1- Imposto Mínimo. Garantir fontes estáveis de financiamento à Previdência Social

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1 1- Imposto Mínimo Objetivos: Corrigir uma flagrante injustiça no sistema tributário brasileiro mediante a desoneração do trabalho de sua pesada carga de tributos, tanto para o empregado quanto para o empregador Garantir fontes estáveis de financiamento à Previdência Social Simplificar o sistema tributário, corrigir a injusta distribuição da carga de impostos e combater o paraíso fiscal da evasão e da sonegação Implantar um projeto politicamente palatável para atrair apoio da opinião pública para a reforma tributária e para o governo, principalmente da classe média assalariada, formadora de opinião Garantir manutenção e, se possível, a crescente participação de Estados e Municípios na receita originada no Imposto Mínimo, que passará a suprir recursos para alimentar o FPE, FPM e os Fundos Regionais (FNO, FNE e FCO) 1

2 Proposta: 1) O Imposto Mínimo é um projeto que visa desonerar o custo e os rendimentos do trabalho no Brasil, tanto para o empregado como para o empregador, através das seguintes medidas Ajustar o Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), tornando-o menos oneroso para os assalariados, mantendo-se inalterada a tributação sobre ganhos financeiros, ganhos de capital e lucro das empresas; Desonerar a folha de salários das empresas, reduzindo custos, desestimulando a informalidade e ampliando a oferta de trabalho. 2) A aplicação do Imposto Mínimo prevê duas ações simultâneas: Elevação do limite de isenção do IRPF para assalariados, que aumentado-o significativamente; a arrecadação será suprida pelo Imposto de Renda Mínimo cobrado no crédito das movimentações financeiras, garantidos os mecanismos de repasse existentes para o FPE, FPM e Fundos Regionais. A tabela abaixo descreve a escala da alíquota do Imposto de Renda Mínimo necessário para permitir a elevação dos limites de isenção, como descrito: Desoneração Receita necessária para o IR mínimo R$ mi Alíquota necessária Até R$ 30 mil ,0 0,537% Até 25 mil ,5 0,495% Até R$ 20 mil ,0 0,454% Até R$ 13,7 mil ,0 0,402% 2

3 No mesmo prazo, será instituída uma Contribuição Mínima Previdenciária de 0,5% no débito das movimentações financeiras, destinada a financiar a Previdência Social, e desonerar os encargos patronais sobre a folha de salários das empresas, reduzindo a alíquota do INSS patronal de 20% para 0% sobre o valor da folha de pagamentos; 3) Para evitar acréscimo indevido de carga tributária para contribuintes atualmente isentos do IRPF e dos assalariados em geral, a proposta do Imposto Mínimo prevê duas importantes ressalvas: isenção do Imposto de Renda Mínimo para toda movimentação financeira até o atual limite mensal de isenção do IRPF (R$ 1.372,81) acréscimo (reembolso) salarial obrigatório de 0,5%, para todos os assalariados brasileiros, equivalente à alíquota da Contribuição Mínima Previdenciária. 3

4 2- Viabilidade Econômica Obstáculos na implantação do Imposto Mínimo A base da movimentação financeira é antipática; foi criada para ser Imposto Único mas virou um imposto a mais Por ser cumulativa virou paradigma de baixa qualidade de tributação Não é compartilhada com Estados e Municípios Como superá-los? O caminho é a instituição de uma tributação sobre movimentação financeira como uma contribuição substitutiva de outros tributos Pesquisas de opinião pública mostram aceitação dessa alternativa desde que outros tributos sejam eliminados (ANEXO III) Baixo custo a alta capacidade arrecadatória Interesse internacional no tema Resgatar experiência da Secretaria da Receita Federal que publicou vários estudos mostrando ser favorável a este tributo Estudos empíricos mostram que é eficiente e aumenta a competitividade da produção brasileira Imposto do futuro- globalização inviabiliza tributação convencional pelos estados nacionais Combate a sonegação e a evasão de impostos 4

