Sociologia e Trabalho: Uma Leitura Sociológica Introdutória

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1 1 Sociologia e Trabalho: Uma Leitura Sociológica Introdutória Walmir Barbosa

2 2 SUMÁRIO APRESENTAÇÃO AS CIÊNCIAS SOCIAIS AS TEORIAS CLÁSSICAS O Pensamento Positivista O Pensamento de Marx O Pensamento Liberal de Max Weber O SENTIDO ONTOLÓGICO DO TRABALHO HISTÓRIA, SOCIEDADE E TRABALHO Sociedade Primitiva e Trabalho Sociedade Escravista e Trabalho Sociedade Feudal e Trabalho Sociedade Moderna e Trabalho Sociedade Contemporânea e Trabalho CAPITALISMO, DINÂMICA DE REPRODUÇÃO E CRISE UMA ABORDAGEM CRÍTICA DO ESTADO ESTADO E AUTORITARISMO NO BRASIL PADRÃO DE ACUMULAÇÃO CAPITALISTA NO BRASIL DO SÉCULO XX Introdução Reorganização da Cafeicultura e Industrialização A Formação do Assalariado Urbano Da Manufatura à Indústria: A Difícil Transição Estado, Classe Operária e Padrão de Acumulação de 1930 a A Revolução de 30 e o Surgimento do Estado Intervencionista O Operariado no Conjunto das Transformações do Período Industrialização e Padrão de Acumulação Padrão de Acumulação Capitalista Internacionalizado A Nova Fase de Expansão Contradições e Desequilíbrios do Novo Padrão de Acumulação e Financiamento Capitalista A Crise de 1962 a

3 As Características do Ciclo Econômico do Milagre Econômico Brasileiro Contradições e Crise do Milagre Econômico Brasileiro O II Plano Nacional de Desenvolvimento O II PND: O Prolongamento da Acumulação Precedente e a Postergação da Agonia O II PND e as Contradições Burguesas Contradições e Crise do II PND A Articulação do Modelo Econômico A Transição Para o Novo Padrão de Acumulação Capitalista e de Financiamento GLOBALIZAÇÃO E REESTRUTURAÇÃO PRODUTIVA IMPÉRIO E DESTRUIÇÃO Anexo 1

4 4 APRESENTAÇÃO Convivemos com um período histórico particularmente difícil para o mundo do trabalho. A democracia liberal reduzida a um caráter formal e a economia de mercado global acima da política de sentido público e das necessidades humanas, têm determinado fenômenos sociais como o acirramento das contradições e conflitos sociais, a busca pelas soluções individuais, a desideologização do debate político e o avanço do relativismo, do irracionalismo e do niilismo na sociedade atual. O cinismo percorre o pensamento e a ação social de grande parte dos indivíduos e grupos sociais que têm conservado o acesso privilegiado aos bens materiais e culturais. Legitimam e justificam, de forma ativa ou passiva, direta ou indireta, explícita ou implícita, a democracia liberal formal e a economia de mercado global, arquitetas do fascismo social em curso em todo o mundo. O presente texto pretende-se uma contribuição de caráter introdutório, no âmbito de temas sociológicos e históricos, no sentido de proporcionar uma instrumentação teórica e metodológica de abordagem crítica da realidade atual. O enfoque buscará uma abordagem de totalidade da realidade a partir do mundo do trabalho. O presente texto pretende-se constituir em um caderno didático básico e disponível eletronicamente, voltado para a disciplina Sociologia do Trabalho. Enquanto material didático concebido eletronicamente nos permitirá a sua reapreciação e reestruturação continuada a partir da avaliação permanente conduzida por alunos e professores da disciplina. Em que pese os limites de um texto de caráter introdutório e do próprio autor é necessário que se registre as contribuições de Ana Paula O. S. Nunes e de Sebastião Cláudio Barbosa. Estas contribuições ocorreram por meio de leituras críticas e debates pessoais, nem sempre assimiladas pelo autor.

5 5 1. AS CIÊNCIAS SOCIAIS As ciências sociais possuem como objeto de investigação e estudo o comportamento social humano. Comportamento este que pode assumir diversas expressões e formas sociais. À medida que o conhecimento acerca do comportamento humano foi sendo ampliado, as ciências sociais foram se dividindo em diversas ciências particulares. Dessa forma se consolidaram na: a) Sociologia, que se ocupa do estudo das relações sociais e das formas de associação dos diversos grupos sociais. São temas de investigação da sociologia a divisão social da sociedade, os conflitos sócio-politicos, os processos de mudança social etc. b) Economia, que se ocupa do estudo do processo de produção, circulação, distribuição e consumo de bens e serviços. São temas da investigação da economia o padrão de acumulação capitalista vigente, as políticas públicas sobre a esfera do mercado etc. c) Antropologia, que se ocupa do estudo das origens e desenvolvimento da cultura dos diversos grupos humanos (étnico, nação etc), bem como suas identidades culturais. São temas de investigação da antropologia a indústria cultural, mitos e ritos antigos reminiscentes na nossa contemporaneidade etc. d) Ciência Política, que se ocupa do estudo das relações de poder no âmbito das macro e micro estruturas sociais. São temas de investigação da Ciência Política o caráter e o papel do Estado, as lutas e conflitos políticos etc. Surge a Sociologia Conforme disse certa vez um pensador não há raios em dia de céu azul. Os fenômenos, sejam eles naturais ou sociais, são fruto de condições e circunstâncias que podem ser mais ou menos evidentes, mas que serão sempre determinantes para a sua materialização. A sociologia surge como o resultado de condições e circunstâncias historicamente determinadas. A acumulação primitiva do capital, que transforma o trabalho em mercadoria e revoluciona a produção e a circulação das mercadorias, e a emergência do urbanismo, antropocentrismo e do espírito crítico-investigativo, que dessacraliza a política e o Estado e coloca o pensamento liberal e contratual no centro das relações sociais, desagrega

