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1 Introdução Concepções de inteligência Inteligência para Gardner Inteligência e criatividade Tipos de inteligências Inteligência linguística e lógico-matemática Inteligência espacial e corporal-cinestésica Inteligência interpessoal e intrapessoal Inteligência musical e naturalista Implicações para o ensino Colocando a teoria em prática 2

2 Introdução Howard Gardner (1943 -) é um cientista norte-americano, formado no campo da psicologia e da neurologia, que causou forte impacto na área educacional com sua teoria das inteligências múltiplas, divulgada no início dos anos 80. Seu interesse pelos processos de aprendizagem já estava presente em seus estudos de pós-graduação, quando pesquisou as descobertas do suíço Jean Piaget ( ). Porém, a dedicação à música e às artes, que começou na infância, o levou a supor que as noções consagradas a respeito das aptidões intelectuais humanas eram parciais e insuficientes. Howard Gardner integra, desde a época de suas pesquisa de pós-graduação, o Harvard Project Zero, um grupo de pesquisa na Harvard Graduate School of Education, que tem investigado o desenvolvimento dos processos de aprendizagem em crianças, adultos e organizações desde Foi neste grupo que ele desenvolveu as pesquisas sobre as inteligências múltiplas. Elas vieram a público em seu sétimo livro, Frames of Mind, de Em função das descobertas de Howard Gardner, muitas escolas, inclusive no Brasil, se esforçaram para mudar seus procedimentos. A maneira mais difundida de aplicar a teoria das inteligências múltiplas é tentar estimular todas as habilidades potenciais dos alunos quando se está ensinando um mesmo conteúdo.. 3

3 Concepções de inteligência Antes da teoria das inteligências múltiplas, o padrão mais aceito para a avaliação de inteligência eram os testes de quociente de inteligência (QI), criados nos primeiros anos do século 20 pelo psicólogo francês Alfred Binet ( ) a pedido do ministro de seu país. O QI media, basicamente, a capacidade de dominar o raciocínio que hoje se conhece como lógicomatemático, mas durante muito tempo foi tomado como padrão para aferir se as crianças correspondiam ao desempenho escolar esperado para a idade delas. Nos últimos 50 anos, o termo inteligência vem assumindo concepções distintas e variadas. Na verdade, os pesquisadores estão cada vez mais reticentes quanto à possibilidade de mensuração da inteligência, questionando os famosos testes de QI. A própria concepção de inteligência como uma competência individual, como a capacidade de raciocinar, de compreender, desprezando-se aspectos outros da subjetividade dos indivíduos, parece hoje questionável. Cada vez mais ganha força uma concepção de que a inteligência tem aspectos múltiplos e variados na sua avaliação, e, sobretudo, questiona-se a relação entre inteligência e bom desempenho escolar. Será que você consegue imaginar o motivo deste descompasso entre esta concepção de inteligência e o desempenho escolar? Pense quais são os conteúdos mais valorizados pela escola. Como a arte, entra na escola? Como são vistos os alunos que apresentam um bom rendimentos na disciplina de arte? Inteligentes ou talentosos?. 4

4 Inteligência para Gardner O autor discorda que a inteligência possa existir como uma capacidade inata, geral e única, capaz de permitir ao sujeito uma performance maior ou menor em qualquer área de atuação. Através de suas pesquisas Gardner (1994) provou que a inteligência pode ser desenvolvida. Sendo assim, é possível "construir/adquirir" determinada inteligência, bem como,"perder" determinada inteligência, já que esta se processa no cérebro e é comprovado que, sem uso, o cérebro atrofia. Segundo o autor, as inteligências vêm da combinação da herança genética do indivíduo com as condições de vida em numa cultura e numa era. (Gardner, 2000) Para Gardner (2000) a inteligência é um potencial biopsicológico para processar informações que pode ser ativada para solucionar problemas ou criar produtos que sejam valorizados em uma cultura. A inteligência pode ser ativada dependendo de diversos fatores, como por exemplo, valores e oportunidades de uma cultura, decisões pessoais e ou influência da família, professores e outros. O autor sugere, ainda, que alguns talentos somente são desenvolvidos porque são valorizados culturalmente. Você já parou para pensar: Como os professores estão lidando com a construção da inteligência dos alunos? A escola que temos dá o devido espaço para ativação da inteligência? Quantas vezes surpreendemos nossos alunos com desafios novos, que correspondam aos seus interesses? Como estamos preparando nossas aulas? Será que nossos cérebros estão atrofiados? 5

