WEBSITE DA CLP: Uma Iniciativa política de participação em meio a Sociedade da Informação. Tenaflae Lordêlo 1

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1 21 WEBSITE DA CLP: Uma Iniciativa política de participação em meio a Sociedade da Informação. Tenaflae Lordêlo 1 RESUMO O presente trabalho é uma aproximação com o objeto de estudo com vistas a fundamentar uma futura sondagem com usuários dos fóruns e os responsáveis pelo website da COMISSÃO DE LEGISLAÇÃO PARTICIPATIVA (CLP) da Câmara dos Deputados Federal. Este trabalho discorre sobre espírito do serviço público que deve aproximar os avanços tecnológicos do âmbito social, em meio às discussões sobre Sociedade da informação. Embora alguns autores apontem que toda esta infraestrutura tecnológica que está presente nos diversos âmbitos da sociedade, seja uma estrutura comercial, e não social da Sociedade da Informação. Assim este trabalho observa a participação política na sociedade da informação, utilizando o website da CPL. Palavra-chave: Participação, Sociedade da Informação, engajamento cívico, iniciativa política. ABSTRACT The present work is an approach with the object of study with sights to base one future sounding with users of forums and the responsible ones for the Website of the COMMISSION OF PARTICIPATIVE LEGISLATION (CLP) of the House of representatives Federal. This work discourses on spirit of the public service that must approach the technological advances of the social scope, in way to the quarrels on Society of the information. Although some authors point that all this technological infrastructure that are present in the diverse scopes of the society, either a commercial structure, and not a social one of the Society of the Information. Thus this work if withholds to observe the participation politics in the society of the information, using the Website of the CPL. Key-words: Participation, Society of the Information, civic engagement, initiative politics. INTRODUÇÃO Os avanços tecnológicos das últimas décadas veem reorganizando as práticas econômicas, sociais e políticas, a partir da introdução do elemento computacional, mas precisamente o Chip. Estudos e publicações descrevem e registram as mutações mais importantes produzidas pelas infraestruturas computacionais na cultura contemporânea, descrito pelo nome de Sociedade da Informação - SI. Este tema, embora influente, não tem sua origem bem esclarecida, alguns considerando que a expressão foi cunhada por cientistas da comunidade acadêmica japonesa (FREITAS, 2004). Os estudos que apontam os japoneses como responsáveis pelo termo, sugerem como 1 Graduado em Comunicação Social, pós-graduado em desing e Mestre em Comunicação e Cultura Contemporânea UFBA. Professor da FAVIP em Caruaru-PE.

2 22 trabalho pioneiro, uma assessoria realizada por Yujiro Hayashi, ao governo japonês, em 1969, que resultou em dois relatórios sobre a SI. Além de uma série de estudos anteriores que envolveram: Jiro Kamishima, em 1963; Hoso Asahi, em 1964 e finalmente Yonije Masuda, em 1968, que publicou um livro denominado Introdução à Sociedade da Informação, que seria mais tarde precursor do famoso livro, A sociedade da informação como sociedade pós-industrial, em Segundo Mattelart (2002), foi o interesse pioneiro do Japão pela Sociedade da Informação, que obviamente o tornou a primeira sociedade da informação da história. Nos escritos do futurólogo Yoneji Masuda (1980) estão registradas as implicações sociais, em que o poder centralizado e a hierarquização dão lugares a uma sociedade multicentrada. O pano de fundo para este processo é o modelo Computépolis, a cidade inteiramente interconectada e organizada com terminais domésticos, com gestão automatizada do cotidiano (MATTELART, 2002). Alguns autores acreditam que os escritos de Yoneji Masuda estão distantes do sentido social da Sociedade da Informação, a qual teria um sentido muito mais econômico (FREITAS, 2004; GARNHAM, 2000; WEBSTER, 2003). Para longe do que se possa desejar de uma Sociedade da Informação, segundo Frank Webster, não há nenhuma espaço da terra que se possa designar como um tipo novo de sociedade, tudo que se testemunha é uma quantidade maior de informação em circulação e em armazenamento. Assim a Sociedade da Informação tende cada vez mais a ser sinônimo de comércio da informação em níveis nunca vistos, afetando duas áreas de regulação: telecomunicações desregulamentadas pelos governos e reguladas pela iniciativa privada e propriedade intelectual crescentemente regulamentada, desregulamentando os obstáculos (FREITAS, 2004). Embora se perceba que o norte dos avanços tecnológicos formado por toda uma infraestrutura computacional seja coordenado pelo âmbito econômico, o que claramente o distância das possibilidades sociais, não se pode deixar de perceber que a sociedade é influenciada e reorganizada, mesmo que seja por caminhos considerados como sinônimos de comércio. Contudo o espírito do serviço público poderia aproximar os avanços tecnológicos do âmbito social. Somente uma ação dos poderes públicos que

