Anais da XIII Semana de Economia da UESB - 19 a 24 de maio de 2014 Vitória da Conquista/BA

Tamanho: px
Começar a partir da página:

Download "Anais da XIII Semana de Economia da UESB - 19 a 24 de maio de 2014 Vitória da Conquista/BA"

Transcrição

1 Área de interesse: Economia Política Tipo de trabalho: Trabalho completo Título: O contrato social brasileiro e as lutas por mudanças estruturais Autor (a): Hugo Clapton Nogueira Instituição: Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia Projeto: Bolsista do Programa de Educação Tutorial em Economia Endereço postal: Rua Plácido de Castro, nº 150, centro. Telefone: (77) Coautor (a): Sofia Padua Manzano Instituição: Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia

2 O contrato social brasileiro e as lutas por mudanças estruturais RESUMO: A recente onda de manifestações pelo mundo, em busca de regimes democráticos, demonstra a indignação, que se acumulou com o tempo, contra os governantes autoritários. No Brasil não é diferente, o constante desrespeito aos direitos dos cidadãos, por parte do Estado, promove a transgressão do contrato social. Considerando estes aspectos, o objetivo deste trabalho foi analisar a conjuntura econômica e política do Brasil e investigar as causas que levaram os indivíduos à reclamar seus direitos civis. Constata-se, no atual cenário, uma crise social e política no país. Por que existe conflito se houve avanço nos indicadores de desenvolvimento socioeconômico? Para alcançar os objetivos propostos a metodologia utilizada lançou mão de revisão bibliográfica e análise comparativa. As referências utilizadas foram os filósofos contratualistas, como uma das explicações para a formação e consolidação do Estado; Manuel Castells, teorizando a Sociedade do Conhecimento; e, por fim, John Galbraith, esclarecendo o papel da educação nas grandes organizações. Os resultados apontam que o acesso da população ao conhecimento e a informação, possibilitou a politização dos indivíduos para exigir melhores condições de vida e a aplicação eficiente dos recursos públicos. Portanto, é possível afirmar que a educação é o mecanismo para a democratização de uma sociedade. Palavras-chave: Manifestações. Contrato Social. Reformas estruturais. INTRODUÇÃO Há diversas teorias sobre a construção e a consolidação de um Estado civil, dentre elas, os contratualistas apregoam a necessidade do Estado para garantir a paz (Hobbes, 2004), a propriedade privada (Locke, 1998) e a justiça social (Rousseau, 1978). Estes filósofos, que produziram suas teorias no alvorecer da sociedade capitalista, perceberam que essa sociedade nascente, cujas relações sociais passavam a ser mediadas pelo mercado, necessitava de uma superestrutura jurídico-política que obrigasse o cumprimento dos contratos livremente estabelecidos no mercado. Caso contrário, as contradições entre os interesses particulares levariam a um permanente estado de guerra (segundo Hobbes); a propriedade privada, direito inalienável do homem por ser originário de seu trabalho, não seria garantida (segundo Locke); e a sociedade seria destruída pela injustiça e a vontade particular iria sobrepujar sobre a vontade geral (segundo Rousseau). Para Coutinho (2011, 35-39), foi Rousseau o precursor da defesa da democracia, na era moderna. Para o exercício da democracia, o Estado deve ser constituído pela Vontade Geral que não se resume à somatória dos interesses

3 particulares, mas sim, pela formulação de regras do jogo que leve em consideração aquela Vontade 1. Nesse sentido o exercício da democracia requer dos governos o cumprimento do contrato social, garantindo os direitos civis dos cidadãos e promovendo o desenvolvimento e, consequentemente, o bem-estar socioeconômico. A onda de manifestações que surgiu recentemente em todas as partes do mundo, tem como objetivo reivindicar a consolidação de governos democráticos, que respeitem a liberdade e assegurem a participação dos indivíduos no sistema político. A sensação que perpassa essas sociedades é de que os governos não cumprem sua função social, enquanto os cidadãos respeitam as regras do jogo estabelecidas e renunciaram o uso da força particular submetendo-se ao Estado, não encontram, em contrapartida, o atendimento de suas necessidades. No Brasil não é diferente, a constante omissão dos direitos dos cidadãos, por parte das autoridades públicas, promove a transgressão do contrato social. Os brasileiros não se sentem representados pelas autoridades públicas, as quais presumiram que foram eleitas com o intuito de preservar a nação e atender as demandas sociais. Outro aspecto que leva ao agravamento desse quadro é o sistema de tributação brasileiro que não cumpre a sua função de promover a justiça social e a distribuição de renda, proporcionando a todos os cidadãos acesso aos serviços públicos. Pois, os serviços oferecidos pelo Estado são de péssima qualidade e o seu usufruto torna-se inviabilizado por não haver quantidade disponível para atender a todos. Nesse sentido, faz-se necessário a realização de reformas estruturais que garanta o direito dos cidadãos e desenvolva o país. O objetivo deste trabalho é investigar quais os motivos que levaram às manifestações de junho passado, tendo em vista que houve melhora nos indicadores sócio-econômicos. O texto está organizado em seis partes. Na primeira seção, efetua-se uma análise de conjuntura, para identificar o atual momento. Na segunda seção, discorre-se sobre a crise social brasileira, expondo os motivos e as contradições. Em seguida, na terceira seção, apresenta-se o referencial teórico utilizado. Na quarta seção, discorre-se sobre o contrato social brasileiro, abordando os serviços públicos, os tributos e os partidos 1 O grande mérito de Rousseau, no que se refere à construção da teoria da democracia, é precisamente o de ter colocado com justeza essa problemática decisiva: a democracia implica a gestação de uma vontade geral, o que pressupõe um consenso expresso em um contrato tanto sobre conteúdos como sobre procedimentos (COUTINHO, 2011, 36).

4 políticos brasileiros. Na quinta seção, pondera-se as mudanças estruturais necessárias para o Brasil. E, por fim, a última seção são traçadas algumas considerações finais. 1. ANÁLISE DE CONJUNTURA A conjuntura é um conjunto de forças que têm a capacidade de influenciar/determinar o resultado final dos fatos que irão acontecer. Logo, a análise de conjuntura observa as variáveis e mensura a intensidade do conflito entre as tendências antagônicas, este último denomina-se correlação de forças. Dessa maneira, é possível definir táticas para viabilizar as estratégias e, então, chegar ao objetivo desejado. A análise de conjuntura é uma ferramenta vital para mensurar a realidade, não apenas econômica, mas, também, política e social com o intuito de subsidiar a tomada de decisão através da modelação de cenários. Nesta situação, o objetivo primordial é identificar as variáveis 2 que influenciam/determinam os acontecimentos. Todavia, a conjuntura não é estática, pelo contrário, está em constante mudança, pois as variáveis que dela participam estão em movimento e os participantes podem mudar de estratégia Cenário Econômico Neste momento, o cenário econômico nacional e mundial está em ritmo fraco. A economia mundial ainda sofre as consequências da crise do subprime, em 2008, que desestabilizou o mercado financeiro; promoveu a falência de empresas; aumentou a concentração e oligopolização da economia e contribui para o caos, através do aumento da desigualdade de renda e dos transtornos sociais, causados pela falta de perspectiva em relação ao futuro. De acordo com o BACEN (2014) o ritmo de crescimento do país se intensificou e o crescimento real do PIB brasileiro em 2013 foi de 2,3%. Logo, o PIB per capita alcançou US$11.141,95 ficando atrás de países como Chile e Argentina (US$ ,05 e US$ ,32 respectivamente). Em relação ao desemprego, a taxa foi de 4,3% e a PEA e a PIA encerraram o ano em milhões ( -0,81) e milhões ( 1,12) respectivamente. No que diz respeito aos preços, o IPCA avançou 5,91% em 2013 e a taxa SELIC encerrou o ano em 10,00% a.a., ( 2,75 no ano), e com taxas reais de 4,09% a.a.; o superávit da Balança Comercial alcançou US$ bilhões e a entrada do IED registrou o valor de US$ bilhões, 2,86% do PIB em As reservas 2 Conjunto de fatores.

5 internacionais somaram US$ 376 bilhões no período supracitado. No entanto, apesar da desvalorização da moeda nacional em relação ao Dólar, fechando em R$ 2,34, a Conta Corrente encerrou o ano deficitária em -3,6% do PIB. É importante ressaltar que o fraco desempenho da economia mundial tem forçado os países a restringirem as importações, através das barreiras comerciais, com o objetivo de equilibrar 3 o balanço de pagamentos. O grau de abertura 4 da economia brasileira foi de 23,45% do produto nacional em As finanças públicas estão cada vez mais se deteriorando. Pois, enquanto os países da União Europeia estão aplicando políticas econômicas de contração fiscal, o Brasil adotou uma política inversa, efetuando expansão fiscal, para manter a demanda agregada, contribuindo para o baixo superávit primário 5 de 1,6% do PIB em Todavia, a eficiência dos gastos públicos não tem sido satisfatória, fato que pode ser comprovado pela elevada carga tributária, em relação aos serviços prestados, de 35,4% do PIB, R$ ,40, de acordo com dados do (IMPOSTÔMETRO, 2014). A dívida líquida do setor público terminou em 33,8% do PIB e a dívida pública bruta encerrou o ano em 58,5% do PIB. Em relação à indústria, o índice de Utilização Média da Capacidade Instalada - FGV (BACEN, 2014) indica que a indústria, em geral, terminou o ano em pleno emprego, pois a indústria de transformação encerrou o ano com utilização de 84,9% da sua capacidade instalada; em contrapartida, a indústrias de bens de capital e material de construção finalizaram o ano com 81,8% e 90,1%, respectivamente, da utilização de sua capacidade instalada. A relação do crédito sobre o PIB terminou o ano em 56,5%. O Levantamento Sistemático de Preços Agrícolas (LSPA, 2014, p. 7) informou que a produção agrícola no Brasil, em 2013, foi de 188,2 milhões de toneladas de grãos e a área colhida foi de 52,8 milhões de hectares. O rendimento 6 da produção agrícola em 2013 foi de kg por hectare. Neste momento, estão sendo realizados estudos e debates que tratam da eficiência energética do país, tendo em vista que no ano de 2014 haverá copa do mundo e, em 2016, as olimpíadas. Levando-se em consideração as mudanças climáticas que 3 No caso dos países periféricos o balanço de pagamentos é estruturalmente deficitário, contribuindo para as pressões inflacionárias estruturais, de acordo com a teoria da Cepal. 4 O grau de abertura de uma economia é a relação da soma das exportações com as importações sobre o produto interno bruto em um determinado período. 5 No entanto, o Brasil ainda é um dos poucos países que possuem superávit primário. 6 Rendimento = Produção Área colhida

