Desafios atuais no financiamento de projetos de infraestrutura no Brasil e possíveis soluções

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1 Desafios atuais no financiamento de projetos de infraestrutura no Brasil e possíveis soluções GLOBAL INFRASTRUCTURE Vitoria, 10 de novembro, 2015 kpmg.com.br 2015 KPMG Consultoria Ltda, uma sociedade brasileira e firma membro da rede KPMG de firmas membro independentes e afiliadas à KPMG International Cooperative ( KPMG International ), uma entidade suiça. 0

2 Disclaimer As informações contidas no presente documento são de natureza genérica e não se destinam a abordar as circunstâncias de qualquer pessoa física ou jurídica específica. Embora envidemos nossos maiores esforços para fornecer informações precisas e oportunas, não pode haver garantia de que tais informações sejam precisas na data de seu recebimento ou que continuarão sendo precisas no futuro. Ninguém deve tomar ações com base em tais informações sem a consultoria profissional apropriada após um exame detalhado da situação específica KPMG Consultoria Ltda, uma sociedade brasileira e firma membro da rede KPMG de firmas membro independentes e afiliadas à KPMG International Cooperative ( KPMG International ), uma entidade suiça. 1

3 Desafios do mercado de financiamento brasileiro

4 BNDES principal financiador de projetos de infraestrutura... O BNDES é o principal financiador de projetos no Brasil. Os desembolsos têm crescido a uma taxa anual média de 17% (desde 2005) Nos últimos 4 anos o setor de infraestrutura é o principal beneficiado destes desembolsos, representando em 2014, 37% do total Desembolsos totais do BNDES e alocação por setor (Bilhões de reais) 5% 5% 7% 8% 12% 12% 16% 21% 28% 27% 28% % 50% 53% 41% 43% 49% 47% 31% 31% 30% 27% % 9% 7% 38% 36% 33% 8% 43% 6% 39% 5% 6% 34% 31% 7% 40% 7% 10% 34% 33% 9% 37% Fonte: BNDES Infrastructure Agribusiness Industry Service and Retail 3

5 ... tem as suas vantagens e desvantagens... Evolução da taxa SELIC versus TJLP últimos três anos Tem facilitado o desenvolvimento de projetos de infraestrutura mas... Financiamento a TJLP tornou-se insustentável Ausência de opções de financiamento privado desincentiva a adoção de modelos de financiamento com recurso limitado ou sem recurso ao acionista 16,00% 14,00% 12,00% 10,00% 8,00% 6,00% 4,00% 2,00% 0,00% jan-12 mai-12 set-12 jan-13 mai-13 set-13 jan-14 mai-14 set-14 jan-15 mai-15 SELIC TJLP Fonte: BNDES, ANBIMA, Análises KPMG 4

6 ... que obrigou o banco a mudar sua política em rodovias, portos, e demais setores... RODOVIAS Sem debêntures 35% Até 70% 35% 30% Máximo debêntures 25% 10% 35% Participação em TJLP é acrescida em 10%, se houver emissão mínima de 10% 30% PORTOS Sem debêntures 25% Até 50% 25% 20% 30% Máximo debêntures 35% 10% 25% Participação em TJLP é acrescida em 10%, se houver emissão mínima de 10% 30% Finem TJLP TJLP adicional (Pro-Logística) Finem Mercado Associado Debêntures de Infraestrutura Equity/ Geração de caixa Finem Mercado Opcional (ou outras fontes) Fonte: BNDES 5

7 ... mantendo o mesmo pacote de garantias Conta reserva do serviço da dívida (3 parcelas) Penhor de ações da SPE Cessão fiduciária de direitos creditórios e outros Step in rights Risk Covenants Operacionais e Financeiros Compromisso dos acionistas (fiança corporativa, contrato de suporte etc.) Pacote de seguros Garantias bancárias (fiança, linhas de liquidez etc.) Período de construção Período operacional Key: Exposição Financeira Perfil de risco Time Fonte: BNDES, Análises KPMG 6

8 As alternativas de financiamento são limitadas Repartição por fonte de financiamento 100% 90% 80% 70% 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0% Bancos Outros BNDES Repasse BNDES Direto Mercado de Capitais Repartição por setores 100% 90% 80% 70% 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0% Tipicamente, BNDES representa 75% dos financiamentos contratados No ano de 2014, as debêntures representaram 30% dos novos contratos de financiamento mas num ano em que o volume foi muito reduzido. Mercado de capitais têm sido uma opção para projetos brownfield Bancos comerciais têm reduzido sua participação e o financiamento por fundos constitucionais ou outros bancos de desenvolvimento tem representado uma fatia pequena do volume anual de financiamento Energia Saneamento Transporte e Logística Outros Fonte: ANBIMA (relatórios trimestrais) 7