3 23 regulamente as redes, lance satélites, crie bancos de dados pode deixar uma margem de manobra a um modelo de sociedade original, um novo modelo de crescimento, (MATTALART, 2002). A ações ou presença do poder público na web foram batizadas de e-government, que são as iniciativas governamentais de oferta on-line de serviços públicos que visam combater a burocracia e tornar a interação entre governo e cidadãos mais eficiente. As duas partes integrantes do e-government são: e-democracy e e-administration. O que se observa é que as ações dos poderes públicos focalizam principalmente e-administration. Embora as ações sejam majoritariamente com vistas a combater a burocracia na relação entre governo e cidadão, as mesmas ações abrem caminhos para iniciativas políticas que permitam a participação dos cidadãos no sistema político, mediado por uma infraestrutura computacional. A PATICIPAÇÃO E A COMISSÃO DE LEGISLAÇÃO PARTICIPATIVA (CLP) Na Internet as iniciativas políticas 2 estruturadas a partir de ferramentas web veem gerando oportunidades de participação política e de informação política qualificada. Como parte das ações que visam à participação da sociedade, o artigo 14, da Constituição Federal de 1988, reservado aos direitos políticos, assegura a todo cidadão brasileiro a participação no exercício da soberania popular pelo sufrágio universal e pelo voto direto e secreto, com valor igual para todos e nos termos da lei, mediante plebiscito, referendo e iniciativa popular. Com base neste artigo a Câmara dos Deputados criou, em 2001, a COMISSÃO DE LEGISLAÇÃO PARTICIPATIVA (CLP), com o objetivo de estimular e ampliar a participação da sociedade civil no processo legislativo, estabelecendo um canal direto entre a sociedade civil organizada e o Parlamento. A CLP dispõe de um website 3 para a participação da sociedade, como um dos canais 2 Iniciativas políticas, compreendidas aqui como ações que visão desenvolver ferramentas de participação e produção de informações sobre a política, além de possibilitar trabalhos dos políticos em ambiente web, ou conjugados com a mesma. 3 No mundo virtual, é um endereço cuja porta de entrada é sempre sua home page, Um website é um dos nós/computadores existentes.

4 24 diretos, o mesmo encontra-se no portal da Câmara dos Deputados Federal (www.camara.gov.br), no link denominado participação popular. Segundo Schlozman e Verba (1995), as iniciativas políticas on-line, como o portal da CLP, precisam superar três barreiras para a participação dos indivíduos na web, como um canal direto: a barreira da motivação, da capacidade e da oportunidade. Os estudos empíricos apontam que estas barreiras apresentam um efeito na participação, distinto do afloramento e difusão das novas tecnologias (STANLEY e WEARE, 2004). A primeira barreira é a motivação, a qual consiste no fato das ferramentas 4 de publicação ou de gerenciamento de conteúdo, utilizadas pelas iniciativas políticas, serem pouco direcionadas para estabelecer a motivação individual. Assim, a difusão da informação tem efeitos menos qualitativos nas percepções psicológicas da informação política. A segunda barreira, a da capacidade, relaciona-se na utilização das ferramentas interativas (fóruns 5 e weblog entre outras) como principal forma de construção de um espaço de discussão na web, porém, faz-se necessário identificar quais cidadãos possuem as competências efetivas de atuação nas esferas de decisões políticas. O que coloca o debate muito além da infraestrutura computacional. Schlozman e Verba (1995) colocam como última barreira, as oportunidades, que ainda escassas, servem de limites para as iniciativas políticas on-line. O acesso aos meios tecnológicos ainda é limitado e as principais ações governamentais focam mais nas aplicações informativas do e-governement, esse vêm agregando mais clientes que participantes ativos para realizar decisões democráticas (STANLEY e WEARE, 2004). No caso dos acessos domiciliares no Brasil pelos últimos números, do comitê Gestor da Internet no Brasil CGI, menos de 15% dos domicílios possuem acesso à internet, dos quais menos da metade possuem acesso banda larga, cerca de 40,35 %. Não é por acaso 4 O termo ferramenta deriva do latim ferramenta, plural de ferramentum. É um utensílio, ou dispositivo, ou mecanismo físico ou intelectual utilizado por trabalhadores das mais diversas áreas. Na web as ferramentas são estruturada como software, ou programa de computador, que é uma sequência de instruções a serem seguidas e/ou executadas, na manipulação, redirecionamento ou modificação de um dado/informação ou acontecimento em ambiente web, geralmante contruidas em linguegem de programação PHP ou ASP. 5 Fórum de discussão ou grupo de discussão (newsgroup) recurso web que permite escreve-se publicamente sobre o tema indicado pelo nome do grupo.

