DESENVOLVIMENTO CURRICULAR EM COORDENAÇÃO COM O ENSINO BÁSICO MELHORIA DA QUALIDADE DAS APRENDIZAGENS FUNDAMENTAÇÃO DAS OPÇÕES EDUCATIVAS

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1 DESENVOLVIMENTO CURRICULAR EM COORDENAÇÃO COM O ENSINO BÁSICO MELHORIA DA QUALIDADE DAS APRENDIZAGENS FUNDAMENTAÇÃO DAS OPÇÕES EDUCATIVAS Divisão da Educação Pré-Escolar e Ensino Básico

2 Ficha Técnica Título: Orientações Curriculares da Educação Pré-Escolar Edição: Região Autónoma dos Açores Secretaria Regional da Educação e Ciência Direcção Regional da Educação Design e Ilustração: Gonçalo Cabaça Impressão: Tipografia Moderna Depósito Legal 1500 exemplares Abril 2006

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5 Princípios Orientadores para uma Educação de Qualidade A educação pré-escolar é a primeira etapa da educação básica no processo de educação ao longo da vida, sendo complementar da acção educativa da família, com a qual deve estabelecer estreita relação, favorecendo a formação e o desenvolvimento equilibrado da criança, tendo em vista a sua plena inserção na sociedade como ser autónomo, livre e solidário. Nota Introdutória As Orientações Curriculares da Educação Pré-Escolar na Região Autónoma dos Açores, aprovadas pela Portaria nº 1/2002, de 3 de Janeiro, destinam-se à organização da componente educativa que se desenvolve no âmbito do Projecto Educativo e do Plano Anual de Actividades da Unidade Orgânica/Instituição onde a valência de Jardim de Infância se insere. Constituem uma referência comum para todos os educadores das redes pública, privada, cooperativa e solidária. Organizam-se em áreas de conteúdo como âmbitos do saber, com uma estrutura própria e com pertinência sócio-cultural, que incluem diferentes tipos de aprendizagem, não apenas conhecimentos mas também atitudes e saber fazer, pretendendo contribuir para promover uma melhoria da qualidade da Educação Pré-Escolar em coordenação com o currículo adoptado para o Ensino Básico. Na Educação Pré-Escolar, o educador de infância deve conceber e desenvolver um projecto curricular, com vista à construção de aprendizagens integradas, através da planificação, organização e avaliação do ambiente educativo. Para isso, deve mobilizar o conhecimento e as competências necessárias ao desenvolvimento de um currículo integrado. 3

6 Portaria nº 1/2002, de 3 de Janeiro Na sequência da aprovação da Lei nº 5/97, de 10 de Fevereiro, Lei Quadro da Educação Pré-Escolar, e do Decreto Legislativo Regional nº 14/98/A, de 4 de Agosto, foi aprovado pelo Decreto Regulamentar Regional nº 17/2001/A, de 29 de Novembro, o Estatuto dos Estabelecimentos de Educação Pré-Escolar. Com a aprovação daquele regulamento, ficou criado um novo enquadramento jurídico para a educação pré-escolar na Região Autónoma dos Açores. Aprova as Orientações Curriculares da Educação Pré- -Escolar Nesse contexto, interessa dar execução ao estabelecido por aquele Estatuto, fixando as orientações curriculares e as aquisições básicas que devem ser seguidas na componente educativa, bem como a respectiva avaliação, criando assim condições para uma mais completa harmonização da actividade educativa dos jardins de infância, qualquer que seja a rede em que se insiram. Tendo em conta que as escolas dos Açores, e os seus profissionais, participaram na ampla discussão que precedeu a elaboração do Despacho nº 5220/97 (DR, 2ª série), de 4 de Agosto, e que a experiência resultante da sua aplicação tem sido globalmente positiva, opta-se por aplicar na generalidade aquele documento, criando condições para, no âmbito da reorganização curricular em curso no sistema educativo dos Açores, se proceder posteriormente a uma avaliação global do funcionamento da educação pré-escolar, realizando, então, caso se considere necessário, uma revisão global do funcionamento da sua componente educativa. Assim, em execução do disposto no nº 2 do artigo 22º do Decreto Regulamentar Regional nº 17/2001/A, de 29 de Novembro, manda o Governo Regional, pelo Secretário Regional da Educação e Cultura, o seguinte: 1. São aprovadas as orientações curriculares e as aquisições básicas que devem ser seguidas na componente educativa da educação pré-escolar, e respectiva avaliação, cujos princípios gerais constam do anexo à presente portaria, da qual faz parte integrante. 4

