AÇÕES EDUCATIVAS PEDAGÓGICAS PARA UMA PRÁTICA ALIMENTAR SAUDÁVEL NA ESCOLA PÚBLICA 1

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1 AÇÕES EDUCATIVAS PEDAGÓGICAS PARA UMA PRÁTICA ALIMENTAR SAUDÁVEL NA ESCOLA PÚBLICA 1 SACCOL, Ana Freitas³; WINTER, Claudia Cristina 5 ; BERTOLDO, Janice Vidal 2 ; PASETTO, Luciane Zamberlan 4 ; FLORÊS, Priscila da Trindade 5 ; PUCCI, Vanessa Rodrigues 5. ¹ Trabalho de Extensão_UNIFRA. ² Professor do Curso de Pedagogia do Centro Universitário Franciscano (UNIFRA), Santa Maria, RS, Brasil. 3 Professor do Curso de Nutrição do Centro Universitário Franciscano (UNIFRA), Santa Maria, RS, Brasil. 4 Acadêmica, do Curso de Pedagogia do Centro Universitário Franciscano (UNIFRA), Santa Maria, RS, Brasil. 5 Acadêmicas, do Curso de Nutrição do Centro Universitário Franciscano (UNIFRA), Santa Maria, RS, Brasil RESUMO Este estudo refere-se à interlocução das áreas de conhecimento da pedagogia e nutrição. Pretende-se defender um Programa Educativo para seis Escolas Públicas do município de Santa Maria (RS) a respeito da alimentação saudável. Propõe-se [re]significar a pesquisa educacional no sentido de realizar um trabalho interdisciplinar e multiprofissional. A partir da investigação teremos a tabulação dos dados diagnósticos, e assim se estará propondo o Programa Educativo às Escolas participantes do estudo com a especificidade na alimentação saudável a partir de intervenções com planejamento de atividades educativas pedagógicas.o estudo justifica-se pela preocupação com a prática de uma alimentação saudável desde a infância tendo como objetivos, avaliar a rotina alimentar de alunos durante o período escolar e promover hábitos alimentares saudáveis por meio de atividades de educação nutricional junto à comunidade escolar. Tendo como primeiro resultado a modificação dos hábitos alimentares dos alunos e o envolvimento ativo de todos os participantes do projeto. PALAVRAS-CHAVE: Ações educativas pedagógicas, Prática alimentar saudável, Escola pública, Saúde e educação, Atividades lúdicas. 1. INTRODUÇÃO Este é um trabalho que tem sua origem vinculada a um Projeto de PROBIC, portanto um PROBEX da Instituição de Ensino Superior Unifra. Na proposição de efetivar-se um estudo interdisciplinar e multiprofissional agregaram-se as áreas e Cursos da Pedagogia e Nutrição, visando à produção de um Programa Educativo de alimentação saudável para seis (06) Escolas Públicas do município de Santa Maria (RS) indicadas pela 8ª Coordenadoria Regional de Educação para o Estágio em Alimentação Escolar realizado junto aos alunos do 5º semestre do Curso de Nutrição, com dois (02) grupos de alunos por Escola. O Projeto PROBIC intitula-se, Rotina alimentar de alunos no âmbito escolar, em que tem por objetivo geral, avaliar a rotina alimentar de alunos durante o período escolar, e específicos: investigar quantitativamente e qualitativamente os alimentos levados pelos alunos para escola, verificar a aceitação da alimentação fornecida pela escola, avaliar os alimentos comprados pelos alunos no âmbito escolar. E justifica-se pela preocupação com a

2 2 prática de uma alimentação saudável desde a infância fornece níveis ideais de saúde, crescimento e desenvolvimento intelectual, participando efetivamente na melhora do seguimento educacional, por reduzir os déficits de atenção causados pelas deficiências nutricionais. No momento que segue, daremos destaque ao detalhamento do Projeto PROBEX, intitulado Ações educativas pedagógicas para uma prática alimentar saudável na Escola Pública, justamente por ser aquele no qual a autora deste artigo é responsável de forma direta, por tê-lo criado e por ser o que irá desenvolver efetivamente neste universo de ambos os Projetos delineados. Na fase escolar as necessidades nutricionais são determinadas pelo crescimento e desenvolvimento da criança, no caso de uma nutrição inadequada poderá levar a desnutrição ou obesidade, anemia, carência de vitamina e outros distúrbios nutricionais (MACEDO; BELLO; PALHA, 2002). De acordo com a Pesquisa de Orçamento Familiar (POF) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) o excesso de peso e a obesidade são encontrados com grande frequência, a partir de cinco (05) anos de idade, em todos os grupos de renda e em todas as regiões brasileiras (BRASIL, 2010). As escolhas alimentares na fase escolar dependem da história, cultura e ambiente, bem como das necessidades orgânicas de energia e nutrientes, por isso, família, amigos, escola e crenças representam fatores importantes das escolhas alimentares pessoais (LOPES; BRASIL, 2003). O consumo de alimentos é uma necessidade fisiológica e a alimentação adequada oferece ao corpo a energia necessária para o desempenho de suas funções, contribuindo com a saúde e o estilo de vida do ser humano. As crianças são mais suscetíveis a apresentar desequilíbrios nutricionais, devido ao aumento das necessidades de nutrientes em função do seu acentuado desenvolvimento físico (CONCEIÇÃO et al., 2010). A formação dos hábitos alimentares se processa de modo gradual, principalmente durante a primeira infância, então necessitando de mudanças nos hábitos inadequados e que sejam alcançados por meio de orientações corretas. Não se deve esquecer que nesse processo também estão envolvidos valores culturais, sociais, afetivos, emocionais e comportamentais, que precisam ser cuidadosamente integrados às propostas de mudanças (BRASIL, 2006). O acesso às informações corretas sobre alimentação na infância é fundamental, onde a escola representa um espaço propício à formação de hábitos alimentares saudáveis, e este processo é relevante iniciar-se na própria sala de aula com a interlocução dos conteúdos trabalhados pela professora, estendendo-se posteriormente a outros segmentos da Escola.

