CENTRO DE ESTUDOS E INVESTIGAÇÃO CIENTÍFICA DA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE ANGOLA RELATÓRIO ENERGIA EM ANGOLA

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1 CENTRO DE ESTUDOS E INVESTIGAÇÃO CIENTÍFICA DA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE ANGOLA RELATÓRIO ENERGIA EM ANGOLA Outubro de 2011

2 Página2 Ficha Técnica Edição Centro de Estudos e Investigação Científica da Universidade Católica de Angola C.P Website: Título: Relatório Energia em Angola 2011 /UCAN Luanda, Outubro de 2011 Capa: Cavaco Nova Subestação (Benguela) Paginação Offset, Lda. Impressão e acabamentos: Offset, Limitada Tiragem: 500 exemplares Patrocínio: Embaixada do Reino da Noruega, ENI, TOTAL e STATOIL Depósito Legal: 5474/2011

3 Página3 CENTRO DE ESTUDOS E INVESTIGAÇÃO CIENTÍFICA DA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE ANGOLA - /UCAN Patrono D. Damião Franklin Director Alves da Rocha Relatório ENERGIA em ANGOLA 2011 José de Oliveira - Coordenador do Núcleo de Energia Alves da Rocha Ana Alves Emílio Londa Félix Vieira Lopes Investigadores Permanentes do Alves da Rocha Francisco Paulo Nelson Pestana Paxote Gunza Pedro Vaz Pinto Precioso Domingos Regina Santos Sendi Baptista Investigadores Colaboradores Amália Quintão Cláudio Fortuna Eduardo Vundo Sassa

4 Página4 Emílio Londa Fernando Pacheco José Oliveira Miguel Manuel Milton Reis Rui Seamba Salim Valimamade Vera Daves Administrativos Afonso Romão Evadia Kuyota Lúcia Couto Margarida Teixeira

5 Página5 ÍNDICE CAPÍTULO 1 A IMPORTÂNCIA DA ENERGIA PARA O CRESCIMENTO ECONÓMICO EM ANGOLA Alves da Rocha CAPÍTULO 2 EVOLUÇÃO DO SISTEMA ELÉCTRICO DE ANGOLA Félix Vieira Lopes CAPÍTULO 3 PETRÓLEO E GÁS EM ANGOLA. José Oliveira CAPÍTULO 4 O PETRÓLEO, A CHINA E ANGOLA NO SÉC. XXI. Ana Alves CAPÍTULO 5 PETRÓLEO E GÁS EM ÁFRICA Emílio Londa

6 Página6 CAPÍTULO 1 A IMPORTÂNCIA DA ENERGIA PARA O CRESCIMENTO ECONÓMICO EM ANGOLA Alves da Rocha

7 Página7 INTRODUÇÃO A energia, no seu sentido mais lato, é um dos factores de crescimento contínuo da actividade económica e de melhoria das condições de vida da população. As infraestruturas e os serviços associados são considerados como um dos pilares do desenvolvimento e um dos sustentáculos da competitividade das economias. O valor do multiplicador do investimento energético, em condições de razoabilidade da organização económica geral, é dos mais elevados que uma economia normalmente apresenta, atestando, justamente, a importância deste sector básico do crescimento e desenvolvimento e o seu entrosamento estratégico no sistema económico e social dos países. O Relatório sobre a Competitividade no Mundo 2011, elaborado pelo Fórum Económico Mundial e apresentado recentemente em Genebra, elege a qualidade das infraestruturas como um dos 12 pilares fundamentais para a competitividade, colocando-a no segundo lugar. As infraestruturas e os serviços energéticos aparecem como determinantes para a sustentabilidade do crescimento, o embaratecimento dos custos de produção e a melhoria das condições gerais de vida da população. Sobretudo nos países que ainda não conseguiram organizar as suas infraestruturas de maneira correcta e racional. Neste item Angola ocupa a 140ª posição num ranking de 142 países, o que mostra claramente o estado de subdesenvolvimento desta plataforma essencial para a sustentabilidade do desenvolvimento 1. O sector energético em Angola tem duas componentes distintas: uma, virada completamente para o exterior, obedecendo à lógica de funcionamento do mercado internacional e dependendo das necessidades das economias desenvolvidas e emergentes e que é constituída pela matéria-prima energética básica do sistema capitalista mundial, o petróleo. A outra componente obedece a um modelo puramente interno embora encerrando uma potencialidade muito concreta e até competitiva de exportação virado para a criação de externalidades para o sector produtivo e de 1 Na saúde e educação e na educação superior e formação, o país é o último classificado e ocupa a 139ª posição geral no índice agregado e sintético de competitividade. Talvez por aqui se consiga entender uma parte do problema da inflação em Angola: os custos operacionais da actividade económica são muito elevados e estão associados a níveis reduzidos de produtividade do trabalho.