7 2. O disposto na presente portaria aplica-se a todas as redes que integram a rede regional de educação pré-escolar, incluindo os estabelecimentos que pertençam a instituições particulares de solidariedade social. 3. Compete ao educador, a quem esteja atribuída a sala, proceder à avaliação contínua do desenvolvimento da criança e das aprendizagens concretizadas, registando as suas observações em suporte documental adequado. 4. Pelo menos uma vez em cada trimestre, o educador comunica ao encarregado de educação de cada uma das crianças a seu cargo uma súmula das observações feitas. 5. Nos estabelecimentos de educação pré-escolar integrados na rede pública, a comunicação a que se refere o número anterior é feita em simultâneo com a da avaliação do 1º ciclo do ensino básico, sendo aplicável, com as devidas adaptações, o que para tal está estabelecido para aquele ciclo. 6. Do processo individual da criança, a transferir para o estabelecimento em que venha a frequentar o 1º ciclo do ensino básico, devem constar os registos elaborados ao longo do seu percurso na educação pré-escolar. 7. O director regional de educação, por despacho, poderá estabelecer o modelo do suporte documental a utilizar na comunicação da informação ao encarregado de educação. 8. É revogado o Despacho Normativo nº 1/2000, de 6 de Janeiro. 17 de Dezembro de 2001 O Secretário Regional da Educação e Cultura José Gabriel do Álamo de Meneses. 5

8 Princípios Gerais A Lei Quadro da Educação Pré-Escolar foi regulamentada na Região Autónoma dos Açores pelo Decreto Legislativo Regional nº 14/98/A, de 4 de Agosto, ficando aí estabelecido que o Governo Regional, por decreto regulamentar regional, aprovaria o Estatuto dos Estabelecimentos de Educação Pré-Escolar, revogando, com a sua entrada em vigor, o anterior enquadramento jurídico daqueles estabelecimentos de educação. Tal veio a acontecer com a publicação do Decreto Regulamentar Regional nº 17/2001/A, de 29 de Novembro, tendo sido então criadas as condições para uma efectiva harmonização de toda a rede regional de estabelecimentos de educação pré-escolar, os quais, qualquer que seja a sua titularidade, ficaram obrigados ao cumprimento de um conjunto de regras comuns em matéria de gestão pedagógica, segurança das instalações e obrigatoriedade de seguirem um projecto educativo claro. O mesmo diploma estabelece também, no seu artigo 22º, que as orientações curriculares que devem estar subjacentes ao projecto educativo são fixadas por portaria do Governo Regional. Assim, e considerando que a discussão que levou à elaboração das orientações para a educação pré--escolar, actualmente em vigor, foi também amplamente participada nos Açores, adoptam-se, na íntegra, aquelas orientações, aguardando-se que a avaliação posterior da sua aplicação, e o necessário debate, venham a determinar as eventuais alterações a introduzir. As orientações curriculares que ora se publicam constituem uma referência comum para todos os educadores integrados na rede regional de educação pré-escolar, qualquer que seja o sector a que pertençam, e destinam-se a apoiar a organização da componente educativa a seguir nos jardins de infância. 6

9 Considerando a flexibilidade curricular que se deseja introduzir em todo o sistema educativo, as presentes orientações não pretendem ser um programa, antes assumem uma perspectiva orientadora e não prescritiva das aprendizagens a realizar pelas crianças. Diferenciam-se também das concepções mais correntes de currículo, por serem mais gerais e abrangentes, criando a possibilidade de fundamentar diversas opções educativas e, portanto, vários currículos, em função do projecto educativo e do plano anual de actividades da instituição, conforme estabelecido nos nºs 3 e 4 do artigo 22º do Estatuto dos Estabelecimentos de Educação Pré-Escolar, aprovado pelo Decreto Regulamentar Regional nº 17/2001/A, de 29 de Novembro. As orientações curriculares constituem, assim, um conjunto de princípios para apoiar o educador nas decisões sobre a prática educativa a seguir, ou seja, sobre a forma de condução do processo educativo a desenvolver com as crianças. Pretende-se, com elas, contribuir para a melhoria da qualidade da educação pré-escolar através da criação de um quadro de referência único, coordenado com o adoptado para o ensino básico. 7

