Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Criança e do Adolescente

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1 Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Criança e do Adolescente CADERNO DE NOTÍCIAS REDUÇÃO DA MAIORIDADE PENAL 08/06/2015 Câmara pode votar redução da maioridade penal na segunda quinzena de junho Século Diário Por Livia Francez Data/Hora: 06/06/2015 às 21h43 A votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 171/93 pode ir à votação no Plenário da Câmara dos Deputados na segunda quinzena do mês de junho, mas especialistas em violência apontam outras soluções que não sejam a redução da maioridade penal dos 18 para os 16 anos para a solução da criminalidade. A advogada especialista em violência e consultora independente do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), Karyna Sposato, defende mudanças no Estatuto da Criança e do Adolescente (Ecriad). Ela ressalta que não será mandando o adolescente para o sistema prisional que a violência será aplacada, mas sim ações que contemplem a prevenção da criminalidade, não somente a punição. Karyna ressalta que a eficácia na prevenção será atingida por meio de ações integradas de educação, esporte, lazer e segurança. O deputado federal Sérgio Vidigal (PDT), único representante da bancada capixaba na Comissão Especial da Maioridade Penal, partilha da opinião da especialista e defende plebiscito para que a comunidade participe dessa discussão. O parlamentar não acredita que apenas a redução da maioridade seja suficiente para resolver a criminalidade entre os mais jovens. Dentre as mudanças que ele defende no Ecriad, está o aumento de penas para os adultos que corrompem crianças a praticar crimes. Com a antecipação da votação, Sérgio Vidigal esclarece que é preciso mais tempo para discutir o assunto e ouvir todos os lados. "A Comissão recebeu mais de 100 requerimentos de audiência pública e cumprir o 1

2 cronograma de 40 sessões para discussão da matéria é essencial. Precisamos de pelo menos mais 10 sessões para chegar a uma solução que, de fato, reduza a criminalidade entre crianças e adolescentes", afirma. Fonte/link: Redução da maioridade penal pode ter efeito na legislação eleitoral e trabalhista Se aprovada no Congresso, redução da idade penal para 16 anos pode causar confusão em várias áreas da legislação. Mudança teria impacto no sistema eleitoral e em leis trabalhistas EM.com.br Por Mariana Bernardes /Correio Braziliense, Marcella Fernandes Data/Hora: 07/06/2015 às 6h00 Brasília Redução da maioridade penal, você é contra ou a favor? O tema é tão polêmico e desperta tantas paixões que a resposta a essa pergunta costuma sair de pronto. O que pouca gente sabe é que uma possível alteração na lei vai abrir caminho para mais do que cadeia para adolescentes infratores. Se aprovada pelo Congresso Nacional, a redução da idade penal de 18 para 16 anos pode causar situações contraditórias e desdobramentos em diversas outras áreas da legislação brasileira. De acordo com o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Carlos Ayres Britto, a referência aos 18 anos está presente em diferentes matérias, como a eleitoral e a trabalhista. As coisas estão entrelaçadas. A lógica é uma só, afirma. Ele alerta que, apesar de não causar mudanças automáticas, a redução abre precedente para questionar, por exemplo, o limite de idade para dirigir e para ser obrigado a votar. Britto ressalta que haverá necessidade de se reinterpretar o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), uma vez que o documento trata tanto da proteção quanto da punição de brasileiros entre 12 e 18 anos. O entendimento da Constituição é que o desenvolvimento da personalidade não se perfaz senão a partir de 18 anos. Até essa faixa etária, a Constituição diz que o indivíduo está em formação, explica. Para o ministro aposentado, a redução viola cláusula pétrea da Constituição dispositivo que não pode ser alterado. 2