6 6 progressivamente o chamado Antigo Regime, isto é, a sociedade de ordens, o absolutismo e o mercantilismo. Entre os séculos XV e XVIII transformações progressivas nas esferas sociais econômicas, políticas e culturais estão, portanto, em curso. Como conseqüência, ocorrem as revoluções industrial e burguesa, de forma a consolidar definitivamente a sociedade moderna e o projeto social burguês. A afirmação da nova sociedade intensifica as contradições e os conflitos sociais. Os conflitos de classes envolvendo as classes sociais tradicionais (aristocracia, artesãos e camponeses) e as classes sociais emergentes (burguesia, camadas médias e proletários) e, principalmente, as novas classes sociais fundamentais, isto é, a burguesia e o proletariado. A sociologia surge, portanto, para refletir sobre as transformações, crises e antagonismos de classes que acompanham a afirmação da sociedade industrial e burguesa. A sociologia não surge para contestar e/ou criticar a nova sociedade em consolidação. A preocupação fundamental dos primeiros sociólogos consiste na reorganização e reestruturação da sociedade capitalista e burguesa, de forma a encontrar um padrão social saudável. O compromisso para com a preservação e manutenção da chamada nova ordem capitalista encontra-se explícita no pensamento dos primeiros sociólogos. A objetividade científica na sociologia O conhecimento científico objetivo ou objetividade científica é uma busca permanente de toda ciência e de todo pesquisador. Nas ciências sociais este objetivo não é facilmente alcançável. Os fatos sociais são singulares, não se repetem jamais. Tal singularidade priva as ciências humanas da possibilidade de formular sistemas explicativos causais, o que faz de qualquer fato social e de qualquer pesquisa sobre ele, processos sociais singulares e sujeitos à arbitrariedade do sujeito que investiga o objeto. É necessário, portanto, reconhecer o quanto é problemática a questão da objetividade científica nas ciências sociais. De fato, podemos nos deixar conduzir, no estudo da sociedade ou de grupos sociais a que pertencemos ou com os quais nos identificamos, por um conjunto de idéias, crenças e valores que apreendemos ao longo da nossa existência. Hoje reconhecemos mais claramente que a imparcialidade e a neutralidade do sujeito que investiga frente ao objeto investigado é uma ilusão, uma miragem cada vez mais raramente não reconhecida. Este fato, todavia, não pode ser tranqüilizador. A objetividade científica, que não é

7 7 de forma alguma facilmente alcançável, pode ser conquistada. Portanto, é necessário buscar o distanciamento ideológico-político frente ao fenômeno investigado e a abertura para novas possibilidades teóricas, metodológicas e técnicas na investigação do referido fenômeno. A sociologia no Brasil Transformações profundas têm início no Brasil a partir da lei Eusébio de Queiroz e da Lei de Terras, ambas de Por meio delas tem início a transição do trabalho escravo para o trabalho livre e a transformação do trabalho (não do trabalhador) em mercadoria, isto é, tem início a transição das relações escravistas de produção para as relações capitalistas de produção no país. Transformações são mais sentidas a partir de Observa-se uma rápida expansão demográfica, um considerável processo de urbanização, a formação de segmentos médios urbanos, uma intensa imigração européia, uma expansão inusitada da nova cafeicultura capitalista, o surgimento das primeiras indústrias, entre outros processos. Estas transformações culminam no processo de afirmação do projeto liberal republicano por meio da abolição da escravidão, da Proclamação da República e da constituição promulgada de Surge nesse processo, o Estado burguês no Brasil. Estas transformações também estão presentes no pensamento. No plano da criação literária, por exemplo, surge a reflexão e a crítica social, conforme demonstram as obras de Aluízio de Azevedo, de Machado de Assis e de Castro Alves. Mas, seguramente, será com Euclides da Cunha, por meio da obra Os Sertões (1902), que a reflexão e a crítica social opera um grande passo no Brasil, seja para compreender o país, seja para afirmar um pensamento que se ocupa do comportamento social humano. Os Sertões permite um olhar para o país a partir dele mesmo, no qual se busca identificar as contradições entre o litoral e o interior, o urbano e o rural. Permite, ainda, um olhar para as classes sociais subalternas, e as mesmas são reconhecidas como possuidoras de capacidade e possibilidade de transformar a realidade. Nas primeiras décadas do século XX o processo de urbanização e de industrialização acentuará perspectivas nacionalistas, modernistas e desenvolvimentistas. São exemplo destas perspectivas o movimento tenentista, a Semana de Arte Moderna e a Revolução de Definitivamente encontra-se despertada junto a setores da classe burguesa vinculada a indústria e às camadas médias intelectualizadas a necessidade da compreensão dos conflitos sociais, das contradições entre modernização e arcaísmo, do aprimoramento das instituições