10 Fundamentos das Orientações Curriculares O desenvolvimento e a aprendizagem como vertentes indissociáveis. O reconhecimento da criança como sujeito do processo educativo, o que significa partir do que a criança já sabe e valorizar os seus saberes como fundamento de novas aprendizagens. PRINCÍPIOS GERAIS A construção articulada do saber, o que implica que as diferentes áreas a contemplar não deverão ser vistas como compartimentos estanques, mas abordadas de uma forma globalizante e integrada. A exigência de resposta a todas as crianças, o que pressupõe uma pedagogia diferenciada, centrada na cooperação, em que cada criança beneficia do processo educativo desenvolvido com o grupo. 8

11 Desenvolvimento Curricular Com suporte nestes fundamentos, o desenvolvimento curricular, da responsabilidade do educador, no cumprimento do projecto educativo e do plano anual de actividades do jardim de infância, terá em conta: Os objectivos gerais, a considerar como intenções que devem orientar a prática profissional dos educadores, e que são os enunciados nos seguintes diplomas: Objectivos Gerais Lei de Bases do Sistema Educativo (Lei nº 46/86, de 14 de Outubro); Lei Quadro da Educação Pré-Escolar (Lei nº 5/97, de 10 de Fevereiro); Os objectivos específicos da instituição onde o jardim de infância se insere, fixados com base nos seus preceitos estatutários ou na legislação enquadradora, com respeito pelas normas aprovadas pelos órgãos de gestão e administração e pelos órgãos de coordenação pedagógica. Objectivos Específicos O projecto educativo do jardim de infância e o seu plano anual de actividades, aprovados pelos competentes órgãos de gestão administrativa e pedagógica. Projecto Educativo 9

12 A organização do ambiente educativo, como suporte do trabalho curricular e da sua intencionalidade, comportando os seguintes níveis de interacção: Ambiente Educativo Organização do grupo Organização do espaço e do tempo Ambiente Educativo Organização do estabelecimento educativo Relação com os pais e com os outros parceiros educativos 10

13 As áreas de conteúdo, constituindo as referências gerais a considerar no planeamento e avaliação das situações e oportunidades de aprendizagem, nomeadamente: Áreas de Conteúdo Áreas de Conteúdo Área de formação pessoal e social Área de expressão e comunicação Área de estudo e conhecimento do meio Domínio das expressões Domínio da linguagem e abordagem da escrita Domínio da matemática Expressão motora Expressão dramática Expressão musical Expressão plástica 11

14 A continuidade educativa, como processo que parte do que as crianças já sabem e aprenderam, criando condições para o sucesso nas aprendizagens seguintes. Continuidade Educativa A intencionalidade educativa decorre do processo reflexivo de: Intencionalidade Educativa Observação Planeamento Acção Avaliação Acções desenvolvidas pelo educador, de forma a adequar a sua prática às necessidades das crianças. 12

15 Objectivos Pedagógicos a) b) c) d) e) f) g) h) i) Promover o desenvolvimento pessoal da criança com base em experiência de vida democrática numa perspectiva de educação para a cidadania; Fomentar a inserção da criança em grupos sociais diversos, no respeito pela pluralidade das culturas, favorecendo uma progressiva consciência como membro da sociedade; Contribuir para a igualdade de oportunidades no acesso à escola e para o sucesso da aprendizagem; Estimular o desenvolvimento global da criança no respeito pelas suas características individuais, incutindo comportamentos que favoreçam aprendizagens significativas e diferenciadas; Desenvolver a expressão e a comunicação através de linguagens múltiplas como meios de relação, de informação, de sensibilização estética e de compreensão do mundo; Despertar a curiosidade e o pensamento crítico; Proporcionar à criança ocasiões de bem-estar e de segurança, nomeadamente, no âmbito da saúde individual e colectiva; Proceder à despistagem de inadaptações, deficiências ou precocidade e promover a melhor orientação e encaminhamento da criança; Incentivar a participação das famílias no processo educativo e estabelecer relações de efectiva colaboração com a comunidade. Objectivos Pedagógicos Gerais 13

