O Uso Estratégico de um Sistema de Informação Web em um Terminal de Containers. Autoria: Patrícia Ross Phonlor, Antonio Carlos Gastaud Maçada

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1 O Uso Estratégico de um Sistema de Informação Web em um Terminal de Containers Autoria: Patrícia Ross Phonlor, Antonio Carlos Gastaud Maçada Resumo: Desde que a Internet e a Web se tornaram populares um novo conceito de sistema de informação emergiu, o WIS (do inglês, Web Information System - Sistemas de Informação Web). Os WIS são aplicações que melhoram os processos e sistemas de integração de uma organização. A tecnologia Web tem dado suporte principalmente para as atividades do Comércio Eletrônico (CE), dentro do qual, o B2B (do inglês, business to-business) oferece às organizações novas maneiras de expandirem seus mercados, aprimorando seus processos, atraindo e mantendo seus clientes de forma inovadora. O setor portuário tem investido em Tecnologia de Informação (TI) como alternativa para desenvolver e implementar suas estratégias. Este artigo tem o objetivo de identificar uma Arquitetura de Informação (AI) B2B como ferramenta estratégica na redução de custos e agilização de processos na cadeia de suprimentos de um terminal de containers. O método de coleta de dados foi a entrevista estruturada com os principais executivos da cadeia de suprimentos e os resultados obtidos permitiram o desenvolvimento de um WIS B2B combinando e otimizando os interesses individuais de informação com o propósito de melhorar os serviços oferecidos e agilizar as operações associadas as estratégias da organização. 1. Introdução Vários setores da indústria de serviços têm realizado investimentos significativos em TI visando aumentar a sua competitividade em relação aos concorrentes, um exemplo é o setor portuário que motivado pela Lei de Modernização dos Portos (8630/93) tem se apoiado na TI como uma das alternativas para desenvolver e implementar suas estratégias. Caridade (2000) afirma que o futuro da gestão logística nos terminais portuários será basicamente através do gerenciamento da informação, ressaltando que para isso as empresas no setor devem investir em informação e informatização de última geração, para poder gerenciar e oferecer serviços de qualidade. Conforme Siqueira (2001), o resultado dos investimentos em TI e CE é que irão diferenciar as empresas deste setor e suas estratégias. Além de disponibilizar ferramentas que permitam aos usuários acompanhar processos e monitorar cargas via Internet é preciso integrar sistemas e consolidar a prática do CE na navegação. O terminal alfandegado no porto de Santos, por exemplo, investiu em Sistemas de Informação (SI) para garantir a eficiência de seus processos e prestar serviços com maior qualidade. Com surgimento de containers no cenário de transporte mundial, uma nova visão caracterizada por um sistema integrado assume parte de uma cadeia logística global nos portos, que envolve desde a coleta da mercadoria no exportador até sua entrega no destino final. Os principais benefícios são a diminuição dos custos logísticos e melhoria do nível de serviço e a principal exigência é a integração e coordenação entre os processos logísticos de empresas de uma mesma cadeia de suprimento (Silva e Fleury 2000). Neste contexto, a Internet surge como a principal ferramenta estratégica para o sucesso da integração das empresas em uma cadeia de suprimento. A tecnologia da Internet dá melhores oportunidades para as empresas estabelecerem posicionamentos estratégicos diferenciados (Porter, 2001). Sua crescente utilização e popularização desenvolveu-se na Web, que surge como um novo tipo de tecnologia de informação. O uso das aplicações Web para gerenciar a informação mostra uma melhora substancial do tradicional Sistema de Informação e do convencional uso de tecnologia. Isto ocorre porque estas aplicações têm o potencial de 1