8 8 públicas em face das novas necessidades. O ambiente histórico favorável para o surgimento da sociologia enquanto uma ciência voltada para o conhecimento sistemático e metódico da sociedade, culmina na fundação da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (1934) da Universidade de São Paulo, influenciada pela sociologia francesa de inspiração weberiana e marxista, e com a fundação da Escola Livre de Sociologia e Política (1933), influenciada pela sociologia norte-americana de inspiração neopositivista e funcionalista. O surgimento das faculdades de sociologia encontra-se profundamente influenciado por Caio Prado Júnior, Gilberto Freyre e Sérgio Buarque de Holanda. Estes estudiosos influenciaram profundamente os anos 30 e 40. Caio Prado Júnior, lançando mão do método marxista e partindo do referencial histórico, busca uma investigação de cunho social. Por meio de obras como Evolução Política do Brasil (1933) e Formação do Brasil Contemporâneo (1942), investiga o caráter subalterno e dependente da sociedade brasileira, desde a sua origem até o século XX, bem como as formas de opressão e exploração dos grupos sociais subalternos. Sérgio Buarque de Holanda, lançando mão do método weberiano e partindo do referencial histórico-cultural, busca uma investigação da trama estabelecida entre a ocupação do espaço brasileiro e a construção da subjetividade destes grupos humanos. Por meio de obras como o Raízes do Brasil (1936) e Visão de Paraíso (1959), investiga a visão esteriotipada dos europeus acerca do Brasil. Gilberto Freyre, lançando mão do método funcionalista e partindo do referencial antropológico, busca uma investigação da cultura nacional. Por meio de obras como Casa- Grande e Senzala (1933) e Sobrados e Mocambos: decadência do patriarcado rural no Brasil (1936), investiga a fusão de raças, regiões e culturas e o papel do negro na formação da identidade cultural brasileira. Nos anos 50 o Pensamento social brasileiro amadurece definitivamente graças aos estudos de Florestan Fernandes e Celso Furtado. Florestan Fernandes busca, de um lado, uma síntese entre a formação teórica e a formação prática transformadora, isto é, busca uma ciência da práxis; de outro, uma abordagem que combinasse a identificação das estruturas os fundamentos da organização social com conjunturas históricas contradições geradas pela dinâmica interna da estrutura. Florestan Fernades representa uma continuidade em relação a Caio Prado Júnior, visto que também busca compreender as raízes do caráter subalterno e dependente do Brasil, bem como dar voz aos grupos sociais subalternos por meio de obras como A organização social dos tupinambás (1948) e A integração do negro à sociedade de classes (1964).

9 9 Celso Furtado busca construir uma interpretação histórica da formação e desenvolvimento econômico do Brasil e da América Latina no contexto das relações internacionais, a partir de referencias weberianas e keynesianas. O seu objetivo principal é compreender o subdesenvolvimento. Para Celso Furtado o subdesenvolvimento não seria uma etapa histórica necessária para os países alcançarem o pleno desenvolvimento capitalista, e sim o fruto do próprio desenvolvimento do capitalismo, e que leva ao sacrifício de povos, países e continentes. Celso Furtado compreendia, ainda, que o subdesenvolvimento poderia ser superado nos marcos do próprio capitalismo por meio de intervencionismo e planificação estatal, da estratégia de industrialização por substituição de importações, da defesa do mercado interno e da modernização do setor agropecuário.procura demonstrar estas teses por meio de obras como Formação Econômica do Brasil (1959) e Formação Econômica da América Latina (1969). Nos anos 60 e 70 o pensamento social brasileiro é profundamente marcado por pensadores como Darcy Ribeiro e Octávio Yanni. Darcy Ribeiro busca estudar a questão indigenista sob influência do estruturalismo de Levi-straus e do marxismo. Dentre suas obras de maior destaque encontram-se O Processo Civilizatório (1968) e Os Brasileiros (1969). Octávio Yanni busca estudar o desenvolvimento econômico brasileiro, a exploração e a resistências dos grupos sociais do mundo do trabalho, referenciados nos clássicos marxistas e weberianos. Dentre suas obras de maior destaque encontram-se Estado e Planejamento Econômico no Brasil 1930 a 1970 (1971) e A sociedade global (1993). O pensamento social brasileiro encontra-se profundamente influenciado pela ofensiva liberal, também denominada neoliberal, em todo o mundo. Esta ofensiva teve início com a ascensão dos conservadores e republicanos neoliberais, respectivamente, na Inglaterra (Thacher, 1979) e nos Estados Unidos (Reagan, 1980) e foi aprofundada com a queda do Muro de Berlim (1988) e com o fim da União Soviética (1991). A ofensiva liberal culmina na campanha ideológica neoliberal, ancorada em aspectos como na crítica do intervencionismo estatal, na defesa da privatização e desregulamentação da economia, na ação política de desarticulação da rede pública e previdenciária de proteção social, de um lado, e na campanha ideológica globalitária, ancorada em aspectos como na crítica das barreiras alfandegárias, na livre movimentação de capital, mercadorias e serviços, no novo impulso no processo de mundialização das empresas transnacionais. As conseqüências para o pensamento social brasileiro foram o refluxo dos estudos sociais, o abandono da teoria e