6 obrigam os consumidores a demandarem mais energia e o aumento do consumo por causa da chegada dos turistas e, sobretudo, a falta de chuvas nos reservatórios, há possibilidade de apagão no decorrer do ano, o que colocará em risco a produção industrial e, consequentemente, os investimentos no país. O consumo de energia elétrica na rede alcançou 463,7 mil gigawatts-hora (GWh) em 2013, aumento de 3,5% em relação ao ano de 2012, EPE (2014, p. 1). Em relação à economia internacional, em 2013, o PIB mundial cresceu 3,0%. O preço do petróleo Brent encerrou o ano em US$ 110,53 o barril, o PIB real das economias desenvolvidas avançou 1,3% e a taxa de desemprego ficou em 8,1%. No que se refere aos países emergentes, o PIB real avançou 4,7% e a taxa de inflação alcançou 6,1%. Na América Latina e Caribe existe o cenário do produto nacional baixo e inflação alta, pois o PIB real avançou 2,6%, em 2013, e a taxa de inflação alcançou 6,7% no período supracitado. O grande empecilho de nossa economia, segundo as projeções do ITAÚ (2014), é a parceira comercial Argentina que vem enfrentando grave crise econômica, no qual o índice de preços está em 28,4%, segundo estimativas privadas, e a taxa BLADAR 7 alcançou 21,63%, o que irá impactar a produção nacional no futuro. Ademais, a política de redução das importações, contribuiu para amenizar a Balança Comercial deficitária que encerrou com saldo de US$ 9 bilhões. Fato semelhante ocorre na Venezuela em que há um desequilíbrio macroeconômico intenso, causando alta inflação e escassez de produtos básicos, como alimentos e produtos de higiene pessoal Cenário Social O Brasil, neste momento, está vivenciando acontecimentos históricos, a saber: deslocou 22 milhões de brasileiros da extrema pobreza 8 (BRASIL, 2014, p. 5); receberá megaeventos internacionais como a copa do mundo de futebol da FIFA, no presente ano, e Olimpíadas de verão, em 2016, na cidade do Rio de Janeiro. Ademais, a Jornada Mundial da Juventude (JMJ) ocorreu, também no Brasil, em meados de julho de Dessa forma, pode-se alegar que o país está ganhando visibilidade internacional pelas ações políticas e eventos internacionais de grande porte. No entanto, nem só de boas novas vivem os brasileiros, grandes fatos marcaram, negativamente, a memória dos 7 Taxa semelhante à taxa SELIC no Brasil que serve como indicador para as demais taxas de juros cobradas no país. 8 De acordo com o IBGE apud Seides (s/d) (...) a linha de extrema pobreza foi estabelecida em R$ 70,00 per capita considerando o rendimento nominal mensal domiciliar. Deste modo, qualquer pessoa residente em domicílios com rendimento menor (até sem rendimento) ou igual a esse valor é considerada extremamente pobre.

7 cidadãos de nosso país, a saber: corrupção excessiva; precarização dos serviços públicos; supressão dos direitos civis; ineficiência da alocação dos recursos públicos, dentre outros problemas. Estes problemas sociais foram se acumulando com o passar do tempo. Pois, a inexistência de políticas sérias de distribuição de renda proporcionou a manutenção e a intensificação das diferenças sociais. Desde a colonização, quando a produção, baseada no latifúndio, monocultura e trabalho escravo, era determinada e destinada ao mercado externo europeu (PRADO Jr., 2006; MANZANO, 2011), até os dias atuais, o modelo de desenvolvimento econômico adotado no país configurou um tipo de capitalismo cuja modernização é sempre conservadora (OLIVEIRA, 1989). Além disso, podemos caracterizar o capitalismo brasileiro atual como completo, integrado e subordinado ao capital-imperialismo internacional (MANZANO, 2013). Para a tomada de decisões políticas é necessário utilizar a análise histórica e, sobretudo, os fatos e acontecimentos presentes, para que seja possível projetar o futuro e corrigir os desvios sociais Cenário em 2013 Em junho de 2013, ocorreram manifestações no Brasil que há muito tempo não se via, a mídia afirmava que o gigante acordou e os manifestantes convidavam, com gritos de vem pra rua e com o objetivo de mobilizar toda a nação brasileira, a reivindicar os direitos civis e pressionar os gestores públicos para se atentarem às demandas sociais. A pauta de exigências foi extensa, desde a rejeição da PEC 37 até os gastos com a copa do mundo no Brasil. A PEC 37 tinha como objetivo limitar os poderes investigativos do Ministério Público, transferindo, de maneira integral, a responsabilidade exclusiva à polícia para realizar investigações criminais. Entretanto, a proposta foi derrubada na Câmera dos Deputados por limitar a fiscalização e facilitar as condições de ocorrer a impunidade dos julgamentos. Em seguida, tramitava, na mesma casa, o PDC 9 234/11 que Susta a aplicação do que estabelece normas de atuação para os psicólogos em relação à questão da orientação sexual, (CSSF, 2011, p. 1). Deste modo, a homossexualidade deveria ser 9 Projeto de Decreto Legislativo.

8 tratada como doença e, então, buscar a cura através de terapia para alterar a orientação sexual. Todavia, o projeto foi abortado em decorrência das manifestações populares. A pauta de manifestações também abordou os atos de corrupção no interior do Estado, bem como influências políticas para favorecimento de empresários, enriquecimento relâmpago e aumento repentino do patrimônio dos envolvidos. Ademais, as reinvindicações abordavam também pautas como a precarização dos serviços prestados à população, tais como: o direito à saúde de qualidade, à moradia, à educação de excelência, à mobilidade urbana, ao trabalho decente e à segurança pública. No que diz respeito à saúde, o Sistema Único de Saúde (SUS) é bastante deficiente para tratar de uma população de 200 milhões de habitantes. Em relação à moradia, há a desapropriação dos moradores sem a devida indenização e muitos são expropriados; os habitantes não podem usufruir da cidade em que residem por causa do aparthaid social e do imenso déficit habitacional. Em relação à educação, exigiam maiores investimentos nas instituições públicas e a valorização dos professores. No que diz respeito à mobilidade urbana, o direito de ir e vir dos cidadãos, dificultado em razão não só do trânsito caótico das grandes capitais, que diminuem o bem-estar dos cidadãos, mas também pelo elevado preço das passagens dos transportes públicos que inviabilizam este direito. No que diz respeito ao trabalho, luta-se contra a precarização das condições de trabalho. Em relação à segurança, luta-se para que o Estado cumpra seu dever de proteger os cidadãos contra a generalização da violência urbana. A Copa do Mundo da FIFA, que será realizada no Brasil, foi tema de grande indignação dos manifestantes pelo fato de o evento consumir grande quantidade de recursos públicos advindo dos tributos e, no entanto, os serviços ofertados a população são negligenciados. Portanto, há a desconfiança de que os custos sociais da promoção do evento sejam maiores que os benefícios, não deixando o legado prometido pelas autoridades públicas. Outra insatisfação manifestada é em relação aos partidos políticos, cujo senso comum não se sente representado, demonstrando o fracasso do sistema de participação política em que os altos gastos nas campanhas eleitorais são responsáveis pela eleição e não a real vontade geral. As manifestações populares ganharam proporções não previstas. Logo, para que o Estado não perdesse o controle social, foram propostos os Cinco Pactos 10 pelo Brasil, 10 Os pactos anunciados foram: Responsabilidade Fiscal; Reforma Política; Saúde; Transporte Público e Educação.

9 com o intuito de melhorar os serviços públicos para a população e atender algumas solicitações das manifestações sociais Cenário em 2014 O ano de 2014 tem projetado um período de grandes mobilizações sociais e políticas, dando continuidade ao que foi iniciado em junho de Os manifestantes prometem dificultar a realização das partidas da Copa do Mundo da FIFA e revelar os verdadeiros problemas que o país enfrenta. Frequentemente, pelas redes sociais, os manifestantes estão marcando encontros para a realização das mobilizações. A condução do Estado, nesse tipo de presidencialismo de coalisão, em que o governo é obrigado a atender as reivindicações, muitas vezes extemporâneas e particulares, da base parlamentar, fica refém dos acordos e formação de blocos nem sempre homogêneos. Periodicamente o governo é obrigado a atender as demandas da sua base no congresso e restringir seu espaço de ação. No que tange o cenário internacional, existem conflitos internos em grande parte das nações. Não somente no continente da América Latina, mas, também, na Europa e na Ásia. Essa conjuntura originou-se mais intensamente desde a crise de 2008, que provocou grande colapso mundial e o impacto direto nas famílias. Posteriormente, a crise se espalhou para o resto do mundo e, principalmente, para o continente europeu, que até hoje enfrenta os impactos da crise mundial. Dessa maneira, ocorreram protestos desde o Ocupe Wall Street, na cidade de Nova York, até as crises socioeconômicas nos chamados PIIGS 11. Na América Latina, crises originadas em fatores econômicos, como escassez de gêneros na Venezuela, inflação, na Argentina e reivindicações trabalhistas no Paraguai, rapidamente têm se transformado em crises políticas. Ou seja, a conjuntura internacional está praticamente no mesmo da conjuntura brasileira, em que, a crise econômica refletida na crise social, gera impasses políticos. Além disso, há crescentes conflitos que envolvem as grandes potências mundiais, como os conflitos no Egito, na Líbia e na Síria, e, mais recentemente, na Ucrânia. Esses conflitos preocupam todo o mundo, pois envolvem a retomada de práticas típicas da Guerra Fria, ocorrida no passado, porém agora, com possibilidades de se tornarem guerras quentes, ou seja, enquanto no passado a corrida armamentista entre Estados Unidos e União Soviética gerava uma constante instabilidade na paz, mas 11 Termo pejorativo utilizado para identificar a crise fiscal nos países: Portugal, Itália, Irlanda, Grécia e a Espanha. Para uma análise da crise nos países que adotaram o Euro, ver: MANZANO (2012).

