Intervenção de abertura. António Saraiva, Presidente da CIP

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1 CONFERÊNCIA RELANÇAR O INVESTIMENTO EM PORTUGAL FUNDAÇÃO CALOUSTE GULBENKIAN 16 MARÇO 2015 Intervenção de abertura António Saraiva, Presidente da CIP Senhor Ministro da Economia Senhor Vice-Presidente da Comissão Europeia, Senhor Comissário, Senhores membros do corpo diplomático, Distintos oradores, Caros empresários, Minhas senhoras e meus senhores, A visita a Portugal do Senhor Vice-Presidente da Comissão Europeia, Jyrki Katainen, e do Senhor Comissário Carlos Moedas proporcionou-nos a oportunidade de reunir nesta tarde um conjunto único de altos decisores no domínio da política económica, a nível europeu e nacional para, com as empresas,

2 2 apresentar e debater uma série de instrumentos com vista ao relançamento do investimento. É meu dever agradecer, em primeiro lugar, a disponibilidade do Senhor Ministro da Economia, do Senhor Vice-Presidente da Comissão Europeia e do Senhor Comissário Carlos Moedas para participarem nos nossos trabalhos. Agradeço igualmente a todos os oradores terem aceitado o nosso convite. Agradeço ainda à Representação da Comissão Europeia em Portugal, que com a CIP promoveu e organizou esta Conferência, todo o empenho que colocou na sua realização. Senhora Dr.ª Maria de Aires Soares, sem o seu esforço e de toda a sua equipa, este evento não teria sido possível. O tema comum que aqui nos reúne é o relançamento do investimento em Portugal.

3 3 Se a falta de crescimento e o desemprego são os nossos maiores problemas, o investimento é um ingrediente chave para o crescimento e o emprego Ora entre 2008 e 2014, o investimento caiu em Portugal 34% em termos reais, reduzindo o seu peso no PIB de mais de 23% para 16.3%. Sem a retoma do investimento, nomeadamente do investimento empresarial para reposição, aumento e modernização de capacidade produtiva, os recentes progressos conseguidos pela economia portuguesa podem ser facilmente reversíveis. Para além do relançamento do investimento privado produtivo, não podemos esquecer o papel do investimento público em prol da promoção da competitividade da economia portuguesa, em particular das atividades produtoras de bens e serviços transacionáveis, e tirando proveito da posição geoestratégica do nosso país.

4 4 Encontram-se, neste âmbito, as infraestruturas de transporte e logística, com vista a uma melhoria da conectividade internacional. É o caso dos portos, das linhas ferroviárias interoperáveis de transporte de mercadorias que os vão ligar à Europa, das plataformas logísticas e das redes de transporte de energia. No passado, Portugal falhou essencialmente pela incapacidade de canalizar eficazmente os recursos de que dispusemos, ao não fazer reverter os benefícios da abundância de capital a baixo custo em favor do investimento produtivo modernizador que nos permitisse aumentar a capacidade de oferta de bens e serviços valorizados nos mercados, sobretudo nos mercados externos. Os recursos de que dispomos hoje são mais escassos.

5 5 Estamos limitados pela necessidade de consolidação das finanças públicas. Temos uma capacidade mais limitada de financiamento por parte do sistema bancário e, sobretudo, uma perceção de risco muito mais restritiva. Mas temos, por outro lado, uma situação, a nível mundial, de grande liquidez nos investidores institucionais. Sob o Plano de Investimento para a Europa, será brevemente criado um fundo que, com 21 mil milhões de euros de verbas da Comissão Europeia e do BEI, tem por objetivo, através da concessão de garantias, alavancar o investimento na Europa em 315 mil milhões de euros, em três anos. Ao nível europeu, temos ainda o maior programa-quadro de sempre de investigação e inovação da União Europeia, o Horizonte 2020, com um orçamento no valor de 80 mil milhões de euros.

6 6 Em Portugal, estão disponíveis mais de 25 mil milhões de euros de fundos estruturais, até Contaremos com a nova Instituição Financeira de Desenvolvimento, a qual esperamos venha a colocar no centro das suas preocupações e atuação o apoio ao desenvolvimento, lançamento e implantação de novos instrumentos de recapitalização e financiamento das PME. O novo Código Fiscal do Investimento proporciona algumas melhorias no enquadramento fiscal. É fundamental assegurar uma utilização eficaz de todos estes recursos e instrumentos, de modo a contribuir para que Portugal retome o caminho de convergência.

7 7 Tal depende da forma como forem concebidos e implementados estes apoios, mas também da mobilização das empresas para os aproveitarem ao serviço de estratégias capazes de enfrentar com sucesso a globalização e colocar a economia portuguesa no caminho do crescimento. Espero que esta Conferência contribua para este desígnio.

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