1. As Propostas da UGT para a Reforma Fiscal (tanto do lado da despesa quando do lado da receita)

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1 1. As Propostas da UGT para a Reforma Fiscal (tanto do lado da despesa quando do lado da receita) CORTE DE DESPESA 1. Redução do Número de Ministérios, que hoje são 39 (os Estados Unidos possuem 15 ministérios e a Alemanha 17). 2. Redução de 50% do Número de Cargos de Confiança (hoje são 23 mil), bem como 80% de Redução do Número e Valores dos Cartões Corporativos. 3. Fim das Isenções/Reduções Fiscais para os setores que demitem. 4. Redução da taxa Selic que incide sobre a Dívida Pública Interna (1% de redução da Selic reduz em R$ 24 bilhões os gastos com juros). 5. Redução dos Gastos em Publicidade (em 2013, só o governo federal gastou R$ 2,3 bilhões). 6. Combate à corrupção, ao desperdício, à ineficiência, fortalecimento e reaparelhamento da Controladoria Geral da União (CGU) e da Polícia Federal. 7. Mudança da Lei das Licitações (8.666/93) que permita a participação da sociedade civil nas Comissões de Licitações, criação de mecanismos que impeçam o superfaturamento e acabe com a combinação irregular de resultados. AUMENTO DA RECEITA

2 1) Regulamentação do Imposto Sobre Grandes Fortunas. A tributação sobre grandes fortunas está prevista na Constituição Federal (artigo 153, VII) e a União, por intermédio do Congresso Nacional, pode instituir este imposto, definindo o que é grande fortuna, o fato gerador, as alíquotas e a base de cálculo, entre outros aspectos. 2) Cobrança da Dívida Ativa da União no Valor de R$ 1,3 trilhão e Combate à Sonegação. Estudo do Sindicato Nacional dos Procuradores da Fazenda (Sinprofaz) mostra que todos os tributos devidos e não pagos, inscritos na Dívida Ativa da União, ultrapassaram R$ 1 trilhão e 300 bilhões em Ainda segundo o Sinprofaz, somente no ano de 2013, foram sonegados R$ 415 bilhões em impostos, valor maior do que a soma de todos os valores previstos no orçamento de 2013 destinados às pastas de saúde, educação, assistência social, trabalho, defesa nacional, transporte, agricultura, ciência e tecnologia, habitação, gestão ambiental, segurança pública, indústria, cultura, desporto e lazer, comunicações, direitos da cidadania, energia. Com esta quantia, o Brasil teria condições de enfrentar os graves problemas nas áreas da saúde, educação e mobilidade urbana, entre outros. Segundo o estudo, as sonegações acontecem em empresas, com mecanismos sofisticados de lavagem de dinheiro e caixa dois. 3) Fim da isenção do Imposto de renda sobre Lucros e Dividendos Distribuídos por Empresa a Sócios e Acionistas. Hoje, o trabalhador que recebe Participação nos Lucros ou Resultados (PLR) paga Imposto de Renda, a partir de certo valor. Enquanto isso, desde 1996, a pessoa física que recebe lucros distribuídos pela empresa da qual é sócia ou