10 que não se efetivou em termos bélicos, hoje as potências, todas convertidas ao capitalismo (como a Rússia e as antigas Repúblicas Soviéticas), lutam abertamente por um novo processo de recolonização dos espaços de exploração e influência. 2. CRISE No Brasil, na última década, as políticas públicas proporcionaram avanços nos indicadores sociais. O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) brasileiro avançou em comparação aos anos de 1991 e 2000, houve um salto quantitativo. Gráfico 1: IDHM brasileiro entre 1991 e 2010 Fonte: Elaboração própria com base nos dados da PNUD. O IDHM brasileiro avançou 47,5% entre 1991 e O país estava classificado como Muito Baixo Desenvolvimento Humano (0,493), em 1991, e avançou para Alto Desenvolvimento Humano (0,727), em A educação, indubitavelmente, foi a que mais se desenvolveu neste período, tendo um crescimento de 128%. A expectativa de vida cresceu 9,2 anos (14%), entre 1991 e Dessa maneira, percebe-se que houve aumento da renda, da educação e da longevidade. Portanto, houve melhoria na condição de vida, proporcionando aumento do bem-estar social Motivos 0,9 0,8 0,7 0,6 0,5 0,4 0,3 0,2 0, Renda 0,647 0,692 0,739 Educação 0,279 0,456 0,637 Longevidade 0,662 0,727 0,816 GERAL 0,493 0,612 0,727 A melhora do indicador de renda pode ser explicada pelo controle da inflação com a chegada do Plano Real, em Logo, foi possível planejar a economia e realizar investimentos de longo prazo, por causa da estabilização do poder de compra dos consumidores. Ademais, as políticas públicas de transferência de renda tiveram importante papel para eliminar o consumo reprimido, dando renda para quem não tinha

11 condições de consumir e houve o processo da valorização das commodities, impactando diretamente a Balança Comercial, gerando emprego e renda por causa do espraiamento nos demais setores da economia. Em relação à educação, diante da a necessidade de aumentar a oferta de mão-deobra especializada, com a implementação de empresas transnacionais e o aumento da concorrência e da globalização, tornou-se crucial ter mão-de-obra qualificada. Logo, houve a expansão das Instituições de Ensino Superior (IES), redução da evasão escolar 12, exigências mínimas de formação para conseguir emprego e, sobretudo, a mudança da mentalidade em relação à importância dos estudos. No que diz respeito aos avanços da expectativa de vida, houve avanços na área da medicina e a maior oferta de profissionais da área de saúde, a consolidação do Sistema Único de Saúde (SUS) 13 e a maior adesão aos planos de saúde, decorrente do aumento da renda do trabalhador Contradição Apesar do avanço quantitativo nos indicadores de desenvolvimento socioeconômico, por que há crise social e política no Brasil? A crise se justifica pelo acúmulo da indignação social em relação às condições de vida. Como a situação era extremamente miserável, pequenas injeções de recursos públicos promoveram a elevação dos indicadores. O efeito multiplicador da aplicação de recursos nas camadas mais vulneráveis é alto, porque o beneficiado sai de uma situação de miserabilidade, em que não tinha as necessidades básicas atendidas, para a condição de vida mínima que um ser humano necessita. Em contrapartida, o benefício decorrente do Estado, que as classes mais avantajadas possuem em relação aos mais necessitados, gera uma indignação quanto à ostentação de riqueza e ao mesmo tempo o usufruto privilegiado dos aparatos estatais, tais como: segurança privilegiada, construção de obras em bairros nobres, a localização geográfica dos serviços públicos próximo às zonas ricas das cidades, entre outros. Ademais, as classes mais abastadas possuem incentivos 14 do Estado para desenvolver suas atividades econômicas. 12 A política de transferência de renda permitiu que os estudantes não largassem os estudos para trabalhar e ajudar a compor a renda familiar. Pois, os benefícios só seriam adquiridos se o aluno frequentasse as aulas. 13 Apesar de estar em condições deploráveis, o SUS possui uma cobertura nacional e realiza tratamentos e cirurgias de alta complexidade. 14 Nesta situação, torna-se necessário a ação do Estado em promover o investimento público em infraestrutura para que haja o investimento privado, aumentando a confiança do empresariado. Pois, deve-

12 O desenvolvimento das forças produtivas promoveu o avanço educacional, por causa da necessidade da disponibilidade de mão-de-obra qualificada para produção e da formação de tecnocratas 15 para a composição da tecnoestrutura 16. Dessa maneira, uma parte da sociedade saiu da obscuridade da ignorância e tomou conhecimento das causas, caindo por terra as falsas crenças e eliminando os dogmas. Portanto, houve a politização da sociedade e, logo, houve a cobrança por melhores condições de vida e eficiência na aplicação dos recursos públicos, que pertencem aos contribuintes. A politização dos indivíduos e o acesso à educação e à informação deram origem à Sociedade do Conhecimento, tornando-se uma sociedade mais exigente. Dessa maneira, os cidadãos têm ciência dos seus direitos e não somente dos seus deveres. 3. REFERENCIAL TEÓRICO 3.1. CONTRATUALISMO A teoria do Estado desenvolvida pelos contratualistas surge justamente no momento em que se está consolidando a economia capitalista. Essa teoria reflete a construção de um tipo específico de Estado que tem como principal função, ser o guardião dos contratos estabelecidos no âmbito da sociedade civil, ou seja, no mercado. Nesse sentido, a partir do estudo das obras dos autores fundamentais dessa corrente teórico-filosófica, a saber, Thomas Hobbes (2004), John Locke (1998) e Jean-Jacques Rousseau (1978) pode-se chegar à conclusão de que o Estado de Direito deve, em primeiro lugar, resguardar a liberdade e a igualdade jurídica, garantir a propriedade privada e, na medida do possível, construir um arcabouço legal justo. A ideia que se tem do contrato, pacto ou consenso, construído pelos indivíduos, isolados, livres e iguais, supostamente existentes no estado de natureza, ideia que pode ser absorvida da leitura da obra dos três autores citados, pode também ser entendida como uma metáfora da sociedade em transformação, no declínio da sociedade estratificada feudal, para uma sociedade mediada pelo mercado e que necessita tanto da se levar em consideração que o promotor de riqueza de uma sociedade capitalista é o setor privado. No entanto, cabe ao Estado promover o desenvolvimento econômico através da distribuição de renda, promovendo a equidade e a justiça social. 15 Técnicos e especialistas que promovem o planejamento e a gestão da grande empresa. 16 Refere-se à empresa moderna por causa da complexidade de suas ações, não sendo mais possível ser gerida unicamente pelo empresário individual, que torna necessário a formação de técnicos para o planejamento.

13 liberdade de estabelecimento dos contratos, quanto da igualdade jurídica, pois não se faz um contrato justo entre desiguais CASTELLS A sociedade do conhecimento é um termo genérico utilizado pelos cientistas sociais, mas, especificamente, Manuel Castells utiliza o termo Sociedade Informacional, para descrever o processo de absorção da informação que a humanidade passou nas décadas de 1970 e 1980, com o intuito de reformular a dinâmica capitalista. Naquele momento, o Welfare State declinava por causa da crise no sistema econômico. As firmas estavam tendo lucros menores e era necessário implementar processos de otimização da produção, com o objetivo de reduzir custos e aumentar a produtividade. Deste modo, a automação da produção e a utilização das tecnologias da informação trouxeram um novo modelo produtivo, chamado Toyotismo, no qual dinamizou a produção e apresentou taxas de lucros crescentes. Assim sendo, o conhecimento torna-se ferramenta imprescindível no desenvolvimento econômico, e o capital humano passa a ser o principal ativo das empresas maduras. A construção e interpretação dos dados torna-se fundamental para a sobrevivência das empresas no atual sistema de concorrência oligopolística GALBRAITH No último século, o avanço tecnológico, alcançado a partir de investimentos maciços em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), proporcionou grandes ferramentas e acessórios que proporcionaram comodidade e permitiu o avanço da produção mundial. As informações entre as empresas são trocadas em tempo real, os dados econômicos estão ao acesso de todos e, principalmente, o conhecimento e a ciência estão se universalizando. Deste modo, faz-se necessário ter mão-de-obra qualificada para desempenhar as atividades da tecnoestrutura. Segundo Galbraith (1982, p. 269) (...) a educação particularmente a educação superior é obviamente estratégica. (...) naturalmente adapta-se em grande extensão às necessidades do sistema de planejamento. 17 Para o aprofundamento dessa temática, ver Cintra (2010), Macpherson (1979) e Boron (2006).

14 4. O CONTRATO SOCIAL BRASILEIRO 4.1. Serviços Públicos Na sociedade capitalista, o consumo e o acesso à bens e serviços é realizado através do mercado. Deste modo, quem não possui renda para o consumo é excluído das relações de troca e impossibilitado de ter suas necessidades básicas atendidas. Deste modo, passou a ser função do Estado realizar a distribuição da renda e da riqueza geradas. Ademais, existem bens e serviços que o setor privado não tem interesse de ofertar, pelo fato de eles serem indivisíveis 18 e não gerar lucros. Nestes ramos, o Estado é chamado a ofertar bens e serviços necessários para a população. Logo, a economia de mercado pura não otimiza o bem-estar social, tornando-se necessário, em ocasiões específicas, a entrada do Estado para corrigir falhas de mercado e evitar a trustificação da economia, através da garantia da concorrência no mercado e assegurando os direitos do consumidor/contribuinte Tributos Os tributos e impostos são os principais mecanismos de obtenção dos recursos públicos no sistema capitalista. Logo, o sistema de tributação deve ser o mais justo possível, para que possa cumprir sua função de eliminar os distúrbios sociais e corrigir as diferenças causadas pela concentração da renda. Deste modo, o princípio do benefício 19 não é o mais adequado em uma sociedade com acentuada desigualdade e elevada concentração de renda. Pois, (...) a utilidade marginal da renda monetária diminui com o acréscimo da renda. Isso significa que R$ 100,00 é mais importante para um indivíduo pobre do que para um rico. Dado esse fato, se um indivíduo pobre e um indivíduo rico pagam um mesmo montante de tributos, verifica-se claramente que eles não fizeram o mesmo sacrifício. Devido à habilidade de pagamento, observa-se que o indivíduo pobre teve um sacrifício superior ao do rico. RIANI (2009, p. 104). O princípio da habilidade do pagamento 20, em uma sociedade desigual, é o mais eficiente sistema de tributação, pois permite que os bens e serviços públicos sejam 18 Os bens indivisíveis são aqueles cujos benefícios não podem ser individualizados, tornando ineficaz o estabelecimento dos preços via sistema de mercado. RIANI (2009, p. 13). 19 O princípio do benefício estabelece que cada indivíduo na sociedade pagará tributo de acordo com o montante de benefícios que recebe. Quanto maior o benefício, maior seria a contribuição e vice-versa. RIANI (2009, p. 102). 20 Esse princípio distribui o ônus da tributação entre os indivíduos na sociedade de acordo com sua [capacidade] de pagamento, medida usualmente pelo nível da renda. RIANI (2009, p. 103).

15 ofertados sem a exclusão dos cidadãos que não possuem renda para adquiri-los e torna o sistema mais justo, pelo fato de o usufruto não depender exclusivamente do dispêndio da renda, porém irá depender da capacidade de pagamento do contribuinte. Em grande parte dos países, o imposto direto imposto sobre a renda e a propriedade é a maior fonte de receitas. Deste modo, é possível haver uma tributação mais justa e progressiva 21 pelo fato de o Estado ser financiado pela capacidade de pagamento dos contribuintes e não sobrecarregando o setor de renda mais baixa. Ao atribuir valores homogêneos, o contribuinte de menor renda será penalizado ao pagar mais impostos proporcionalmente à sua renda, causando perda do poder de compra e elevando a concentração da renda. No Brasil, o sistema tributário é regressivo, porque a maior parte da receita adquirida para o financiamento do Estado não têm como origem os impostos diretos, o que significa que o sistema de tributação não está sendo executado de acordo com a habilidade de pagamento do contribuinte. Assim sendo, o sistema de tributação tem como principal fonte de financiamento os impostos indiretos impostos que incidem sobre o consumo -, atingindo, indiscriminadamente, todos na sociedade. Portanto, constitui-se em um sistema de tributação em que se aplica a mesma alíquota de impostos para os diferente níveis de renda, não utilizando os mecanismos de equidade horizontal e a equidade vertical 22. E, por fim, existem os Free riders no Brasil que desfrutam os serviços proporcionados pelo governo, exploram a atividade econômica e utilizam a infraestrutura construída pelo Estado. Entretanto, não contribuem para a arrecadação nacional, pelo fato de sonegarem impostos, descumprindo seu dever enquanto cidadão, usurpando o trabalho dos demais contribuintes, sobretudo, os setores mais carentes e participando da atividade econômica de forma ilegal, por levar vantagem em relação ao empresário que paga seus tributos corretamente Partidos e participação política Para a maior parte da população brasileira, a percepção que se tem da política é bastante pejorativa. A corrupção que perpassa todas as esferas do governo e também das 21 Por meio desse sistema, aplicam-se maiores percentuais de impostos para as classes de renda mais alta. RIANI (2009, p. 108). 22 Significa que os indivíduos com iguais habilidades devem pagar o mesmo montante de tributos. Por outro lado, a equidade vertical requer que os indivíduos com diferentes habilidades paguem tributos em montantes diferenciados. RIANI (2009, p. 104).