2 substancialmente expandir o escopo e as oportunidades de uma organização (Downes et al, 1998; Isakowitz et al, 1998; Raghunathan, 1999). Também tem sido sugerido que o WIS tem o potencial de causar uma profunda mudança na estratégia de negócio da organização, com conseqüentes mudanças nos processos destes negócios melhorando sua competitividade (Yourdon, 2000). De fato, para Venkatraman (2000), a rede possibilitou a efetiva reconfiguração de vários negócios tradicionais, e provocou impactos significativos principalmente nas transações B2B que são estimadas em aproximadamente US$ 1 bilhão representando aproximadamente 50% do mercado total de CE. Este trabalho tem o objetivo desenvolver uma Arquitetura de Informação para um WIS B2B que auxilie as operações do setor portuário e de sua cadeia de suprimentos. Para Davenport (1998), a importância de uma arquitetura informacional é conduzir o usuário ao local onde os dados se encontram, melhorando a possibilidade de estes serem utilizados de maneira adequada visando a eficiência da empresa e a satisfação do cliente. Se devidamente planejado e estruturado esse sistema pode se tornar uma potente ferramenta estratégica para a organização que utilizá-la adequadamente. O artigo está organizado da seguinte forma: na seção 2 são desenvolvidos o referencial teórico, conceitos e utilizações estratégicas do CE, Internet, WIS e seu planejamento, AI e Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos; seção 3 o contexto da pesquisa; seção 4 o método, seção 5 a análise dos resultados, e por último as conclusões do estudo. 2. O uso Estratégico do Comércio Eletrônico A atuação do CE no mercado mundial tem crescido de forma exponencial desde a popularização da Internet e sua afirmação como meio de fazer negócios (Gefen, 2000). A importância do uso da tecnologia Web tem dado suporte principalmente para as atividades do Comércio Eletrônico o que vem sendo discutido por vários autores atualmente (Komenar, 1997; Garfinkel, 1997; Thornton, 1997; Venkatraman, 2000). O CE é a habilidade de realizar transações comerciais envolvendo a troca de bens e serviços através de ferramentas e técnicas eletrônicas aumentando a agilidade, a precisão e a eficiência dos negócios e transações pessoais (Papazoglou & Tsalgatidou 2000). Segundo Laudon & Laudon (1999) o que tem motivado a migração de empresas para utilização do CE são os prováveis benefícios advindos de sua implementação: diminuição radical da utilização de papéis, economia de tempo, diminuição de distâncias, redução de custos com pessoal, relacionamentos mais estreito entre empresas, seus clientes e fornecedores; facilidade de uso e melhor controle. A plataforma de CE B2B pode ser usada pelas empresas para venderem seus produtos e serviços para clientes organizacionais através da Internet, contribuindo com a redução de custos de aquisição, redução de inventário, aumento da eficiência logística, diminuição dos custos de marketing e vendas (Turban et al, 1999). Recentes estudos realizados por grupos de consultoria em tecnologia previram que em 2004 ¼ de todos os negócios entre empresas (B2B) serão realizados pela Internet com um volume de transações em dólar 10 vezes maior do que o realizado pelos negócios B2C (do inglês, Business-to-Consumer - negócios entre empresa-consumidor) (Kuechler Jr, Vaishnavi e Kuechler, 2001). No Brasil, de acordo com o instituto de pesquisa Forrester Research (www.forrester.com--b2b Magazine, janeiro, 2001) cerca de 500 milhões de dólares foram injetados no CE em 2000, dos quais 40% destinaram-se a projetos de infra-estrutura de operação logística, distribuição e transporte. Conforme projeção do instituto de pesquisas Gartner Group (B2B Magazine, fevereiro, 2001), até 2005, mais de 500 mil empresas estarão participando dos e-marketplaces (mercados eletrônicos). 2

3 As transações entre empresas pela Internet (B2B) representam hoje 2/3 de todo CE brasileiro. Os dados fazem parte da pesquisa realizada pela Escola de Administração de Empresas da Fundação Getúlio Vargas (FGV-EAESP) com médias e grandes empresas (B2B magazine, abril, 2001). O CE está redefinindo a cadeia de valor tradicional e desenvolvendo sistemas de compartilhamento de conhecimento que conectam preços, produtos e desenhos informacionais com fornecedores e consumidores. Como exemplo disso, temos Amazon.com, a Dell e a Cisco (Neilson et al, 2000). As organizações já compreendem as possibilidades e oportunidades que surgem com o CE, mas estão intimidadas pelo desafio de como fazer da Internet e do CE parte integrante da sua estratégia de negócios (Venkatraman, 2000). 