3 O Estado de Minas ouviu especialistas de diferentes áreas para entender os reflexos da alteração em áreas como trânsito, venda de bebidas alcoólicas, leis trabalhistas e no próprio ECA. A preocupação é compartilhada pelo ministro do STF Marco Aurélio Mello. É razoável você dizer que responde como adulto (ao cometer crimes) e ao mesmo tempo ser proibido de conduzir um veículo automotor?, questiona. Ele lembra que tais reflexos vão depender da precisão do texto aprovado pelo Legislativo, que pode, por exemplo, restringir a redução da maioridade penal apenas em casos de infratores que cometam crimes hediondos. Mello avalia, ainda, que a PEC vai aumentar o encarceramento e não vai reduzir a criminalidade. Entre prós e contras, os contras sobrepujam os prós. Eu não vejo como algo desejável, comenta. No âmbito trabalhista, apesar de a redução da maioridade penal não causar alterações diretas, pode motivar discussões para futuras mudanças. A redução da maioridade penal não afeta diretamente as relações trabalhistas, contudo, inicia-se assim mais uma discussão sobre o abandono escolar para a entrada de jovens no mercado de trabalho em atividades que hoje são vedadas, explica o advogado trabalhista Marcílio Braz. A legislação atual impede o trabalho para menores de 14 anos. Entre 16 e 18, há restrições, como não trabalhar em ambiente penoso, insalubre, perigoso, que prejudique a formação moral e psicológica, desenvolvimento físico, além de trabalho noturno. Menores tampouco podem fazer hora extra, e o empregador é obrigado a ceder tempo necessário para o comparecimento às aulas. Hoje, essas proibições mantêm o jovem na escola. Qualquer alteração nessa legislação trará graves prejuízos aos jovens, que são o futuro de nosso país, afirma Braz. O critério usado é que pessoas nessa faixa etária ainda estão em fase de desenvolvimento. O argumento encontra respaldo nas outras esferas do direito brasileiro, além das normas internacionais ratificadas pelo Brasil, como a Convenção 138, da Organização Internacional de Trabalho (OIT). Há, ainda, uma relação direta com a possível liberação do consumo de bebidas alcoólicas, uma vez que é proibido o trabalho de menores em estabelecimentos que comercializem esse tipo de produto. Habilitação para dirigir no alvo O efeito cascata da redução da maioridade penal pode colocar atrás do volante adolescentes de 16 anos. Isso porque a primeira condição para um brasileiro se habilitar a conduzir um veículo é ser plenamente imputável. Para o professor de direito penal e processual e conselheiro da Ordem dos Advogados do Brasil do Distrito Federal (OAB-DF) Rafael Augusto Alves, com a aprovação da emenda, o efeito automático na legislação de trânsito só não ocorrerá se o Congresso criar mecanismos que impeçam a extensão dos direitos e deveres. É preciso ver como o texto será aprovado. A imputabilidade será para toda e qualquer espécie de infração penal ou vai se restringir a crimes hediondos, por exemplo? Mas há uma questão mais profunda ainda: se o ECA fosse cumprido integralmente, talvez não precisássemos disso, defende. Caso a PEC seja realmente aprovada, o Brasil terá que repensar a formação do condutor. Doutor em estudos de transportes, o professor da Universidade de Brasília (UnB) Paulo César Marques entende que não há restrição do ponto de vista cognitivo para um adolescente de 16 pegar o volante. Mas defende a necessidade de um esforço adicional na formação dos futuros motoristas, porque há diferenças consideráveis do ponto de vista da maturidade. Teoricamente, se uma pessoa com 16 anos pode votar e decidir o futuro do país, ela pode conduzir um carro. Mas a maturidade precisa ser mais trabalhada e o processo de formação necessitaria ser ajustado para a nova realidade, destaca Marques. Diretor de Policiamento e Fiscalização de Trânsito do Detran-DF, Silvain Fonseca não tem dúvidas sobre o que chama efeito dominó da redução da maioridade penal na legislação de trânsito. Se isso acontecer, o Estado terá que reforçar a educação, além de trabalhar as questões de maturidade e comportamento nas vias. Teremos um perfil novo de condutores e seremos obrigados a pensar como seria a forma de capacitação desse público. VENDA DE ÁLCOOL A prevenção ao uso de drogas lícitas, como o álcool, está no pacote de normatizações que poderão ser afetadas diretamente pela redução da maioridade penal. Há menos de dois meses, a presidenta Dilma Rousseff sancionou a Lei Federal , que torna crime a venda e a 3