16 empresas privadas; os descompassos entre as promessas feitas em período eleitoral e a ação concreta, quando no governo; a opção que os governantes fazem pelos grandes negócios, para a alavancagem do capital monopolista; a indiferenciação da maior parte dos partidos políticos. Tudo isso criou uma situação de descrédito quanto a participação política. Contudo, é extremamente necessária a participação política. De acordo com Dallari (1984, p. 2) (...) política se refere à vida na polis, ou seja, à vida em comum, às regras de organização dessa vida, aos objetivos da comunidade e às decisões sobre todos esses pontos. (...) tratar de política é cuidar das decisões sobre problemas de interesse da coletividade (...). O grande problema da política brasileira é que os partidos não exercem as funções que lhes foram atribuídas, a lei nº 9.096, de 19 de setembro de 1995, Título I, Artigo 1º diz O partido político, pessoa jurídica de direito privado, destina-se a assegurar, no interesse do regime democrático, a autenticidade do sistema representativo e a defender os direitos fundamentais definidos na Constituição Federal. Todavia, não garantem o regime democrático, pelo fato de não atenderem às demandas sociais e, sobretudo, suprimirem os direitos fundamentais dos setores mais necessitados da população. No Brasil existem 32 partidos políticos registrados, segundo o TSE (2014). Contudo, apesar de haver um número expressivo, poucos são os partidos políticos coerentes no país. A maioria deles não cumpre seu programa político e os eleitores não conhecem o estatuto, que estabelece as diretrizes do partido. A maioria dos partidos não têm interesses pela coletividade, mas sim pelos interesses individuais de seus partidários. Portanto, lutam pelo poder e não pela democracia e o desenvolvimento da nação. 5. MUDANÇAS ESTRUTURAIS O Brasil possui, abundantemente, recursos físicos e naturais que deveriam ser utilizados para melhorar a qualidade vida dos cidadãos. Existem países que não possuem as condições ambientais, geográficas e de produção de riquezas semelhantes ao Brasil, entretanto, a sua população têm melhores condições de vida. Além disso, o país possui um dos maiores PIB do mundo, sobretudo entre as nações em desenvolvimento.

17 Figura 2: Produto Interno Bruto de países selecionados em 2013 (US$ bilhões) , , , , , , , , , ,0 0,0 Produto Interno Bruto Fonte: Elaboração própria com base nos dados do BACEN. Todavia, por que esta riqueza não se reflete na qualidade de vida dos cidadãos brasileiros? O IDH demonstra que o país está longe de ser um dos melhores locais para se viver. Deste modo, percebe-se que a riqueza produzida internamente não condiz com a qualidade de vida dos cidadãos. O crescimento econômico não proporcionou o desenvolvimento econômico, pois a riqueza gerada é concentrada em pequenos grupos. Tabela 1: IDH 2012 e Índice de Gini ( ) de países selecionados PAÍS POSIÇÃO IDH ÍNDICE DE GINI Polónia 39 0,821 34,1 Chile 40 0,819 52,1 Argentina 45 0,811 44,5 México 61 0,775 48,3 Brasil 85 0,730 54,7 Turquia 90 0,722 39,0 China 101 0,699 42,5 Tailândia 103 0,690 40,0 África do Sul 121 0,629 63,1 Indonésia 121 0,629 34,0 Índia 136 0,554 33,4 Fonte: Elaboração própria com base nos dados da PNUD.

18 Pode-se perceber que países com produção de riquezas menor que o Brasil estão em posições superior no IDH pelo fato de possuírem longevidade, educação e renda per capita mais elevadas; garantindo uma qualidade de vida melhor. Percebe-se que o elevado nível de concentração de renda, medido pelo Índice de Gini, demonstra o nível de desigualdade no país. Neste grupo de países selecionados, o Brasil tem a segunda maior concentração de renda, atrás, apenas, da África do Sul. Além disso, os países com o IDH mais alto, geralmente, são os países em que há elevada carga tributária. Todavia, os serviços oferecidos pelo Estado são de alta qualidade e os cidadãos não precisam gastar parte de suas rendas com serviços privados. No Brasil, afirma-se que exista alta taxa de tributação. Entretanto, o problema não é a tributação excessiva, mas é a ineficiência e a má utilização dos recursos públicos. Ademais, é necessário realizar reformas estruturais no país e planejar o futuro, não se pode executar a gestão de um país executando reformas pontuais. Deste modo, é necessário atingir as oligarquias atrasadas, que servem a perpetuar a modernização conservadora no Brasil. Logo, é necessário realizar uma tributação progressiva, para que haja uma distribuição de renda e a promoção da igualdade social; Reforma na educação, para que haja educação pública de qualidade desde a educação primária até as instituições de ensino superior (IES); Valorização do trabalho, eliminando a precarização e lutando contra a flexibilização das leis trabalhistas, tendo em vista que, nos momentos cíclicos da economia, as leis trabalhistas irão garantir proteção para que o trabalhador mantenha sua renda, o que minimizará os impactos negativos da crise na macroeconomia; Realizar a reforma política, aplicando sanções mais duras para corrupção e a ingerência nos serviços públicos. Eliminar o financiamento privado das campanhas eleitorais, utilizando somente o Fundo Partidário 23. Pois, deste modo, as empresas privadas iriam ser impedidas de financiar os candidatos e, consequentemente, não teriam influência nas decisões governamentais; Realizar a reforma agrária, pois existem grandes latifúndios improdutivos que não têm nenhuma serventia à comunidade brasileira. Deste modo, deve-se fomentar a agricultura familiar que é a grande responsável pela produção que alimenta a população brasileira, garantindo a segurança alimentar do país; E, por fim, tratar da problemática da mobilização urbana. Pois, o 23 Fundo Especial de Assistência Financeira aos Partidos Políticos.

19 custo social e o custo de oportunidade, causados pela perda de tempo no trânsito, geram prejuízos para a produção nacional e má qualidade de vida. CONSIDERAÇÕES FINAIS Pode-se perceber que há uma onda de manifestações pelo mundo, em que a sociedade está exigindo, cada vez mais, governos democráticos e rejeitando governos autoritários. Fatos semelhantes aconteceram no oriente médio, com a Primavera Árabe, em que manifestantes ocuparam as praças de seus respectivos países exigindo a derrubada de governos autoritários e corruptos e a implementação da democracia. No Brasil não é diferente porque há o aumento da politização da sociedade, através do conhecimento dos fatos passados, e do acesso à educação. A pauta das manifestações incluía a extrema corrupção no país. Pois, desde o tempo em que houve a onda de privatização das empresas públicas, por quantia irrisória ao seu valor de mercado atual, há um sentimento de revolta por parte da população. O modelo de tributação no Brasil é um modelo regressivo que tributa o consumo. Logo, como a Propensão Marginal à Consumir do assalariado é de quase 100% de sua renda, a tributação recai mais intensamente sobre a renda do trabalhador. O Estado tem realizado políticas de transferência de renda. No entanto, critica-se o caráter eleitoreiro e assistencialista. Esse tipo de política de renda focalizado e pontual não gera efeitos multiplicadores positivos que possam retirar o público alvo do assistencialismo. Ao atentar para as atuais condições do Estado brasileiro, percebe-se o descumprimento do contrato social, pelo fato de o Estado não atender as necessidades da população a partir do momento em que não fornece: segurança pública, educação de qualidade, saúde pública 24 de qualidade, acesso à cultura. Vale ressaltar que a pobreza não é unidimensional. Todavia, é multidimensional e não diz respeito somente à renda de um indivíduo. O desenvolvimento humano e o progresso social obrigaram os indivíduos a se especializarem e adquirirem conhecimentos, para que estivessem aptos e fossem capazes de desenvolver as atividades produtivas que se tornaram mais complexas. Apesar de a divisão social do trabalho promover a especialização, promove também a 24 Apesar de o indicador de longevidade ter melhorado, a saúde pública brasileira é precária. Faltam medicamentos nos postos de saúde, especialistas de diversas áreas nos hospitais, médicos nas periferias e zona rural, médicos nas cidades do interior e, sobretudo, infraestrutura de equipamentos adequada para as proporções do Brasil.

20 simplificação, pelo fato de o indivíduo realizar atividades extremamente repetitivas, assemelhando-se e sendo substituído, pelo processo de automação industrial, por máquinas. Deste modo, as exigências educacionais para exercer as atividades produtivas é uma faca de dois gumes, pois, ao mesmo tempo em que promove o acesso à informação, também promove a alienação do trabalhador pelo fato de o conhecimento adquirido ser tendencioso e altamente específico, não possibilitando o conhecimento do todo. Assim sendo, cabe ao cidadão que busca transformar a realidade e, consequentemente, a sociedade, buscar o conhecimento em sua plenitude. Portanto, é possível afirmar que o acesso ao conhecimento produziu uma sociedade politizada, pelo fato de os indivíduos terem acesso à informação, transformando-os em sujeitos críticos da realidade. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BORON, Atílio (Org,). Filosofia política moderna. De Hobbes a Marx. Buenos Aires: CLACSO, p. BRASIL. Banco Central do Brasil. Indicadores econômicos consolidados. Disponível em: <http://www.bcb.gov.br/?indeco>. Acesso em: 02 abr BRASIL. Empresa de Pesquisa Energética. Resenha Mensal do Mercado de Energia Elétrica. Rio de Janeiro p. BRASIL. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Levantamento Sistemático da Produção Agrícola: Pesquisa Mensal de Previsão e Acompanhamento das Safras Agrícolas no Ano Civil. Rio de Janeiro p. BRASIL. LEI Nº 9.096, DE 19 DE SETEMBRO DE Dispõe sobre partidos políticos, regulamenta os arts. 17 e 14, 3º, inciso V, da Constituição Federal. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9096.htm>. Acesso em 04 abr BRASIL. Projeto de decreto legislativo nº 234, de Susta a aplicação do parágrafo único BRASIL. Susta a aplicação do parágrafo único do Art. 3º e o Art. 4º, da Resolução do Conselho Federal de Psicologia nº 1/99 de 23 de Março de 1999, que estabelece normas de atuação para os psicólogos em relação à questão da orientação sexual. Disponível em: <http://www.camara.gov.br/proposicoesweb/prop_mostrarintegra?codteor=881210>. Acesso em: 03 abr BRASIL. Tribunal Superior Eleitoral. Partidos políticos registrados no TSE. Disponível em: Acesso em: 04 abr CINTRA, Rodrigo Suziki. Liberalismo e natureza. A propriedade em John Locke. São Paulo: Ateliê Editorial, p. COUTINHO, Carlos Nelson. De Rousseau a Gramsci. São Paulo: Boitempo, p. DALLARI, Dalmo de Abreu. O que é participação política. 1ª Ed. São Paulo: Abril Cultural: Brasiliense, p. GALBRAITH, John Kenneth. O Novo Estado Industrial. 3ª Ed. São Paulo: Abril Cultural, p.

