Em regra, todos os créditos podem ser cedidos (art. 286 CC) a) Créditos de natureza personalíssima;

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1 Turma e Ano: Flex B (2013) Matéria / Aula: Direito Civil / Aula 11 Professor: Rafael da Mota Mendonça Conteúdo: V- Transmissão das Obrigações: 1. Cessão de Crédito. V - Transmissão das Obrigações: 1. CESSÃO DE CRÉDITO (cont.): Em regra, todos os créditos podem ser cedidos (art. 286 CC) Exceções: a) Créditos de natureza personalíssima; b) Lei proibir a cessão; c) Acordo de vontades. a) Créditos de natureza personalíssima: Ex: Crédito salarial; crédito alimentar; b) Lei proibir a cessão Ex1: Art. 298 CC - não é possível ceder crédito penhorado por expressa determinação legal. É possível ceder crédito litigioso? O art. 298 do CC proíbe somente o crédito penhorado. A doutrina defende que é possível ceder crédito litigioso, sendo a cessão de crédito litigioso considerada contrato aleatório.

2 Ex2: art. 426 CC - proíbe a venda de herança de pessoa viva, incluindo-se nessa proibição a cessão de herança de pessoa viva. c) Acordo de vontades as partes podem acordar a proibição a cessão de créditos. 1.3 Partes da Cessão de Crédito: Credor Cedente Devedor Cedido Terceiro Cessionário O crédito é um bem móvel (por imposição legal - art. 83, III do CC) incorpóreo. O negócio jurídico que envolve a transferência de crédito é denominado cessão de crédito. 1.4 Requisitos da Cessão de Crédito: Os requisitos da cessão de crédito abrange todos os requisitos dos negócios jurídicos em geral: partes capazes e legítimas; objeto lícito, possível e determinado ou determinável; forma prescrita e não defesa em lei; consentimento livre, etc. 1.5 Forma da Cessão de Crédito: Consoante o art. 288 CC, a cessão de crédito é um negócio jurídico solene: deve ser realizada de forma expressa, por instrumento público ou particular revestido das solenidades do 654, 1º (contrato de mandato - procuração). Tal remissão é muito criticado pela doutrina, pois o contrato de mandato não tem nenhuma relação com a cessão de crédito.

3 Se o crédito é um bem móvel para que a cessão de créditos produza efeitos perante terceiros deverá ser registrado no Cartório de Títulos e Documentos (art. 221 CC c/c art. 129, n.9 da Lei de Registros Públicos). O Princípio da Gravitação Universal recai sobre a cessão de crédito (art. 287 CC), ou seja, a cessão de crédito abrange o crédito com todos os seus encargos. O cessionário assumirá o crédito com todos os seus acessórios, ou seja, ele assume a posição creditícia frente ao devedor. Tudo o que o credor originário (cedente) poderia exigir do devedor, o cessionário o fará. A relação obrigacional originária se mantém intacta, apenas com a alteração do polo ativo. Cessão de Crédito x Novação na novação há a extinção da obrigação originária, enquanto na cessão de crédito esta se mantém. 1.6 Notificação do devedor: É necessário que o devedor autorize a cessão de crédito? Não é necessária a autorização do devedor, mas tão somente que ele seja notificado (art. 290 CC). A ausência de notificação atua no plano da eficácia do negócio jurídico, tornando-o ineficaz em relação ao devedor. Isso porque o devedor deverá tomar ciência da cessão de crédito para que ela produza efeitos em relação a este. A notificação poderá ser realizada tanto pelo cedente (credor) quanto pelo cessionário. Na prática, normalmente é o próprio cessionário que notifica o devedor (cedido). A jurisprudência já vem entendendo que a citação na ação de cobrança funciona como uma forma de dar ciência ao devedor sobre a cessão de crédito. Observe-se que, mesmo antes do devedor tomar ciência da cessão, o cessionário poderá praticar atos para conservar o direito cedido (art. 293 CC).

4 Ex: Em caso de fraude contra credores, a ação pauliana poderá ser proposta pelo cessionário, mesmo que o devedor ainda não tenha sido notificado sobre a cessão. Se o devedor, antes de tomar ciência da cessão, paga ao credor primitivo (credor putativo), o pagamento produzirá seus efeitos regulares (art. 292 CC) - o pagamento feito de boa fé a credor putativo extingue a obrigação (art. 309 CC). Obs1: Despatrimonialização do direito civil alguns autores (Fabrício Carvalho - Direito das Obrigações), invocando o fenômeno da despatrimonialização, defendem ser possível o devedor se opor à cessão de crédito, desde que de forma justificada. Entretanto, devemos tomar cuidado com tal entendimento, pois não tem previsão legal, tratando-se de uma construção doutrinária com base na despatrimonialização e tutela de situações existenciais / extrapatrimoniais. Obs2: No silêncio do devedor após a notificação considera-se que foi dado-lhe ciência? O silêncio do devedor não importa em notificação, sendo necessário que o mesmo se declare ciente da cessão em escrito público ou particular. STJ - A manifestação de conhecimento acerca da cessão pelo devedor supre a necessidade de sua notificação (REsp ). 1.7 Exceções Pessoais na Cessão de Crédito (art. 294 CC): Exceção pessoal é qualquer direito de natureza personalíssima que o devedor pode opor em face do credor (ex: compensação). A exceção pessoal que o devedor possuía em face do cedente pode ser oposta em relação ao cessionário? Conforme o art. 294 do CC, o devedor poderá