16 Fundamentos e Organização das Orientações Curriculares Os princípios gerais e os objectivos pedagógicos enunciados na Lei Quadro da Educação Pré-Escolar, bem como a sua regulamentação regional, constituem os fundamentos das orientações curriculares para a educação pré-escolar. Assim, as diferentes afirmações contidas no princípio geral da Lei Quadro, destacadas no texto, relacionam-se com os objectivos gerais, para explicitar a sua tradução nas orientações curriculares: "A educação pré-escolar é a primeira etapa da educação básica no processo de educação ao longo da vida". Objectivos Pedagógicos: Lei Quadro da Educação Pré-Escolar Aquela afirmação implica que, durante esta etapa, se criem as condições necessárias para as crianças continuarem a aprender, dela decorrendo também o objectivo geral: "Contribuir para a igualdade de oportunidades no acesso à escola e para o sucesso das aprendizagens. Não se pretende que a educação pré-escolar se organize exclusivamente em função de uma preparação para a escolaridade obrigatória, mas antes que se perspective no sentido da educação ao longo da vida, devendo, contudo, proporcionar à criança condições para abordar com sucesso a etapa seguinte. A educação pré-escolar é um possível momento de insucesso escolar precoce em que algumas crianças descobrem que são diferentes. Conclusões da investigação sociológica demonstraram, também, que o insucesso escolar recai maioritariamente em crianças cuja cultura familiar está mais distante da cultura escolar. Para que a educação pré-escolar possa contribuir para uma maior igualdade de oportunidades, as orientações curriculares acentuam a importância de uma pedagogia estruturada, o que implica uma organização intencional e sistemática do processo pedagógico, exigindo que o educador planeie o seu trabalho e avalie o processo e os seus efeitos no desenvolvimento e na aprendizagem das crianças. Igualdade de Oportunidades 14

17 Adoptar uma pedagogia organizada e estruturada não significa introduzir na educação pré- -escolar certas práticas "tradicionais'', sem sentido para as crianças, nem menosprezar o carácter lúdico de que se revestem muitas aprendizagens, pois o prazer de aprender e de dominar determinadas competências exige também esforço, concentração e investimento pessoal. Competências e Aprendizagens A educação pré-escolar cria condições para o sucesso da aprendizagem de todas as crianças, na medida em que promove a sua auto-estima e autoconfiança, e desenvolve competências que permitem que cada criança reconheça as suas possibilidades e progressos. Os diversos contextos de educação pré-escolar são, assim, espaços em que se constroem aprendizagens, de forma a "favorecer a formação e o desenvolvimento equilibrado da criança". Esta afirmação do princípio geral fundamenta o objectivo de "estimular o desenvolvimento global da criança, no respeito pelas suas características individuais, desenvolvimento que implica favorecer aprendizagens significativas e diferenciadas". Aquele objectivo aponta, assim, para a interligação entre desenvolvimento e aprendizagem, considerando que o ser humano se desenvolve num processo de interacção social. Nesta perspectiva, a criança desempenha um papel activo na sua interacção com o meio que, por seu turno, lhe deverá fornecer condições favoráveis para que se desenvolva e aprenda. Desenvolvimento Global da Criança Admitir que a criança desempenha um papel activo na construção do seu desenvolvimento e aprendizagem supõe encará-la como sujeito e não como objecto do processo educativo. Neste sentido, acentua-se a importância de a educação pré-escolar partir do que as crianças sabem, da sua cultura e dos seus saberes próprios. Respeitar e valorizar as características individuais da criança, a sua diferença, constitui a base de novas aprendizagens. 15