10 10 metodologia marxista por diversos intelectuais, o crescimento dos estudos de abordagem fragmentada, a revitalização de estudos de mentalidade, cultura, identidade etc. Mais recentemente, observa-se a intensa retomada dos estudos dos fenômenos sociais, da teoria e metodologia marxista e de abordagens de totalidade. Isto porque, de um lado, a ordem mundial pós guerra fria não proporciona uma distribuição mais justa dos bens materiais e culturais, muito pelo contrário. De outro lado, o próprio agravamento da crise social, econômica, política e ideológico-cultural do capitalismo e da sociedade burguesa, impõe desafios e respostas inusitadas para as contradições e conflitos sociais. Enfim, a perspectiva de uma ordem social nacional e internacional de abastância de bens e de paz e do fim das revoluções, imortalizada na tese do fim da história de Francys Fukuyama, dá lugar a bruta realidade. Neste contexto cabe à sociologia, em especial na sua concepção crítico-transformadora, contribuir para a interpretação dessa realidade.

11 11 2. AS TEORIAS CLÁSSICAS A sociologia, já na sua origem, se ocupa das contradições e conflitos que percorrem a sociedade. Todavia, a abordagem das contradições e conflitos assumem perspectivas e compromissos sociais e políticos profundamente diferenciados. O pensamento positivista, o pensamento de Marx e o pensamento de Weber expressam o prolongamento das contradições e conflitos sociais para o próprio pensamento social O Pensamento Positivista O Positivismo nasce de pensadores como Saint-Simon, August Comte e Émile Durkeim. Para os positivistas a sociedade, tal qual o mundo natural, seria regida por leis naturais, invariáveis, independentes da ação e da vontade dos indivíduos. O papel da ciência positiva seria observar e descrever, sob neutralidade e objetividade científica, estas leis de forma que os homens pudessem agir de acordo com elas. A concepção positivista concebe a sociedade como um organismo composto por partes diferentes e interdependentes. A existência saudável desta sociedade depende da integração entre as partes e do desempenho da função específica de cada uma das mesmas. Assegurar integração e desempenho de função proporcionaria um padrão de saúde social cuja expressão seria o consenso, a conciliação e a coesão social. Assegurar a harmonia entre as partes, dentro da ordem natural do mundo social, tornaria possível a sociedade evoluir crescentemente, isto é, atingir o progresso. Contudo, em uma sociedade em que cada indivíduo ou grupo a parte contestasse o seu lugar natural no interior da sociedade, desconhecendo o seu papel e função específica, teria início a desintegração e a crise de desempenho de função. Estabeleceria um estado de patologia social, cuja evidência seria o conflito. Neste contexto, o progresso técnico, econômico, social, político, cultural, escolar etc, estaria comprometido. Para os positivistas a própria dinâmica acelerada das sociedades industriais contemporâneas geraria um ambiente social permissivo a conflitos. A dinâmica acelerada de criação de novas relações sociais proporcionada pela sociedade industrial, por exemplo, não permitiria o tempo necessário para sedimentar usos e costumes que gerariam uma regulamentação legal adequada sobre os direitos e deveres das partes que compõem o todo social. Estabeleceria estados de anomia social, isto é, de ausência de leis claramente

12 12 estabelecidas para dirigir a conduta dos indivíduos. A perpetuação do estado de anomia geraria o caos e a desordem social de forma a colocar sob risco a sociedade e o progresso social. A investigação das relações entre capital e trabalho sob uma conjuntura de transformações capitalistas mergulhadas em estado de anomia social cumpriria, por exemplo, o papel de proporcionar ao poder público e empresários as condições para formular e estabelecer a legislação trabalhista adequada aos novos tempos. Como resultado ocorreria a superação do conflito entre capital e trabalho. Estado e Política Científica Para a concepção positivista o cientista social, em especial o sociólogo, possui o instrumental científico para detectar os estados de normalidade e de patologia social. Todavia, não dispõe do instrumental político para materializar as suas conclusões científicas. A materialização das conclusões científicas caberia a outro grupo social, os políticos. Isto porque os políticos integrariam o Estado, instituição concebida por eles como sendo superior a todas as outras instituições e acima dos indivíduos e dos grupos sociais, cuja função seria coordenar as funções das diversas partes da sociedade, de forma a assegurar o bem comum, a harmonia, a ordem e o progresso social. Assim, o Estado seria o cérebro social, o lugar da política que zela pelo bem comum (Ridenti, 1992, p. 9). A concepção positivista concebe a política como instrumento para o tratamento das patologias identificadas e descritas pela sociologia, isto é, como a instituição necessária entre a descoberta científica da ciência sociológica e a realidade a ser tratada. A atuação política não poderia, portanto, encontrar-se ao sabor irresponsável e inconstante dos operadores políticos. Poderia e deveria ser conduzida cientificamente pelos operadores políticos para combater os conflitos, gerar a ordem social e promover o progresso econômico. Nesta perspectiva, quando a atuação dos operadores políticos for igualmente científica, o futuro político será previsível. Isto porque o futuro, ainda que sujeito a anomia social, seria o desenvolvimento natural do presente racionalizado e planejado. Sociedade e Vontade Política Para a concepção positivista a sociedade, por meio de instrumentos ou espaços sociais como a educação, a família, a igreja, a empresa etc, impõe um processo de sociabilização dos indivíduos. O indivíduo incorporaria como seus valores próprios as regras de conduta social

