A RESPONSABILIDADE TRABALHISTA DA CONCESSIONÁRIA DE SERVIÇOS PÚBLICOS: configuração jurídico-normativa e limites

Tamanho: px
Começar a partir da página:

Download "A RESPONSABILIDADE TRABALHISTA DA CONCESSIONÁRIA DE SERVIÇOS PÚBLICOS: configuração jurídico-normativa e limites"

Transcrição

1 A RESPONSABILIDADE TRABALHISTA DA CONCESSIONÁRIA DE SERVIÇOS PÚBLICOS: configuração jurídico-normativa e limites GUSTAVO JUSTINO DE OLIVEIRA Pós-doutor em Direito Administrativo pela Universidade de Coimbra. Doutor em Direito do Estado pela USP. Justino de Oliveira Advogados Associados. ANA CAROLINA HOHMANN Advogada em Curitiba-PR. Justino de Oliveira Advogados Associados 1. CONSULTA CONCESSIONÁRIA DE SERVIÇO PÚBLICO, pessoa jurídica de direito privado, concessionária de serviço público federal de transporte ferroviário de carga, formula-nos consulta com a finalidade de obter esclarecimentos e orientações jurídicas sobre a extensão e os limites de sua responsabilidade judicial referente a débitos trabalhistas e cíveis, decorrentes de litígios envolvendo reclamatórias trabalhistas e demandas de cobrança de valores referentes a parcelas vinculadas ao contrato de arrendamento de bens firmado com a extinta Rede Ferroviária Federal S.A RFFSA. Apontando que a problemática envolveria também outras concessionárias de serviço público federal de transporte ferroviário de carga, coloca em relevo inúmeras dificuldades atualmente enfrentadas pela CONCESSIONÁRIA DE SERVIÇO PÚBLICO, perante a Justiça Trabalhista. Dentre os percalços de maior gravidade, estariam aqueles relacionados a reclamatórias trabalhistas ajuizadas em período anterior ao contrato de concessão de 1

2 serviço público de transporte ferroviário de carga firmado com a União Federal, 1 originalmente propostas em face da extinta RFFSA, processos judiciais aos quais a CONCESSIONÁRIA DE SERVIÇO PÚBLICO somente teria sido integrada nas fases de execução das sentenças. Nesse cenário, registra a concessionária de serviço público federal que freqüentemente depara-se com ao menos uma das 3 (três) situações a seguir elencadas: (i) a RFFSA é excluída da lide e a execução prossegue somente em face da CONCESSIONÁRIA DE SERVIÇO PÚBLICO, ocorrendo, inclusive, penhora de valores em contas correntes da CONCESSIONÁRIA DE SERVIÇO PÚBLICO; (ii) a RFFSA é mantida no pólo passivo, porém com a condenação em responsabilidade meramente subsidiária, havendo portanto penhora de valores em contas correntes da CONCESSIONÁRIA DE SERVIÇO PÚBLICO; e (iii) a RFFSA é condenada solidariamente pelos débitos assim como a CONCESSIONÁRIA DE SERVIÇO PÚBLICO, arcando a concessionária de serviço público federal com os passivos trabalhistas correspondentes. Sustenta que para todas as hipóteses acima descritas, por ocasião do recebimento de eventuais mandados de citação e de penhora, o procedimento adotado pela CONCESSIONÁRIA DE SERVIÇO PÚBLICO vem sendo o de oferecer à penhora determinados créditos da extinta RFFSA, correspondentes a parcelas trimestrais a esta devidas pela CONCESSIONÁRIA DE SERVIÇO PÚBLICO, em virtude de obrigações assumidas no antes mencionado contrato de arrendamento de bens. Ainda diante dessas hipóteses, aduz que, de um lado, vem peticionando nos processos judiciais, pugnando ao magistrado trabalhista competente que determine a formalização, de um lado, da penhora dos mencionados créditos da 1 Em X de X de 19XX, a CONCESSIONÁRIA DE SERVIÇO PÚBLICO, firmou com a UNIÃO FEDERAL um Contrato de Concessão de Serviço Público, com o prazo de 30 (trinta) anos, o qual tem por objeto a delegação da execução do serviço público federal de transporte ferroviário de carga. No mesmo dia, a CONCESSIONÁRIA DE SERVIÇO PÚBLICO firmou com a extinta REDE FERROVIÁRIA S/A RFFSA, o Contrato de Arrendamento n. XXX/9X, cujo objeto consiste no arrendamento pela RFFSA, à ARRENDATÁRIA, dos bens operacionais descritos nos Anexos I e II que integram este instrumento, para serem usados na prestação do TRANSPORTE FERROVIÁRIO na FAIXA DE DOMÍNIO DA MALHA L, objeto da CONCESSÃO. O Parágrafo Segundo da Cláusula Primeira do Contrato de Arrendamento n. 005/97 dispõe que "o arrendamento é feito com vinculação expressa e direta ao Contrato de Concessão, celebrado nesta data entre a CONCEDENTE E A CONCESSIONÁRIA,..." (grifamos). 2

3 RFFSA, para a quitação do passivo de responsabilidade proporcional ou integral da RFFSA; de outro lado, vem efetuando diretamente o pagamento correspondente a eventuais débitos, desde que reconhecidamente sejam de sua direta responsabilidade. Entretanto, com fundamento na Orientação Jurisprudencial n. 225, da Seção de Dissídios Individuais 1 do Tribunal Superior do Trabalho, a CONCESSIONÁRIA DE SERVIÇO PÚBLICO esclarece que os magistrados trabalhistas vêm considerando ser a concessionária de serviço público federal a sucessora da extinta RFFSA, e por via de conseqüência, a responsável direta pelos direitos decorrentes do contrato de trabalho, cumprindo à extinta RFFSA unicamente a responsabilidade subsidiária pelos débitos trabalhistas contraídos até o ajustamento do contrato de concessão de serviço público. Apresentados os principais contornos da problemática, a CONCESSIONÁRIA DE SERVIÇO PÚBLICO pretende sejam respondidas as seguintes indagações: (i) Qual o procedimento legal que devemos adotar após a penhora em conta corrente da CONCESSIONÁRIA DE SERVIÇO PÚBLICO e levantamento dos valores pelos reclamantes para evitar que a CONCESSIONÁRIA DE SERVIÇO PÚBLICO venha a arcar com passivo da RFFSA e não consiga cobrar?; (ii) Existe algum procedimento legal que a CONCESSIONÁRIA DE SERVIÇO PÚBLICO deve adotar para compensar tais valores, independentemente de decisão judicial, com as futuras parcelas de arrendamento, sem correr o risco de ser declarada a caducidade dos respectivos contratos de concessão? (iii) Existe alguma tese a ser apresentada no judiciário, principalmente trabalhista, para que a penhora de crédito seja aceita e reduza a penhora em conta corrente da CONCESSIONÁRIA DE SERVIÇO PÚBLICO em relação aos processos de responsabilidade RFFSA? (iv) Existe alguma medida judicial específica a ser adotada pela CONCESSIONÁRIA DE SERVIÇO PÚBLICO? 3

4 (v) Qual seria a forma mais rápida (administrativamente) para solucionar tal situação? (vi) Caso a CONCESSIONÁRIA DE SERVIÇO PÚBLICO efetue as compensações das parcelas de arrendamento com os processos que estão sendo pagos pela mesma, mediante quitação ou penhora em conta corrente, existe o risco do Tesouro Nacional cobrar da CONCESSIONÁRIA DE SERVIÇO PÚBLICO a multa de 10% prevista no Contrato de Arrendamento, alegando descumprimento contratual? (vii) Existe alguma diferença no tratamento a ser dado para os casos de quitação do processo, com arquivamento do mesmo e nos casos de penhora em conta corrente? (viii) Ocorre o enfraquecimento legal da CONCESSIONÁRIA DE SERVIÇO PÚBLICO ao efetuar acordo nos processos trabalhistas que constam a CONCESSIONÁRIA DE SERVIÇO PÚBLICO e RFFSA no pólo passivo, ou somente CONCESSIONÁRIA DE SERVIÇO PÚBLICO, e a RFFSA não aceitar tal acordo? Com a finalidade de melhor solucionar as dúvidas levantadas, entendemos ser pertinente tecer considerações a respeito das recentes inovações normativas relativas à extinção da RFFSA, notadamente daquelas inseridas na Lei Federal n , de 31 de maio de 2007, e no Decreto n , de 22 de janeiro de Na seqüência, passaremos à análise da problemática (a) sob o ponto de vista das regras contidas na Lei Federal n , de 13 de fevereiro de 1995 (Lei de Concessões), e na Lei Federal n , de 09 de setembro de 1997 (Lei relativa ao Programa Nacional de Desestatização), e (b) sob a ótica da legislação e jurisprudência trabalhistas, partindo para as conclusões finais, com a resposta das indagações formuladas pela CONCESSIONÁRIA DE SERVIÇO PÚBLICO. 4

5 2. PARECER 2.1 O Novo Panorama Jurídico-Normativo Definidor da Extinção da Rede Ferroviária Federal S.A RFFSA Dos antecedentes normativos à edição da Medida Provisória n. 353, de 22 de janeiro de 2007, do Decreto n , de 22 de janeiro de 2007 e da Lei federal n , de 31 de maio de 2007 O Decreto n , de 07 de dezembro de 1999, determinou em seu art. 1º, que fica dissolvida a Rede Ferroviária Federal S.A. - RFFSA, incluída no Programa Nacional de Desestatização pelo Decreto n. 473, de 10 de março de Por seu turno, o art. 23 da Lei Federal n , de 12 de abril de 1990, explicitou que a União sucederá a entidade, que venha a ser extinta ou dissolvida, nos seus direitos e obrigações decorrentes de norma legal, ato administrativo ou contrato, bem assim nas demais obrigações pecuniárias. A conversão da Medida Provisória n. 353, de 22 de janeiro de 2007, integrante do Programa de Aceleração do Crescimento PAC, na Lei federal n , de 31 de maio de 2007, tornou definitiva a extinção da Rede Ferroviária Federal S.A. RFFSA, sociedade de economia mista instituída com base em autorização da Lei n /57, e que se encontrava em processo de liquidação desde dezembro de Para fins de regulamentação da Medida Provisória n. 353/07, foi editado o Decreto n , de 22 de janeiro de 2007, o qual, entre outros tópicos, dispõe sobre a estrutura e o prazo de duração do processo de Inventariança da RFFSA, assim como sobre as atribuições do inventariante. Em geral, as atuais atribuições finalísticas da RFFSA passaram a ser de titularidade do DNIT, com atuação complementar da ANTT nas atividades de 5