5 Inteligência e criatividade Segundo o dicionário, criatividade é uma função da inteligência humana que torna o homem superior ao que ele mesmo cria. Podemos pensar que a criatividade envolve a transformação de nossos talentos, conhecimentos e visão em uma nova realidade externa original e valiosa. É a habilidade de combinar elementos existentes, conceitos, técnicas, objetos e materiais, para gerar novas idéias e soluções para os desafios e problemas. Para Gardner (2000) todo indivíduo tem o potencial para ser criativo. Porém, isso só ocorre se as pessoas quiserem ser criativas, se estiverem dispostas a contestar o estado das coisas, a aceitar as críticas e suspeitar das suas certezas. Sua teoria traz uma visão nova e esclarecedora sobre a relação entre criatividade e inteligência: a criatividade resulta não somente do nosso nível de inteligência, mas também do nosso perfil de inteligência e da escolha de um campo de atividade compatível com este perfil. Neste sentido, pessoas criativas são curiosas, independentes em suas atitudes, toleram bem as situações inusitadas e pouco ordenadas, têm tendência a trabalhar com idéias não diretamente relacionadas com o problema apresentado. E além disso, a criatividade pode aumentar quando há paixão pelo trabalho, e somente há paixão quando temos a oportunidade de seguir nossa vocação e aplicar nossos talentos. Como você percebe essa afirmação no seu dia-a-dia como professor? Ou ainda, por que você está estudando para ser professor de música? Alguma das palavras da afirmação acima fazem parte das suas respostas? 6

6 Tipos de inteligências Do ponto de vista desta teoria, há diferentes tipos de inteligência, definidas como: lingüística, lógico-matemática, espacial, corporal-cinestésica, musical, interpessoal, intrapessoal e naturalística. Os seres humanos dispõem de graus variados de cada uma das inteligências e maneiras diferentes de combinar, organizar e utilizar essas capacidades intelectuais para resolver problemas e criar produtos valorizados em determinado contexto social e histórico. Embora, estas inteligências sejam, até certo ponto, independentes uma das outras, raramente funcionam de maneira isolada. Na elaboração de sua teoria, Gardner partiu da observação do trabalho dos gênios; foi buscar evidências no estudo de pessoas com lesões e disfunções cerebrais e se valeu do mapeamento encefálico. Suas conclusões, como a maioria das que se referem ao funcionamento do cérebro, são eminentemente empíricas. A primeira implicação desta teoria é que existem habilidades diferenciadas para atividades específicas. É importante não confundir os conceitos de inteligência, competência e habilidade. A competência não é um atributo adquirido. A habilidade é produto do treino e do aprimoramento de nossa destreza. Segundo Antunes (2009) pensando em sala de aula, podemos ao ensinar um ou outro conteúdo explorar suas implicações lingüísticas, lógico-matemáticas, espaciais, corporais e outras. Podemos ainda, propondo desafios e arquitetando problemas, treinar competências nossas e de nossos alunos, verificando que alguns as usam com notável habilidade, outros com habilidade menor que, com persistência poderá crescer. 7

7 Inteligência linguística e lógico-matemática Tipo de inteligência Lingüística Lógico-matemática Característica. Expressa-se de modo característico no orador, no escritor, em todos os que lidam criativamente com as palavras, com a língua corrente, com a linguagem de uma maneira geral. É normalmente associada à competência em desenvolver raciocínios dedutivos, em construir ou acompanhar cadeias causais, em vislumbrar soluções para problemas, em lidar com números ou outros objetos matemáticos, envolvendo cálculos, transformações etc. Em seu estereótipo mais freqüente, o pensamento científico encontra-se fortemente associado à dimensão lógicomatemática da inteligência. 8

8 Inteligência espacial e corporal-cinestésica Tipo de inteligência Espacial Característica Está diretamente.. associada às atividades do arquiteto ou do navegador, por exemplo, revelando-se uma competência especial na percepção e na administração do espaço, na elaboração ou na utilização de mapas, de plantas, de representações planas de um modo geral. Corporal-cinestésica Manifesta-se tipicamente no atleta, no artista, que seguramente não elaboram cadeias de raciocínios para realizar seus movimentos e, na maior parte das vezes, não conseguem explicá-los verbalmente. Os exercícios, os treinamentos conseguem ser desenvolvidos com notável competência, apesar dos limites alcançados diferirem significativamente em diferentes indivíduos. 9