4 oferta de bebidas alcoólicas e outras drogas que podem causar dependência a menores de 18 anos. Há um interesse econômico que se sobrepõe ao direito à saúde da população como um todo, lamenta Alessandra Diehl, psiquiatra e secretária da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas (Abead). Ela diz não enxergar desdobramento imediato, uma vez que a legislação que veta a venda e oferta de drogas lícitas e ilícitas a menores está bem fundamentada. Quem desrespeita a Lei pode ficar preso por dois a quatro anos e pagar multa de até R$ 10 mil. Contradições na proteção de jovens A redução da maioridade penal criaria uma situação contraditória em que um jovem de 16 anos pode ser punido por um crime como adulto, mas continua sendo protegido como adolescente, uma vez que o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) que trata da faixa etária de 12 a 18 anos continuaria vigente. Desmontaria todo o sistema legal de proteção da juventude, então geraria uma série de incompatibilidades e contradições nos diferentes sistemas, explica Sinara Guimieri, consultora jurídica do Instituto de Bioética, Direitos Humanos e Gênero. A aprovação criaria um precedente perigoso para que o Congresso venha a reformular o ECA, reforça a procuradora da República Mariane Guimarães. Se o ECA for alterado, crimes cometidos contra adolescentes entre 16 e 17 anos seriam descaracterizados. Entram nessa categoria exploração sexual, pornografia infantil, sequestro e tráfico internacional de pessoas, entre outras questões. Atualmente, quem envia criança ou adolescente de até 18 anos para o exterior com a finalidade de obter lucro pode cumprir de quatro a seis anos de prisão, além de pagar multa. Se houver emprego de violência, a pena sobe para oito anos, somada ao tempo correspondente aos atos violentos praticados. Com a possível aprovação da PEC 171, seria considerada vítima desse tipo de crime pessoa com até 16 anos. A alteração valeria também para crimes como filmar ou fotografar menores em cenas pornográficas, cuja punição inclui multa e reclusão de quatro a oito anos. A pena aumenta se o autor do crime for agente público ou parente da vítima. CRIMES SEXUAIS Na avaliação do sociólogo Dijaci David de Oliveira, da Universidade Federal de Goiás (UFG), a aprovação da emenda pode incentivar crimes sexuais se causar alterações no ECA. Vai ter a exploração sexual legal entre 16 e 17 anos e abrir a porta para ampliar a exploração no segmento logo abaixo, entre 14 e 15 anos, que já existe, afirmou. Ele lembra ainda que a capacidade de fiscalização do cumprimento da lei é precária, o que agrava o problema. Em 2013, o serviço Disque 100 da Secretaria de Direitos Humanos (SDH-PR) registrou denúncias de violência cometidas contra criança e adolescente no país. Desse montante, 28% se referiam a violência sexual. Para Oliveira, os números mostram como, mesmo com a proteção legal, a adolescência brasileira é vulnerável. Fonte/link: 4

5 Proposta de maioridade penal a ser votada será a da comissão, diz Cunha Mas outros projetos podem ir a voto também, disse presidente da Câmara. Mídia News Data/Hora: 06/06/ h00 O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), afirmou nesta sexta-feira (5) que levará ao plenário a proposta de redução da maioridade penal que sair da comissão especial nomeada para elaborar um parecer sobre o assunto. No caso da reforma política, Cunha e líderes partidários decidiram descartar a proposta da comissão especial e colocar em votação, diretamente no plenário, um relatório alternativo. Por meio de sua conta pessoal no microblog Twitter, ele disse que outras propostas relacionadas à questão dos menores infratores também podem ser apreciadas pela Câmara, como a do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), que prevê, entre outros pontos, aumentar de três para oito anos o período de internação do menor que praticar crimes hediondos. Na última semana, o relator da comissão especial da maioridade penal, deputado Laerte Bessa (PR-DF), afirmou que pretende apresentar o seu relatório na próxima quarta-feira (10), atendendo a cronograma acordado com Cunha. "É bom deixar claro que a minha posição é levar a voto a proposta da redução da maioridade penal que sair da comissão especial", escreveu Cunha, que se posiciona a favor da redução de 18 para 16 anos. "Eu tenho a minha opinião e já expressei, de que quem tem direito a voto tem que ter obrigação", afirmou. Cunha cumpre, junto com outros deputados, agenda de compromissos oficiais em Israel, Palestina e Rússia. Segundo a previsão oficial, não havia compromissos agendados para a sexta-feira (5). Na quarta (4), ele teve encontro com o presidente da Autoridade Nacional Palestina. No sábado (6 ), a comitiva embarca para Moscou. Em seguida, o presidente da Câmara disse que propostas como a do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, podem ser colocadas em votação independentemente da proposta da comissão. "A aprovação de uma não exclui a outra", disse. Nesta quinta-feira (5), o jornal O Globo publicou uma entrevista com Alckmin, na qual o governador propõe que o PSDB procure apoio até no PT para impedir a redução da maioridade penal e sugere o aumento da internação de 3 para 8 anos para menores que praticarem crimes hediondos. Debate Cunha disse que a proposta de redução da maioridade penal tem 22 anos e "todos a ignoravam". "Esse 5

6 assunto só está sendo debatido por todos, inclusive pelo governo, porque anunciamos a votação", escreveu. "Agora, como anunciamos, estão buscando outras propostas para o mesmo tema, o que é bom", completou. Segundo ele, dessa forma o Congresso Nacional "cumpre o seu papel de defender a agenda da sociedade". Na última segunda-feira (1º), o ministro da Secretaria de Comunicação Social, Edinho Silva, reafirmou que o governo federal não acredita que a redução da maioridade penal vai reduzir a criminalidade no Brasil. No mesmo dia, Cunha respondeu que a proposta de redução da maioridade penal de 18 para 16 anos não é uma pauta do governo, mas sim da sociedade. Fonte/link: Seduc se posiciona contra redução da maioridade penal e leva debate para comunidade escolar Olhar Direto Por Laíse Lucatelli Data/Hora: 07/06/2015 às 15h49 Secretaria de Estado de Educação (Seduc) é mais uma entidade que aderiu à carta aberta contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 171, que propõe reduzir maioridade penal de 18 para 16 anos no Brasil. A informação é da assessoria da Secretaria de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh). Para a coordenadora do Centro de Referência em Direitos Humanos (CRDH), entidade vinculada à pasta, Edna Sampaio, a participação da Seduc nesse processo é fundamental. Nós temos escolas estaduais nos 141 municípios do estado, e quando vamos verificar o problema dos menores infratores, percebemos que eles já evadiram da escola muito antes de cometerem a infração. Percebemos também que eles já sofreram muitas violações dos direitos humanos que poderiam ter sido evitados se nós tivéssemos uma articulação maior das outras áreas de políticas públicas com a área da educação, disse Edna. Segundo a assessoria, o CRDH esteve reunido com dirigentes da Seduc na última semana para discutir ações conjuntas contra a redução da maioridade penal. O encontro, que contou com a participação do secretário adjunto de Políticas Educacionais, Gilberto Fraga, permitiu alinhar estratégias que ampliam a discussão do tema com a comunidade escolar. Até o momento, dois seminários foram realizados com o objetivo de discutir a proposta em tramitação no Congresso Nacional. O primeiro, na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), reuniu centenas de 6