3 3 Nesta mesma linha as orientações aos familiares com programas de ciclo de palestras instrucionais, ou rodas de conversas informais com os profissionais da área em parceria com as professoras, são estratégias educacionais viáveis de serem concretizadas via Escola. Assim, torna-se importante conhecer a qualidade da alimentação de crianças para desenvolver ações de promoção de hábitos alimentares saudáveis, visto que estão em um período que podem ser influenciadas tanto do ponto de vista negativo como do positivo. A infância parece ser uma fase em que se encontram condições ideais para mudanças de hábitos alimentares e estilos de vida, que poderão repercutir no futuro em escolhas mais saudáveis (MOLINA et al., 2010). Pesquisas que utilizaram educação nutricional como uma das estratégias de intervenção relataram melhora nos conhecimentos nutricionais, atitudes e comportamento alimentar, influenciando também nos hábitos alimentares da família (MULLER et al., 2001; PÉREZ-RODRIGO, 2001; TRICHES, GIUGLIANI, 2005). Promover hábitos alimentares saudáveis por meio de atividades de educação nutricional junto à comunidade escolar, é o objetivo geral do Projeto e os específicos são: confeccionar e dinamizar jogos educativos com materiais recicláveis; elaborar e aplicar uma dramatização com enfoque na alimentação saudável; realizar ações educativas junto aos professores dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental; promover oficinas sobre alimentação saudável com familiares. 2. METODOLOGIA O presente projeto está sendo desenvolvido em 6 escolas públicas do município de Santa Maria (RS) indicadas pela 8ª Coordenadoria Regional de Educação para o Estágio em Alimentação Escolar realizado junto aos alunos do 5º semestre do Curso de Nutrição. As atividades previstas serão trabalhadas no período de abril de 2012 a março de O Programa de Educação Nutricional e Alimentar está sendo aplicado em uma amostra turmas 2º anos sorteadas em cada escola de aplicação do estágio. Para promover hábitos alimentares saudáveis por meio de atividades de educação nutricional junto à comunidade escolar, inicialmente foi realizado um diagnóstico completo, tanto quanto aos recursos estruturais disponíveis na instituição, quanto aos aspectos relacionados à população alvo, ou seja, alunos, familiares e professores. Após a análise detalhada dos resultados obtidos no diagnóstico institucional e populacional estão sendo planejadas e executadas ações educativas em alimentação e nutrição em todas as escolas envolvidas no projeto. As atividades serão desenvolvidas entre maio e junho; outubro e novembro de Destaca-se que serão realizadas atividades uma vez por semana, no turno da manhã, sendo um total de 8 atividades educativas por turma em cada semestre.