5 O caminho para angariar apoio popular Introduzir padrões tributários capazes de fazer com que o o assalariado e o empregador paguem menos impostos, sonegadores, a economia informal, os contraventores e os que remetem capitais nacionais para paraísos fiscais e transferem lucros tributáveis para o exterior paguem alguma coisa; em outras palavras, acabar com o paraíso fiscal no qual vive boa parte dos contribuintes brasileiros que estão na economia informal e na ilegalidade, e que segundo o Banco Mundial abrange cerca de 40% do PIB brasileiro. 5

6 3- A implantação do Imposto Mínimo 1 Primeira Ação : Criar o Imposto de Renda Mínimo, aplicando-o a partir de 2009, com alíquota de até 0,5% nos créditos bancários com a finalidade de Reduzir o pagamento de imposto de renda para os assalariados e para outros rendimentos do trabalho, que são excessiva e injustamente tributados no Brasil. Segunda Ação: Criar a Contribuição Mínima Previdenciária, que prevê uma retenção sobre movimentação financeira nos débitos bancários com alíquota de 0,5%, cuja arrecadação será destinada a custear o INSS, cuja contribuição patronal será reduzida de 20% para 0% sobre a folha de pagamentos (Proposta da Comissão Ari Osvaldo Mattos Filho de 1991) 1 Vide ANEXO I para estimativas de alíquotas 6

7 4- Impacto Econômico Arrecadação atual permanece constante, ou seja, as receitas do INSS e do IRPF não se alteram: o INSS patronal (R$ 44 bilhões) o IRPF (fonte e ajuste) (R$ 56 bilhões) Desoneração dos rendimentos do trabalho do IRPF (assalariados e autônomos), que teriam acréscimo de renda até o teto de R$ 4 bilhões mensais, ou seja R$ 48 bilhões por ano, cerca de 2% do PIB de aumento do poder aquisitivo da economia formal brasileira. Desoneração das empresas, que teriam significativas reduções de seus custos de mão-de-obra, aumentando a demanda por emprego, e reduzindo o desemprego e a informalidade Impacto do Imposto Mínimo nos preços ao consumidor causará deflação média superior a 10% (ANEXO II) Aumento dos salários reais e do poder aquisitivo da população Redução da concorrência desleal causada pela sonegação de tributos e contenção do paraíso fiscal em que vivem os sonegadores e informais 7

8 5- Alguns detalhes operacionais Para evitar que os contribuintes hoje isentos do IRPF paguem o Imposto de Renda Mínimo, todos os rendimentos até o limite de isenção do IRPF (R$ 1.372,81) ficarão isentos de recolhimento de até 0,5% em sua movimentação financeira, equivalente ao Imposto de Renda Mínimo. Para evitar que os assalariados sofram aumento de carga tributária diretamente relacionada com a extinção da contribuição patronal ao INSS, todos os assalariados brasileiros receberão acréscimo salarial compensatório obrigatório equivalente à alíquota da Contribuição Mínima Previdenciária (0,5%). Para evitar que o pagamento de salários acima do valor de mercado se transforme em artifício para reduzir o lucro da empresas, causando queda de arrecadação do IRPJ, deve-se estabelecer tetos de pagamento de salários pelas empresas relativamente ao faturamento; ultrapassado o limite haverá retenção equivalente à tributação sobre lucro das empresas, respeitando-se as peculiaridades de cada setor de produção. Para garantir a progressividade do sistema tributário brasileiro, regulamentar a aplicação do imposto sobre grandes fortunas previsto na Constituição. 8