13 13 impostas pela sociedade, a exemplo do uso da linguagem, do amor à pátria, do respeito às instituições, e assim por diante. Na sociedade contemporânea os indivíduos teriam realçado o seu papel. Isto porque ocorreria uma intensa divisão social e técnica do trabalho, respectivamente, na sociedade e no local de trabalho. O fortalecimento das individualidades se articularia com a extrema interdependência e solidariedade dos indivíduos, isto é, quanto mais o progresso técnico individualizasse o indivíduo mais o tornaria interdependente. Nesta perspectiva, progresso social e liberdade individual caminhariam na mesma direção quando a sociedade se encontrasse sob um estado de ordem social. Do ponto de vista político caberia aos indivíduos declinar de realizar mudanças nas leis que regem o desenvolvimento social e que estão fora e acima das vontades particulares. Caberia aos indivíduos concorrer para que estas leis atuassem livremente, somente possível com o desenvolvimento da sociedade sob um estado de ordem social O Pensamento de Marx Marx, por meio do diálogo crítico com os pensadores que o precedem e do compromisso com o mundo do trabalho, formula um novo método de análise. Método este que proporciona uma nova concepção de homem e de sociedade, uma interpretação dialética da história e uma crítica da economia política burguesa. Sociedade e Totalidade em Marx Identificar o método de análise de Marx nos impõe, de início, expor o seu conceito de sociedade. Para Marx, a sociedade, articulada por meio de uma formação social concreta e específica, seria produto do desenvolvimento individual e da ação recíproca dos homens, tenham eles consciência disso ou não. Entretanto, não poderiam eleger a formação social em que se encontram, nem tampouco arbitrar livremente sobre suas forças produtivas. A formação social e as forças produtivas seriam o resultado, respectivamente, das lutas sociais e da ação sobre a natureza conduzidos por parte dos homens que os precederam. A sociedade se conformaria em um todo complexo e interdependente, sujeita a múltiplas determinações. A um determinado nível do desenvolvimento das forças produtivas, corresponderia um determinado desenvolvimento da produção, do comércio e do consumo. Um determinado nível do desenvolvimento da produção, do comércio e do consumo, corresponderia

14 14 a um determinado desenvolvimento das formas de organização social organização da família, das classes sociais etc. Um determinado nível de desenvolvimento das formas de organização social, corresponderia a um determinado Estado. Um determinado desenvolvimento das forças produtivas e das relações de produção, corresponderia a determinadas expressões ideológicoculturais (Marx e Engels, 1952, p ). A sociedade, articulada por meio de uma formação social concreta e específica, encontrar-se-ia em constante movimento. Portanto, qualquer formação social seria sempre transitória e histórica. Este conceito de sociedade é uma construção proporcionada pelo método dialético e compõe a concepção materialista da história. A compreensão das sociedades de classes, por exemplo, não pode ocorrer, portanto, abstraindo a gênese da sociedade, o modo como ela é produzida e o modo como ela opera em função da sua própria gênese. O Método Dialético Para Marx, a idéia não pré-existiria ao real, ao material. A idéia seria o próprio real transposto e traduzido no pensamento do homem. Marx excluía o sublime, o fantástico do existente, do real. Essa leitura dialética e materialista da relação entre idéia e real determinaria o método de análise de Marx, de modo que este partiria sempre da investigação preliminar do real e do concreto. Não do real e do concreto idealizado, como poderia sugerir o termo população, quando abstraído das suas classes sociais, das relações de produção sobre as quais se apoia etc, que, segundo Marx, somente poderia permitir atingir abstrações frágeis e progressivamente mais simples. Mas do real e do concreto enquanto uma rica totalidade de determinações e diversas relações. Para Marx 1982, p. 14), (...) o concreto aparece no pensamento como o processo da síntese, como resultado, não como ponto de partida, ainda que seja o ponto de partida efetivo e, portanto, o ponto de partida também da intuição e da representação. No primeiro método, a representação plena volatiliza-se em determinações abstratas, no segundo, as determinações abstratas conduzem à reprodução do concreto por meio do pensamento. Por isso é que Hegel caiu na ilusão de conceber o real como resultado do pensamento que se sintetiza em si, se aprofunda em si, e se move por si mesmo; enquanto que o método que consiste em elevar-se do abstrato ao concreto não é senão a maneira de proceder do pensamento para se apropriar do concreto, para reproduzilo como concreto pensado. Mas este não é de modo nenhum o processo da gênese do próprio concreto.