2.1 Uso estratégico da Internet e da Web (Web Information System) Desde que a Internet e a Web se tornaram populares um novo conceito de sistema de informação emergiu, o WIS (do inglês, Web Information System - Sistemas de Informação Web) (Pant, Sim & Hsu, 2001). Os WIS são aplicações de computador que melhoram os processos e sistemas de integração de uma organização. O uso das aplicações Web para gerenciar a informação mostra uma melhora substancial do tradicional Sistema de Informação e do convencional uso de tecnologia. Isto ocorre porque as aplicações Web têm o potencial de substancialmente expandir o escopo e as oportunidades de uma organização (Downes et al, 1998; Isakowitz et al, 1998; Raghunathan, 1999; Lederer, Mirchandani & Sims, 2001). Também tem sido sugerido que o WIS pode causar uma profunda mudança na estratégia de negócio da organização, com conseqüentes mudanças nos processos destes negócios (Yourdon, 2000). A partir disso, vê-se a necessidade de se estudar o WIS como ferramenta estratégica para as organizações que utilizam essa nova forma de tecnologia. Na realidade, uma grande parte do CE diz respeito a como integrar um conjunto complicado de aplicações de tal forma que trabalhem juntas, para administrar, organizar, dirigir e transformar a informação. Vê-se então, a necessidade de buscar a AI que irá melhor atender às necessidades da empresa (Kalakota & Robinson, 2002). O WIS possibilita a troca de informações no tempo esperado, criando efeitos positivos em rede. Isso ocorre contanto que o gerenciamento da informação seja moldado a partir das necessidades de integração de processos. A informação passa a ser um agente de coordenação e controle e por isso seu fluxo deve ser tratado eficazmente em qualquer organização. Estruturas organizacionais, canais de distribuição e cadeias de suprimento tradicionalmente devem lidar com fluxo de recursos e fluxo de informações (Pant, Sim & Hsu, 2001). Neste artigo são estudadas as possibilidades de implementação estratégica dos negócios das empresas da cadeia de suprimentos de um terminal de containers através do planejamento de uma AI para um Sistema de Informação Web entre empresas, ou seja, um WIS B2B Planejamento de um WIS B2B Uma vez que o WIS tem o potencial de integrar diversos sistemas de informação e remodelar os processos de negócios em uma organização, esse sistema pode se tornar uma potente ferramenta estratégica para a organização que utilizá-la adequadamente. A chave para o planejamento do WIS é a combinação das promessas da Internet com as tradicionais estratégias informacionais utilizando-as para perseguir os objetivos empresariais em um maior e mais integrado ambiente organizacional, o que vem sendo discutido por muitos autores ultimamente (ComputerWorld, 1997; Isakowitz, 1998; Lederer, 1998). 3

4 Segundo Benjamin, Yen e Zhang (1998) existe uma grande quantidade de tipos de exibições na Internet, entretanto, a maior parte delas não é satisfatória em termos de performance e apresentação, e seus usuários não conseguem obter um completo conhecimento do produto ou serviço oferecido. Isto ocorre tendo em vista a falta de pesquisa e planejamento para o desenvolvimento de uma AI que atenda as reais necessidades de informação dos clientes. Devido à carência do contato face-a-face é necessário que as empresas sejam cuidadosas no estabelecimento dos planos e desenhos dos WIS, no entanto nenhum dos modelos de planejamento de SI atuais parecem adequados para isso. Por exemplo, os Fatores Críticos do Sucesso, não definem uma AI e com isso têm pouca aplicabilidade para o CE; a Engenharia de Sistemas de Informação, o Sistema de Planejamento de Negócios, o Sistema de Planejamento Estratégico e a Engenharia da Informação se baseiam nas necessidades de informações internas da empresa ignorando a cadeia de suprimentos e falhando no aspecto integração (Pant, Sim & Hsu, 2001). Para prover suporte efetivo para a funcionalidade do canal logístico, uma AI global precisa ser capaz de unir ou coordenar os sistemas de informação das partes em um todo coeso. O compartilhamento de dados deve estar disponível através de uma interface de informação apropriada para os clientes, fornecedores, e qualquer outra parte interessada, através de um padrão no qual todas as partes concordem (Stefansson, 2002). Para que isso ocorra é necessário descobrir quais as necessidades informacionais dos participantes da cadeia de suprimentos para a otimização de suas atividades e redução de custos nos processos, utilizando assim, o WIS como uma ferramenta estratégica eficaz na busca da eficiência e eficácia das organizações envolvidas. 