7 alunos, sociedade civil e representantes de entidades não-governamentais. O segundo, no Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT), campus Cuiabá, mais de 700 pessoas lotaram a quadra de esportes da instituição para debater o assunto. A previsão é que até o final do mês de maio seja realizado um terceiro seminário com gestores da área da educação de Cuiabá e Várzea Grande. Segundo Paulo Santana Júnior, integrante da Coordenação de Projetos Educativos da Seduc, as discussões servirão para subsidiar as etapas seguintes que acontecerão nas escolas de todo estado. A Seduc é signatária da Carta Aberta à sociedade, caminharemos juntos nessa mobilização, disse ele. Está agendada para o próximo mês uma audiência pública na Assembleia Legislativa, que deverá dialogar com uma parcela maior da sociedade sobre a redução da maioridade penal e a defesa do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Fonte/link enal_e_leva_debate_para_comunidade_escolar&edt=25&id= ''Redução da maioridade penal não reduz crime, não salva sistema'', diz secretário Correio do Estado Por Cristina Medeiros Data/Hora: 07/06/2015 às 17h10 Depois de 27 anos de atuação no Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul, o procurador de Justiça Silvio Cesar Maluf tornou-se, no início do ano, o secretário de Justiça e Segurança Pública do Estado, a convite do governador eleito. Passados quase cinco meses à frente da pasta, ele fala, nesta entrevista ao Correio do Estado, sobre os problemas e as conquistas, tanto no aspecto estrutural e material quanto no aspecto pessoal. Maluf aborda temas como combate ao tráfico de drogas, terceirização de viaturas, ampliação de presídios, entre outros. CORREIO PERGUNTA - O senhor atua numa área nevrálgica, a da segurança. O que considera ainda seja o principal desafio da política de segurança do Estado? SILVIO CESAR MALUF - Sendo bem sincero, temos dificuldades estruturais. Nossa tropa é motivada, hoje extremamente integrada - Polícia Civil, Militar, Corpo de Bombeiros - mas a dificuldade estrutural ainda é um impeditivo. Recebemos alguns equipamentos do Sistema Enafron. Só para citar um exemplo, no Imol (Instituto de Medicina e Odontologia Legal) falta a instalação deste equipamento, porque exige não só instalação adequada como a ambiência adequada para o equipamento funcionar. E os prédios nestas situações precisam de readaptações - citei o Imol mas há outros. O mesmo encontramos em algumas delegacias de polícia, em alguns pelotões da Polícia Militar. E quando coloco o problema estrutural, coloco aí a necessidade de mais viaturas também. Porque o governo federal contemplou até pelo trabalho que já 7

8 foi desenvolvido, a região de fronteira; e o resto do Estado, que também sofre os mesmos tipos de crimes, como via alternativa, ainda falta esta base estrutural. Há muitos prédios que foram alugados - não que isso seja ruim, mas é um prédio que para você investir em adequações e reformas não vai retornar para o Estado. Mas para a resposta efetiva, o que eu tenho, o que eu encontrei, me é suficiente, mas falta a parte de viaturas e uma cota a mais de combustíveis, porque estamos limitados ainda à cota máxima dada no ano passado. Veja que hoje o combustível subiu. Nós já fizemos contas com a Fazenda para os devidos ajustes, que certamente virão. Quais ações são realizadas para tentar coibir o tráfico de drogas? Especificamente neste combate temos o policiamento da Polícia Militar que é ostensivo e repressivo junto com a Polícia Civil, que faz o trabalho investigativo e preventivo também. Temos índice de 64% de desvendamento de crimes - a média nacional é 8%, a média americana é 65%, a da Inglaterra é de 85% e nós pretendemos chegar lá, é nossa meta. O trabalho destas duas corporações são muito importantes. Além disso, temos como um trabalho para suprir a deficiência, em especial nas cidades de fronteira, o Departamento de Operações de Fronteira, ligado diretamente à Sejusp (Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública) e que atinge 40 municípios do Estado. Temos polícia em todos os 79 municípios de MS e o trabalho que ela desenvolve é diuturno, fora incursões em cooperação ou o DOF faz em apoio ou a outra corporação também faz. Além disso, temos a Polícia Rodoviária Estadual, que na verdade faz toda a fiscalização de trânsito, mas se mostrou muito eficiente na apreensão de entorpecentes. Só para se ter uma ideia, num volume cujo número fechamos no início da semana, deu 95 toneladas de entorpecentes só das forças estaduais neste primeiro período do ano. Só a PRE foi responsável por 50 toneladas. Estamos