18 A oportunidade de usufruir de experiências educativas, num contexto facilitador de interacções sociais alargadas com outras crianças e adultos, permite que cada criança, ao construir o seu desenvolvimento e aprendizagem, vá contribuindo para o desenvolvimento e aprendizagem dos outros. O respeito pela diferença inclui as crianças que se afastam dos padrões mais comuns, cabendo à educação pré-escolar dar resposta a todas e a cada uma delas. Nesta perspectiva de "escola inclusiva", a educação pré-escolar deverá adoptar a prática de uma pedagogia diferenciada, centrada na cooperação, que inclua todas as crianças, aceite as diferenças, apoie a aprendizagem e responda às necessidades individuais. Escola Inclusiva O conceito de "escola inclusiva" supõe que o planeamento seja realizado tendo em conta o grupo. Cada plano é adaptado e diferenciado de acordo com as características individuais, de modo a oferecer a cada criança condições estimulantes para o seu desenvolvimento e aprendizagem. Pela sua referência ao grupo, vai mais longe que a perspectiva de integração que admitia a necessidade de planos individuais e específicos para as crianças "diferentes". Assim, mesmo as crianças diagnosticadas como tendo necessidades educativas especiais são incluídas no grupo e beneficiam das oportunidades educativas que são proporcionadas a todos. As condições que se consideram necessárias para a existência de uma "escola inclusiva", tais como o bom funcionamento do estabelecimento educativo, o envolvimento de todos os intervenientes - profissionais, crianças, pais e comunidade - e a planificação em equipa são aspectos a ter em conta no processo educativo a desenvolver na educação pré-escolar. 16

19 A resposta que a educação pré-escolar deve dar a todas as crianças organiza-se "tendo em vista a sua plena inserção na sociedade como ser autónomo, livre e solidário". Esta última afirmação do princípio geral que orienta a educação pré-escolar concretiza-se directamente nos seguintes objectivos: Objectivos a ter em conta a) Promover o desenvolvimento pessoal e social da criança com base em experiências de vida democrática numa perspectiva de educação para a cidadania; b) Fomentar a inserção da criança em grupos sociais diversos, no respeito pela pluralidade das culturas sócio-familiares, favorecendo uma progressiva consciência como membro da sociedade. 17

20 No sentido da educação para a cidadania, as orientações curriculares dão particular importância à organização do ambiente educativo como um contexto de vida democrática em que as crianças participam e onde contactam e aprendem a respeitar diferentes culturas. É nesta vivência que se inscreve a área de formação pessoal e social, considerada como área integradora de todo o processo de educação pré-escolar. Educação para a Cidadania É também objectivo da educação pré-escolar "proporcionar ocasiões de bem-estar e de segurança, nomeadamente no âmbito da saúde individual e colectiva". O bem-estar e segurança dependem também do ambiente educativo em que a criança se sente acolhida, escutada e valorizada, o que contribui para aumentar a sua auto-estima e o desejo de aprender. Em suma, um ambiente em que a criança se sinta bem porque são atendidas as suas necessidades psicológicas e físicas. Neste contexto, o bem-estar relacionado com a saúde individual e colectiva é também ocasião de uma educação para a saúde, componente educativa que faz parte integrante da formação do cidadão. Mas a educação da criança, tendo em vista a plena inserção na sociedade como ser autónomo, livre e solidário, implica também outras formas de desenvolvimento e aprendizagem, a que se refere o objectivo de "desenvolver a expressão e a comunicação através de linguagens múltiplas como meios de relação, de informação, de sensibilização estética e de compreensão do mundo". Educação para a Saúde Inserção na Sociedade Este objectivo é contemplado nas áreas "expressões e comunicação", e "conhecimento do meio", englobando a primeira diferentes formas de linguagem, distribuídas por três domínios:. domínio das expressões. domínio da linguagem e abordagem da escrita. domínio da matemática Sendo importante, em si mesmo, o domínio destas linguagens, elas também são meios de relação, de sensibilização estética e de obtenção de informação. 18

21 ÁREA DA EXPRESSÃO E COMUNICAÇÃO a) Domínio das expressões, com as vertentes de expressão motora, expressão dramática, expressão plástica e expressão musical; b) Domínio da linguagem e abordagem da escrita, que inclui outras linguagens, como a informática e a audiovisual, e ainda a possibilidade de sensibilização a uma língua estrangeira c) Domínio da matemática, considerado como uma outra forma de linguagem, faz também parte da área de expressão e comunicação. 19