5 25 que iniciativa políticas on-line, como o Portal da CLP, utilize outros canais de comunicação combinados com a web, tais como sistemas de telefonia e correios. Embora as três barreiras de Schlozman e verbas tenham uma aceitação mais palatável muito da discussão sobre participação políticas e comunicação de massa, atualmente, permeia o conceito da teoria do capital social. Termo proveniente das ciências sociais no término dos anos 80, a qual é apropriada e trabalhada por diversos autores, inclusive Robert D. Putnam, em especial, no livro Bowling Alone: The collapse and Revival of American Community, publicado em O conceito de capital social é usado para compor uma abordagem, com vistas ao entendimento do engajamento cívico, no qual, Putnam (2000) apresenta uma crítica de parte das práticas políticas contemporâneas. Isto porque a idéia de capital social esta baseada, para Putman (2000), nos aspectos da organização social que viabiliza a coordenação e cooperação dos indivíduos com o objetivo de obterem benefícios comuns. Desta fora a prática de criar associações por parte do povo americano, a qual impressionou o jornalista francês Aléxis De Tocquevillen, no século XIX, é a forma central de atuação social, caracterizada, como normas sociais de confiabilidade e reciprocidade, permitindo a participação política (PUTMAN, 2000). A Participação ou engajamento cívico, entendidos, como as relações dos cidadãos como as instituições política, é compreendido por Putman (2000) como uma lista de atividades da vida social ou vida fora de casa: filiação a associação voluntária ou igreja, manifestações de protesto, jantar com amigos ou família entre outros. Desta forma toda prática de engajamento que gera capital social é engajamento cívico, rede de relações que proporciona e nutri de forma saudável a participação política. Nos últimos 30 anos o modelo do cidadão e o seu engajamento cívico sofreram mutações, principalmente no que tange a vida social fora de casa. Para Putnam (2000), a causa principal no declínio direto na capacidade dos americanos de se associar é a presença da comunicação de massa, protagonizada pela televisão. Em conseqüência da televisão causa uma série de prejuízos para vida cívica, a mais relevante é que o consumo de TV exerce efeitos psicológicos prolongado sobre as crianças. Fatalmente estes efeitos, segundo Putman (2000), inibem a formação de cidadãos mais confiantes

6 26 na natureza humana e mais dispostos a sair de casa para engajar-se em redes cívicas. Assim o consumo de notícias e de entretenimento se tornou uma atividade que se pode realizar isoladamente, sem está engajado em uma rede cívica, aos moldes convencionais. Robert Putman (2000), embora seja um escritor americano e obviamente esteja falando de sua própria cultura, e muito enfático na atribuição de culpa do declínio de participação civil na política, porém a questão é aceitando este argumento, colocamos o cidadão como um ser de vocação para a política. Como o surgimento e popularização da comunicação de massa, em quais quer sociedade, incluindo a brasileira, fatalmente, os indivíduos serão menos engajados politicamente. Para uma iniciativa política on-line que busca participação popular na discussão de sugestões políticas públicas, tais como: Projeto de Lei Complementar, Projeto de Lei Ordinária, Decreto Legislativo, Resolução da Câmara dos Deputados, Projeto de Consolidação, Emenda entre outros, como é o caso em especial do website da CLP, deve projetar as ações e processos do website, para um ambiente de baixa participação, em que as orientações devam seguir muito mais a questões das barreiras apontadas por Schlozman e Verbas (1995), do que as causas do declínio por Robert Putman (2000), além de considerar o baixo acesso em domicílios no Brasil. Fator esse que coloca a necessidade de abrir canais de comunicação fora da internet. Porque a utilização, no presente cenário, de todas as interconexões, tais como sistemas telefônicos, correio e Internet, criam cadeias de decisões políticas e resultados interligados entre os poderes públicos e seus cidadãos que alteram a natureza e a dinâmica dos próprios sistemas políticos nacionais (IANN, 1992). A INICIATIVA POLÍTICA DA COMISSÃO DE LEGISLAÇÃO PARTICIPATIVA (CLP) E OS PROCESSOS Embora a discussão sobre participação políticas esteja focada principalmente no cidadão, existem algumas iniciativas, como a CLP, que são feitas basicamente pela participação da sociedade civil organizada por meio de fóruns. Essa forma associativa