2.3 Arquitetura de Informação A importância e o papel preponderante representado pela informação nas organizações vem sendo discutido já há algum tempo pelos teóricos da administração. Esta é mais uma razão para que ao se juntar o termo arquitetura à palavra informação deve-se adicionar valor, e tornar a estrutura e os relacionamentos nessa informação explícitos. A criação de uma AI bem definida e de forma coerente permite que todas as partes envolvidas numa empresa falem a mesma língua e utilizem a informação para a tomada de decisões significativas. Dessa forma, arquitetura se torna a articulação de visões que integram os desejos e os limites dos clientes dentro das possibilidades da engenharia. Mas para que isso seja possível é preciso descobrir quais são os desejos dos clientes em relação a uma AI. Segundo Turban (1999) a Arquitetura de Informação pode ser definida como uma estrutura de alto nível das necessidades informacionais de uma organização, servindo assim, como um guia para as operações correntes e como um plano para as operações futuras. Davenport enfatiza que o comportamento da troca de informações é mais importante do que a criação de categorias elegantes de dados, modelos para o futuro ou poderosos sistemas computadorizados. Por isso, é importante para qualquer organização determinar qual o desenho informacional que uma home page deve ter, como deve ser estruturada para agregar valor a informação ao torná-la mais acessível. Uma arquitetura informacional, ao conduzir o usuário ao local onde os dados se encontram, melhora muito a possibilidade de estes serem utilizados de maneira eficiente (Davenport, 1998). Conclui-se que há a necessidade de estabelecer uma AI que assegure a funcionalidade de um site B2B para proporcionar aos componentes da cadeia de suprimentos facilidade e confiabilidade em seu uso e assegurar à organização a eficácia planejada. 4

5 2.3 Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos Diante do acirramento da concorrência e da necessidade de especialização das empresas, abordagens como o Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos (do inglês, Supply Chain Management, SCM), vêm estabelecendo novos padrões de relacionamento entre clientes e fornecedores. O gerenciamento da cadeia de suprimentos destaca-se como uma das possíveis formas de solucionar os problemas criados pela necessidade de coordenar a atividade produtiva entre diferentes agentes econômicos que, muitas vezes, possuem objetivos conflitantes (Martins et al, 2000). A cadeia de suprimentos é uma rede que engloba todas as empresas que participam das etapas de formação e comercialização de um determinado produto ou serviço que será entregue a um cliente final. Segundo pesquisas preliminares as empresas que tem utilizado corretamente este conceito têm obtido reduções substanciais nos custos operacionais da cadeia de suprimento (Fleury, 1999). Entretanto, a integração destas empresas inicialmente parece pouco factível devido aos altos custos envolvidos e às decisões estratégicas necessárias. Neste contexto surge a Internet que vem ajudar a integrar as indústrias da cadeia de suprimentos reduzindo custos e dificuldades operacionais. Portanto, a Internet facilita a formação de e-chains, ou seja, cadeias de suprimentos integradas através da rede que além das características já discutidas incorporam tecnologias importantes como o e-business (Leite & Giacon, 2000). Tendo reconhecido que uma empresa não pode conhecer e atender todas as necessidades de seus consumidores devido à rápida expansão e a complexidade da rede de clientes, a Cisco Systems investiu em alianças estratégicas com sua cadeia de suprimentos. Para isso, criou uma unidade organizacional cuja função é desenvolver e manter alianças globais de negócios visando conhecer a demanda empresarial para oferecer soluções integradas para o CE (Kraemer & Dedrick, 2002). Duas das maiores empresas do mundo, também anunciaram no ano passado seus planos de usar a Web para mudar a maneira como fazem negócios com seus fornecedores (Drucker & Karpinski, 1999). A Ford Motor Co. e a General Motors Corp. revelaram programas de Supply Chain que fazem uso da Internet com os objetivos de se conectar com parceiros acima e abaixo de sua cadeia de suprimentos para reduzir custos e melhorar a velocidade de atendimento. 