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1 DF PALJLA rvlacha[)o ADVOGADO:' ASSOCIADOS Av. F.5ld::d,..,~3, 8" ~:Il~l 1.1; i.....:::n~l.i.a PR " a V,certe Vlacra!.lfJ, 343! -1' (úll:lba 'K chadc adv.br Curitiba, 20 de setembro de PARECER: Indicação no126/ JUSTIFICAÇÃO As atividades laborativas de digitador e operador de telemarketing, ainda que não estejam agasalhadas pela Consolidação das Leis Trabalhistas, merecem disciplina específica, daí a razão pela qual as mudanças dos textos dos artigos 72 e 227 da Consolidação das Leis Trabalhistas, com o intuito de "disciplinar a jornada de trabalho" desses trabalhadores, constituem medidas de suma importância, implicando na proteção formal/legal de milhares de trabalhadores. 2. DOS DIGITADORES 2.1 INTERVALO INTRAJORNADA o Projeto de Lei em epígrafe objetiva a inclusão dos digitadores no rol das atividades mecanográficas constantes do caput do art. 72 da CLT, beneficiando-ihes da jornada intervalar ali prevista, além de fixar o limite máximo da duração oe trabalho para esse profissional (e também para os demais constantes do caput do referido artigo celetista): em 6 (seis) horas diárias e 36 (trinta e seis) semanais.

2 Lei, doravante nomeado PL, não traz grandes inovações, pois mesmo sendo omisso no que respeita à aplicação do referido dispositivo à categoria dos digitadores, essa questão encontra-se sanada pela Jurisprudência dos Tribunais Regionais e do Tribunal Superior do Trabalho. Essa Corte, desde 2003, mantém o entendimento favorável à aplicação de tal intervalo aos digitadores. É o que se depreende da súmula no346, da SOI-1, verbis: SUM DIGITADOR. INTERVALOS INTRAJORNADA. APLICAÇÃO ANALÓGICA DO ART. 72 DA CLT. Os digitadores, por aplicação analógica do art. 72 da CLT, equiparam-se aos trabalhadores nos serviços de mecanografia exige muito desgaste físico (esforços postural, repetitivo, ocular, etc.), além da elevada carga de estresse a que está submetido esse trabalhador. 2.2 REDUÇÃO DA JORNADA Já no que tange à previsão no PL de redução da jornada para esses trabalhadores (acréscimo do único no art. 72 da CLT), destaca-se que tal medida consubstancia minimização dos impactos de agentes nocivos à saúde humana. Essa, aliás, é a razão pela qual os telefonistas estão entre as categorias que possuem jornadas reduzidas (art. 227 e seguintes da CLT). Embora as atividades de telefonia e de digitação não se confundam, possuindo cada qual sua peculiaridade, ambas merecem tratamento especial quanto ao limite da jornada diária/semanal, por se tratarem de atividades penosas para o trabalhador. Seja pela extemporaneidade da norma celetista, seja pelo recente surgimento da atividade de "digitador contínuo 1, ao contrário do que ocorre com o telefonista para o digitador não há previsão legal de redução da jornada, sendo que a 1 TST-AIRR / (O TST entende no sentido de que somente se aplica o art. 72 da CLT ao digitador se este desempenhar tal atividade de forma contínua).