9 6- Processo político e impacto popular As classes econômico-sociais na faixa C e D tiveram momento de justiça com a realidade do Bolsa Família, que resgatou da miséria milhões de famílias. As camadas mais favorecidas da sociedade situadas bem acima da linha da miséria, contudo, sentem-se desprovidas de medidas governamentais que as favoreçam. O projeto do Bolsa Família, não atende diretamente aos interesses da classe média. A instituição do Imposto Mínimo fecha o ciclo de justiça social com a inclusão de todos os assalariados e autônomos que se situam acima da marca de isenção do Imposto de Renda da Pessoa Física. A desoneração dos rendimentos do trabalho e dos salários do IRPF atende diretamente aos interesses da classe média. O Imposto Mínimo incorpora um contingente de milhões de brasileiros ao grupo social beneficiado pelas políticas sociais do governo Lula. Funcionalismo público, Poder Judiciário, Poder Legislativo, profissionais liberais e todo o estrato social que compõe a classe média será recepcionada com uma medida altamente simpática e justa. Importante destacar que 40% do total de declarantes do IRPF, cujos rendimentos situam-se abaixo do limite de isenção de R$1.372,81, e que representam 10% do total da renda tributável, estarão isentos de recolhimento do Imposto Mínimo, garantindo assim o caráter redistributivista do projeto. Mais de 14 milhões de declarantes do IRPF com imposto devido seriam beneficiados (vide tabela 3 do anexo 1). 9

10 ANEXO I Cálculo da alíquota necessária para a substituição do IRPF e do INSS patronal Arrecadação a ser substuída: Arrecadação do IRPF (ajuste + fonte) em 2007: R$ 56 bilhões. Arrecadação do INSS patronal em 2007: R$ 44 bilhões. Cálculo da base do Imposto Mínimo: Arrecadação da CPMF em 2007 (0,38%): R$ 36,5 bilhões. Base da incidência R$ 9,6 trilhões 70% são arrecadados pelas empresas R$ 25,6 bilhões (base $ 6,7 trilhões) 30% são arrecadados pelas pessoas físicas R$ 10,9 bilhões (base $ 2,9 trilhões) Os contribuintes isentos do IRPF (40% dos declarantes) respondem por 10% do total da renda tributável bruta Portanto, A base da movimentação financeira do Imposto Mínimo para as pessoas físicas com a isenção prevista cai de R$ 2,9 trilhões para R$ 2,6 trilhões A base total da movimentação financeira passa, portanto, de R$ 9,6 trilhões para R$ 9,3 trilhões. Desta forma, a cobrança de 0,5% no débito das transações financeiras geraria uma receita de R$ 46,5 bilhões, que seria destinada integralmente para a Previdência Social. 10

11 Da mesma forma, a cobrança de 0,5% no crédito para substituir o IRPF com isenção mensal atingindo R$ 30 mil, vai gerar uma arrecadação de R$ 46,5 bilhões. A diferença seria obtida com a tributação pelo IRPF dos contribuintes com renda mensal acima de R$ 30 mil (R$ 6 bilhões), e com a regulamentação do imposto sobre grandes fortunas (R$ 3,5 bilhões). Base Estatística: Tabela 1 Arrecadação da CPMF em 2007 (R$ mi) Movimentação Financeira Arrecadação Base de incidência Base 2007 com Imposto Mínimo Total , , ,8 PF (30%) , , ,1 PJ (70%) , , ,7 Tabela 2 Arrecadação IRPF 2007 (R$ mi) Tributos Arrecadação IRPF ajuste ,0 IRPF fonte ,0 IRPF total ,0 Fonte: SRF Tabela 3 Estimativa de declarantes do IRPF em 2007 Declarantes Faixas de renda mensal (R$) estimados (mil) ,81 40% , ,22 27% , ,03 16% , ,24 8% , ,86 4% , ,10 3% 734 Acima de ,11 2% 489 Total 100%