6 fiscalização dos contratos de concessão e dos bens arrendados à empresa concessionária. 2 Conforme o artigo 2º da Lei federal n /07, a União será a sucessora da RFFSA nos direitos, obrigações e ações judiciais de que esta seja autora, ré, assistente, opoente ou terceira interessada. Ao Inventariante, nos termos do art. 3º, inc. I, do Decreto n /07, caberá representar a União, na qualidade de sucessora da extinta RFFSA, nos atos administrativos necessários à Inventariança, podendo também celebrar, prorrogar e rescindir contratos administrativos, convênios e outros instrumentos, quando houver interesse da administração As determinações normativas da Lei federal n , de 31 de maio de 2007, e do Decreto n , de 22 de janeiro de 2007, aplicáveis à disciplina dos processos judiciais envolvendo a extinta RFFSA Entretanto, as ações judiciais relativas aos empregados ativos da extinta RFFSA integrantes (a) do quadro de pessoal próprio e (b) do quadro de pessoal agregado (oriundo da ferrovia Paulista S.A. FEPASA), em que a extinta RFFSA seja autora, assistente, ré, terceira interessada ou opoente, ficam transferidas à VALEC - Engenharia, Construções e Ferrovias S.A., empresa da União controladora da Ferrovia Norte-Sul, nos termos do art. 17, inc. II, da Lei federal n /07. A Lei federal n /07 igualmente disciplina o destino dos empregados da RFFSA no momento de sua extinção, os quais terão seus contratos de trabalho transferidos à Valec, a qual assumirá a posição de sucessora trabalhista da RFFSA, nos seguintes termos: Art. 17. Ficam transferidos para a Valec: I sendo alocados em quadros de pessoal especiais, os contratos de trabalho dos empregados ativos da extinta RFFSA integrantes: 2 É nesse sentido a Exposição de Motivos Interministerial n o 00005/MT/MP/MF/AGU. Para maiores informações sobre as novas regras envolvendo a extinção da RFFSA, cf. OLIVEIRA, Gustavo H. Justino de; HOHMANN, Ana Carolina C. O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e a extinção da Rede Ferroviária Federal S.A. Fórum de Contratação e Gestão Pública FCGP, Belo Horizonte, a. 6, n. 64, p , abr

7 a) do quadro de pessoal próprio, preservando-se a condição de ferroviário e os direitos assegurados pelas Leis n os 8.186, de 21 de maio de 1991, e , de 28 de junho de 2002; e b) do quadro de pessoal agregado, oriundo da Ferrovia Paulista FEPASA; 1º A transferência de que trata o inciso I do caput deste artigo dar-se-á por sucessão trabalhista e não caracterizará rescisão contratual. Quanto à representação em juízo nas ações em que é parte a extinta RFFSA - com exceção das ações judiciais referentes aos seus empregados ativos, as quais são transferidas à VALEC, por força do art. 17, incs. I e II, da Lei federal n /07 - esta passará a ser responsabilidade da Advocacia Geral da União, nos termos art. 2º, caput e parágrafo único, da Lei federal n /07: Art. 2º. A partir de 22 de janeiro de 2007: I a União sucederá a extinta RFFSA nos direitos, obrigações e ações judiciais em que seja autora, ré, assistente, opoente ou terceira interessada, ressalvadas as ações de que trata o inciso II do caput do artigo 17 desta Lei; e: (...) Parágrafo único. Os advogados ou escritórios de advocacia que representavam judicialmente a extinta RFFSA deverão, imediatamente, sob pena de responsabilização pessoal pelos eventuais prejuízos que a União sofrer, em relação às ações a que se o inciso I do caput: I peticionar em juízo, comunicando a extinção da RFFSA e requerendo que todas as citações intimações passem a ser dirigidas à Advocacia-Geral da União; e II repassar às unidades da Advocacia-Geral da União as respectivas informações e documentos. Por via de conseqüência, estabelece o art. 5º, inc. I, do Decreto n /07, que durante o processo de inventariança serão transferidos: I - à Advocacia-Geral da União, na qualidade de representante judicial da União, à medida que forem requisitados, os arquivos e acervos documentais relativos às ações 7

8 judiciais, em que a extinta RFFSA seja autora, ré, assistente, opoente ou terceira interessada, que estejam tramitando em qualquer instância, inclusive aquelas em fase de execução, ressalvado o disposto no inciso II do art. 17 da Medida Provisória nº 353, de 2007; (...). Idêntico procedimento ao disciplinado no art. 2º, parágrafo único, da Lei federal n /07, deve se adotado no tocante às ações de natureza trabalhista, pelos advogados ou pelos escritórios de advocacia que anteriormente representavam a RFFSA em juízo, devendo estes peticionarem informando a extinção dessa sociedade de economia mista, que são transferidas à Valec. É nesse sentido o disposto no parágrafo sexto do artigo 17 da Lei federal n /07: Art. 17. Ficam transferidos para a Valec: (...) II as ações judiciais relativas aos empregados a que se refere o inciso I do caput deste artigo em que a extinta RFFSA seja autora, ré, assistente, opoente ou terceira interessada; (...) 6º. Os advogados ou escritórios de advocacia que representavam judicialmente a extinta RFFSA nas ações a que se refere o inciso II do caput deste artigo deverão, imediatamente, sob pena de responsabilização pessoal pelos eventuais prejuízos causados: I peticionar em juízo, comunicando a extinção da RFFSA e a transferência dos contratos de trabalho para a Valec, requerendo que todas as citações intimações passem a ser dirigidas a esta empresa; e II repassar às unidades da Valec as respectivas informações e documentos sobre as ações de que trata o inciso II do caput deste artigo. Diante disso, durante o processo de inventariança regulamentado pelo Decreto n /07, deverão ser transferidos à VALEC, a) os contratos de trabalho dos empregados ativos do quadro próprio da extinta RFFSA, na forma do disposto no inciso I do caput do art. 17 da Medida Provisória nº 353, de 2007, bem como os documentos necessários à gestão da respectiva folha de pagamento; b) as informações e os documentos referentes às ações judiciais referidas no inciso II do 8

9 caput do art. 17 da Medida Provisória nº 353, de 2007; e c) o acervo documental e demais informações referentes ao patrocínio da REFER, nos termos do art. 18 da Medida Provisória n o 353, de 2007 (art. 5º, inc. VI, do Decreto n /07...) As implicações do novo quadro jurídico-normativo nos processos judiciais de natureza trabalhista, nos quais a extinta RFFSA seja autora, ré, assistente, opoente ou terceira interessada A principal implicação decorrente do recém-editado quadro jurídiconormativo, no que tange aos processos judiciais de natureza trabalhista em que a extinta RFFSA seja autora, ré, assistente, opoente ou terceira interessada, é a de que coube à VALEC assumir todos os encargos e demais despesas de natureza trabalhista, assim como a ela foram transferidas as demandas judiciais de índole trabalhista, referentemente aos empregados da ativa da extinta RFFSA (Lei federal n /07, art. 17, incs. I e II, c/c 1º). Portanto, eventuais reclamações trabalhistas relativas a funcionários da RFFSA, os quais se tornaram empregados da VALEC com a extinção da sociedade de economia mista, jamais serão assumidas pela CONCESSIONÁRIA DE SERVIÇO PÚBLICO, sendo a VALEC responsável exclusiva, não importando se sua posição é de autora, ré, opoente ou terceira interessada. Todavia, a problemática trazida para análise pela CONCESSIONÁRIA DE SERVIÇO PÚBLICO diz respeito ao que pode ser denominado passivo trabalhista decorrente do contrato de concessão, representado pelas obrigações e quaisquer outros encargos trabalhistas da extinta RFFSA para com os seus empregados que teriam sido absorvidos pela concessionária federal de serviço público de transporte ferroviário de cargas, a partir da data em que se tornou vigente o correspondente contrato de concessão. É o que passará a ser enfrentado a seguir. 2.2 O Contrato de Concessão de Serviço Público Federal de Transporte Ferroviário de Cargas e a Responsabilidade pelo Passivo Trabalhista: A Problemática Sob a Ótica da Aplicação do Art. 175, caput, da 9

10 Constituição de 1988, e das Regras Contidas na Lei Federal n , de 13 de fevereiro de 1995 (Lei de Concessões), e na Lei Federal n , de 09 de setembro de 1997 (Programa Nacional de Desestatização) Firmado entre a União Federal e a CONCESSIONÁRIA DE SERVIÇO PÚBLICO em XX de X de 19XX, o contrato de concessão em destaque - cujo objeto consistiu na transferência da exploração e do desenvolvimento do serviço público de transporte ferroviário de carga MALHA L, constituídas pelas Superintendências Regionais de Y e Z, da extinta RFFSA entrou em vigor em XX de X de 19XX. Conforme foi explicitado, coube ao Decreto n , de 07 de dezembro de 1999, determinar em seu art. 1º, que fica dissolvida a Rede Ferroviária Federal S.A. - RFFSA, incluída no Programa Nacional de Desestatização pelo Decreto n. 473, de 10 de março de Previamente, o art. 23 da Lei Federal n , de 12 de abril de 1990, determinara que a União sucederá a entidade, que venha a ser extinta ou dissolvida, nos seus direitos e obrigações decorrentes de norma legal, ato administrativo ou contrato, bem assim nas demais obrigações pecuniárias. A inserção da RFFSA no Programa Nacional de Desestatização, fato que culminou com a sua extinção por meio da edição da Medida Provisória n. 353, de 22 de janeiro de 2007 posteriormente convertida na Lei federal n , de 31 de maio de 2007 constitui-se em elemento-chave para definir os contornos e os limites da responsabilidade da CONCESSIONÁRIA DE SERVIÇO PÚBLICO, enquanto concessionária de serviço público federal, perante o passivo trabalhista da extinta RFFSA. 3 Nos termos do art. 2º, 1º, da Lei federal n /97, considera-se desestatização: (...) b) a transferência, para a iniciativa privada, da execução de serviços públicos explorados pela União, diretamente ou através de entidades controladas, bem como daqueles de sua responsabilidade. Inafastáveis parâmetros jurídico-normativos para o deslinde da problemática ora enfocada constam nos seguintes artigos da Lei federal n /97: 3 Sobre a temática, cf. WALD, Arnoldo et. al. O direito de parceria e a lei de concessões. 2. ed. São Paulo: Saraiva, p

11 Art. 4º As desestatizações serão executadas mediante as seguintes modalidades operacionais: I - alienação de participação societária, inclusive de controle acionário, preferencialmente mediante a pulverização de ações; II - abertura de capital; III - aumento de capital, com renúncia ou cessão, total ou parcial, de direitos de subscrição; IV - alienação, arrendamento, locação, comodato ou cessão de bens e instalações; V - dissolução de sociedades ou desativação parcial de seus empreendimentos, com a conseqüente alienação de seus ativos; VI - concessão, permissão ou autorização de serviços públicos. VII - aforamento, remição de foro, permuta, cessão, concessão de direito real de uso resolúvel e alienação mediante venda de bens imóveis de domínio da União. (grifamos) (...) Art. 7º A desestatização dos serviços públicos, efetivada mediante uma das modalidades previstas no art. 4 desta Lei, pressupõe a delegação, pelo Poder Público, de concessão ou permissão do serviço, objeto da exploração, observada a legislação aplicável ao serviço. Parágrafo único. Os princípios gerais e as diretrizes específicas aplicáveis à concessão, permissão ou autorização, elaborados pelo Poder Público, deverão constar do edital de desestatização. (grifamos) Decorre do conjunto dos preceitos legais aludido que a inclusão da RFFSA no Programa Nacional de Desestatização, seguida da natural extinção da entidade, consistiram em antecedentes lógicos para que a União Federal pudesse, por meio de contrato de concessão de serviço público, operacionalizar legal e eficazmente a desestatização do serviço público de transporte ferroviário de cargas. 11