8 Página8 prestação de serviços e que são essenciais para se embaratecer os custos de produção e de funcionamento de todo o sistema económico e que é representado pela electricidade. A primeira componente não foi abalada, na sua estruturação e funcionamento e na sua importância absoluta e relativa para os agregados gerais das contas nacionais, pelo conflito militar e apenas se sentiu acidentalmente incomodada pelos episódios de recessão económica mundial ou de retracção momentânea do crescimento do PIB das economias mais entrelaçadas com Angola neste item. Pelo contrário, a componente de electricidade do sistema energético nacional foi muito abalada pela guerra civil e só depois de 2002 se encontraram as condições necessárias e suficientes para a sua estruturação, organização e funcionamento. Os défices internos são enormes, não podendo a actividade produtiva continuar a depender de soluções pontuais e caras de obtenção de electricidade. Estes sectores do sistema energético nacional têm pesos relativos no Produto Interno Bruto muito diferentes e a proporção que os diferencia foi de 473 em Este fosso entre si tem de ser reduzido através de políticas adrede definidas e implementadas para esse efeito, atendendo à circunstância de a electricidade ser um recurso renovável e de grandes potencialidades em Angola. Na verdade, a Ministra da Energia e Águas deu publicamente a conhecer a existência duma carteira de 200 projectos que, após a sua implementação, colocarão a capacidade de produção de electricidade nos 9000 Megawats em 2017, com uma possibilidade evidente de exportação para países vizinhos do sul e do este, embora as necessidades nacionais das empresas e dos cidadãos sejam, para já, as principais prioridades 3. CRESCIMENTO ECONÓMICO Angola tem sido invadida por muito crescimento depois de 2002, um marco da independência de Angola, depois de 27 anos de guerra civil. Dir-se-ia que se acumularam energias durante o longo período do conflito militar e que foram 2 Rácio dado pelo cociente entre os valores agregados do petróleo e refinados e da energia e água, de acordo com a classificação das contas nacionais. 3 Entrevista concedida à Revista Estratégia e publicada no seu número de Setembro de 2011.

9 Página9 subitamente libertadas depois de os angolanos se terem reencontrado consigo próprios e com o seu futuro. FONTE:, Relatórios Económicos. Base É notória a alteração do declive da curva anterior que representa o valor do índice do PIB do país desde 1998 a partir de 2003, justamente a sinalizar o efeito da paz e a possibilidade de se poder investir com mais confiança. O surto de crescimento tem acontecido duma forma sistemática desde então, havendo, no entanto, de conter entusiasmos políticos excessivos, porque a base de partida estava praticamente destruída sendo, por consequência, mais fácil, aritmeticamente, obter índices elevados de variação real do PIB e a estrutura produtiva se encontrava e ainda se encontra enviesada pelo excessivo peso da economia de enclave. A primeira afirmação pode ser comprovada pelo valor médio do PIB, a preços correntes, do período 1997/2000 e estimado em 7286,1 milhões de dólares (uma capitação de tão-somente 500 dólares por habitante). Em 2010, as primeiras estimativas apontam para 80904,9 milhões de dólares o valor da riqueza criada (média por cidadão de 4270,1 dólares).

10 Página10 A segunda asserção é demonstrada pelos valores da tabela seguinte, onde se pode ver a dominância do petróleo. Se a este mineral se juntassem os diamantes, os granitos e outros produtos do subsolo a prevalência da economia mineral no país pode ultrapassar os 55%. ANGOLA - ESTRUTURA DA ECONOMIA (%) Petróleo e refinados 49,4 51,9 56,3 57,1 55,8 57,6 42,5 47,3 Agricultura e pescas 8,4 9,7 8,6 7,8 8 8,3 11 8,9 Manufactura 3,9 4,8 4,1 4,9 5,3 6,7 6,8 4,8 FONTE: Relatório Económico de Angola 2010, Universidade Católica de Angola, Centro de Estudos e Investigação Científica. A regressão econométrica que relaciona o PIB nominal com os preços e a procura internacional de petróleo na base dum ajustamento geométrico apresenta valores significativos para os parâmetros de regressão: 1,45 para as exportações de petróleo e 0,63 para os respectivos preços internacionais, valores representativos para um intervalo de confiança de 95%. O coeficiente geral de determinação é de 98% 4. Estes valores comprovam a elevada dependência da economia angolana de variáveis incontroláveis internamente e sujeitas a um elevado grau de volatilidade. ANGOLA - VARIAÇÕES DO PIB NOMINAL, PREÇO E EXPORTAÇÕES DE PETRÓLEO (%) VARIÁVEIS PIB 21, ,2 40,6 59,3 35, ,2-14,8 15,6 Quantidade petróleo exportado 20,4 22,1-2,9 11,5 32,4 9,3 10,9 6,7-5,1 2,7 Preço do petróleo -16,2 6,6 16,5 30,9 37,1 21,3 18,8 28, ,1 4 A inclusão de mais anos na regressão econométrica ensaiada no relatório de 2007 veio confirmar os resultados do ajustamento e mesmo 2009, embora atípico na sequência de crescimentos positivos, não representou qualquer infirmação dos resultados gerais.