12 ANEXO II Impacto do Imposto Mínimo sobre a carga tributária e preços (%) Setores Carga tributária sobre preços setoriais com INSS de 20% sobre a folha Carga tributária sobre preços setoriais com IMF de 0,5% Impacto total Agropecuária 13,61 3,64-9,98 Extrativa mineral (exceto combustíveis) 14,09 3,24-10,85 Extração de petróleo e gás natural, carvão e outros combustíveis 14,57 3,07-11,50 Fabricação de minerais não-metálicos 13,83 3,50-10,32 Siderurgia 12,46 4,25-8,21 Metalurgia dos não-ferrosos 11,46 3,59-7,87 Fabricação de outros produtos metalúrgicos 13,80 3,56-10,23 Fabricação e manutenção de máquinas e tratores 13,88 3,05-10,83 Fabricação de aparelhos e equipamentos de material elétrico 12,84 3,53-9,31 Fabricação de aparelhos e equipamentos de material eletrônico 9,72 2,63-7,09 Fabricação de automóveis, caminhões e ônibus 11,33 3,44-7,89 Fabricação de outros veículos, peças e acessórios 13,44 3,55-9,89 Serrarias e fabricação de artigos de madeira e mobiliário 14,03 3,47-10,56 Indústria de papel e gráfica 13,63 3,25-10,38 Indústria da borracha 11,50 3,66-7,84 Fabricação de elementos químicos não-petroquímicos 13,40 3,83-9,57 Refino de petróleo e indústria petroquímica 10,70 3,30-7,40 Fabricação de produtos químicos diversos 11,40 3,31-8,09 Fabricação de produtos farmacêuticos e de perfumaria 12,31 3,03-9,29 Indústria de transformação de material plástico 12,22 3,20-9,02 Indústria têxtil 11,21 3,60-7,61 Fabricação de artigos do vestuário e acessórios 12,51 3,60-8,91 Fabricação de calçados e de artigos de couro e peles 13,30 3,39-9,90 Indústria do café 13,92 4,55-9,36 Beneficiamento de produtos de origem vegetal, inclusive fumo 13,39 3,96-9,44 Abate e preparação de carnes 13,89 4,22-9,67 Resfriamento e preparação do leite e laticínios 13,62 4,42-9,19 Indústria do açúcar 13,77 4,05-9,71 Fabric. e refino de óleos vegetais e de gorduras para alimentação 13,21 4,44-8,77 Outras indústrias alimentares e de bebidas 13,50 3,87-9,63 Indústrias diversas 13,99 3,10-10,88 Serviços industriais de utilidade pública 14,80 2,34-12,46 Construção civil 13,88 3,55-10,33 Comércio 14,68 2,69-11,99 Transporte 13,53 2,71-10,82 Comunicações 15,11 2,02-13,10 Instituições financeiras 16,01 1,85-14,16 Serviços prestados às famílias 14,98 2,67-12,30 Serviços prestados às empresas 15,56 2,07-13,48 Aluguel de imóveis 14,67 3,48-11,19 Administração pública 15,92 1,69-14,23 Serviços privados não-mercantis 16,46 1,22-15,24 Média 13,48 3,28-10,20 Desvio padrão (*) 1,80 1,02 (*) medida que mostra o grau de dispersão global dos preços relativos da matriz em relação à unidade, ou seja, mede quanto determinado modelo distorce os preços livres de impostos. 12

13 ANEXO III Resumo das pesquisas de opinião sobre o Imposto Único Datafolha CNT/Sensus Cepac Categorias 4 a 5 de julho de a 5 de agosto de de julho a 2 de agosto de entrevistas em 285 cidades 2000 entrevistas em 195 cidades 1150 entrevistas em 9 capitais Ouviu falar ou tem conhecimento 37,0% 26,7% 76,0% A favor 63,0% 64,2% 78,0% Pesquisa realizada pelo Instituto Cepac entre julho e agosto de 2007 Favorabilidade em relação à implantação de um sistema de Imposto Único - [em %] Total da amostra Empregador A favor 78 A favor 78 Contra 9 Contra 13 Indiferente (espontânea) 5 Indiferente (espontânea) 3 Não sabe 7 Não sabe 6 13

14 Pergunta do CEPAC ao entrevistado Existe uma proposta para o fim da contribuição ao INSS patronal sobre a folha de salários das empresas. Para que isso aconteça a CPMF aumentaria de 0,38% para 0,88%, mas esse aumento é reeembolsado pelas empresas para os seus funcionários. Com essa mudança, estudos indicaram que existe uma tendência dos preços dos produtos diminuírem e de aumentar o número de empregados contratados. Favorabilidade em relação á desoneração da folha de salários (em %) Total da amostra Empregador A favor 64 A favor 54 Contra 25 Contra 36 Indiferente (espontânea) 4 Indiferente (espontânea) 2 Não sabe 7 Não sabe 8 14

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