12 De acordo com o que prescreve o art. 175, caput, 4 da Constituição de 1988, pressuposto de qualquer contrato de concessão de serviço público é que o serviço público cuja execução será delegada a um terceiro, seja da titularidade de um ente estatal. Dessarte, se um determinado serviço público é da titularidade de um ente estatal, e se este ente estatal o presta diretamente ou mesmo por meio da outorga a uma entidade administrativa, como era a hipótese do serviço de transporte ferroviário de carga, aplicado à extinta RFFSA, anteriormente à implementação de sua desestatização nada mais evidente que corresponder ao ente estatal titular do serviço público a responsabilidade integral por sua prestação, bem como por todos os encargos a ele inerentes, inclusive os de natureza trabalhista. O vínculo existente entre a extinta RFFSA e os seus empregados - anteriormente ao início do ciclo de desestatização do serviço de transporte ferroviário de cargas - era, obviamente, um vínculo direto de emprego. Com o contrato de concessão firmado entre a União Federal e a CONCESSIONÁRIA DE SERVIÇO PÚBLICO, em XX.X.XX, eventuais empregados da RFFSA que tenham passado a integrar os quadros de empregados da CONCESSIONÁRIA DE SERVIÇO PÚBLICO, vieram a constituir-se em responsabilidade direta da CONCESSIONÁRIA DE SERVIÇO PÚBLICO mormente na seara trabalhista tão-somente a partir da entrada em vigor do aludido contrato, ou seja, X de X de 19XX. Eventuais débitos trabalhistas, decorrentes de fatos e situações pretéritas a X de X de 19XX, envolvendo ex-servidores da hoje extinta RFFSA, permaneceram sob a responsabilidade única e exclusiva da RFFSA. Não há como, à luz da legislação de direito público apontada, responsabilizar validamente uma concessionária de serviço público por débitos trabalhistas oriundos de uma relação empregatícia originalmente era formada entre a RFFSA e seus empregados. Inclusive, o próprio Edital de Licitação n. PND/A-XX/9X/RFFSA, o qual estipulou as regras conformadoras da relação contratual referente à concessão dos serviços públicos de transporte ferroviário de cargas da MALHA L, estabeleceu no Capítulo 7, item 7.1 NORMA GERAL e 7.2 PASSIVOS TRABALHISTAS: 4 Art Incumbe ao Poder Público, na forma da lei, diretamente ou sob regime de concessão ou permissão, sempre através de licitação, a prestação de serviços públicos. 12

13 7.1 NORMA GERAL A RFFSA continuará como única responsável por todos os seus passivos, a qualquer título e de qualquer natureza jurídica, obrigando-se a indenizar a CONCESSIONÁRIA os valores que esta venha a pagar, decorrentes de atos e fatos ocorridos antes da assinatura do CONTRATO DE CONCESSÃO, mesmo quando reclamados ou objeto de decisão judicial posteriormente ao evento aqui referido. Caso a CONCESSIONÁRIA seja cobrada ou demandada a cumprir obrigação que, de acordo com o estabelecido no EDITAL, seja de responsabilidade da RFFSA, a CONCESSIONÁRIA deverá, obrigatoriamente, denunciar a lide à RFFSA ou, não sendo possível este procedimento, notificar a RFFSA, por escrito, imediatamente após o seu ingresso no processo. 7.2 PASSIVOS TRABALHISTAS As obrigações trabalhistas da RFFSA para com seus empregados trnasferidos para a CONCESSIONÁRIA, relativas ao período anterior à data da transferência de cada contrato de trabalho, sejam ou não objeto de reclamação judicial, continuarão de responsabilidade da RFFSA. Mesmo que se defenda a existência de uma sucessão de responsabilidade pelos empregados da extinta RFFSA - os quais teriam sido absorvidos pela CONCESSIONÁRIA DE SERVIÇO PÚBLICO a partir do ajustamento do contrato de concessão de serviço público com a União Federal - a CONCESSIONÁRIA DE SERVIÇO PÚBLICO jamais poderia arcar com o passivo trabalhista referente a um período no qual nem mesmo mantinha uma relação empregatícia com os mesmos. Reitere-se, portanto, que a CONCESSIONÁRIA DE SERVIÇO PÚBLICO, enquanto concessionária de serviço público federal, passou a ser responsável pelos empregados da extinta RFFSA no momento em que firmou o contrato de concessão com a União Federal. É o que decorre da aplicação direta dos artigos 25, 2º, e 31, par. único, da Lei federal n /95: Art. 25. Incumbe à concessionária a execução do serviço concedido, cabendo-lhe responder por todos os prejuízos causados ao poder concedente, aos usuários ou 13

14 a terceiros, sem que a fiscalização exercida pelo órgão competente exclua ou atenue essa responsabilidade. 1 o Sem prejuízo da responsabilidade a que se refere este artigo, a concessionária poderá contratar com terceiros o desenvolvimento de atividades inerentes, acessórias ou complementares ao serviço concedido, bem como a implementação de projetos associados. 2 o Os contratos celebrados entre a concessionária e os terceiros a que se refere o parágrafo anterior reger-se-ão pelo direito privado, não se estabelecendo qualquer relação jurídica entre os terceiros e o poder concedente. 3 o A execução das atividades contratadas com terceiros pressupõe o cumprimento das normas regulamentares da modalidade do serviço concedido. (...) Art. 31. Incumbe à concessionária: I - prestar serviço adequado, na forma prevista nesta Lei, nas normas técnicas aplicáveis e no contrato; II - manter em dia o inventário e o registro dos bens vinculados à concessão; III - prestar contas da gestão do serviço ao poder concedente e aos usuários, nos termos definidos no contrato; IV - cumprir e fazer cumprir as normas do serviço e as cláusulas contratuais da concessão; V - permitir aos encarregados da fiscalização livre acesso, em qualquer época, às obras, aos equipamentos e às instalações integrantes do serviço, bem como a seus registros contábeis; VI - promover as desapropriações e constituir servidões autorizadas pelo poder concedente, conforme previsto no edital e no contrato; VII - zelar pela integridade dos bens vinculados à prestação do serviço, bem como segurá-los adequadamente; e VIII - captar, aplicar e gerir os recursos financeiros necessários à prestação do serviço. Parágrafo único. As contratações, inclusive de mão-de-obra, feitas pela concessionária serão regidas pelas disposições de direito privado e pela legislação trabalhista, não se estabelecendo qualquer relação entre os terceiros contratados pela concessionária e o poder concedente. 14

15 A aplicação de tais dispositivos marca meticulosamente o território entre as responsabilidades trabalhistas ANTES e DEPOIS do ajuste do contrato de concessão de serviço público, limitando-se a responsabilidade da concessionária A PARTIR da entrada em vigor do contrato de concessão, e jamais ANTERIORMENTE a ele. Por via reflexa, é o que pode ser inferido da doutrina de Marçal JUSTEN FILHO: É característico da concessão o concessionário assumir pessoalmente o desempenho das atividades correspondentes à prestação do serviço público. Nos limites determinados no contrato, o serviço público passa à exclusiva responsabilidade do concessionário. Isso significa, por um lado, que o poder concedente cessa sua atuação. Por outro, autoriza transferência das atividades para terceiros (respeitados os limites legais e contratuais). Isso não significa obrigatoriedade de o concessionário atuar sempre pessoal e diretamente. O concessionário assume juridicamente a gestão do serviço, com a faculdade de contratar terceiros para o desempenho das atividades pertinentes. 5 Sintetizando o raciocínio aqui apresentado, se é certo que, em decorrência dos dispositivos da legislação de direito público acima elencados, o Poder Concedente jamais poderá ser responsabilizado diretamente em virtude de contratações de mão-de-obra realizadas pela concessionária APÓS a celebração do contrato de concessão de serviço público, do mesmo modo, não há como impingir responsabilidade direta à concessionária em decorrência de contratações firmadas pelo Poder Concedente ANTES da celebração do contrato de concessão de serviço público. Assim, perante a legislação de direito público aplicável ao caso ora em exame, combinada com as cláusulas que regem o contrato de concessão de serviço público de transporte ferroviário de cargas firmado entre a União Federal e a CONCESSIONÁRIA DE SERVIÇO PÚBLICO, as obrigações trabalhistas da RFFSA para com seus empregados à época absorvidos pela CONCESSIONÁRIA DE p JUSTEN FILHO, Marçal. Concessões de serviços públicos. São Paulo: Dialética,

16 SERVIÇO PÚBLICO, relativas ao período pretérito à celebração do ajuste de concessão (X de X de 19XX), deverão ser integralmente suportadas pelo patrimônio da RFFSA. Com a extinção da RFFSA, em razão do disposto no art. 23, da Lei federal n /90, e no art. 2º, da Lei federal n /07, é a União Federal a sucessora legal dos débitos trabalhistas contraídos nos moldes acima indicados, razão pela qual é o patrimônio da União Federal que deverá responder por estas dívidas, nos processos judiciais correspondentes, e não o patrimônio da CONCESSIONÁRIA DE SERVIÇO PÚBLICO. 2.3 O Contrato de Concessão de Serviço Público Federal de Transporte Ferroviário de Cargas e a Responsabilidade pelo Passivo Trabalhista: A Problemática Sob a Ótica do Direito e da Jurisprudência Trabalhistas direito do trabalho A disciplina da sucessão empresarial ou de empregadores no A sucessão de empresas, para fins trabalhistas, recebe um especial tratamento protetivo por parte do ordenamento jurídico. Isto porque a relação de emprego, e por conseqüência as responsabilidades dela decorrentes, não se estabelecem com a pessoa jurídica do empregador, mas sim com um conceito mais abrangente, qual seja, o de empresa. A sucessão trabalhista configura-se quando há alteração na titularidade da empresa ou de parte dela, mantendo-se o conjunto patrimonial afetado a um fim econômico. Tanto no Direito do Trabalho quanto no direito comum, supõe-se uma substituição de sujeitos de uma relação jurídica. A transferência do acervo, como organização produtiva, impõe ao novo empregador a responsabilidade pelos contratos de trabalho concluídos pelo antigo, a quem sucede, não importando a que título. Não é necessária a transferência da propriedade. O caracteriza a sucessão, essencialmente, é o fato objetivo da continuidade da exploração do empreendimento. 16

17 Apesar de os contratos de trabalho, em regra, serem personalíssimos em relação ao empregado, situação diversa ocorre em relação ao empregador. Esta circunstância é inerente à teoria da despersonalização do empregador, com suporte na Consolidação das Leis do Trabalho - CLT, cujo artigo 2º dispõe: Art.2º- Considera-se empregador a empresa, individual ou coletiva, que assumindo os riscos da atividade econômica, admite,assalaria e dirige a prestação pessoal de serviços. A CLT confere tratamento à sucessão trabalhista, em seus artigos 10 e 448, que dispõem no seguinte sentido: Art. 10. Qualquer alteração na estrutura jurídica da empresa não afetará os direitos adquiridos por seus empregados. (...) Art A mudança na propriedade ou na estrutura jurídica da empresa não afetará os contratos de trabalho dos respectivos empregados. Tais dispositivos têm por objetivo proteger o empregado em caso de alteração na estrutura jurídica da empresa ou de troca de sua titularidade, fundamentando-se no princípio da continuidade do contrato de trabalho e na atribuição de eventuais riscos do negócio exclusivamente ao empregador. Assim, garante-se ao trabalhador a satisfação de seus direitos, ainda que haja alteração na titularidade da empresa ou que esta venha a sofrer qualquer outra transformação jurídica. A concepção tradicional da doutrina e da jurisprudência acerca da sucessão trabalhista considera necessários dois requisitos para que o tipo esteja configurado, quais sejam: - que uma unidade econômico-jurídica seja transferidas de um para outro titular; 17