5 opor em face do cessionário todas as exceção que possuía em relação ao cedente até a data da cessão. O momento adequado para o devedor opor tais exceções em face do cessionário é quando tomar ciência da cessão, o que ocorre com a sua notificação, caso contrário ocorrerá a preclusão. O art. 377 do CC prevê expressamente a possibilidade de arguição da compensação na cessão de crédito, desde que o faça na data em que toma ciência da cessão. 1.8 Responsabilidade do cedente perante o cessionário: A cessão de crédito poderá ocorrer a título gratuito ou oneroso. a) Cessão de crédito onerosa cedente é responsável pela existência do crédito ao tempo da cessão (art. 295, 1ª parte do CC). Ex: A cessão onerosa é muito comum em caso de precatórios, caso em que o cedente será responsável pela existência do crédito. b) Cessão a título gratuito: Boa fé - cedente não responde por nada; Má fé - cedente continua responsável pela existência do crédito. Obs1: Deveres anexos da boa fé objetiva: A doutrina contemporânea entende que, mesmo diante do silêncio do art. 295 do CC, o cedente responderá pelos deveres anexos da boa fé objetiva (dever de informação, dever de cooperação)

6 Ex: quando o cedente transfere o crédito ao cessionário deverá repassar todas as informações imprescindíveis para que ele possa cobrar o devedor, sob pena de inadimplemento do cedente. Obs2: Cessão de crédito a non domini: Trata-se da cessão de crédito por quem não é dono (não é o titular do crédito). A cessão de crédito a non domini seguirá a mesma lógica da transferência a non domini, aplicando-se por analogia o art. 1268, caput do CC - a cessão de crédito por quem não titulariza o crédito será ineficaz. Silvio Rodrigues sustenta que a cessão de crédito a non domini constitui uma possibilidade de evicção. Segundo o doutrinador, se o verdadeiro titular do crédito reivindica o crédito do cessionário e a decisão judicial determina a perda do seu direito de crédito em favor de terceiro (titular do crédito), teremos uma forma de evicção. 1.9 Espécies de Cessão de Crédito: a) Pro soluto (regra geral - art. 296 CC) é aquela em que o cedente não se responsabiliza perante o cessionário pela solvência do devedor. b) Pro solvendo é aquela em que o cedente responderá perante o cessionário pela solvência do devedor, dependendo de acordo de vontade nesse sentido. Neste caso, o cedente terá responsabilidade subsidiária em relação ao que recebeu + juros + despesas com a cessão (art. 297 CC).

7 2. ASSUNÇÃO DE DÍVIDA (ou Cessão de Débito): 2.1 Conceito: É a alteração do polo passivo da relação obrigacional devido à celebração de um negócio jurídico. 2.2 Natureza Jurídica: Negócio Jurídico. 2.3 Consentimento do Credor: Na assunção de dívida é necessária a notificação e o consentimento expresso do credor, que poderá se opor a mesma. Obs: # Cessão de crédito - não é necessária a autorização do devedor. Silêncio = Recusa do Credor: O silêncio deve ser entendido como consentimento ou recusa do credor? Consoante o art. 299, parágrafo único do CC, o silêncio do credor equivale a uma recusa. Obs1: Abuso do direito de recusa (art. 187 CC) o credor deverá justificar a sua recusa, sob pena de exercício abusivo do direito. Obs2: Aquisição de imóvel hipotecado pelo terceiro poderá ser considerada uma assunção de dívida, desde que o credor seja notificado e consinta. Por outro lado, conforme disposto no art. 303 CC, se o credor

8 permanecer em silêncio, não impugnando no prazo de 30 dias contados a partir da notificação, este será considerado como consentimento. Enunciado 353 CJF - Art A recusa do credor, quando notificado pelo adquirente de imóvel hipotecado, comunicandolhe o interesse em assumir a obrigação, deve ser justificada. Portanto, o silêncio do credor na assunção de dívida poderá funcionar como recusa ou anuência. Em regra, o silêncio na assunção de dívida será considerado uma recusa, mas excepcionalmente, no caso de aquisição de imóvel hipotecado, funcionará como anuência.

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