A CONSOLIDAÇÃO DO PROCESSO DE SEGREGAÇÃO SOCIOESPACIAL E A PERIFERIZAÇÃO DA MORADIA DAS CAMADAS POPULARES, NA ÁREA CONURBADA DE FLORIANÓPOLIS.

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1 A CONSOLIDAÇÃO DO PROCESSO DE SEGREGAÇÃO SOCIOESPACIAL E A PERIFERIZAÇÃO DA MORADIA DAS CAMADAS POPULARES, NA ÁREA CONURBADA DE FLORIANÓPOLIS. Eixo Temático: Políticas públicas, demandas sociais e a questão urbana. Autor: Margaux Hildebrandt Vera. Arquiteta, Mestre em Urbanismo Arquitetura e Historia da Cidade Programa de Pós-graduação em Geografia da Universidade Federal de Santa Catarina. Palavras-Chave: Habitação de Interesse Social (HIS); Programa Minha Casa Minha Vida (PMCMV); Segregação Socioespacial; Área conurbada de Florianópolis. Introdução e Antecedentes Um dos problemas da realidade urbana do Brasil está vinculado aos processos de crescimento das cidades nas suas áreas periféricas reproduzindo cidades horizontais, e espraiadas, bairros afastados de áreas urbanizadas porem carentes de infraestrutura social e urbana. A área conurbada de Florianópolis esta conformada pelos municípios de Palhoça, Biguaçu, São José e Florianópolis, os três primeiros mencionados representam áreas de desenvolvimento e expansão territorial e além de representar uma porta de entrada a capital, estão envolvidas diretamente na sua dinâmica e economia. Nesta região pode-se identificar certas caraterística de crescimento como a expansão urbana nos bairros periféricos, a multiplicação de

2 condomínios verticais ou conjuntos habitacionais de grande escala sendo implantados em zonas aparentemente rurais onde a falta de infraestrutura urbana e planejamento ocasionam grandes problemas socioespaciais como segregação, informalidade, delinquência, etc. Vários estudiosos da conformação socioespacial da região da Grande Florianópolis como Sugai, Campos, Peres, Miranda; falam sobre que a população mais pobre de Florianópolis é orientada pelo poder público a morar nas periferias dos outros municípios que conformam a região. Esta formação espacial, forma parte de um processo histórico, desde o início da povoação que se originou na Ilha de Santa Catarina, atual Florianópolis até hoje, a ocupação territorial da população mais pobre desenvolveu-se principalmente nos municípios localizados na área continental como São José, Palhoça e Biguaçu, enquanto no município de Florianópolis existe um processo de especulação imobiliária muito grande onde a classe média se aliava à elite local (SUGAI, 1994). Dessa forma, o processo histórico de cada município demostra que existiu ocupação desigual do território e uma marcada segregação socioespacial incentivada pelas ações do poder público e a inversão privada das grandes imobiliárias. Considera-se que o PMCMV é um grande avanço da política Habitacional brasileira. Mas, também, vem sendo prejudicial na configuração do espaço urbano nas cidade já que é produtor de uma clara exclusão socioespacial das camadas de baixa renda e dificulta a estruturação de um tecido urbano homogêneo. O PMCMV tem registrado até o final do ano 2012, 50 empreendimentos na área conurbada, 48 deles estão localizados na área periférica de Biguaçu, Palhoça e São José, o município de Florianópolis não registra nenhum empreendimento para a população mais carente. Porquê o PMCMV não tem nenhuma intervenção destinada a faixa 1 dentro do município de Florianópolis? Segundo a pesquisa feita pela equipe de INFOSOLO 2007, existem 61 assentamentos precários os quais contem 13,100 moradias. Isso quer dizer que existe uma demanda de moradia para famílias que ganham abaixo de três salários mínimos, mais esta não esta sendo atendida pelo programa. Objetivos Este trabalho tem como objetivo de estudo, compreender as dinâmicas de produção de habitação de interesse social orientada a população de baixa renda, produzida pelo atual

3 Programa Minha Casa Minha Vida (PMCMV) na Área Conurbada de Florianópolis, conhecer e identificar os mecanismos socioespaciais que estes empreendimentos vem desenvolvendo, assim como entender os processos urbanos que os empreendimentos geram no seu entorno local. O trabalho também pretende mostrar as variáveis dos dados coletados nos empreendimentos do PMCMV da faixa 1, especificando os aspectos socioeconômicos e de origem das famílias proprietárias. Metodologia e informações consideradas na investigação Este trabalho forma parte de minha dissertação de Mestrado submetida ao Programa de Pós-graduação em Urbanismo Arquitetura e Historia da Cidade da UFSC em março de e amadurecido com as discussões e disciplinas desenvolvidas no Programa de Pós-graduação em Geografia. Para o alcance de nossos objetivos, num primeiro momento se deu a busca de um entendimento teórico acerca da problemática que envolve a pesquisa de um modo geral e global. Seguidamente, num mapa de imagem de satélite, trabalharam-se as localização e identificação do entorno onde se situaram os 50 empreendimentos da área conurbada, visitaram-se aproximadamente 20 deles para uma melhor analise dos entornos e das caraterísticas. Posteriormente se focou a analises em dois empreendimentos que correspondem a faixa1 onde fizeram-se visitas consecutivas e analisaram-se num radio de 1 km. os entornos em base na qualidade urbana. Para o caso do empreendimento Marlene Moreira Pierri, o único habitado da faixa 1, a analise foi mais exaustiva, contou com a coleta de dados empíricos dos moradores mediante entrevistas e trabalho na prefeitura de Palhoça. Além disso, as informações que apresentamos são fruto de dados extraídos de reuniões e entrevistas a os órgãos envolvidos nesta pesquisa como funcionários da Caixa Económica, a Funcionários do setor de Habitação da prefeitura de Palhoça, e a os agentes imobiliários e construtores dos empreendimentos do PMCMV.