7 27 de participação está mais próxima a percepção de Putman (2000), sobre a forma de organização saudável para a democracia, que se estende para uma relação social mediada por uma infraestrutura computacional. Nos fóruns as entidades podem intervir diretamente no sistema de produção política das normas e das leis, apresentando sugestões para o aperfeiçoamento da legislação já existente ou para elaboração de novas normas. Assim entidades registradas em cartório ou em órgão do Ministério do Trabalho, tais como: Organizações Não-Governamentais ONGs; Associações e Órgãos de Classe; Sindicatos; Entidades da Sociedade Civil, exceto Partidos Políticos; Órgãos e Entidades de Administração Direta e Indireta, desde que tenham participação paritária da sociedade civil; podem participar das discussões e processos da CLP. Desde 2001 a CLP apreciou, sugestões de 344 projetos de lei; 126 sugestões de Emendas à Lei Orçamentária Anual; 02 Sugestões de Emendas ao Plano Plurianual; 12 sugestões de Emendas à Lei de Diretrizes Orçamentárias; totalizando 484 apreciações de sugestões de projetos. O processo tem início como à classificação, numeração e averiguação das sugestões pela CLP. As sugestões passam por uma adequação formal com vistas a assegurar as condições de redação técnica para a tramitação. Em seguida, a Presidência da Comissão indica um(a) relator(a) para elaborar parecer sobre a sugestão apresentada. Caso aprovada, a sugestão passará a tramitar como proposição legislativa da Comissão de Legislação Participativa, e será distribuída à Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) para análise dos aspectos de constitucionalidade, juridicidade e técnica legislativa. O Projeto de Lei de autoria da Comissão de Legislação Participativa depende de análise do Plenário da Câmara dos Deputados Federal, mesmo que já tenha sido aprovado pelas Comissões Temáticas, constantes do despacho da Secretaria Geral da Mesa. Dessa forma, quando aprovado nas Comissões, é encaminhado à Mesa para ser incluído na Ordem do Dia do Plenário da Câmara dos Deputados Federal para discussão e votação. Se aprovada, a proposição é remetida, e segue os tramiteis legais de qualquer proposição: no Senado Federal e na Presidência da Republica.

8 28 O website da CLP conta com links, como: Fale com o deputado, Sua proposta pode virar lei, Ouvidoria parlamentar, Bate papo; além das chamadas para os fóruns de debate na web. Embora o website tenha outros recursos o fórum comunicação on-line, fóruns web ou fóruns de discussão, parecem está mais alinhada com as expectativas de alguns pesquisadores, como Kees Brants (2002). O mesmo sugere que os fóruns de comunicação on-line oferecem espaço público para deliberação e troca de informação política, as quais aumentam e ampliam a participação em âmbito local. A INICIATIVA POLÍTICA DA COMISSÃO DE LEGISLAÇÃO PARTICIPATIVA (CLP) COMO FÓRUNS WEB Uma ramificação recente do argumento liberal, apontada por Wilson Gomes (2005) vem se constituindo ao redor de três expressões-chave: internet esfera pública democracia. Deste modo, cunha-se o verbete democracia digital e as outras formas semelhantes (democracia eletrônica, e-democracy, democracia virtual, ciberdemocracia, entre outras nomenclaturas), o tema vem ocupando espaço nos últimos 15 anos. O centro da discussão diz respeito à possibilidade das novas tecnologias da informação e ferramentas de comunicação, tal como o portal da CLP, oferecerem oportunidades para a prática dos cidadãos em sistemas democráticos, considerando a eficiência e qualidade nos ambientes de decisão política. A introdução de uma nova infraestrutura tecnológica, entretanto, faz ressurgir fortemente as esperanças de modelos alternativos de democracia, que implementem uma terceira via entre a democracia representativa, que retira do povo a decisão política, e a democracia direta, que a quer inteiramente consignada ao cidadão. Estes modelos giram ao redor da idéia de democracia participativa e, nos últimos dez anos, na forma da democracia deliberativa, para a qual a internet é, decididamente, uma inspiração. (Gomes, 2005). As iniciativas políticas on-line abrem espaço para os dispositivos lógicos que permitem o alcance dos objetivos de informar e possibilitar a interação via websites, do usurário. Desta forma as ferramentas web, estruturas lógicas, potencializam os meios de realização da democracia digital, permitindo aos indivíduos interessados em participar do jogo democrático. Para James Bohman (2004), a presença de uma mediação tecnológica é o que torna possível a existência de uma esfera pública em uma Sociedade