15 15 Partir do real e do concreto permitiria, segundo Marx, apreender dinâmicas 1 e formular conceitos, enquanto expressão de múltiplas determinações do real captado e (re)construído no pensamento. Para Marx, expressaria o curso do pensamento abstrato que se eleva do mais simples ao complexo e que corresponderia, efetivamente, ao próprio processo histórico (Marx, 1982, p. 15). Encerrado esse momento retornar-se-ia ao real, mas agora enquanto real reconstruído e conhecido. O real se apresentaria enquanto um fluxo permanente de movimento e de contradição. Movimento e contradição seriam dados objetivos do real, visto que emergiriam das próprias bases sobre as quais historicamente se configuraria o real. Portanto, independentemente da própria compreensão da idéia de movimento e de contradição (ou das representações construídas no âmbito do pensamento, tendo em vista expressá-las), elas percorreriam o pensamento e a prática do homem. Movimento e contradição expressar-se-iam em um período ou etapa histórica dominado por um modo de produção. Esse, por sua vez, se manifestaria por meio de formações sociais concretas e específicas. O modo de produção, bem como as formações sociais concretas e específicas, seriam estruturas sociais historicamente determinadas. Marx concebe o real (a sociedade concreta em seu movimento e sob contradições) como um processo histórico. Esse real estaria regido por dinâmicas históricas. Não dinâmicas gerais, a- históricas que, emergidas de leis naturais, regeriam para todo o sempre o real, mas dinâmicas específicas a cada período ou etapa histórica e que se expressariam por meio de modos de produção e de formações sociais concretas e específicas. Essas dinâmicas regeriam o movimento social, por um lado, como um processo, em grande medida, independente da vontade, consciência e intenção dos homens; mas, por outro, capazes, ao mesmo tempo, de determinar concretamente a vontade, a consciência e as intenções dos homens como agentes sociais diferenciados. Esgotado historicamente um modo de produção, novas dinâmicas se conformariam ao longo do processo de surgimento de um novo modo de produção. Assim, por exemplo, as dinâmicas que regulamentariam o comércio, a população, a moeda, no mundo medieval 1 Marx em diversas passagens utilizou o termo lei para retratar a dinâmica de um modo de produção ou uma formação social concreta e específica, provavelmente influenciado pelo cientificismo do século XIX. Lei não no sentido que o positivismo atribuía a essa palavra, ou seja, algo constante, necessário e determinado pela coisa em si, que poderia ser reconhecido pelo homem através da observação direta dos fenômenos sociais e naturais. Para o positivismo, as leis naturais e sociais seriam idênticas. Já para Marx, as leis ou dinâmicas sociais seriam históricas e transitórias, expressando movimentos passíveis de transformação pela ação humana, não possuindo um sentido de

16 16 ocidental, não poderiam ser transpostas para compreender o comércio, a população e a moeda, no mundo capitalista ocidental. Categorias que encerram sentidos genéricos, como comércio, por exemplo, deveriam, por sua vez, ser investigadas dentro da especificidade que assumiriam em cada modo de produção. Para Marx, o fundamental na pesquisa científica seria, portanto, descobrir as dinâmicas que regeriam e modificariam os fenômenos estudados. Para ele essas dinâmicas atuariam nas condições e interesses materiais, inclusive no âmbito do próprio pensamento. Assim, a crítica do próprio pensamento, idéia, cultura, da sociedade moderna, somente poderia surgir do real, do material que o determina e não do pensamento refletindo diretamente sobre si mesmo. É da sua base material, o real, desvendado pela pesquisa, que o pensamento poderia auto-criticar-se e desalienar-se. Assim, o pensamento, a idéia, a cultura, em princípio fora de lugar, poderiam ser colocadas em seus devidos lugares. Marx cuida de distinguir, ainda, o método da pesquisa do método de exposição. Para Marx, a pesquisa tem de captar detalhadamente a matéria, analisar as suas várias formas de evolução e rastrear sua conexão íntima. Só depois de concluído esse trabalho é que se pode expor adequadamente o movimento real (Marx, 1988, p. 26). Marx dá exemplo concreto desta prática científica no estudo da economia política. Anteriormente à confecção da obra O Capital, Marx conduz estudos amplos e profundos sobre a mercadoria, o valor, a mais-valia, a reprodução (simples e ampliada) do capital, o dinheiro, entre outros temas, como podemos confirmar nos esquemas de estudo pessoal que tomam a forma das obras Para a Crítica da Economia Política e Teorias da Mais-Valia. Elas culminam, por meio do método dialético, na apreensão das dinâmicas que regem o capitalismo e que podem proporcionar condições sociais capazes de modificá-lo. A conquista do conhecimento do real e a sua exposição ordenada no plano do pensamento, podem criar a ilusão de uma construção a priori, de esquemas dedutivos. Mera ilusão, se pensarmos que uma obra, quando finalizada, nada mais é do que fruto de intensa pesquisa e exposição articulada por meio de uma coerência discursiva interna. Marx, conforme observamos, apresenta o seu método dialético dentro de uma configuração racional, empírica e materialista. Movimenta suas pesquisas do particular para o geral e vice-versa, busca apreender dinâmicas e formular conceitos por meio de estudos comparados dos fenômenos sociais, esforça para demonstrar a coesão entre o que anda nas exatidão matemática, mas de coerência geral determinada pelo todo interdependente dos elementos que compõe a sociedade.