3 ~ ~V~TIOO~ --- FL ~ _\ l; \Ç. ;:: ~~ ~'>, única norma que versa sobre o tema é a Portaria no 3751 de ,.'Z ";)0 Erqonomia/, que institui tão-somente um limite de jornada de trabalho para' o digitador, nada dispondo acerca da redução desta. Vejamos: Nas atividades de processamento eletrônico de dados, deve-se, salvo o disposto em convenções e acordos coletivos de trabalho, observar o seguinte: a) o empregador não deve promover qualquer sistema de avaliação dos trabalhadores envolvidos nas atividades de digitação, baseado no número individual de toques sobre o teclado, inclusive o automatizado, para efeito de remuneração e vantagens de qualquer espécie; b) o número máximo de toques reais exigidos pelo empregador não deve ser superior a por hora trabalhada, sendo considerado toque real, para efeito desta NR, cada movimento de pressão sobre o teclado; c) o tempo efetivo de trabalho de entrada de dados não deve exceder o limite máximo de 5 (cinco) horas, sendo que, no período de tempo restante da jornada, o trabalhador poderá exercer outras atividades, observado o disposto no art. 468 da Consolidação das Leis do Trabalho, desde que não exijam movimentos repetitivos, nem esforço visual; d) nas atividades de entrada de dados deve haver, no mínimo, uma pausa de 10 minutos para cada 50 minutos trabalhados, não deduzidos da jornada normal de trabalho; e) quando do retorno ao trabalho, após qualquer tipo de afastamento igualou superior a 15 (quinze) dias, a exigência de produção em relação ao número de toques deverá ser iniciado em níveis inferiores do máximo estabelecido na alínea "b" e ser ampliada progressivamente. Pois bem, a alínea "c" da referida regra ministerial não justifica de per si a jornada de 6 horas diárias e 36 horas semanais, sendo essa a maior dificuldade encontrada pelos Tribunais para admitir tal redução de jornada aos digitadores, a exemplo do que ocorre no TST 3. Dentre os motivos sublevados pelo TST, vale destacar: ausência de amparo legal e afronta à regra constitucional prevista no art. 7, XIII, da CRFB; 2 Essa norma enquadra o digitador na categoria de processamento eletrônico de dados. 3 RR , Relator Ministro: João Ba1ista Brito Pereira, Data de Julgamento: 13/06/2007, 5 a Turma, Data de Publicação: 22/06/2007 RR , Relator Ministro: Milton de Moura França, Data de Julgamento: 15/12/2004, 4 a Turma, Data de Publicação: 18/02/2005 RR , Relator Ministro: Milton de Moura França, Data de Julgamento: 10/03/2004, 4 a Turma, Data de Publicação: 26/

4 inexistência de similitude entre as atividades laborativas desempenhad o I-?.("",'afrk!-- 0/, telefonistas e pelo digitador; incompetência do Estado (Executivo) para dispor ac.;e1~~ da redução da jornada prevista na Constituição. Tais argumentos, ainda que facilmente elidíveis pela interpretação dos preceitos contidos nos artigos 7, XXII, c/c. art. 200, 11, da CRFB, não são capazes de justificar a jornada de 6 horas diárias e 36 horas semanais. Considerando-se o entendimento jurisprudencial predominante no TST sobre o tema, tem-se que a referida jornada é justificável se levarmos em conta a natureza da atividade desempenhada pelos digitadores e a sua semelhança, no tocante às condições ambientais adversas no trabalho com as atividades dos telefonistas. Todavia, importante também vislumbrar a regra celetista em consonância com a ministerial, supracitada, NR 17 - Ergonomia, a qual estabelece como parâmetro o máximo de 5 horas para a entrada de dados no exercício de atividade de processamento eletrônico de dados. Ora, para os fins a que se destina o presente Projeto de Lei, as expressões mecanografia e processamento eletrônico de dados são sinônimas, motivo pelo qual admite-se que o limite de jornada previsto na sobredita NR para os processadores de dados é aplicável tanto para a digitação quanto para as demais atividades mecanográficas previstas no caput do art. 72 da CLT (datilografia, escrituração, cálculo). 3. TELEMARKETING 3.1 REDUÇÃO DA JORNADA O TST, em decisões anteriores à reforma das súmulas e orientações jurisprudenciais de maio deste ano (2011), posicionava-se pela inaplicabilidade da

