MONITORAMENTO DE CHORUME NO ANTIGO LIXÃO DO ROGER EM JOÃO PESSOA PARAÍBA - BRASIL

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1 Castellón, de julio de 28. MONITORAMENTO DE CHORUME NO ANTIGO LIXÃO DO ROGER EM JOÃO PESSOA PARAÍBA - BRASIL Resumo Nóbrega, C. C. * ; Ferreira, J. W. O.; Athayde Jr., G. B.; Gadelha, C. L.; Costa, M. D. Departamento de Engenaria Civil Centro de Tecnlogia Universidade Federal da Paraíba Campus I, Cidade Universitária, João Pessoa PB Brasil Cep: Este trabalho avaliou as características do chorume gerado lixão desativado. O monitoramento do chorume permite analisar parâmetros de controle capazes de indicar a evolução do processo de decomposição da orgânica dos resíduos dispostos no lixão, uma vez que as características físico-químicas e biológicas do percolado gerado variam em função da idade. O monitoramento do chorume está sendo realizado no antigo Lixão do Roger em João Pessoa/Paraíba Brasil, o qual se localiza na região metropolitana desta cidade e se assenta no manguezal adjacente ao rio Sanhauá, agravando os problemas ambientais e de saúde pública da população que mora nas proximidades. O monitoramento faz parte das atividades de recuperação ambiental da área degradada pelo antigo lixão e, está sendo realizado em duas células (1 e 2). Observa-se para a maioria dos parâmetros, um padrão de variação bastante semelhante entre as duas células, sendo que na célula 2 os valores obtidos para esses parâmetros foram, em geral, menores. Os valores de ph, DBO 5 e DQO encontrados neste monitoramento apontam para a presença de matéria orgânica em decomposição, embora em processo já bastante avançado, na massa de resíduos das células 1 e 2. Palavras chaves: chorume, monitoramento, antigo lixao do Roger, João Pessoa, Brasil. 1. Introdução Nos lixões e aterros sanitários ocorre um grande número de transformações químicas, físicas e biológicas, resultando na formação de biogás e do chamado líquido percolado, também denominado chorume. Este é produzido pela infiltração da água das chuvas e pela degradação de compostos que percolam através da massa de lixo aterrada, carreando materiais dissolvidos ou suspensos. Assim, o chorume é um líquido poluente de cor escura, odor nauseante, elevada DBO (da ordem de 3 a 1 vezes mais concentrada que a do esgoto doméstico). Apresenta outras características que são variáveis, dependendo da solubilização de compostos orgânicos, de sais inorgânicos e de metais na água que percola através da massa aterrada. Em virtude da sua composição, o chorume pode causar um grande número de alterações na fauna e flora dos ecossistemas, afetando todos os seres que compõem a cadeia alimentar. Deve-se ressaltar que o homem é o consumidor final da cadeia trófica (isto é, a cadeia alimentar). O monitoramento do chorume permite levantar parâmetros de controle capazes de indicar a evolução do processo de decomposição da parcela orgânica dos resíduos dispostos no lixão, uma vez que as características físico-químicas e biológicas do percolado nele gerado * Correspondencia:

2 Castellón, de julio de 28. variam em função da idade. A variação da qualidade do chorume produzido em um lixão também é determinada pela composição dos resíduos, pela profundidade das células, pela quantidade de umidade e de oxigênio disponível. Sendo assim, o chorume produzido em cada célula terá uma composição própria (REINHART & GROSH, 1998). O chorume, de acordo com a bibliografia especializada (Segato e da Silva, 2; Martinez e Soto, 2; Russo et al. 2; Pessin et al., 2), é um líquido de alto poder poluidor por ser bastante concentrado em certos poluentes tais como: DQO = 3 8mg/L; DBO 5 = 2 5mg/L; Amônia = 1 4 mg/l. Os piezômetros são instrumentos amplamente utilizados na prática de engenharia geotécnica para o monitoramento de poro-pressões. Nos aterros sanitários e lixões os piezômetros e os medidores de nível d água constituem instrumentos que permitem identificar os valores ou níveis de pressões neutras (níveis piezométricos) no interior do maciço do aterro ou do lixão, devido à presença de percolados e gases, além de serem utilizados para coleta de líquidos para análises físico-químicas, químicas e microbiológicas. Nos piezômetros instalados nas proximidades do aterro ou antigo lixão a finalidade é monitorar a qualidade de água no entorno da instalação. Os piezômetros, geralmente, consistem em um tubo de PVC cuja extremidade inferior é perfurada e envolta por manta geotêxtil (bulbo), através da qual o líquido penetra, formando uma coluna equivalente à pressão externa atuante. Portanto, esse instrumento permite, além da coleta de chorume, o controle e monitoramento sobre o volume de líquidos e a pressão atuante no interior do maciço de resíduos. Juntamente com as placas de recalque indica o grau estabilidade do referido maciço. O antigo Lixão do Roger recebeu os resíduos sólidos urbanos de João Pessoa durante 5 anos. Esse lixão possui uma área de 17ha e localiza-se na região metropolitana de João Pessoa, estando assentado no manguezal adjacente ao rio Sanhauá. O referido lixão foi desativado em 23 e, sua área, foi dividida em cinco células para o desenvolvimento de atividades visando a recuperação ambiental da área degradada. A Figura 1 mostra a vista aérea do antigo Lixão do Roger e a área de manguezal. Figura 1 - Vista aérea do antigo Lixão do Roger e área de manguezal. Embora desativado, ao Lixão do Roger ainda são atribuídos os maiores problemas de degradação e poluição ambiental na área do manguezal e da porção estuarina do rio Sanhauá, imediatamente nas suas proximidades.

3 Castellón, de julio de 28. A figura 2 apresenta o esquema do piezômetro utilizado no antigo Lixão do Roger.A figura 3 mostra a perfuração do local de instalação de piezômetro na célula 1 do antigo Lixão do Roger. Figura 2 - Desenho Esquemático do Piezômetro Instalado e detalhe do medidor de nível de água. Fonte: MONTEIRO (23). Figura 3 Perfuração de piezômetro PZ1 na célula 1 do antigo Lixão do Roger O objetivo do monitoramento é verificar o comportamento da massa de resíduos remanescente nele disposta, verificando a continuidade do processo de biodegradação da massa de lixo após desativação do Lixão do Roger. 2. Metodologia O monitoramento do chorume está sendo realizado nas células 1 e 2 do Lixão Rorger, por serem as que já apresentam concluídos os trabalhos de recuperação ambiental da área degradada. Para a coleta e posterior análise do chorume foram instalados piezômetros com profundidade de 12,9 m, denominado de PZ1 na célula 1 e PZ2 na célula 2 (Figura 4). Foram realizadas analises químicas, físico-químicas e bacteriológicas do chorume: DQO, DBO5, sólidos totais, fixos e voláteis, óleos e graxas, ph, cor, turbidez, dureza, condutividade elétrica, alcalinidade, fosfato, sulfatos, amônia, nitritos, nitratos, coliformes termotolerantes, alumínio, mercúrio e chumbo. Todas as análises do chorume seguiram os

4 Castellón, de julio de 28. procedimentos preconizados no Standard Methods for Examination of Water and Wastewater (APHA, AWWA, WEF, 1998). Figura 4 Piezômetro PZ2 instalado na célula 2 do antigo Lixão do Roger Após a coleta, as amostras do chorume foram encaminhadas ao Laboratório de Saneamento do Departamento de Engenharia Civil e Ambiental da Universidade Federal da Paraíba a fim de realizar as analises químicas, físico-químicas e bacteriológicas. 3. Resultados As Figuras 5 e 6 mostram a coleta de chorume realizada no dia 13 de fevereiro de 28. Figura 5 e 6 Coleta de chorume na célula 1 e célula 2 no dia 13/2/28. As Figuras de 7 a 23 apresentam os resultados de todos os parâmetros analisados no chorume do Lixão do Roger (célula 1 e 2), em todas as campanhas de coleta. Observase, para a maioria dos parâmetros, um padrão de variação bastante semelhante entre as duas células, sendo que na célula 2 os valores obtidos para esses parâmetros foram, em geral, menores.