9 As debêntures de infraestrutura concorrem com títulos de tesouro (NTNB), com perfil de risco/retorno desfavorável e menor liquidez Cotação diária NTN-B com prazo longo (2035) 8,50% 7,50% 6,50% 5,50% 4,50% 3,50% 2,50% Títulos de tesouro com subida para níveis de há 5 anos Perfil de risco / retorno dos títulos de tesouro tem prejudicado o interesse dos investidores em títulos de infraestrutura Historicamente, não tem sido possível incorporar este custo de financiamento no custo dos projetos (modicidade tarifária) Parte importante da distribuição das debêntures de infraestrutura tem ficado com pessoas físicas que preferem projetos com menor risco (brownfield) A maior fatia de distribuição vai para investidores de grande porte, que acabam por ficar com os títulos no balanço (mercado secundário pouco desenvolvido) Fonte: BNDES, ANBIMA, Análises KPMG 8

10 Contributos para ultrapassar os atuais gargalos no financiamento de projetos de infraestrutura

11 1 Melhorar o ambiente de desenvolvimento de projetos de infraestrutura Capacidade interna do setor público Apoio político Ingredientes para o sucesso Baixo risco político Nivelar as oportunidades para os diversos investidores Revisão da Lei 8666 Formas de financiamento dos Estudos Prélicitação Reduzir dependência das PMI Matriz de riscos e estruturação de projetos seguindo as melhores práticas internacionais Agências reguladoras fortes e independentes Enquadramento institucional que promova o accountability Disponibilidade de financiamento e de recursos para pagar o serviço Fluxo de projetos previsível e sustentável 10

12 2 Partilhar com BNDES modelos de financiamento com recurso limitado Why Projects Fail 20 Years Of Rating Project Finance Debt (S&P) Em 20 anos, foram efetuados 573 ratings de projetos de infraestrutura Desses, 67% foram classificados como Investment Grade (IG) Verificaram-se 39 defaults em 573 projetos ou 7%, em linha com outros estudos publicados Fonte: Why Projects Fail 20 Years Of Rating Project Finance Debt: S&P Outubro 2014 Project Finance Defaults, (Moody s) TOTAL África e Médio Oriente Ásia e Pacífico Europa Américas América Latina Dimensão da amostra Peso (%) 100,00% 7,95% 15,41% 44,75% 31,89% 7,01% Defaults 281 (6,35% do Total) Europa 70 Ásia e Pacífico 62 África e Médio Oriente 5 Américas 144 América do Norte 96 América Latina 48 Fonte: Moody s Report Default and Recovery Rates for Project Finance Bank Loans,

13 3 Modelo de garantias para facilitar financiamento privado Com menor impacto no ajuste fiscal BNDES alarga o escopo da Linha de Suporte à Liquidez para atuar como monoline na componente de financiamento com recurso a mercado Custo de garantia deve refletir precificação de mercado para riscos similares Mantém-se a exposição ao risco do projeto nas reduz esforço de liquidez Transitório até estabilização macroeconômica e mercado de capitais mais líquido Pode facilitar o financiamento em mercado de capitais de projetos greenfield Com maior impacto no ajuste fiscal Fazenda se substitui ao BNDES na prestação de garantias Modelo similar ao IUK O impacto no ajuste fiscal seria compensado pelo efeito no PIB de maiores investimentos em infraestrutura 12

14 4 Incentivos fiscais aos investidores em projetos de infraestrutura Algumas iniciativas que poderiam facilitar investimentos em infraestrutura Lucro da Exploração para os Bancos: Parcela do lucro dos bancos atribuível à atividade de projetos de infra sujeitar-se-ia a alíquota inferior de IRPJ/CSLL e, se possível, também do PIS/COFINS. Mercado Secundário: Os ganhos e rendimentos dos títulos emitidos pelos bancos para securitizar os recebíveis derivados do acima também se sujeitariam a tratamento tributário privilegiado para os detentores desses derivativos. Deveria ser permitida igualmente uma standardização que facilitasse operações em mercado secundário Imposto de Renda sobre o ganho de capital: Os investidores, nacionais ou internacionais, exceto aqueles localizados em paraísos fiscais, estariam isentos (ou sujeitos a significativa redução) do IR incidente sobre o ganho de capital decorrente da venda de ações de empresas no setor de infraestrutura. IOF sobre injeção de capital: O IOF Câmbio de 0.38% atualmente aplicável na injeção de capital efetuada por investidor estrangeiro seria reduzido a zero nos casos de injeção em empresas detentoras de projetos de infraestrutura. O impacto no ajuste fiscal seria compensado pelo efeito no PIB de maiores investimentos em infraestrutura 13

15 Muito Obrigado! Fernando Faria Sócio, Global Infrastructure KPMG no Brasil T. (11) C. (11) KPMG Consultoria Ltda, uma sociedade brasileira e firma membro da rede KPMG de firmas membro independentes e afiliadas à KPMG International Cooperative ( KPMG International ), uma entidade suiça. Todos os direitos reservados. Impresso no Brasil

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