22 Deste modo, a área de expressão e comunicação constitui uma área básica que contribui simultaneamente para a formação pessoal e social e para o conhecimento do meio. Por seu turno, a área do conhecimento do meio permite articular as outras duas, pois é através das relações com os outros que se vai construindo a identidade pessoal e se vai tomando posição perante o "mundo" social e físico". Formação Pessoal e Social e Conhecimento do Meio Dar sentido a esse "mundo" passa pela utilização de sistemas simbólico-culturais. Não se considerando estas diferentes áreas como compartimentos estanques, acentua-se a importância de interligar os conteúdos e de os contextualizar num determinado ambiente educativo. Assim, a organização do ambiente educativo na relação com o meio envolvente constitui o suporte do desenvolvimento curricular. Só este processo articulado permite atingir um outro objectivo que deverá atravessar toda a educação pré-escolar: "Despertar a curiosidade e o espírito crítico." Este objectivo concretiza-se nas diferentes áreas de conteúdo que se articulam numa formação global, que será o fundamento do processo de educação ao longo da vida. Uma outra afirmação do princípio geral da Lei Quadro considera a educação pré-escolar como "complemento da acção educativa da família, com a qual deve estabelecer estreita relação". Esta afirmação, que acentua a importância da relação com a família, traduz-se no objectivo de "incentivar a participação das famílias no processo educativo e estabelecer relações de efectiva colaboração com a comunidade". Organização do Ambiente Educativo Participação das Famílias 20

23 Os pais ou encarregados de educação são os responsáveis pela criança e também os seus primeiros e principais educadores. Estando hoje, de certo modo, ultrapassada a tónica colocada numa função compensatória, pensa-se que os efeitos da educação pré-escolar estão intimamente relacionados com a articulação com as famílias. Já não se procura compensar o meio familiar, mas partir dele e ter em conta a cultura sócio-familiar da qual as crianças são oriundas, para que a educação préescolar se possa tornar mediadora entre a cultura de origem das crianças e a cultura de que terão de se apropriar para terem uma aprendizagem com sucesso. Articulação entre a Família e o Estabelecimento Educativo Sendo a educação pré-escolar complementar da acção educativa da família, haverá que assegurar a articulação entre esta e o estabelecimento educativo, no sentido de encontrar, num determinado contexto social, as respostas mais adequadas para as crianças, cabendo aos pais participar na elaboração do projecto educativo do estabelecimento. Para além da família, também o meio social em que a criança vive influencia a sua educação, beneficiando a escola da conjugação dos esforços e dos recursos da comunidade para a educação das crianças. Assim, tanto os pais como os outros membros da comunidade poderão colaborar no desenvolvimento do projecto educativo do estabelecimento. O processo de colaboração com os pais e com a comunidade tem efeitos na educação das crianças e ainda consequência no desenvolvimento e na aprendizagem dos adultos que desempenham funções na sua educação. 21

24 Orientações Globais para o educador A intencionalidade do processo educativo que caracteriza a intervenção profissional do educador passa por diferentes etapas interligadas, que se vão sucedendo e aprofundando, o que pressupõe: 1. Observar cada criança e o grupo, para conhecer as suas capacidades, interesses e dificuldades, e para recolher as informações sobre o contexto familiar e o meio em que as crianças vivem. Estas práticas são necessárias para compreender melhor as características das crianças e adequar o processo educativo às suas necessidades. O conhecimento da criança e da sua evolução constitui o fundamento da diferenciação pedagógica, que parte do que esta sabe e é capaz de fazer, para alargar os seus interesses e desenvolver as suas potencialidades. Este conhecimento resulta de uma observação contínua e supõe a necessidade de referências, tais como trabalhos produzidos pelas crianças e diferentes formas de registo das observações. Trata-se, fundamentalmente, de dispor de elementos que possam ser periodicamente analisados, de modo a compreender o processo desenvolvido, constituindo, deste modo, a base do planeamento e da avaliação, e servindo de suporte à intencionalidade do processo educativo. Observação e Conhecimento de cada Criança e do Grupo 2. Planear o processo educativo de acordo com o que o educador sabe do grupo, de cada criança e do seu contexto familiar e social. Tal é condição para que a educação pré-escolar possa proporcionar um ambiente estimulante de desenvolvimento e promova aprendizagens significativas e diferenciadas que contribuam para uma maior igualdade de oportunidades. Planear implica que o educador reflicta sobre as suas intenções educativas e a forma de as adequar ao grupo, prevendo situações e experiências de aprendizagem, organizando os recursos humanos e materiais necessários à sua realização. O planeamento do ambiente educativo permite às crianças explorar e utilizar espaços, materiais e instrumentos colocados à sua disposição, proporcionando-lhes interacções diversificadas com todo o grupo, em pequenos grupos e entre pares, e também a possibilidade de interagir com outros adultos. Planeamento do Processo Educativo 22