5 Castellón, de julio de 28. ph 8 7,5 7 6,5 6 5,5 5 Variação temporal de ph Condutividade (micro S/cm) Variação temporal de Condutividade Figura 7 ph Figura 8 Condutividade µs/cm Alcalinidade (mg/l) Variação temporal de Alcalinidade Dureza (mg/l) Variação temporal de Dureza 5 Figura 9 Alcalinidade (mg/l CaCO 2 ) Figura 1 - Dureza (mg/l CaCO3) STD (mg/l) Variação temporal de STD DBO (mg/l) 25 Variação temporal de DBO Figura 11 STD (mg/l) Figura 12 DBO (mg/l) DQO (mg/l) Variação temporal de DQO 1 Óleos e graxas (mg/l) Variação temporal de Óleos e graxas Figura 13 DQO (mg/l) Figura 14 Óleos e graxas

6 Castellón, de julio de 28. Cloretos (mg/l) Variação temporal de Cloretos Sulfato (mg/l) Variação temporal de Sulfato Figura 15 Cloretos (mg/l Cl) Figura 16 Sulfato (mg/l) Amônia (mg/l) Variação temporal de Amônia Nitrito (mg/l) 3,5 3, 2,5 2, 1,5 1,,5, Variação temporal de Nitrito Figura 17 Amônia (mg/l) Figura 18 Nitrito (mg/l) Nitrato (mg/l) Variação temporal de Nitrato 2,5 2, 1,5 1,,5, Fósforo (mg/l) Variação temporal de Fosfato 4, 3, 2, 1,, Figura 19 Nitrato (mg/l) Figura 2 Fosfato (mg/l) Alumínio (mg/l) Variação temporal de Alumínio Chumbo (mg/l),6,5,4,3,2,1 Variação temporal de Chumbo Figura 21 Alumínio (mg/l Pb) Figura 22 Chumbo (mg/l Pb)

7 Castellón, de julio de 28. Coliformes termotolerantes [Log1 (NMP +1) /1ml) Variação temporal de Coliformes termotolerantes Figura 23 Coliformes Termotolerantes (Log1 (NMP + 1)/1mL) Os valores de ph (Figura 7) situaram-se na faixa 5,1 7,8, sendo que a maioria deles situou-se na faixa 6,5 7,5. Esses valores de ph próximos à neutralidade e os valores reduzidos de DBO 5 (Figura 12) encontrados, confirmam que o chorume é proveniente de uma massa de resíduos antiga onde o processo de decomposição do lixo já se encontra em fase avançada. A elevada relação DQO/DBO 5 (média de 58,35 e 46,41 nas células 1 e 2 respectivamente, durante o período de monitoramento) também aponta no sentido de que o processo de decomposição da matéria orgânica está avançado, restando apenas material predominantemente recalcitrante. No geral, houve sempre uma correspondência entre os valores de DBO 5 e DQO (Figuras 12 e 13). Os valores de alcalinidade (Figura 9) e dureza (Figura 1) e cloretos (Figura 15) vêm se mantendo bastante estáveis, com exceção nesta última coleta para a célula 1, onde o valor da alcalinidade obtido foi relativamente baixo com relação aos encontrados anteriormente. Os valores de condutividade elétrica (Figura 8) variaram numa estreita faixa (1-2µS/cm) entre 13 de setembro de 26 a 3 de abril de 27, e apresentaram valores mais elevados a partir de maio de 27. A incidência do período chuvoso em João Pessoa pode ter tido influência nesses resultados, pois contribui para a dissolução e lixiviação dos sais presentes na camada de cobertura de solo e na própria massa de resíduos. Coerentemente os sólidos totais dissolvidos (STD) também foram baixos até abril de 27, variando na faixa de 5 a 11 mg/l (Figura 4) e mais elevados a partir desta dada (15 4 mg/l). Os valores do ph do chorume justificam os valores obtidos para a condutividade elétrica (Figura 8). De acordo com a bibliografia especializada, estando o ph próximo do neutro ou alcalino reduz-se a solubilidade de compostos inorgânicos, diminuindo a condutividade do chorume, grandeza que caracteriza a capacidade do líquido de conduzir corrente elétrica. Os valores de óleos e graxas (Figura 14), vêm se apresentando dentro da faixa 2, a 6, mg/l. As concentrações de amônia, nitrito e nitrato (Figuras 17, 18 e 19) indicam a presença de poluição orgânica em todas as campanhas de coleta nas duas células. O problema principal referente a esse fato é que concentrações elevadas de amônia podem prejudicar o crescimento dos microrganismos. Assim, embora o ph do chorume do Lixão do Roger esteja favorável para a degradação microbiológica, a alta concentração de amônia pode está prejudicando essas reações.