5 telernarkettnq", o que foi afastado diante do cancelamento ocorrido pejas referidas reformas. da OJ no273 da SDI-1 Não obstante o cancelamento da OJ, recentemente o TST manifestou-se em sentido diverso em relação a seus precedentes jurispruoenciais'': ou seja, reconheceu o direito dos operadores de telemarketing à jornada de 6 horas diárias e 36 horas semanais, aplicável aos telefonistas (art. 277 da CLT). A questão da aplicabilidade do art. 227 da CLT aos populares "tejevendas" é bem menos nebulosa que a do digitador. Primeiro, porque as funções desempenhadas pelo telefonista e "televendas" são correlatas, confundindo-se em muito, o que facilita a aplicação, por analogia (art. 8 da CLT), da jornada do primeiro ao segundo. Destaque-se o descritivo da atividade de telemarketing constante do Anexo" da NR 17: Entende-se como call center o ambiente de trabalho no qual a principal atividade é conduzida via telefone elou rádio com utilização simultânea de terminais de computador Este Anexo aplica-se, inclusive, a setores de empresas e postos de trabalho dedicados a esta atividade, além daquelas empresas especificamente voltadas para essa atividade-fim Entende-se como trabalho de teleatendimento/telemarketing aquele cuja comunicação com interlocutores clientes e usuários é realizada à distância por intermédio da voz e/ou mensagens eletrônicas, com a utilização simultânea de equipamentos de audição/escuta e fala telefônica e sistemas informatizados ou manuais de processamento de dados. Segundo, vale dizer que a ausência de previsão legal apta a justificar a redução de jornada (art. 227 da CLT) pode ser suprida pela norma Ministerial, NR 17, a qual limita, expressamente, a jornada de telemarketing a 6 (seis) horas diárias e 36 4 "A jornada reduzida de que trata o art. 227 da CLT não é aplicável, por analogia, ao operador de televendas, que não exerce suas atividades exclusivamente como telefonista, pois, naquela função, não opera mesa de transmissão, fazendo uso apenas dos telefones comuns para atender e fazer as ligações exigidas no exercício da função". 5 Operadores de telemarketing terão jornada reduzida. CONSUR - Consultor Jurídico.

6 5.3. O tempo de trabalho em efetiva atividade de teleatendimento/telemarketing é de, no máximo, 06 (seis) horas diárias, nele incluidas as pausas, sem prejuízo da remuneração A prorrogação do tempo previsto no presente item só será admissível nos termos da legislação, sem prejuízo das pausas previstas neste Anexo, respeitado o limite de 36 (trinta e seis) horas semanais de tempo efetivo em atividade de teleatendimento/telemarketing. o simples fato de não estar previsto em lei não afasta, de per si, a aplicação analógica dessa jornada aos empregados digitadores, por se referir à norma de saúde pública, de ergonomia e segurança no Trabalho. E, ainda que o TST não pactue de tal entendimento, o presente PL vem a sanar exatamente essa omissão legal. o fato mais relevante nessa questão é que a redução da jornada para o operador de telemarketing, na forma prevista no PL, é justificável pela norma regulamentar técnica (NR 17), encontrando-se, por conseguinte, em absoluta sintonia com a legislação vigente que disciplina a jornada dos telefonistas. Além disso, o PL, ao incluir o termo "telemarketing" no texto da Seção II do Capítulo I do Título 111 da CLT, bem como no caput do art. 277, reconhecendo a redução da jornada também a esses trabalhadores, reafirma a jurisprudência mais recente do Tribunal Superior do Trabalho e atende à demanda social pela inclusão jurídica desses trabalhadores no Texto Consolidado, com a finalidade de regularizar uma situação fática até então controversa, qual seja, a duração da jornada de trabalho dos operadores de "televendas". Por todo o exposto, conclui-se que o Projeto de Lei em questão traz aspectos positivos no que toca a legislação protetiva do trabalho e que, a despeito de muitos dos temas nele tratados já estarem contemplados pela atual jurisprudência trabalhista, não há nenhum inconveniente em que venham a ser tratados também por dispositivo legal.

7 É como entendo. Alberto de Paula Machado ft.ji"ry\..... _,..._ r'_""""""i ::'_ n_ _-...._,.1_ 1\;.._;",_,.1_ T.._"""_I"""_ IVICIIIIJI V YGI VVII II;:);:)ClVI ClIlIGlIICIIlC YC LJIJCllV YV I I GlIJGlIJIV

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