3 acionista, mesmo quando se trata de empresa individual, está isenta do Imposto de Renda sobre estes lucros (artigo 39, XXVIII, XXIX e XXXVII, do Regulamento do Imposto de Renda). Isso significa que os rendimentos das pessoas físicas provenientes de lucros ou dividendos não são tributados na fonte nem na declaração de ajuste anual de rendimentos, mas são informados nesta última como rendimentos isentos e não tributáveis. 4) Aumento do Imposto Territorial Rural (ITR) sobre terras improdutivas. O ITR é essencialmente um imposto direto, cobrado sobre o patrimônio. Uma revisão da tributação da propriedade rural, propondo parâmetros atualizados para a incidência do imposto, as alíquotas e faixas de tributação, o valor da terra, os diversos conceitos de área rural (aproveitável, utilizável, tributável etc.), contribuiria para elevar a progressividade prevista para este tributo no parágrafo 4º do artigo 153 da Constituição Federal, de forma a promover maior justiça tributária com redução de desigualdade social. O ITR corresponde apenas 0,04% da carga tributária brasileira. 5) Criação de Imposto Sobre a Remessa de Lucros, que hoje é isenta. A remessa de lucros ao exterior das empresas estrangeiras não é tributada, o que resulta em um benefício questionável. No momento em que o Brasil é muito atraente para os capitais internacionais, esta medida estimula a remessa de lucros e não o reinvestimento no próprio país. Em 2014, de janeiro a novembro, as remessas brutas de lucros e dividendos, segundo o Banco Central do Brasil, totalizaram US$ 23,7 bilhões (ou R$ 63,2 bilhões com o dólar de ) que saíram do país sem pagar um só centavo de imposto. Aqui é fundamental que seja feita uma alteração, com o fim da isenção do IR na

4 remessa de lucros e dividendos ao exterior, para fins de uma justiça tributária. 6) Aumento do Imposto de Renda sobre os bancos, latifúndios improdutivos e passar a tributar os bens supérfluos e de luxo. O IPVA, por exemplo, não é cobrado de quem possui lanchas, iates, navios, jet skis, jatinhos, aviões, helicópteros). A arrecadação pode e deve ser direcionada para a melhoria do transporte público em geral. De acordo com o Sindicato Nacional dos Auditores da Receita Federal (Sindifisco), o Brasil possui a segunda maior frota de aviões do mundo, com aeronaves. Já a frota da aviação executiva no Brasil conta com aeronaves, sendo 650 helicópteros, 350 jatos e 650 turboélices. Isso faz do Brasil o país com a maior frota executiva do Hemisfério sul e a terceira do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos e do Canadá. Já a frota de helicópteros civis teria aeronaves, a maior do mundo. Estima-se uma arrecadação pelos Estados da ordem de R$ 33 bilhões (em valores de 2014). 7) Corrigir a tabela do Imposto de Renda (defasada em mais de 64%) e aumentar a sua progressividade. A correção da atual tabela do IRPF é importante para que o país tenha uma estrutura tributária mais justa. Com o aumento da inflação, e sem a correção da tabela, mais e mais trabalhadores entram na faixa que começa a pagar imposto de renda. A correção da tabela pode até aumentar o número de trabalhadores isentos, que passaria a ser em torno de oito milhões de contribuintes, mas não diminuiria a receita. Isso porque em nossa proposta deveriam ser criadas mais faixas cobrando mais dos milionários, dos bancos, dos fazendeiros e das grandes empresas.

5 8) Desvincular os recursos do FAT do Orçamento Geral da União (OGU). Total autonomia financeira do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e sua retirada da Desvinculação das Receitas da União (DRU) na gestão dos recursos dos trabalhadores. Os trabalhadores gerirão este fundo e não o governo. Por fim, a UGT luta pela imediata regulamentação do artigo 239, parágrafo 4, da Constituição Federal, que diz o seguinte: o financiamento do seguro-desemprego receberá uma contribuição adicional da empresa cujo índice de rotatividade da força de trabalho superar o índice médio do setor. A regulamentação deste artigo possibilitará um combate ao alto índice de rotatividade do trabalho que se verifica em vários setores, como agricultura, comércio, construção civil dentre outros. Além disso, defendemos a ratificação da Convenção 158 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que disciplina a proteção do trabalhador contra a despedida sem justa causa, enumerando as situações que não constituem motivos válidos para a dispensa, dentre elas, a filiação sindical, a discriminação por raça, cor, sexo, estado civil, o ajuizamento de ação judicial, entre outros. São Paulo, 26 janeiro de 2015 União Geral dos Trabalhadores (UGT)

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