"SubstandArd" e mudança no português do Brasil. Frankfurt am Main: TEM,1998 (5a3 pp.) [Biblioteca Luso-Brasileira; vol. 6]

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1 HENRIQUE BARROSO GROBE, Sybille/ ZIMMERIVÍAN, Klaus (eds.), "SubstandArd" e mudança no português do Brasil. Frankfurt am Main: TEM,1998 (5a3 pp.) [Biblioteca Luso-Brasileira; vol. 6] Separata da Revista on-line CIBERKIOSK I (Abril de 2000) lsite: http: / /

2 GROBE, Sybille/ ZIMMERMAN, Klaus (eds.), "Substandard" e mudafiça no porfuguês do Brasil. Frankfurt am Main: TFM, 1998 (543 pp.) [Biblioteca Luso-Brasileira; vol. 6] HENRIQUE BARIRÔSO (Universidade do Minho) 0. Foi há pouco mais de um ano (Novembro de 1998) que este volume, de 543 páginas, saiu a lume, e espelha o que se passou num Colóquio Internacional subordinado ao tema Substandard e mudança no português do Brasil, que teve lugar, em Outubro de 1997, no Instituto Ibero-Americano de Berlim, Alemanha. Os seus editores (Sybille GroBe e Klaus Zimmermanry ambos professores, respectivamente, das Universidades de Potsdam e Bremen) foram também os organizadores do Colóquio que lhe está na origem, e fizeram-no porque as instituições de pesquisa e ensino alemãs, no âmbito da Filologia Românica, se têm (pre)ocupado quase exclusivamente com o estudo das línguas francesa, espanhola e italiana relegando, consequentementg para um lugar de importância reduzida a língua portugues4 nomeadamente estudos relativos à língua portuguesa falada no Brasil.

3 HENRIQUE BARROSO Fizeram-no, ainda, porque, no Brasil, é cada vez maior o número de investigadores que nos últimos tempos se tem dedicado à matéria em epígrafe. Por isso, e conforme se pode ler no Prefácio (p. 10), foram/ são estes os objectivos do colóquio/ deste volume, e passo a transcrevê-los: -,,dar a conhecer informações e poímenores sobre os estudos efetuados sobre o português do Brasil a um público interessado,» - «estimular a lingüística do português do Brasil na Alemanha para os lingüístas trabalharem mais com os dados empíricos já existentes no Brasil ou para recolherem eles mesmos dados novos no Brasif e» - «apresentar aos colegas brasileiros os trabalhos dos colegas alemães sobre as variedades brasileiras do português.» 1. Klaus Zimmermann dá o mote, isto é, abre esta colectânea de artigos-comunicações corn «"Substandard" lingüístico, hngua não-padrão e mudança no português do Brasil: introdução teórica e metodológica» (pp. 71,-36), chamando, em primeiro [ugar, a atenção para a problemática da terminologia (substandard, subpadrdo, trão-standard, não-padrão; lútgutt padrtío e lingua ndo-padrão; Iíngua culta e língua popular) e respectiva aceitabilidade ou não-aceitabilidade no universo da investigação linguística em gerul el ou germano-brasileira; em segundo lugar, para o conflito social entre a língua padrão e a língua não-padrão [variante linguística ensinada e aprendida nas escolas e a(s) variante(s) linguística(s) trazida(s)/ levada(s) pelos alunos de classes sociais baixas]; em terceiro lugar, para a falsa teoria de a língua não-padrão ser uma derivação da línguapadrão (p. 18:.,De modo nenhum a mudança lingüística pode ser vista como uma degradação de uma língua padrão existente para uma língua não-padrão.»); em quarto lugar, para a questão da mudança linguística e respectivas perspectivações (sócio-linguística e histórico-linguística), implicações teóricas (como funciona a intercompreensão com gramáticas heterogéneas e como lidarn os falantes com este fenómeno linguístico) e causas (adequação dos instrumentos linguísticos