11 Página11 As dinâmicas de crescimento entre 1998 e 2010 apresentam alguns sinais, embora sem consolidação visível, de uma recuperação do sector não petrolífero da economia nacional depois de FONTE: Relatório Económico de Angola 2010, Universidade Católica de Angola, Centro de Estudos Investigação Científica. Nota: Base A crise internacional e a quebra das receitas petrolíferas prejudicaram o ambiente macroeconómico que vinha melhorando desde a obtenção da paz. Os resultados positivos verificados na recuperação dos equilíbrios gerais da economia nacional inverteram-se em 2009, tendo a subida da taxa de inflação e a perda de reservas em divisas sido os pontos mais importantes da influência da turbulência dos mercados económicos e financeiros mundiais. Como é consabido, o stock de reservas internacionais líquidas é um indicador importante sobre a saúde financeira das economias e de atractividade do investimento estrangeiro. A baixa das exportações e do preço do petróleo tiveram consequências dramáticas sobre a capacidade de pagamentos externos do país, tendo a quebra no montante das reservas internacionais ocorrido a partir de Dezembro de De facto,

12 Página12 em Novembro de 2008 as reservas em divisas ascenderam a mais de 20 mil milhões de dólares, enquanto em Junho de 2009 o seu montante gravitava em torno de 12,1 mil milhões de dólares. Ou seja, uma quebra de 8 mil milhões em seis meses. Não havendo alternativa ao petróleo como fonte de geração de reservas em divisas as exportações de diamantes não representam sequer 2% das exportações totais de petróleo a economia nacional acabou por absorver estes choques externos na forma duma redução do crescimento económico, dos investimentos e da capacidade de importação. O programa anti-crise do Governo e a melhoria do ambiente económico internacional depois do terceiro trimestre de 2009 permitiram uma contenção na degradação das reservas internacionais. Os aspectos mais sensíveis da estabilização macroeconómica que são, anualmente, muito tocados pela economia do petróleo são as Reservas Internacionais Líquidas, as receitas fiscais petrolíferas, o saldo da conta de mercadorias da Balança de Pagamentos, as intervenções no mercado interbancário de cambiais e a redução da dívida pública externa. FONTE: BNA, Direcção de Estatísticas. Como se constata pelo gráfico anterior, em finais de 2010, ainda não se recuperou do abalo que a crise financeira e económica de 2008/2009 provocou sobre as contas externas do país e as suas reservas internacionais.

13 Página13 POSIÇÃO DA ELECTRICIDADE NA ECONOMIA NACIONAL Quando se analisa a economia da energia em Angola dois sectores devem ser considerados o petróleo e a electricidade como apresentando uma relação de sentido diferente com o crescimento económico do país. O petróleo, como se viu anteriormente, tem funcionado como o motor da economia angolana, mas a electricidade tem sido, em certa medida, o travão do crescimento do PIB (e da consequente melhoria das condições básicas de vida da população). Com efeito, dever-se-ia esperar um crescimento mais intenso da produção e distribuição de energia do que aquele que tem, efectivamente, ocorrido. A fraqueza do sector da electricidade pode ser apreciada segundo os pontos de vista seguintes: Peso na estrutura económica nacional: a representatividade da produção de electricidade foi sempre, desde a independência, inferior a 0,1% do PIB, e não se tem conseguido melhorar esta performance, apesar de, depois de 2002, se terem aumentado os investimentos públicos em barragens e centrais térmicas. Significa dizer que o crescimento da indústria transformadora se tem feito, essencialmente, à custa de geradores, o que torna a organização e gestão das empresas mais difícil e sujeitas a muitas imponderabilidades (e com reflexos nos preços finais dos bens produzidos) e a satisfação dos consumos das famílias muito deficitários.