17 cabeças e as bases materiais sobre as quais se localizam os pés e coloca a temporalidade dos fenômenos sociais no centro do seu pensamento. 17 A Concepção Materialista da História Os debates sobre a destruição furtiva e o parcelamento da propriedade do solo, em curso na Província Renana, desperta em Marx uma preocupação com os chamados interesses materiais (Marx e Engels, 1983, Volume 1, p. 300 e 301). O recolhimento de lenha por parte de um camponês em uma propriedade, considerada furto pela Dieta Renana, conduz Marx à tomada de consciência de que o direito protegia a propriedade. Esse processo ocorre na sua experiência como redator da Gazeta Renana, entre os anos de Em 1844, por meio dos Anais Franco-Alemães, as investigações desembocam na conclusão (...) de que tanto as relações jurídicas como as formas de Estado não podem ser compreendidas por si mesmas nem pela chamada evolução geral do espírito humano (...). Segundo Marx, elas (...) se baseiam, pelo contrário, nas condições materiais de vida (...). Ainda segundo Marx, (...) a anatomia da sociedade civil precisa ser procurada na economia política (Marx e Engels, 1983, Volume 1, p. 301). A continuidade dos seus estudos permite a Marx concluir que (...) na produção social da sua vida, os homens contraem determinadas relações necessárias e independentes da sua vontade, relações de produção que correspondem a uma determinada fase de desenvolvimento das suas forças produtivas materiais (Marx e Engels, 1983, Volume 1, p. 301). As relações de produção seriam as relações concretas que os homens estabeleceriam em uma determinada sociedade, tendo em vista a produção e reprodução dos indivíduos, das classes sociais e da sociedade. As relações de produção se expressariam na forma de propriedade, na forma de produção e distribuição dos excedentes sociais e na forma de organização das relações de trabalho entre as classes sociais. As relações de produção condicionariam profundamente as relações sociais em geral. As relações de produção encontrar-se-iam correlacionadas no seu desenvolvimento com as forças produtivas, que seriam os recursos tecnológicos, o conhecimento científico, as estruturas de produção rural e urbana, o nível de consciência social 2 etc. Para Marx, não seria 2 O conceito de consciência social em Marx incorporaria as formas de expressão da subjetividade humana (expressões literárias e filosóficas, romances, doutrinas religiosas, criações artísticas etc), bem como o nível de consciência e conhecimento da relação homem/natureza e das relações sociais. Essas manifestações da consciência social seriam ideológicas e mais ou menos racionais, humanistas e críticas, segundo o grau de desenvolvimento da

18 18 possível forças produtivas desenvolvidas, a exemplo do nível conquistado no capitalismo, coexistindo com relações de produção atrasadas historicamente se comparadas a estas, a exemplo das relações de produção feudais. Portanto, relações de produção e forças produtivas determinar-se-iam no desenvolvimento da sociedade humana. As relações de produção e as forças produtivas, em suas relações concretas e socialmente estabelecidas, formariam a estrutura 3 (ou base) econômica da sociedade. Sobre a estrutura (...) se levanta a superestrutura jurídica e política e à qual correspondem determinadas formas de consciência social (Marx, 1983, Volume 1, p. 301). Marx concebe uma interação e uma interdependência profunda entre a estrutura, responsável pela produção e reprodução da vida material, e a superestrutura, responsável pela produção e reprodução da vida política e espiritual. A relação dialética que Marx estabelece entre estrutura e superestrutura não exclui a ontologia. Neste ponto, Marx é categórico quando afirma que (...) não é a consciência do homem que determina o seu ser, mas, pelo contrário, o seu ser social é que determina a sua consciência (Marx, 1983, Volume 1, p. 301). Dito de outra forma, Marx não reconhece nas leis, nas formas do Estado, nas expressões subjetivas dos indivíduos, segmentos e classes sociais uma autonomia e independência da estrutura, ou seja, das condições materiais de existência da sociedade. Para Marx, a compreensão das superestruturas exige, necessariamente, um movimento de investigação que parta da estrutura. O Conceito de Modo de Produção Marx formula o conceito modo de produção para retratar a totalidade social representada pela estrutura e pela superestrutura. Marx integra, portanto, totalidade e estrutura para a compreensão, em grandes traços, dos longos períodos históricos de permanência ou conservação entendidos como movimentos que não alterariam a essência de uma estrutura, mas que coexistiriam com a acumulação quantitativa de condições materiais e espirituais, que levariam a um ponto de ruptura num futuro indeterminado ou breves períodos históricos de estrutura econômica, da experiência e de amadurecimento das classes sociais. Enfim, do estágio de desenvolvimento da sociedade humana. 3 O conceito de estrutura pode receber diversos sentidos e dimensões na teoria e metodologia marxista. Pode significar estrutura (base) econômica; superestrutura (estrutura fruto da materialização de instituições e formas de consciência social); estrutura global e abstrata identificada com o conceito de modo de produção ; estrutura global identificada com uma formação social (ou sócio-econômica) específica e concreta. O fundamental é que o conceito de estrutura remete sempre para um conjunto complexo de elementos interdependentes e estáveis (o que não significa eterno) no tempo; a estrutura pode ser pensada em si própria ou em relação a outras estruturas.