4 GROGE/ ZIMMERMANN, "SUásfandard" e mudança no port. do Brasil às necessidades comunicativas e contacto linguístico); e, por finç para o facto de a mudança linguística ser o resultado de uma relação, muitas vezes extremamente tens4 entre a língua padrão e a língua não-padrão. Porque as variantes brasileiras são tratadas com bastante tolerância por parte da comunidade locutora, a mudança linguística assume aqui um estatuto particular/ diferente, e isso - escreve o A. (p. 28) -por três razões: 1.u «o contato lingüístico, no qual a longa fase da língua geral desempenha um papel importante», 2.u «o ponto de partida para a situação atual são as variedades não-padrão do português que chegaram ao Brasil, s J.a «ürnâ mudança lingüística que só se inicia no Brasil em virtude das realidades geográficas e sociais.» 2. A glosa é constituída por ünte e dois (22) artigos-comunicações, distribuídos por quatro (4) rubricas temáticas, a saber: Aspetos gerais: Castilho, Ataliba T. de, «LÍngua falada e processos gramaticais», pp ; Lucchesi, Dante, «A constituição histórica do português brasileiro como um processo bipolarizador: tendências atuais de mudança nas norma culta e popularr, pp.73-99; Bortoni-Ricardo, Stella Maris, «A análise do português brasileiro em ttês continua: o continuun rural-urbano, o continuum de oralidade-letramento e o continuum de monitoração estilística>>, pp ; Franzke, Lutz, «Aproximações pragmáticas ao discurso do substandardr>, pp A variação gramatical e fonético-fonológica: Naro, Anthon/ I., <<O uso da concordânciaverbalemportuguêssubstandard do Brasil: atualidade e origens», pp ; Scherre, Maria Marta Pereira, «Variação da concordância nominal no português do Brasil: influência das variáveis posição, classe gramatical e marcas precedentes», pp. 153-L88; Duarte, Maria Eugênia Lamoglia, «O sujeito nulo no português do Brasil: de regra obrigatória a regra variável», pp ; Meyer- Hermann, Reinhard, «Utilização e colocação dos pronomes pessoais no português falado do BrasiL indicações duma mudança tipológica em progresso?», pp ; Brandão, Silvia Figueiredo/ Vieira, Silvia Rodrigues, «Aspectos morfossin,

5 táticos da fala de comunidades pesqueiras: um estudo variacionistar>, pp ; Callou, Dinah Maria Isensee, «Um estudoemtempo real em dialeto rural brasileiro: questões morfossintáticasrr, pp ; Barme, SteÍ'an, «Sujeito/ ó- jecto explícito vs. não-realização no português brasileiro e europeu», pp ; Vellasco, Ana Maria de Moraes Sarmento, «Um estudo da variação da preposiçãopara noportuguêsdobrasil", pp. 291,-3'14; Hora, Dermeval da, «Variação lingüísüca no Estado da Paraíba: aspectos fonético-fonológicos>,, pp ; Jungblutfu Konstanze, «O uso dos pronomes demonstrativos em textos semi-orais: o caso dos folhetos nordestinos do Brasil»>, pp ; Mollica, Maria Cecília, «Mecanismos de indeterminação do sistema preposicion al>r, pp Aspetos dialetais e crioulos: Couto, Hildo Honório do,..falar capelinhense: umdialeto conservador do interior de Minas Gerais», pp.371,-391,; Vandresery Paulino, «Algumas indicações de mudança em curso no português falado na Região Sul", pp ; Perl, Matthias, «Português popular brasileiro (PPB) e espafrol popular caribefro (EPC): L2, resultado do substrato ou semi-crioulo?», pp A língua não-padrão em textos escritos e na língua culta: Gârtner, Eberhard, «Elementos do substandard na linguagem falada culta», pp. 431,-462; GroGe, Sybille, "Substand.ard, literatura e ficção: algumas reflexões metodológicas e análise dos pronomes»z pp ; BierbaclU Mechtild, «Padrão e subpadrão em gramáticas e obras didáticas da língua portuguesa no Brasil», pp ; Schmidt-Radefeldt, "A descrição diassistemática e a sua marcação lexicográfica em dicionários brasileiros e outros», pp Esta colectânea de estudos sobre o porfuguês do Brasit apesar das diferentes ortografias (brasileir4 porfuguesa e, às vezes, mista!) e com um número considerável de gralhas (trtassim), éam/aexcelente documento/ obra de consulta obrigatório I apara aqueles que desejam ir mais fundo no conhecimento da realidade linguística da(s) variante(s) brasileira(s) do português.

6 GROBE/ ZIMMERMANN, "Szbsúandard" e mudança no port. do Brasil É um liwo que pode interessar (a) vários públicos - não tenho dúvidas. Todavia, o seu principal interlocutor são os linguistas, quer aqueies cuia área de pesquisa se prende com a mudança lingufutica enquanto fenómeno das línguas em geral, quer sobretudo os que se ocupam do português americano. Para além disso, é um volume que ajuda a melhor perceber/ captar as profundas diferenças que hoje se observam entre o português brasileiro e o português europeu. Para terminar: eis uma boa maneira de celebrar os 500 anos da chegada dos porfugueses a Terras de Vera Cruz- a causa primeira desta variante tão característica da língua portuguesa.

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