4 4 Estão sendo priorizadas as atividades de confecção de dinamização de jogos educativos com materiais recicláveis, bem como a elaboração e aplicação de uma dramatização com enfoque na alimentação saudável. Também estão previstas ações educativas junto aos professores dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental e a promoção de oficinas sobre alimentação saudável com os familiares. Salienta-se que serão utilizadas atividades lúdicas, justamente por ser a linguagem de compreensão de mundo por parte dessa faixa etária a ser atendida, portanto uma forma metodológica adequada ao entendimento da população envolvida. Como primeira forma de interferência, foi realizado pelas monitoras do projeto ações que relatem todas as formas de alimentação encontradas no diagnóstico anteriormente feito, assim se realizou uma dinâmica denominada Tapete Contador de Histórias, sendo a partir dele contado uma história sobre boa alimentação, hábitos saudáveis e higiene em todas as escolas envolvidas no projeto. O lúdico enquanto recurso pedagógico deve ser encarado de uma forma séria e verdadeira, pois como afirma ALMEIDA (1994), o sentido real, verdadeiro, funcional da educação lúdica estará garantida, se o educador estiver preparado para realizá-lo. Assim para melhor atendimento, a Pedagogia trabalha ativamente nesse processo dando suporte lúdico e metodológico para o curso de Nutrição auxiliando nas interferências julgadas necessárias a cada resultado obtido mostrando-se ai a inovação pela junção de um curso de licenciatura e um de saúde, onde ambos estão envolvidos juntamente e buscando os resultados em um só projeto de modo diferenciado. Para o planejamento de cada ação educativa está sendo utilizado um modelo simples de cronograma, com as seguintes informações: data e horário da atividade, título, turma envolvida, local de aplicação e resultado esperado. Somente após a aprovação do cronograma pelos responsáveis da escola em questão é que as atividades vêm sendo realizadas. Nos meses de julho e dezembro, significa ao final de cada semestre de aplicação do trabalho será realizada a avaliação e discussão detalhada dos resultados obtidos com as atividades educativas. Vale destacar que todas as escolas participantes do estudo receberão retorno quanto aos resultados obtidos, assim como os responsáveis pelos alunos participantes. As atividades previstas para o desenvolvimento do projeto são: 1. Capacitação do bolsista 2. Aplicação da Lista de Avaliação 3. Planejamento das Adequações 4. Desenvolvimento de material educativo 5. Capacitação junto aos estagiários da nutrição

5 5 6. Avaliação da Capacitação 7. Ações educativas pedagógicas junto à comunidade escolar 8. Apresentação resultados parciais 9. Tabulação e análise dos resultados 10. Redação do trabalho final 11. Envio do Artigo para Revista indexada 3. RESULTADOS E DISCUSSÕES Não se tem dados finais, pois o projeto ainda está no início da sua execução. O que se tem como resultados são as influências do meio na forma de como ocorre à alimentação pelas crianças e a informação como principal aliado. Com a primeira interferência de avaliação nas escolas pode-se notar o envolvimento ativo dos participantes e das professoras regentes das turmas, podendo-se apontar como primeiras mudanças gradativas o hábito de alimentação, tendo como foco a merenda escolar. Os envolvidos estão aos poucos se mostrando receptivos e modificando suas escolhas sendo um processo lento, mas contínuo. Percebe-se que estamos colaborando para a melhor alimentação dessas crianças em sua saúde, como as práticas escolares. A interlocução dos Cursos de Pedagogia e Nutrição é o ponto chave para desenvolver um bom trabalho, pois ambos os conhecimentos se completam e a todo momento a parte pedagógica é necessária para as mediações educativas perante as classes escolares. 4. CONCLUSÕES O acesso às informações corretas sobre alimentação na infância é fundamental para a formação de hábitos alimentares saudáveis, onde a escola representa um espaço propício, sendo importante conhecer a qualidade da alimentação das crianças e mostrar novas formas de como se alimentar, para além de saudável, mas também prazerosa. Sendo assim, acredita-se que criança bem alimentada se faz essencial para seu desenvolvimento cognitivo e intelectual, mostrando maior rendimento na escola e melhor concentração, melhorando assim a sua construção do conhecimento perante as propostas a ela apresentada. 5. REFERÊNCIAS ALMEIDA, Paulo Nunes de. Educação lúdica: técnicas e jogos pedagógicos. 5ª ed.são Paulo:Loyola, 1994.

6 BRASIL. Ministério da Saúde. Guia alimentar infantil para população brasileira: promovendo a alimentação saudável. Brasília: Ministério da Saúde, Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Pesquisa de Orçamentos Familiares : Despesas, Rendimentos e Condições de Vida. IBGE, Rio de Janeiro; CONCEIÇÃO, Sueli Ismael Oliveira da et al. Consumo alimentar de escolares das redes pública e privada de ensino em São Luís, Maranhão. Revista de Nutrição. v.26, n.6, p , LOPES, Fábio Ancona; BRASIL, Anne Lise Dias. Nutrição e Dietética em Clínica Pediátrica. São Paulo: Atheneu, Cap.15, p MACEDO, Cristiane A. Pinto; BELLO, Karine Lamas; PALHA, Amorim G. A criança que não come: guia de tratamento e prevenção. São Paulo: Atheneu, MOLINA, Maria Del Carmem Bisi et al. Preditores socioeconômicos da qualidade da alimentação de crianças. Revista de Saúde Pública. v.44, n.5, p , Disponível em: < Acesso em: 29 de agosto de MULLER, M. J. et al. Preventions of obesity: it is possible? Obes. Rev., v. 2, p , PÉREZ-RODRIGO, C.; ARANCETA, J. School-based nutrition education: lessons learned and new perspectives. Publ. Health Nutr., v. 4, p , TRICHES, R. M.; GIUGLIANI, E. R. J. Obesidade, práticas alimentares e conhecimentos de nutrição em escolares. Rev. Saúde Pública, São Paulo, v. 39, n. 4, p , 2005.

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