14 Página14 Dinâmica de crescimento: a produção de electricidade tem apresentado taxas de crescimento positivas. No entanto, numa série estatística longa verifica-se que, em média, a sua dinâmica de variação tem sido inferior à da economia e, em particular, à do PIB não petrolífero. O crescimento económico fica muito mais caro nestas condições e a aquisição duma competitividade comparável adiada.

15 Página15 Consumo médio de electricidade: verifica-se que o consumo médio de electricidade por habitante tem aumentado desde Não obstante, os níveis são ainda muito baixos e indiciadores duma situação de subdesenvolvimento no país. CONCLUSÕES As análises e reflexões anteriores possibilitam o alinhamento de algumas conclusões: A correlação entre a economia petrolífera e a economia nacional é muito elevada, aumentando-se, consequentemente, o índice de dependência dum produto cuja lógica de produção e procura e de formação de preços escapa completamente aos decisores públicos e privados angolanos. Agregados macroeconómicos muito sensíveis como as reservas internacionais, as receitas fiscais e as vendas de divisas dependem, em larga escala, do desempenho da economia petrolífera. Embora não inteiramente estudado e apesar das intenções e de algumas medidas que o Executivo tem estado a tomar em apoio da diversificação da economia, a doença holandesa tem contribuído para o atrofiamento de muitas das restantes actividades económicas. Nas províncias petrolíferas e diamantíferas este fenómeno está bem vincado e representado pelo fraco desenvolvimento da agricultura e da manufactura.

16 Página16 A correlação entre produção de electricidade e crescimento do sector não petrolífera que deveria ser forte e desfasada, no sentido da energia eléctrica ser um facilitador e dinamizador dos ramos produtivos transaccionáveis é difusa e desencontrada no tempo.

17 Página17 CAPÍTULO 2 EVOLUÇÃO DO SISTEMA ELÉCTRICO DE ANGOLA Félix Vieira Lopes Director de Gabinete de Unidade de Implementação Da Reforma (UIR) do MINEA Docente da Universidade Católica de Angola Investigador do

18 Página18 ANTECEDENTES Angola, país devastado por uma longa instabilidade político-militar, está neste momento a viver um clima de franco crescimento. Erros acumulados ao longo de muitos anos por factores diversos, sendo a situação de guerra dos mais marcantes pela destruição de infraestruturas aliada a uma flagrante escassez de recursos financeiros para alguns dos sectores chave, a inexistência de quadros em qualidade e quantidade para fazer face aos inúmeros desafios e outros condicionantes fizeram de Angola um país de difícil governação. O sector de energia não está alheio a essa situação. Sendo um sector transversal, o seu funcionamento tem impacto fundamental em outros sectores. No entanto, como parte de uma estrutura, ele não pode por si só resolver os inúmeros problemas existentes, estando muito dependente de outros sectores da economia nacional. Este apoio é basilar no sentido de darem a sua contribuição para que com a melhoria do sector de energia todo o país se desenvolva de forma harmoniosa e sustentável. Assim, como meio de assegurar uma implementação adequada da reforma e modernização do Sector Eléctrico de Angola, o Fórum sobre o Desenvolvimento do Sector Eléctrico que teve lugar em Luanda, de 6 a 8 de Outubro de 2004, concluiu que as intenções e planos de reforma do sector deveriam ser detalhados e formalizados num programa de reforma do sector eléctrico. É neste contexto que o Ministério da Energia e Águas decidiu preparar um Plano Director da Reforma do Sector Eléctrico (designado por Plano Director da Reforma) definindo as actividades principais da reforma, prioridades, prazos, responsabilidade de cada instituição e entidade, orçamentos e potenciais fontes de financiamento, assim como mecanismos de controlo da implementação do programa da reforma. Convém realçar, que entre os ganhos obtidos na reforma do sector podem salientar-se a revisão da Lei Geral da Electricidade, instrumento fundamental para o funcionamento da IFE de Angola e do Programa da Política e Estratégia da Segurança Energética, que inclui os sectores do petróleo e do gás, e que teve como sustentáculo primário um conjunto de documentos elaborados pelo MINEA. * - Todas as Tabelas e Gráficos, ao longo deste capitulo, com (*) indicam que se tratam de previsões/programações que podem ainda sofrer ligeiras alterações.