Os fatos atropelam os prognósticos. O difícil ano de 2015. Reunião CIC FIEMG Econ. Ieda Vasconcelos Fevereiro/2015

Os fatos atropelam os prognósticos. O difícil ano de 2015. Reunião CIC FIEMG Econ. Ieda Vasconcelos Fevereiro/2015 Os fatos atropelam os prognósticos. O difícil ano de 2015 Reunião CIC FIEMG Econ. Ieda Vasconcelos Fevereiro/2015 O cenário econômico nacional em 2014 A inflação foi superior ao centro da meta pelo quinto

Leia mais

Instrumentalização. Economia e Mercado. Aula 4 Contextualização. Demanda Agregada. Determinantes DA. Prof. Me. Ciro Burgos

Instrumentalização. Economia e Mercado. Aula 4 Contextualização. Demanda Agregada. Determinantes DA. Prof. Me. Ciro Burgos Economia e Mercado Aula 4 Contextualização Prof. Me. Ciro Burgos Oscilações dos níveis de produção e emprego Oferta e demanda agregadas Intervenção do Estado na economia Decisão de investir Impacto da

Leia mais

Aspectos recentes do Comércio Exterior Brasileiro

Aspectos recentes do Comércio Exterior Brasileiro Aspectos recentes do Comércio Exterior Brasileiro Análise Economia e Comércio / Integração Regional Jéssica Naime 09 de setembro de 2005 Aspectos recentes do Comércio Exterior Brasileiro Análise Economia

Leia mais

Políticas Públicas. Lélio de Lima Prado

Políticas Públicas. Lélio de Lima Prado Políticas Públicas Lélio de Lima Prado Política Cambial dez/03 abr/04 ago/04 dez/04 abr/05 ago/05 Evolução das Reservas internacionais (Em US$ bilhões) dez/05 abr/06 ago/06 dez/06 abr/07 ago/07 dez/07

Leia mais

Cenário Econômico para 2014

Cenário Econômico para 2014 Cenário Econômico para 2014 Silvia Matos 18 de Novembro de 2013 Novembro de 2013 Cenário Externo As incertezas com relação ao cenário externo em 2014 são muito elevadas Do ponto de vista de crescimento,

Leia mais

ANEXO I QUADRO COMPARATIVO DOS GOVERNOS LULA E fhc

ANEXO I QUADRO COMPARATIVO DOS GOVERNOS LULA E fhc ANEXO I QUADRO COMPARATIVO DOS GOVERNOS LULA E fhc Mercadante_ANEXOS.indd 225 10/4/2006 12:00:02 Mercadante_ANEXOS.indd 226 10/4/2006 12:00:02 QUADRO COMPARATIVO POLÍTICA EXTERNA Fortalecimento e expansão

Leia mais

Palestra: Macroeconomia e Cenários. Prof. Antônio Lanzana 2012

Palestra: Macroeconomia e Cenários. Prof. Antônio Lanzana 2012 Palestra: Macroeconomia e Cenários Prof. Antônio Lanzana 2012 ECONOMIA MUNDIAL E BRASILEIRA SITUAÇÃO ATUAL E CENÁRIOS SUMÁRIO I. Cenário Econômico Mundial II. Cenário Econômico Brasileiro III. Potencial

Leia mais

CENÁRIOS ECONÔMICOS O QUE ESPERAR DE 2016? Prof. Antonio Lanzana Dezembro/2015

CENÁRIOS ECONÔMICOS O QUE ESPERAR DE 2016? Prof. Antonio Lanzana Dezembro/2015 CENÁRIOS ECONÔMICOS O QUE ESPERAR DE 2016? Prof. Antonio Lanzana Dezembro/2015 1 SUMÁRIO 1. Economia Mundial e Impactos sobre o Brasil 2. Política Econômica Desastrosa do Primeiro Mandato 2.1. Resultados

Leia mais

Planejamento da fiscalização no TCU. Um novo paradigma em prática

Planejamento da fiscalização no TCU. Um novo paradigma em prática Planejamento da fiscalização no TCU Um novo paradigma em prática Competências do TCU(art. 70 e 71 da CF) Art. 70 - A fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial da União

Leia mais

Aula 4 A FOME NO MUNDO CONTEMPORÂNEO. Christian Jean-Marie Boudou

Aula 4 A FOME NO MUNDO CONTEMPORÂNEO. Christian Jean-Marie Boudou Aula 4 A FOME NO MUNDO CONTEMPORÂNEO OBJETIVOS Compreender a abordagem geográfica da fome; Discorrer sobre fome e desnutrição; Conhecer a problemática de má distribuição de renda e alimentos no Brasil

Leia mais

TRIBUNAL DE CONTAS DO DISTRITO FEDERAL II RELATÓRIO ANALÍTICO

TRIBUNAL DE CONTAS DO DISTRITO FEDERAL II RELATÓRIO ANALÍTICO II RELATÓRIO ANALÍTICO 15 1 CONTEXTO ECONÔMICO A quantidade e a qualidade dos serviços públicos prestados por um governo aos seus cidadãos são fortemente influenciadas pelo contexto econômico local, mas

Leia mais

X Encontro Nacional de Economia da Saúde: Panorama Econômico e Saúde no Brasil. Porto Alegre, 27 de outubro de 2011.

X Encontro Nacional de Economia da Saúde: Panorama Econômico e Saúde no Brasil. Porto Alegre, 27 de outubro de 2011. X Encontro Nacional de Economia da Saúde: Panorama Econômico e Saúde no Brasil Porto Alegre, 27 de outubro de 2011. Brasil esteve entre os países que mais avançaram na crise Variação do PIB, em % média

Leia mais

MB ASSOCIADOS CENÁRIO MACROECONÔMICO BRASILEIRO. Sergio Vale Economista-chefe

MB ASSOCIADOS CENÁRIO MACROECONÔMICO BRASILEIRO. Sergio Vale Economista-chefe MB ASSOCIADOS CENÁRIO MACROECONÔMICO BRASILEIRO Sergio Vale Economista-chefe I. Economia Internacional II. Economia Brasileira Comparação entre a Grande Depressão de 30 e a Grande Recessão de 08/09 Produção

Leia mais

Plano de lutas PLENO EMPREGO

Plano de lutas PLENO EMPREGO Plano de lutas PLENO EMPREGO a) Impulsionar, junto com as outras centrais sindicais, a campanha nacional pela redução constitucional da jornada de trabalho sem redução de salários; b) Exigir a restrição

Leia mais

Perspectivas para a Inflação

Perspectivas para a Inflação Perspectivas para a Inflação Carlos Hamilton Araújo Setembro de 213 Índice I. Introdução II. Ambiente Internacional III. Condições Financeiras IV. Atividade V. Evolução da Inflação 2 I. Introdução 3 Missão

Leia mais

Disciplina: Economia ECN001. Macroeconomia

Disciplina: Economia ECN001. Macroeconomia Disciplina: Economia ECN001 Macroeconomia Orçamento do Setor Público É a previsão de receitas e a estimativa de despesas a serem realizadas por um Governo em um determinado exercício (geralmente um ano).

Leia mais

CONCLUSÕES DA REUNIÃO EMPRESARIAL PORTUGAL - ESPANHA. 22 de junho de 2015

CONCLUSÕES DA REUNIÃO EMPRESARIAL PORTUGAL - ESPANHA. 22 de junho de 2015 CONCLUSÕES DA REUNIÃO EMPRESARIAL PORTUGAL - ESPANHA UMA UNIÃO EUROPEIA MAIS FORTE 22 de junho de 2015 A União Europeia deve contar com um quadro institucional estável e eficaz que lhe permita concentrar-se

Leia mais

Análise CEPLAN Clique para editar o estilo do título mestre. Recife, 17 de agosto de 2011.

Análise CEPLAN Clique para editar o estilo do título mestre. Recife, 17 de agosto de 2011. Análise CEPLAN Recife, 17 de agosto de 2011. Temas que serão discutidos na VI Análise Ceplan A economia em 2011: Mundo; Brasil; Nordeste, com destaque para Pernambuco; Informe sobre mão de obra qualificada.

Leia mais

Indicadores da Semana

Indicadores da Semana Indicadores da Semana O saldo total das operações de crédito do Sistema Financeiro Nacional atingiu 54,5% do PIB, com aproximadamente 53% do total do saldo destinado a atividades econômicas. A carteira

Leia mais

A Economia Angolana nos Últimos Anos

A Economia Angolana nos Últimos Anos A Economia Angolana nos Últimos Anos A Economia cresceu : Saiu de uma base pequena para uma base muito maior. Deixou os tempos de grandes taxas de crescimento, mas instáveis, para taxas médias mais sustentáveis.

Leia mais

Classificação da Informação: Uso Irrestrito

Classificação da Informação: Uso Irrestrito Cenário Econômico Qual caminho escolheremos? Cenário Econômico 2015 Estamos no caminho correto? Estamos no caminho correto? Qual é nossa visão sobre a economia? Estrutura da economia sinaliza baixa capacidade

Leia mais

Choques Desequilibram a Economia Global

Choques Desequilibram a Economia Global Choques Desequilibram a Economia Global Uma série de choques reduziu o ritmo da recuperação econômica global em 2011. As economias emergentes como um todo se saíram bem melhor do que as economias avançadas,

Leia mais

Panorama da Economia Brasileira. Carta de Conjuntura do IPEA

Panorama da Economia Brasileira. Carta de Conjuntura do IPEA : Carta de Conjuntura do IPEA Apresentadoras: PET - Economia - UnB 25 de maio de 2012 1 Nível de atividade 2 Mercado de trabalho 3 4 5 Crédito e mercado financeiro 6 Finanças públicas Balanço de Riscos

Leia mais

Red Econolatin www.econolatin.com Expertos Económicos de Universidades Latinoamericanas

Red Econolatin www.econolatin.com Expertos Económicos de Universidades Latinoamericanas Red Econolatin www.econolatin.com Expertos Económicos de Universidades Latinoamericanas BRASIL Julho 2013 Profa. Anita Kon PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SÃO PAULO - PROGRAMA DE ESTUDOS PÓS- GRADUADOS

Leia mais

Fernanda de Paula Ramos Conte Lílian Santos Marques Severino RESUMO:

Fernanda de Paula Ramos Conte Lílian Santos Marques Severino RESUMO: O Brasil e suas políticas sociais: características e consequências para com o desenvolvimento do país e para os agrupamentos sociais de nível de renda mais baixo nas duas últimas décadas RESUMO: Fernanda