3. Contexto da Pesquisa O desenvolvimento portuário tem sido utilizado como importante elemento estratégico para o crescimento econômico em várias partes do mundo. O surgimento de contêiners no cenário de transporte mundial possibilitou mais agilidade em todo processo, reduzindo tempo de entrega e utilizando o transporte multimodal, mas exigiu a modernização e a adequação dos portos à nova realidade da distribuição internacional (Containerization International, 1999). Por serem prestadores de serviços os terminais de containers também apresentam uma cadeia de suprimentos bastante complexa. Para avaliar essa cadeia de suprimentos que é comum a todos os terminais, foi selecionado para o desenvolvimento da pesquisa o TECON Rio Grande S/A, que é considerado o maior terminal de containers em movimentação da Região Sul do Brasil (Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul) segundo estatísticas divulgadas pela Associação Brasileira de Terminais Portuários (ABTP, 2001). A empresa vem investindo substancialmente em TI visando implementar suas estratégias. Segundo 5

6 informações dadas pelo Diretor Executivo do TECON, até agosto de 2001, foram investidos 53 milhões de dólares em infra-estrutura, novos equipamentos e treinamento de pessoal. O Porto do Rio Grande foi o primeiro porto do país a ter terminais privatizados; o TECON Rio Grande S/A foi arrendado pelo Consórcio formado pelas empresas Wilson Sons de Administração e Comércio Ltda., Fator Projetos e Assessoria Ltda. e Serveng Civilsan S/A. - Empresas Associadas de Engenharia, seu contrato de arrendamento foi assinado no dia 03/02/1997, e suas atividades iniciaram-se em 1º de março do mesmo ano. As empresas pertencentes a esta cadeia podem ser visualizadas no quadro abaixo: Quadro 1 - Cadeia de suprimentos de um terminal de containers Importador Exportador Despachante Armador Terminal de Containers NVOCC EADI TRANSPORTADORA Cada representante da cadeia analisada é responsável por uma fase no processo de prestação de serviços. O Importador é o responsável pelo início do processo, comprando produtos de outro país e o exportador é o responsável pela venda, mandando de seu país artigos produzidos nele. Os NVOCC s (do inglês Non Vessel Operater Common Carrier) são consolidadores de carga, que não possuem navios, mas acordos com os Armadores e compram espaços no navio preenchendo estes containers com as cargas de seus clientes (importadores ou exportadores) que não tem carga suficiente para alugar um container ou simplesmente não querem se envolver neste processo. Os Armadores, além de serem os donos dos navios, fazem o transporte marítimo das cargas, são também os donos dos containers e acordam com os terminais as operações de seus navios. A transportadora realiza a movimentação terrestre das cargas; o EADI (Estação Aduaneira do Interior) é um local onde as cargas ainda não nacionalizadas ficam armazenadas. Os despachantes são os responsáveis pelo desembaraço, ou seja, da liberação da documentação da carga junto à Receita Federal para que a mesma possa seguir o seu destino final: o cliente. O terminal de containers é o responsável pela operação dos navios, carga e descarga, mas também pode oferecer outros serviços que muitas vezes englobam os oferecidos pelos outros membros da cadeia como a armazenagem de cargas não nacionalizadas. É importante ressaltar que a Receita Federal não foi incluída na cadeia por se tratar de um órgão governamental que não afeta de forma direta as negociações de redução de custo das operações, influenciando apenas na questão burocrática da liberação das cargas, o que envolve a legislação de Comércio Exterior. 4. Método A pesquisa é de natureza exploratória e, como tal, tem como objetivo fornecer uma melhor compreensão do tema e do contexto, examinar a viabilidade do estudo e identificar sua relevância (Hart, 1998). Foi utilizado no trabalho, o modelo de Pant, Sim & Hsu (2001), 6

