LINHAS DE PESQUISA EMPREENDEDORISMO, TECNOLOGIA E INOVAÇÃO

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1 LINHAS DE PESQUISA EMPREENDEDORISMO, TECNOLOGIA E INOVAÇÃO Nos países desenvolvidos e, em menor grau, nos países em desenvolvimento, assiste-se ao surgimento de padrões tecno-econômicos onde os resultados científicos e tecnológicos assumem uma importância crescente para o desenvolvimento econômico e social. Verifica-se a diminuição da distância entre os resultados obtidos, na academia, e sua utilização prática e comercial, além de uma rápida difusão de sofisticadas práticas produtivas. Estes padrões tecno-econômicos fazem com que as empresas assumam relações mais diretas e intensas com o conhecimento, obtido a partir de esforços internos de P&D&I ou através de ligações com agentes institucionalizados, como universidades, institutos de pesquisa e outras instituições técnicas (LEYDESDORFF, 2001). O crescimento da economia baseado no conhecimento faz com que cada vez mais governos e empresas sejam dependentes do avanço da pesquisa, abrindo a possibilidade de que a universidade, como produtora de conhecimento, ultrapasse os seus meios usuais de relacionamento com as empresas, de formação de mão-de-obra e consultoria. São criadas novas formas organizacionais como escritórios de transferência de tecnologia, firmas spin-off, parques tecnológicos e incubadoras. O novo papel da universidade está relacionado a atividades diretamente voltadas para o desenvolvimento econômico, (ETZKOWITZ e LEYDESDORFF, 2005). Dessa forma, verifica-se que as atividades de incentivo ao empreendedorismo, ao desenvolvimento de tecnologias e consequentemente, à inovação são realizadas em unidades diferentes, tanto no âmbito dos cursos regulares de graduação, como também em atividades de pesquisa e extensão. Cabe ressaltar que os laboratórios de saúde animal ficam localizados no campus da Penha. A falta de uma coordenação destas ações muitas vezes leva à dispersão de esforços e recursos que poderiam estar sendo dirigidos numa só direção. Ao reunir este grupo de pesquisadores, que atuam em diferentes unidades e na mesma vertente e mesma área, em ações conjuntas no Laboratório de Empreendedorismo e Inovação, a UCB, por meio de seus grupos de pesquisa, passará a atuar de forma sistemática na construção de um espaço de interação entre as unidades acadêmicas, fortalecendo a incubação (ex. difusão do empreendedorismo), a consecução de inovações, a transferência de conhecimento para a sociedade, bem como na proteção intelectual desse conhecimento, além da constante identificação de oportunidades de negócios, em parcerias. As ações mobilizadoras dessa linha de pesquisa em emprededorismo, tecnologia e inovação irão promover as articulações entre os laboratórios da UCB, impactar na transferência de tecnologia promovida pelo NIT/UCB e buscar fomento nas ações governamentais de C&T&I, fato que vem ocorrendo em no país.

2 Nesse contexto foi estruturada a linha de pesquisa EMPREENDEDORISMO, TECNOLOGIA E INOVAÇÃO que objetiva pesquisar os conceitos, os elementos e os fatores que influenciam nas ações de empreendedores tecnológicos que conduzem à inovações tecnológicas, que desenvolvam as regiões e modifiquem o paradigma da sociedade. A seguir serão apresentados os projetos de pesquisa relacionados a ela: Desenvolvimento Local e Empreendedorismo Tecnológico, com seus respectivos objetivos. PROPRIEDADE INTELECTUAL E INOVAÇÃO A Organização Mundial da Propriedade Intelectual - OMPI divulgou recentemente um novo relatório sobre patentes. De acordo com o documento, que analisa dados coletados em 2005, o número de patentes concedidas em todo o mundo, desde 1995, aumenta em média 3,6% ao ano. Cerca de 600 mil patentes foram concedidas em 2005, totalizando, ao fim daquele ano, 5,6 milhões de patentes vigentes em todo o planeta. A lista de patentes concedidas em relação à população é liderada pelo Japão, seguido pela Coréia do Sul, Estados Unidos, Alemanha e Austrália. De acordo com o relatório, divulgado pelo boletim Gestão de C&T, no Brasil houve uma redução de 13,5% no número de patentes concedidas em 2005, em comparação com dados do ano anterior. No entanto, o Instituto Nacional de Propriedade Industrial - INPI, órgão que cuida da concessão de patentes no país, está entre os 20 escritórios que mais concedem patentes no mundo: 12º lugar. No Brasil, o número de patentes concedidas para não-residentes foi, em 2005, maior do que as patentes concedidas para residentes. Ainda assim, em ambos os casos, houve uma redução das patentes concedidas. Se comparado com dados de 2004, houve uma redução de 1,8% no número de patentes concedidas para residentes e uma redução de 17% das patentes concedidas para não-residentes. O relatório da OMPI aponta que o Brasil é o último colocado em relação a patentes obtidas em outros países, com cerca de mil os Estados Unidos ficam em primeiro lugar, com cerca de 160 mil patentes. Entretanto, o Brasil teve um aumento de 4%, em 2005, do número de patentes concedidas em outros países. O Brasil é o 17º na lista que mede a relação entre investimentos em P&D&I e o número de patentes concedidas para residente. O país concede 0,29 patentes para residentes a cada US$ 1 milhão investidos em P&D&I. 1. A Pesquisa de Inovação Tecnológica - PINTEC 2005 traz evidências estatísticas sobre atividades inovadoras, de pesquisa e desenvolvimento realizadas pelas empresas industriais, além das empresas de serviços de telecomunicações, informática e pesquisa e desenvolvimento entre os anos de 2003 e Os resultados dessa pesquisa evidenciam que 1 Acesso em 16/08/2007