Leia mais

Crise e respostas de políticas públicas Brasil

Crise e respostas de políticas públicas Brasil Crise e respostas de políticas públicas Brasil Ipea - Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada BRASIL Jorge Abrahão de Castro Diretor da Diretoria de Estudos Sociais Brasília, 08 de setembro de 2009 Situação

Leia mais

Perspectivas da Economia Brasileira

Perspectivas da Economia Brasileira Perspectivas da Economia Brasileira CÂMARA DOS DEPUTADOS Ministro Guido Mantega Comissão de Fiscalização Financeira e Controle Comissão de Finanças e Tributação Brasília, 14 de maio de 2014 1 Economia

Leia mais

ECONOMIA BRASILEIRA DESEMPENHO RECENTE E CENÁRIOS PARA 2015. Prof. Antonio Lanzana Dezembro/2014

ECONOMIA BRASILEIRA DESEMPENHO RECENTE E CENÁRIOS PARA 2015. Prof. Antonio Lanzana Dezembro/2014 ECONOMIA BRASILEIRA DESEMPENHO RECENTE E CENÁRIOS PARA 2015 Prof. Antonio Lanzana Dezembro/2014 SUMÁRIO 1. Economia Mundial e Impactos sobre o Brasil 2. A Economia Brasileira Atual 2.1. Desempenho Recente

Leia mais

ISSN 1517-6576 CGC 00 038 166/0001-05 Relatório de Inflação Brasília v 3 n 3 set 2001 P 1-190 Relatório de Inflação Publicação trimestral do Comitê de Política Monetária (Copom), em conformidade com o

Leia mais

Perspectivas da Economia Brasileira

Perspectivas da Economia Brasileira Perspectivas da Economia Brasileira Márcio Holland Secretário de Política Econômica Ministério da Fazenda Caxias do Sul, RG 03 de dezembro de 2012 1 O Cenário Internacional Economias avançadas: baixo crescimento

Leia mais

Perspectivas da economia em 2012 e medidas do Governo Guido Mantega Ministro da Fazenda

Perspectivas da economia em 2012 e medidas do Governo Guido Mantega Ministro da Fazenda Perspectivas da economia em 2012 e medidas do Governo Guido Mantega Ministro da Fazenda Comissão de Assuntos Econômicos do Senado Federal Brasília, 22 de maio de 2012 1 A situação da economia internacional

Leia mais

O PAPEL DA AGRICULTURA. Affonso Celso Pastore

O PAPEL DA AGRICULTURA. Affonso Celso Pastore O PAPEL DA AGRICULTURA Affonso Celso Pastore 1 1 Uma fotografia do setor agrícola tirada em torno de 195/196 Entre 195 e 196 o Brasil era um exportador de produtos agrícolas com concentração em algumas

Leia mais

Economia mundial. Perspectivas e incertezas críticas. Reinaldo Gonçalves

Economia mundial. Perspectivas e incertezas críticas. Reinaldo Gonçalves Economia mundial Perspectivas e incertezas críticas Reinaldo Gonçalves Professor titular UFRJ 19 novembro 2013 Sumário 1. Economia mundial: recuperação 2. Macro-saídas: eficácia 3. Incertezas críticas

Leia mais

Evolução Recente dos Preços dos Alimentos e Combustíveis e suas Implicações

Evolução Recente dos Preços dos Alimentos e Combustíveis e suas Implicações 1 ASSESSORIA EM FINANÇAS PÚBLICAS E ECONOMIA PSDB/ITV NOTA PARA DEBATE INTERNO (não reflete necessariamente a posição das instituições) N : 153/2008 Data: 27.08.08 Versão: 1 Tema: Título: Macroeconomia

Leia mais

Anexo IV Metas Fiscais IV.1 Anexo de Metas Fiscais Anuais (Art. 4 o, 2 o, inciso I, da Lei Complementar n o 101, de 4 de maio de 2000)

Anexo IV Metas Fiscais IV.1 Anexo de Metas Fiscais Anuais (Art. 4 o, 2 o, inciso I, da Lei Complementar n o 101, de 4 de maio de 2000) Anexo IV Metas Fiscais IV.1 Anexo de Metas Fiscais Anuais (Art. 4 o, 2 o, inciso I, da Lei Complementar n o 101, de 4 de maio de 2000) Em cumprimento ao disposto na Lei Complementar n o. 101, de 4 de maio

Leia mais

Brasil 2007 2010: BRIC ou não BRIC?

Brasil 2007 2010: BRIC ou não BRIC? Brasil 27 21: BRIC ou não BRIC? Conselho Regional de Economia, 3 de outubro de 26 Roberto Luis Troster robertotroster@uol.com.br BRIC Brasil, Rússia, Índia e China BRIC Trabalho de 23 da GS Potencial de

Leia mais

MECANISMOS DA INJUSTIÇA FISCAL

MECANISMOS DA INJUSTIÇA FISCAL MECANISMOS DA INJUSTIÇA FISCAL Fatores que tornam o sistema tributário regressivo Fatores que potencializam a evasão fiscal Mitos são assim: alguém cria, outros repetem e os demais acreditam e passam adiante.

Leia mais

Modernização da Gestão

Modernização da Gestão Modernização da Gestão Administrativa do MPF Lei de Responsabilidade Fiscal, Finanças Públicas e o Aprimoramento da Transparência Francisco Vignoli Novembro-Dezembro/2010 MPF - I Seminário de Planejamento

Leia mais

Cenário Econômico Brasil em uma nova ordem mundial. Guilherme Mercês Sistema FIRJAN

Cenário Econômico Brasil em uma nova ordem mundial. Guilherme Mercês Sistema FIRJAN Cenário Econômico Brasil em uma nova ordem mundial Guilherme Mercês Sistema FIRJAN Cenário Internacional Cenário mundial ainda cercado de incertezas (1) EUA: Recuperação lenta; juros à frente (2) Europa:

Leia mais

Anexo IV Metas Fiscais IV.1 Anexo de Metas Fiscais Anuais (Art. 4 o, 2 o, inciso I, da Lei Complementar n o 101, de 4 de maio de 2000)

Anexo IV Metas Fiscais IV.1 Anexo de Metas Fiscais Anuais (Art. 4 o, 2 o, inciso I, da Lei Complementar n o 101, de 4 de maio de 2000) Anexo IV Metas Fiscais IV.1 Anexo de Metas Fiscais Anuais (Art. 4 o, 2 o, inciso I, da Lei Complementar n o 101, de 4 de maio de 2000) Em cumprimento ao disposto na Lei Complementar n o 101, de 4 de maio

Leia mais

Desigualdade e pobreza no Brasil 1995-2009. Pedro H. G. Ferreira de Souza

Desigualdade e pobreza no Brasil 1995-2009. Pedro H. G. Ferreira de Souza Desigualdade e pobreza no Brasil 1995-2009 Pedro H. G. Ferreira de Souza Renda domiciliar per capita (R$ setembro/2009) 700 600 500 400 521 1995 2003: 1% a.a. 2003 2009: +4.8% a.a 637 300 200 100 0 1995

Leia mais

COMÉRCIO EXTERIOR. Causas da dívida Empréstimos internacionais para projetar e manter grandes obras. Aquisição de tecnologia e maquinário moderno.

COMÉRCIO EXTERIOR. Causas da dívida Empréstimos internacionais para projetar e manter grandes obras. Aquisição de tecnologia e maquinário moderno. 1. ASPECTOS GERAIS Comércio é um conceito que possui como significado prático, trocas, venda e compra de determinado produto. No início do desenvolvimento econômico, o comércio era efetuado através da

Leia mais

ANÁLISE DA INFLAÇÃO, JUROS E CRESMENTO NO CENÁRIO ATUAL: Mundial e Brasil RESUMO

ANÁLISE DA INFLAÇÃO, JUROS E CRESMENTO NO CENÁRIO ATUAL: Mundial e Brasil RESUMO 1 ANÁLISE DA INFLAÇÃO, JUROS E CRESMENTO NO CENÁRIO ATUAL: Mundial e Brasil RESUMO SILVA, A. T.O.C. 1 LIMA, C.C.O. 2 VILLANI, C.J. 3 FRIZERO NETO, K. 4 GRAVINA, L.M. 5 SANTOS, F.A.A. 6 Este artigo tem

Leia mais

A importância dos Bancos de Desenvolvimento

A importância dos Bancos de Desenvolvimento MISSÃO PERMANENTE DA REPÚBLICA DE ANGOLA JUNTO AO OFÍCIO DAS NAÇÕES UNIDAS REPRESENTAÇÃO COMERCIAL GENEBRA - SUÍÇA NOTA DE TRABALHO A importância dos Bancos de Desenvolvimento G E NEBRA A OS 5 DE Segundo

Leia mais

A QUESTÃO FEDERATIVA NA DEFINIÇÃO DA POLITICA PÚBLICAS URBANAS NO BRASIL

A QUESTÃO FEDERATIVA NA DEFINIÇÃO DA POLITICA PÚBLICAS URBANAS NO BRASIL A QUESTÃO FEDERATIVA NA DEFINIÇÃO DA POLITICA PÚBLICAS URBANAS NO BRASIL 1 O PACTO FEDERATIVO E A QUESTÃO FISCAL As dificuldades oriundas do federalismo brasileiro vêm ganhando cada vez mais espaço na

Leia mais

Cenário Macroeconômico

Cenário Macroeconômico INSTABILIDADE POLÍTICA E PIORA ECONÔMICA 24 de Março de 2015 Nas últimas semanas, a instabilidade política passou a impactar mais fortemente o risco soberano brasileiro e o Real teve forte desvalorização.