19 19 transformações bruscas ou revolucionárias entendidos como movimentos que alterariam a essência de uma estrutura, ou seja, rupturas qualitativas das condições materiais e espirituais responsáveis pela edificação de uma nova totalidade e estrutura. Marx indica que os grandes períodos históricos estariam estruturados a partir dos modos de produção comunal, asiático, antigo (escravo), feudal, e burguês. Modos de produção, social e historicamente determinados, mutáveis, portanto, contrariando o ideal burguês da naturalização das relações sociais, da sociedade burguesa e capitalista etc. Modo de Produção e Transformação Histórica Marx identifica contradições e conflitos na estrutura econômica da sociedade. Para Marx, as forças produtivas tenderiam para o desenvolvimento, o que as faria colidir com as relações de produção, que qualificaria e conservaria o modo de produção. Essa contradição, emergida da estrutura econômica, prolongar-se-ia para além das condições materiais da sociedade, penetrando na superestrutura e se expressando no âmbito jurídico, político e ideológico. Isto porque Marx entende a sociedade como uma totalidade, na qual a estrutura econômica exerce um profundo condicionamento sobre a superestrutura. A contradição surgida entre as forças produtivas e as relações de produção, responsáveis pelo prolongamento da contradição para o todo social, criaria um ambiente propício para transformações. Nas palavras de Marx (1983, Volume 1, p. 302), (...) abre, assim, uma época de revolução social. Quando se estudam essas revoluções, é preciso distinguir sempre entre as mudanças materiais ocorridas nas condições econômicas de produção e que podem ser apreciadas com a exatidão própria das ciências naturais, e as formas jurídicas, políticas, religiosas, artísticas ou filosóficas, numa palavra, as formas ideológicas em que os homens adquirem consciência desse conflito e lutam para resolvê-lo. Assim, a contradição que nasceria no âmbito da estrutura econômica e que se prolongaria para a superestrutura, não poderia ser superada por ela mesma. A contradição acima referida apenas criaria o espaço e o ambiente propício para as transformações. A transformação dependeria da ação do sujeito social, de forma a dar um sentido e uma direção para a remoção dos obstáculos que as relações de produção (em um determinado nível de desenvolvimento das forças produtivas) representariam no sentido do posterior desenvolvimento das forças produtivas. Para Marx, o termo sociedade expressaria um sujeito social genérico. Compreender a

20 20 história a partir desse sujeito social como um todo indiferenciado seria idealismo. A sociedade se manifestaria, de fato, por meio de sujeitos sociais concretos, ou seja, das classes sociais antagonizadas pela propriedade privada e em conflitos explícitos revoltas, revoluções, greves etc e ocultos inculcação de valores ideológicos, remanejamentos político-institucionais etc. As lutas de classes seriam conduzidas pelas classes dominantes e dominadas. Expressariam a praxis, ou seja, ações sociais (políticas, culturais etc), intencionais ou não, sempre ideológicas, com o propósito de conservar ou revolucionar as relações de produção. Marx supera, por meio da sua interpretação dialética do curso da história, o economicismo, que atribui ao fator econômico a responsabilidade pelas transformações, o evolucionismo, que reconhece uma dinâmica evolutivo-natural comandando o curso das mudanças, e o voluntarismo, que personifica as mudanças por meio da ação de determinados personagens e pequenos grupos, desprezando as estruturas econômicas e os embates de classes. Modo de Produção e Formação Social A distinção entre modo de produção e formação social não se apresenta clara para diversos cientistas sociais marxistas - incluindo historiadores. Alguns cientistas sociais marxistas reduzem o conceito de modo de produção a estrutura econômica. Reconhecem no conceito de superestrutura (formas de consciência e instituições) uma dimensão que se encontraria fora do conceito de modo de produção. Para esses cientistas sociais, modo de produção (estrutura econômica) e superestrutura (formas de consciência e instituições) se comporiam de forma interdependente em uma estrutura mais ampla denominada formação social - conjugação, portanto, do modo de produção e da superestrutura em uma realidade concreta e específica (Gorender, 1985, p. 1-35). Na concepção de Marx, modo de produção englobaria de forma integrada a estrutura (ou base) econômica e a superestrutura. O modo de produção seria o objeto teórico, genérico e abrangente. Uma elaboração teórico-abstrata em nível do pensamento que se prestaria a contribuir com os estudos de uma formação social (ou econômico-social) concreta e específica. Enquanto conceito teórico-abstrato estaria em constante construção, visto que os estudos sóciohistóricos permitiriam a descoberta de novos elementos e relações no âmbito do conceito de modo de produção (Vilar, 1988, p. 173 e 174). O conceito de formação social encerraria a realidade social concreta e específica. Seria, portanto, um conceito menos abrangente e que nos remeteria a uma formação histórica concreta e específica, a exemplo da formação social portuguesa do século XVI ou da formação

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