19 Página19 Esta compilação visa dar uma noção da evolução do sector a partir de 1996 e as suas perspectivas até 2016, com base numa série de estudos e seminários realizados ao longo de alguns anos. O princípio que orientou a sua elaboração foi o de preparar um instrumento efectivo de trabalho que distinga o principal do secundário e que, nestes termos, incorpore somente as acções consideradas essenciais e indispensáveis para a realização dos objectivos propostos para o desenvolvimento do sector de energia de Angola. A Indústria de Fornecimento de Electricidade (IFE) Uma indústria de electricidade de elevada qualidade e funcional é um requisito fundamental para a realização bem-sucedida da política económica mais ampla do Executivo no sentido de assegurar um desenvolvimento económico sustentado do País. No entanto, a Indústria de Fornecimento de Electricidade de Angola enfrentou, e em determinados casos enfrenta ainda vários obstáculos e desafios, que incluem: Um estado acentuado de deterioração da infra-estrutura eléctrica depois de um período prolongado de guerra, agravado por instituições públicas com elevada debilidade financeira (ENE e EDEL); Um sector que operou, por muito tempo, numa base de sobrevivência quotidiana, com limitada capacidade, e ainda ausência de enfoque em desenvolvimentos de longo prazo; Em 1996, 80% das capitais provinciais confrontavam-se com sérios problemas de fornecimento de electricidade. Desse modo, existia reduzida fiabilidade e qualidade de fornecimento de electricidade, com impacto negativo no desempenho da economia angolana; Tarifas que não reflectem os custos de produção, combinadas com sistemas inadequados de medida, facturação e cobrança, e operações comerciais, de uma forma geral não satisfatórias; Por muito tempo existiu um enfoque muito limitado na electrificação e expansão do acesso à electricidade, em particular nas áreas rurais; Uma estrutura da IFE e a inexistência de quadro legal e regulador que inibiam uma participação privada em grande escala no sector.

20 Página20 No sentido de ser alterada a situação prevalecente, medidas de reforma foram desenvolvidas, que iniciaram com a promulgação da Lei Geral de Electricidade, em Iniciativas subsequentes tiveram lugar, entre as quais se destacam: A realização do Simpósio sobre a Política Energética Nacional, em 1997; A publicação dos Regulamentos de Produção, Distribuição e Fornecimento de Energia Eléctrica, em 2001; A publicação do Estatuto do Instituto Regulador do Sector Eléctrico, em 2002; A aprovação da Estratégia de Desenvolvimento do Sector Eléctrico, em 2004; A conversão do Gabinete de Aproveitamento do Médio Kwanza e criação de duas novas empresas, em 2011; A aprovação da Estratégia de Modernização e Reestruturação das Empresas Públicas de Electricidade de Angola, em 2011; A aprovação do Programa da Política e Estratégia da Segurança Energética de Angola, em A tutela da IFE é da responsabilidade do Ministério da Energia e Águas, (MINEA) a quem cabe definir as políticas de desenvolvimento do sector eléctrico, assegurar a supervisão das actividades de produção, transporte, distribuição e comercialização de electricidade e ainda facilitar o seu desenvolvimento e expansão. A Empresa Nacional de Electricidade, ENE, E.P., é, de momento, responsável por 20% da produção do país e está já a operar todas as linhas de transporte, incluindo as que se encontravam sob a gestão do GAMEK. A Empresa de Distribuição de Electricidade, EDEL, E.P., tem sido responsável pela distribuição e fornecimento de energia eléctrica a grande parte da província de Luanda e tem estado a receber a fracção que estava sob a responsabilidade da ENE. Está também a operar na província do Bengo. O GAMEK gere a maior central produtora do país, Capanda, até à altura em que todos os activos de produção públicos do país passem à Sociedade de Operações Eléctricas, SOCEL.

21 Página21 ANGOLA Estrutura Actual da Indústria de Fornecimento de Electricidade ENE Sis temas Isolados EN E+ GAMEK ENE EN E Sis tema Sis tema Sis tema Norte Centro Sul NamPower (Namíbia) EDEL A utoridades Locai s (4 proví nci as) Endiama (Lunda Norte) Con su mid ores Há uma linha de distribuição de 30kV à cidade de Ondjiva, a sul, a partir da Namíbia e uma ainda menor à localidade de Nóqui, a norte, com a RDC, (quase sem expressão). O sistema eléctrico angolano não faz parte da Bolsa de Electricidade da SADC, a SAPP. A ilustração da estrutura da IFE é apresentada na figura. Preços e Tarifas O sector de electricidade de Angola tem actualmente em vigor alguns dos níveis mais baixos de tarifas da África Austral e da África Oriental. A agravar esta realidade o sector tem um índice elevado de perdas de transporte e de distribuição e uma produtividade das mais baixas da região. A recuperação dos custos no sector foi estimada apenas em pouco mais de 20% em 2005, pelo que o mesmo tem necessitado de 80% dos custos em subvenção do governo para se manter em funcionamento. Neste contexto, o Executivo tem pela frente decisões políticas importantes que nos próximos anos terão um grande impacto no desenvolvimento do sector eléctrico.