Leia mais

Red Econolatin www.econolatin.com Expertos Económicos de Universidades Latinoamericanas

Red Econolatin www.econolatin.com Expertos Económicos de Universidades Latinoamericanas Red Econolatin www.econolatin.com Expertos Económicos de Universidades Latinoamericanas BRASIL Julho 2012 Profa. Anita Kon PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SÃO PAULO PROGRAMA DE ESTUDOS PÓS GRADUADOS

Leia mais

Taxa de analfabetismo

Taxa de analfabetismo B Taxa de analfabetismo B.1................................ 92 Níveis de escolaridade B.2................................ 94 Produto Interno Bruto (PIB) per capita B.3....................... 96 Razão de

Leia mais

Direitos Humanos II D I R E I T O S E C O N Ô M I C O S, S O C I A I S, C U L T U R A I S E A M B I E N T A I S. Escola de Governo 22/09/2015

Direitos Humanos II D I R E I T O S E C O N Ô M I C O S, S O C I A I S, C U L T U R A I S E A M B I E N T A I S. Escola de Governo 22/09/2015 Direitos Humanos II D I R E I T O S E C O N Ô M I C O S, S O C I A I S, C U L T U R A I S E A M B I E N T A I S Escola de Governo 22/09/2015 Gerações dos Direitos Humanos 1ª Dimensão Direitos Civis e Políticos

Leia mais

Cenários da Macroeconomia e o Agronegócio

Cenários da Macroeconomia e o Agronegócio MB ASSOCIADOS Perspectivas para o Agribusiness em 2011 e 2012 Cenários da Macroeconomia e o Agronegócio 26 de Maio de 2011 1 1. Cenário Internacional 2. Cenário Doméstico 3. Impactos no Agronegócio 2 Crescimento

Leia mais

CASO 7 A evolução do balanço de pagamentos brasileiro no período do Real

CASO 7 A evolução do balanço de pagamentos brasileiro no período do Real CASO 7 A evolução do balanço de pagamentos brasileiro no período do Real Capítulo utilizado: cap. 13 Conceitos abordados Comércio internacional, balanço de pagamentos, taxa de câmbio nominal e real, efeitos

Leia mais

Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social CDES. A Consolidação das Políticas Sociais na Estratégia de Desenvolvimento Brasileiro

Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social CDES. A Consolidação das Políticas Sociais na Estratégia de Desenvolvimento Brasileiro Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social CDES A Consolidação das Políticas Sociais na Estratégia de Desenvolvimento Brasileiro A CONTRIBUIÇÃO DO CDES PARA O DEBATE DA CONSOLIDAÇÃO DAS POLÍTICAS SOCIAIS

Leia mais

O SISTEMA DA DÍVIDA NO BRASIL E SEUS IMPACTOS SOCIAIS

O SISTEMA DA DÍVIDA NO BRASIL E SEUS IMPACTOS SOCIAIS O SISTEMA DA DÍVIDA NO BRASIL E SEUS IMPACTOS SOCIAIS Coordenadora Nacional da auditoria Cidadã da Dívida Maria Lúcia Fattorelli CICLO DE PALESTRAS promovido em parceria com a UnBTV Brasília, 5 de dezembro

Leia mais

Tendências para o mercado de ovos e outras commodities Lygia Pimentel é médica veterinária e consultora pela Agrifatto

Tendências para o mercado de ovos e outras commodities Lygia Pimentel é médica veterinária e consultora pela Agrifatto Tendências para o mercado de ovos e outras commodities Lygia Pimentel é médica veterinária e consultora pela Agrifatto Para analisar qualquer mercado é importante entender primeiramente o contexto no qual

Leia mais

Infraestrutura Turística, Megaeventos Esportivos e Promoção da Imagem do Brasil no Exterior. Ministro Augusto Nardes

Infraestrutura Turística, Megaeventos Esportivos e Promoção da Imagem do Brasil no Exterior. Ministro Augusto Nardes Infraestrutura Turística, Megaeventos Esportivos e Promoção da Imagem do Brasil no Exterior Ministro Augusto Nardes TEMA 2: Geração de emprego e renda na economia nacional 1. Frente Parlamentar e a micro

Leia mais

Tabela 1 Evolução da taxa real de crescimento anual do PIB em países selecionados: 1991-2014

Tabela 1 Evolução da taxa real de crescimento anual do PIB em países selecionados: 1991-2014 Ano III /2015 Uma das grandes questões no debate econômico atual está relacionada ao fraco desempenho da economia brasileira desde 2012. De fato, ocorreu uma desaceleração econômica em vários países a

Leia mais

Comitê de Investimentos 07/12/2010. Robério Costa Roberta Costa Ana Luiza Furtado

Comitê de Investimentos 07/12/2010. Robério Costa Roberta Costa Ana Luiza Furtado Comitê de Investimentos 07/12/2010 Robério Costa Roberta Costa Ana Luiza Furtado Experiências Internacionais de Quantitative Easing Dados do Estudo: Doubling Your Monetary Base and Surviving: Some International

Leia mais

PANORAMA DA ECONOMIA RUSSA

PANORAMA DA ECONOMIA RUSSA PANORAMA DA ECONOMIA RUSSA A Federação da Rússia é o maior país do mundo, com 17 milhões de km2. O censo de 2001 revelou uma população de 142,9 milhões de habitantes, 74% dos quais vivendo nos centros

Leia mais

SUMÁRIO EXECUTIVO INTRODUÇÃO SETOR EXTERNO. O Cenário Internacional

SUMÁRIO EXECUTIVO INTRODUÇÃO SETOR EXTERNO. O Cenário Internacional SUMÁRIO EXECUTIVO INTRODUÇÃO Durante 2004, o PIB da América Latina e do Caribe deverá crescer em torno de 4,5%, o que significa um aumento de 3,0% do produto per capita. A recuperação das economias da

Leia mais

PARECER Nº, DE 2015. RELATOR: Senador BENEDITO DE LIRA

PARECER Nº, DE 2015. RELATOR: Senador BENEDITO DE LIRA PARECER Nº, DE 2015 1 Da COMISSÃO DE ASSUNTOS SOCIAIS, em decisão terminativa, sobre o Projeto de Lei do Senado nº 218, de 2011, do Senador EUNÍCIO OLIVEIRA, que dispõe sobre o empregador arcar com os

Leia mais

Relatório de Administração Semestre findo em 30 de junho de 2015 JS Real Estate Multigestão Fundo de Investimento Imobiliário

Relatório de Administração Semestre findo em 30 de junho de 2015 JS Real Estate Multigestão Fundo de Investimento Imobiliário Relatório de Administração Semestre findo em 30 de junho de 2015 JS Real Estate Multigestão Fundo de Investimento Imobiliário 1. Objetivo do fundo O Fundo JS Real Estate Multigestão Fundo de Investimento

Leia mais

POR QUE O REAL SE VALORIZA EM RELAÇÃO AO DÓLAR DESDE 2002?

POR QUE O REAL SE VALORIZA EM RELAÇÃO AO DÓLAR DESDE 2002? POR QUE O REAL SE VALORIZA EM RELAÇÃO AO DÓLAR DESDE 2002? Resenha produzida por Paulo Springer de Freitas 1 Este texto é uma resenha do estudo O câmbio no Brasil: perguntas e respostas, de autoria de

Leia mais

O COMÉRCIO EXTERIOR BRASILEIRO NO PERÍODO DE 1985-2009: BÊNÇÃO OU MALDIÇÃO DAS COMMODITIES? Stela Luiza de Mattos Ansanelli (Unesp)

O COMÉRCIO EXTERIOR BRASILEIRO NO PERÍODO DE 1985-2009: BÊNÇÃO OU MALDIÇÃO DAS COMMODITIES? Stela Luiza de Mattos Ansanelli (Unesp) O COMÉRCIO EXTERIOR BRASILEIRO NO PERÍODO DE 1985-2009: BÊNÇÃO OU MALDIÇÃO DAS COMMODITIES? Stela Luiza de Mattos Ansanelli (Unesp) Objetivo Qual padrão de especialização comercial brasileiro? Ainda fortemente

Leia mais

Estudos sobre a Taxa de Câmbio no Brasil

Estudos sobre a Taxa de Câmbio no Brasil Estudos sobre a Taxa de Câmbio no Brasil Fevereiro/2014 A taxa de câmbio é um dos principais preços relativos da economia, com influência direta no desempenho macroeconômico do país e na composição de

Leia mais

Observações sobre o Reequilíbrio Fiscal no Brasil

Observações sobre o Reequilíbrio Fiscal no Brasil Observações sobre o Reequilíbrio Fiscal no Brasil Nelson Barbosa Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão 1º de junho de 2015 Cenário Macroeconômico e Reequilíbrio Fiscal O governo está elevando

Leia mais

Faz sentido o BNDES financiar investimentos em infraestrutura em outros países?

Faz sentido o BNDES financiar investimentos em infraestrutura em outros países? Faz sentido o BNDES financiar investimentos em infraestrutura em outros países? Marcos Mendes 1 O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) tem financiado a construção de infraestrutura

Leia mais

OS BLOCOS ECONÔMICOS União Européia. Prof.: ROBERT OLIVEIRA

OS BLOCOS ECONÔMICOS União Européia. Prof.: ROBERT OLIVEIRA OS BLOCOS ECONÔMICOS União Européia Prof.: ROBERT OLIVEIRA união européia: a formação do bloco europeu O bloco europeu teve seu início com a formação do BENELUX em 1944, com o intuito de reconstruir a

Leia mais

VALOR E PARTICIPAÇÃO DAS EXPORTAÇÕES, POR FATOR AGREGADO E PAÍS DE DESTINO

VALOR E PARTICIPAÇÃO DAS EXPORTAÇÕES, POR FATOR AGREGADO E PAÍS DE DESTINO VALOR E PARTICIPAÇÃO DAS EXPORTAÇÕES, POR FATOR AGREGADO E PAÍS DE DESTINO 1 - CHINA 2 - ESTADOS UNIDOS 2014 34.292 84,4 4.668 11,5 1.625 4,0 6.370 23,6 5.361 19,8 13.667 50,6 2013 38.973 84,7 5.458 11,9

Leia mais

Redução da Pobreza no Brasil

Redução da Pobreza no Brasil Conferencia Business Future of the Americas 2006 Câmara Americana de Comércio Redução da Pobreza no Brasil Resultados Recentes e o Papel do BNDES Demian Fiocca Presidente do BNDES Rio de Janeiro, 5 de

Leia mais

RISCOS E OPORTUNIDADES PARA A INDÚSTRIA DE BENS DE CONSUMO. Junho de 2012

RISCOS E OPORTUNIDADES PARA A INDÚSTRIA DE BENS DE CONSUMO. Junho de 2012 RISCOS E OPORTUNIDADES PARA A INDÚSTRIA DE BENS DE CONSUMO Junho de 2012 Riscos e oportunidades para a indústria de bens de consumo A evolução dos últimos anos, do: Saldo da balança comercial da indústria

Leia mais

Setor Externo: Triste Ajuste

Setor Externo: Triste Ajuste 8 análise de conjuntura Setor Externo: Triste Ajuste Vera Martins da Silva (*) A recessão da economia brasileira se manifesta de forma contundente nos resultados de suas relações com o resto do mundo.

Leia mais

ARGENTINA Comércio Exterior

ARGENTINA Comércio Exterior Ministério das Relações Exteriores - MRE Departamento de Promoção Comercial e Investimentos - DPR Divisão de Inteligência Comercial - DIC ARGENTINA Comércio Exterior Agosto de 2014 Índice. Dados Básicos.

Leia mais

Duração da Prova: 120 minutos. Tolerância: 30 minutos.

Duração da Prova: 120 minutos. Tolerância: 30 minutos. EXAME NACIONAL DO ENSINO SECUNDÁRIO Decreto-Lei n.º 139/2012, de 5 de julho Prova Escrita de Economia A 10.º e 11.º Anos de Escolaridade Prova 712/2.ª Fase 14 Páginas Duração da Prova: 120 minutos. Tolerância:

Leia mais

EXERCÍCIOS ON LINE DE GEOGRAFIA 7º 2º TRI

EXERCÍCIOS ON LINE DE GEOGRAFIA 7º 2º TRI 1. Coloque V para verdadeiro e F para falso: EXERCÍCIOS ON LINE DE GEOGRAFIA 7º 2º TRI ( ) a população economicamente ativa compreende a parcela da população que está trabalhando ou procurando emprego.

