Margarida Vieira. Ser Enfermeiro. Da Compaixão à Proficiência. 2. a edição

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1 Margarida Vieira Ser Enfermeiro Da Compaixão à Proficiência 2. a edição UNIVERSIDADE CATÓLICA EDITORA LISBOA 2008

2 Índice Introdução 7 Capítulo um Um presente com passado Influência cristã na enfermagem A regulamentação e organização da profissão O grupo profissional O Ensino de enfermagem 51 Capítulo dois Uma perspectiva de acção A Pessoa como foco de atenção A Saúde como projecto O Ambiente como contexto A Enfermagem como resposta 86

3 Capítulo três Um horizonte ético A vocação para cuidar A deontologia profissional A ética de enfermagem O Cuidado Justo 114 Capítulo quatro Desafios futuros As mudanças demográficas A complexidade dos cuidados 122 e o trabalho em equipa 4.3 A dotação de pessoal e a segurança dos pacientes Os avanços na investigação e a aprendizagem 125 ao longo da vida Conclusão 127 Notas ao texto 131 Abreviaturas e Siglas 147 Bibliografia 149

4 Introdução Quando um jovem anuncia aos seus familiares e amigos que quer ser enfermeiro é ainda frequente uma expressão de espanto ou incredulidade. Esta opção, quando é uma escolha, pode ser elogiada por uns e recriminada por outros, mas é sempre analisada em função da representação que a profissão tem no imaginário social e individual. Alguns têm da enfermagem a ideia romântica de serviço, compaixão e dedicação, de ajuda a quem sofre; outros vêem nela uma profissão mal paga, desgastante e subserviente. Ambas as ideias referidas têm uma justificação histórica e social, mas dificilmente se aproximam da essência da profissão actual, das suas potencialidades de realização pessoal e das possibilidades de carreira que hoje oferece. A enfermagem em Portugal pode ser exercida numa grande diversidade de contextos, quer no Serviço Nacional de Saúde, em instituições privadas de saúde ou em regime liberal. Os enfermeiros trabalham com pessoas ao longo do ciclo de vida, saudáveis e doentes, em ambientes de alta tecnologia, como as unidades de cuidados intensivos, ou no domicílio mais pobre de qualquer zona do país, onde a prin-

5 8 Ser Enfermeiro cipal arma terapêutica é o próprio enfermeiro e a relação que estabelece com a pessoa que pretende ajudar. O jovem que hoje escolha ser enfermeiro necessita de uma formação de nível superior, exercerá uma profissão bem organizada e razoavelmente bem paga e terá boas perspectivas de carreira, mesmo no nosso país. Mas continua a ser uma profissão exigente, para a qual é necessário uma forma de ser compassiva, um saber teórico específico, um fazer técnico próprio e capacidade para tomar decisões em situações de grande complexidade ética, na relação permanente com outras pessoas. Ainda que de forma breve e simples, considerando o público a que se dirige, é de tudo isto que se fala neste livro. No primeiro capítulo aborda-se, ainda que de forma sucinta, o caminho percorrido pela enfermagem até à consolidação da profissão como ela hoje se apresenta, lembrando um início marcado pela exigência da caridade cristã; clarifica-se as funções do enfermeiro que exerce em Portugal e a regulamentação a que a profissão está sujeita; reflecte-se sobre a evolução do número de enfermeiros existentes no país e sobre a sua distribuição por áreas de especialidade e ainda sobre a evolução do ensino de enfermagem, nomeadamente a contínua criação de escolas e cursos, e as sucessivas reformas do currículo de enfermagem. No segundo capítulo explicita-se uma concepção da enfermagem de hoje, com base no caminho da construção do Saber Enfermagem que continuamente é transmitido e aprofundado, para chegar ao que pode ser uma filosofia de

6 cuidados de enfermagem para o nosso tempo, numa cultura ainda marcadamente cristã, mas em que os clientes cada vez exigem mais qualidade e têm consciência dos seus direitos. O ser humano e a família surgem como foco de atenção dos enfermeiros, assumindo-se a saúde como projecto individual e colectivo, em constante interacção com o ambiente em que estão inseridos e em que a enfermagem se apresenta como resposta às necessidades de promoção da saúde, prevenção e recuperação da doença e alívio do sofrimento. No terceiro capítulo sugere-se um horizonte ético para a acção dos enfermeiros, isto é, a partir do que para muitos é um requisito para o exercício da profissão a vocação para cuidar reflecte-se sobre a deontologia e os fundamentos éticos do agir profissional, para concluir que, para além do puro cumprimento do dever, a vulnerabilidade daquele que sofre exige ao enfermeiro um cuidado justo. Por fim, no capítulo quatro, apresentam-se os principais desafios com que os enfermeiros se confrontarão num futuro próximo: as mudanças demográficas, a complexidade dos cuidados e a segurança que lhes é exigida numa prática cada vez mais em equipa, as implicações da investigação em enfermagem e a necessidade de formação permanente. Espera-se deixar aos futuros enfermeiros, e a todos os que carecem dos seus cuidados, uma ideia clara da situação actual da enfermagem em Portugal, do que move o grupo profissional e daquilo que dos enfermeiros se pode esperar hoje e sempre. 9

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