O recurso à Arbitragem e as suas vantagens

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1 O recurso à Arbitragem e as suas vantagens Modo de resolução jurisdicional de controvérsias em que, com base na vontade das partes, a decisão é confiada a um terceiro. Para este efeito, considera-se terceiro um particular distinto de qualquer das partes e que não actua como seu representante. A arbitragem transnacional constitui o modo normal de resolução de diferendos no comércio internacional e o recurso aos tribunais estaduais apresenta-se como um meio secundário e subsidiário.

2 Busca de uma justiça mais expedita, mais adequada e de resultados mais previsíveis do que a oferecida pelos tribunais estaduais. A justiça arbitral é mais expedita porque se reveste de menos formalismos, porque a actuação dos árbitros não depende dos condicionalismos que muitas vezes emperram os processos judiciais. É mais adequada, por um lado, porque os árbitros são normalmente pessoas com especiais qualificações e conhecimentos na matéria controvertida, mais preparados para a aplicação de costumes e usos comerciais e com uma maior sensibilidade aos interesses das partes às necessidades do comércio.

3 Por outro lado, na arbitragem pode geralmente obter-se uma solução mais individualizada, mediante critérios de decisão mais flexíveis, que permitem conferir maior relevo às circunstâncias do caso concreto. A previsibilidade do resultado também decorre da maior inserção dos árbitros nos círculos comerciais, embora nem sempre seja conciliável com a individualização de soluções. A confidencialidade é um motivo adicional que pode pesar na escolha da jurisdição arbitral. Todas estas preocupações são comuns à arbitragem interna e à arbitragem internacional.

4 Em relações transnacionais há razões específicas para o recurso à arbitragem. Frequentemente não agrada a nenhuma das partes a sujeição aos tribunais e à lei da outra parte. A escolha da jurisdição e da lei de um terceiro estado também não é, muitas vezes, uma solução conveniente, porque falta a proximidade com os tribunais desse Estado e a familiaridade com a sua lei. A estipulação de uma convenção de arbitragem é uma solução mais cómoda, acresce que em vasta medida os árbitros podem decidir os litígios com base em critérios autónomos, que dispensam a referência a uma lei estadual.

5 Facilidade no reconhecimento internacional das decisões arbitrais, que se deve principalmente à vinculação de grande número de Estados à Convenção de Nova Iorque sobre o reconhecimento e a execução das sentenças arbitrais estrangeiras (1958). Assim, a arbitragem constitui hoje um meio indispensável para a resolução de litígios internacionais privados, salientando-se com especial significado os litígios do comércio internacional. Dito de outro modo, constitui o meio por excelência.

6 Posto isto, podemos apontar algumas vantagens e desvantagens da Arbitragem. São algumas vantagens: Celeridade: Enquanto um Processo Judicial, dependendo de sua natureza, pode levar muitos anos para ser julgado em definitivo (considerando-se o nosso actual sistema processual, nossa organização e nosso aparelhamento Judiciários), num procedimento Arbitral, o prazo máximo admitido por lei para que se tenha uma decisão final é de 180 dias*.

7 Informalidade: O procedimento arbitral é bem menos solene do que o Judicial. Sigilo: Autonomia da Vontade das Partes: Por se tratar de um meio extrajudicial e privado de solução de controvérsias, o que for acordado entre as partes, não sendo ilegal ou antijurídico, deverá ser respeitado e seguido.

8 Especialidade: para que uma arbitragem tenha o maior sucesso possível, as partes devem escolher uma instituição da sua confiança e, além disso, um árbitro ou conselho arbitral com competência especializada no assunto a ser discutido. Assim sendo, a Arbitragem trará soluções precisas e justas às Partes, posto que a decisão será proferida por alguém que tem vivência e experiência naquela área. Custo/benefício: por se tratar de um meio mais célere de resolução de conflitos, regulado por lei e que traz resultados seguros e precisos às partes, a Arbitragem é um serviço de óptimo custo-benefício.

9 Algumas desvantagens: Dificuldade na escolha da Câmara e do Árbitro: para se ter uma arbitragem segura, as Partes deverão estudar cuidadosamente a instituição que pretendem escolher, bem como o árbitro que julgará um eventual conflito.

10 Modalidades de Arbitragem A arbitragem pode ser institucionalizada ou ad hoc. A primeira realiza-se numa instituição arbitral (centro, câmara) com carácter de permanência, sujeita a um regulamento próprio. Já na segunda modalidade, o tribunal é constituído especifica e unicamente para um determinado litígio. Antes da execução da convenção de arbitragem o tribunal não existe e após o proferimento da decisão arbitral extingue-se.

11 A arbitragem institucionalizada conheceu, nas últimas décadas, uma notável expansão, que resultou, em larga medida, das vantagens práticas que a mesma oferece às partes. Os centros de arbitragem institucionalizada podem ser de diversa natureza: uns foram criados no âmbito de associações profissionais, comerciais ou industriais e organizam arbitragens sobre determinadas matérias específicas; outros têm competência genérica.

12 A Arbitragem Institucionalizada em Portugal foi regulamentada pelo Decreto-Lei n.º 425/86, de 27 de Setembro, que determina, em síntese, a necessidade de reconhecimento pelo Ministério da Justiça dos centros de arbitragem institucionalizada. A LAV/APA mantém a necessidade de autorização governamental para o funcionamento nestes centros, no seu artigo 63.º, mas com a nota da restrição aos centros constituídos no nosso país. A precisão deve-se, no comentário da APA à sua proposta de LAV, a dissipar completamente as dúvidas que, durante algum tempo, se suscitaram sobre a possibilidade de reputadíssimos centros estrangeiros ou internacionais de arbitragem institucionalizada (que obviamente não dispunham daquela autorização ministerial) administrarem arbitragens localizadas em Portugal.

13 É importante referir que na arbitragem institucionalizada há dois modelos. O mais antigo e típico na arbitragem comercial é o do centro funcionar apenas como órgão administrativo, constituindose tribunais arbitrais para cada litígio. É este o sistema da Câmara de Comércio Internacional e do London Court of International Arbitration, que inspira o centro de arbitragem da Associação Comercial de Lisboa e da Ordem dos Advogados. Os árbitros são nomeados para cada litígio, pelo que há a constituição de um tribunal ad hoc para cada processo. O centro de arbitragem tem, por regra, funções muito importantes de secretaria e de decisão em caso de suspeição de árbitros, mas de resto não tem qualquer interferência na decisão do caso.

14 No segundo modelo, utilizado nos centros de arbitragem de consumo nacionais, há só um árbitro, que julga todos os processos entrados no centro. O centro de arbitragem funciona assim como um verdadeiro tribunal instituído, com a sua secretaria e o seu juiz. É um sistema menos flexível, mas adequado a conflitos de baixo valor e de pouca complexidade.

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