próximos de triplicar a apreensão do mesmo período, que vai dar 2.7 vezes a apreensão em relação ao período anterior. No ano passado inteiro foram 230 toneladas e neste já apreendemos 95 toneladas. Se prosseguir neste ritmo, é assustador o que se pode fazer e o quanto vamos avançar. Dentro da Polícia Civil também há subdivisões (DOF, Denar), grupos policiais que estão preparados para atuar, mas o mais importante é isso, que nós somos recordista nacional em apreensões quantitativas de entorpecentes e isso é um esforço de todas as corporações. Durante a campanha, o governador Reinaldo Azambuja prometeu a aquisição de dois scanners para o Estado. Como está a viabilização da compra deste equipamento tão estratégico para o combate ao tráfico de drogas? O scanner para apreensão de drogas é um equipamento extremamente caro. Fizemos os levantamentos iniciais e como este é o primeiro ano de governo, estamos em contenção, ele acaba ficando em segundo plano porque não consegue substituir o elemento humano isso já está mais do que provado. O serviço de inteligência é eficiente e o equipamento vem na condição de acessório. Nesta condição e sabendo que o trabalho humano é mais eficaz, a gente fez os orçamentos, estamos fazendo os estudos de custo - porque além da aquisição temos que levar em conta a manutenção, a mão de obra. Apenas para confirmar o que eu disse, a maior apreensão de um lote só de entorpecentes, 17,1 toneladas, foi feita por dois policiais. Este efeito colaborador do equipamento é pequeno diante da eficiência do efetivo. Mas já fizemos tratativa, tem algum tempo, quer com a PRF, que tem o equipamento, quer com a Receita Federal, que também tem dois equipamentos. E em ambos os casos eles têm períodos de trabalho em turnos. Então, precisamos qualificar nossos policiais para fazer uso nesta parceria do equipamento. Optamos, então, nesta primeira fase, pela parceria e não pela aquisição. O governo optou pela terceirização de viaturas das polícias Militar e Civil. Qual a vantagem entre fazer uma locação e uma aquisição? A aquisição sempre é vantajosa porque entra para o patrimônio do Estado. Mas a viatura adquirida também entra num trabalho de manutenção e, muitas vezes, o sistema é lento para fazê-la. A locação só seria vantajosa para as viaturas que rodam muito, têm que rodar mais de 10 mil quilômetros/mês. Temos viatura que roda 15 mil e algumas chegam até mais do que isso (DOF, PRE, Choque). Estamos, então, fazendo isso como um projeto-piloto, a tentativa de locação. Como pode dar errado ou não ser vantajoso, instalamos paralelamente a de aquisição, montamos atas e vamos fazendo as experiências. O pelotão que está fazendo o estudo é o de Choque. A vantagem da locação é a de não ter veículo parado, já que a empresa fica obrigada a substituir em horas previamente acordadas o carro avariado, por exemplo. E 8

9 estamos no processo de licitação. Se no final do estudo constatar-se que não é vantajoso, faremos a aquisição. A situação da superlotação dos presídios é uma realidade dramática no Estado. O que vem sendo feito para amenizar ou solucionar o problema? Nós temos diversas ampliações. Algumas delegacias que mantinham cadeias públicas passaram para o sistema Agepen. Em Rio Brilhante, Ponta Porã, Naviraí, Jardim e Amambai foram feitas reformas de ampliação. Isso aumentou aproximadamente 270 vagas. E este é um trabalho que, na maior parte das vezes, é realizado pelos próprios presos. O que temos hoje em ampliação é a continuação do fechado de Ponta Porã, com todos os presos trabalhando nela; temos as tratativas de projetos que estão prontos com Coxim, que está bem avançado; ampliação em Nova Andradina e Rio Brilhante. Tudo isso significará mais 200 vagas. Estão fazendo esta reforma com a mão de obra de presos e, boa parte do capital que está sendo investido - além de ser tijolo ecológico feito pelos próprios presos, a serralheria dentro dos próprios presídios está vindo das penas alternativas, dos juízos das execuções penais, colaboração do Ministério Público, conselhos da comunidade, prefeituras colaborando para que se possa dar mais dignidade ao preso, ao mesmo tempo que ele