18 - que não haja solução de continuidade na prestação de serviços pelo obreiro. Contudo, atualmente, ante as novas situações fático-jurídicas surgidas no cenário empresarial no final do século XX, dada a reestruturação sofrida pelo mercado empresarial brasileiro, com a ocorrência de privatizações e expansão do mercado financeiro, por exemplo, os dispositivos celetistas passaram a ser compreendidos de forma diversa. Deixou-se de considerar imprescindível a presença do segundo requisito (continuidade na prestação de serviços pelo obreiro), admitindo a mera alteração na titularidade da empresa como caracterizadora da sucessão trabalhista. Maurício Godinho DELGADO atenta para a imprecisão e para a generalidade contidas nos preceitos da CLT que disciplinam a sucessão empresarial. De acordo com ele, tais imprecisão e generalidade é que têm permitido à jurisprudência, hoje, alargar o sentido original do instituto da sucessão trabalhista, de modo a abranger situações anteriormente tidas como estranhas à regência dos arts. 10 e 448 da CLT. Tais novas situações (tornadas comuns, no último lustro do milênio, pela política oficial de reestruturação do sistema financeiro e pela política oficial de privatizações, por exemplo) conduziram a jurisprudência a reler os dois preceitos celetistas, encontrando neles um tipo legal mais amplo do que o originalmente concebido pela doutrina e jurisprudência dominantes 6. E prossegue o autor: Para essa nova interpretação, o sentido do instituto sucessório trabalhista residem na garantia de que qualquer mudança intra ou interempresarial não poderá afetar os contratos de trabalho (arts. 10 e 448, CLT). O ponto central do instituto passa a ser qualquer mudança intra ou interempresarial significativa que possa afetar os contratos empregatícios. Verificada tal mudança, operar-se-ia a sucessão trabalhista independentemente da continuidade efetiva da prestação laborativa 7. Este entendimento é compartilhado por Adriana Goulart de SENA, ao afirmar: 6 DELGADO, Maurício Godinho. Curso de Direito do Trabalho. São Paulo: LTR, 2003, 2ª ed., p Ibid., p

19 (...) a sucessão trabalhista opera uma assunção (ope legis) dos direitos e obrigações contratuais do antigo empregador para o sucessor (novo titular do estabelecimento ou da empresa). Em outras palavras, créditos e débitos do sucedido são assumidos pelo novo titular, automaticamente em decorrência da lei, passando a responder, imediatamente, pelos efeitos passados, presentes e futuros relativamente aos contratos laborais que lhe foram transferidos. Este efeito, conforme enfatizado decorre da lei, assim é o novo empregador que responde pelos contratos de trabalho concluídos pelo antigo, a quem sucede, em razão da aquisição da organização produtiva. (...) Se os contratos foram transferidos, ou seja, se houve continuidade da prestação laboral, nenhuma dúvida existe em relação à responsabilidade do sucessor (nem na visão clássica, nem na nova caracterização): o novo titular responde, imediatamente, pelas repercussões presentes, futuras e passadas dos contratos de trabalho que lhe foram transferidos. A extensão dessas repercussões(efeitos) é que irá variar conforme um ou outro doutrinador, uma ou outra jurisprudência, na visão clássica. 8 No atinente à específica questão do contrato de arrendamento, Valentin CARRION, 9 ao comentar o artigo 10 da CLT, tratou de forma direta do tema. Afirma o autor que, sendo a atividade empresarial o elemento definidor da sucessão de empresas, para efeitos de responsabilidade trabalhista ela é reconhecida pela doutrina e jurisprudência entre arrendatários que se substituem na exploração do mesmo serviço, bem como entre pessoas de direito público e privado. Porém, assevera que a substituição de pessoa jurídica na exploração de concessão de serviço público, por si só, não impede nem caracteriza a sucessão de empresas para fins de solidariedade passiva trabalhista. É indispensável que tenha havido aproveitamento de algum dos elementos que constituem a empresa como sendo uma universalidade de pessoas e bens tendentes a um fim, apta a produzir riqueza. 10 (grifamos) 8 SENA, Adriana Goulart A nova caracterização da sucessão trabalhista. São Paulo: LTR, 2000, p CARRION, Valentin. Comentários à consolidação das leis do trabalho. São Paulo: Saraiva, 2004, 29ª ed.,p Ibid., p

20 A compreensão geral, tanto a doutrinária quanto a jurisprudencial, acerca dos dispositivos concernentes à sucessão empresarial (artigos 10 e 448 das CLT, respectivamente) é de que se tratam de regras de ordem pública. Sua cogência é um imperativo, e quaisquer cláusulas contratuais no sentido de imputar ao antigo titular da empresa a responsabilidade exclusiva pelos débitos ocorridos anteriormente à sucessão não possui eficácia no âmbito trabalhista. Disposições nesse sentido assegurariam à sucessora, unicamente, o direito de regresso contra sua antecessora, sem eximi-la pela responsabilidade relativa a deveres de ordem trabalhista. Nessa égide são os ensinamentos de CARRION, que expõe: A CLT tem por objetivo: a) a responsabilidade do empresário atual, mesmo que os atos causais sejam do tempo anterior, não obstante possa aquele voltar-se contra este, pelo direito regressivo que lhe assiste; b) a continuidade no emprego (art. 448); c) os direitos adquiridos, em via de constituição, ou em potência de aquisição (...) O sucessor é responsável pelos contratos já rescindidos, não quitados, ainda que o anterior o dispense da responsabilidade, mesmo que a ação judicial tenha atingido a fase de execução (Barreto Prado, Tratado), sem prejuízo de seu direito regressivo (...) Entretanto, a jurisprudência e a doutrina vacilam, negando legitimidade passiva ao antecessor, menosprezando a sua responsabilidade e limitando-a à ação regressiva futura, no juízo cível e onde dificilmente se reabrirão todas as provas trabalhistas. A orientação conflita com o CPC, art. 70, III. A denunciação da lide é obrigatória... àquele que estiver obrigado, pela lei ou pelo contrato, a indenizar, em ação regressiva, o prejuízo do que perder a demanda. 11 Tal compreensão faz-se presente em diversos julgados dos Tribunais Regionais do Trabalho brasileiros, como se pode visualizar no seguinte acórdão do TRT de São Paulo: A CLT em seus arts. 2º (o e empregador é a empresa), 10 (alteração da estrutura da empresa) e 448 (mudança na propriedade) traça uma constante que 11 Ibid., p

PROCESSO Nº TST-RR-144000-70.2005.5.15.0036 - FASE ATUAL: E-ED

PROCESSO Nº TST-RR-144000-70.2005.5.15.0036 - FASE ATUAL: E-ED A C Ó R D Ã O SESBDI-1 VMF/ots/pcp/mmc RECURSO DE EMBARGOS EM RECURSO DE REVISTA IRREGULARIDADE DE REPRESENTAÇÃO ALTERAÇÃO DA RAZÃO SOCIAL DA EMPRESA NOVO MANDATO NECESSIDADE SÚMULA Nº 164 DO TST. Embora

Leia mais

http://www.lgncontabil.com.br/

http://www.lgncontabil.com.br/ ADICIONAL NOTURNO - PROCEDIMENTOS 1. INTRODUÇÃO O adicional noturno é devido ao empregado que trabalha a noite no período biológico em que a pessoa deve dormir. É no período noturno que o organismo humano

Leia mais

Contratos. Licitações & Contratos - 3ª Edição

Contratos. Licitações & Contratos - 3ª Edição Contratos 245 Conceito A A Lei de Licitações considera contrato todo e qualquer ajuste celebrado entre órgãos ou entidades da Administração Pública e particulares, por meio do qual se estabelece acordo

Leia mais

http://www.lgncontabil.com.br/ Empregado aposentado - Rescisão do contrato de trabalho - Multa do FGTS

http://www.lgncontabil.com.br/ Empregado aposentado - Rescisão do contrato de trabalho - Multa do FGTS Empregado aposentado - Rescisão do contrato de trabalho - Multa do FGTS Sumário Introdução I - Contribuição previdenciária II - FGTS e demais verbas trabalhistas III - Rescisão contratual IV - Entendimentos

Leia mais

PRESSUPOSTOS SUBJETIVOS DE ADMISSIBILIDADE RECURSAL: - Possui legitimidade para recorrer quem for parte na relação jurídica processual.

PRESSUPOSTOS SUBJETIVOS DE ADMISSIBILIDADE RECURSAL: - Possui legitimidade para recorrer quem for parte na relação jurídica processual. PRESSUPOSTOS SUBJETIVOS DE ADMISSIBILIDADE RECURSAL: - Legitimidade - art. 499 CPC: - Possui legitimidade para recorrer quem for parte na relação jurídica processual. Preposto é parte? Pode recorrer? NÃO.

Leia mais

Efeitos da sucessão no Direito Tributário. Os efeitos da sucessão estão regulados no art. 133 do CTN nos seguintes termos:

Efeitos da sucessão no Direito Tributário. Os efeitos da sucessão estão regulados no art. 133 do CTN nos seguintes termos: Efeitos da sucessão no Direito Tributário Kiyoshi Harada Os efeitos da sucessão estão regulados no art. 133 do CTN nos seguintes termos: Art. 133. A pessoa natural ou jurídica de direito privado que adquirir

Leia mais

ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL XVII EXAME DE ORDEM UNIFICADO

ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL XVII EXAME DE ORDEM UNIFICADO PADRÃO DE RESPOSTA - PEÇA PROFISSIONAL Você foi procurado pelo Banco Dinheiro Bom S/A, em razão de ação trabalhista nº XX, distribuída para a 99ª VT de Belém/PA, ajuizada pela ex-funcionária Paula, que

Leia mais

Portaria PGFN nº 164, de 27.02.2014 - DOU de 05.03.2014

Portaria PGFN nº 164, de 27.02.2014 - DOU de 05.03.2014 Portaria PGFN nº 164, de 27.02.2014 - DOU de 05.03.2014 Regulamenta o oferecimento e a aceitação do seguro garantia judicial para execução fiscal e seguro garantia parcelamento administrativo fiscal para

Leia mais

Presidência da República Casa Civil Subchefia para Assuntos Jurídicos

Presidência da República Casa Civil Subchefia para Assuntos Jurídicos Presidência da República Casa Civil Subchefia para Assuntos Jurídicos MEDIDA PROVISÓRIA Nº 353, DE 22 DE JANEIRO DE 2007. Dispõe sobre o término do processo de liquidação e a extinção da Rede Ferroviária

Leia mais

Parecer Consultoria Tributária Segmentos Controle de Ponto do Trabalhador terceirizado

Parecer Consultoria Tributária Segmentos Controle de Ponto do Trabalhador terceirizado Controle de Ponto do Trabalhador terceirizado 13/11/2013 Sumário Título do documento 1. Questão... 3 2. Normas apresentadas pelo cliente... 3 3. Análise da Legislação... 3 4. Conclusão... 5 5. Informações

Leia mais

INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº 03, DE 1º DE SETEMBRO DE 1997. Art. 1º Baixar as seguintes instruções a serem observadas pela Fiscalização do Trabalho.

INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº 03, DE 1º DE SETEMBRO DE 1997. Art. 1º Baixar as seguintes instruções a serem observadas pela Fiscalização do Trabalho. INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº 03, DE 1º DE SETEMBRO DE 1997 Dispõe sobre a fiscalização do trabalho nas empresas de prestação de serviços a terceiros e empresas de trabalho temporário. O MINISTRO DE ESTADO DE

Leia mais

AGRAVO DE INSTRUMENTO: Conceito: é o recurso adequado para a impugnação das decisões que denegarem seguimento a outro recurso.

AGRAVO DE INSTRUMENTO: Conceito: é o recurso adequado para a impugnação das decisões que denegarem seguimento a outro recurso. AGRAVO DE INSTRUMENTO: Conceito: é o recurso adequado para a impugnação das decisões que denegarem seguimento a outro recurso. Por que se diz instrumento: a razão pela qual o recurso se chama agravo de

Leia mais

Superior Tribunal de Justiça

Superior Tribunal de Justiça RECLAMAÇÃO Nº 14.424 - PE (2013/0315610-5) RELATORA : MINISTRA MARIA ISABEL GALLOTTI RECLAMANTE : SANTANDER LEASING S/A ARRENDAMENTO MERCANTIL ADVOGADO : ANTÔNIO BRAZ DA SILVA E OUTRO(S) RECLAMADO : SEXTA

Leia mais

RESPONSABILIDADE PESSOAL DOS SÓCIOS ADMINISTRADORES NOS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS QUANDO DA DISSOLUÇÃO IRREGULAR DA SOCIEDADE

RESPONSABILIDADE PESSOAL DOS SÓCIOS ADMINISTRADORES NOS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS QUANDO DA DISSOLUÇÃO IRREGULAR DA SOCIEDADE compilações doutrinais RESPONSABILIDADE PESSOAL DOS SÓCIOS ADMINISTRADORES NOS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS QUANDO DA DISSOLUÇÃO IRREGULAR DA SOCIEDADE Carlos Barbosa Ribeiro ADVOGADO (BRASIL) VERBOJURIDICO VERBOJURIDICO

Leia mais

2 FASE DIREITO CIVIL ESTUDO DIRIGIDO DE PROCESSO CIVIL 2. Prof. Darlan Barroso - GABARITO

2 FASE DIREITO CIVIL ESTUDO DIRIGIDO DE PROCESSO CIVIL 2. Prof. Darlan Barroso - GABARITO Citação 2 FASE DIREITO CIVIL ESTUDO DIRIGIDO DE PROCESSO CIVIL 2 Prof. Darlan Barroso - GABARITO 1) Quais as diferenças na elaboração da petição inicial do rito sumário e do rito ordinário? Ordinário Réu

Leia mais

PARECER Nº, DE 2012. RELATOR: Senador PAULO PAIM

PARECER Nº, DE 2012. RELATOR: Senador PAULO PAIM PARECER Nº, DE 2012 Da COMISSÃO DE ASSUNTOS SOCIAIS, em caráter terminativo, sobre o Projeto de Lei do Senado nº 39, de 2007, do Senador Alvaro Dias, que Acrescenta o art. 879-A ao Decreto-Lei nº 5.452,

Leia mais

ORIENTAÇÃO PROFESSOR - Normas

ORIENTAÇÃO PROFESSOR - Normas ORIENTAÇÃO PROFESSOR - Normas Conheça as regras especiais do contrato de trabalho do professor O professor no exercício do magistério em estabelecimento particular de ensino mereceu tratamento especial

Leia mais

PODER JUDICIÁRIO FEDERAL JUSTIÇA DO TRABALHO TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA 1ª REGIÃO

PODER JUDICIÁRIO FEDERAL JUSTIÇA DO TRABALHO TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA 1ª REGIÃO A C Ó R D Ã O 3ª T U R M A PODER JUDICIÁRIO FEDERAL MEMBRO DE CONSELHO CONSULTIVO. ESTABILIDADE. DESCABIMENTO. Não faz jus à estabilidade sindical o empregado eleito pelo órgão consultivo da entidade,

Leia mais

Projeto de Lei nº. 4.330/14 Terceirização

Projeto de Lei nº. 4.330/14 Terceirização São Paulo, 28 de Abril de 2015 Projeto de Lei nº. 4.330/14 Terceirização Objetivos da Terceirização Aumentar a produtividade e reduzir custos. Aumento de qualidade em razão da especialização das empresas

Leia mais

Parecer Consultoria Tributária Segmentos Dispensa Registro de Marcações no Intervalo de Trabalho - Batidas Pré-Assinaladas

Parecer Consultoria Tributária Segmentos Dispensa Registro de Marcações no Intervalo de Trabalho - Batidas Pré-Assinaladas Dispensa Registro de Marcações no Intervalo de Trabalho - Batidas Pré-Assinaladas 16/04/2014 Sumário Título do documento 1. Questão... 3 2. Normas apresentadas pelo cliente... 3 3. Análise da Legislação...

Leia mais

Fiscal Online Disciplina: Direito Tributário Prof. Eduardo Sabbag Data: 13.07.2012 MATERIAL DE APOIO MONITORIA. Índice 1.

Fiscal Online Disciplina: Direito Tributário Prof. Eduardo Sabbag Data: 13.07.2012 MATERIAL DE APOIO MONITORIA. Índice 1. Fiscal Online Disciplina: Direito Tributário Prof. Eduardo Sabbag Data: 13.07.2012 MATERIAL DE APOIO MONITORIA Índice 1. Anotações de Aula 1. ANOTAÇÕES DE AULA DIREITO TRIBUTARIO NO CTN Art. 155-A CTN.

Leia mais

BRASILAGRO COMPANHIA BRASILEIRA DE PROPRIEDADES AGRÍCOLAS CNPJ/MF n.º 07.628.528/0001-59

BRASILAGRO COMPANHIA BRASILEIRA DE PROPRIEDADES AGRÍCOLAS CNPJ/MF n.º 07.628.528/0001-59 BRASILAGRO COMPANHIA BRASILEIRA DE PROPRIEDADES AGRÍCOLAS CNPJ/MF n.º 07.628.528/0001-59 PLANO DE OPÇÃO DE COMPRA DE AÇÕES APROVADO PELA ASSEMBLÉIA GERAL ORDINÁRIA DA BRASILAGRO COMPANHIA BRASILEIRA DE

Leia mais

LEI Nº 14.868, de 16 de dezembro de 2003 Dispõe sobre o Programa Estadual de Parcerias Público-Privadas.

LEI Nº 14.868, de 16 de dezembro de 2003 Dispõe sobre o Programa Estadual de Parcerias Público-Privadas. LEI Nº 14.868, de 16 de dezembro de 2003 Dispõe sobre o Programa Estadual de Parcerias Público-Privadas. O Povo de Minas Gerais, por seus representantes, decretou e eu, em seu nome, sanciono a seguinte

Leia mais

Trata-se de agravo de instrumento interposto contra despacho que negou seguimento a recurso de revista.

Trata-se de agravo de instrumento interposto contra despacho que negou seguimento a recurso de revista. A C Ó R D Ã O 8ª Turma DCBM/phb AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA. ADICIONAL DE PERICULOSIDADE. PAGAMENTO ESPONTÂNEO. TRABALHO EM ALTURA. Em razão de provável caracterização de ofensa ao art.

Leia mais

TERCEIRIZAÇÃO. Autor: Ivaldo Kuczkowski, Advogado Especialista em Direito Administrativo e Conselheiro de Tributos da Empresa AUDICONT Multisoluções.

TERCEIRIZAÇÃO. Autor: Ivaldo Kuczkowski, Advogado Especialista em Direito Administrativo e Conselheiro de Tributos da Empresa AUDICONT Multisoluções. TERCEIRIZAÇÃO Autor: Ivaldo Kuczkowski, Advogado Especialista em Direito Administrativo e Conselheiro de Tributos da Empresa AUDICONT Multisoluções. INTRODUÇÃO Para que haja uma perfeita compreensão sobre

Leia mais

Repercussões do novo CPC para o Direito Contratual

Repercussões do novo CPC para o Direito Contratual Repercussões do novo CPC para o Direito Contratual O NOVO CPC E O DIREITO CONTRATUAL. PRINCIPIOLOGIA CONSTITUCIONAL. REPERCUSSÕES PARA OS CONTRATOS. Art. 1 o O processo civil será ordenado, disciplinado

Leia mais

PROCESSO Nº TST-RR-2219-65.2011.5.03.0139. A C Ó R D Ã O (5ª Turma) GMCB/jar

PROCESSO Nº TST-RR-2219-65.2011.5.03.0139. A C Ó R D Ã O (5ª Turma) GMCB/jar A C Ó R D Ã O (5ª Turma) GMCB/jar RECURSO DE REVISTA COMISSÕES. BASE DE CÁLCULO. VENDA COM CARTÕES DE CRÉDITO. TAXA PARA A ADMINISTRADORA. "REVERSÃO". NÃO PROVIMENTO. A prática realizada pela reclamada

Leia mais

PARECER Nº, DE 2011. RELATOR: Senador LUIZ HENRIQUE

PARECER Nº, DE 2011. RELATOR: Senador LUIZ HENRIQUE PARECER Nº, DE 2011 Da COMISSÃO DE ASSUNTOS ECONÔMICOS, sobre o Projeto de Lei do Senado nº 244, de 2011, do Senador Armando Monteiro, que acrescenta os arts. 15-A, 15-B e 15-C à Lei nº 6.830, de 22 de

Leia mais

á Presidência da República Casa Civil Subchefia para Assuntos Jurídicos

á Presidência da República Casa Civil Subchefia para Assuntos Jurídicos á Presidência da República Casa Civil Subchefia para Assuntos Jurídicos DECRETO Nº 8.465, DE 8 DE JUNHO DE 2015 Regulamenta o 1º do art. 62 da Lei nº 12.815, de 5 de junho de 2013, para dispor sobre os

Leia mais

DECRETO Nº 36.777 DE 15 DE FEVEREIRO DE 2013 (D.O. RIO DE 18/02/2013) O Prefeito da Cidade do Rio de Janeiro, no uso de suas atribuições legais,

DECRETO Nº 36.777 DE 15 DE FEVEREIRO DE 2013 (D.O. RIO DE 18/02/2013) O Prefeito da Cidade do Rio de Janeiro, no uso de suas atribuições legais, DECRETO Nº 36.777 DE 15 DE FEVEREIRO DE 2013 (D.O. RIO DE 18/02/2013) Regulamenta os arts. 5º a 9º e 23, da Lei nº 5.546, de 27 de dezembro de 2012, que instituem remissão, anistia e parcelamento estendido,

Leia mais

MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL PROCURADORIA REGIONAL DA REPÚBLICA - 3ª REGIÃO

MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL PROCURADORIA REGIONAL DA REPÚBLICA - 3ª REGIÃO MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL PROCURADORIA REGIONAL DA REPÚBLICA - 3ª REGIÃO APELAÇÃO CÍVEL nº 0007033-40.2009.4.03.6100/SP APELANTE: MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL APELADO: UNIÃO FEDERAL RELATORA: Desembargadora

Leia mais

Superior Tribunal de Justiça

Superior Tribunal de Justiça RECLAMAÇÃO Nº 14.696 - RJ (2013/0339925-1) RELATORA : MINISTRA MARIA ISABEL GALLOTTI RECLAMANTE : BANCO BRADESCO FINANCIAMENTOS S/A ADVOGADO : JOSÉ ANTÔNIO MARTINS E OUTRO(S) RECLAMADO : TERCEIRA TURMA

Leia mais

1- CONTRATO DE TRABALHO

1- CONTRATO DE TRABALHO 1- CONTRATO DE TRABALHO 1.1 - ANOTAÇÕES NA CARTEIRA DE TRABALHO Quando o empregado é admitido - mesmo em contrato de experiência -, a empresa tem obrigatoriamente que fazer as anotações na carteira de

Leia mais

Seguro Garantia É o seguro que garante o fiel cumprimento das obrigações assumidas pelo tomador perante o segurado, conforme os termos da apólice.