Leia mais

Desempenho do Comércio Exterior Paranaense Março 2013

Desempenho do Comércio Exterior Paranaense Março 2013 Desempenho do Comércio Exterior Paranaense Março 2013 As exportações em março apresentaram aumento de +27,85% em relação a fevereiro. O valor exportado superou novamente a marca de US$ 1 bilhão, atingindo

Leia mais

Discurso do Diretor Anthero na Embaixada da Itália. Conferência Itália e Brasil no Contexto Global: Experiência e Modelos de Desenvolvimento

Discurso do Diretor Anthero na Embaixada da Itália. Conferência Itália e Brasil no Contexto Global: Experiência e Modelos de Desenvolvimento Discurso do Diretor Anthero na Embaixada da Itália Conferência Itália e Brasil no Contexto Global: Experiência e Modelos de Desenvolvimento 1. É com grande satisfação que participo, em nome do Presidente

Leia mais

Taxa de Câmbio. Recebimento de juros Recebimentos de lucros do exterior Receita de rendas do trabalho

Taxa de Câmbio. Recebimento de juros Recebimentos de lucros do exterior Receita de rendas do trabalho Taxa de Câmbio TAXA DE CÂMBIO No Brasil é usado a CONVENÇÃO DO INCERTO. O valor do dólar é fixo e o variável é a nossa moeda. Por exemplo : 1 US$ = R$ 3,00 Mercado de Divisa No mercado de câmbio as divisas

Leia mais

Economia de mercado socialista da China: Papéis do governo e dos capitais privados e estrangeiros

Economia de mercado socialista da China: Papéis do governo e dos capitais privados e estrangeiros Economia de mercado socialista da China: Papéis do governo e dos capitais privados e estrangeiros Após a 3ª sessão plenária do 11º Congresso Nacional do Partido Comunista da China (PCCh) realizada em 1978,

Leia mais

O BRASIL NO NOVO MANDATO PRESIDENCIAL (2015-2019) 02 de Dezembro de 2014 IFHC

O BRASIL NO NOVO MANDATO PRESIDENCIAL (2015-2019) 02 de Dezembro de 2014 IFHC O BRASIL NO NOVO MANDATO PRESIDENCIAL (2015-2019) 02 de Dezembro de 2014 IFHC 1 1. Economia Internacional 2. Economia Brasileira 2 Cenário Internacional: importante piora nas últimas semanas Zona do Euro

Leia mais

Discurso do Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante reunião plenária dos Ministros da Fazenda do G-20 Financeiro

Discurso do Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante reunião plenária dos Ministros da Fazenda do G-20 Financeiro , Luiz Inácio Lula da Silva, durante reunião plenária dos Ministros da Fazenda do G-20 Financeiro São Paulo-SP, 08 de novembro de 2008 Centrais, Senhoras e senhores ministros das Finanças e presidentes

Leia mais

Educação é a chave para um desenvolvimento duradouro...

Educação é a chave para um desenvolvimento duradouro... Educação é a chave para um desenvolvimento duradouro...enquanto os líderes mundiais se preparam para um encontro em Nova York ainda este mês para discutir o progresso dos Objetivos de Desenvolvimento do

Leia mais

O equilíbrio da inflação e os efeitos sobre a economia brasileira

O equilíbrio da inflação e os efeitos sobre a economia brasileira O equilíbrio da inflação e os efeitos sobre a economia brasileira Luciano Nakabashi * Marcelo Luiz Curado ** RESUMO - A atual conjuntura da economia aponta que estamos passando pelo período de crescimento

Leia mais

A Importância dos Fundos de Investimento no Financiamento do Governo

A Importância dos Fundos de Investimento no Financiamento do Governo A Importância dos Fundos de Investimento no Financiamento do Governo A importância dos Fundos de Investimento no Financiamento do Governo Prof. William Eid Junior Professor Titular Coordenador do GV CEF

Leia mais

PROJETO DE LEI DO SENADO Nº, DE 2011 (Complementar)

PROJETO DE LEI DO SENADO Nº, DE 2011 (Complementar) PROJETO DE LEI DO SENADO Nº, DE 2011 (Complementar) Regulamenta o inciso VII do art. 153 da Constituição Federal, para dispor sobre a tributação de grandes fortunas O CONGRESSSO NACIONAL decreta: Art.

Leia mais

RELATÓRIO DA GESTÃO 2014

RELATÓRIO DA GESTÃO 2014 1 Senhores Associados: RELATÓRIO DA GESTÃO 2014 Temos a satisfação de apresentar o Relatório da Gestão e as Demonstrações Contábeis da CREDICOAMO Crédito Rural Cooperativa, relativas às atividades desenvolvidas

Leia mais

Em Busca do Crescimento Perdido

Em Busca do Crescimento Perdido São Paulo - SP / CORECON-SP em 25 de abril de 2003 Em Busca do Crescimento Perdido Paulo Faveret Filho Chefe do Depto. de Planejamento BNDES (com agradecimentos a Fábio Giambiagi) 1. Retrospecto 2. O problema

Leia mais

MEDIDA PROVISÓRIA Nº512, DE 2010 NOTA DESCRITIVA

MEDIDA PROVISÓRIA Nº512, DE 2010 NOTA DESCRITIVA MEDIDA PROVISÓRIA Nº512, DE 2010 NOTA DESCRITIVA DEZEMBRO/2010 Nota Descritiva 2 SUMÁRIO I - MEDIDA PROVISÓRIA Nº 512, DE 2010...3 II EMENDAS PARLAMENTARES...4 III JUSTIFICATIVA DA MEDIDA PROVISÓRIA...6

Leia mais

DOCUMENTO INFORMATIVO SOBRE O PROJETO (DIP) FASE DE AVALIAÇÃO 4 de novembro de 2013 Relatório Nº: AB7414

DOCUMENTO INFORMATIVO SOBRE O PROJETO (DIP) FASE DE AVALIAÇÃO 4 de novembro de 2013 Relatório Nº: AB7414 DOCUMENTO INFORMATIVO SOBRE O PROJETO (DIP) FASE DE AVALIAÇÃO 4 de novembro de 2013 Relatório Nº: AB7414 Nome da Operação Acre: Fortalecimento de Políticas Públicas para a Melhoria da Prestação de Serviços

Leia mais

Regras fiscais e o ajuste em curso no Brasil: comentários gerais

Regras fiscais e o ajuste em curso no Brasil: comentários gerais Regras fiscais e o ajuste em curso no Brasil: comentários gerais André M. Biancarelli IE-Unicamp Seminário O Desafio do Ajuste Fiscal Brasileiro AKB; Centro do Novo Desenvolvimentismo, EESP-FGV São Paulo,

Leia mais

Empresas aéreas continuam a melhorar a rentabilidade Margem de lucro líquida de 5,1% para 2016

Empresas aéreas continuam a melhorar a rentabilidade Margem de lucro líquida de 5,1% para 2016 COMUNICADO No: 58 Empresas aéreas continuam a melhorar a rentabilidade Margem de lucro líquida de 5,1% para 2016 10 de dezembro de 2015 (Genebra) - A International Air Transport Association (IATA) anunciou

Leia mais

A Ameaça Inflacionária no Mundo Emergente

A Ameaça Inflacionária no Mundo Emergente BRICS Monitor A Ameaça Inflacionária no Mundo Emergente Agosto de 2011 Núcleo de Análises de Economia e Política dos Países BRICS BRICS Policy Center / Centro de Estudos e Pesquisa BRICS BRICS Monitor

Leia mais

DIRETRIZES GERAIS PARA ELABORAÇÃO DE UM PLANO DE GOVERNO

DIRETRIZES GERAIS PARA ELABORAÇÃO DE UM PLANO DE GOVERNO DIRETRIZES GERAIS PARA ELABORAÇÃO DE UM PLANO DE GOVERNO POR UM CEARÁ MELHOR PRA TODOS A COLIGAÇÃO POR UM CEARA MELHOR PRA TODOS, com o objetivo de atender à Legislação Eleitoral e de expressar os compromissos

Leia mais

Data: GEOGRAFIA TUTORIAL 5B. Aluno (a): Equipe de Geografia IMAGENS BASE. Fonte: IBGE, 2009.

Data: GEOGRAFIA TUTORIAL 5B. Aluno (a): Equipe de Geografia IMAGENS BASE. Fonte: IBGE, 2009. Aluno (a): Série: 3ª Turma: TUTORIAL 5B Ensino Médio Equipe de Geografia Data: GEOGRAFIA IMAGENS BASE Fonte: IBGE, 2009. Colégio A. LIESSIN Scholem Aleichem - 1 - NANDA/MAIO/2014-488 TEXTO BASE Os blocos

Leia mais

O que é desoneração da folha de pagamento e quais são seus possíveis efeitos?

O que é desoneração da folha de pagamento e quais são seus possíveis efeitos? www.brasil-economia-governo.org.br O que é desoneração da folha de pagamento e quais são seus possíveis efeitos? Josué Pellegrini 1 Marcos Mendes 2 Desde 2011 o Governo Federal tem alterado a forma pela

Leia mais

Desafios do Brasil contemporâneo Infraestrutura, produtividade, reformas e pacto federativo

Desafios do Brasil contemporâneo Infraestrutura, produtividade, reformas e pacto federativo Desafios do Brasil contemporâneo Infraestrutura, produtividade, reformas e pacto federativo A grande janela de oportunidades (O Brasil decola) A grande janela de oportunidades Linha do tempo das conquistas

Leia mais

C&M CENÁRIOS 8/2013 CENÁRIOS PARA A ECONOMIA INTERNACIONAL E BRASILEIRA

C&M CENÁRIOS 8/2013 CENÁRIOS PARA A ECONOMIA INTERNACIONAL E BRASILEIRA C&M CENÁRIOS 8/2013 CENÁRIOS PARA A ECONOMIA INTERNACIONAL E BRASILEIRA HENRIQUE MARINHO MAIO DE 2013 Economia Internacional Atividade Econômica A divulgação dos resultados do crescimento econômico dos

Leia mais

Faculdade de Direito da Universidade de Macau Ano Lectivo 2011-2012

Faculdade de Direito da Universidade de Macau Ano Lectivo 2011-2012 Parte I Introdução 1 Economia: conceito, objecto e método 2 Organização da actividade económica 3 Breve história da economia e dos sistemas económicos Parte II Microeconomia 4 O comportamento dos consumidores

Leia mais

Taxas de Juros e Câmbio: Efeitos dos juros e do câmbio sobre a indústria. 1. Câmbio atual é inadequado para a estrutura industrial brasileira

Taxas de Juros e Câmbio: Efeitos dos juros e do câmbio sobre a indústria. 1. Câmbio atual é inadequado para a estrutura industrial brasileira Comissão de Finanças e Tributação Seminário: Taxas de Juros e Câmbio: Efeitos dos juros e do câmbio sobre a indústria Armando Monteiro Neto Presidente CNI Maio 2010 1. Câmbio atual é inadequado para a

Leia mais

BRASIL: SUPERANDO A CRISE

BRASIL: SUPERANDO A CRISE BRASIL: SUPERANDO A CRISE Min. GUIDO MANTEGA Setembro de 2009 1 DEIXANDO A CRISE PARA TRÁS A quebra do Lehman Brothers explicitava a maior crise dos últimos 80 anos Um ano depois o Brasil é um dos primeiros

Leia mais