9 Inteligência interpessoal e intrapessoal Tipo de inteligência Interpessoal Intrapessoal Característica Revela-se através. de uma competência especial: o bom relacionamento com os outros, percebendo seus humores, suas motivações, captando suas intenções, mesmo as menos evidentes, descentrando-se, enfim, ao conseguir analisar questões coletivas sob diferentes pontos de vista. Em sua forma mais elaborada, é característica nos líderes, nos políticos e nos professores. Consiste basicamente em estar bem consigo mesmo, administrando os próprios humores, sentimentos, emoções, projetos. A criança autista é um exemplo de um indivíduo com a inteligência intrapessoal prejudicada, uma vez que ela não consegue, muitas vezes, sequer referir-se a si mesma, muito embora seja capaz de exibir habilidades em outras áreas, como a musical ou a espacial. 10

10 Inteligência musical e naturalista Tipo de inteligência Característica Musical Pode ser. considerada a capacidade de perceber, discriminar, transformar e expressar formas musicais. Inclui a sensibilidade ao ritmo, melodia, timbre ou tom de uma música. A compreensão de uma música pode ser tanto global e intuitiva quanto analítica e técnica. Gardner analisou o papel desempenhado pela música em sociedades primitivas, em diferentes culturas, em diferentes épocas, bem como no desenvolvimento infantil, e convenceu-se de que a habilidade musical representa uma competência em estado puro, no sentido de que não estaria necessariamente associada a nenhuma das outras dimensões citadas. Naturalística Está relacionada à curiosidade pelos fatos da natureza, à exploração, à descoberta, à interação, às aventuras. 11

11 Implicações para o ensino Cada pessoa possui todas as oito inteligências, em menor ou maior grau. Num trabalho individual o professor pode verificar qual (quais) a(s) inteligência(s) mais desenvolvida(s) em seu aluno e procurar usar os recursos pedagógicos mais adequados à(s) mesma(s), para desenvolver ao máximo a aprendizagem que se propõe. Num trabalho coletivo, convém que o professor proponha a matéria usando os recursos didáticos apropriados a todas as inteligências de forma a atender às diferenças individuais de seus alunos. A maioria das pessoas pode desenvolver cada inteligência até um nível adequado de habilidade. As inteligências geralmente trabalham juntas de um modo complexo. Por isto é bom que o professor mude constantemente seu método de apresentação, passando pelo maior número possível de inteligências, combinando-as de um modo criativo. O currículo do ensino fundamental e médio deve contemplar conteúdos para desenvolver todas as inteligências. Dessa forma poderemos propiciar a todos os alunos o desenvolvimento de todas as inteligências ou, na pior das hipóteses, fazer com que os mesmos tomem consciência das inteligências que podem desenvolver, conforme o seu perfil.. 12

12 Colocando a teoria em prática Armstrong (1994) reconhece a dificuldade de se incluir cada tipo de inteligência em um plano de currículo escolar. Propõe, então, que o professor, ao planejar suas atividades, faça a si próprio alguns questionamentos que o ajudarão a atentar para as várias formas de inteligências envolvidas na atividade. Nesse sentido, para cada tipo de inteligência, perguntar-se-ia algo como: Lingüística: Como eu posso usar a palavra falada ou escrita? Lógico-matemática: Como eu posso usar números, cálculos, classificações, lógica ou pensamento crítico? Espacial: Como eu utilizo ajuda visual, cor, arte, metáforas ou organizadores visuais? Musical: Como eu posso usar música e sons ambientais, ou destacar pontos chaves em forma de ritmo ou melodia? Corporal-cinética: Como eu posso envolver o corpo como um todo, ou alguma experiência com as mãos? Interpessoal: Como eu posso engajar os estudantes em uma aprendizagem colaborativa, compartilhada ou em simulações de grande grupo? Intrapessoal: Como eu posso evocar sentimentos e lembranças pessoais? Da próxima vez que você for planejar uma aula reflita sobre essas questões.. 13

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