Seguro Garantia É o seguro que garante o fiel cumprimento das obrigações assumidas pelo tomador perante o segurado, conforme os termos da apólice. 2 Definição Seguro Garantia É o seguro que garante o fiel cumprimento das obrigações assumidas pelo tomador perante o segurado, conforme os termos da apólice. Partes Seguradora - Sociedade de seguros garantidora,

Leia mais

SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL

SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL PORTARIA CONJUNTA Nº 900, DE 19 DE JULHO DE 2002. Disciplina o pagamento ou parcelamento de débitos de que trata o art. 11 da Medida Provisória nº 38, de 14 de maio de 2002.

Leia mais

PROCESSO Nº TST-RR-156300-95.2009.5.01.0074. A C Ó R D Ã O (4.ª Turma) GMMAC/r4/asd/eo/h/j

PROCESSO Nº TST-RR-156300-95.2009.5.01.0074. A C Ó R D Ã O (4.ª Turma) GMMAC/r4/asd/eo/h/j A C Ó R D Ã O (4.ª Turma) GMMAC/r4/asd/eo/h/j RECURSO DE REVISTA. DISPENSA POR JUSTA CAUSA. QUITAÇÃO DE VERBAS RESCISÓRIAS. PRAZO. ART. 477, 6.º, ALÍNEA B, DA CLT. AFASTAMENTO DA MULTA. De acordo com o

Leia mais

Superior Tribunal de Justiça

Superior Tribunal de Justiça RECURSO ESPECIAL Nº 437.853 - DF (2002/0068509-3) RELATOR : MINISTRO TEORI ALBINO ZAVASCKI RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL PROCURADOR : DANIEL AZEREDO ALVARENGA E OUTROS RECORRIDO : ADVOCACIA BETTIOL S/C

Leia mais

COMISSÃO DE FINANÇAS E TRIBUTAÇÃO. PROJETO DE LEI N o 637, DE 2011 I - RELATÓRIO

COMISSÃO DE FINANÇAS E TRIBUTAÇÃO. PROJETO DE LEI N o 637, DE 2011 I - RELATÓRIO COMISSÃO DE FINANÇAS E TRIBUTAÇÃO PROJETO DE LEI N o 637, DE 2011 Altera a Lei nº 6.830, de 22 de setembro de 1980, para incluir o segurogarantia dentre os instrumentos de garantia nas ações de execução

Leia mais

executivo e sua remuneração era de R$ 3.000,00 acrescida de gratificação de um terço de seu salário.

executivo e sua remuneração era de R$ 3.000,00 acrescida de gratificação de um terço de seu salário. EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DA VARA DO TRABALHO DE FLORIANÓPOLIS/SC ANA KARENINA, estado civil..., profissão..., residente e domiciliada na Rua..., nº..., cidade... estado..., CEP..., representada

Leia mais

Tribunal Superior do Trabalho

Tribunal Superior do Trabalho Tribunal Superior do Trabalho RR-37200-28.2008.5.15.0128 A C Ó R D Ã O RECURSO DE REVISTA. APOSENTADORIA POR INVALIDEZ. RESCISÃO CONTRATUAL. RECUSA DE RECEBIMENTO DE VERBAS RESCISÓRIAS. EXTINÇÃO DA UNIDADE

Leia mais

TRABALHOS TÉCNICOS Divisão Sindical A INCORPORAÇÃO DA GRATIFICAÇÃO E A JURISPRUDÊNCIA DO TRIBUNAL SUPERIOR DO TRABALHO (TST)

TRABALHOS TÉCNICOS Divisão Sindical A INCORPORAÇÃO DA GRATIFICAÇÃO E A JURISPRUDÊNCIA DO TRIBUNAL SUPERIOR DO TRABALHO (TST) TRABALHOS TÉCNICOS Divisão Sindical A INCORPORAÇÃO DA GRATIFICAÇÃO E A JURISPRUDÊNCIA DO TRIBUNAL SUPERIOR DO TRABALHO (TST) Alain Alpin MacGregor Advogado Em nosso ordenamento positivo, não existe lei

Leia mais

NÚCLEO PREPARATÓRIO DE EXAME DE ORDEM

NÚCLEO PREPARATÓRIO DE EXAME DE ORDEM ENDEREÇAMENTO E QUALIFICAÇÃO EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DA... VARA DO TRABALHO DE... A, estado civil..., profissão..., portador do RG nº..., inscrito no CPF nº..., portador da CTPS..., série...,

Leia mais

INSTRUÇÃO NORMATIVA TCE-TO Nº 003, DE 23 DE SETEMBRO DE 2009. Consolidada pela IN nº 03/2012 de 02/05/2012.

INSTRUÇÃO NORMATIVA TCE-TO Nº 003, DE 23 DE SETEMBRO DE 2009. Consolidada pela IN nº 03/2012 de 02/05/2012. INSTRUÇÃO NORMATIVA TCE-TO Nº 003, DE 23 DE SETEMBRO DE 2009. Consolidada pela IN nº 03/2012 de 02/05/2012. Acresce o 7 ao artigo 9º da Instrução Normativa nº 003, de 23 de setembro de 2009, que estabelece

Leia mais

TEORIA GERAL DO DIREITO EMPRESARIAL

TEORIA GERAL DO DIREITO EMPRESARIAL Direito Societário É subárea do direito empresarial que disciplina a forma de exercício coletivo de atividade econômica empresária; Importante observação sobre as questões da primeira fase da OAB: 25%

Leia mais

DECRETO Nº 7.929, DE 18 DE FEVEREIRO DE 2013

DECRETO Nº 7.929, DE 18 DE FEVEREIRO DE 2013 CÂMARA DOS DEPUTADOS Centro de Documentação e Informação DECRETO Nº 7.929, DE 18 DE FEVEREIRO DE 2013 Regulamenta a Lei nº 11.483, de 31 de maio de 2007, no que se refere à avaliação da vocação logística

Leia mais

Luiz Eduardo de Almeida

Luiz Eduardo de Almeida Luiz Eduardo de Almeida Apresentação elaborada para o curso de atualização do Instituo Brasileiro de Direito Tributário IBDT Maio de 2011 Atividade da Administração Pública: ato administrativo Em regra

Leia mais

02/2011/JURÍDICO/CNM. INTERESSADOS:

02/2011/JURÍDICO/CNM. INTERESSADOS: PARECER Nº 02/2011/JURÍDICO/CNM. INTERESSADOS: DIVERSOS MUNICÍPIOS BRASILEIROS. ASSUNTOS: BASE DE CÁLCULO DO ADICIONAL DE INSALUBRIDADE DOS SERVIDORES PÚBLICOS MUNICIPAIS. DA CONSULTA: Trata-se de consulta

Leia mais

Extinção dos contratos de. Camila Aguiar

Extinção dos contratos de. Camila Aguiar Extinção dos contratos de PPP Camila Aguiar Formas de extinção A CONCESSÃO extinguir-se-á por: advento do termo contratual; encampação; caducidade; rescisão; anulação; ou ocorrência de caso fortuito ou

Leia mais

LEGISLAÇÃO COMPLEMENTAR

LEGISLAÇÃO COMPLEMENTAR ATUALIZAÇÃO 9 De 1.11.2014 a 30.11.2014 VADE MECUM LEGISLAÇÃO 2014 CÓDIGO CIVIL PÁGINA LEGISLAÇÃO ARTIGO CONTEÚDO 215 Lei 10.406/2002 Arts. 1.367 e 1.368-B Art. 1.367. A propriedade fiduciária em garantia

Leia mais

O SEBRAE E O QUE ELE PODE FAZER PELO SEU NEGÓCIO

O SEBRAE E O QUE ELE PODE FAZER PELO SEU NEGÓCIO O SEBRAE E O QUE ELE PODE FAZER PELO SEU NEGÓCIO Competitividade Perenidade Sobrevivência Evolução Orienta no desenvolvimento de seu negócio de forma estratégica e inovadora à vencer as barreiras internacionais.

Leia mais

CONVÊNIOS E CONSÓRCIOS

CONVÊNIOS E CONSÓRCIOS CONVÊNIOS E CONSÓRCIOS 1. LEGISLAÇÃO - Fundamentação Constitucional: Art. 241 da CF/88 - Fundamentação Legal: Art. 116 da Lei 8.666/93, 2. CONCEITO - CONVÊNIO - é o acordo firmado por entidades políticas

Leia mais

Presidência da República Casa Civil Subchefia para Assuntos Jurídicos

Presidência da República Casa Civil Subchefia para Assuntos Jurídicos Presidência da República Casa Civil Subchefia para Assuntos Jurídicos MEDIDA PROVISÓRIA Nº 496, DE 19 DE JULHO DE 2010. Dispõe sobre o limite de endividamento de Municípios em operações de crédito destinadas

Leia mais

PONTO 1: Execução Trabalhista. Fase de Liquidação de Sentença Trabalhista é uma fase preparatória da execução trabalhista art. 879 da CLT.