possa trabalhar. Nós operacionalizamos o semiaberto e aberto de Dourados, que era uma reclamação da população, pois ficava no centro da cidade. Só aí são mais 436 vagas, aproximadamente. E temos a construção do Complexo da Gameleira. Com tantos cortes de verba anunciados recentemente, o contingenciamento afetará o andamento das obras das cadeias públicas na Gameleira? Até o momento, não. É uma obra orçada em R$ 52 milhões para erguermos; são 1,6 mil vagas aproximadamente que a gente cria com o Feminino e com dois outros presídios de 600 vagas, que são os masculinos. Isso, pelo que disse a presidente Dilma Rousseff, que haveria cortes de restos a pagar, não é o nosso caso porque pagamos de acordo com o andamento da obra, são as medições. A Caixa Econômica paga só a medição e nós fazemos a nossa medição para depois liberar os pagamentos. E estamos com os pagamentos do mês de março, porque os do mês de abril estão sendo feitos os fechamentos das medições. Quanto mais rápido andar, melhor é. A obra está em fase inicial porque houve lentidão no fim do ano decorrente de mão de obra e decorrente do próprio tempo, que agora está atrapalhando novamente. O Feminino está bem adiantado e, o Masculino, o primeiro deles, se fosse para dar uma data de entrega, caso tudo corra bem, em junho ou julho do ano que vem. O outro, com certeza, não se termina antes de dezembro do ano que vem. Por que até hoje não foram adotados mecanismos eficientes para barrar a entrada de celulares dentro dos presídios? O que acontece com os bloqueadores que, até hoje, dizem estar num teste que parece interminável? A questão do teste é um contrato que não pertencia à Sejusp, estava em outra secretaria, enfim...trata-se de um equipamento que foi desenvolvido aqui no Estado, foi colocado e houve uma série não do aparelho em si de danificações dos equipamentos dentro do próprio sistema. Na verdade, temos apenas em uma das unidades, que é o da Máxima da Noroeste. Segundo, vieram grandes promessas do governo federal, na legislação, de que haveria obrigatoriedade de a empresa operadora fazer o bloqueio por área e em vários estados isso foi declarado como inconstitucionalidade. Mas por que o teste não vai para a frente? Porque o equipamento que está sendo utilizado tem deficiências por conta dos pontos de sombra do presídio. Num primeiro momento estes aparelhos foram eficientes. O problema é que a gente tem, numa estrutura prisional, uma série de recortes e bloqueios de concreto que criam sombras, tanto que até a radiocomunicação em nosso sistema analógico não funciona. E a gente se apercebeu disso quando o Sisfron nos trouxe aparelhos digitais para teste e, o primeiro local onde realizaram o teste foi na Máxima, para mostrar a eficiência do equipamento. Mas não temos dentro da Agepen capital suficiente para abrir a licitação para estes super- aparelhos. O que existe são contatos com diversas empresas, negociando custos para ver se é possível instalar. Mas é como eu digo, nada substitui o ser humano. O uso do aparelho celular no presídio é inadmissível, mas eles continuam entrando pelas vias mais surpreendentes. Normalmente são os visitantes que levam e o fazem em pedaços, não levam inteiro. O que se pretende fazer é aumentar o número de revistas e o pente-fino constante, que continua sendo a técnica que melhor resolve a situação. Ela coíbe cem por cento? Não. Mas diminui significativamente. Para ter uma ideia, de 9

10 janeiro até hoje, já fizemos 18 incursões em presídios com a operação pente-fino. Existe um scanner utilizado em grandes aeroportos, que pega tudo, mas custa aproximadamente R$ 19 milhões, fora o custo da manutenção, então, é algo que não suportamos financeiramente. Por isso continuamos investindo no elemento humano, apostando que com o concurso, o aumento do efetivo de agentes, que possamos fazer uma triagem melhor. O senhor é a favor da redução da maioridade penal? Eu gosto de dizer que é uma falácia muito grande: a redução da maioridade penal não reduz crime, não salva sistema. A pessoa achar que por ser menor vai para a cadeia, desculpe, não vai diminuir, não vai. Entretanto, a Globo se eu não me