7 segundo o qual é importante observar o papel da Internet como agente de integração. Para isso é imprescindível a criação de uma AI que contenha as informações necessárias a cada participante da cadeia de suprimentos para o desenvolvimento de suas atividades operacionais e estratégicas. O método de coleta de dados utilizado foi a entrevista estruturada, aplicada nos executivos das empresas da cadeia de suprimentos do setor portuário. Oppenheim (1994) revela que a proposta de entrevistas exploratórias é essencialmente heurística e sua utilização auxilia no desenvolvimento de idéias, na formulação de hipóteses, na coleta de fatos e estatísticas. A amostra das empresas selecionadas obedeceu aos seguintes critérios: 1) fazer parte da cadeia de suprimentos de um terminal de containers; 2) serem, os executivos entrevistados, conhecedores dos conceitos CE e B2B; 3) estar planejando o desenvolvimento e uso de um WIS B2B para sua empresa ou já estar inserida neste contexto. Foram realizadas entrevistas com 2 empresas de cada categoria da cadeia de suprimentos totalizando 14 executivos de áreas estratégicas das organizações investigadas. 5. Resultados A partir das entrevistas com os executivos das empresas da cadeia de suprimentos foi possível desenvolver uma AI para um WIS B2B. Com exceção de cinco empresas, todas as demais possuem um site B2B. A experiência dessas organizações com transações B2B varia de 10 meses a 6 anos. Segundo os respondentes os investimentos para a elaboração de um WIS B2B são altos e exigem uma equipe treinada constantemente. Quadro 2 Arquitetura de Informação 9 Informações sobre importação e exportação; 9 Previsão de chegada dos Navios; horário de início e término das operações; 9 Estatísticas tipos de mercadoria, carga movimentada, esc ctnr por navio e/ou mensal. 9 Rastreamento de unidades; 9 Comparativos entre armadores 9 Estágio de liberação e desova das cargas; 9 Programação de Operação de navios 9 Tipos de avaria, presença de carga; 9 Rastreamento de Container 9 Problemas com documentação; 9 Tabela de preços 9 Valores de taxas, preços de fretes, marinha mercante, taxas para liberação. 9 Data e hora da saída da carga do terminal, nome e tel. do motorista. Importador Exportador Despachante Armador NVOCC EADI 7 TRANSPORTADORA

8 Para os entrevistados este conjunto de informações disponibilizados em um site é uma forte razão para sua utilização. Segundo a gerente de importação de uma das empresas entrevistadas esta AI possibilita agilidade na verificação de demoras desnecessárias e eliminação da conseqüente perda de tempo. Todos os respondentes concordam que o site auxilia na agilidade do o processo. Das empresas entrevistadas, 45% consideram que as operações realizadas via internet têm objetivos operacionais (possibilitando o acompanhamento do que está acontecendo com a carga), 33% consideram que os objetivos atendidos são operacionais e estratégicos e 22% somente estratégicos (pela possibilidade de aumentar os lucros, possibilidade de busca de novos clientes conforme as estatísticas apresentadas). Conforme os executivos o conjunto de informações torna a gestão das operações mais ágil e reduz custos. Os executivos foram unânimes em afirmar o interesse pela integração das informações das em um WIS B2B. As áreas da organização apontadas como as que mais utilizariam o site seriam: operações, planejamento, comercial e documental. Segundo o executivo da transportadora este WIS permitirá a otimização da organização como um todo, tanto no planejamento financeiro, como no melhor desenvolvimento dos processos operacionais e de planejamento estratégico. A respeito da capacidade do WIS B2B estimular a formação de futuras alianças entre as organizações integrantes da cadeia de suprimentos, apenas dois respondentes desconsideraram essa possibilidade. 6. Conclusões Este trabalho apresentou um estudo exploratório, e a partir deste foi possível desenvolver a estruturação de uma AI, bem como uma forma de planejamento do WIS B2B capaz de atender as necessidades das empresas envolvidas na cadeia de suprimentos do setor portuário. No desenvolvimento do trabalho identificaram-se os componentes da cadeia de suprimento e os seus respectivos relacionamentos. A partir do desenho desta cadeia percebeuse sua complexidade e a importância de dados e informações referentes às operações realizadas pelas organizações envolvidas. Todas as empresas consideram o WIS B2B uma ferramenta capaz aumentar a rapidez dos processos e, com exceção