8 Castellón, de julio de 28. As concentrações dos metais presentes no chorume de resíduos domésticos são relativamente baixas, aumentando caso haja o despejo de resíduos industriais. As concentrações variam de acordo com a fase de decomposição do lixo, sendo maiores durante a fase de fermentação ácida, quando estes elementos estarão mais solúveis e menores na fase final de estabilização, onde o ph normalmente é mais básico. Como o Lixão do Roger é antigo e já se encontra desativado, os teores de alumínio (Figura 21) e chumbo (Figura 22) apresentaram, em geral, valores relativamente baixos. Coliformes termotolerantes (Figura 23) foram encontrados na maior parte das coletas, sugerindo que podem existir outras fontes de contaminação que não apenas à proveniente do antigo Lixão, já que esses organismos indicam poluição recente. 4. Conclusões Os valores de ph, DBO 5 e DQO encontrados neste monitoramento apontam para a presença de matéria orgânica em decomposição, embora em processo já bastante avançado, na massa de resíduos das células 1 e 2. Este resultado é reforçado pelos valores de temperatura ambiente encontrados no interior das células, evidenciando pouca ou nenhuma atividade microbiana de decomposição. 5. Referencias [1] APHA AWWA. Standard Methods for the Examination of Water and Wastewater, 2. ed. USA [2] MARTÍNEZ, S.G.; SOTO, C.A.V. Tratamiento de los lixiviados de un vertedero en un sistema de lodos activados. XXVII Congreso interamericano de ingenieria sanitaria y ambiental. Porto Alegre-RS. 2. [3] MONTEIRO, V. E. D. (23) Análises físicas, químicas e biológicas no estudo do comportamento do aterro da Muribeca. Tese de Doutorado. UFPE. Recife-PE. [4] PESSIN, N.; BRUSTOLIN, I.; FINKLER, R. Determinação da eficiência de tratabilidade de reatores biológicos para atenuação de carga orgânica presente no chorume proveniente de aterros sanitários. IX Simpósio luso-brasileiro de engenharia sanitária e ambiental. Porto Seguro-BA. p [5] REINHART, D. R.; GROSH, C. J. (1998). Analysis of Florida MSW Landfill Leachate Quality. University of Central Florida. [6] RUSSO, M.A.T.; FERREIRA, M.; VIEIRA, C. Caracterização de aterros sanitários de alta compactação. IX Simpósio luso-brasileiro de engenharia sanitária e ambiental. Porto Seguro-BA. p [7] SEGATO, L.M.; DA SILVA, C.L. Caracterização do chorume do aterro sanitário de Bauru. XXVII Congresso interamericano de ingenieria sanitaria y ambiental. Porto Alegre- RS. 2

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