PONTO 1: Execução Trabalhista. Fase de Liquidação de Sentença Trabalhista é uma fase preparatória da execução trabalhista art. 879 da CLT. 1 DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO PONTO 1: Execução Trabalhista 1. EXECUÇÃO TRABALHISTA: ART. 876 ART. 892 da CLT Fase de Liquidação de Sentença Trabalhista é uma fase preparatória da execução trabalhista

Leia mais

RESOLUÇÃO AGE Nº 279, DE 6 DE OUTUBRO DE 2011. (Texto Consolidado)

RESOLUÇÃO AGE Nº 279, DE 6 DE OUTUBRO DE 2011. (Texto Consolidado) RESOLUÇÃO AGE Nº 279, DE 6 DE OUTUBRO DE 2011. (Texto Consolidado) Regulamenta o oferecimento e a aceitação de seguro garantia e da carta de fiança no âmbito da Advocacia Geral do Estado - AGE. O ADVOGADO-GERAL

Leia mais

PREFEITURA MUNICIPAL DE SÃO GOTARDO

PREFEITURA MUNICIPAL DE SÃO GOTARDO LEI N.º 1.767, DE 05 DE MARÇO DE 2008. AUTORIZA ASSINATURA DE CONVÊNIO, COM REPASSE DE SUBVENÇÃO E DÁ OUTRAS PROVIDÊNCIAS. O Povo do Município de São Gotardo, por seus representantes legais aprovou e eu,

Leia mais

PARECER Nº, DE 2012. RELATOR: Senador ARMANDO MONTEIRO I RELATÓRIO

PARECER Nº, DE 2012. RELATOR: Senador ARMANDO MONTEIRO I RELATÓRIO PARECER Nº, DE 2012 Da COMISSÃO DE CONSTITUIÇÃO, JUSTIÇA E CIDADANIA, sobre o Projeto de Lei do Senado nº 39, de 2007, do Senador Alvaro Dias, que Acrescenta o art. 879-A ao Decreto-Lei nº 5.452, de 1º

Leia mais

PROJETO DE LEI Nº 19.414/2011

PROJETO DE LEI Nº 19.414/2011 PROJETO DE LEI Nº 19.414/2011 Institui mecanismo de controle do patrimônio público do Estado da Bahia, dispondo sobre provisões de encargos trabalhistas a serem pagos às empresas contratadas para prestar

Leia mais

Modelo esquemático de ação direta de inconstitucionalidade genérica EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR MINISTRO PRESIDENTE DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL

Modelo esquemático de ação direta de inconstitucionalidade genérica EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR MINISTRO PRESIDENTE DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL Modelo esquemático de ação direta de inconstitucionalidade genérica EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR MINISTRO PRESIDENTE DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL Legitimidade ativa (Pessoas relacionadas no art. 103 da

Leia mais

LEI Nº 1693, DE 10 DE ABRIL DE 2006.

LEI Nº 1693, DE 10 DE ABRIL DE 2006. LEI Nº 1693, DE 10 DE ABRIL DE 2006. AUTORIZA ASSINATURA DE CONVÊNIO, COM REPASSE DE SUBVENÇÃO E DÁ OUTRAS PROVIDÊNCIAS. O Povo do Município de São Gotardo, por seus representantes legais aprovou e eu,

Leia mais

CONTRATO PARA REALIZAÇÃO DE OPERAÇÕES NOS MERCADOS ADMINISTRADOS POR BOLSA DE VALORES E/OU POR ENTIDADE DO MERCADO DE BALCÃO ORGANIZADO

CONTRATO PARA REALIZAÇÃO DE OPERAÇÕES NOS MERCADOS ADMINISTRADOS POR BOLSA DE VALORES E/OU POR ENTIDADE DO MERCADO DE BALCÃO ORGANIZADO CONTRATO PARA REALIZAÇÃO DE OPERAÇÕES NOS MERCADOS ADMINISTRADOS POR BOLSA DE VALORES E/OU POR ENTIDADE DO MERCADO DE BALCÃO ORGANIZADO NOVA FUTURA DISTRIBUIDORA DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS LTDA,

Leia mais

ACORDO PARA FLEXIBILIZAÇÃO DE JORNADA DE TRABALHO E FÉRIAS COLETIVAS

ACORDO PARA FLEXIBILIZAÇÃO DE JORNADA DE TRABALHO E FÉRIAS COLETIVAS ACORDO PARA FLEXIBILIZAÇÃO DE JORNADA DE TRABALHO E FÉRIAS COLETIVAS Na melhor forma de direito, pelo presente instrumento de conciliação que entre si celebram, de um lado a pessoa jurídica de direito

Leia mais

APELAÇÃO CÍVEL Nº 460.698-6 - 26.08.2004

APELAÇÃO CÍVEL Nº 460.698-6 - 26.08.2004 -1- EMENTA: ANULATÓRIA ADMINISTRADORAS DE CARTÃO DE CRÉDITO NÃO INTEGRAÇÃO AO SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL ENCARGOS LIMITAÇÃO CLÁUSULA MANDATO VALIDADE APORTE FINANCEIRO OBTIDO NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO.

Leia mais

JURIDICIDADE DO AUMENTO DA JORNADA DE TRABALHO DE SERVIDORES PÚBLICOS

JURIDICIDADE DO AUMENTO DA JORNADA DE TRABALHO DE SERVIDORES PÚBLICOS ESTUDO JURIDICIDADE DO AUMENTO DA JORNADA DE TRABALHO DE SERVIDORES PÚBLICOS Leonardo Costa Schuler Consultor Legislativo da Área VIII Administração Pública ESTUDO MARÇO/2007 Câmara dos Deputados Praça

Leia mais

COMISSÃO DE CONSTITUIÇÃO E JUSTIÇA E CIDADANIA

COMISSÃO DE CONSTITUIÇÃO E JUSTIÇA E CIDADANIA COMISSÃO DE CONSTITUIÇÃO E JUSTIÇA E CIDADANIA PROJETO DE LEI N o 5.423, DE 2009 Acrescenta dispositivo à Consolidação das Leis do Trabalho, aprovada pelo Decreto-lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943, estabelecendo

Leia mais

REGULALMENTO DO NÚCLEO DE PRÁTICA JURÍDICA DO CURSO DE DIREITO DA FACULDADE DE PRESIDENTE PRUDENTE

REGULALMENTO DO NÚCLEO DE PRÁTICA JURÍDICA DO CURSO DE DIREITO DA FACULDADE DE PRESIDENTE PRUDENTE 1 REGULALMENTO DO NÚCLEO DE PRÁTICA JURÍDICA DO CURSO DE DIREITO DA FACULDADE DE PRESIDENTE PRUDENTE CAPÍTULO I DA FINALIDADE Artigo 1º O Núcleo de Prática Jurídica é órgão destinado a coordenar, executar

Leia mais

Seguro Garantia - Seguro que garante o fiel cumprimento das obrigações assumidas pelo tomador perante o segurado, conforme os termos da apólice.

Seguro Garantia - Seguro que garante o fiel cumprimento das obrigações assumidas pelo tomador perante o segurado, conforme os termos da apólice. GUIA DE SEGURO GARANTIA PARA CONSULTA FENSEG QUEM SÃO AS PARTES Seguro Garantia - Seguro que garante o fiel cumprimento das obrigações assumidas pelo tomador perante o segurado, conforme os termos da apólice.

Leia mais

Material Disponibilizado pelo Professor:

Material Disponibilizado pelo Professor: Material Disponibilizado pelo Professor: Tema: Empregado: conceito e caracterização. Empregado doméstico: conceito. Empregador: conceito e caracterização. Empresa e estabelecimento. Grupo econômico. 1.

Leia mais

Ilegalidade e inconstitucionalidade da cobrança da Contribuição Sindical Rural. Proposta de sua extinção

Ilegalidade e inconstitucionalidade da cobrança da Contribuição Sindical Rural. Proposta de sua extinção Ilegalidade e inconstitucionalidade da cobrança da Contribuição Sindical Rural. Proposta de sua extinção Kiyoshi Harada* É pacífico na doutrina e na jurisprudência que o crédito tributário resulta do ato

Leia mais

AÇÃO DE CONSIGNAÇÃO EM PAGAMENTO

AÇÃO DE CONSIGNAÇÃO EM PAGAMENTO AÇÃO DE CONSIGNAÇÃO EM PAGAMENTO 1 1) O DIREITO MATERIAL DE PAGAMENTO POR CONSIGNAÇÃO a) Significado da palavra consignação b) A consignação como forma de extinção da obrigação c) A mora accipiendi 2 c)

Leia mais

CAPÍTULO I OBJETO E ÁREA DE PRESTAÇÃO

CAPÍTULO I OBJETO E ÁREA DE PRESTAÇÃO TERMO DE AUTORIZAÇÃO Nº 33/2015/ORLE/SOR ANATEL TERMO DE AUTORIZAÇÃO PARA EXPLORAÇÃO DO SERVIÇO DE ACESSO CONDICIONADO, QUE ENTRE SI CELEBRAM A AGÊNCIA NACIONAL DE TELECOMUNICAÇÕES ANATEL E OXMAN TECNOLOGIA

Leia mais

DIREITOS DO TRABALHADOR NA RESCISÃO DO CONTRATO

DIREITOS DO TRABALHADOR NA RESCISÃO DO CONTRATO Autora: Idinéia Perez Bonafina Escrito em julho/2015 DIREITOS DO TRABALHADOR NA RESCISÃO DO CONTRATO 1. DIREITOS DO TRABALHADOR NA RESCISÃO DO CONTRATO O presente artigo abordará os direitos do trabalhador

Leia mais

BuscaLegis.ccj.ufsc.Br

BuscaLegis.ccj.ufsc.Br BuscaLegis.ccj.ufsc.Br O Seguro-caução Nas Execuções Trabalhistas Bruno Landim Maia DIREITO DO TRABALHO O seguro-garantia é centenário no mundo, mas recentemente operacionalizado no Brasil, é decorrente

Leia mais

Exposição. 1. Município de Londrina ajuizou execução fiscal em face de Alessandro

Exposição. 1. Município de Londrina ajuizou execução fiscal em face de Alessandro APELAÇÃO CÍVEL N. 638896-9, DA COMARCA DE LONDRINA 2.ª VARA CÍVEL RELATOR : DESEMBARGADOR Francisco Pinto RABELLO FILHO APELANTE : MUNICÍPIO DE LONDRINA APELADO : ALESSANDRO VICTORELLI Execução fiscal

Leia mais

A POSSIBILIDADE DA INCLUSÃO DE DESPESAS ADMINISTRATIVAS DO CONVENENTE NO PLANO DE TRABALHO A SER APRESENTADO EM CONVÊNIOS E CONTRATOS DE REPASSE

A POSSIBILIDADE DA INCLUSÃO DE DESPESAS ADMINISTRATIVAS DO CONVENENTE NO PLANO DE TRABALHO A SER APRESENTADO EM CONVÊNIOS E CONTRATOS DE REPASSE A POSSIBILIDADE DA INCLUSÃO DE DESPESAS ADMINISTRATIVAS DO CONVENENTE NO PLANO DE TRABALHO A SER APRESENTADO EM CONVÊNIOS E CONTRATOS DE REPASSE Elaborado em: 22/09/2010 Autora: Walleska Vila Nova Maranhão

Leia mais

PROJETO DE LEI Nº, DE 2013

PROJETO DE LEI Nº, DE 2013 PROJETO DE LEI Nº, DE 2013 (Do Sr. Guilherme Campos) Dispõe sobre juros de mora e atualização monetária dos débitos judiciais. O Congresso Nacional decreta: Art. 1º Esta lei disciplina os juros de mora

Leia mais

Superior Tribunal de Justiça

Superior Tribunal de Justiça RECURSO ESPECIAL Nº 1.507.239 - SP (2014/0340784-3) RELATÓRIO O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO BELLIZZE: Trata-se de recurso especial interposto por Santander Leasing S.A. Arrendamento Mercantil, com fundamento