de um dos armadores, todas consideram que a AI desenvolvida no trabalho possibilitará uma redução dos custos de suas empresas, o que revela o WIS como uma ferramenta estratégica importante. Entretanto, uma característica apontada por todos os executivos como essencial para o sucesso do site B2B é a fidedignidade das informações, e a disponibilidade destas em tempo real. Os integrantes da cadeia de suprimentos apontaram que as informações disponibilizadas em um WIS B2B afetam diretamente as atividades operacionais, porém, para os executivos que utilizam sites B2B há mais tempo (NVOCC s e Armadores, 4 e 6 anos respectivamente) o WIS B2B cria melhores oportunidades para suas empresas estudarem e estabelecerem posicionamentos estratégicos diferenciados a partir dos dados disponibilizados. Conclui-se que devido à aplicação desta ferramenta ser recente, a visão voltada apenas para atividades operacionais e não estratégicas por alguns dos respondentes se justifica. O WIS B2B pode ser apontado como importante ferramenta estratégica na obtenção de dados estatísticos que permitirão o monitoramento do desempenho da organização frente a seus concorrentes e a visualização de clientes em potencial, permitindo o constante ajustamento das metas e objetivos estratégicos a partir das informações obtidas. Para pesquisas futuras pretende-se avaliar o impacto do WIS B2B sobre os integrantes da cadeia de suprimento segundo os fatores: Visão Estratégica, Governança, Locação de 8

9 Recursos, Infra-Estrutura, Compromisso com a Direção, Liderança, Alianças e Conhecimento (Venkatraman, 2000; Hartman et al, 2000; Neilson et al, 2000). 7. Referências Bibliográficas CARIDADE, J. C. Logística e serviços virtuais. Trade and transport. (35): 98, Companhias caminham para novas tecnologias. Gazeta Mercantil. São Paulo, 22 de março de DAVENPORT, T. H. Ecologia da Informação: Porque só a Tecnologia não basta para o Sucesso na Era da Informação. São Paulo: Editora Futura, DRUCKER, D.; DARPINSKI, R. Ford, FM drive net into supply chais system s benefits are so clear, all suppliers will participate. Internetweek. (788): 7, FLEURY, P. F. Supply Chain Management: Conceitos, Oportunidades e Desafios da Implementação. Tecnologística. (39): 24-32, GARFINKEL, S. Web Security & Commerce. Cambridge, MA: O Reilly & Associates, GEFEN, D. E-commerce: the role of familiarity and trust. Omega - The International Journal of Management Science. (28): , HANDFIELD, R. and NICOLS, E. Supply Chain Management. Upper Saddle River, NJ: Prentice Hall, HART, C. Doing a Literature Review: Releasing the Social Science Research Imagination. SAGE Publications, HARTMAN, A.; SIFONIS, J., and KADOR, J. Pronto para a Web: estratégias para o sucesso na E-conomia. Rio de Janeiro: Campus, HICKEY, K. Port Portals. Traffic World, Vol. 264, (7): 53-54, ISAKOWITZ,T.; B. MICHAEL; V. FABIO. Web information systems introduction, Communications of the ACM. (41): 78-80, KEARNEY, A. T. Strategic information technology and the CEO agenda, Information Technology Monograph, KEMPIS, R. D.; RINGBECK, J.; AUGUSTIN, R. et al I.T. Smart: Seven Rules for Superior Information Technology Performance. Wirtschoftsverlong C. Vebenuter GmbH, KIM, BONN-OH, Business Process Reengineering: Building a Cross-Functional Information Architecture. Jounal of Systems Manegement. p , KOMENAR, M. Electronic Marketing. New Yourk: Wiley, KUECHLER Jr, W.; VAISHNAVI, V. K.and KUECHLER, D. Supporting optimization of business-to-business e-commerce relationships. Decision Support Systems. (31): , LAUDON, K. C. e LAUDON, J. P. Sistemas de Informação com Internet. Rio de Janeiro: LTC, LEDENER, A., D. A.MICHANDANI, K. SIMS. Using WISs to enhance competitiveness, Communications of the ACM. (41): 94-95, LEIDER, D. E. Virtual partnerships in support of electronic commerce: the case of TCIS. Journal of Strategic Infotion Systems. (8): , LEITE, V. F. e GIACON, F. M. P. Integrando a cadeia de suprimentos através da Internet. ENEGEP LIU, C. and ARNETT, K. P. Exploring the factors associate with Web success in the context of electronic commerce. Information & Management. (38): 23-33, Logística B2B. Internet Business. Ano 4 No. 47, julho de MCGEE, J. and PRUSAK, L. Gerenciamento Estratégico da Informação: Aumente a 9

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