4 Principais Hipóteses Na atualidade, o processo de ocupação territorial na Grande Florianópolis continua estando marcado pelas linhas históricas da desigualdade e mascarado por termos legais que nos Planos Diretores se definem como áreas de expansão urbana. Nestas áreas é possível à construção de grandes núcleos habitacionais embora estes sejam carentes de infraestrutura. A lei municipal pode considerar de expansão urbana às áreas urbanizáveis, constantes de loteamentos aprovados pelos órgãos competentes, destinados à habitação, à indústria ou ao comércio, geralmente estas áreas estão localizadas fora da malha urbana da cidade, e não são mais que figuras jurídicas para contemplar edificações novas como condomínios fechados, parcelas de lotes, ou novas tipologias do mercado imobiliário sem possuir um planejamento integral que inclua infraestrutura para elas. A renta do solo urbano tem passado a ser um mecanismo importante na acumulação do capital para certos setores que possuem o monopólio imobiliário e por outro lado, o acesso a este bem é restrito para a população da baixa renda. Sendo assim, pode-se dizer que, na área de estudo, o PMCMV está agindo de forma decorrente da conjunção de interesses que regem o movimento e as trocas entre os diversos agentes presentes no processo socioespacial. Os grandes investimentos habitacionais do PMCMV e suas cadeias produtivas de construção civil vêm sendo influenciadas pelos interesses das empresas privadas, construindo empreendimentos nas periferias dos municípios da área conurbada, e nos grupos carentes de baixa renda, vêm acontecendo processos de segregação socioespacial. As dinâmicas espaciais que o PMCMV produz na área conurbada de Florianópolis estão vinculadas estreitamente na localização dos empreendimentos habitacionais segundo suas faixas de renda, podemos ver nos mapas que os empreendimentos da faixa 1 e faixa 2 se encontram em áreas de expansão urbana, péri-urbana ou rural; enquanto os empreendimentos da faixa 3 estão localizados em áreas totalmente urbanizadas. Em consequência é possível afirmar que no caso da área conurbada de Florianópolis o PMCMV vem contribuindo para um processo de periferização da moradia destinada à

5 população de baixa renda, já que a localização dos empreendimentos cria dinâmicas e processos de segregação socioespacial. Referencias Bibliográficas CAMPOS, Édson Telê. A Expansão Urbana na Região Metropolitana de Florianópolis e a Dinâmica da Indústria da construção civil. Tese de Doutorado, Programa de Pósgraduação em Geografia. UFSC. Florianópolis CORRÊA, Lobato. Trajetórias Geográficas. Bertrand. Rio de Janeiro, CORRÊA, Lobato. O Espaço Urbano. 4ª Ed. São Paulo, Editora Ática, FARRET, Ricardo. Paradigmas da estruturação do Espaço Residencial Intra-Urbano. Projeto Ed., HILDEBRANDT, Margaux. O Programa Minha Casa Minha Vida e as repercussões na dinâmica socioespacial e sua inserção no contexto urbano na área conurbada de Florianópolis. Dissertação de Mestrado. Programa de pós-graduação em Urbanismo, História e Arquitetura da Cidade, UFSC, Florianópolis, JARAMILLO, Samuel. Hacia una teoría da la renta del suelo urbano. Universidad de los Andes. Bogotá, MARICATO, Ermínia. O Impasse da Política Urbana no Brasil. Editora Vozes. São Paulo MELAZZO, Everaldo Santos. Estratégias Fundiárias e Dinâmicas Imobiliárias do Capital Financeirizado no Brasil dos anos Mercator, Fortaleza, v. 12, número especial (2)., p , set MELO, Marcus A. B. C. de. Políticas públicas e habitação popular: continuidade e ruptura, IN: Revista de Arquitetura e Urbanismo Salvador, PEREIRA, Fernando; PEREIRA Alice; SZUCS, Carolina; PEREZ, Lino; SILVEIRA, Luís (Org.) Características da habitação de interesse social na Região de Florianópolis: Desenvolvimento de indicadores para melhoria do setor. In: Coletânea Habitare Inserção. Urbana e Avaliação Pós-Ocupação (APO) da habitação de Interesse Social. Vol. 1. FAUUSP, RIVEIRO, Fernando. Do discurso da diversidade urbana à cidade-mercadoria: Um estudo sobre as idéias do New Urbanism e sua transferência para o empreendimento pedra branca em Palhoça/SC. Dissertação de Mestrado, Programa de Pós-graduação em Geografia. UFSC. Florianópolis SPOSITO, Maria E. Segregação Socioespacial e Centralidade Urbana. Artigo publicado no livro A Cidade Contemporânea, Segregação Espacial Editora Contexto. São Paulo, 2013.

6 SUGAI, Maria Inês. As Intervenções viárias e as transformações do espaço urbano. A via de contorno Norte-Ilha. Dissertação de Mestrado. São Paulo WHITAKER, João (Coord.) Produzir casas ou construir cidades? Desafios para um novo Brasil urbano. LabHab - FAUUSP. São Paulo 2012.

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