do local, mobilização da vítima, etc. Despacho da Ambulância - O operador de frota que é a pessoa responsável pelo despacho das ambulâncias verificará todas as ambulâncias que precisam ser liberadas para atendimento das ocorrências. Os tipos de ambulância que deverão ser liberadas já estarão selecionados, pois durante a triagem médica o médico regulador já seleciona o tipo de ambulância de acordo com os equipamentos, matérias e medicamentos que possuem. Abertura de Chamado Triagem Médica Almoxarifado da Ambulância Despacho da Ambulância Atendimento Hospitalar Servidor de Vocabulários Atendimento da Equipe de Socorro Encaminhamento da Vítima Figura 2 - Módulos do Sistema O operador de frota auxilia o motorista da ambulância sobre o melhor trajeto até o local do acidente, através de um mapa digitalizado com os principais pontos de referência e as ruas da cidade. O mapa mantém-se atualizado pelo dispositivo de localização da própria ambulância. Operador de frota registra dados da chegada da ambulância ao local da ocorrência. Atendimento Equipe de Socorro - Ao chegar no local da ocorrência a equipe de socorro registra a situação do acidente. Dependendo da ocorrência, durante a triagem o médicoregulador, ou a equipe de socorro quando chega no local, solicitam os serviços auxiliares. A equipe de socorro registra as informações

4 sobre a ocorrência e a vítima utilizando unidades portáteis, como PDAs (Personal Digital Assistent). Caso seja necessário, a equipe de socorro solicita que o médico-regulador indique para qual instituição a(s) vítima(s) deverá ser encaminhada, acompanhando-a até que seja entregue aos cuidados da equipe do hospital. Caso a vítima não necessite de um encaminhamento para um hospital ou prontoatendimento a mesma será liberada pela equipe de socorro e a ocorrência será encerrada. Encaminhamento da Vítima O médicoregulador estabelece contato com as instituições da rede e dependendo do estado da vítima define o encaminhamento da mesma. Após contato com os hospitais, o médicoregulador entra em contato com a equipe de socorro e comunica para qual instituição a(s) vítima(s) deve ser encaminhada. Almoxarifado da Ambulância Controla a guarnição de uma ambulância. Toda ambulância, para estar pronta para atender um caso de emergência deve ter seu estoque verificado para que contenha os equipamentos, medicamentos e materiais adequados para o atendimento. Atendimento Hospitalar Considera-se a vítima sob a responsabilidade do hospital quando a equipe do hospital atende a vítima. São registrados os equipamentos deixados no hospital (quando se aplica), como forma de empréstimo. Servidor de Vocabulário O servidor de vocabulários permite uma padronização dos termos utilizados para identificação de doenças ou diagnósticos garantindo a integridade semântica dos dados. A Figura 3 apresenta a interligação dos módulos do sistema, mostrando uma visão geral do sistema e o tipo de tecnologia adotado para comunicação e transmissão dos dados. Todas as atividades da central de regulação do atendimento no local do acidente e do atendimento no hospital apresentam vocabulário padrão, definido pelo servidor de vocabulário. A central de regulação monitora o deslocamento das ambulâncias através do dispositivo de GPS (Global Position System), permitindo que a mesma oriente para qual hospital deve ser encaminhada a vítima. Uma das características do sistema é a utilização de equipamentos de biotelemetria portáteis, que transmitirão dados e voz diretamente do local do acidente, através de interface padronizada para a central de regulação, sendo que a comunicação de dados acontece através de Figura 3 - Controle do Atendimento Pré-hospitalar Proposto telefonia celular, que integra transmissão de dados e voz via rádio. Da mesma forma, ocorre a comunicação da equipe médica no local de atendimento com a equipe médica do hospital que receberá a vítima em atendimento. Todos os dados do atendimento são registrados em um repositório clínico, permitindo que seja gerada uma base de pesquisa. d) Discussão e Conclusões Todos os módulos encontram-se finalizados e o sistema deve entrar na fase de teste e implantação. O sistema, quando implantado totalmente, permitirá a identificação do endereço da ocorrência através do mapa da cidade digitalizado, colaborando para o apoio no despacho da