25 Este planeamento terá em conta as diferentes áreas de conteúdo e a sua articulação, bem como a previsão de várias possibilidades que se concretizam ou modificam, de acordo com as situações e as propostas das crianças. Cabe, assim, ao educador planear situações de aprendizagem que sejam suficientemente desafiadoras, de modo a interessar e a estimular cada criança, apoiando-a para que atinja a níveis de realização a que não chegaria por si mesma, mas acautelando situações de excessiva exigência das quais possam resultar desencorajamento e diminuição de auto-estima. O planeamento realizado com a participação das crianças permite ao grupo beneficiar da sua diversidade e das capacidades e competências de cada criança, num processo de partilha, facilitador da aprendizagem e do desenvolvimento de todas e de cada uma. 3. Concretizar na acção as suas intenções educativas, adaptando-as às propostas das crianças e tirando partido das situações e oportunidades imprevistas. A participação de outros adultos - pessoal auxiliar de apoio, pais, outros membros da comunidade - na realização das oportunidades educativas, planeadas pelo educador, é uma forma de alargar as interacções das crianças e de enriquecer o processo educativo. Acção Educativa 4. Avaliar o processo e os seus efeitos. Tal implica tomar consciência da acção e dos seus resultados, para adequar o processo educativo às necessidades de cada uma das crianças e do grupo, bem como a sua evolução. A avaliação realizada com as crianças é uma actividade educativa, constituindo, também, uma base de avaliação para o educador. Pela sua reflexão, a partir dos efeitos que vai observando, o educador pode estabelecer a progressão das aprendizagens a desenvolver com cada criança. Neste sentido, a avaliação é o suporte básico do planeamento. 5. Comunicar o conhecimento que o educador adquire sobre a criança e sobre o modo como esta evolui. Tal comunicação enriquece a acção do educador através da partilha de conhecimentos e estratégias com outros adultos que também tenham responsabilidades na educação da criança, nomeadamente os pais, os colegas e o pessoal não docente. Se o trabalho de profissionais em equipa constitui um meio de auto-formação, com claros benefícios para o processo educativo, a troca de opiniões com os pais permite um melhor conhecimento da criança e de outros contextos que influenciam a sua educação, nomeadamente a família e a comunidade onde ela se insere. 6. Promover a continuidade educativa durante todo o percurso na educação pré-escolar e durante a transição para escolaridade obrigatória. A relação estabelecida com os pais facilita a comunicação entre eles e o educador, favorecendo a própria adaptação da criança. É também função do educador proporcionar condições para que cada criança tenha uma aprendizagem com sucesso, na fase seguinte, competindo-lhe, em colaboração com os pais e em articulação com os colegas do 1º ciclo do ensino básico, facilitar a transição da criança para a escolaridade obrigatória. Avaliação Comunicação das aprendizagens aos pais / Encarregados de Educação Promoção da Continuidade Educativa 23

26 Projecto Curricular Em cada ano lectivo, o educador de infância deve elaborar um projecto curricular, por forma a orientar todo o trabalho, tendo em conta o seu grupo de crianças da sala de Jardim de Infância. Do Projecto Curricular deverá constar: Introdução; Caracterização do meio; Caracterização da escola/jardim de infância; Organização da sala e das rotinas; Características do grupo de crianças; Intenções de trabalho para o ano lectivo; Objectivos gerais da educação pré-escolar; Objectivos gerais para o ano lectivo; Articulação entre as áreas/domínios e conteúdos; Justificação dos conteúdos seleccionados; Decisões estratégicas de ordem geral; Decisões estratégicas relativas à operacionalização do trabalho; Previsão de procedimentos de avaliação. 24

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28 DESENVOLVIMENTO CURRICULAR EM COORDENAÇÃO COM O ENSINO BÁSICO MELHORIA DA QUALIDADE DAS APRENDIZAGENS FUNDAMENTAÇÃO DAS OPÇÕES EDUCATIVAS Divisão da Educação Pré-Escolar e Ensino Básico

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