3 no período de 2003 a 2005, as empresas dos serviços tecnológicos apresentaram taxas de inovação superiores às da indústria. Inseridas num setor de rápida evolução tecnológica implementaram um produto e/ou processo tecnologicamente novo ou uma inovação incremental: 45,9% das 393 empresas de telecomunicações e 57,6% das 3,8 mil empresas de informática. No serviço de pesquisa e desenvolvimento, 97,6% das 42 empresas com 10 ou mais pessoas inovaram em produto ou processo. Se a este conjunto forem adicionadas aquelas que só desenvolveram projetos no período, a taxa de inovação deste setor atinge 100%. Uma outra característica que distingue as empresas de telecomunicações e informática é o tipo de inovação. Aspectos tecnológicos destes segmentos dos serviços fazem prevalecer a estratégia de inovar em produto e processo (IBGE, 2007). Na indústria, o universo de empresas com 10 ou mais pessoas ocupadas somava 84,3 mil, em 2003, e passou a abranger cerca de 91 mil empresas, em Praticamente na mesma proporção, elevou-se o número de empresas que implementaram produto e/ou processo tecnologicamente novo ou substancialmente aprimorado - de 28 mil para 30,4 mil - o que fez a taxa de inovação de 33,4%, do triênio , manter-se em patamar igual (33,3%) ao da registrada nos anos de , mas com leve mudança na sua composição. Entre , as empresas industriais adotaram, principalmente, a estratégia de inovar em produto e processo (14,0%). Nos anos de , a orientação de inovar só em processo obteve uma leve predominância (13,8%) (IBGE, 2007). Na atribuição de alta e média importância às empresas ou instituições com as quais constituíram redes de cooperação, as empresas de P&D&I identificaram como seus parceiros privilegiados as universidades e institutos de pesquisa (85,4%) e os clientes ou consumidores (73,2%). Um dos instrumentos que as universidades têm utilizado para potencializar a disseminação do conhecimento para o meio produtivo é a incubação de empresas. A premissa das incubadoras é que a formação de empresas pode ser melhorada ao ser organizada como um processo educacional. As incubadoras tecnológicas aumentam a taxa de inovação industrial, através da aproximação que constroem entre empresas inovadoras e o mercado, assim como facilitam a interação das empresas incubadas com a universidade devido à proximidade com os pesquisadores, os laboratórios e as bibliotecas. No Brasil verifica-se que 83% das empresas incubadas mantêm relacionamento com a universidade, ressaltando-se que 32% realizam ações conjuntas de P&D&I e 31% recebem transferência de tecnologia (ALMEIDA, 2005). Neste contexto em que o dinamismo do setor produtivo para produzir inovações ainda é baixo e que entre as empresas inovadoras é destacado o papel da universidade é que essa linha de pesquisa foi estruturada. A linha de pesquisa PROPRIEDADE INTELECTUAL E INOVAÇÃO objetiva pesquisar os conceitos, os elementos e os fatores relativos à propriedade intelectual, à transferência e à