22 Página22 Objectivos Estratégicos do Sector Eléctrico Os objectivos gerais estratégicos definidos para o sector eléctrico incluem: Dinamizar e acelerar o processo de electrificação do país e expansão do acesso à electricidade a um cada vez maior número de cidadãos. Assegurar uma indústria de fornecimento de electricidade sustentável a médio e longo prazos, que seja promotora e contribua para o desenvolvimento do país. Melhorar progressivamente a eficiência da IFE, em geral, e a qualidade do fornecimento e dos serviços prestados, em particular. Mobilizar recursos necessários à expansão do sector. Promover o desenvolvimento de instituições e operadores financeiramente viáveis e tecnicamente eficientes. Promover gradualmente a competição, a todos os níveis possíveis. A estratégia definida pelo Governo em 2002 destaca ainda outros objectivos. Assim, a oferta do serviço de abastecimento público deve ser efectuada em condições apropriadas de qualidade e a preços suportáveis pela generalidade da população, de forma a assegurar a acessibilidade desejável a este serviço. Outro objectivo muito importante é o de eliminar as assimetrias regionais existentes em termos de oferta, que transitaram da era anterior à independência de Angola e que foram sendo agravadas durante o período de guerra que assolou o país nos anos posteriores. A energia eléctrica deverá também, em consonância com outros sectores da economia nacional, contribuir para a fixação das populações no interior do país e desencorajar a actual tendência para o êxodo e migrações internas. Consequentemente está a ser melhorada a oferta de electricidade para promover o crescimento regional, contribuindo assim para a criação de condições que facilitem a promoção de projectos de desenvolvimento para a fixação da população deslocada, no âmbito do programa de reassentamento dessa população.

23 Página23 OBSERVAÇÃO DA EVOLUÇÃO ENTRE 2009 E 2010 O país tem acomodado avultados investimentos necessários para a recuperação e expansão do seu sistema eléctrico público. O Executivo está a desenvolver a indústria de fornecimento de electricidade ao reabilitar antigas infra-estruturas e a criar novas centrais, subestações, linhas de transporte, de distribuição, etc. Um dos grandes desafios está a ser a interligação dos sistemas de transporte Norte, Centro e Sul, actualmente isolados. No estudo de planeamento do sistema eléctrico angolano realizado no início do ano de 2009, intitulado Estudos de Planeamento do Sistema de Transporte e Curto-circuito, Relatório Técnico, foi considerado o dimensionamento do sistema eléctrico de transporte como um todo, para atender à demanda total de energia prevista num dos cenários do Relatório Programa de Desenvolvimento do Sector de Energia publicado pelo MINEA, no qual estavam incluídos todos os pedidos de ligações eléctricas residenciais e industriais solicitados ao Ministério, contemplando toda a demanda prevista para o país, a qual se quantifica na tabela seguinte agrupada por sistemas. ANGOLA Demanda Máxima por Sistema (MW) * SISTEMA NORTE CENTRO SUL TOTAL As demandas contidas no referido cenário são bastante expressivas e exigem grande elevação da capacidade do parque produtor do país em relação às centrais actualmente em operação, além de várias acções para transporte e distribuição da energia. Os prazos para o estabelecimento de novos aproveitamentos hidroeléctricos e termoeléctricos de grande porte, necessários para o atendimento à crescente procura, desde a construção até à entrada em operação, são relativamente grandes. Embora este seja um programa de produção mais comedido do que o programa utilizado no primeiro estudo realizado no início de 2009, e possivelmente não atenda a