engano, soltou um trabalho dizendo que os menores só tinham 1% de participação em crimes. Causou polêmica. O que eu posso dizer que é realidade do Estado. Temos dados consolidados sobre este assunto e a gente focou nos crimes violentos (homicídio, latrocínio e o próprio roubo). Nossa média deu 37% de participação de menores. E esta nossa estatística se baseia nos homicídios e roubos com autoria desvendada. Eu não posso falar que de mil eu tive 400 em que o menor participou. Não. Porque eu desvendei 64%. Mas dentro daquilo que eu desvendei eu tinha de 36 a 37%, a depender do crime, dado consolidado. Agora, o fato de eu ter um presídio resolve a criminalidade sozinho? Não. Então, colocar um menor no presídio também não. É mais um fator inibidor? É, mas o crime continua aumentando em proporções grandes. As pessoas acham que é só colocar polícia. Mas segurança pública é muito mais que isso. É responsabilidade do Estado mas é um dever de todos. Fonte/link: Maioridade penal é motivo de colisão entre Presidência e Legislativo no Brasil RTP Notícias A maioridade penal é o novo tema de embate entre o Legislativo e a Presidência brasileira, com o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, a defender a redução para 16 anos e o Governo a recusar essa alteração. Data/Hora: 08/06/2015 às 07h30 10

11 Cunha afirmou na última semana que pretende votar ainda este mês em plenário a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 171/93, que tramita em comissão da Câmara. O presidente da Casa apoia a redução da maioridade, hoje estabelecida em 18 anos, como forma de combater a violência. Na terça-feira, o Governo reagiu com uma declaração do ministro-chefe da Secretaria de Direitos Humanos, Pepe Vargas, que afirmou que a redução colocaria adolescentes em prisões de adultos e permitiria que fossem "cooptados pelo crime organizado". Dados do Ministério da Justiça apontam que os adolescentes entre 16 e 18 anos são responsáveis por 0,9% dos crimes no país. A PEC, se for aprovada pela Câmara e pelo Senado, passa a valer sem depender de sanção ou veto da Presidente Dilma Rousseff. A possível redução da maioridade penal foi criticada pelas Nações Unidas, pela Organização dos Estados Americanos (OEA), por associações jurídicas - que a consideram inconstitucional -, e por grupos de direitos humanos. O tema encontra eco na sociedade. Uma sondagem do Instituto Datafolha, divulgada em abril, concluiu que 87% dos brasileiros entrevistados são favoráveis à redução da maioridade penal para 16 anos. Já entre os deputados, segundo levantamento do portal de notícias G1 feito em janeiro, 34,6% apoiam a mudança, 28,6% defendem a alteração em determinados casos, e 18,3% são contrários a ela - os outros 18,3% não responderam. "Isso começou a ganhar força a partir da última eleição, quando alguns candidatos à época colocaram nas campanhas a proposta, como uma medida de redução da violência. O que observamos é que esses parlamentares tiveram bastantes votos", afirmou à Lusa Heloísa Oliveira, administradora executiva da Fundação Abrinq, representante da organização Save the Children no Brasil. Heloísa Oliveira realçou que a imprensa local tem um papel importante na formação da defesa da redução, quando enfatiza a participação de adolescentes em crimes, e que a aproximação da violência aos menores de 18 anos ocorre também com as vítimas: crianças e adolescentes morreram em 2012 por causas externas no Brasil, segundo informações oficiais, sendo 45,86% - ou mais de 27 por dia - assassinados. "A pergunta que propomos que se faça é: o que precisaria ser feito para que o adolescente [agressor] não estivesse ali no momento? Uma série de coisas que não teve", afirmou Heloísa Oliveira. A administradora da Fundação Abrinq realçou que o perfil do adolescente em conflito com a lei inclui o abandono precoce dos estudos e o envolvimento com drogas. Oliveira defende o combate à violência doméstica e um melhor funcionamento do atendimento socioeducativo, que já prevê desde advertência até apreensão, num panorama que considere a ressocialização dos jovens. Fonte/link: 11

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