4 difusão do conhecimento na sociedade decorrentes das inovações tecnológicas. Os seguintes projetos de pesquisa estão relacionados a ela: Propriedade Intelectual, Tecnologia e Sociedade e Difusão do Conhecimento e Transferência de Tecnologia, com seus respectivos objetivos. INOVAÇÃO EM SAÚDE ANIMAL Biotecnologias são tecnologias que incorporam seres vivos (ou seus produtos derivados) como elementos na produção industrial de bens e serviços o ser vivo pode ser parte de um processo ou de um produto final. Para isso, porém, investimentos em inovação tecnológica, pelo desenvolvimento de novos métodos, processos e produtos, bem como componentes para a sua pesquisa e seu desenvolvimento. Segundo a nova política de desenvolvimento para a área, anunciada em 2007 pelo governo federal, o setor de biotecnologia receberá investimentos de R$ 10 bilhões para produtos inovadores, nos próximos dez anos. A Associação Brasileira das Empresas de Biotecnologia - ABRAPI revela que o faturamento anual do setor está estimado entre R$ 5,4 bilhões e R$ 9 bilhões, sendo o responsável pela geração de 28 mil postos de trabalho, 84% deles alocados em micro e pequenas empresas. Atualmente, a maior parte da demanda global por produtos de biotecnologia deriva de setores econômicos importantes como saúde humana e animal; agroindústria; energia, mineração e meio ambiente; equipamentos, suprimentos e tecnologias para a bioprodução. Existe uma nova tendência entre as principais companhias farmacêuticas do mundo: investir no desenvolvimento de medicamentos para o mercado veterinário. As vendas de medicamentos veterinários vêm crescendo regularmente ano após ano, chegando até a ultrapassar o ritmo de crescimento registrado pelos remédios para humanos. Até 2008, a indústria de insumos para a saúde animal no Brasil deverá ultrapassar a casa dos R$ 3 bilhões, mantido o crescimento atual de 11% ao ano. Em 2005, o setor movimentou mais de R$ 2 bilhões, consolidando o país como o segundo maior mercado do mundo nesse segmento. Desde 1997, quando a receita atingiu R$ 923 milhões, o crescimento chega perto dos 240%, segundo dados do Sindicato Nacional da Indústria de Saúde Animal - Sindan e do Programa de Estudos dos Negócios do Sistema Agroindustrial - Pensa. Em 2004, as quatro maiores empresas do setor respondiam por 36,5% do mercado; o segmento de produtos para bovinos representava 55,6% do mercado, seguidos pelas aves (21,7%). Os pets constituíram apenas 9,3% do total, conforme citado por Natércia, F., Os produtos biológicos, liderados pelas vacinas, e os antimicrobianos figuram entre os mais vendidos. Dentre as vacinas, merecem destaque as que combatem a febre aftosa, representando cerca de 35% do mercado

5 veterinário somente para a bovinocultura (corte e leite). A doença é causada por um vírus e se dissemina com facilidade por ser muito contagiosa. Considerada endêmica em diversas regiões do mundo (Oriente Médio, Ásia, África e América do Sul), atinge bovinos, bubalinos, caprinos, ovinos e suínos. Assim, uma vez presente no rebanho, compromete a comercialização do setor pecuarista como um todo. Atentas às perspectivas do setor, várias empresas decidiram pela expansão e como exemplo pode-se citar o Grupo Ouro Fino, que começou em 2001 a construir novas instalações - a Ouro Fino Saúde Animal Ltda. - em Cravinhos, município paulista vizinho de Ribeirão Preto, onde foram investidos US$ 15 milhões. Mesmo sem atuar em todos os segmentos, a Ouro Fino ocupa a sétima posição no ranking do mercado nacional do setor de saúde animal, tendo como meta alavancar as exportações e entrar em outras especialidades, como a de biológicos. A empresa, formada por capital 100% nacional, foi fundada em 1987, com o nome de Produtos Veterinários Ouro Fino Ltda, para fabricar e comercializar produtos veterinários para saúde animal. À comercialização e à fabricação de produtos, a empresa agregou a pesquisa e o desenvolvimento que, por sua vez, levou ao estabelecimento de parcerias com outros laboratórios privados e ainda universidades e institutos públicos de pesquisa, como a Universidade de São Paulo - USP, a Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG, a Universidade Estadual Paulista, campus de Jaboticabal, e o Instituto Butantan. A Ouro Fino recebe apoio da FINEP, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo - FAPESP e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social - BNDES. Além disso, já existe comprovação de que as inovações voltadas para o setor de saúde animal podem ser aproveitadas no desenvolvimento de medicamentos para humanos. Nesse contexto e a partir das pesquisas que estão sendo desenvolvidas pelos grupos de pesquisa Terapia Celular em Animais, Diagnóstico, Terapia e Profilaxia das Doenças de Equinos e Ruminantes e Clínica, diagnóstico e terapêutica em animais de companhia e selvagens da UCB, foi estruturada esta linha de pesquisa INOVAÇÃO EM SAÚDE ANIMAL que objetiva pesquisar os conceitos, os elementos e os fatores que influenciam no processo de inovação e propriedade intelectual relacionados à biotecnologia aplicada ao agronegócio. Os projetos relacionados a essa linha de pesquisa são: Inovação em Biotecnologia aplicada ao Agronegócio e Propriedade Intelectual em Biotecnologia Aplicada ao Agronegócio, com seus respectivos objetivos.

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