24 Página24 toda a demanda esperada para o país, é um programa de produção de certo modo mais realístico que muitos anteriores. Devido aos prazos exíguos para o estabelecimento de novos empreendimentos de produção e considerando que há um elevado nível de demanda reprimida em várias regiões do país, optou-se por igualar a demanda à produção disponível ano a ano, prevista no programa de produção do MINEA, e assim, determinar o sistema de transporte necessário para escoar toda a capacidade instalada de produção, sem limitações impostas pelo sistema de transporte, já que limitar a capacidade de produção de energia, devido à falta de um sistema de transporte adequado representa uma importante restrição no sistema eléctrico de um país. PRECEITOS, DADOS E CRITÉRIOS Estão previstas interligações entre os sistemas Norte, Centro e Sul, porém, inicialmente apenas em regime normal de operação, isto é, sem redundância no transporte. Será avaliado também o fornecimento de electricidade e a integração das províncias da Lunda Norte, Lunda Sul e Moxico para formar um novo sistema entre estas três províncias na área Leste do país. Em termos de carga a análise será processada de ano a ano, de 2009 a 2016, mas tendo em conta conceitos de carga alta, média e baixa. A demanda máxima inicial prevista para o ano de 2009 no sistema Norte foi de aproximadamente 520MW. O pico na região de Luanda, em Abril de 2009, das 17 às 23 horas foi de 678 MW, sendo 520MW de carga atendida integralmente e outros 158MW atendidos de forma parcial, num sistema de rodízio. No sistema Centro, que opera isolado, a demanda inicial não poderá exceder a produção disponível neste subsistema de 90MW (CD Quileva) mais 10,8MW no Lobito. O mesmo é considerado para o sistema Sul, o qual conta com uma produção disponível de 69MW (AHE da Matala - 27MW, CD do Namibe 12MW, CD do Lubango 30MW). Devido à carência de informações relativas à demanda de energia, à distribuição das cargas existentes, ao nível de renda nas províncias e da sua provável evolução e ao elevado nível de demanda reprimida em todas as regiões do país optou-se por distribuir

25 Página25 as cargas totais dos sistemas Norte, Centro, Sul e sistema isolado Leste, nas suas subestações, com base na população estimada. Nos sistemas Centro e Sul foi utilizada a população das províncias para ajustar as cargas das subestações. No sistema Norte, foi dado destaque para província de Luanda e atribuída a maior parcela da carga no sistema para esta província (83%). A carga de Luanda foi distribuída de forma equilibrada nos centros de carga de Viana, Cazenga, Cacuaco e Camama. Nas demais províncias (Zaire, Uíge, Kwanza Norte, Kwanza Sul e Malanje) os 17% restantes da carga foram rateados nas subestações, de acordo com suas populações. Para as cargas média e baixa foram adoptadas relações de 80% e 52%, em relação à carga máxima. Devido à demanda reprimida em todas as regiões do país, as taxas de crescimento seguirão a evolução da produção disponível, isto é, considera-se que a demanda máxima será igual à produção máxima disponível em todos os anos. PROGRAMA DE PRODUÇÃO Na tabela a seguir encontra-se o programa de produção instalado e a instalar que serve de referência para a elaboração desta análise.

26 Página26 ANGOLA Programa de Produção de Energia * SISTEMA CENTRO POTÊNCIA ENERGIA SITUAÇÃO ANO TIPO MW MW F/C médio Norte Capanda # 1e ,9 233 Em operação H Norte Capanda # ,72 93 Em operação H Norte Capanda # ,32 42 Em operação H Norte Cambambe 90 0,5 45 Em operação H Norte GTG #1 24 0,8 19,2 Fora de Serviço H Norte GTG #2 28 0,8 22,4 Fora de Serviço T Norte GTG #5 18 0,8 14,4 Fora de Serviço T Norte CD CFL Em operação (capacidade alugada) T Norte CT Quartéis Em operação T Norte CD Rocha Pinto T Norte GTG #4 18 0,8 14,4 Fora de Serviço 2009 T Norte CT Viana T Norte CT Cazenga GT6 22 0, T Norte CT Cazenga GTG5 22 0, T Norte GTG #3 40 0,8 32 Fora de Serviço 2012 T Norte Mabubas 17,8 0,5 8, H Norte Cambambe alteamento 170 0, H Norte CT Soyo # , T Norte Cambambe nova casa de força 700 0, H Norte CT Soyo # , T Norte Laúca L H Norte Laúca L1 # , H Norte Laúca L1 # , H Norte Laúca L1 # , H Norte Laúca L1 # , H Centro Biópio 10,8 0,5 5,4 Em operação H Centro CD Quileva 60 0,8 48 T Centro CT Quileva 60 0, T Centro CT Lobito 18 0,75 13, T Centro Biópio 3,6 0,5 1, H Centro GTG Biópio 18 0,8 14, T Centro Gove 60 0, H Centro Lomaúm 50 0,5 32, H Centro Cacombo 24 0, H Sul Matala 27,2 0,5 13,6 Em operação H Sul CD Lubango Em operação (alugada) T