5 ambulância. Evitando assim deslocamentos desnecessários e trotes, pois pode ser feito o rastreamento do chamado e auxiliar o deslocamento da ambulância, pelo melhor trajeto. A equipe de atendimento pode enviar imagens do local do acidente ou uma imagem médica (ultra-som) e sinais de biotelemetria (ECG, temperatura, pulso, respiração) para a central de regulação e/ou para o médico do hospital que está aguardando a chegada do paciente. Com maiores informações a respeito do estado clínico da vítima, mesmo à distância, o médico pode auxiliar nos procedimentos a serem executados no local da ocorrência, favorecendo o desenvolvimento das atividades da equipe de atendimento. O tempo dos médicos é otimizado e o paciente passa a ter um atendimento com melhor qualidade. O sistema controlará também o estoque das ambulâncias (entrada e saída de equipamentos, materiais e medicamentos), bem como os equipamentos deixados no hospital com a vítima. Isto faz com que equipamentos não sejam extraviados, causando prejuízo à unidade de emergência e garantindo que a ambulância terá os equipamentos, materiais e medicamentos necessários para os atendimentos. Por se tratar de um sistema de grande porte e que precisa refletir as características do mundo real, a tecnologia de objetos traz facilidades no desenvolvimento, pois no atendimento de emergência pré-hospitalar, a rapidez, a disponibilidade de informações e a facilidade de acesso são fatores imprescindíveis. Os modelos na orientação a objetos mostram a estrutura e o comportamento dos objetos do negócio, diminuindo o problema existente nas outras abordagens que tratam dados e funções separadas. Com isso temse um modelo que retrata os aspectos do mundo real. O diagrama de instâncias mostrou-se importante para identificação de erros cometidos no desenvolvimento do diagrama de classes. Em casos específicos onde a agregação parecia o tipo de associação mais adequada entre as classes, ao instanciar-se os objetos observou-se que faltavam classes associativas para persistir a informação necessária. A orientação a objetos e o refinamento sucessivo fazem com que ocorra uma redução na quantidade de erros, com conseqüente diminuição do tempo despendido nas etapas de codificação e teste, como tem sido observado nos protótipos implementados. Isto ocorre porque os problemas são detectados mais cedo e corrigidos antes da implementação. Agradecimentos Este projeto está sendo desenvolvido com o financiamento da empresa Motorola. Agradecemos também aos demais membros da equipe de desenvolvimento e colaboradores. Referências bibliográficas [01] BORSATO, E. P. Modelo Unificado de Informações para Unidades de Emergência. Dissertação de mestrado, PUC-PR, [02] Secretaria da Vigilância Sanitária. Portaria nº 344, de 12 de maio de Ministério da Saúde. Regulamento Técnico. [03] SERRA, J. Normatização do Atendimento Préhospitalar, Anexo, Portaria 824/GM, Diário Oficial da União, 24/06/1999. [04] SERRA, J. Atributos Comuns Aplicáveis aos Sistemas e Bases de Dados da Área de Saúde, Portaria 3947/GM, Diário Oficial da União nº 9, Seção 1, pg. 8, 14/01/1999. [05] RUMBAUGH, J. BOOCH, G. JACOBSON, I. The Unified Modeling Language User Guide, Adison Wesley, [06] FURLAN, J. D. Modelagem de Objetos através da UML: Análise e Desenho Orientados a Objeto. MAKRON Books, São Paulo, [07] RUMBAUGH, J. BOOCH, G. JACOBSON, I. The Unified Software Development Process, Adison Wesley, [08] STEVENS, Perdita & POOLEY, Rob. Using UML Software Engineering with Objects and Components. Editora Addison-Wesley. [09] PAROLIN, M.K.F, ABRAHÂO, M.T.F., VILAR, G. Sistema de Gerenciamento de Emergências Médicas GEM, FNTCS Fórum Nacional de Ciência e Tecnologia em Saúde. Curitiba PR., out/1998. [10] PAROLIN, M.K.F. Desenvolvimento de um Sistema de Gerenciamento e Controle de Viaturas em um Serviço de Emergências Médicas GEM. 1 o Congresso Latinoamericano de Engenharia Biomédica, Mazatlan-México, nov/1998. [11] PAROLIN, M.K.F. Gerenciamento de Emergência Médica num Serviço de Atendimento Pré-hospitalar. III Congresso da Sociedade Brasileira de Atendimento Integrado ao Traumatizado. São Paulo, SP, abril/1999. Contato Raquel K. Stasiu Andreia Malucelli João da Silva Dias

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