9 29 da Informação, em que seria possível obter informação política qualificada e oportunidade de discussões política. O primeiro ponto para a formação de uma esfera pública na web, segundo Bohman, é a existência, na mediação tecnológica ou infraestrutura eletrônica das iniciativas políticas on-line, um fórum, que permita o significado democrático de uma esfera pública. O mesmo seria um espaço social em que os participantes podem expressar suas questões e obter respostas e ao término consolidar sua opinião. O segundo ponto é que o dialogo e postagens no fórum colaborem para as soluções das questões públicas e que todos participantes tenha direitos iguais. A base do Portal da CLP é formado pelas discussões através de fóruns de discussão. Os fóruns permitem o confronto de ideia a partir de um tema ou de uma questão apresentada. Um tema presente nos trabalhos da Comissão, no site, é a questão: Como a Câmara dos Deputados pode aproximar você, cidadão, e a sociedade civil organizada da Comissão de Legislação Participativa? Desta forma abre caminho para discussão e aponta também a barreira que um projeto como este tem: a barreira de participação. Os fóruns eletrônicos se tornaram um lugar útil para observar os efeitos da internet na participação. Estas ferramentas são locas em que os participantes da política, fora da rede, normalmente freqüentam (STANLEY e WEARE, 2004). Isso facilita uma possível análise dos indivíduos que participam. Além de reforçar que as ferramentas web, como os fóruns, têm mais efeito e funcionalidade sobre os indivíduos que já participavam em âmbito off-line (NORRIS, 2003). Contudo, existem mensagens circulantes nos fóruns que embora incipientes, permitam a presença de novos participantes, sobretudo em épocas de eleições, abrindo, para além das informações oficiais do governo ou de partidos políticos, espaços de discussões, a partir de fóruns on-line (STANLEY e WEARE, 2004). CONSIDERAÇÕES FINAIS

10 30 Mesmo com o surgimento de ferramentas e dispositivos web, utilizados pelas iniciativas de cunho político como o website da CLP, com suas práticas e objetivos, é preciso um último elemento, para consolidar a participação, em uma Sociedade da Informação: a cultura política, que ultrapasse as barreiras de Schlozman e Verbas: motivação, capacidade e oportunidades. Assim, por mais que a internet ofereça, até inéditas, oportunidades de participação na esfera política, tais oportunidades serão aproveitadas apenas se houver uma cultura e um sistema político disposto (ou forçado) a acolhê-los (GOMES, 2005). Nesse sentido, talvez nem toda a mudança de participação política, ao longo dos últimos anos, se explique em termos de dificuldade de acesso, raridade de meios, escassez de oportunidades e informação política disponível, ou até mesmo como Robert Putman (2000) coloque, a presença dos meios de massa. A abundância de meios tecnológicos e acesso, por se só, não formará uma cultura da participação política (BOHMAN, 2004). Durante oito anos a CLP, mostra que existem recursos tecnológicos para a participação. Porém neste presente momento, este trabalho careces, dos dados necessários, que só uma futura sondagem apontará a eficácia do processo. Contudo, isso não quer dizer que não se devam explorar ao extremo todas as possibilidades democráticas comportadas nos ambientes políticos e nas ferramentas na internet. Assim é preciso identificar a potencialidade e o real papel na democracia, evitando atribuir às iniciativas e ferramentas esperanças e papéis característicos que não lhes pertence. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BARBROOK, Richard. A regulamentação da liberdade: liberdade de expressão, liberdade de comércio e liberdade de dádiva na rede. BIMBER, Bruce. The Internet And Citizien Communication Witj Government:Does the Medium Matter? Political Communication, 16, 1999, p BOHMAN, James. Expanding dialogue: The Internet, the public sphere and prospects for transnational democracy. The Sociological Review, 52 (s1), 2004, p BRANTS, Kees. Politics is E-verywhere. Communications, 27, 2002, p

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