27 Página27 Sul CD Namibe Em operação (alugada) T Sul CT Namibe T Sul Matala 13,6 0,5 6, H Sul Jamba-ya-Oma 75 0,5 37, H Sul Baynes 200 0, H Sul Eólica Namibe 100 0, E FC factor de conversão; MW médio potência real; H Hídrica; C -Térmica Com vista a analisar a possibilidade de escoamento da potência disponível nas centrais, sem restrições impostas pelo sistema de transporte local, essas análises são realizadas com a produção maximizada em todas as centrais. Nas tabelas a seguir, podese observar um resumo com a capacidade instalada prevista nos sistemas Norte, Centro e Sul, divididos entre produção térmica e hídrica, para cada ano analisado. ANGOLA - Produção Hídrica Capacidade Instalada (MW) * Norte Centro Sul ANGOLA - Produção Térmica Capacidade Instalada (MW) * Norte Centro Sul Total ANGOLA - Total (Hídrica + Térmica) MW* Norte Centro Sul Total

28 Página28 CAPACIDADES OPERATIVAS DE LINHAS DE TRANSPORTE As capacidades operativas para longa e curta duração, para as linhas de transporte, utilizadas no estudo, encontram-se na tabela que vem a seguir. ANGOLA - Capacidades Operativas de Linhas de Transporte de Energia Temperatura Projecto Temperatura Ambiente Longa Duração Curta Duração* CONDUTOR TENSÃO (kv) (ºC) (ºC) (MVA) (MVA) 3x954 MCM x477 MCM ,5 MCM MCM PROGRAMA DE ACÇÕES DE CURTO PRAZO As linhas de transporte e subestações associadas, previstas para entrar em operação pelos órgãos públicos no curto prazo, em construção ou em fase de licitação, são as que a seguir se indicam. ANGOLA Novas Linhas de Transporte de Energia LT 400kV Capanda Lucala Viana 2009 (GAMEK) LT 220kV Viana Camama 2009 (GAMEK) LT 220kV Lucala P. Sonho - Uíge Maquela do Zombo 2010 (GAMEK) LT 220kV Gove Huambo Bié (Cuito) 2011 LT 220kV Viana Filda (Duplo) 2011 (ENE) LT 220kV Cacuaco Boavista (Duplo) 2011 (ENE) LT 220kV Camama Morro Bento (Duplo) 2011 (ENE)

29 Página29 LT 220kV Gabela Biópio 2012 (ENE) LT 220kV Benguela Biópio - Alto Catumbela Huambo LT 220kV ZEE Seccionamento Cambambe Camama (a) - LT 220kV Matala Lubango (a) - LT 220kV Lubango Namibe (a) - LT 220kV Gabela Waku Kungo (a) (a) Fazem parte do Programa de Desenvolvimento de Energia A configuração do sistema de transporte da Região Norte de Angola, para o ano de 2009, está ilustrada na figura que se segue. ANGOLA Rede do Transporte de Energia do Sistema Norte (2009) Para esta carga, o sistema opera em condições normais dentro dos padrões de desempenho quanto aos níveis de tensões nos barramentos entre 95% e 105% da tensão

30 Página30 nominal e os carregamentos nas linhas de transporte mantêm-se abaixo das capacidades operativas das mesmas. A emergência que causa o maior impacto neste sistema é a perda da LT 400kV Capanda Lucala Viana. Dependendo da produção despachada nas centrais térmicas de Luanda e no AHE Cambambe, podem ocorrer afundamentos de tensões na região de Luanda, levando a grandes cortes de cargas, por subtensão, além de sobrecargas na linha de 220kV entre Capanda e Cambambe. Por este motivo, tem sido prática a operação com pelo menos dois grupos despachados no AHE de Cambambe, além de se manter um mínimo de produção térmica despachada em Luanda (da ordem de 100MW), para auxiliar no controlo de tensão da região. O Sistema Centro é constituído principalmente pela província de Benguela. O atendimento aos centros de Cavaco, Catumbela e Lobito, segundo maior porto do país, é realizado por linhas de transporte de 60kV e 30kV. Há também uma linha de 150 kv que liga as subestações da Quileva e do Biópio. A central diesel da Quileva (90MW) também abastece o sistema. ANGOLA Rede do Transporte de Energia do Sistema Centro Há também na região Centro as províncias de Huambo e Bié que actualmente operam isoladas, sendo abastecidas por centrais térmicas locais. O sistema Sul é

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