Leia mais

TERMO DE ADESÃO PARA CONTRATAÇÃO DE SERVIÇOS DE INTERMEDIAÇÃO

TERMO DE ADESÃO PARA CONTRATAÇÃO DE SERVIÇOS DE INTERMEDIAÇÃO TERMO DE ADESÃO PARA CONTRATAÇÃO DE SERVIÇOS DE INTERMEDIAÇÃO São partes deste Instrumento, VAIVOLTA.COM SERVIÇOS DE INTERNET SA, inscrita no CNPJ/MF sob o nº 15.529.518/0001-94, com sede na Rua Frei Caneca,

Leia mais

ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL XV EXAME DE ORDEM UNIFICADO

ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL XV EXAME DE ORDEM UNIFICADO PADRÃO DE RESPOSTA - PEÇA PROFISSIONAL Em 2003, João ingressou como sócio da sociedade D Ltda. Como já trabalhava em outro local, João preferiu não participar da administração da sociedade. Em janeiro

Leia mais

MRV LOGISTICA E PARTICIPAÇÕES S.A. PLANO DE OUTORGA DE OPÇÃO DE COMPRA DE AÇÕES ("PLANO")

MRV LOGISTICA E PARTICIPAÇÕES S.A. PLANO DE OUTORGA DE OPÇÃO DE COMPRA DE AÇÕES (PLANO) MRV LOGISTICA E PARTICIPAÇÕES S.A. PLANO DE OUTORGA DE OPÇÃO DE COMPRA DE AÇÕES ("PLANO") DATADO DE 17 DE NOVEMBRO, 2010 2 MRV LOGÍSTICA E PARTICIPAÇÕES S.A. CNPJ/MF nº 09.041.168/0001-10 NIRE 31.300.027.261

Leia mais

RELATÓRIO. Poder Judiciário JUSTIÇA FEDERAL

RELATÓRIO. Poder Judiciário JUSTIÇA FEDERAL Poder Judiciário JUSTIÇA FEDERAL Órgão: TURMA REGIONAL DE UNIFORMIZAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA N. Processo: 0500029-74.2008.4.05.8103 Origem: Primeira Turma Recursal do Estado do Ceará Recorrente: João Ferreira

Leia mais

1. O que o Auditor-Fiscal do Trabalho deverá entender por trabalho temporário?

1. O que o Auditor-Fiscal do Trabalho deverá entender por trabalho temporário? Trabalho temporário Fonte: Fecomercio Em acréscimo ao Mix Legal Express, nº 168, de 2014, que trata de algumas peculiaridades do trabalho temporário, a que se refere à Lei nº 6.019 de 1974 e Portaria do

Leia mais

IBRACON NPA nº 08 - Serviços de Auditoria dos Processos de Privatização

IBRACON NPA nº 08 - Serviços de Auditoria dos Processos de Privatização IBRACON NPA nº 08 - Serviços de Auditoria dos Processos de Privatização INTRODUÇÃO 1. O processo de venda de ativos, de modo geral, e de participações societárias, principalmente as majoritárias, em particular,

Leia mais

O CONGRESSO NACIONAL decreta:

O CONGRESSO NACIONAL decreta: Altera a Lei nº 8.245, de 18 de outubro de 1991, que dispõe sobre as locações de imóveis urbanos e os procedimentos pertinentes. O CONGRESSO NACIONAL decreta: Art. 1º Esta Lei introduz alteração na Lei

Leia mais

PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO ACÓRDÃO

PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO ACÓRDÃO ACÓRDÃO Registro: 2012.0000073026 Vistos, relatados e discutidos estes autos de Apelação nº 0145148-24.2009.8.26.0100, da Comarca de São Paulo, em que é apelante ASSEFAC ASSESSOR FACTORING LTDA sendo apelados

Leia mais

PROGRAMA DE OUTORGA DE AÇÕES RESTRITAS. O presente Programa de Outorga de Ações Restritas é regido pelas disposições abaixo.

PROGRAMA DE OUTORGA DE AÇÕES RESTRITAS. O presente Programa de Outorga de Ações Restritas é regido pelas disposições abaixo. PROGRAMA DE OUTORGA DE AÇÕES RESTRITAS O presente Programa de Outorga de Ações Restritas é regido pelas disposições abaixo. 1. Conceituação 1.1. O Programa consiste na outorga de ações ordinárias da Companhia,

Leia mais

TRANSFERÊNCIA DE INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR - Estudo técnico

TRANSFERÊNCIA DE INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR - Estudo técnico TRANSFERÊNCIA DE INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR - Estudo técnico 1. - Necessidade de existência de mantenedoras das instituições educacionais No Brasil é obrigatório que uma escola, tanto de educação

Leia mais

Inserindo-se no tema maior objeto do presente Encontro a recuperação

Inserindo-se no tema maior objeto do presente Encontro a recuperação RECUPERAÇÃO JUDICIAL E EMPREGADOS. BREVES COMENTÁRIOS Gisela de Castro Chamoun * Inserindo-se no tema maior objeto do presente Encontro a recuperação judicial e seus reflexos nos créditos trabalhistas

Leia mais

PARECER Nº 003/2009/JURÍDICO/CNM INTERESSADOS:

PARECER Nº 003/2009/JURÍDICO/CNM INTERESSADOS: PARECER Nº 003/2009/JURÍDICO/CNM INTERESSADOS: PREFEITOS DE DIVERSOS MUNICÍPIOS BRASILEIROS ASSUNTOS: O FGTS E A CONVERSÃO DO REGIME CELETISTA PARA O ESTATUTÁRIO. DA CONSULTA: Trata-se de consulta formulada

Leia mais

A RECUPERAÇÃO JUDICIAL DA PARMALAT.

A RECUPERAÇÃO JUDICIAL DA PARMALAT. 1 A RECUPERAÇÃO JUDICIAL DA PARMALAT. Vinicius Leal Batista de Andrade 1 RESUMO A empresa seus aspectos e características, notas breves sobre o que venha ser uma empresa, sua função. Recuperação judicial,

Leia mais

EMENTA ACÓRDÃO. LUÍSA HICKEL GAMBA Relatora

EMENTA ACÓRDÃO. LUÍSA HICKEL GAMBA Relatora INCIDENTE DE UNIFORMIZAÇÃO JEF Nº 2005.70.53.001322-8/PR RELATOR : Juiz D.E. Publicado em 20/02/2009 EMENTA ADMINISTRATIVO. SERVIDOR PUBLICO. ADICIONAL POR TEMPO DE SERVIÇO. ANUÊNIOS SUBSTITUÍDOS POR QÜINQÜÊNIOS.

Leia mais

CÂMARA DE COORDENAÇÃO E REVISÃO PGT/CCR/1248/2008. Interessado: PRT 15ª Região. Conflito de atribuição. Relatório

CÂMARA DE COORDENAÇÃO E REVISÃO PGT/CCR/1248/2008. Interessado: PRT 15ª Região. Conflito de atribuição. Relatório CÂMARA DE COORDENAÇÃO E REVISÃO PGT/CCR/1248/2008 Interessado: PRT 15ª Região Assunto: Conflito de atribuição Relatório Trata-se de conflito de atribuição que, em razão da determinação do ilustre Procurador

Leia mais

PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO. Registro: 2015.0000421989 ACÓRDÃO

PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO. Registro: 2015.0000421989 ACÓRDÃO fls. 243 Registro: 2015.0000421989 ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos de Apelação nº 1114351-72.2014.8.26.0100, da Comarca de São Paulo, em que é apelante BROOKFIELD SÃO PAULO EMPREENDIMENTOS

Leia mais

DO MINISTÉRIO PÚBLICO art.170 a art175

DO MINISTÉRIO PÚBLICO art.170 a art175 CONSTITUIÇÃO FEDERAL 88 DO MINISTÉRIO PÚBLICO art.127 a art.130- A Art. 127. O Ministério Público é instituição permanente, essencial à função jurisdicional do Estado, incumbindo-lhe a defesa da ordem

Leia mais

SUPERINTENDÊNCIA DE SEGUROS PRIVADOS

SUPERINTENDÊNCIA DE SEGUROS PRIVADOS SUPERINTENDÊNCIA DE SEGUROS PRIVADOS CIRCULAR SUSEP N o 477, DE 30 DE SETEMBRO DE 2013. Dispõe sobre o Seguro Garantia, divulga Condições Padronizadas e dá outras providências. O SUPERINTENDENTE DA SUPERINTENDÊNCIA

Leia mais

NORMATIVO SARB 002/2008

NORMATIVO SARB 002/2008 O Conselho de Auto-Regulação Bancária, com base no art. 1 (b), do Código de Auto-Regulação Bancária, sanciona as regras abaixo dispostas, formalizando preceitos comuns a todas as signatárias da auto-regulação

Leia mais

1º A gestão do Programa cabe ao Ministério das Cidades e sua operacionalização à Caixa Econômica Federal CEF.

1º A gestão do Programa cabe ao Ministério das Cidades e sua operacionalização à Caixa Econômica Federal CEF. LEI 10.188, DE 12 DE FEVEREIRO DE 2001 Cria o Programa de Arrendamento Residencial, institui o arrendamento residencial com opção de compra e dá outras providências. Faço saber que o Presidente da República

Leia mais

Lei 11.795/08 A NOVA LEI DE CONSÓRCIOS. Juliana Pereira Soares

Lei 11.795/08 A NOVA LEI DE CONSÓRCIOS. Juliana Pereira Soares Lei 11.795/08 A NOVA LEI DE CONSÓRCIOS Art. 2º da Lei 11.795/08: Consórcio é a reunião de pessoas naturais e jurídicas em grupo, com prazo de duração e número de cotas previamente determinados, promovida

Leia mais

O CONTRATO DE TRABALHO POR PRAZO DETERMINADO

O CONTRATO DE TRABALHO POR PRAZO DETERMINADO O CONTRATO DE TRABALHO POR PRAZO DETERMINADO Thiago Leão Nepomuceno (*)1 Normalmente, todo final de ano ao se aproximar traz consigo um aumento na demanda de algumas empresas, fazendo com que a necessidade

Leia mais

CONTRATO DE TRABALHO POR PERÍODO INDETERMINADO DE ESTRANGEIRO PROFISSIONAL NÃO TÉCNICO / ESPECIALISTA

CONTRATO DE TRABALHO POR PERÍODO INDETERMINADO DE ESTRANGEIRO PROFISSIONAL NÃO TÉCNICO / ESPECIALISTA Avenida Paulista 2006, 16º andar 01312-200 São Paulo, SP Brasil Telefone: (+55 11) 32 97 31 21 Fax: (+55 11) 32 97 31 17 Cabinet Chantereaux 22, Place du Général Catroux 75017 Paris FRANCE téléphone: (+33)

Leia mais

Honorários Periciais Judiciais

Honorários Periciais Judiciais Honorários Periciais Judiciais Atualização monetária Juros legais de mora Impugnação aos Cálculos CAROLINE DA CUNHA DINIZ Máster em Medicina Forense pela Universidade de Valência/Espanha Título de especialista

Leia mais